É em tudo reprovável o que manifestantes antigoverno fizeram ontem em Brasília. Não se faz oposição com base em violência e depredação. A balbúrdia serve apenas para desnudar o real objetivo desses movimentos: tentar brecar qualquer coisa que não esteja de acordo com seu corolário político e ideológico. Eles não comungam da democracia.
Desde o berço, o protesto era reprovável. Foi convocado por sindicatos e centrais para criticar (para usar um verbo brando) as reformas estruturais em discussão no Congresso, em especial a trabalhista e a previdenciária. São as mesmas reformas consideradas condição necessária para a recuperação econômica e a superação da crise que vitima mais de 14 milhões de famílias de desempregados – gente para a qual estas entidades, claro está, se lixam.
Ainda que reprovável, o protesto começou legítimo, afinal não se nega a ninguém o direito de manifestar-se. Mas sua condução logo descambou para a baderna, para agressões, depredação de patrimônio, invasão e até incêndio de ministérios e bens públicos. Nada pode justificar isso.
Os manifestantes esconderam a cara, mas revelaram sua face: o que buscam é criar contornos de um país em chamas e que, portanto, dentro desta lógica, assim não pode continuar. Fazem política, mas com atos de bandidagem. Discutir propostas? Esquece. O negócio deles é na base de paus e pedras; no grito é que resolvem as desavenças.
O que acontece do lado de fora, na Esplanada dos Ministérios, espelha o que vem se passando dentro do Congresso nos últimos dias. Os representantes dessas mesmas forças antigoverno usam também da força e da truculência para se opor às mesmas coisas que não estejam de acordo com seu corolário político e ideológico. Deviam fazer política, apenas.
Os que criam confusão (para usar, de novo, um termo brando) dentro no Congresso são os mesmos interessados em insuflar a bagunça e a violência do lado de fora dele. Achar que foi a convocação das Forças Armadas que acendeu o pavio curto deles é piada. Aqueles nobres parlamentares de oposição tumultuariam qualquer sessão legislativa por menos que um fósforo, porque o que lhes interessa é tão somente dar ares de ingovernabilidade a qualquer país que não esteja sob seu domínio.
Foi a aliança entre a baderna fora e dentro do Congresso que criou o caldo para que se justificasse a convocação das Forças Armadas como dispositivo constitucional de garantia da lei e da ordem. Com a PM de Brasília impotente e irascível, o que se esperava que fosse feito: deixar os vândalos depredarem e saquearem em série – como, aliás, estão fazendo bandidos até debaixo das barbas de policiais no Rio?
Curiosamente, os mesmos que ontem condenaram a convocação das Forças Armadas justificavam, em junho de 2013, no auge dos protestos em Brasília, igual iniciativa tomada (acertadamente) pela então presidente Dilma Rousseff. No entanto, os alvos de outrora agora se tornaram “companheiros mascarados”, como a eles se referiu uma senadora comunista...
Vão se cumprindo, desta maneira, ameaças feitas um ano atrás quando o PT foi apeado do poder. Diziam os que estavam de saída que ocupariam ruas para inviabilizar o “governo golpista”. Estão fazendo o que prometeram.
Mas não lhes importará quem nem qual o caráter do governo de turno: com suas chamas da intolerância e de vandalismo, vão tentar se interpor a qualquer coisa que não esteja de acordo com seu corolário político e ideológico. Na marra, vão continuar atentando contra a democracia, cuja preservação é o que menos lhes importa e interessa.
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sexta-feira, 26 de maio de 2017
sábado, 29 de abril de 2017
Greve de razão
Um bando de gente vai ficar hoje de braços cruzados emendando o feriadão que deveria servir para comemorar o Dia do Trabalho. Parte irá parar para protestar nas ruas, contra tudo e contra todos; muitos pararão não porque querem, mas porque terão seu direito de ir e vir cerceado por uma minoria.
Sobra verbo e falta razão na greve geral convocada para esta sexta-feira, noves fora o direito democrático que a Constituição Federal lhes assegura – o que não justifica os abusos de sempre. Seus participantes preferem que tudo no Brasil continue como está, ou seja, ruim, desigual, atrasado e desumano.
Diz-se que a paralisação é contra a reforma da Previdência, as novas regras trabalhistas e a regulamentação da terceirização. Nesta linha, não surpreenderia que fosse também contra a água encanada, a vacina antirrábica e a luz elétrica. O espírito dos manifestantes é mais ou menos o mesmo.
