A comissão especial que analisa a admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff deverá aprovar hoje o relatório do deputado Jovair Arantes. Estará, assim, aberto caminho para o afastamento da presidente da República, para a mudança de rumos e para o reencontro do Brasil consigo mesmo.
É crescente a adesão ao impeachment, conforme todos os levantamentos publicados por órgãos de imprensa e/ou movimentos da sociedade que acompanham o processo. O Vem Pra Rua, por exemplo, contabiliza 116 novos votos pela saída de Dilma desde as manifestações de 13/3, num canal que praticamente drena os indecisos para o apoio ao afastamento. Já seriam hoje 286 pela saída da petista – ou 291, de acordo com o Estadão.
É salutar que o Congresso esteja cumprindo exatamente o que a sociedade espera dele: espelhar a vontade de seus representados, que continuam majoritariamente favoráveis ao impeachment. Segundo nova rodada de pesquisa do Datafolha publicada neste fim de semana, 60% querem a saída antecipada da petista do cargo.
Enquanto os partidários do impeachment têm a seu lado a convicção de que lutam por um Brasil melhor, mais ético e livre da corrupção, com capacidade para voltar a crescer, a gerar empregos e a promover a igualdade de oportunidades, o governo maneja sua principal arma, a única que lhe restou: a caneta.
Usa e abusa de dinheiro que deveria servir ao povo para tentar fazer prevalecer sua causa, comprando apoios, loteando cargos e retalhando o governo como se não houvesse amanhã. Estão em jogo orçamentos que somam R$ 38 bilhões e, na política miúda, votos mercadejados na casa dos milhões de reais. São estes os princípios pelos quais os defensores de Dilma combatem.
Os partidários do governo já se mostram convencidos de que a derrota na comissão especial é certa, e tentam apenas perder de pouco. Sua falta de convicção em torno da causa que defendem também se manifesta na debandada que o PT está sofrendo em número de prefeituras pelo país afora e também se prepara para sofrer no Congresso.
Do outro lado, sobram razões para o impeachment, como reiterou Arantes em seu relatório. Se não sobrassem, a cada semana surgem novas revelações que tornam ainda mais cristalino que Dilma obteve seu segundo mandato de maneira ilegítima, ilegal, imoral, bancada pelo dinheiro sujo da corrupção, como apontam as recentes delações feitas pelos dirigentes da empreiteira Andrade Gutierrez.
Nos poucos dias que faltam para a votação do processo pelo plenário da Câmara, é hora de pressionar ao máximo os deputados, e depois os senadores, para que façam valer o desejo da maioria dos brasileiros. O povo nas ruas já mostrou o que quer. Agora é a vez de a política responder à altura, promovendo o impeachment de Dilma Rousseff.
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terça-feira, 12 de abril de 2016
O começo do fim
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quarta-feira, 30 de março de 2016
Dona Xepa
O governo Dilma vive clima de fim de feira. Não é apenas a sensação de salve-se quem puder que reforça a impressão. A presidente da República e seu tutor lançaram-se numa operação de mercadejar apoios, negociando-os na bacia das almas. É a baixa política da qual o PT desde sempre lançou mão enquanto esteve no poder.
Com o desembarque iminente do PMDB, que deve ser seguido por PP, PSD e PR, Dilma e seus porta-vozes petistas passaram a repetir aos quatro cantos que distribuirão cargos e verbas aos montes para seduzir quem quiser se aventurar em naufragar junto com o governo. Dizem isso – aparentemente – sem o menor pudor e sem nenhum constrangimento. Deve ser porque apenas agem agora como sempre agiram.
Em entrevista dada ontem a correspondentes estrangeiros, Lula disse que irá à cata das migalhas peemedebistas para reeditar o formato que, segundo ele, deu certo no início de seu primeiro mandato. “Num primeiro momento, o PMDB não me apoiou, mas uma parte na Câmara e no Senado me apoiava e conseguimos governar”, disse o ex-presidente.
Talvez fosse desnecessário recordar, mas foi nesta época de varejão político que vicejou o mensalão, a compra de votos no balcão do Congresso para assegurar apoio ao governo petista e que, anos depois, levou uma penca de próceres petistas à cadeia. Pelo visto, Lula não se constrange em dizer abertamente – e para todo o mundo, literalmente, ouvir – que este é o modelo que classifica como mais venturoso.
Não há mais um pingo de convicção ou de conteúdo programático nos apelos do PT em prol da sustentação de Dilma. De resto, quase nunca houve. Sobrou explícito apenas o fisiologismo, o clientelismo e a corrupção que marcam o presidencialismo de coalizão protagonizado pela presidente da República e seu partido.
Ninguém no Palácio do Planalto ou na Esplanada dos Ministérios parece ser capaz de responder à questão básica: por que Dilma quer permanecer por mais dois anos e nove meses no cargo? O que ela acha que consegue fazer em favor do Brasil? Que condições imagina ter para reverter a monumental crise política, econômica e ética que patrocinou? As respostas serão sempre as mesmas: nada.
