Embora não tenha pegado ninguém de surpresa, o novo rebaixamento da avaliação de crédito do Brasil não deve ser tratado como irrelevante. A decisão anunciada pela Fitch na sexta-feira, que torna o investimento em títulos brasileiros ainda menos recomendável, sublinha o tamanho da desordem fiscal que o país ainda precisa superar para voltar a suscitar confiança.
A maior razão para o novo rebaixamento foi o arquivamento da reforma da Previdência, ocorrido há uma semana. A proposta foi retirada da pauta legislativa, mas nossos problemas fiscais e previdenciários não deixaram de existir. Pelo contrário, até se agravarão.
Com despesas com aposentadorias e gastos com salários crescendo fora de controle, é quase impossível arrumar as contas do país – que só deve voltar a produzir resultados positivos, na melhor das hipóteses, em 2023. O rebaixamento reflete exatamente isso.
Como nada sai barato, o ministro da Fazenda já anunciou que a não aprovação da reforma obrigará o governo a diminuir seus gastos em R$ 18 bilhões no ano que vem para compensar a despesa previdenciária que seria economizada caso as mudanças entrassem em vigor e cumprir o teto de gastos fixado na Constituição. É só uma das graves consequências do insucesso reformista.
A Fitch foi a segunda das três maiores agências de classificação de riscos a rebaixar novamente a nota do Brasil em função da frustração da reforma. Em janeiro, a Standard & Poor’s já antevira o desastre – que, aliás, era previsível – e também cortara a avaliação brasileira em mais um degrau. Falta agora a Moody’s fazer o mesmo.
As decisões dessas empresas, que não são nenhuma vaca sagrada, podem até ser contestáveis. Mas, gostemos ou não, ainda funcionam como balizas para investimentos financeiros ao redor do mundo. Quando um país cai na categoria em que o Brasil se encontra desde 2015, passa a ser visto como porto inseguro para o dinheiro e, em alguns casos, como o de alguns fundos de pensões, mesmo proibido.
A consequência tende a ser crises de confiança que afastam investidores. Com o Brasil, felizmente, isso ainda não aconteceu em decorrência da série de rebaixamentos recentes. Há algumas especulações e explicações possíveis para isso.
Primeiro, o país, embora numa situação fiscal ainda muito, muito ruim, saiu do pântano em que esteve nas mãos do PT. A responsabilidade, e não a leniência de outrora, voltou a ser a regra. Isso já faz muita diferença.
Em segundo, há um sentimento predominante pró-reformas, coisa que o país passou anos sem experimentar quando esteve sob o jugo petista. Por último, há a esperança de que as eleições de outubro terminem com a vitória de algum candidato que personifique a preservação desta vertente política.
Não é difícil ver que há, portanto, de um lado a dura realidade e, do outro, o que ainda é mera torcida por dias melhores. Significa que, se não houver árdua batalha, o país não encontrará seu melhor rumo. Sem reformas estruturais profundas, a euforia com que os investidores desdenharam do rebaixamento anunciado na semana passada virará fumaça num piscar de olhos. E aí estaremos no pior dos mundos.
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Da mão para a boca
Um dos traços mais marcantes do governo petista é a indefinição. Decisões são revistas num curto espaço de tempo, compromissos assumidos são renegados e metas costumam ser abandonadas ao menor sinal de dificuldade. A falta de rumos custa caro ao país, que, carente de iniciativas de maior fôlego, ziguezagueia e perde um tempo de que não dispõe.
A política fiscal é um dos exemplos mais dramáticos desta péssima forma de administrar a nação. A ausência de uma agenda de reformas estruturais, outro. Em ambos os casos, sabota-se o horizonte do Brasil no longo prazo e implodem-se as chances de algum alento no presente. É como se estivéssemos condenados a um ambiente de eterno “da mão para a boca”. Não há futuro à vista.
Neste sentido, o governo promete, mais uma vez, anunciar hoje as tesouradas que pretende fazer nos gastos previstos para este ano. O corte antes estimado em R$ 50 bilhões cairá à metade. Entre um e outro número, o efeito prático tende a ser quase nulo: suprime-se vento num orçamento inchado por ficções. É certo que os investimentos públicos pagarão o preço e o aumento de impostos continuará no radar como solução mágica.
Permanece, contudo, o desequilíbrio entre despesas – sempre em alta – e receitas – em baixa pelo estado deprimido do país – que vem se tornando crônico com o petismo. Junto com os cortes, o governo anunciará, nem concluído o segundo mês do ano, que a meta de fazer um superávit fiscal de 0,5% do PIB em 2016 foi para as calendas. Era mentirinha.
Estará consignado em documento oficial que a gestão petista poderá fechar suas contas com déficit de até 1% do PIB neste ano. Reprisaremos, levemente atenuado, o rombo de 2015 (-1,9% do PIB) e superaremos o de 2014 (-0,6% do PIB). Na toada atual, é grande a chance de continuarmos em terreno negativo também em 2017.
A mudança de magnitude do esforço fiscal e as idas e vindas das decisões não são inócuas. Na semana passada, quando estava às vésperas de anunciar os cortes orçamentários, o governo preferiu postergá-los para março. Alegou que precisava de tempo para empacotar melhor as medidas. A resposta veio na forma de um novo rebaixamento na nota de crédito do país, anunciada na quarta-feira. E o governo se viu obrigado a fazer de chofre o que tentara empurrar com a barriga.
Mais uma vez, o titubeio vai significar mais dificuldades para a gestão das contas públicas e, também, para as empresas brasileiras cujas notas foram igualmente arrastadas para baixo em mais uma revisão negativa das agências de classificação de risco. O crédito ao país e às companhias daqui encareceu. Produzir e gerar empregos ficou um pouco mais difícil pelos sinais nefastos que o governo enviou com sua indecisão. Tende a ficar ainda mais com a leniência definitivamente transformada em regra fiscal.
A política fiscal é um dos exemplos mais dramáticos desta péssima forma de administrar a nação. A ausência de uma agenda de reformas estruturais, outro. Em ambos os casos, sabota-se o horizonte do Brasil no longo prazo e implodem-se as chances de algum alento no presente. É como se estivéssemos condenados a um ambiente de eterno “da mão para a boca”. Não há futuro à vista.
Neste sentido, o governo promete, mais uma vez, anunciar hoje as tesouradas que pretende fazer nos gastos previstos para este ano. O corte antes estimado em R$ 50 bilhões cairá à metade. Entre um e outro número, o efeito prático tende a ser quase nulo: suprime-se vento num orçamento inchado por ficções. É certo que os investimentos públicos pagarão o preço e o aumento de impostos continuará no radar como solução mágica.
Permanece, contudo, o desequilíbrio entre despesas – sempre em alta – e receitas – em baixa pelo estado deprimido do país – que vem se tornando crônico com o petismo. Junto com os cortes, o governo anunciará, nem concluído o segundo mês do ano, que a meta de fazer um superávit fiscal de 0,5% do PIB em 2016 foi para as calendas. Era mentirinha.
Estará consignado em documento oficial que a gestão petista poderá fechar suas contas com déficit de até 1% do PIB neste ano. Reprisaremos, levemente atenuado, o rombo de 2015 (-1,9% do PIB) e superaremos o de 2014 (-0,6% do PIB). Na toada atual, é grande a chance de continuarmos em terreno negativo também em 2017.