Quem convoca a greve são sindicatos, centrais e castas profissionais que tremem de medo de perder seus privilégios, a começar pelo imposto que cada trabalhador é obrigado a lhes pagar anualmente, dedicando-lhes graciosamente um dia de labuta – maná a que a reforma laboral recém-aprovada dá fim.
Seus adeptos mais numerosos são os trabalhadores abrigados nos benefícios da CLT, funcionários públicos protegidos no conforto da estabilidade no emprego, profissionais ansiosos por se aposentar aos 50 e poucos anos de idade com vencimento integral até a morte. A eles juntam-se os baderneiros de sempre e a moçada que é contra tudo isso que está aí.
É curioso que não se tenha visto nenhuma destas entidades, dessas categorias, destas corporações ocupar as ruas enquanto o país afundava sob o governo do PT. Não se viu protestarem contra a roubalheira, contra a implosão do orçamento público, contra a desconstrução da nossa economia.
É ainda mais curioso que justamente quando estes problemas começam a ser enfrentamos de maneira decidida estes mesmos grupelhos resolvam cruzar braços e reclamar – não sem antes atazanar a vida da maioria que prefere trabalhar. Quando o país conserta, quando os privilégios são atacados, quando as iniquidades são enfrentadas, eles não gostam.
Sob o pretexto de que faltou discussão sobre as reformas em marcha, os grevistas as desqualificam na íntegra. Esse é um argumento cansativo, de quem não quer mudar rigorosamente nada. A discussão ad infinitum, eminentemente protelatória é a melhor forma de manter tudo como está – como, aliás, foi a tônica nos governos de Lula e Dilma.
Na sua estreiteza, os grevistas não conseguem sequer admitir que há, sim, sérios problemas num sistema de previdência cujo rombo triplicou em quatro anos – e que, não, nem de longe será coberto nem se todas as dívidas forem sumariamente executadas e todos os devedores, presos. Um problema que, no limite, fará com que todos deixem de receber suas devidas aposentadorias e pensões.
Enquanto essa gente refuta a aritmética básica, que agora até alunos precisam ensinar a seus professores, os gastos do país simplesmente arruínam-se. Só em um trimestre, o rombo da Previdência bateu em R$ 40 bilhões, com alta de 38% sobre o mesmo período de 2016.
Ao mesmo tempo, os investimentos públicos encolheram a pouco mais de um terço do que eram no início do ano passado. Esta é a marcha que aguarda o país em caso de fracasso da reforma previdenciária: todo o dinheiro tirado do contribuinte só servirá para pagar benefícios e pensões, até o dia em que nem isso mais pagará.
Os protegidos pela CLT e os albergados na estabilidade do emprego público também não estão nem aí para quem vive de emprego informal, toca seu próprio negócio e, pior ainda, se lixam para os mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, como divulgou o IBGE nesta manhã. Enquanto a maioria vive quase sem proteção alguma, querem fazer crer que os direitos que assistem a esta minoria – que mal perfaz um terço do total de trabalhadores – são intocáveis.
Para essa gente, falar de modernização da legislação trabalhista, superando um entrave burocrático de mais de 70 anos, é heresia. Falar da normatização de relações de trabalho que envolvem mais de 13 milhões de profissionais terceirizados é pecado. Ao mesmo tempo, sofismam que direitos estão sendo vilipendiados e omitem que as novas leis trazem miríades de salvaguardas aos trabalhadores, sem falar no fato de que lei ordinária alguma se sobrepõe à Constituição, que continua intocada.
A esta parcela que hoje cruza os braços contra a recuperação do país, contra reformas essenciais para atacar privilégios, para criar novas oportunidades de emprego, para evitar a perpetuação de desigualdades contrapõe-se uma imensa maioria que irá ao trabalho para continuar reconstruindo o Brasil, para superar o atraso, para que prevaleça a razão e não o grito, para que o país progrida e não retroceda, como foi a tônica nos últimos anos, quando os que hoje berram ficaram bem caladinhos.
Sobra verbo e falta razão na greve geral convocada para esta sexta-feira, noves fora o direito democrático que a Constituição Federal lhes assegura – o que não justifica os abusos de sempre. Seus participantes preferem que tudo no Brasil continue como está, ou seja, ruim, desigual, atrasado e desumano.
Diz-se que a paralisação é contra a reforma da Previdência, as novas regras trabalhistas e a regulamentação da terceirização. Nesta linha, não surpreenderia que fosse também contra a água encanada, a vacina antirrábica e a luz elétrica. O espírito dos manifestantes é mais ou menos o mesmo.
Quem convoca a greve são sindicatos, centrais e castas profissionais que tremem de medo de perder seus privilégios, a começar pelo imposto que cada trabalhador é obrigado a lhes pagar anualmente, dedicando-lhes graciosamente um dia de labuta – maná a que a reforma laboral recém-aprovada dá fim.
