A política brasileira está sendo passada a limpo, resultado das muitas investigações em andamento. É salutar para o país que assim seja. Para que o interesse público prevaleça sobre negócios privados, é fundamental que assim continue. O que não é admissível, contudo, é que, nesta limpeza, fatos se misturem a ficções, culpados se escondam atrás de inocentes.
Na guerra pela preservação do poder que se instituiu no país para manter o status quo instaurado pelo PT 13 anos atrás, há uma tentativa evidente de igualar a todos na lama. No jogo da política, seriam todos culpados e igualmente devotados a surrupiar recursos públicos e fraudar o interesse da população. Alto lá!
O mais recente lance desta artimanha é a delação de Sérgio Machado, aquele que por 11 anos presidiu uma subsidiária da Petrobras, a Transpetro, sob as bênçãos de Lula e Dilma, do PMDB e do PT. Em seus depoimentos, ele lista a montanha de mais de R$ 100 milhões em propinas que amealhou para seus partidários. Para contrabalançar, lança suspeitas sobre quem se opunha a tudo isso e combateu o petrolão.
Em especial, as acusações que faz ao senador Aécio Neves não resistem ao cotejo com a história, com os fatos, com a realidade.
Machado levanta, no longínquo 1998, a suspeita de que o então deputado federal teria se valido de dinheiro ilegal captado por ele (Machado) para eleger-se presidente da Câmara – numa eleição que ocorreria apenas três anos depois, entremeada por outra, em que Michel Temer foi reeleito para o mesmo cargo... Ademais, Machado, que foi executivo importante do PT, jamais exerceu qualquer cargo desta natureza na época do governo tucano.
Completa a inconsistência a constatação de que acusações que Machado faz ao PSDB, também de quase 20 anos atrás, não são corroboradas pelos acordos de delação e leniência já firmados pela construtora Camargo Correa. A empreiteira não apenas apresentou evidências, como já se comprometeu a pagar indenização milionária pelos ilícitos que cometeu nos governos petistas. Quanto ao ex-executivo da subsidiária do petrolão, apenas disparou saliva como munição de sua metralhadora.
Outro destes delírios de Machado é a acusação de que haveria um acordão envolvendo PMDB e PSDB para limitar o âmbito de atuação da Operação Lava Jato. A tese é tão estapafúrdia que envolveria livrar, com apoio tucano, Luiz Inácio Lula da Silva do inevitável encontro com a Justiça. Só uma mente muito fantasiosa e imaginativa seria capaz de conceber tal possibilidade.
O essencial disso tudo é que todas as suspeitas devem ser rigorosamente investigadas, para que a verdade prevaleça. É certo que ficará claro que não há paralelo na história brasileira ao esquema criminoso montado pelo PT e seus aliados, como Sérgio Machado, no governo. Não há concorrente ao petrolão, ao qual nem o mensalão fez sombra. Só quem deve teme, e estes estão sendo apeados do poder pelas instituições e pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff.
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sábado, 18 de junho de 2016
A realidade e as ficções
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Sem relevantes serviços prestados
Mais um dirigente da Petrobras foi obrigado a afastar-se da empresa envolto em grossa suspeita de corrupção. Mais uma vez, a saída acontece a pedido. O padrão se repete: quando alguém é flagrado em tenebrosas transações, o governo petista estende-lhe o tapete vermelho. Demitir jamais.
Citado na Operação Lava Jato, Sérgio Machado apresentou ontem pedido de licença da presidência da Transpetro, cargo que ocupava desde que o PT chegou ao poder. A licença deve converter-se em saída definitiva, tão logo os holofotes se virem para algum outro escândalo.
Machado foi docemente constrangido a deixar o cargo que ocupa há quase 12 anos depois que a empresa que audita as contas da Petrobras negou-se a assinar o balanço relativo ao terceiro trimestre da estatal enquanto o nome do presidente da subsidiária não fosse retirado de lá. Parece um vexame, e é.
Na sexta-feira, a reunião do conselho de administração da Petrobras foi interrompida depois que a PricewaterhouseCoopers apresentou a ressalva. Machado é acusado de repassar R$ 500 mil em dinheiro vivo a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como parte do esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões da companhia. Como a SEC, xerife do mercado americano, investiga o caso, os auditores redobraram os cuidados.
