A possibilidade de o atual partido no poder ganhar mais quatro anos à frente do governo está disseminando pânico na economia. É uma das raras vezes em que o conhecido suscita mais desconfiança do que credibilidade. Quem cuida do dinheiro prefere não correr o “risco Dilma”.
Ontem, o mercado financeiro brasileiro reagiu bastante negativamente às pesquisas eleitorais dos últimos dias. Preços das ações em queda expressiva – principalmente as das já castigadas estatais – e cotação do dólar em disparada.
A leitura que o mercado faz do cenário eleitoral é exagerada. Nem é provável que se dê o pior dos mundos, ou seja, que Dilma Rousseff liquide a fatura em primeiro turno, nem se pode dizer que a oposição não conseguirá derrotar o petismo no segundo turno. Neste momento, o certo é que não é possível saber quem disputará a rodada de 26 de outubro.
Queiramos ou não, as reações das finanças causam efeitos no bolso de todo mundo. O dólar, por exemplo, subiu 11% em um mês e ontem chegou ao maior patamar desde dezembro de 2008, auge da crise global. O movimento pode ter como consequência a aceleração da inflação e levar problemas às já esfrangalhadas contas externas, cujo rombo quase dobrou desde 2010.
Com o pânico, o mercado também já começou a ajustar as taxas de juros para cima. Os efeitos no dia a dia vêm na forma de encarecimento do custo de crédito, que enforca ainda mais os endividados e sufoca de vez a nossa já combalida economia.
A desconfiança geral deve-se ao fato de o Brasil ter hoje uma das piores combinações do mundo: inflação alta e crescimento baixo. Agora até o Banco Central já trabalha com projeções para o PIB deste ano perto de zero, enquanto o mundo como um todo deve crescer 2,5% e nossos vizinhos latino-americanos, 1,7%.
O “risco Dilma” avulta no horizonte na mesma medida em que o governo da atual presidente se recusa a admitir problemas, inventa bodes expiatórios para justificar seu fracasso e se furta a apontar que rumos poderia tomar caso os eleitores cometam a temeridade de manter o PT no comando do país por mais quatro anos.
Estamos diante de situação insólita: o temor que o conhecido desperta. Em 2002, o país viveu o inverso: o receio quanto à eleição de Lula. Mas, sabiamente, o PT optou por rezar pela cartilha herdada do PSDB e, enquanto assim procedeu, o Brasil foi bem. Anos depois, foi só o PT fazer o que acredita e defende para o caldo entornar.
O que pagamos hoje é o preço da desconfiança. Não apenas de investidores. Mas dos brasileiros em geral, que trabalham, produzem e consomem. Sabemos todos que a economia vive de expectativas e, com Dilma Rousseff mais quatro anos no Planalto, elas são as piores possíveis. Este risco não vale a pena corrermos.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Mês do desgosto
A presidente Dilma Rousseff não encontrará sopa no retorno do Congresso às atividades, a partir desta semana. Há muito não se via um governo tão fraco e desprovido de apoio parlamentar, fruto direto da maneira inábil e arrogante com a qual o Planalto vem pautando suas relações com o Legislativo nos últimos anos.
Quando o recesso branco começou, na terceira semana de
julho, os articuladores do governo divulgaram que a presidente aproveitaria a
parada para pôr ordem na casa e impor um freio de arrumação na administração. Nada
feito. Os desacertos continuaram a se repetir na mesma cadência de sempre.
O governo manteve sua rotina de decidir e depois desistir,
como no caso do programa Mais Médicos, da portaria sobre procedimentos para
mudança de sexo no SUS, da suspensão das atividades da Marinha. A tônica é a
mesma: desfaz-se num dia o que fora feito no anterior. Impera a desorientação.
Não surpreende que governo tão mal ajambrado tenha apoio tão
periclitante tanto na sociedade como no Parlamento. Há estatísticas para todos
os gostos e todas levam à mesma conclusão: o prestígio da presidente Dilma é
cadente, não apenas entre deputados e senadores, mas, principalmente, entre a
população em geral.