Seus adeptos mais numerosos são os trabalhadores abrigados nos benefícios da CLT, funcionários públicos protegidos no conforto da estabilidade no emprego, profissionais ansiosos por se aposentar aos 50 e poucos anos de idade com vencimento integral até a morte. A eles juntam-se os baderneiros de sempre e a moçada que é contra tudo isso que está aí.
É curioso que não se tenha visto nenhuma destas entidades, dessas categorias, destas corporações ocupar as ruas enquanto o país afundava sob o governo do PT. Não se viu protestarem contra a roubalheira, contra a implosão do orçamento público, contra a desconstrução da nossa economia.
É ainda mais curioso que justamente quando estes problemas começam a ser enfrentamos de maneira decidida estes mesmos grupelhos resolvam cruzar braços e reclamar – não sem antes atazanar a vida da maioria que prefere trabalhar. Quando o país conserta, quando os privilégios são atacados, quando as iniquidades são enfrentadas, eles não gostam.
Sob o pretexto de que faltou discussão sobre as reformas em marcha, os grevistas as desqualificam na íntegra. Esse é um argumento cansativo, de quem não quer mudar rigorosamente nada. A discussão ad infinitum, eminentemente protelatória é a melhor forma de manter tudo como está – como, aliás, foi a tônica nos governos de Lula e Dilma.
Na sua estreiteza, os grevistas não conseguem sequer admitir que há, sim, sérios problemas num sistema de previdência cujo rombo triplicou em quatro anos – e que, não, nem de longe será coberto nem se todas as dívidas forem sumariamente executadas e todos os devedores, presos. Um problema que, no limite, fará com que todos deixem de receber suas devidas aposentadorias e pensões.
Enquanto essa gente refuta a aritmética básica, que agora até alunos precisam ensinar a seus professores, os gastos do país simplesmente arruínam-se. Só em um trimestre, o rombo da Previdência bateu em R$ 40 bilhões, com alta de 38% sobre o mesmo período de 2016.
Ao mesmo tempo, os investimentos públicos encolheram a pouco mais de um terço do que eram no início do ano passado. Esta é a marcha que aguarda o país em caso de fracasso da reforma previdenciária: todo o dinheiro tirado do contribuinte só servirá para pagar benefícios e pensões, até o dia em que nem isso mais pagará.
Os protegidos pela CLT e os albergados na estabilidade do emprego público também não estão nem aí para quem vive de emprego informal, toca seu próprio negócio e, pior ainda, se lixam para os mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, como divulgou o IBGE nesta manhã. Enquanto a maioria vive quase sem proteção alguma, querem fazer crer que os direitos que assistem a esta minoria – que mal perfaz um terço do total de trabalhadores – são intocáveis.
Para essa gente, falar de modernização da legislação trabalhista, superando um entrave burocrático de mais de 70 anos, é heresia. Falar da normatização de relações de trabalho que envolvem mais de 13 milhões de profissionais terceirizados é pecado. Ao mesmo tempo, sofismam que direitos estão sendo vilipendiados e omitem que as novas leis trazem miríades de salvaguardas aos trabalhadores, sem falar no fato de que lei ordinária alguma se sobrepõe à Constituição, que continua intocada.
A esta parcela que hoje cruza os braços contra a recuperação do país, contra reformas essenciais para atacar privilégios, para criar novas oportunidades de emprego, para evitar a perpetuação de desigualdades contrapõe-se uma imensa maioria que irá ao trabalho para continuar reconstruindo o Brasil, para superar o atraso, para que prevaleça a razão e não o grito, para que o país progrida e não retroceda, como foi a tônica nos últimos anos, quando os que hoje berram ficaram bem caladinhos.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Contabilidades criativas
A reforma da Previdência virou mote para toda sorte de proselitismos, demagogias e mistificações pelo país afora, como pôde ser visto ontem em ruas, praças e avenidas brasileiras. A primeira vítima da manipulação é a verdade; a principal, o futuro do Brasil. Assim não vamos chegar a lugar algum que não seja o precipício.
É sempre mais difícil encarar a realidade e seus muitas vezes inconvenientes fatos. É sempre mais fácil enveredar pelas ora célebres “verdades alternativas”. Assim tem se pautado a gritaria contra a reforma do sistema de aposentadorias e pensões proposta pelo governo Michel Temer. Para os opositores, o que importa é a aliança com o ilusório, e não o compromisso com o real.
