O Brasil parecia ter acabado no início de 2016. Tamanha era a ruína e tão parcas as perspectivas que a esperança em dias melhores era praticamente nula. O impeachment de Dilma Rousseff e, a partir dali, a adoção de políticas orientadas a reconstruir o país em bases sólidas e responsáveis colaboraram para ressuscitar a confiança.
Desde então, mesmo a duríssimas penas, o Brasil avança para superar o estrago que 13 anos de gestão petista nos legaram. Está em marcha a recomposição das contas públicas, a redefinição do papel do governo na vida das pessoas e a remodelagem do tamanho do Estado na economia.
Não é pouca coisa. Mas ainda vai levar muito tempo até que o estrago herdado seja consertado. Basta ver o que está acontecendo na vizinha Argentina. Neste ano, em função de uma agenda ousada de reformas orientadas a sepultar o populismo kirchnerista, o país terá seu maior crescimento desde 2012, relata o Valor Econômico. Demorou.
No Brasil, a atual oposição se sente confortável em apontar as mazelas do país, mas se exime de admitir que a fatura foi ela mesma, enquanto era governo, que gerou. A conta dos gastos estratosféricos que quebram o Estado, o desmanche das estatais, a irresponsabilidade que semeou um imenso cemitério de obras inacabadas pelos quatro cantos do país têm a assinatura do modo PT de governar.
A inépcia não foi meramente gerencial e econômica. Foi também, e sobretudo, socialmente irresponsável. Não há o antes e o agora nas condições de vida e bem-estar da população, como bradam os petistas. Há no presente um pesado fardo derivado da inépcia dos governos de Dilma e Lula que produziu empobrecimento, desemprego e retrocessos sociais.
Note-se, por exemplo, o que o Ipea constatou por meio do chamado Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Já em 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma, o processo de avanços sociais no país começou a retroceder, informa O Globo. Já então, ao contrário do que diz o discurso petista, a vida no país passou a piorar.
Com a recessão econômica, iniciada no começo de 2014, renda e trabalho já afundavam sob a gestão do PT, num mergulho que chegaria muito mais além até que o país finalmente conseguisse se livrar de Dilma, em maio de 2016. O Estado, por seu turno, também já exibia sinais de exaustão, com redução de investimento e extinção de programas.
Houve avanços sociais durante os anos de governo petista? Inegável que sim. Mas o mesmo IVS mostra que o ímpeto inicial, da primeira década do século, foi baixando e, a partir de 2011, recuou a um ritmo equivalente a um quarto do que fora registrado nos dez anos anteriores. De 2015 para cá, terá piorado.
Caso queiramos continuar a reconstruir o país em bases duradouras, esse deveria ser o necessário debate a ser travado com vistas às eleições do próximo ano. Se quer ser novamente presidente da República, caso a Justiça não o mande antes para a cadeia, Lula, o líder maior das políticas petistas que produziram a ruína, deveria usar suas andanças para explicar aos eleitores por que seu partido fracassou tão rotundamente e deixou esta gigantesca conta para 200 milhões de brasileiros pagarem.
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017
sábado, 19 de agosto de 2017
No pó da estrada
Pode ainda parecer pouco, mas há muito tempo não saia uma fornada tão recheada de indicadores positivos apontando ares melhores na economia brasileira. Não é nada trivial retirar a atividade do abismo em que foi colocada pelo PT, mas o pior da crise patrocinada por Lula, Dilma & Cia está ficando na poeira.
A atividade começa a reagir de forma mais disseminada, com efeitos positivos também onde a recuperação mais precisa ser sentida: na geração de empregos. Vendas no varejo estão em alta, assim como a indústria e os serviços, sempre de acordo com as pesquisas conjunturais feitas pelo IBGE. Falta ainda os investimentos reagirem.
Poderão ser suficientes para decretar a estabilidade do PIB no segundo trimestre, mais ou menos em linha com a leve alta de 0,25% que o Banco Central divulgou ontem. No entanto, ainda são cisco perto do estrago que precisamos superar: são mais de 7% de retração do PIB e perda de mais de 10% da renda média dos brasileiros acumulados ao longo de três anos.