A mudança de magnitude do esforço fiscal e as idas e vindas das decisões não são inócuas. Na semana passada, quando estava às vésperas de anunciar os cortes orçamentários, o governo preferiu postergá-los para março. Alegou que precisava de tempo para empacotar melhor as medidas. A resposta veio na forma de um novo rebaixamento na nota de crédito do país, anunciada na quarta-feira. E o governo se viu obrigado a fazer de chofre o que tentara empurrar com a barriga.
Mais uma vez, o titubeio vai significar mais dificuldades para a gestão das contas públicas e, também, para as empresas brasileiras cujas notas foram igualmente arrastadas para baixo em mais uma revisão negativa das agências de classificação de risco. O crédito ao país e às companhias daqui encareceu. Produzir e gerar empregos ficou um pouco mais difícil pelos sinais nefastos que o governo enviou com sua indecisão. Tende a ficar ainda mais com a leniência definitivamente transformada em regra fiscal.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
O tamanho do estrago
Saiu nesta manhã o primeiro indicador oficial sobre o desempenho da economia brasileiro no ano passado. A fotografia revelada é horrorosa, como há décadas não se via. O mais preocupante é que a viagem buraco abaixo continua, sem um fim à vista.
Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.
A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).
Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.
Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.
Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.
2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.
Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.
São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.
Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.
A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).
Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.
Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.
Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.
2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.
Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.
São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Caindo pelas tabelas
O novo rebaixamento do país, que agora chafurda na condição de “lixo” no mercado financeiro global, é uma tragédia anunciada. O Brasil voltou a figurar como pária, com crédito limitado e caro, visto com desconfiança por investidores. O PT destruiu em poucos anos o que a sociedade brasileira levou décadas para erguer.
A Fitch seguiu a Standard & Poor’s e ontem retirou do Brasil o selo de bom pagador. Das três agências de avaliação relevantes, só uma ainda não rebaixou o país. No entanto, na semana passada também a Moody's colocou a nota brasileira em revisão, a um passo de mais uma perda de grau de investimento.
A história novamente se repetiu: o rebaixamento veio tão logo o governo do PT, mais uma vez, rasgou seu compromisso com algum compromisso de poupança fiscal – e que só não foi pior porque a oposição disse “não” à meta zero para 2016. Não foi por falta de aviso. Assim fora em setembro, assim é agora. Mas Dilma Rousseff preferiu pagar para ver. Errou, mais uma vez, a presidente; perdeu, de novo, o país.
A tendência é piorar, já que, cada vez com mais ênfase, deverá prevalecer a política econômica ruinosa do PT. Com a iminente saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, já se dá como certa uma guinada na política econômica, levada de volta aos trilhos do populismo, do artificialismo e da irresponsabilidade fiscal.
O rebaixamento e uma possível reorientação econômica do Brasil chegam em péssima hora e tendem a nos expor a uma tempestade perfeita. Agora alijado do mundo das finanças internacionais, o país terá ainda mais dificuldade para disputar os capitais globais, com a concorrência extra da alta dos juros nos EUA. Naturalmente, investidores institucionais retirarão seu dinheiro daqui.
Os emergentes já perderam US$ 500 bilhões neste ano, e vão perder mais. Adivinha de onde os investidores vão sacar seu dinheiro primeiro? Com a saída de dólares, uma das consequências para a vida cotidiana dos brasileiros será a alta da moeda americana e, por tabela, da inflação local. Retomada do investimento, geração de emprego e aumento de produção? Esquece.
O que o Brasil levou décadas para conquistar – iniciados por Fernando Henrique com o processo de estabilização da moeda e de modernização da economia – foi perdido pela gestão temerária do PT. Serão anos para retomar a condição de porto seguro para investimentos, muitos anos à margem da economia global.
A Fitch seguiu a Standard & Poor’s e ontem retirou do Brasil o selo de bom pagador. Das três agências de avaliação relevantes, só uma ainda não rebaixou o país. No entanto, na semana passada também a Moody's colocou a nota brasileira em revisão, a um passo de mais uma perda de grau de investimento.
A história novamente se repetiu: o rebaixamento veio tão logo o governo do PT, mais uma vez, rasgou seu compromisso com algum compromisso de poupança fiscal – e que só não foi pior porque a oposição disse “não” à meta zero para 2016. Não foi por falta de aviso. Assim fora em setembro, assim é agora. Mas Dilma Rousseff preferiu pagar para ver. Errou, mais uma vez, a presidente; perdeu, de novo, o país.
A tendência é piorar, já que, cada vez com mais ênfase, deverá prevalecer a política econômica ruinosa do PT. Com a iminente saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, já se dá como certa uma guinada na política econômica, levada de volta aos trilhos do populismo, do artificialismo e da irresponsabilidade fiscal.
O rebaixamento e uma possível reorientação econômica do Brasil chegam em péssima hora e tendem a nos expor a uma tempestade perfeita. Agora alijado do mundo das finanças internacionais, o país terá ainda mais dificuldade para disputar os capitais globais, com a concorrência extra da alta dos juros nos EUA. Naturalmente, investidores institucionais retirarão seu dinheiro daqui.
Os emergentes já perderam US$ 500 bilhões neste ano, e vão perder mais. Adivinha de onde os investidores vão sacar seu dinheiro primeiro? Com a saída de dólares, uma das consequências para a vida cotidiana dos brasileiros será a alta da moeda americana e, por tabela, da inflação local. Retomada do investimento, geração de emprego e aumento de produção? Esquece.
O que o Brasil levou décadas para conquistar – iniciados por Fernando Henrique com o processo de estabilização da moeda e de modernização da economia – foi perdido pela gestão temerária do PT. Serão anos para retomar a condição de porto seguro para investimentos, muitos anos à margem da economia global.
A situação econômica do país é tão ruim que tem gente que até comemora que “o que era ameaça virou realidade”, como se o pior pudesse agora ter ficado no passado. Infelizmente, não será tão simples assim. Na realidade, a mudança só virá quando o país tiver se livrado de seu maior fator de risco: o governo do PT.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
O alto preço do rebaixamento
O dia 31 de agosto vai ficar marcado na história da presente crise econômica que o país atravessa. Naquela data, o governo oficializou a decisão de enviar um orçamento deficitário ao Congresso e, com isso, precipitou o rebaixamento de crédito do país. Em consequência, pioraram muito as condições da atividade produtiva. Foi uma espécie de passo final na direção do abismo.
A partir da iniciativa desastrada da presidente Dilma, tudo ficou mais difícil. As expectativas de inflação e os juros não param de aumentar, como mostra o Banco Central. A desconfiança generalizada disparou o gatilho do dólar, que na semana passada aproximou-se da maior cotação da história. A tradução disso na vida das pessoas é maior carestia, desemprego mais alto e nenhuma perspectiva de melhora.
Entre os efeitos do rebaixamento, o crédito para o país e para empresas brasileiras tornou-se mais caro, dificultando novos investimentos e mesmo a preservação dos atuais. O dinheiro secou, e todos os setores da economia estão sentindo na carne. Quem empresta teme tomar calotes. O Brasil tornou-se pária do mundo econômico.
O país já paga mais caro a título de seguro contra calotes do que países em pior situação de crédito ou que já foram rebaixados por mais de uma agência de rating. Isto porque temos indicadores bem piores que eles, como resultado fiscal negativo, baixo crescimento econômico e alto peso da dívida sobre o PIB, como mostrou O Globo há dez dias.
O pato está sendo pago por muitos. No rastro do rebaixamento do crédito do governo pela Standard & Poor’s, dezenas de empresas e governos subnacionais (estados e municípios) também tiveram suas notas reduzidas à condição de grau especulativo, ou de “lixo”, na linguagem crua dos operadores de mercado. Viram também o dinheiro sumir.