Não é novidade que o grupo político e ideológico que ora se mobiliza para parar o país tenha nítida preferência pela ficção e rematado pavor dos fatos, da realidade e da verdade. Contabilidade criativa foi a tônica do governo afastado quase um ano atrás por práticas reiteradas de crimes de responsabilidade. Nota-se que é absoluta a sintonia com a mistificação atual em torno da reforma.
Mas nem toda prestidigitação do mundo permite negar que o modelo previdenciário atual do país está fadado à falência. Não são apenas aposentadorias e pensões que estão em desequilíbrio. Indo mais longe, todo o sistema da seguridade social está pendurado na brocha, produzindo rombos atrás de rombos, como demonstrou o Ministério do Planejamento no início desta semana.
No ano passado, as despesas para bancar ações destinadas a custear os direitos relativos a saúde, previdência social e assistência social previstos na Constituição superaram as receitas em mais de R$ 258 bilhões. Em dois anos, o buraco dobrou; em três, quase triplicou. Onde isso vai parar? Mantido o sistema atual, a resposta é fácil: não vai parar.
O modelo previdenciário que a reforma em discussão no Congresso persegue nada mais é do que uma aproximação ao que vigora em boa parte do mundo, seja desenvolvido, seja em desenvolvimento. O Brasil mantém-se, por exemplo, como um dos únicos 13 países que não exigem idade mínima para concessão de aposentadoria, na companhia, entre outros, de Argélia e Egito. Somos, portanto, ponto fora da curva.
A média de idade dos brasileiros que se aposentam por tempo de contribuição é de 54 anos, para um país onde a média de sobrevida nesta faixa etária varia entre 79 (homens) e 82 anos (mulheres). Quem recolheu à Previdência por 35 (homens) e 30 anos (mulheres) usufruirá de benefícios durante mais 24 e 30 anos, respectivamente. Não há sistema que pare em pé.
E vai piorar, em razão da mudança demográfica em marcha. Até 2050, a proporção de idosos na população nacional deverá quase triplicar, subindo de perto de 12% para 33%, sobrecarregando ainda mais as contas previdenciárias. Hoje, já são 12 idosos para cada 100 trabalhadores; em 2060, a proporção terá subido para 45 a cada 100.
O gasto previdenciário brasileiro já é explosivo e consome 9,5% do PIB, considerando despesas do INSS e com o regime próprio dos servidores públicos. Aproxima-se do de economias muito mais ricas e com população muito maior de idosos, como é o caso da Alemanha, conforme mostrou a Consultoria Legislativa do Senado. Se nada for feito, em dez anos a Previdência consumirá 77% do orçamento público brasileiro e lá por meados da década de 2030 já não sobrará mais nada.
Considerando os desequilíbrios projetados para os próximos anos (déficit atuarial), há um rombo de quase R$ 100 trilhões no sistema previdenciário brasileiro, ou seja, quase 15 vezes o valor do nosso PIB atual. É preciso torturar muito os números, como têm se dedicado a fazer os opositores da reforma, para negar a necessidade imperiosa de mudança das regras de concessão de aposentadorias e pensões num país pobre como o Brasil.
É sempre mais difícil encarar a realidade e seus muitas vezes inconvenientes fatos. É sempre mais fácil enveredar pelas ora célebres “verdades alternativas”. Assim tem se pautado a gritaria contra a reforma do sistema de aposentadorias e pensões proposta pelo governo Michel Temer. Para os opositores, o que importa é a aliança com o ilusório, e não o compromisso com o real.
Não é novidade que o grupo político e ideológico que ora se mobiliza para parar o país tenha nítida preferência pela ficção e rematado pavor dos fatos, da realidade e da verdade. Contabilidade criativa foi a tônica do governo afastado quase um ano atrás por práticas reiteradas de crimes de responsabilidade. Nota-se que é absoluta a sintonia com a mistificação atual em torno da reforma.
Mas nem toda prestidigitação do mundo permite negar que o modelo previdenciário atual do país está fadado à falência. Não são apenas aposentadorias e pensões que estão em desequilíbrio. Indo mais longe, todo o sistema da seguridade social está pendurado na brocha, produzindo rombos atrás de rombos, como demonstrou o Ministério do Planejamento no início desta semana.
No ano passado, as despesas para bancar ações destinadas a custear os direitos relativos a saúde, previdência social e assistência social previstos na Constituição superaram as receitas em mais de R$ 258 bilhões. Em dois anos, o buraco dobrou; em três, quase triplicou. Onde isso vai parar? Mantido o sistema atual, a resposta é fácil: não vai parar.