Qualquer crescimento econômico neste ano já será feito notável. Com as projeções se concentrando em torno de uma alta de 0,3% a 0,5% na economia até dezembro, trata-se de uma recuperação de cerca de quatro pontos do PIB em apenas um ano. Até a distribuição de renda melhorou, estimou a FGV, segundo o Valor Econômico. Não é pouca coisa.
Quando o IBGE divulgou o resultado da economia no primeiro trimestre, as leituras correntes à época davam conta de que aquela alta de 1%, ainda muito dependente da agropecuária, seria mero espasmo, com previsão de o PIB voltar a cair nos três meses seguintes. Não foi o que efetivamente aconteceu. O resultado oficial será conhecido em 1° de setembro, mas a atividade mostrou ter resistido até à crise política fabricada a partir de maio.
Não é caso, óbvio, de euforia. Longe disso. Há um longo e pedregoso caminho pela frente para que o país retome um ritmo de produção compatível com as necessidades de quem tem que gerar vagas para 13,5 milhões de pessoas hoje ainda desempregadas e 26,3 milhões de brasileiros sem trabalho adequado, conforme o IBGE mostrou ontem.
Isso torna ainda mais impositiva, até para evitar a explosão da dívida e das finanças públicas, a agenda de ajustes e reformas contra as quais forças irresponsáveis – ou mesmo incendiárias, como as ligadas ao antigo governo – se insurgem no Congresso. Para ir mais longe, será preciso muito mais. O esforço para acelerar está apenas começando. Não atrapalhar já ajudará bastante.
A atividade começa a reagir de forma mais disseminada, com efeitos positivos também onde a recuperação mais precisa ser sentida: na geração de empregos. Vendas no varejo estão em alta, assim como a indústria e os serviços, sempre de acordo com as pesquisas conjunturais feitas pelo IBGE. Falta ainda os investimentos reagirem.
Poderão ser suficientes para decretar a estabilidade do PIB no segundo trimestre, mais ou menos em linha com a leve alta de 0,25% que o Banco Central divulgou ontem. No entanto, ainda são cisco perto do estrago que precisamos superar: são mais de 7% de retração do PIB e perda de mais de 10% da renda média dos brasileiros acumulados ao longo de três anos.
Qualquer crescimento econômico neste ano já será feito notável. Com as projeções se concentrando em torno de uma alta de 0,3% a 0,5% na economia até dezembro, trata-se de uma recuperação de cerca de quatro pontos do PIB em apenas um ano. Até a distribuição de renda melhorou, estimou a FGV, segundo o Valor Econômico. Não é pouca coisa.
Quando o IBGE divulgou o resultado da economia no primeiro trimestre, as leituras correntes à época davam conta de que aquela alta de 1%, ainda muito dependente da agropecuária, seria mero espasmo, com previsão de o PIB voltar a cair nos três meses seguintes. Não foi o que efetivamente aconteceu. O resultado oficial será conhecido em 1° de setembro, mas a atividade mostrou ter resistido até à crise política fabricada a partir de maio.
Não é caso, óbvio, de euforia. Longe disso. Há um longo e pedregoso caminho pela frente para que o país retome um ritmo de produção compatível com as necessidades de quem tem que gerar vagas para 13,5 milhões de pessoas hoje ainda desempregadas e 26,3 milhões de brasileiros sem trabalho adequado, conforme o IBGE mostrou ontem.
Isso torna ainda mais impositiva, até para evitar a explosão da dívida e das finanças públicas, a agenda de ajustes e reformas contra as quais forças irresponsáveis – ou mesmo incendiárias, como as ligadas ao antigo governo – se insurgem no Congresso. Para ir mais longe, será preciso muito mais. O esforço para acelerar está apenas começando. Não atrapalhar já ajudará bastante.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Quem paga a conta
Números frios apenas ajudam a traduzir o tamanho da crise da qual só agora, transcorridos três anos, o país começa a emergir. Mas o drama de milhões de famílias que continuam a sofrer as consequências da pior recessão da história não se resume a estatísticas. O Brasil empobreceu, rebaixado pela irresponsabilidade das gestões petistas.