Nem Dilma nem seu tutor conseguem promover qualquer diálogo em busca de consenso. Simplesmente porque sempre apostaram no conflito, jamais admitiram fraquezas e/ou erros, nunca se dirigiram com sinceridade ao povo brasileiro para assumir sua parcela de culpa pelo atual estado das coisas. Optaram, sempre, pela mistificação e pela mentira.
No apagar das luzes de seu tétrico governo, Dilma Rousseff assume o papel de vendedora que rifa produtos que sobraram no fim da feira. Vende-os pelo preço que o cliente está disposto a pagar, na baciada. Mas na hora da xepa em geral só sobra fruta podre. É este o folhetim que a presidente ainda protagoniza, embora por pouco tempo mais.
Com o desembarque iminente do PMDB, que deve ser seguido por PP, PSD e PR, Dilma e seus porta-vozes petistas passaram a repetir aos quatro cantos que distribuirão cargos e verbas aos montes para seduzir quem quiser se aventurar em naufragar junto com o governo. Dizem isso – aparentemente – sem o menor pudor e sem nenhum constrangimento. Deve ser porque apenas agem agora como sempre agiram.
Em entrevista dada ontem a correspondentes estrangeiros, Lula disse que irá à cata das migalhas peemedebistas para reeditar o formato que, segundo ele, deu certo no início de seu primeiro mandato. “Num primeiro momento, o PMDB não me apoiou, mas uma parte na Câmara e no Senado me apoiava e conseguimos governar”, disse o ex-presidente.
Talvez fosse desnecessário recordar, mas foi nesta época de varejão político que vicejou o mensalão, a compra de votos no balcão do Congresso para assegurar apoio ao governo petista e que, anos depois, levou uma penca de próceres petistas à cadeia. Pelo visto, Lula não se constrange em dizer abertamente – e para todo o mundo, literalmente, ouvir – que este é o modelo que classifica como mais venturoso.
Não há mais um pingo de convicção ou de conteúdo programático nos apelos do PT em prol da sustentação de Dilma. De resto, quase nunca houve. Sobrou explícito apenas o fisiologismo, o clientelismo e a corrupção que marcam o presidencialismo de coalizão protagonizado pela presidente da República e seu partido.
Ninguém no Palácio do Planalto ou na Esplanada dos Ministérios parece ser capaz de responder à questão básica: por que Dilma quer permanecer por mais dois anos e nove meses no cargo? O que ela acha que consegue fazer em favor do Brasil? Que condições imagina ter para reverter a monumental crise política, econômica e ética que patrocinou? As respostas serão sempre as mesmas: nada.
Nem Dilma nem seu tutor conseguem promover qualquer diálogo em busca de consenso. Simplesmente porque sempre apostaram no conflito, jamais admitiram fraquezas e/ou erros, nunca se dirigiram com sinceridade ao povo brasileiro para assumir sua parcela de culpa pelo atual estado das coisas. Optaram, sempre, pela mistificação e pela mentira.
No apagar das luzes de seu tétrico governo, Dilma Rousseff assume o papel de vendedora que rifa produtos que sobraram no fim da feira. Vende-os pelo preço que o cliente está disposto a pagar, na baciada. Mas na hora da xepa em geral só sobra fruta podre. É este o folhetim que a presidente ainda protagoniza, embora por pouco tempo mais.
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sábado, 28 de junho de 2014
As listas negras do partido da intolerância
O PT tem uma lógica
muito peculiar de fazer política: quem não está com o partido é tratado como inimigo.
O objetivo vai além de derrotar adversários, o que seria do jogo democrático. A
ordem é simplesmente exterminar quem se interpõe no caminho dos partidários da intolerância.
Sejam eles jornalistas, críticos ou políticos insatisfeitos com o estado geral
das coisas no país.
Dois episódios
recentes ilustram bem esta forma indecorosa de fazer política: a divulgação, por
parte do vice-presidente petista, de uma “lista negra” de articulistas a serem combatidos pelos partidários da intolerância
e a tentativa do ministro de Relações Institucionais – exercitando sua
expertise aloprada – de emparedar prefeitos do PMDB do Rio que manifestaram
apoio à candidatura de Aécio Neves, revelada ontem por O Globo.
Trata-se de método
tipicamente petista de fazer política: a perseguição a adversários com vistas a
aniquilá-los. A cada campanha, surge um novo estratagema gestado nos subterrâneos
do partido. Nesta sanha, os petistas não se constrangem em utilizar estruturas
de Estado para atacar quem querem destruir – vide também o uso de estatais e
prefeituras petistas para difamar e disseminar ofensas contra Aécio pela
internet.
Os episódios nefastos
se sucedem: em 1998, o dossiê Cayman; em 2006, o escândalo dos aloprados; em
2010, o dossiê Erenice Guerra (para tentar atingir o presidente Fernando
Henrique) e a violação de sigilo fiscal de familiares de José Serra. O que
mais, além das duas novas famigeradas listas negras, nos espera na campanha que
se avizinha?
Felizmente, a vigilância
da imprensa sempre tem conseguido impedir que os partidários da intolerância prosperem.
Não fossem a livre manifestação e o firme exercício democrático, estaríamos arriscados
a ver o obscurantismo prevalecer. A luz da liberdade de expressão tem vencido
as trevas do autoritarismo. Mas, até quando?