O modelo previdenciário que a reforma em discussão no Congresso persegue nada mais é do que uma aproximação ao que vigora em boa parte do mundo, seja desenvolvido, seja em desenvolvimento. O Brasil mantém-se, por exemplo, como um dos únicos 13 países que não exigem idade mínima para concessão de aposentadoria, na companhia, entre outros, de Argélia e Egito. Somos, portanto, ponto fora da curva.
A média de idade dos brasileiros que se aposentam por tempo de contribuição é de 54 anos, para um país onde a média de sobrevida nesta faixa etária varia entre 79 (homens) e 82 anos (mulheres). Quem recolheu à Previdência por 35 (homens) e 30 anos (mulheres) usufruirá de benefícios durante mais 24 e 30 anos, respectivamente. Não há sistema que pare em pé.
E vai piorar, em razão da mudança demográfica em marcha. Até 2050, a proporção de idosos na população nacional deverá quase triplicar, subindo de perto de 12% para 33%, sobrecarregando ainda mais as contas previdenciárias. Hoje, já são 12 idosos para cada 100 trabalhadores; em 2060, a proporção terá subido para 45 a cada 100.
O gasto previdenciário brasileiro já é explosivo e consome 9,5% do PIB, considerando despesas do INSS e com o regime próprio dos servidores públicos. Aproxima-se do de economias muito mais ricas e com população muito maior de idosos, como é o caso da Alemanha, conforme mostrou a Consultoria Legislativa do Senado. Se nada for feito, em dez anos a Previdência consumirá 77% do orçamento público brasileiro e lá por meados da década de 2030 já não sobrará mais nada.
Considerando os desequilíbrios projetados para os próximos anos (déficit atuarial), há um rombo de quase R$ 100 trilhões no sistema previdenciário brasileiro, ou seja, quase 15 vezes o valor do nosso PIB atual. É preciso torturar muito os números, como têm se dedicado a fazer os opositores da reforma, para negar a necessidade imperiosa de mudança das regras de concessão de aposentadorias e pensões num país pobre como o Brasil.
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quinta-feira, 16 de março de 2017
Parou por quê?
Centrais sindicais, entidades profissionais e associações corporativistas de toda natureza prometem parar o país hoje. Teriam boas razões, e de sobra, para se mobilizarem, mas optam, como sói acontecer, pelos motivos errados. São estratos da sociedade que se interessam tão somente por manter seus privilégios e benefícios. Para eles, que se dane o Brasil.
Os alvos da hora são as reforma da Previdência e trabalhista. Pelo jeito, essa gente acha que tudo bem se as coisas continuarem do jeito que estão. Pelo jeito, consideram que um modelo de aposentadorias e pensões fadado à falência logo ali na esquina da próxima década deve ser mantido intocado e uma legislação que atravanca o emprego deve ser preservada.
Os alvos da hora são as reforma da Previdência e trabalhista. Pelo jeito, essa gente acha que tudo bem se as coisas continuarem do jeito que estão. Pelo jeito, consideram que um modelo de aposentadorias e pensões fadado à falência logo ali na esquina da próxima década deve ser mantido intocado e uma legislação que atravanca o emprego deve ser preservada.
O que está em jogo, e as corporações não parecem entender, nem se mostram dispostas a colaborar, é o futuro do país. Do jeito que estamos, ele é uma nuvem carregada; se não mudarmos, ele não chegará.
Bater-se contra a reforma da Previdência é defender um modelo financeiramente insustentável, mas, sobretudo, socialmente injusto. O sistema atual permite aposentadorias muitíssimo precoces, mas quem se beneficia desta faculdade são os assalariados mais bem pagos, mais qualificados, mais estáveis. Em suma, trabalhadores das classes mais altas.
Na outra ponta, os informais, os menos escolarizados, os de atividades que exigem menos qualificação já estão sujeitos a regras que a reforma agora estende a todos. Em português claro: trabalhadores mais pobres só conseguem se aposentar hoje no Brasil com idade mínima de 65 anos, a mesma que consta da mudança em discussão no Congresso.
Mas as centrais, as entidades classistas e as corporações não parecem ligar para os mais pobres. Como também não ligam para os brasileiros que não têm um emprego formal, uma carteira de trabalho assinada, um trabalho perene.
A reforma trabalhista visa retirar travas que hoje dificultam contratações à guisa de resguardar direitos dos que estão empregados. É o mesmo desequilíbrio que se verifica por parte destes grupos de pressão em relação ao sistema previdenciário: quem está dentro quer mais proteção e benefícios, quem está fora mantém-se excluído. Que justiça há nisso?