Nos últimos anos, mais brasileiros tornaram-se dependentes do Estado, contemplados por algum programa de assistência social. Mais pessoas retrocederam às camadas mais baixas de renda. Mais cidadãos se viram tolhidos na sua expectativa de ascensão social e profissional, vitimados pelo desemprego.
Alguns números, mesmo frios, permitem delinear o impacto fulminante que escolhas de políticas equivocadas detonam na vida de milhões de pessoas.
Nos três anos em que já dura a recessão, mais de 1 milhão de famílias que haviam saído do Bolsa Família voltaram a depender do programa, conforme mostra O Globo numa série de reportagens intitulada “Retorno à pobreza”. Entre 2014 e 2016, a média de beneficiários com estas características multiplicou-se por cinco.
Um aspecto positivo é que estas famílias pelo menos podem contar com o paliativo de algum anteparo do Estado perante a crise que por ora ainda lhes ceifa as esperanças. O Bolsa Família atende cerca de 13,5 milhões de famílias, com custo relativamente baixo, em torno de R$ 30 bilhões ou cerca de 0,4% do PIB – em junho de 2016, depois de dois anos congelados, os benefícios foram reajustados em 12,5%.
Mas a clientela do Bolsa Família, infelizmente, ainda deve aumentar nos próximos meses até que a economia religue seus motores e recomece a contratar. Há milhões de famílias despencando na pirâmide social pelo país afora.
Segundo o Banco Mundial, o número de brasileiros vivendo em condição de pobreza aumentará em até 3,6 milhões neste ano. A Tendências Consultoria estima que 4,3 milhões de famílias já decaíram às classes D e E nos últimos dois anos, segundo o Valor Econômico.
Desde 2015 a pobreza voltou a crescer no país. De maneira inédita em mais 20 anos, a queda da renda veio acompanhada de aumento da desigualdade, de acordo com resultados da Pnad. “A curva continuou ascendente em 2016 e assim permanecerá neste ano”, conclui O Globo. A depender da reação da economia, o número de pobres pode ultrapassar 20 milhões neste ano.
O grande vilão desse retrocesso social é o desemprego, fruto, por sua vez, do fracasso da política econômica que a irresponsabilidade petista só fez aprofundar nos seus anos finais – há cerca de 23 milhões de pessoas sem trabalho no país hoje.
Nota-se, com facilidade, que aqueles que na propaganda oficial seriam os grandes beneficiados das ações dos governos Lula e Dilma são, na realidade, suas maiores vítimas. Toda atenção deve ser dada para resguardá-los do pior enquanto o país estiver sendo aos poucos reconstruído.
Nos últimos anos, mais brasileiros tornaram-se dependentes do Estado, contemplados por algum programa de assistência social. Mais pessoas retrocederam às camadas mais baixas de renda. Mais cidadãos se viram tolhidos na sua expectativa de ascensão social e profissional, vitimados pelo desemprego.
Alguns números, mesmo frios, permitem delinear o impacto fulminante que escolhas de políticas equivocadas detonam na vida de milhões de pessoas.
Nos três anos em que já dura a recessão, mais de 1 milhão de famílias que haviam saído do Bolsa Família voltaram a depender do programa, conforme mostra O Globo numa série de reportagens intitulada “Retorno à pobreza”. Entre 2014 e 2016, a média de beneficiários com estas características multiplicou-se por cinco.
Um aspecto positivo é que estas famílias pelo menos podem contar com o paliativo de algum anteparo do Estado perante a crise que por ora ainda lhes ceifa as esperanças. O Bolsa Família atende cerca de 13,5 milhões de famílias, com custo relativamente baixo, em torno de R$ 30 bilhões ou cerca de 0,4% do PIB – em junho de 2016, depois de dois anos congelados, os benefícios foram reajustados em 12,5%.