A petista dispõe, segundo a Folha de S.Paulo,
da base parlamentar mais indisciplinada desde a redemocratização do país. De acordo
com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, no primeiro semestre os
partidos aliados acompanharam a orientação do Planalto em somente 69% das
votações. Nem Lula em seus piores momentos foi tão mal.
O número de parlamentares fiéis ao governo também é
declinante. Segundo O Estado de S.Paulo, apenas um quinto da Câmara vota hoje sistematicamente
seguindo as ordens do Executivo. O bloco governista já teve 17 partidos e hoje
conta com apenas oito, já incluindo na conta o PT. Ou seja, nove legendas já
pularam fora do barco.
Os próprios petistas consideram que os aliados certos atualmente
seriam apenas 25 no Senado e 120 na Câmara, como mostra hoje o Valor Econômico. Nada bom para um
governo eleito por uma imensa coligação formada por dez partidos e que começou
o mandato apoiado por 62 dos 81 senadores e 400 dos 513 deputados.
Além de desgastada junto aos brasileiros em geral e à classe
política em particular, Dilma sofre erosão em outras frentes. Os empresários
também já se encheram da presidente. Percebem estar diante de um governo que
decide mal; que brinca com coisa séria, como a inflação; que não garante
confiança e segurança para quem quer construir um futuro mais próspero.
E o que faz a presidente para tentar fugir do beco sem saída
em que se meteu? Apela para as mais abjetas práticas da política, como o toma-lá-dá-cá
da liberação de emendas parlamentares, sempre privilegiando o PT, ou corre
para o colo de seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Possivelmente, atitudes desta natureza não vão ajudar Dilma a
melhorar sua avaliação nem a descascar o imenso abacaxi que a espera na
retomada das atividades do Congresso. Na pauta parlamentar, estão a derrubada
do veto presidencial ao fim da multa rescisória de 10% do FGTS em caso de
demissões sem justa causa; a aprovação do Orçamento impositivo; a definição
sobre a partilha dos royalties; a famigerada medida provisória dos médicos – e por
aí vai.
Em suas manifestações públicas, a presidente da República continua
agindo como se estivesse tudo às mil maravilhas. Se está, não parece. Dilma Rousseff
tem demonstrado que só consegue produzir respostas velhas para um Brasil que
quer se renovar. Agosto será um bom teste para saber até onde vai o alheamento
da presidente. É bem provável que o mês lhe renda muitos desgostos.
sábado, 3 de agosto de 2013
A rainha nua
Nada traduz melhor o atual estado e a fraqueza da chefe da nação para lidar com as questões do país do que a pesquisa que o Ibope divulgou ontem sobre a confiança dos brasileiros nas instituições e grupos sociais. Dilma Rousseff conseguiu enxovalhar, como nunca antes na história, a reputação da Presidência da República.
O levantamento mostra que o grau de confiança da população na
instituição “presidente da República” caiu de 63 em 2012 para 42 neste ano. Foi
a maior queda medida pelo Ibope, tanto em termos absolutos (21 pontos), quanto
relativos (33%), nesta rodada – a quinta desde que a pesquisa anual passou a
ser feita, em 2009.
A brutal queda na percepção positiva que os cidadãos têm
sobre a figura da presidente da República também representa o triplo da redução
média verificada na confiança que os brasileiros nutrem pelas instituições do
país em geral, que foi de 7 pontos ou 13%: passou de 54 para 47 pontos, numa
escala que vai de 0 a 100.
Desde que Dilma assumiu o governo, há dois anos e meio, a
confiança dos brasileiros na figura da presidente já caiu quase 40%. Até a
gestão passada, a Presidência era considerada a 3ª instituição mais confiável,
atrás apenas dos bombeiros e das igrejas. Hoje, é apenas a 11ª mais respeitada.
“No primeiro ano de governo de Dilma Rousseff, seu índice de
confiança caiu de 69 para 60. Recuperou-se para 63 no ano seguinte, e despencou
agora para 42 – uma nota ‘vermelha’. Em um ano, saiu da 4ª posição no ranking
para a 11ª. Nenhuma outra instituição perdeu tantas colocações em tão pouco
tempo”, informa O Estado de S.Paulo, que divulgou os resultados da pesquisa do Ibope, chamada Índice de
Confiança Social.