A saída do presidente da Transpetro emula o padrão verificado quando Costa deixou a Petrobras. A renúncia do ex-diretor foi saudada em ata da reunião do conselho de administração por “relevantes serviços prestados”. Contra todas as evidências, Dilma Rousseff jura até hoje que foi ela quem o demitiu. Fará o mesmo com Machado?
O nome de Sérgio Machado já aparecera em denúncias de fraudes em licitações, como a que contratou 20 comboios para transportar etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Realizada há dois anos, não entregou nem uma peça até hoje, embora tenha consumido R$ 22 milhões. É alvo de investigação do Ministério Público.
Pior é que os escândalos na Petrobras e em suas subsidiárias continuam pipocando. O próximo deve envolver a compra de duas refinarias no Paraná, num episódio que ficou conhecido como “mini Pasadena”. As duas unidades valiam pouco menos de R$ 200 milhões, mas a estatal pagou R$ 255 milhões por metade delas, num padrão bem parecido com o que adotou na aquisição feita nos EUA, como revela hoje o Valor Econômico.
Durante a campanha eleitoral, a candidata oficial repetiu que, sempre que se viu diante de malfeitos, demitiu os envolvidos. Mentira. A saída de Sérgio Machado da Transpetro é mais um exemplo de que os corruptos só deixam o governo petista por conta própria ou quando alguma instituição externa assim exige. Se dependesse do PT, continuariam sãos e salvos.
Citado na Operação Lava Jato, Sérgio Machado apresentou ontem pedido de licença da presidência da Transpetro, cargo que ocupava desde que o PT chegou ao poder. A licença deve converter-se em saída definitiva, tão logo os holofotes se virem para algum outro escândalo.
Machado foi docemente constrangido a deixar o cargo que ocupa há quase 12 anos depois que a empresa que audita as contas da Petrobras negou-se a assinar o balanço relativo ao terceiro trimestre da estatal enquanto o nome do presidente da subsidiária não fosse retirado de lá. Parece um vexame, e é.
Na sexta-feira, a reunião do conselho de administração da Petrobras foi interrompida depois que a PricewaterhouseCoopers apresentou a ressalva. Machado é acusado de repassar R$ 500 mil em dinheiro vivo a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como parte do esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões da companhia. Como a SEC, xerife do mercado americano, investiga o caso, os auditores redobraram os cuidados.
A saída do presidente da Transpetro emula o padrão verificado quando Costa deixou a Petrobras. A renúncia do ex-diretor foi saudada em ata da reunião do conselho de administração por “relevantes serviços prestados”. Contra todas as evidências, Dilma Rousseff jura até hoje que foi ela quem o demitiu. Fará o mesmo com Machado?
O nome de Sérgio Machado já aparecera em denúncias de fraudes em licitações, como a que contratou 20 comboios para transportar etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Realizada há dois anos, não entregou nem uma peça até hoje, embora tenha consumido R$ 22 milhões. É alvo de investigação do Ministério Público.
Pior é que os escândalos na Petrobras e em suas subsidiárias continuam pipocando. O próximo deve envolver a compra de duas refinarias no Paraná, num episódio que ficou conhecido como “mini Pasadena”. As duas unidades valiam pouco menos de R$ 200 milhões, mas a estatal pagou R$ 255 milhões por metade delas, num padrão bem parecido com o que adotou na aquisição feita nos EUA, como revela hoje o Valor Econômico.
Durante a campanha eleitoral, a candidata oficial repetiu que, sempre que se viu diante de malfeitos, demitiu os envolvidos. Mentira. A saída de Sérgio Machado da Transpetro é mais um exemplo de que os corruptos só deixam o governo petista por conta própria ou quando alguma instituição externa assim exige. Se dependesse do PT, continuariam sãos e salvos.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Dinheiro sujo
Há um lugar onde o PT se movimenta melhor que ninguém para fazer política: o submundo. A legenda dos mensaleiros adota a bandidagem como prática e a difamação como arma. O objetivo é se apropriar de dinheiro que deveria servir ao público, mas é usado em benefício partidário.
É tanto escândalo que fica até difícil acompanhar. Os jornais desta quinta-feira estão repletos deles. Em todos, há pelo menos um traço comum: o assalto aos cofres do Estado para financiar atividades partidárias e irrigar bolsos privados.
Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras durante oito anos do governo petista, disse ontem à Polícia Federal que o esquema que pode ter surrupiado R$ 10 bilhões da empresa tinha três partidos como beneficiários: PT, PMDB e PP. Segundo ele, as campanhas das três siglas em 2010 – ano em que Dilma foi eleita – foram irrigadas com dinheiro sujo.