A perseguição a quem
discorda dos ditames petistas não é fortuita, não é acidental nem irrefletida. O
partido cuja bancada mais ilustre hoje dá expediente no presídio da Papuda considera
que seu projeto é venturoso, mas esbarra na má vontade dos meios de
comunicação, dos formadores de opinião – em suma, dos que não lhe dizem amém. Nesta
lógica, a melhor arma é a mordaça.
Os petistas se
julgam arautos de um projeto de transformação do país e, até quando fazem autocrítica,
transferem para os mensageiros a culpa pela má mensagem. É o que acontece
agora, também, quando admitem que a insatisfação com o governo Dilma não é
apenas da “elite branca”, mas sim algo disseminado por toda a população.
A origem deste
mal-estar seria “um pensamento conservador que se expressa fortemente por meio
dos veículos de comunicação e que opera um cerco contra nós”, como disse
Gilberto Carvalho em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na segunda-feira passada. Por esta visão, ficamos
assim combinados: a corrupção e a incompetência que marcam as gestões petistas
foram inventadas em redações de jornal.
A lista negra de jornalistas
e políticos também nos convida a refletir sobre a intenção já manifestada pela
candidata-presidente de abraçar
a proposta de regulação da mídia, acalentada há tempos por setores bastante
influentes do PT.
Embora Dilma jure
que não aceita discutir o controle de conteúdo, será que dá para acreditar na suposta
boa fé da presidente diante da voracidade de um partido sobre o qual ela não
tem qualquer ascendência?
Afinal, se, sem qualquer legitimidade, o PT já incita
uma cruzada contra vozes dissonantes, o que aconteceria se lhe fosse dado poder
efetivo para controlar conteúdos jornalísticos e encabrestar opositores? Melhor
nem pensar. Melhor ainda é agir antes e impedir que os partidários da intolerância
prosperem.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Cultura do vale-tudo
Não é segredo para ninguém que o PT é capaz de tudo para atingir seus fins. O mensalão está aí para comprovar. Mas é na forma como articula seus apoios e maneja suas bases parlamentares que o petismo revela-se na sua inteireza. Trata-se do partido do vale-tudo, o mais legítimo representante do toma lá, dá cá da política brasileira.
Se um dia teve na
ideologia o seu esteio, hoje o PT baseia suas práticas no mais deslavado
fisiologismo que se tem notícia. Agora, nem o apoio de seus próprios correligionários
é obtido na base da convicção e da adesão desinteressada. Tudo é objeto de barganhas
e de escambo de nacos de poder. O que aconteceu ontem com Marta Suplicy é
apenas mais um capítulo desta saga de deplorável degradação política.
A senadora eleita
por São Paulo recebeu o Ministério da Cultura como moeda de troca para apoiar o
periclitante Fernando Haddad na disputa pela prefeitura paulistana. Ela substituirá
Ana de Hollanda, 13ª a deixar o ministério de Dilma Rousseff. Fechada na bacia
das almas do mercado eleitoral, a transação é tão explícita que chegaria a
constranger – isso se vergonha na cara houvesse.
Na mensagem em que
comunica a demissão de Ana do cargo, a presidente afirma
que Marta “dará prosseguimento às políticas públicas e aos projetos que estão
transformando a área da cultura nos últimos anos”. Provavelmente, Dilma está se
referindo à ruína que a agora ex-ministra denunciou há um mês em carta tornada
pública pelo jornal O
Globo. A degradação
que se apossou da centenária Biblioteca Nacional no Rio é a melhor tradução do
caos.
Tal como está, o Ministério
da Cultura só serve mesmo de butim no mercado de compra de apoios, não só político,
mas também no meio artístico. Dispõe de orçamento modesto, para dizer o mínimo:
são R$ 2,2 bilhões, que equivalem a 0,2% das despesas não financeiras da União
neste ano. Ainda assim, 20% deste valor foi tesourado pelo ajuste fiscal.
Marta assume um
ministério para o qual seu, digamos, maior atributo é ser mãe de dois músicos
de qualidades pra lá de duvidosa – também é ex-mulher de um senador notável por
interpretar a mesma música onde quer que o vento sopre... A intimidade dela com
o setor cultural é nula, mas sua afinidade com o mundo do vale-tudo petista é enciclopédica.
A senadora desembarca
no ministério uma semana após ter estreado na campanha petista em São
Paulo, depois de muito relutar. Seu apoio foi negociado a peso de ouro – dada a
pequenez do Ministério da Cultura na estrutura oficial, melhor seria dizer de
bronze – diretamente com Luiz Inácio Lula da Silva e com a atual presidente da
República. Dois encontros com Dilma (em 22 e 30 de agosto) e um almoço com Lula
(em 27 de agosto) selaram seu destino.
Marta toma posse amanhã
na pasta como quem vai para uma pós-graduação no exterior, com o agravante de não
ter nem uma vaga ideia na cabeça sobre o que fará lá. “Vou mergulhar no
ministério e descobrir o que fazer. Vou estudar”, respondeu
ela ontem, ao ser questionada sobre suas prioridades na Cultura. Pelo jeito, câmera
na mão não vai ter...