Nenhuma das reformas em discussão no Congresso deve ser considerada intocável. Como em todo processo reformista, é do embate de ideias e pontos de vista distintos que podem nascer as melhores soluções. Mas, para tanto, a discussão tem que ser de boa fé, voltada ao interesse público, em prol do país. Não é o que se vê de seus opositores.
Há carradas de razão para os brasileiros protestarem: mais ética, mais dignidade, mais eficácia na gestão pública, escolas que ensinem, hospitais que curem. Nada disso está na pauta dos que pretendem parar o Brasil nesta quarta-feira. O que interessa de fato a eles é que tudo permaneça como está, para que o que há de pior volte a prevalecer e a reinar.
Bater-se contra a reforma da Previdência é defender um modelo financeiramente insustentável, mas, sobretudo, socialmente injusto. O sistema atual permite aposentadorias muitíssimo precoces, mas quem se beneficia desta faculdade são os assalariados mais bem pagos, mais qualificados, mais estáveis. Em suma, trabalhadores das classes mais altas.
Na outra ponta, os informais, os menos escolarizados, os de atividades que exigem menos qualificação já estão sujeitos a regras que a reforma agora estende a todos. Em português claro: trabalhadores mais pobres só conseguem se aposentar hoje no Brasil com idade mínima de 65 anos, a mesma que consta da mudança em discussão no Congresso.
Mas as centrais, as entidades classistas e as corporações não parecem ligar para os mais pobres. Como também não ligam para os brasileiros que não têm um emprego formal, uma carteira de trabalho assinada, um trabalho perene.
A reforma trabalhista visa retirar travas que hoje dificultam contratações à guisa de resguardar direitos dos que estão empregados. É o mesmo desequilíbrio que se verifica por parte destes grupos de pressão em relação ao sistema previdenciário: quem está dentro quer mais proteção e benefícios, quem está fora mantém-se excluído. Que justiça há nisso?
Nenhuma das reformas em discussão no Congresso deve ser considerada intocável. Como em todo processo reformista, é do embate de ideias e pontos de vista distintos que podem nascer as melhores soluções. Mas, para tanto, a discussão tem que ser de boa fé, voltada ao interesse público, em prol do país. Não é o que se vê de seus opositores.
Há carradas de razão para os brasileiros protestarem: mais ética, mais dignidade, mais eficácia na gestão pública, escolas que ensinem, hospitais que curem. Nada disso está na pauta dos que pretendem parar o Brasil nesta quarta-feira. O que interessa de fato a eles é que tudo permaneça como está, para que o que há de pior volte a prevalecer e a reinar.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Deselegância indiscreta
Civilidade é uma das premissas básicas da vida em sociedade. Para a vida política, ainda mais. Afinal, quem preza a democracia precisa saber conviver com a diferença, respeitar seus opostos e não transformar adversários em inimigos a serem aniquilados. Para os partidários do governo que acabou – legitimamente – em 12 de maio do ano passado não parece que assim seja.
A cada nova oportunidade, buscam exercitar a faculdade de afrontar o novo governo, insuflar revoltas e inventar ficções que não se coadunam com a realidade do país. Para esta gente, o Brasil vive um golpe, os cidadãos estão tendo seus direitos (todos eles) surrupiados, a política está sendo feita sob tacão e a liberdade dos desterrados do poder está sendo aviltada. Nada mais falso.
Nos últimos dias, dois episódios reunindo a nata da inteligência nacional reproduziram o enredo farsesco, a mesma narrativa que até o partido que lhes faz a cabeça está abandonando.
Em São Paulo, Raduan Nassar aproveitou o recebimento de uma bolada de 100 mil euros para deitar falação contra o governo atual. Desferiu uma série de lugares-comuns contra “golpistas” que mais pareciam saídos de um papelucho de líder juvenil (e dos ruins). Seus pouco mais de cinco minutos de pregação na entrega do prêmio Luís de Camões talvez lhe rendam mais fama que as menos de 500 páginas que escreveu ao longo de toda a vida...
O outro episódio ocorreu no Festival de Cinema de Berlim, onde o diretor Marcelo Gomes usou os minutos que tinha para divulgar seu filme para descer a lenha no governo do Brasil. Os argumentos foram os mesmos de Nassar, só que em inglês, ainda que macarrônico: um golpe, direitos cassados, um Estado de exceção que aterroriza uma população de 200 milhões de reprimidos. Onde será que esta gente vive? Em tempo: mais interessada em predicados cinematográficos, a premiação do festival ignorou a obra do brasileiro...