Em regiões e grupos sociais específicos, a presidente goza
de ainda menos confiança junto aos brasileiros. No Sudeste, seu índice caiu de 60
para 34 em um ano. Entre as classes A e B, chegou a 36. Só o Nordeste e as
classes D e E continuam salvando Dilma de uma avaliação ainda mais amarga.
Entre 2012 e 2013, a queda de confiança foi generalizada e
atingiu todas as 18 instituições pesquisadas. Mas as únicas com desempenho tão
negativo quanto a presidente da República são o governo federal, com queda de
23% desde 2012, e o sistema público de saúde, com perda de 24%. Ou seja, também
estão intimamente relacionadas ao desempenho da atual gestão. Todas as demais instituições perderam
menos de 20% entre um ano e outro.
O levantamento vem se somar às pesquisas de opinião pública mais
recentes, que demonstram a ascendente desaprovação da população brasileira ao jeito
Dilma de governar. Fica cada vez mais evidente sua incapacidade para enfrentar
os crescentes problemas que o país atravessa. Fica cada vez mais nítida sua
falta de talhe para o cargo. A rainha está nua.
Cada vez mais, os brasileiros vão se apercebendo que estão
diante de um governo sem norte, sem comando, sem outros propósitos que não seja
unicamente preservar, a todo o custo, o poder conquistado e exercido ao longo
de uma década.
O governo Dilma está se notabilizando por conduzir o país a
um grau alarmante de paralisia e de preocupante desorientação. Suas propostas e decisões
não conseguem sobreviver ao choque da realidade. Suas ideias não correspondem
aos fatos. Suas intenções esbarram na inépcia de quem não se mostra capaz de transformar
o que é papel e saliva em realidade.
Suas muitas promessas continuam sem ser cumpridas – vide o
que acontece em qualquer uma das áreas de infraestrutura, das ferrovias aos
aeroportos e estradas. Sua incapacidade para enxergar o óbvio chega a cegar – veja-se
o risco ascendente que agora rondam as privatizações que o governo federal pretende
levar adiante nos próximos meses.
A indústria definha, num ziguezague que só tende a levá-la
ainda mais fundo para o buraco. O comércio exterior nunca esteve tão mal,
abatido por importações cavalares de petróleo num país que até outro dia se dizia
autossuficiente. Os serviços públicos continuam em petição de miséria – na
pesquisa do Ibope, o sistema de saúde só não é mais mal avaliado que o Congresso
e os partidos políticos.
É inegável que a perda de confiança da população na figura que
exerce a função mais importante no país acaba respingando nas demais esferas. Com
sua péssima atuação à frente do governo, a presidente está conseguindo erodir não
apenas o seu capital político, mas também depreciar ainda mais todas as
instituições da República. A dose de malefícios que ela está impondo ao Brasil já
ultrapassou os limites. A pesquisa feita pelo Ibope é o retrato mais fiel de
que o tempo de Dilma Rousseff passou.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Crise de confiança
Até pouco tempo atrás, o Brasil esteve às voltas com problemas internos, decorrentes da incompetência do governo Dilma em resolver os entraves que dificultam o desenvolvimento do país. Mas, de alguns dias para cá, a situação mudou. Agora, é o mundo todo que percebe o que os brasileiros veem todos os dias: a gestão da nossa economia é caótica, temerária, irresponsável. O país enfrenta uma crise de confiança.
A onda de más
notícias vem se avolumando nas últimas semanas. É o pibinho, a inflação nas
alturas, os juros em alta, o dólar em escalada, o rombo na balança comercial, o
déficit nas contas externas, a completa balbúrdia na gestão das contas públicas.
A este caldo de maus
resultados, o governo da presidente deu de ombros. Manteve-se descuidado com os
interesses do país, dedicando-se de maneira excessiva e extemporânea a uma
disputa eleitoral cujo desfecho só se dará daqui a mais de 15 meses. Parece ter
dado de barato que o terreno até lá estaria aplainado, mas derrapou na primeira
curva que apareceu.