Não ter o menor conhecimento
sobre o assunto do qual seu ministério cuida é o de menos. Afinal, Marta não é
avis rara na Esplanada. Pelo contrário, este é o padrão na era petista. Desde Lula,
ministérios tornaram-se feudos amealhados entre os que se prestam a dar
sustentação ao projeto de poder do PT. Não surpreende que escassas tenham sido
as iniciativas realmente inovadoras surgidas em Brasília nestes últimos dez
anos.
Marta é apenas a
mais nova moeda deste baú de troca-troca no qual o PT baseia sua prática
política. Como Fernando Haddad e quase todos os candidatos petistas às
prefeituras das capitais não conseguem entusiasmar nem sua militância, o
partido do mensalão utiliza no mercado eleitoral o mesmo expediente que Lula empregou
para inchar sua base congressual: a compra explícita de apoio e voto. A
senadora paulista não é caso isolado.
Antes dela, ao PRB
já havia sido dado o Ministério da Pesca, ocupado por um Marcelo Crivella que
nem de minhoca, nem de anzol diz entender. Ao PP fora entregue a Secretaria
Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, como forma de mercadejar
o apoio de Paulo Maluf a Haddad. E a Aloizio Mercadante fora destinado o
Ministério da Educação, numa tentativa de evitar novas aloprações na campanha
eleitoral. Todas tenebrosas transações no toma lá, dá cá petista.
Constata-se que Dilma
Rousseff não só mergulhou na campanha eleitoral, como o faz de maneira exorbitante
e em franca colisão com a postura institucional e republicana que o cargo lhe
exige. Distribui cargos, usa rede nacional de rádio e TV para atacar adversários
e, no horário eleitoral, ameaça eleitores de deixar suas cidades à míngua caso
os candidatos petistas não vençam as eleições de outubro – como ocorreu tanto
em São Paulo, quanto em Belo Horizonte.
A presidente da República
não faz, porém, nada diferente do que Lula fez dois anos atrás para elegê-la. É
farinha do mesmo saco da escola da desfaçatez que forma alunos aplicados na cultura
do vale-tudo do PT. Nela, o que mais se faz é relaxar e gozar as benesses do
poder – do que Marta Suplicy entende bem. Respeitar o interesse
dos eleitores e dos cidadãos é o que menos conta neste nefasto mercado de barganhas.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Com a faca nos dentes
Partidos da base de apoio de Dilma Rousseff voltaram a expor a luta renhida que travam por nacos de poder. PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário. Pelo que, afinal, brigam tanto? Pelo bem do país é que não é.
A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público. Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.
Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf. Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.
Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero “fogo amigo”, percalços de um governo naturalmente fatiado. Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.
O Globo mostra hoje a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d’água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto. Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.
Este é apenas “mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá”, resume o jornal em editorial na edição de hoje.
Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa. Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.
Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus “aliados”.
“O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo. Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.
Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto. Ele estaria “desmotivado”. O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.
A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe – com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras – foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.
Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores – em síntese, sem rumo e sem alma.
São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação. Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos. Que projeto de país, afinal, nos oferecem?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Corolário da intolerância
Desde o escândalo do mensalão é assim: quando se vê acuado por denúncias e evidências de corrupção e malfeitos, o PT acena com a possibilidade de “mobilizar as massas” em defesa de seu governo “democrático e popular”.
Acontecerá de novo nesta quinta-feira, quando ONG, sindicatos, agremiações estudantis e entidades amaciadas pelo ervanário público protestarão contra o “golpismo midiático”. Mas o que se pretende é muito mais: caçar o direito de divergir do governo petista, algo que esse pessoal simplesmente não suporta.
O evento desta quinta-feira não é ato isolado. Há algumas semanas, desde que foram sendo reveladas as violações na Receita Federal e as falcatruas na Casa Civil, o próprio presidente da República partiu para o ataque contra a imprensa. Comício após comício, ato público após ato público, Lula vem insuflando seu público, afrontando a liberdade de informar dos meios de comunicação. A turma do protesto simplesmente seguiu a senha dada pelo líder. Encena agora o corolário da intolerância.
Os tais “representantes” de entidades civis cumprem o papel que o petismo lhes reservou na Era Lula: servir de vassalos de um governo que muitas vezes lhes paga o salário e noutras tantas lhes garante gordas verbas públicas em forma de polpudos convênios. O PT transformou centrais sindicais, MST, UNE e confrarias do gênero em correia de transmissão dos interesses oficiais: funcionam como cães de guarda que o petismo põe em campo toda vez que alguma de suas maracutaias é descoberta.
O protesto desta semana também tem lá seu caráter preventivo. É como se o petismo quisesse dizer: “Não nos venham querer derrotar nas urnas, porque, se assim for, não deixaremos pedra sobre pedra neste país.” Não foi uma nem duas vezes que já se ouviu de próceres do lulismo que os tais “movimentos sociais” não dariam sossego a um eventual governo de alguém da oposição – tendo, claro, Lula como maestro. É desta maneira que esta gente respeita a democracia e a vontade popular...