É de se perguntar se num governo repressor gente como Nassar e Gomes teria o espaço que tiveram. Aliás, é de se questionar quando, durante os 13 anos de gestão petista, críticos de Lula e Dilma receberam alguma honraria oficial, algum cheque gordo ou tiveram microfones abertos para afrontar na lata a autoridade de turno. A deselegância parece ser patrimônio dos incomodados do presente e a tribuna livre, uma complacência dos “golpistas” de turno.
Nassar e Gomes deveriam inspirar talentos, mas servem mesmo é de mau exemplo para grupelhos cuja maior preocupação hoje é depredar patrimônio, cercear o direito de ir e vir de trabalhadores e defender privilégios de castas profissionais – e cuja vítima da hora é o centro do Rio, combalido por quebra-quebras quase diários impetrados por corporações insatisfeitas. Não são as supostas qualidades do cinema de Gomes nem da literatura de Nassar que empolgam, mas a sua intolerância que deseduca.
Escritor e cineasta talvez se sintam tão à vontade porque se espelham em líderes que não se constrangem em transformar caixões em tribunas e o velório de sua própria esposa em comício. Essa gente perdeu completamente a compostura e a razão. A reconstrução de um país destroçado pelos governos que Nassar, Gomes, Lula e sectários em geral defendem demanda civilidade, apreço pela democracia, respeito mútuo. Está claro que com esta gente não vai dar para contar. Com eles é no grito, na deselegância, na descompostura, coisa de quem parece sonhar como uma ditadura, desde que comandada por eles.
A cada nova oportunidade, buscam exercitar a faculdade de afrontar o novo governo, insuflar revoltas e inventar ficções que não se coadunam com a realidade do país. Para esta gente, o Brasil vive um golpe, os cidadãos estão tendo seus direitos (todos eles) surrupiados, a política está sendo feita sob tacão e a liberdade dos desterrados do poder está sendo aviltada. Nada mais falso.
Nos últimos dias, dois episódios reunindo a nata da inteligência nacional reproduziram o enredo farsesco, a mesma narrativa que até o partido que lhes faz a cabeça está abandonando.
Em São Paulo, Raduan Nassar aproveitou o recebimento de uma bolada de 100 mil euros para deitar falação contra o governo atual. Desferiu uma série de lugares-comuns contra “golpistas” que mais pareciam saídos de um papelucho de líder juvenil (e dos ruins). Seus pouco mais de cinco minutos de pregação na entrega do prêmio Luís de Camões talvez lhe rendam mais fama que as menos de 500 páginas que escreveu ao longo de toda a vida...
O outro episódio ocorreu no Festival de Cinema de Berlim, onde o diretor Marcelo Gomes usou os minutos que tinha para divulgar seu filme para descer a lenha no governo do Brasil. Os argumentos foram os mesmos de Nassar, só que em inglês, ainda que macarrônico: um golpe, direitos cassados, um Estado de exceção que aterroriza uma população de 200 milhões de reprimidos. Onde será que esta gente vive? Em tempo: mais interessada em predicados cinematográficos, a premiação do festival ignorou a obra do brasileiro...
É de se perguntar se num governo repressor gente como Nassar e Gomes teria o espaço que tiveram. Aliás, é de se questionar quando, durante os 13 anos de gestão petista, críticos de Lula e Dilma receberam alguma honraria oficial, algum cheque gordo ou tiveram microfones abertos para afrontar na lata a autoridade de turno. A deselegância parece ser patrimônio dos incomodados do presente e a tribuna livre, uma complacência dos “golpistas” de turno.
Nassar e Gomes deveriam inspirar talentos, mas servem mesmo é de mau exemplo para grupelhos cuja maior preocupação hoje é depredar patrimônio, cercear o direito de ir e vir de trabalhadores e defender privilégios de castas profissionais – e cuja vítima da hora é o centro do Rio, combalido por quebra-quebras quase diários impetrados por corporações insatisfeitas. Não são as supostas qualidades do cinema de Gomes nem da literatura de Nassar que empolgam, mas a sua intolerância que deseduca.
Escritor e cineasta talvez se sintam tão à vontade porque se espelham em líderes que não se constrangem em transformar caixões em tribunas e o velório de sua própria esposa em comício. Essa gente perdeu completamente a compostura e a razão. A reconstrução de um país destroçado pelos governos que Nassar, Gomes, Lula e sectários em geral defendem demanda civilidade, apreço pela democracia, respeito mútuo. Está claro que com esta gente não vai dar para contar. Com eles é no grito, na deselegância, na descompostura, coisa de quem parece sonhar como uma ditadura, desde que comandada por eles.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Investigar sempre
Nos últimos dias, a política brasileira tem andado em descompasso com a economia. Ao mesmo tempo em que começaram a despontar sinais mais evidentes de melhora da atividade produtiva, avivaram-se temores de que a limpeza que vem varrendo o país nos últimos anos a partir da Operação Lava Jato possa sofrer constrangimentos. Que não restem dúvidas: as investigações têm que continuar.
