Esta sexta-feira marca um dia histórico, há muito aguardado pelos brasileiros que anseiam por um Brasil melhor: o dia em que aqueles que corromperam o país como nunca antes na história começarão a ter que acertar as contas com a Justiça. Dando nome aos bois: o dia em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff começarão a pagar por ter transformado o Brasil numa republiqueta enlameada e tornado a vida dos brasileiros um inferno.
Em operação deflagrada nesta manhã, Lula foi levado para depor pela Polícia Federal. Policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente, na de seu filho Fábio Luiz Lula da Silva e também no Instituto Lula. Segundo o Ministério Público no Paraná, a ação se justifica porque o petista foi “um dos principais beneficiários” do petrolão. As investigações estão chegando aonde deveriam.
As ações deflagradas nesta manhã – batizadas de Aletheia, palavra grega que significa “verdade” – são o desdobramento natural das revelações trazidas a público ontem pela revista IstoÉ. Sugerem que a Operação Lava Jato, que daqui a alguns dias completa dois anos, está finalmente alcançado o cerne do seu objetivo: extirpar, desde o seu nível de comando mais alto, a organização criminosa que se apossou do Brasil na última década.
O conteúdo da delação feita por Delcídio do Amaral confirma muitas das suspeitas e acusações conhecidas ao longo dos últimos anos. O senador, que até pouco mais de três meses atrás era o líder do governo no Senado, corroborou o que desde o mensalão tornou-se cada dia mais evidente: tanto Lula quanto Dilma, na condição de presidentes da República, tinham pleno conhecimento do assalto ao Estado perpetrado pelo PT.
Desde a prisão de Delcídio, em 25 de novembro do ano passado, os petistas temiam pelo que estava por vir. Conhecido o conteúdo da delação, assacaram a mesma estratégia de sempre: acusar o delator de não ter credibilidade. Curiosa recriminação a quem até pouco tempo – e, mais que isso, durante longo tempo – privou da mais estrita confiança e da privacidade tanto de Lula quanto de Dilma.
Em sua manifestação formal divulgada ontem, a presidente da República não foi capaz de sustentar que Delcídio mentia. Dilma limitou-se a manifestar indignação com o vazamento da delação. Sobre seu conteúdo, nenhuma palavra.
Todas as revelações de Delcídio conhecidas até agora envolvendo o esquema criminoso petista se encaixam com o desvendado até aqui pelas investigações. Não há delação ou investigação entre as que vieram a público até o momento que contradigam o que disse o ex-líder do governo no Senado. Tudo ratifica que o PT roubou, extorquiu, corrompeu, fraudou, surrupiou, deturpou desde que assumiu o poder.
As revelações de Delcídio são gravíssimas porque mostram que tanto Dilma quanto Lula atuaram para obstruir as investigações da Lava Jato e para interferir no trabalho da Justiça – algo que ambos sempre negaram. No caso da atual mandatária, incorre-se claramente em crime de responsabilidade, passível de perda de mandato.
Quase todos os sete incisos do artigo 9° da lei que define os crimes de responsabilidade (n° 1.079/50), no capítulo que trata dos crimes contra a probidade na administração, casam como luva com a tentativa de Dilma de fazer o STJ amaciar para empreiteiros apanhados na Lava Jato. Uma interferência indevida e ilegal no funcionamento das instituições, uma afronta à Constituição.
Quanto a Lula, resta cabalmente claro que, desde o início, ele teve absoluto domínio dos fatos que se desenrolaram desde o mensalão, desde que o PT iniciou o assalto aos cofres federais – porque contra as finanças de municípios nos quais governaram eles já tinham investido há muito tempo.
Mais recentemente, o ex-presidente locupletou-se imensamente, com vantagens pessoais, com mimos milionários dados pelas empresas que tomavam parte na burla às estatais – das quais a ruinosa compra da refinaria de Pasadena, objeto também da delação de Delcídio, é um dos exemplos mais eloquentes. Não satisfeito, Lula agiu para bloquear a ação da Justiça, tentando corromper outros acusados, segundo o ex-líder do governo.
As revelações das últimas horas, que se sucedem como um turbilhão, reforçam a constatação de que o país está diante de uma reviravolta histórica. Todas as evidências são de que a vontade do eleitor foi fraudada nas eleições de 2014, a vitória petista tanto naquele ano quanto nos anteriores foi obtida com instrumentos espúrios, usurpando o voto popular.
De alguma maneira, seja pelo impeachment, pela impugnação da chapa Dilma-Temer ou pela improvável renúncia de uma presidente incapaz de gestos de grandeza, esta triste fase da história brasileira tem que chegar ao fim – e, mais do que nunca, parece estar chegando. Porque governo já não há. Acabou.
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sábado, 5 de março de 2016
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