A maior afetada foi a Petrobras. Como a empresa já havia perdido o selo de grau de investimento dado por outra agência, a Moody’s, em fevereiro, investidores institucionais do mundo todo começaram a se desfazer em massa dos papéis da petroleira brasileira. Resultado: a estatal está tendo de rever novamente seu plano de negócios, deve cortar ainda mais seus investimentos e ampliar a quantidade de ativos à venda.
Mais alarmante é que a situação que já é ruim pode piorar bem mais. A expectativa dominante é de que o Brasil também seja rebaixado por uma segunda ou até uma terceira agência de rating. As perdas seriam imediatas e contadas na casa dos bilhões. O Brasil, sob o governo do PT, é o emergente mais próximo de cair novamente para a segundona, por seus números “espantosamente ruins”, segundo o Financial Times.
O que o governo Dilma irresponsavelmente perdeu o Brasil vai demorar a reconquistar, levando-se em conta países que passaram pela mesma experiência. A presidente parece não perceber a extensão das decisões que toma, como se lavasse as mãos e entregasse o país na bacia das almas. É um preço muito alto, que brasileiro nenhum merece pagar.
A partir da iniciativa desastrada da presidente Dilma, tudo ficou mais difícil. As expectativas de inflação e os juros não param de aumentar, como mostra o Banco Central. A desconfiança generalizada disparou o gatilho do dólar, que na semana passada aproximou-se da maior cotação da história. A tradução disso na vida das pessoas é maior carestia, desemprego mais alto e nenhuma perspectiva de melhora.
Entre os efeitos do rebaixamento, o crédito para o país e para empresas brasileiras tornou-se mais caro, dificultando novos investimentos e mesmo a preservação dos atuais. O dinheiro secou, e todos os setores da economia estão sentindo na carne. Quem empresta teme tomar calotes. O Brasil tornou-se pária do mundo econômico.
O país já paga mais caro a título de seguro contra calotes do que países em pior situação de crédito ou que já foram rebaixados por mais de uma agência de rating. Isto porque temos indicadores bem piores que eles, como resultado fiscal negativo, baixo crescimento econômico e alto peso da dívida sobre o PIB, como mostrou O Globo há dez dias.
O pato está sendo pago por muitos. No rastro do rebaixamento do crédito do governo pela Standard & Poor’s, dezenas de empresas e governos subnacionais (estados e municípios) também tiveram suas notas reduzidas à condição de grau especulativo, ou de “lixo”, na linguagem crua dos operadores de mercado. Viram também o dinheiro sumir.
A maior afetada foi a Petrobras. Como a empresa já havia perdido o selo de grau de investimento dado por outra agência, a Moody’s, em fevereiro, investidores institucionais do mundo todo começaram a se desfazer em massa dos papéis da petroleira brasileira. Resultado: a estatal está tendo de rever novamente seu plano de negócios, deve cortar ainda mais seus investimentos e ampliar a quantidade de ativos à venda.
Mais alarmante é que a situação que já é ruim pode piorar bem mais. A expectativa dominante é de que o Brasil também seja rebaixado por uma segunda ou até uma terceira agência de rating. As perdas seriam imediatas e contadas na casa dos bilhões. O Brasil, sob o governo do PT, é o emergente mais próximo de cair novamente para a segundona, por seus números “espantosamente ruins”, segundo o Financial Times.
O que o governo Dilma irresponsavelmente perdeu o Brasil vai demorar a reconquistar, levando-se em conta países que passaram pela mesma experiência. A presidente parece não perceber a extensão das decisões que toma, como se lavasse as mãos e entregasse o país na bacia das almas. É um preço muito alto, que brasileiro nenhum merece pagar.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Com PT, Brasil cai para a segundona
Eram favas contadas. O rebaixamento da nota de crédito do Brasil, anunciado na noite de ontem pela Standard & Poor’s, coroa anos de gestão desastrosa e joga o país num redemoinho de incertezas bem mais agudas do que as experimentadas nos últimos meses. É o alto preço da irresponsabilidade com que o governo do PT tratou o interesse nacional.
A agência é a primeira a considerar os investimentos no Brasil como “grau especulativo”. Isso significa que o país deixa de ser considerado porto seguro para empresas e investidores interessados em aplicar seus recursos. Deixa de ter acesso a montanhas de dinheiro e passa a ser tratado como local de risco – na linguagem crua do mercado, como “lixo” (“junk”).
Além de rebaixar o Brasil, a S&P também pôs a nota de crédito do país em perspectiva negativa, ou seja, o que já está ruim pode piorar ainda mais. Na sequência, as demais instituições de avaliação de crédito (Moody’s e Fitch) também tendem a jogar o Brasil para a segundona.
A decisão da S&P só pegou de “surpresa” – segundo palavras do ministro Nelson Barbosa – o governo do PT. Diante do sinfônico bater de cabeças que a administração do país tem se revelado, o rebaixamento era tragédia anunciada, pedra cantada, destino previsto. Se houve algum espanto, foi apenas no timing do anúncio.
Mudanças de rating costumam demorar um pouco até que maturem. A do Brasil veio a jato, em função do grau acelerado de lambanças ocorridas nas últimas semanas. Há apenas 40 dias a mesma S&P havia posto a nota de crédito do Brasil em perspectiva negativa. A nova alteração num curtíssimo espaço de tempo significa que os erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff neste ínterim superaram quaisquer expectativas.
De fato, em menos de seis semanas, a meta fiscal fixada pelo governo brasileiro foi rebaixada duas vezes, até chegar ao inacreditável rombo de R$ 30,5 bilhões oficializado na semana passada. O mesmo orçamento deficitário previu um aumento de R$ 104 bilhões nas despesas do poder central no próximo ano. O governo não dá a mínima pista de como pretender trazer as finanças do país de volta ao equilíbrio. Assim não há boa vontade que persista.
Com o Brasil já na corda bamba, a presidente da República teve a cara dura de propor ao Congresso um orçamento em que as despesas superam as receitas em 0,5% do PIB. Foi como se lavasse as mãos diante do precipício. O orçamento “realista”, fruto da reinação de Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante no governo da petista, acabou se tornando a causa imediata do rebaixamento anunciado ontem, a gota d’água que transborda o caos.
A perspectiva é de o país fechar, por pelo menos três anos, as contas no vermelho. A dívida pública também deve decolar ainda mais, após já ter crescido dez pontos percentuais do PIB desde o início do desgoverno Dilma. A estimativa é de que o indicador, hoje em 63%, alcance 72% até 2017, num crescimento inédito na história recente do país.
Nas palavras da S&P, a situação do Brasil é de “menos convicção” em relação à política fiscal, de “desacordo dentro do governo” sobre a composição e a magnitude de medidas necessárias “para corrigir a derrapagem das finanças públicas”. Só dá para discordar da “derrapagem”, porque o que aconteceu nos últimos tempos foi mesmo um capotamento.
Em resposta ao rebaixamento, a presidente da República declarou, numa entrevista concedida ao Valor Econômico momentos depois do anúncio da S&P, que “tem clara estratégia econômica”. Tardiamente, com a vaca já atolada no brejo, diz que agora se compromete com a meta de gerar superávit no ano que vem – o mesmo que sua proposta orçamentária sepultara. Na longa conversa, a presidente é incapaz de apontar um caminho, enquanto dispende tempo vendendo um país que não existe e um governo de fantasia.
Tem muita gente no governo do PT que considera bobagem as avalições das agências de risco. Mas tais decisões orientam a alocação de dinheiro grosso pelo mundo afora. Tratado agora como pária, ou como uma selva perigosa para quem quer investir, o Brasil verá o custo de empréstimos aumentar e os investidores fugirem daqui.