Mas a clientela do Bolsa Família, infelizmente, ainda deve aumentar nos próximos meses até que a economia religue seus motores e recomece a contratar. Há milhões de famílias despencando na pirâmide social pelo país afora.
Segundo o Banco Mundial, o número de brasileiros vivendo em condição de pobreza aumentará em até 3,6 milhões neste ano. A Tendências Consultoria estima que 4,3 milhões de famílias já decaíram às classes D e E nos últimos dois anos, segundo o Valor Econômico.
Desde 2015 a pobreza voltou a crescer no país. De maneira inédita em mais 20 anos, a queda da renda veio acompanhada de aumento da desigualdade, de acordo com resultados da Pnad. “A curva continuou ascendente em 2016 e assim permanecerá neste ano”, conclui O Globo. A depender da reação da economia, o número de pobres pode ultrapassar 20 milhões neste ano.
O grande vilão desse retrocesso social é o desemprego, fruto, por sua vez, do fracasso da política econômica que a irresponsabilidade petista só fez aprofundar nos seus anos finais – há cerca de 23 milhões de pessoas sem trabalho no país hoje.
Nota-se, com facilidade, que aqueles que na propaganda oficial seriam os grandes beneficiados das ações dos governos Lula e Dilma são, na realidade, suas maiores vítimas. Toda atenção deve ser dada para resguardá-los do pior enquanto o país estiver sendo aos poucos reconstruído.
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terça-feira, 29 de março de 2016
O futuro já chegou
Um dos hits do falatório petista é sustentar que as “conquistas sociais” estarão em risco caso Dilma Rousseff e o PT sejam afastados do poder. Segundo esta narrativa falaciosa, avanços obtidos nos últimos anos são mérito exclusivo do partido e só ele poderia garantir sua manutenção. Acontece que a piora nas condições de vida e a destruição de ganhos já estão em plena marcha, graças aos erros da atual gestão.
Não é preciso escarafunchar estatísticas para perceber os retrocessos. A combinação asfixiante de paralisia econômica, preços em alta persistente e desemprego galopante pode ser vista onde quer que se olhe. Há uma crise de proporções inéditas dificultando a vida dos brasileiros. Por quanto tempo mais, não se sabe, mas é certo que ainda será longa.
A marcha para o passado é resultado de políticas econômicas tão danosas quanto fracassadas. A insistência na gestão irresponsável dos recursos públicos arrebentou as contas do país e agora falta dinheiro até para o básico. Os benefícios antes vendidos como conquistas perenes estão ameaçados de continuidade simplesmente porque o orçamento não consegue acomodá-los mais.
Um sinal evidente dos retrocessos sociais é que o Brasil voltou a concentrar renda. Em 2015, o país voltou a registrar a indesejável combinação de queda na renda com aumento da desigualdade, mostrou a Folha de S.Paulo na quinta-feira. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que o IBGE realiza a Nova Pnad, pesquisa iniciada em 1992.
O governo petista pôs fim à ascensão social iniciada a partir da estabilização da economia, com o Plano Real, e que vinha sendo registrada de maneira contínua desde o início do século. Confirma-se a máxima: não há avanço social numa economia que não cresce.
A atual recessão deve durar pelo menos três anos e será a mais severa e prolongada da história do país. Segundo as estimativas correntes, a renda média dos brasileiros vai encolher mais de 10% neste ínterim. Apenas em 2020 o PIB per capita retornará ao nível em que estava em 2010. Vivemos uma nova década perdida.
A renda diminui na mesma medida em que o emprego desaparece. Na semana passada, ficamos sabendo que já há quase 10 milhões de brasileiros sem trabalho, que mais de 1,7 milhão de empregos foram eliminados nos últimos 12 meses e que, entre os mais jovens, a proporção de desempregados já alcança um em cada cinco.