Nem sempre Lula e o PT viram a imprensa como sua inimiga nº 1. Na realidade, ela lhes foi, no mais das vezes e por anos a fio, companheira. Muito do mito erigido em torno do líder popular deve-se aos meios de comunicação. Muito do denuncismo que sustentou a atividade parlamentar dos petistas por décadas só prosperou em razão do espaço que os jornais lhes franquearam. Mas, para o petismo, isso ainda é pouco: só serve a unanimidade.
O ataque do PT em busca da concordância absoluta se dá em duas frentes. Por um lado, ataca-se a liberdade de a imprensa independente atuar, o direito de algumas cabeças pensantes divergir. É a elite intelectual que precisa ser exterminada.
De outro, instrumentalizam-se vozes chapas-brancas para defender o governo a qualquer preço e a toda hora. O governo montou uma barricada guerrilheira na internet (basta observar quem patrocina os blogs alinhados ao governismo), espraiou a subserviência por jornais do interior do país cevados a gordas publicidades oficiais e engendrou uma potente máquina de propaganda por meio de empresas públicas travestidas de jornalísticas. Uma estratégia de guerra para aniquilar vozes dissonantes e amplificar a de áulicos.
Tudo considerado, estamos diante de um dos piores legados da era Lula: a intolerância com o contraditório. Divergir do discurso oficial tornou-se crime no Brasil, coisa de quem “torce contra”, a ser punido com as garras do aparato estatal (a Receita Federal está aí para isso...). Uma verdadeira herança maldita que só encontra competidora à altura na leniência com o malfeito – algo que este governo não só pratica como tenta inocular na sociedade. Marcas de uma era que o país ainda demorará um tempo para eliminar, mas que é preciso começar já a varrer.
Acontecerá de novo nesta quinta-feira, quando ONG, sindicatos, agremiações estudantis e entidades amaciadas pelo ervanário público protestarão contra o “golpismo midiático”. Mas o que se pretende é muito mais: caçar o direito de divergir do governo petista, algo que esse pessoal simplesmente não suporta.
O evento desta quinta-feira não é ato isolado. Há algumas semanas, desde que foram sendo reveladas as violações na Receita Federal e as falcatruas na Casa Civil, o próprio presidente da República partiu para o ataque contra a imprensa. Comício após comício, ato público após ato público, Lula vem insuflando seu público, afrontando a liberdade de informar dos meios de comunicação. A turma do protesto simplesmente seguiu a senha dada pelo líder. Encena agora o corolário da intolerância.
Os tais “representantes” de entidades civis cumprem o papel que o petismo lhes reservou na Era Lula: servir de vassalos de um governo que muitas vezes lhes paga o salário e noutras tantas lhes garante gordas verbas públicas em forma de polpudos convênios. O PT transformou centrais sindicais, MST, UNE e confrarias do gênero em correia de transmissão dos interesses oficiais: funcionam como cães de guarda que o petismo põe em campo toda vez que alguma de suas maracutaias é descoberta.
O protesto desta semana também tem lá seu caráter preventivo. É como se o petismo quisesse dizer: “Não nos venham querer derrotar nas urnas, porque, se assim for, não deixaremos pedra sobre pedra neste país.” Não foi uma nem duas vezes que já se ouviu de próceres do lulismo que os tais “movimentos sociais” não dariam sossego a um eventual governo de alguém da oposição – tendo, claro, Lula como maestro. É desta maneira que esta gente respeita a democracia e a vontade popular...
Nem sempre Lula e o PT viram a imprensa como sua inimiga nº 1. Na realidade, ela lhes foi, no mais das vezes e por anos a fio, companheira. Muito do mito erigido em torno do líder popular deve-se aos meios de comunicação. Muito do denuncismo que sustentou a atividade parlamentar dos petistas por décadas só prosperou em razão do espaço que os jornais lhes franquearam. Mas, para o petismo, isso ainda é pouco: só serve a unanimidade.
O ataque do PT em busca da concordância absoluta se dá em duas frentes. Por um lado, ataca-se a liberdade de a imprensa independente atuar, o direito de algumas cabeças pensantes divergir. É a elite intelectual que precisa ser exterminada.
De outro, instrumentalizam-se vozes chapas-brancas para defender o governo a qualquer preço e a toda hora. O governo montou uma barricada guerrilheira na internet (basta observar quem patrocina os blogs alinhados ao governismo), espraiou a subserviência por jornais do interior do país cevados a gordas publicidades oficiais e engendrou uma potente máquina de propaganda por meio de empresas públicas travestidas de jornalísticas. Uma estratégia de guerra para aniquilar vozes dissonantes e amplificar a de áulicos.
Tudo considerado, estamos diante de um dos piores legados da era Lula: a intolerância com o contraditório. Divergir do discurso oficial tornou-se crime no Brasil, coisa de quem “torce contra”, a ser punido com as garras do aparato estatal (a Receita Federal está aí para isso...). Uma verdadeira herança maldita que só encontra competidora à altura na leniência com o malfeito – algo que este governo não só pratica como tenta inocular na sociedade. Marcas de uma era que o país ainda demorará um tempo para eliminar, mas que é preciso começar já a varrer.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Um envelope fechado, recheado de dinheiro sujo
Parece não ter fim a torrente de escândalos que inunda o governo Lula e, mais especificamente, a pasta que até outro dia foi chefiada por Dilma Rousseff. A turma da ex-ministra e agora pretendente a presidente da República está enredada nas mais tenebrosas transações. Caraca!