O ex-diretor afirmou que, ao ser nomeado em 2004, já foi logo avisado que os negócios bilionários da Petrobras seriam usados como caixa do PT e aliados. Até o momento, Costa já admitiu que apenas ele pôs no bolso R$ 70 milhões. Para comparar, é dinheiro suficiente para pagar o Bolsa Família a 420 mil famílias brasileiras.
Os escândalos envolvendo a máquina petista pipocam. Ainda no âmbito da Petrobras e suas subsidiárias, surge agora a denúncia, feita pelo Ministério Público, de que a Transpetro montou um esquema com a prefeitura petista de Araçatuba para fraudar uma licitação de R$ 432 milhões.
Era para construir 20 comboios para transportar etanol pela hidrovia Tietê-Paraná e as primeiras entregas deveriam ter acontecido dois anos atrás. Até hoje, porém, nenhuma foi feita, embora R$ 22 milhões já tenham ido para o ralo. Só aí são mais 132 mil benefícios do Bolsa Família...
Mas a lista de malfeitos é bem mais extensa. Anteontem em Brasília, um avião foi flagrado pela PF com R$ 116 mil em espécie trazendo à bordo gente que trabalhou na campanha vitoriosa de Fernando Pimentel ao governo de Minas.
Alguns passageiros do jato já haviam protagonizado falcatruas na eleição de Dilma, quando montaram uma fábrica de dossiês desbaratada no início da campanha. São reincidentes, assim como é reiterada a prática petista de caminhar pelo lado escuro do ilícito.
A ousadia petista chega a ponto de o partido usar dinheiro sujo para pagar multa por desvio de dinheiro sujo, como no caso do desvio de recursos pelo PT para quitar multas impostas a um dos mensaleiros condenados pelo STF. Como se vê por todo lado, tem dinheiro saindo pelo ladrão, no bolso de vários ladrões, neste governo.
É tanto escândalo que fica até difícil acompanhar. Os jornais desta quinta-feira estão repletos deles. Em todos, há pelo menos um traço comum: o assalto aos cofres do Estado para financiar atividades partidárias e irrigar bolsos privados.
Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras durante oito anos do governo petista, disse ontem à Polícia Federal que o esquema que pode ter surrupiado R$ 10 bilhões da empresa tinha três partidos como beneficiários: PT, PMDB e PP. Segundo ele, as campanhas das três siglas em 2010 – ano em que Dilma foi eleita – foram irrigadas com dinheiro sujo.
O ex-diretor afirmou que, ao ser nomeado em 2004, já foi logo avisado que os negócios bilionários da Petrobras seriam usados como caixa do PT e aliados. Até o momento, Costa já admitiu que apenas ele pôs no bolso R$ 70 milhões. Para comparar, é dinheiro suficiente para pagar o Bolsa Família a 420 mil famílias brasileiras.
Os escândalos envolvendo a máquina petista pipocam. Ainda no âmbito da Petrobras e suas subsidiárias, surge agora a denúncia, feita pelo Ministério Público, de que a Transpetro montou um esquema com a prefeitura petista de Araçatuba para fraudar uma licitação de R$ 432 milhões.
Era para construir 20 comboios para transportar etanol pela hidrovia Tietê-Paraná e as primeiras entregas deveriam ter acontecido dois anos atrás. Até hoje, porém, nenhuma foi feita, embora R$ 22 milhões já tenham ido para o ralo. Só aí são mais 132 mil benefícios do Bolsa Família...
Mas a lista de malfeitos é bem mais extensa. Anteontem em Brasília, um avião foi flagrado pela PF com R$ 116 mil em espécie trazendo à bordo gente que trabalhou na campanha vitoriosa de Fernando Pimentel ao governo de Minas.
Alguns passageiros do jato já haviam protagonizado falcatruas na eleição de Dilma, quando montaram uma fábrica de dossiês desbaratada no início da campanha. São reincidentes, assim como é reiterada a prática petista de caminhar pelo lado escuro do ilícito.
A ousadia petista chega a ponto de o partido usar dinheiro sujo para pagar multa por desvio de dinheiro sujo, como no caso do desvio de recursos pelo PT para quitar multas impostas a um dos mensaleiros condenados pelo STF. Como se vê por todo lado, tem dinheiro saindo pelo ladrão, no bolso de vários ladrões, neste governo.
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