O país precisa, urgentemente, voltar a crescer. Precisa, também, recuperar a racionalidade nas contas públicas – nos últimos anos, reinou a fantasia de que era possível fabricar receitas para financiar despesas. Há quem diga que espancar o orçamento não é razão suficiente para punir um presidente da República por crime de responsabilidade. Os retrocessos sociais que ora pipocam mostram que esta é uma das formas mais perversas de prejudicar justamente os mais pobres. É, logo, motivo de sobra para o impeachment.
Não é preciso escarafunchar estatísticas para perceber os retrocessos. A combinação asfixiante de paralisia econômica, preços em alta persistente e desemprego galopante pode ser vista onde quer que se olhe. Há uma crise de proporções inéditas dificultando a vida dos brasileiros. Por quanto tempo mais, não se sabe, mas é certo que ainda será longa.
A marcha para o passado é resultado de políticas econômicas tão danosas quanto fracassadas. A insistência na gestão irresponsável dos recursos públicos arrebentou as contas do país e agora falta dinheiro até para o básico. Os benefícios antes vendidos como conquistas perenes estão ameaçados de continuidade simplesmente porque o orçamento não consegue acomodá-los mais.
Um sinal evidente dos retrocessos sociais é que o Brasil voltou a concentrar renda. Em 2015, o país voltou a registrar a indesejável combinação de queda na renda com aumento da desigualdade, mostrou a Folha de S.Paulo na quinta-feira. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que o IBGE realiza a Nova Pnad, pesquisa iniciada em 1992.
O governo petista pôs fim à ascensão social iniciada a partir da estabilização da economia, com o Plano Real, e que vinha sendo registrada de maneira contínua desde o início do século. Confirma-se a máxima: não há avanço social numa economia que não cresce.
A atual recessão deve durar pelo menos três anos e será a mais severa e prolongada da história do país. Segundo as estimativas correntes, a renda média dos brasileiros vai encolher mais de 10% neste ínterim. Apenas em 2020 o PIB per capita retornará ao nível em que estava em 2010. Vivemos uma nova década perdida.
A renda diminui na mesma medida em que o emprego desaparece. Na semana passada, ficamos sabendo que já há quase 10 milhões de brasileiros sem trabalho, que mais de 1,7 milhão de empregos foram eliminados nos últimos 12 meses e que, entre os mais jovens, a proporção de desempregados já alcança um em cada cinco.
O país precisa, urgentemente, voltar a crescer. Precisa, também, recuperar a racionalidade nas contas públicas – nos últimos anos, reinou a fantasia de que era possível fabricar receitas para financiar despesas. Há quem diga que espancar o orçamento não é razão suficiente para punir um presidente da República por crime de responsabilidade. Os retrocessos sociais que ora pipocam mostram que esta é uma das formas mais perversas de prejudicar justamente os mais pobres. É, logo, motivo de sobra para o impeachment.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
O partido dos ricos
O governo do Partido dos Trabalhadores vive propagandeando que sua ação tem sido sempre voltada a beneficiar os mais pobres. Nas mistificações grosseiras veiculadas na propaganda eleitoral, seus adversários são retratados como defensores dos ricos e dos poderosos. A realidade, porém, é bastante distinta deste maniqueísmo barato.
Não é segredo para ninguém que, nos anos da administração do PT, os ricos ganharam dinheiro como jamais haviam conseguido na vida. Em especial, os bancos – que o marketing petista adora demonizar, mas os petistas no poder amam bajular – lucraram como nunca antes na história: só no governo Dilma, já são R$ 233 bilhões, segundo levantamento feito pelo Valor Econômico.
Não é pecado banco lucrar, muito menos empresários ser bem sucedido. O problema está na exploração eleitoreira que se faz do assunto. Na mesma pesquisa, o jornal mostra que, em termos reais, os bancos lucraram cerca de cinco vezes mais no governo Lula do que na gestão do PSDB, entre 1995 e 2002. Mas os ganhos não pararam por aí: nos anos Dilma, subiram mais 61%.