Nas explicações do PT e do governo, a candidata não sabia de nada que acontecia em torno de sua antiga sala no Palácio do Planalto. Lula, muito menos. E eram coisas pesadíssimas, como tráfico de influência, cobrança de propina, nepotismo descarado e até mesmo a farta distribuição de pacotes de dinheiro vivo como pagamento de corrupção.
Ao mesmo tempo, a campanha eleitoral atribui à petista qualidades de grande executiva. Dá para acreditar? Das duas uma: ou Dilma é uma péssima administradora, incapaz de perceber o que se passa sob seu nariz, ou então tem tudo a ver com este mar de lama que assola o Planalto. Com qual versão ficar?
A mais nova reportagem da revista Veja joga mais luz nos subterrâneos petistas. Deixa claro que no governo Lula o país deixou de ter uma Casa Civil, substituída por uma verdadeira casa da mãe Joana – ou será da “tia” Dilma, como a chamavam os alopradinhos de Erenice Guerra?
A publicação mostra que, em julho do ano passado, o advogado Vinícius de Oliveira, recém-ingresso no ministério comandado pela dupla Dilma/Erenice, deparou-se com um envelope recheado com R$ 200 mil na gaveta de sua mesa. Tratava-se de uma espécie de corrupção preventiva: todos ali haviam recebido o seu, como parte de uma operação envolvendo a compra emergencial do Tamiflu, medicamento para combate à gripe suína, pelo governo brasileiro. Até da desgraça alheia esta gente tenta se aproveitar.
Entre os sócios desta quadrilha em ação dentro do Palácio do Planalto (será uma ramificação daquela do mensalão?) está uma lista de nomes que não para de crescer, formada por amigos e parentes de Erenice. Lá estão filhos, marido, irmãos, ex-cunhada e uma parentalha sem fim. Sempre envolvida em negócios cotados em bilhões de reais, Erenice é, desde já, responsável por dar uma nova acepção à Bolsa Família.
Nunca é demais lembrar que Erenice Guerra e Dilma Rousseff são unha-e-carne. Estiveram lado a lado desde os primeiros momentos do governo Lula, ainda antes da posse. São quase oito anos juntinhas. A pergunta que não quer calar é: onde estava Dilma enquanto esta rede de falcatruas se expandia? Na melhor das hipóteses, estaria inaugurando pedras fundamentais e obras inacabadas do PAC ou em algum palanque pelo Brasil afora. Seria, assim, uma administradora tremendamente incapaz.
A outra alternativa – que, convenhamos, é bem mais provável – é ainda pior: Dilma conhecia tudo o que se passava sob seu nariz. Já se sabe que muitas das reuniões ocorreram no quarto andar do Palácio do Planalto. Em sua edição de ontem, a Folha de S. Paulo mostrou que o nome de “tia” Dilma era utilizado pelos meninos de Erenice para avalizar as transações.
A candidata petista recusa-se a esclarecer as dubiedades que cercam o caso. Chama a descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil de “factóide”. Mostra-se, cada vez mais, um envelope fechado, que provavelmente esconde dentro uma má surpresa para o destinatário, o povo brasileiro.
Ninguém sabe ao certo o que Dilma pretende para o país, já que se recusa a pôr no papel e divulgar seu programa de governo – algo que “nunca” acontecerá, segundo o responsável por coordenar a sua elaboração, o czar obscurantista Marco Aurélio Garcia. É o velho horror petista à luz.
A forma mais efetiva de avaliar o que Dilma nos reserva é mirar suas atitudes pregressas e as escolhas que fez. Suas nomeações são um primor: Erenice, Silas Rondeau (defenestrado do Ministério de Minas e Energia sob suspeita de irregularidades), Milton Zuanazzi (responsável por lançar a Anac no voo cego que resultou na morte de centenas de passageiros nos dois maiores acidentes aéreos da história brasileira), Fernando Pimentel (o ex-prefeito de Belo Horizonte especializado em dossiês criminosos). E por aí afora.
Sobre o que esperar de um governo Dilma (toc, toc, toc, bate na madeira) há outras indicações, tão ou mais explícitas. Vocalizadas pelo “companheiro de armas” José Dirceu, elas dão conta de que, com Dilma, o PT vai finalmente implantar seu real projeto de poder, em que, entre outras coisinhas, provavelmente a imprensa não disporá de tanta liberdade quanto hoje. Palavras do “chefe da quadrilha” do mensalão petista.
Mesmo com todo o esforço do PT para esconder quem realmente é sua candidata, pouco a pouco os eleitores brasileiros tomam conhecimento de uma realidade nada agradável. Dilma revela-se péssima administradora, sem um programa de governo explicitado, aliada dos mais atrasados e danosos políticos do país, conivente por anos com um enorme esquema de corrupção montado dentro de seu gabinete. Isso não é café pequeno.