O caldo indigesto engrossou
com o anúncio da perspectiva de rebaixamento da nota de crédito do país pela Standard
& Poor’s, feito na semana passada. E ficou ainda mais apimentado com a
percepção, trazida pelo Datafolha, de que a população está sentindo no bolso
que a situação vai mal e tende a piorar: os 51% que até março achavam que as condições econômicas do país iriam melhorar caíram agora para 39%, empurrando
a popularidade de Dilma para baixo.
O pessimismo não se
limita a questões de momento, mas se deve, em especial, a uma deterioração das
expectativas quanto ao futuro, o que é mais sério. Todos os fatores que os
brasileiros hoje temem tendem a ficar piores amanhã: a inflação, o desemprego, a
situação econômica geral.
De tudo isso, resulta
uma crise de confiança no país. Não são apenas investidores que estão
ressabiados. É também, e principalmente, o brasileiro comum, que vê seu dinheiro
acabar antes do fim do mês e as perspectivas turvarem-se, sem conseguir enxergar
no governo de turno a capacidade necessária para superar o momento de
dificuldades.
O dinheiro que antes
irrigava nossa economia, permitia a geração de emprego e alimentava o consumo vai
escasseando. As empresas começam a enfrentar sérios apuros, seja de
endividamento, seja de crédito. Só neste trimestre, as maiores companhias do
país viram suas dívidas crescer R$ 5,7 bilhões, comendo um quarto dos lucros
acumulados no início do ano, segundo O Globo.
Os brasileiros voltaram
a ouvir termos há muito esquecidos. A “disparada do dólar” está de volta,
encarecendo produtos (inclusive bens de consumo duráveis, como
eletrodomésticos), empurrando a inflação ainda mais para cima e ameaçando os
ganhos das companhias. Sem lucro, o investimento privado não acontece e a
produção não sobe, o emprego não vem, a inflação persiste.
O “risco-país” ressuscitou
e, como um morto-vivo, voltou a amedrontar, com alta de 25% em apenas 30 dias. Também
no último mês, o custo de proteção contra um calote da dívida brasileira
registrou a maior alta entre os principais mercados do mundo. Quem tem dinheiro
quer distância do Brasil – ainda mais quando os EUA voltam a se mostrar um
porto seguro e rentável. Até nosso Banco Central já tem diretor demissionário, como
mostra o Correio Braziliense.
Sinal também
evidente da desconfiança em relação ao país é o comportamento dos investidores em
ações de empresas. Entre as principais praças globais, a bolsa brasileira é a
que mais cai neste ano: queda de 18,35% até ontem, com nossas empresas perdendo
US$ 162 bilhões em valor de mercado desde janeiro.
A crise é generalizada
e visível, menos para Guido Mantega, que faz, na Folha de S.Paulo, juras de amor ao superávit primário que sua gestão
descumpriu em três dos quatro últimos anos – e depois de aumentar as despesas
federais em R$ 150 bilhões (quase 1% do PIB) desde 2010. Acena até com a
obtenção de um déficit nominal zero que Dilma, outrora, considerou “rudimentar”.
Alguém há de crer?
“Chegou ao fim, pelo
menos para os países emergentes, a era de experimentalismos em matéria de
política econômica. Começa a se fechar a janela de oportunidade, propiciada
pelo excesso de liquidez no mundo, para realização de reformas estruturais. O
Brasil está saindo do ciclo internacional de liquidez com inflação mais alta,
crescimento menor, baixa taxa de investimento, déficit externo crescente,
deterioração das contas públicas e credibilidade abalada”, resume Cristiano
Romero no Valor Econômico, em análise que é leitura obrigatória.
O governo da
presidente Dilma Rousseff não soube caminhar num ambiente de razoável
estabilidade e recuperação econômica, como foram os últimos meses. E não
demonstra ter a menor condição de sair-se bem numa turbulência como a que se
avizinha. O que antes era razoavelmente simples, agora ficou praticamente impossível.
Os motores vão sendo desligados, o país caminha para parar de vez. Infelizmente.
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