Na vida real, a recessão tende a ficar mais severa, a inflação pode aumentar mais, diante da provável escalada do dólar (que já começou nesta manhã), a atividade produtiva deverá esfriar ainda mais e o desemprego vai ficar mais alto. Em suma, vai ficar bem mais difícil viver no Brasil.
Quando o Brasil conseguiu a promoção a grau de investimento, em abril de 2008, o então presidente da República assim reagiu, num discurso em Maceió: “Se a gente for traduzir isso para uma linguagem que os brasileiros entendam, o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e com isso passamos a ser merecedores da confiança internacional”, disse Lula.
É de se perguntar a Lula se, com o rebaixamento, o Brasil, que nos últimos sete anos desde a promoção esteve à mercê da irresponsabilidade dele e de sua pupila Dilma, agora é um país leviano, fraudulento, irresponsável, desorganizado, inconsequente – ou seja, o contrário do que o ex-presidente julgava.
O Brasil levou muito tempo para conseguir recuperar a confiança de investidores, desde que as finanças do país bateram no fundo do poço quando o então presidente José Sarney decretou a moratória do pagamento da dívida, em 1987. Foram 20 anos de árduos avanços e de superação de desafios, como a estabilização da moeda, pelo Plano Real, e a adoção de uma política macroeconômica estruturada com base em responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de controle estrito da inflação.
Em pouco tempo, contudo, o PT conseguiu implodir condições tão duramente conquistadas. Foram sete curtos anos, durante os quais Lula e Dilma reduziram a disciplina fiscal a letra morta, ressuscitaram a inflação e levaram o país à maior recessão em décadas, com desemprego recorde.
Será necessária uma guinada significativa tanto na política econômica quanto na lida diária da política em estrito senso, sem falar na superação da falência moral em que o mensalão e o petrolão enfiaram a administração pública no país. Será uma longa retomada, que um governo sem nenhuma credibilidade como o de Dilma Rousseff é absolutamente incapaz de promover. A gestão dela acabou.
A agência é a primeira a considerar os investimentos no Brasil como “grau especulativo”. Isso significa que o país deixa de ser considerado porto seguro para empresas e investidores interessados em aplicar seus recursos. Deixa de ter acesso a montanhas de dinheiro e passa a ser tratado como local de risco – na linguagem crua do mercado, como “lixo” (“junk”).
Além de rebaixar o Brasil, a S&P também pôs a nota de crédito do país em perspectiva negativa, ou seja, o que já está ruim pode piorar ainda mais. Na sequência, as demais instituições de avaliação de crédito (Moody’s e Fitch) também tendem a jogar o Brasil para a segundona.
A decisão da S&P só pegou de “surpresa” – segundo palavras do ministro Nelson Barbosa – o governo do PT. Diante do sinfônico bater de cabeças que a administração do país tem se revelado, o rebaixamento era tragédia anunciada, pedra cantada, destino previsto. Se houve algum espanto, foi apenas no timing do anúncio.
Mudanças de rating costumam demorar um pouco até que maturem. A do Brasil veio a jato, em função do grau acelerado de lambanças ocorridas nas últimas semanas. Há apenas 40 dias a mesma S&P havia posto a nota de crédito do Brasil em perspectiva negativa. A nova alteração num curtíssimo espaço de tempo significa que os erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff neste ínterim superaram quaisquer expectativas.
De fato, em menos de seis semanas, a meta fiscal fixada pelo governo brasileiro foi rebaixada duas vezes, até chegar ao inacreditável rombo de R$ 30,5 bilhões oficializado na semana passada. O mesmo orçamento deficitário previu um aumento de R$ 104 bilhões nas despesas do poder central no próximo ano. O governo não dá a mínima pista de como pretender trazer as finanças do país de volta ao equilíbrio. Assim não há boa vontade que persista.
Com o Brasil já na corda bamba, a presidente da República teve a cara dura de propor ao Congresso um orçamento em que as despesas superam as receitas em 0,5% do PIB. Foi como se lavasse as mãos diante do precipício. O orçamento “realista”, fruto da reinação de Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante no governo da petista, acabou se tornando a causa imediata do rebaixamento anunciado ontem, a gota d’água que transborda o caos.
A perspectiva é de o país fechar, por pelo menos três anos, as contas no vermelho. A dívida pública também deve decolar ainda mais, após já ter crescido dez pontos percentuais do PIB desde o início do desgoverno Dilma. A estimativa é de que o indicador, hoje em 63%, alcance 72% até 2017, num crescimento inédito na história recente do país.
Nas palavras da S&P, a situação do Brasil é de “menos convicção” em relação à política fiscal, de “desacordo dentro do governo” sobre a composição e a magnitude de medidas necessárias “para corrigir a derrapagem das finanças públicas”. Só dá para discordar da “derrapagem”, porque o que aconteceu nos últimos tempos foi mesmo um capotamento.
Em resposta ao rebaixamento, a presidente da República declarou, numa entrevista concedida ao Valor Econômico momentos depois do anúncio da S&P, que “tem clara estratégia econômica”. Tardiamente, com a vaca já atolada no brejo, diz que agora se compromete com a meta de gerar superávit no ano que vem – o mesmo que sua proposta orçamentária sepultara. Na longa conversa, a presidente é incapaz de apontar um caminho, enquanto dispende tempo vendendo um país que não existe e um governo de fantasia.
Tem muita gente no governo do PT que considera bobagem as avalições das agências de risco. Mas tais decisões orientam a alocação de dinheiro grosso pelo mundo afora. Tratado agora como pária, ou como uma selva perigosa para quem quer investir, o Brasil verá o custo de empréstimos aumentar e os investidores fugirem daqui.
Na vida real, a recessão tende a ficar mais severa, a inflação pode aumentar mais, diante da provável escalada do dólar (que já começou nesta manhã), a atividade produtiva deverá esfriar ainda mais e o desemprego vai ficar mais alto. Em suma, vai ficar bem mais difícil viver no Brasil.
Quando o Brasil conseguiu a promoção a grau de investimento, em abril de 2008, o então presidente da República assim reagiu, num discurso em Maceió: “Se a gente for traduzir isso para uma linguagem que os brasileiros entendam, o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e com isso passamos a ser merecedores da confiança internacional”, disse Lula.
É de se perguntar a Lula se, com o rebaixamento, o Brasil, que nos últimos sete anos desde a promoção esteve à mercê da irresponsabilidade dele e de sua pupila Dilma, agora é um país leviano, fraudulento, irresponsável, desorganizado, inconsequente – ou seja, o contrário do que o ex-presidente julgava.
O Brasil levou muito tempo para conseguir recuperar a confiança de investidores, desde que as finanças do país bateram no fundo do poço quando o então presidente José Sarney decretou a moratória do pagamento da dívida, em 1987. Foram 20 anos de árduos avanços e de superação de desafios, como a estabilização da moeda, pelo Plano Real, e a adoção de uma política macroeconômica estruturada com base em responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de controle estrito da inflação.
Em pouco tempo, contudo, o PT conseguiu implodir condições tão duramente conquistadas. Foram sete curtos anos, durante os quais Lula e Dilma reduziram a disciplina fiscal a letra morta, ressuscitaram a inflação e levaram o país à maior recessão em décadas, com desemprego recorde.