Nas explicações do PT e do governo, a candidata não sabia de nada que acontecia em torno de sua antiga sala no Palácio do Planalto. Lula, muito menos. E eram coisas pesadíssimas, como tráfico de influência, cobrança de propina, nepotismo descarado e até mesmo a farta distribuição de pacotes de dinheiro vivo como pagamento de corrupção.
Ao mesmo tempo, a campanha eleitoral atribui à petista qualidades de grande executiva. Dá para acreditar? Das duas uma: ou Dilma é uma péssima administradora, incapaz de perceber o que se passa sob seu nariz, ou então tem tudo a ver com este mar de lama que assola o Planalto. Com qual versão ficar?
A mais nova reportagem da revista Veja joga mais luz nos subterrâneos petistas. Deixa claro que no governo Lula o país deixou de ter uma Casa Civil, substituída por uma verdadeira casa da mãe Joana – ou será da “tia” Dilma, como a chamavam os alopradinhos de Erenice Guerra?
A publicação mostra que, em julho do ano passado, o advogado Vinícius de Oliveira, recém-ingresso no ministério comandado pela dupla Dilma/Erenice, deparou-se com um envelope recheado com R$ 200 mil na gaveta de sua mesa. Tratava-se de uma espécie de corrupção preventiva: todos ali haviam recebido o seu, como parte de uma operação envolvendo a compra emergencial do Tamiflu, medicamento para combate à gripe suína, pelo governo brasileiro. Até da desgraça alheia esta gente tenta se aproveitar.
Entre os sócios desta quadrilha em ação dentro do Palácio do Planalto (será uma ramificação daquela do mensalão?) está uma lista de nomes que não para de crescer, formada por amigos e parentes de Erenice. Lá estão filhos, marido, irmãos, ex-cunhada e uma parentalha sem fim. Sempre envolvida em negócios cotados em bilhões de reais, Erenice é, desde já, responsável por dar uma nova acepção à Bolsa Família.
Nunca é demais lembrar que Erenice Guerra e Dilma Rousseff são unha-e-carne. Estiveram lado a lado desde os primeiros momentos do governo Lula, ainda antes da posse. São quase oito anos juntinhas. A pergunta que não quer calar é: onde estava Dilma enquanto esta rede de falcatruas se expandia? Na melhor das hipóteses, estaria inaugurando pedras fundamentais e obras inacabadas do PAC ou em algum palanque pelo Brasil afora. Seria, assim, uma administradora tremendamente incapaz.
A outra alternativa – que, convenhamos, é bem mais provável – é ainda pior: Dilma conhecia tudo o que se passava sob seu nariz. Já se sabe que muitas das reuniões ocorreram no quarto andar do Palácio do Planalto. Em sua edição de ontem, a Folha de S. Paulo mostrou que o nome de “tia” Dilma era utilizado pelos meninos de Erenice para avalizar as transações.
A candidata petista recusa-se a esclarecer as dubiedades que cercam o caso. Chama a descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil de “factóide”. Mostra-se, cada vez mais, um envelope fechado, que provavelmente esconde dentro uma má surpresa para o destinatário, o povo brasileiro.
Ninguém sabe ao certo o que Dilma pretende para o país, já que se recusa a pôr no papel e divulgar seu programa de governo – algo que “nunca” acontecerá, segundo o responsável por coordenar a sua elaboração, o czar obscurantista Marco Aurélio Garcia. É o velho horror petista à luz.
A forma mais efetiva de avaliar o que Dilma nos reserva é mirar suas atitudes pregressas e as escolhas que fez. Suas nomeações são um primor: Erenice, Silas Rondeau (defenestrado do Ministério de Minas e Energia sob suspeita de irregularidades), Milton Zuanazzi (responsável por lançar a Anac no voo cego que resultou na morte de centenas de passageiros nos dois maiores acidentes aéreos da história brasileira), Fernando Pimentel (o ex-prefeito de Belo Horizonte especializado em dossiês criminosos). E por aí afora.
Sobre o que esperar de um governo Dilma (toc, toc, toc, bate na madeira) há outras indicações, tão ou mais explícitas. Vocalizadas pelo “companheiro de armas” José Dirceu, elas dão conta de que, com Dilma, o PT vai finalmente implantar seu real projeto de poder, em que, entre outras coisinhas, provavelmente a imprensa não disporá de tanta liberdade quanto hoje. Palavras do “chefe da quadrilha” do mensalão petista.
Mesmo com todo o esforço do PT para esconder quem realmente é sua candidata, pouco a pouco os eleitores brasileiros tomam conhecimento de uma realidade nada agradável. Dilma revela-se péssima administradora, sem um programa de governo explicitado, aliada dos mais atrasados e danosos políticos do país, conivente por anos com um enorme esquema de corrupção montado dentro de seu gabinete. Isso não é café pequeno.
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
A profana ceia governista
O PT e os partidos governistas estão oferecendo ao eleitor uma bela demonstração de como agirão caso saiam consagrados das urnas em outubro. Faltando mais de um mês para as eleições, deram início a um deplorável espetáculo de assalto ao Estado. Propostas para o país nenhum deles tem a oferecer, interessados que estão em apenas tomar sua parte na divisão do butim.