O governo que faz os banqueiros felizes da vida também diz que atacou como nenhum outro a desigualdade social no país. Será mesmo verdade esta afirmação mil vezes repetida? Se dependesse do vezo autoritário e obscurantista da gestão petista, talvez tivéssemos de nos valer apenas do discurso oficial e de outras medidas conhecidas para aferir a veracidade da afirmação.
Mas felizmente um grupo de pesquisadores do Ipea conseguiu trazer à luz estudo que mostra, com metodologia inédita no país, que entre 2006 e 2012 a desigualdade aumentou ao invés de diminuir no Brasil. O documento foi mantido engavetado pela instituição, mas suas conclusões foram trazidas à tona pelo site da revista da Veja e sua íntegra já circula na internet em páginas dedicadas ao debate democrático de pesquisas sociais.
E o que o estudo mostra, a partir de uma nova metodologia que usa dados do imposto de renda dos brasileiros? Em 2006, os 5% mais ricos do país detinham 40% da renda nacional e, em 2012, passaram a deter 44%. Também no topo do topo da pirâmide, houve maior concentração: o 1% mais endinheirado da população viu sua fatia aumentar de 22,5% para 25% no mesmo período.
O PT tem horror à ação detergente da luz do sol e professa sua fé na manipulação despudorada da realidade para tentar enganar incautos. Mas a verdade é que os 12 anos em que os petistas governaram o país – e que, tudo indica, caminham para seu fim – vão ficar marcados na história como aqueles em que um partido que se diz dos trabalhadores deixou os patrões felizes como nunca.
Não é segredo para ninguém que, nos anos da administração do PT, os ricos ganharam dinheiro como jamais haviam conseguido na vida. Em especial, os bancos – que o marketing petista adora demonizar, mas os petistas no poder amam bajular – lucraram como nunca antes na história: só no governo Dilma, já são R$ 233 bilhões, segundo levantamento feito pelo Valor Econômico.
Não é pecado banco lucrar, muito menos empresários ser bem sucedido. O problema está na exploração eleitoreira que se faz do assunto. Na mesma pesquisa, o jornal mostra que, em termos reais, os bancos lucraram cerca de cinco vezes mais no governo Lula do que na gestão do PSDB, entre 1995 e 2002. Mas os ganhos não pararam por aí: nos anos Dilma, subiram mais 61%.
O governo que faz os banqueiros felizes da vida também diz que atacou como nenhum outro a desigualdade social no país. Será mesmo verdade esta afirmação mil vezes repetida? Se dependesse do vezo autoritário e obscurantista da gestão petista, talvez tivéssemos de nos valer apenas do discurso oficial e de outras medidas conhecidas para aferir a veracidade da afirmação.
Mas felizmente um grupo de pesquisadores do Ipea conseguiu trazer à luz estudo que mostra, com metodologia inédita no país, que entre 2006 e 2012 a desigualdade aumentou ao invés de diminuir no Brasil. O documento foi mantido engavetado pela instituição, mas suas conclusões foram trazidas à tona pelo site da revista da Veja e sua íntegra já circula na internet em páginas dedicadas ao debate democrático de pesquisas sociais.
E o que o estudo mostra, a partir de uma nova metodologia que usa dados do imposto de renda dos brasileiros? Em 2006, os 5% mais ricos do país detinham 40% da renda nacional e, em 2012, passaram a deter 44%. Também no topo do topo da pirâmide, houve maior concentração: o 1% mais endinheirado da população viu sua fatia aumentar de 22,5% para 25% no mesmo período.
O PT tem horror à ação detergente da luz do sol e professa sua fé na manipulação despudorada da realidade para tentar enganar incautos. Mas a verdade é que os 12 anos em que os petistas governaram o país – e que, tudo indica, caminham para seu fim – vão ficar marcados na história como aqueles em que um partido que se diz dos trabalhadores deixou os patrões felizes como nunca.
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