Será necessária uma guinada significativa tanto na política econômica quanto na lida diária da política em estrito senso, sem falar na superação da falência moral em que o mensalão e o petrolão enfiaram a administração pública no país. Será uma longa retomada, que um governo sem nenhuma credibilidade como o de Dilma Rousseff é absolutamente incapaz de promover. A gestão dela acabou.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Até notícia ruim vira festa
A situação no país está tão desalentadora que até notícia ruim agora está sendo motivo de comemoração em Brasília. O Brasil foi novamente rebaixado por mais uma agência de classificação de riscos, mas isso foi visto com alívio pelas autoridades da administração Dilma. São traços de um governo que se contenta com o “menos pior”.
Ontem, a Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil. Com a decisão, mais uma agência de rating deixou os papéis brasileiros a um degrau da classificação de especulativos, ou seja, pouco confiáveis aos olhos dos investidores. Em julho, a Standard & Poor’s já havia colocado a avaliação da dívida brasileira em perspectiva negativa.
A notícia, porém, foi recebida com festa em Brasília. Explica-se: o cenário é tão ruim que a expectativa era de que a Moody’s não só rebaixasse a nota brasileira como também a mantivesse com perspectiva negativa, ou seja, com chance de nova baixa no curto prazo. Mas a agência mudou o viés para “estável”. Com isso, a classificação não deve se alterar pelo menos nos próximos seis a nove meses.
O rebaixamento decidido pela Moody’s decorre da seguinte equação: baixo crescimento da economia, sem perspectiva de melhora até o fim do mandato da atual presidente; gastos públicos em alta, sem que o governo demonstre capacidade de freá-los; uma total ausência de iniciativas para reformar o país e uma completa falta de liderança política do governo no Congresso. Alguém discorda da avaliação dos analistas da agência?
Para que o pior não aconteça, ou seja, para que o Brasil não passe a ser considerado um porto inseguro para investidores globais, a economia nacional teria que crescer 2% ao ano e o governo teria que produzir superávits fiscais da ordem de 2% do PIB, segundo a Moody’s. Difícil, não?
Basta ter presente que a perspectiva realista e predominante entre os analistas é de recessão neste – podendo chegar a uma queda do PIB próxima a 3% até dezembro – e no próximo ano e que as metas fiscais do governo são de 0,15% do PIB neste ano e 0,7% em 2016 para aferir a distância entre realidade e desejo.
Na prática, o Brasil já remunera os investidores com juros tão altos quanto se o país já fosse classificado como uma economia de grau especulativo. O que se recebe para pôr dinheiro aqui é mais do que em lugares com reputações tão ruins, em termos financeiros, quanto a nossa, como a Índia, a Indonésia ou a Turquia. Com a perspectiva de alta da dívida pública, a tendência é pagarmos ainda mais.
Na prática, a decisão da Moody’s representou um gesto de boa vontade com o país, tendo como único fiador o ministro da Fazenda. Mal sabe a agência que hoje Joaquim Levy se fia numa parte do PMDB e depende da boa vontade de um partido cindido para que o governo encontre uma agenda positiva, ainda que improvável.
Ontem, a Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil. Com a decisão, mais uma agência de rating deixou os papéis brasileiros a um degrau da classificação de especulativos, ou seja, pouco confiáveis aos olhos dos investidores. Em julho, a Standard & Poor’s já havia colocado a avaliação da dívida brasileira em perspectiva negativa.
A notícia, porém, foi recebida com festa em Brasília. Explica-se: o cenário é tão ruim que a expectativa era de que a Moody’s não só rebaixasse a nota brasileira como também a mantivesse com perspectiva negativa, ou seja, com chance de nova baixa no curto prazo. Mas a agência mudou o viés para “estável”. Com isso, a classificação não deve se alterar pelo menos nos próximos seis a nove meses.
O rebaixamento decidido pela Moody’s decorre da seguinte equação: baixo crescimento da economia, sem perspectiva de melhora até o fim do mandato da atual presidente; gastos públicos em alta, sem que o governo demonstre capacidade de freá-los; uma total ausência de iniciativas para reformar o país e uma completa falta de liderança política do governo no Congresso. Alguém discorda da avaliação dos analistas da agência?
Para que o pior não aconteça, ou seja, para que o Brasil não passe a ser considerado um porto inseguro para investidores globais, a economia nacional teria que crescer 2% ao ano e o governo teria que produzir superávits fiscais da ordem de 2% do PIB, segundo a Moody’s. Difícil, não?
Basta ter presente que a perspectiva realista e predominante entre os analistas é de recessão neste – podendo chegar a uma queda do PIB próxima a 3% até dezembro – e no próximo ano e que as metas fiscais do governo são de 0,15% do PIB neste ano e 0,7% em 2016 para aferir a distância entre realidade e desejo.
Na prática, o Brasil já remunera os investidores com juros tão altos quanto se o país já fosse classificado como uma economia de grau especulativo. O que se recebe para pôr dinheiro aqui é mais do que em lugares com reputações tão ruins, em termos financeiros, quanto a nossa, como a Índia, a Indonésia ou a Turquia. Com a perspectiva de alta da dívida pública, a tendência é pagarmos ainda mais.
Na prática, a decisão da Moody’s representou um gesto de boa vontade com o país, tendo como único fiador o ministro da Fazenda. Mal sabe a agência que hoje Joaquim Levy se fia numa parte do PMDB e depende da boa vontade de um partido cindido para que o governo encontre uma agenda positiva, ainda que improvável.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Petrobras em queda livre
Aconteceu o esperado e a Petrobras teve sua nota de crédito rebaixada ontem pela agência de classificação de riscos Moody’s. A maior empresa pública do Brasil é agora considerada investimento especulativo, no mesmo saco de outras moedas podres. O que já está ruim demais pode ficar muito pior.
A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.
A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.
De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.
A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.
A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.
A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.
A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.
A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.
A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.
A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.
De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.
A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.
A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.
A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.
A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.
A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Rumo à segundona
Com uma política à altura do futebolzinho que a seleção brasileira jogou na Copa do Mundo, o Brasil corre o risco de cair para a segunda divisão entre as economias do mundo. A avaliação que os credores internacionais fazem das nossas condições econômicas é cadente.
Ontem foi a vez de a Moody’s colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor’s, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.
Entre os motivos que a Moody’s cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.
Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.
Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.
Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody’s “já estão sendo superados”. Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.
Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody’s é taxativa: o problema são “fraquezas domésticas” e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.
Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.
Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.
No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.
Ontem foi a vez de a Moody’s colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor’s, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.
Entre os motivos que a Moody’s cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.
Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.
Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.
Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody’s “já estão sendo superados”. Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.
Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody’s é taxativa: o problema são “fraquezas domésticas” e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.
Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.
Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.
No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Rebaixamento é pelo conjunto da obra
A decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s de
rebaixar a nota de crédito do Brasil não se restringe apenas à evidente
deterioração das condições econômicas brasileiras. Corrobora a péssima
qualidade do conjunto da obra de um governo que mais prejudica do que ajuda o
país. Coroa uma temporada de equívocos. Atesta um rol de desacertos que só cresce,
dia após dia.
Aconteceu o que era esperado e a S&P anunciou,
no fim da tarde de ontem, que a nota de crédito soberano do Brasil foi reduzida
de “BBB” para “BBB-”, colocando-nos no mesmo barco de países em crise como a
Espanha. Por trás desta sopa de letrinhas, estão avaliações que balizam
negócios no mundo todo. O rebaixamento significa que crer no Brasil ficou um
pouco mais arriscado, e mais caro. Nossas perspectivas pioraram, goste-se das
agências de rating ou não.