A senha para a disparada foi dada alguns dias atrás pelo partido que tende a manter-se como o de maior peso parlamentar no próximo governo. Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, avisou a seus correligionários que o PMDB já se prepara para fazer a “partilha” da futura administração. No seu rastro, vieram todas as siglas abrigadas no condomínio montado por Lula, aos berros de “me dá, me dá, que eu vi primeiro”.
É só olhar à volta da candidata oficial para ver ao lado dela o que de pior grassa nos partidos. Todos ressuscitadinhos da silva por Lula, estão lá Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Newton Cardoso, José Dirceu, Delúbio Soares, o anão do Orçamento Genebaldo Correia etc etc etc. A lista é extensa o suficiente para compor uma quadrilha de 40, como a do mensalão.
Com esta turma, estão de volta ao léxico vocábulos que gostaríamos de ver apenas em dicionários não atualizados para os padrões agora adotados nos países de língua portuguesa. Nos jornais, para quem quiser ler ou ouvir, os aliados de Dilma falam abertamente em “partilha do pão”, em “carguinhos” e em “valer quanto pesa” nas negociatas pela repartição do poder. Triste show desta pequena loja de horrores.
“A Brasília dos últimos anos firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos. (...) No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins lucrativos”, resume Josias de Souza na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Audrey, a planta carnívora petista, está prontinha para engolir o que vier pela frente.
Como se não bastasse, Lula e o marketing político do PT cuidam de transformar o debate político em algo primário, infantil, pré-escolar, reduzindo os cidadãos a “filhos” de um líder ungido por Deus. Diz o principal jingle de campanha de Dilma: “Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/Pois sei: meu povo ganhou uma mãe”. Estamos esperando o Messias? Somos órfãos em busca de adoção?
Pouco se sabe sobre a candidata do PT. Mas muito se revela sobre ela a partir de suas péssimas companhias ou a partir do molde abestalhado em que tenta encaixar o eleitorado brasileiro. Na sua gagueira onipresente, na profana evocação de poderes divinos, na transformação do país numa imensa creche, Dilma Rousseff nos apresenta seu gugu-dadá retrocessivo.
Tem sorte o eleitor de estar podendo assistir tudo isso acontecer a ainda 40 dias da votação. Os governistas nos oferecem de graça e sob a luz do dia uma amostra do que irá se desenrolar, cotado em bilhões, nos recônditos mal iluminados do poder, caso a candidata do PT saia-se vencedora da eleição. É mais um motivo para colocar toda esta turma para entoar suas cantigas de ninar em outra freguesia.
A senha para a disparada foi dada alguns dias atrás pelo partido que tende a manter-se como o de maior peso parlamentar no próximo governo. Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, avisou a seus correligionários que o PMDB já se prepara para fazer a “partilha” da futura administração. No seu rastro, vieram todas as siglas abrigadas no condomínio montado por Lula, aos berros de “me dá, me dá, que eu vi primeiro”.
É só olhar à volta da candidata oficial para ver ao lado dela o que de pior grassa nos partidos. Todos ressuscitadinhos da silva por Lula, estão lá Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Newton Cardoso, José Dirceu, Delúbio Soares, o anão do Orçamento Genebaldo Correia etc etc etc. A lista é extensa o suficiente para compor uma quadrilha de 40, como a do mensalão.
Com esta turma, estão de volta ao léxico vocábulos que gostaríamos de ver apenas em dicionários não atualizados para os padrões agora adotados nos países de língua portuguesa. Nos jornais, para quem quiser ler ou ouvir, os aliados de Dilma falam abertamente em “partilha do pão”, em “carguinhos” e em “valer quanto pesa” nas negociatas pela repartição do poder. Triste show desta pequena loja de horrores.
“A Brasília dos últimos anos firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos. (...) No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins lucrativos”, resume Josias de Souza na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Audrey, a planta carnívora petista, está prontinha para engolir o que vier pela frente.
Como se não bastasse, Lula e o marketing político do PT cuidam de transformar o debate político em algo primário, infantil, pré-escolar, reduzindo os cidadãos a “filhos” de um líder ungido por Deus. Diz o principal jingle de campanha de Dilma: “Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/Pois sei: meu povo ganhou uma mãe”. Estamos esperando o Messias? Somos órfãos em busca de adoção?
Pouco se sabe sobre a candidata do PT. Mas muito se revela sobre ela a partir de suas péssimas companhias ou a partir do molde abestalhado em que tenta encaixar o eleitorado brasileiro. Na sua gagueira onipresente, na profana evocação de poderes divinos, na transformação do país numa imensa creche, Dilma Rousseff nos apresenta seu gugu-dadá retrocessivo.
Tem sorte o eleitor de estar podendo assistir tudo isso acontecer a ainda 40 dias da votação. Os governistas nos oferecem de graça e sob a luz do dia uma amostra do que irá se desenrolar, cotado em bilhões, nos recônditos mal iluminados do poder, caso a candidata do PT saia-se vencedora da eleição. É mais um motivo para colocar toda esta turma para entoar suas cantigas de ninar em outra freguesia.
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