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sábado, 23 de dezembro de 2017

Que venha 2018

2017 termina com o Brasil em situação bem melhor da que estava quando o ano começou. Ficou para trás a pior recessão da história, a chaga do desemprego começou a ser superada e uma tão importante quanto necessária agenda de reformas conseguiu dar mais alguns passos. Mas a real travessia em direção a um país melhor depende muito do que acontecerá em 2018.

É bastante relevante que a nossa economia tenha conseguido levantar-se de um buraco de 3,5% negativos e voltado aos trilhos do crescimento, com alta de 1% do PIB neste ano e perspectiva de expansão de 2,6% em 2018. Quando 2017 começou os prognósticos eram menos otimistas: 0,5% e 2,2%, respectivamente, segundo o Boletim Focus do dia 13 de janeiro.

Entre as nações relevantes, o Brasil terá a segunda reação mais robusta no biênio 2016-2017, superado apenas pela Argentina, onde a agenda reformista de Mauricio Macri deu passo importante nesta semana, com a aprovação de novas regras para aposentadorias. Não é coincidência: o caminho para superação do populismo que vitimou lá como cá é o mesmo.

Entre os avanços mais significativos obtidos pelo Brasil neste ano estão a queda da inflação, hoje no menor patamar em 19 anos, e a redução da taxa básica de juros para sua mínima histórica. Conjugados, ajudaram a recuperar o poder de compra dos salários e beneficiaram sobretudo as famílias mais pobres.

Falta vencer o desemprego-monstro legado pela desastrosa política econômica patrocinada por Lula e Dilma. Depois de atingir seu ápice em meados do primeiro semestre, a taxa felizmente vem recuando. Mas ainda resta muito: apesar das 302 mil vagas geradas no mercado formal desde janeiro, ainda existem 12,7 milhões de brasileiros desocupados, de acordo com a Pnad. Este é o maior desafio do país.

Houve avanços menos tangíveis em 2017, mas nem por isso menos importantes. Alguns nichos do governo Michel Temer  como a equipe econômica  dedicaram tempo e energia para preparar diagnósticos mais precisos sobre o atraso que o país tem que enfrentar e superar. O país viu-se melhor refletido no espelho e a alquimia fiscal deu lugar ao realismo.

No entanto, o pragmatismo na política acabou cobrando seu preço e sabotando iniciativas fundamentais para o país. A agenda de reformas precisa avançar muito mais e o rigor com as contas públicas exige intransigência maior no enfrentamento de quistos de resistência e corporativismo incrustados no Estado nacional. O governo não teve força suficiente para arrostá-los.

Mas o destino da nação será efetivamente jogado no ano que vem. No reencontro com as urnas, depois do trauma de uma eleição em que a vitória petista deu-se eivada de ilícitos, o país definirá não apenas o governo dos próximos quatro anos, mas o futuro de uma geração.

O Brasil está no fio da navalha. Precisa persistir e aprofundar o caminho reformista, liberal e modernizante que apenas tangenciou nestes últimos 19 meses. Precisa evitar o abismo e o retrocesso que o triunfo de candidaturas populistas, demagógicas e corruptas pode descortinar.

Se incorrermos numa escolha errada, a década que já perdemos será multiplicada várias vezes, enterrando de vez as perspectivas de milhões de brasileiros. A missão é vencer o atraso. Que venha 2018.