A S&P citou a deterioração das contas públicas, o endividamento
ascendente e os prognósticos declinantes para o crescimento da nossa economia
como razões para a decisão – de resto, já esperada. Alguém há de contestar?
Noves fora o esperneio mais que previsto do governo, ninguém. Nem é preciso
agência internacional para verificar que as coisas no país não vão bem. Basta
olhar em volta.
Objetivamente, os dados são todos ruins. Sem sinais de melhora à vista, a
média de crescimento econômico é baixíssima, na lanterna dos países da América
do Sul – a Venezuela não conta... A inflação continua subindo, a despeito de
praticarmos as mais altas taxas de juros do mundo. Basta ir a uma feira para
perceber o quanto a comida está doendo no bolso.
O Brasil isola-se cada vez mais do resto do mundo, não consegue expandir a
exportação e aumenta o rombo nas contas externas. A dívida bruta – que não
esconde as maquiagens – é o dobro da média de países emergentes. Os gastos
correntes explodem, enquanto os investimentos necessários para destravar o país
não acontecem.
Há um nítido desalento em relação às perspectivas do Brasil. As decisões
econômicas são tomadas em bases frágeis, as opções são temerárias e o
compromisso público se vê subjugado às conveniências eleitorais. A impressão
que se tem é de uma volta a um passado de remendos, improvisos e imprevidências
que, imaginava-se, havia sido extirpado da vida nacional.
A gestão do país vive de manobra atrás de manobra. Se as previsões
oficiais não saem como previsto, remendam-se os números, fabrica-se alguma
solução de conveniência e torra-se mais uma montanha bilionária de dinheiro público.
Se é preciso algo mais palpável para dar materialidade ao desatino em
marcha, basta olhar o que acontece hoje com as empresas públicas em processo de
desmanche – tanto que as notas da Petrobras e da Eletrobrás também foram
rebaixadas ontem pela S&P – e a lambança no setor elétrico.
Ainda assim, o governo brasileiro considera “inconsistente” a decisão da
agência. O adjetivo é perfeito, mas para aquilo que a gestão petista está
cometendo aqui dentro. A avaliação da S&P é apenas uma percepção externa a
mais sobre o que os brasileiros assistem cotidianamente no país. Mais um degrau
de queda e passaremos à condição de economia especulativa. Não será surpresa se outras
agências importantes de rating – como a Fitch e a Moody’s – vierem na mesma
toada.
O Brasil foi rebaixado no mesmo momento em que economias concorrentes,
como o México, estão sendo promovidas. Falta-nos o que lá está sobrando: coragem
para fazer reformas que oxigenem a economia, reduzam o peso sufocante do Estado
e abram espaço para maior participação da iniciativa privada, com investimentos
que melhorem as condições de vida da população.
A erosão das condições econômicas do Brasil não é obra do acaso. Tem sido
construção lenta, segura e gradual. Desde 2008 é assim. A princípio, a política
de estímulo funcionou e evitou que o Brasil decaísse junto com os demais países
no rastro da crise global. A partir de então, contudo, tornou-se um instrumento
político que o PT tenta manejar para manter-se no comando do país. Deu certo em
2010, mas não tem como continuar dando certo agora.
Nestes últimos anos, acentuaram-se a maquiagem das contas, a depredação
do patrimônio público, a deterioração das perspectivas de desenvolvimento.
Junte-se a isso a evidente incapacidade exibida pela presidente Dilma Rousseff
para lidar com situações adversas, para bem gerir o país e dar-lhe o rumo
necessário para superar dificuldades. A piora é consistente e o conjunto da
obra merece a segunda divisão.
sábado, 5 de outubro de 2013
Viés de baixa
O mundo está percebendo, dia após dia, o que os brasileiros já constataram há bastante tempo: a situação econômica do país vai de mal a pior, as condições de vida estão ficando cada vez mais difíceis e, mais grave, não se vêem iniciativas do governo para reverter a situação. Até quando a gestão petista vai continuar ignorando os sinais e irá, enfim, fazer algo certo?
A temporada de más
notícias sobre a saúde da economia brasileira vindas do exterior continuou
ontem com o rebaixamento da nota de crédito da Petrobras, também pela agência
de classificação Moody’s. Este pode até parecer um assunto de interesse só de
investidores, iniciados ou aficionados do mercado financeiro, mas, na prática,
diz muito sobre o que está acontecendo no mundo real.
As avaliações de
risco servem para que grandes investidores definam onde irão aplicar seu
dinheiro. Também determinam as condições de crédito que esta ou aquela empresa ou
país disporão no mercado. Quanto mais baixo o rating, menor a confiança e mais
caro o dinheiro. Trata-se, portanto, de um indicativo considerável da solidez
de companhias e governos.
Segundo a Moody’s, a
Petrobras está em situação difícil porque assumiu responsabilidades que estão
se mostrando bem maiores do que a capacidade da empresa para gerar lucros. Vale
dizer: a estatal carrega um fardo de investimentos pesado demais para as
condições que o governo lhe impôs, seja para a exploração da camada pré-sal,
seja, principalmente, por ter se tornado um dos esteios da política oficial de
controle da inflação.
Junto com nossa
maior companhia, ainda de acordo com a Moody’s, ontem também adernaram as classificações
de risco de dez bancos brasileiros. Informa a agência que a principal razão
para rebaixar o rating das instituições financeiras é sua reavaliação quanto ao
“nível da capacidade do governo brasileiro para fornecer suporte sistêmico a
estes bancos em caso de necessidade”. Anteontem, a perspectiva para o rating
dos títulos do governo brasileiro já havia sido rebaixada.
Se repararmos bem,
há uma piora generalizada no ambiente econômico e esta deterioração vai agora ficando
mais evidente aos olhos do mundo. Em sua edição da semana passada, a revista The Economist tratou de sintetizar com
realismo este estado geral das coisas no Brasil. Não é simples coincidência que
a Moody’s tenha agido em seguida, derrubando a perspectiva dos títulos brasileiros
e as notas da Petrobras e dos bancos.
Também cresce a
sensação de que, mantidas as atuais circunstâncias, será questão de tempo para a
avaliação de risco do Brasil pelas agências de classificação ser rebaixada – a Standard
& Poor’s foi a primeira a alterar a perspectiva, ainda em junho.
Isso significa que,
pouco tempo depois de termos ascendido à condição de “grau de investimento”, corremos
o risco de voltar ao status de economia classificada como “especulativa”, ou
seja, de onde os bons investidores preferem manter profilática distância.
Gustavo Franco
resume bem o sentimento reinante, em entrevista publicada hoje n’O Globo: “É um retrocesso amplo, que sanciona o que o mercado já enxerga:
mais risco soberano, mais inflação, mais controle de preços, mais
intervencionismo messiânico, mais tensão com o mundo empresarial e menos
crescimento. É fundamentalmente tempo perdido.”
Um dos pontos
centrais desta desconfiança é a escalada nos gastos do governo e o aumento
brutal da dívida pública, que a equipe econômica tenta escamotear, mas não
consegue. Conforme os parâmetros do FMI (que o governo brasileiro contesta), nossa
dívida situa-se perto de 67% do PIB. Nesse quesito, entre os emergentes só estamos
melhor que Egito (85%), Jordânia (84%) e Hungria (80%).
Só um esforço fiscal
inédito no atual governo poderia reverter este processo de deterioração a olhos
vistos. Mas não se enxerga nenhuma disposição para tanto em Brasília. Ao mesmo
tempo, a indesejada intervenção estatal em todos os poros da economia
brasileira ainda demandará mais injeção de dinheiro em bancos públicos, como
BNDES e Caixa, exigindo mais emissão de dívida por parte do Tesouro. É um saco
sem fundo.
A presidente Dilma Rousseff
gosta de dizer que adotou uma “nova matriz econômica”, jogando no lixo o
arcabouço exitoso herdado da gestão tucana. Se o regime de responsabilidade
fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação rendeu frutos que impulsionaram o
país por anos e anos, a experiência baseada em superintervenção estatal,
controle de preços e incentivo desproporcional ao consumo teve fôlego curtíssimo
e naufragou em pouco tempo. O viés é de baixa.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Brasil rebaixado, de novo
Quando a notícia é boa, o governo petista se encarrega de insuflá-la. Quando é ruim, culpa o mensageiro. Este deverá ser o comportamento oficial diante do anúncio, feito pela agência de classificação de riscos Moody’s na noite de ontem, do rebaixamento da perspectiva para o rating dos títulos do governo brasileiro.
A perspectiva para
os títulos negociados pelo Brasil passou de “positiva” para “estável”.
O rating dos papéis, porém, não foi alterado, por ora. A Moody’s revê agora a
expectativa positiva que há apenas um ano – em novembro passado – enxergara
para a economia brasileira. Tem motivos de sobra para isso.
Esta é a segunda
agência a rebaixar suas expectativas para os títulos do Brasil. Em junho, a
Standard & Poor’s já havia colocado os papéis do país em perspectiva “negativa”.
De lá para cá, as coisas não melhoraram nada. Pelo contrário.
No comunicado
emitido ontem (que, embora em inglês, vale ser lido na íntegra), a Moody’s diz
que alguns dos principais fatores que haviam levado a agência a enxergar uma
perspectiva positiva para o Brasil “não estão mais presentes”.
Cita a piora de
indicadores como a relação dívida pública/PIB e investimento/PIB, a deterioração
da contabilidade fiscal, o uso de recursos do Tesouro para empréstimos a bancos
públicos – que já ultrapassa 9% do PIB – e a “evidência” de que o Brasil esteja
atravessando um longo período de baixo crescimento.
Diz a Moody’s que a situação
brasileira é bem pior que a de países que desfrutam do mesmo rating concedido
pela agência. Nossa taxa de investimento está em 17,6% do PIB e não deve
superar 20% neste e no próximo ano, enquanto a média de economias classificadas
como Baa (a nota de risco dada pela agência ao Brasil) é de 23,8% do PIB.
O tamanho da nossa
dívida também destoa dos países de classificação similar à nossa. A Moody’s a
vê em ascensão, ao redor de 60% do PIB, enquanto a média das demais nações com
mesmo rating situa-se em 45%.
A agência é incisiva
quando analisa as perspectivas para o crescimento futuro do PIB do país: “continuam
fracas” e dificilmente a taxa irá ultrapassar 2% neste e no próximo ano, “levando
a economia brasileira a apresentar crescimento abaixo da tendência por quatro
anos consecutivos”.
O Brasil patina nos últimos
anos porque temos desafios estruturais que, além de não estarem sendo
enfrentados, estão se agigantando. Para começar, nossa produtividade é baixa:
enquanto cresceu 1,8% anual em média no Brasil nas duas últimas décadas, na Coreia
aumentou 5%; na Turquia, 4% e no Chile, 3,8%, segundo o professor Dani Rodrik, de Princeton.
Outra das nossas pragas
é a má regulação e o intervencionismo excessivo do governo nos negócios
privados. O melhor exemplo é o que está acontecendo no setor de infraestrutura,
em que leilões que, aparentemente, tinham tudo para atrair o interesse de
investidores naufragam por falta de clareza de regras. O superendividamento da “supertele”
criada sob as bênçãos do governo do PT – e que agora naufraga – é outra evidência
deste mesmo mal...
O alto custo de mão
de obra também está entre nossas deficiências crônicas e se faz notar,
principalmente, na indústria. A fraqueza do setor ficou mais uma vez confirmada
com o crescimento zero anotado em agosto, conforme divulgado
pelo IBGE ontem. Reforça-se, assim, a perspectiva de expansão nula ou mesmo negativa para o nosso PIB no terceiro trimestre.
A avaliação da Moody’s
apenas corrobora um sentimento que já tem se mostrado bastante latente entre
investidores e analistas: a perda de confiança no Brasil. Nossos problemas não
são conjunturais, nem cíclicos. Tampouco apenas refletem dificuldades
enfrentadas no mundo como um todo, como quer fazer crer o governo petista. Nosso
inferno está aqui dentro mesmo.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Crise de confiança
Até pouco tempo atrás, o Brasil esteve às voltas com problemas internos, decorrentes da incompetência do governo Dilma em resolver os entraves que dificultam o desenvolvimento do país. Mas, de alguns dias para cá, a situação mudou. Agora, é o mundo todo que percebe o que os brasileiros veem todos os dias: a gestão da nossa economia é caótica, temerária, irresponsável. O país enfrenta uma crise de confiança.
A onda de más
notícias vem se avolumando nas últimas semanas. É o pibinho, a inflação nas
alturas, os juros em alta, o dólar em escalada, o rombo na balança comercial, o
déficit nas contas externas, a completa balbúrdia na gestão das contas públicas.
A este caldo de maus
resultados, o governo da presidente deu de ombros. Manteve-se descuidado com os
interesses do país, dedicando-se de maneira excessiva e extemporânea a uma
disputa eleitoral cujo desfecho só se dará daqui a mais de 15 meses. Parece ter
dado de barato que o terreno até lá estaria aplainado, mas derrapou na primeira
curva que apareceu.
O caldo indigesto engrossou
com o anúncio da perspectiva de rebaixamento da nota de crédito do país pela Standard
& Poor’s, feito na semana passada. E ficou ainda mais apimentado com a
percepção, trazida pelo Datafolha, de que a população está sentindo no bolso
que a situação vai mal e tende a piorar: os 51% que até março achavam que as condições econômicas do país iriam melhorar caíram agora para 39%, empurrando
a popularidade de Dilma para baixo.
O pessimismo não se
limita a questões de momento, mas se deve, em especial, a uma deterioração das
expectativas quanto ao futuro, o que é mais sério. Todos os fatores que os
brasileiros hoje temem tendem a ficar piores amanhã: a inflação, o desemprego, a
situação econômica geral.
De tudo isso, resulta
uma crise de confiança no país. Não são apenas investidores que estão
ressabiados. É também, e principalmente, o brasileiro comum, que vê seu dinheiro
acabar antes do fim do mês e as perspectivas turvarem-se, sem conseguir enxergar
no governo de turno a capacidade necessária para superar o momento de
dificuldades.
O dinheiro que antes
irrigava nossa economia, permitia a geração de emprego e alimentava o consumo vai
escasseando. As empresas começam a enfrentar sérios apuros, seja de
endividamento, seja de crédito. Só neste trimestre, as maiores companhias do
país viram suas dívidas crescer R$ 5,7 bilhões, comendo um quarto dos lucros
acumulados no início do ano, segundo O Globo.
Os brasileiros voltaram
a ouvir termos há muito esquecidos. A “disparada do dólar” está de volta,
encarecendo produtos (inclusive bens de consumo duráveis, como
eletrodomésticos), empurrando a inflação ainda mais para cima e ameaçando os
ganhos das companhias. Sem lucro, o investimento privado não acontece e a
produção não sobe, o emprego não vem, a inflação persiste.
O “risco-país” ressuscitou
e, como um morto-vivo, voltou a amedrontar, com alta de 25% em apenas 30 dias. Também
no último mês, o custo de proteção contra um calote da dívida brasileira
registrou a maior alta entre os principais mercados do mundo. Quem tem dinheiro
quer distância do Brasil – ainda mais quando os EUA voltam a se mostrar um
porto seguro e rentável. Até nosso Banco Central já tem diretor demissionário, como
mostra o Correio Braziliense.
Sinal também
evidente da desconfiança em relação ao país é o comportamento dos investidores em
ações de empresas. Entre as principais praças globais, a bolsa brasileira é a
que mais cai neste ano: queda de 18,35% até ontem, com nossas empresas perdendo
US$ 162 bilhões em valor de mercado desde janeiro.
A crise é generalizada
e visível, menos para Guido Mantega, que faz, na Folha de S.Paulo, juras de amor ao superávit primário que sua gestão
descumpriu em três dos quatro últimos anos – e depois de aumentar as despesas
federais em R$ 150 bilhões (quase 1% do PIB) desde 2010. Acena até com a
obtenção de um déficit nominal zero que Dilma, outrora, considerou “rudimentar”.
Alguém há de crer?
“Chegou ao fim, pelo
menos para os países emergentes, a era de experimentalismos em matéria de
política econômica. Começa a se fechar a janela de oportunidade, propiciada
pelo excesso de liquidez no mundo, para realização de reformas estruturais. O
Brasil está saindo do ciclo internacional de liquidez com inflação mais alta,
crescimento menor, baixa taxa de investimento, déficit externo crescente,
deterioração das contas públicas e credibilidade abalada”, resume Cristiano
Romero no Valor Econômico, em análise que é leitura obrigatória.
O governo da
presidente Dilma Rousseff não soube caminhar num ambiente de razoável
estabilidade e recuperação econômica, como foram os últimos meses. E não
demonstra ter a menor condição de sair-se bem numa turbulência como a que se
avizinha. O que antes era razoavelmente simples, agora ficou praticamente impossível.
Os motores vão sendo desligados, o país caminha para parar de vez. Infelizmente.
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sábado, 8 de junho de 2013
O ‘risco Dilma’
A presidente Dilma Rousseff ganhou ontem o reconhecimento pelo conjunto de sua obra. Diante do baixo crescimento do PIB, da perda de credibilidade da política econômica, da inflação e do descontrole das contas públicas, a perspectiva do Brasil foi rebaixada por uma agência de classificação. É o “risco Dilma”.
A Standard &
Poor’s (S&P) anunciou que decidiu colocar a nota dos títulos da dívida
brasileira em perspectiva negativa. É o primeiro passo para cortá-la, o que
pode ocorrer em até dois anos. “Nós poderíamos rebaixar o rating de crédito do
país nos próximos dois anos se continuar o crescimento econômico lento, os
fundamentos fiscais e externos mais fracos e a perda de credibilidade na
política econômica”, informou
a agência.
Notas de crédito
podem parecer algo exótico para cidadãos comuns, mas são termômetro para quem tem
que lidar com dinheiro. A perda de confiança encarece a captação de recursos,
torna os financiamentos mais escassos, reduz a disponibilidade de crédito. O rating
mais baixo enquadra o tomador do dinheiro na categoria de pagador duvidoso. É a
este caminho de dificuldades que a gestão Dilma está nos conduzindo.
O Brasil passou a
gozar de melhor reputação financeira há apenas cinco anos, o que aumentou o
interesse e o ingresso de investimentos estrangeiros no país. Agora, a
perspectiva é inversa e, assim como a S&P, outras agências de classificação
de risco podem fazer o mesmo movimento. E não só quanto ao governo: os ratings da Petrobras
e Eletrobrás também já foram atingidos pela decisão divulgada ontem.
Quando Lula foi
eleito, em 2002, cunhou-se no mercado financeiro a expressão “risco Lula”. Era
o temor de que, uma vez no poder, o PT fizesse o que passara a vida toda pregando:
mudar tudo o que estava aí. Era o que os petistas chamavam de “ruptura
necessária”. Na época, o dólar foi às alturas e a inflação disparou.
Felizmente, um grupo
mais ajuizado fez Lula e o PT converterem-se aos preceitos da responsabilidade,
plasmados na “Carta aos Brasileiros” – que o ex-presidente revelou recentemente
ter assinado muito a contragosto. Foi a decisão mais sábia que o partido jamais
tomou.
Enquanto o PT rezou pela
cartilha herdada do governo do PSDB, baseada em controle rigoroso da inflação,
responsabilidade com as contas públicas e livre flutuação do câmbio, o Brasil
foi bem – ajudado, ainda, por uma onda de prosperidade no mundo sem precedentes
há décadas. Mas foi só o PT fazer o que o PT acredita e defende para o caldo
entornar.
Nos últimos anos, já
a partir do fim do mandato de Lula, o cuidado no trato da coisa pública foi
implodido. O país convive com orçamentos paralelos, contas fictícias, contabilidade
desacreditada e fantasiosa, truques e salamaleques de toda ordem.
Ontem, numa nova
leva de manobras deste tipo, BNDES e Valec receberam novos aportes bilionários
para maquiar o cada vez mais catastrófico resultado fiscal – só para o banco já
foram R$ 310 bilhões desde 2009... Até as receitas do pré-sal, que nem leiloado
foi, e que por lei deveriam ir para educação, já estão entrando na conta para
fechar o superávit deste ano, revela hoje o Valor Econômico. Tudo para permitir que o Estado se agigante.
O controle da
inflação foi abandonado pela falácia de que precinhos um pouquinho mais altos
não doem, numa imitação barata dos modelos argentino e venezuelano de eficiência
e rigor. Dilma passará seus quatro anos de mandato sem cumprir uma vezinha
sequer as metas do Copom – desde 2009, aliás, não passamos nem perto. A
presidente parece que não fazia ideia, mas com isso derrubou o consumo – motor da
economia havia 38 trimestres – e inviabilizou investimentos.
O descontrole de
preços segue tão persistente e disseminado que o Banco Central avisou, por meio
da ata divulgada ontem, que provavelmente terá que continuar elevando os juros.
Também na política monetária, o Brasil de Dilma é uma autêntica jabuticaba:
entre 90 países, estamos entre os cinco que aumentaram suas taxas neste ano –
nossos companheiros nesta façanha são Egito, Gâmbia, Gana e Tunísia. Com a nova
alta da taxa básica, prevista para julho, voltaremos ao topo dos rankings
mundiais de juros reais.
O desarranjo conflui
para um desempenho geral pífio na economia. Pelas previsões atuais, o Brasil será
o país com o segundo pior crescimento na América do Sul, atrás apenas da
Venezuela. Segurar a lanterna já se tornou um hábito no governo de Dilma – no ano
passado, só ganhamos do Paraguai, que agora nos deixou para trás e deve liderar
a expansão no continente.
Um conjunto tão
vistoso não poderia passar incólume. Quem tem dinheiro aqui já começa a ficar
muito ressabiado e a pôr as barbas de molho: no último mês, o custo de proteção
contra um calote da dívida brasileira registrou a maior alta entre as
principais economias do mundo, diz o Valor.
Dilma Rousseff chegou
ao Planalto apresentada pelo PT como diligente gerente. Passados pouco mais de
dois anos, mostra-se uma catastrófica governante. Sua gestão é grotesca, caótica,
irresponsável, perdulária.
Se o temor quanto a Lula acabou mostrando-se, em boa
medida, infundado, a ameaça de a atual presidente nos levar para o buraco vai
se tornando cada dia mais presente. O “risco Dilma” entrou no radar do mundo e
todos querem distância dele.
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