É preciso ter claro que o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff não se limitava a cumprir a Constituição e retirar da presidência da República uma ocupante que cometeu crime de responsabilidade, afrontou leis fiscais e atentou contra a moralidade pública. Significou muito mais.
O movimento popular que ajudou a apear do poder o governo mais corrupto da história também exigiu que o combate à roubalheira, à improbidade administrativa e à inépcia de gestão continuasse. O objetivo é extirpar práticas fraudulentas da política e, em especial, dos governos. Dinheiro público é para servir à população.
Próxima de completar três anos, a Operação Lava Jato já alcança 788 investigados, com 188 prisões. Já desbaratou esquemas em estatais, com a Petrobras à frente, e conluios envolvendo conglomerados privados. Implicou empresários, dirigentes e políticos. Vem fazendo o que dela o povo espera. Um país de riqueza escassa como o Brasil não pode aturar ralos por onde recursos públicos escorram.
É importante que as novas forças políticas que hoje comandam o país tenham isso em conta. Quaisquer movimentos contrários à necessária profilaxia pela qual deve passar o sistema político e o modelo econômico brasileiros serão sempre rechaçados pela opinião pública. Ir contra o sentimento popular, hoje tão latente, é quase suicídio.
As decisões precisam ser mais bem sopesadas, assim como nomeações para cargos-chaves da República. Para ficar num chavão sempre pertinente, os escolhidos precisam ser como a mulher de César: não apenas serem honestos, mas parecerem honestos. Nem sempre tem sido assim.
Neste sentido, foram temerárias algumas decisões tomadas em Brasília envolvendo a formação da equipe de governo e, mais recentemente, a composição de comissões temáticas do Congresso Nacional e de órgãos da magistratura. Tomadas em conjunto, acabam sendo interpretadas por alguns como um plano de tons diabólicos – que não existe!
Um governo que ascendeu ao poder envolto em tamanha esperança popular, sucedendo a um partido que promoveu uma gestão de terra arrasada, não deve frustrar expectativas tão positivas criadas em torno de si. A sociedade está mais vigilante do que nunca e pede o mínimo: que o país seja passado a limpo, para que volte a inspirar nos brasileiros a fé e a confiança em dias melhores.
É preciso ter claro que o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff não se limitava a cumprir a Constituição e retirar da presidência da República uma ocupante que cometeu crime de responsabilidade, afrontou leis fiscais e atentou contra a moralidade pública. Significou muito mais.
O movimento popular que ajudou a apear do poder o governo mais corrupto da história também exigiu que o combate à roubalheira, à improbidade administrativa e à inépcia de gestão continuasse. O objetivo é extirpar práticas fraudulentas da política e, em especial, dos governos. Dinheiro público é para servir à população.
Próxima de completar três anos, a Operação Lava Jato já alcança 788 investigados, com 188 prisões. Já desbaratou esquemas em estatais, com a Petrobras à frente, e conluios envolvendo conglomerados privados. Implicou empresários, dirigentes e políticos. Vem fazendo o que dela o povo espera. Um país de riqueza escassa como o Brasil não pode aturar ralos por onde recursos públicos escorram.
É importante que as novas forças políticas que hoje comandam o país tenham isso em conta. Quaisquer movimentos contrários à necessária profilaxia pela qual deve passar o sistema político e o modelo econômico brasileiros serão sempre rechaçados pela opinião pública. Ir contra o sentimento popular, hoje tão latente, é quase suicídio.
As decisões precisam ser mais bem sopesadas, assim como nomeações para cargos-chaves da República. Para ficar num chavão sempre pertinente, os escolhidos precisam ser como a mulher de César: não apenas serem honestos, mas parecerem honestos. Nem sempre tem sido assim.
Neste sentido, foram temerárias algumas decisões tomadas em Brasília envolvendo a formação da equipe de governo e, mais recentemente, a composição de comissões temáticas do Congresso Nacional e de órgãos da magistratura. Tomadas em conjunto, acabam sendo interpretadas por alguns como um plano de tons diabólicos – que não existe!
Um governo que ascendeu ao poder envolto em tamanha esperança popular, sucedendo a um partido que promoveu uma gestão de terra arrasada, não deve frustrar expectativas tão positivas criadas em torno de si. A sociedade está mais vigilante do que nunca e pede o mínimo: que o país seja passado a limpo, para que volte a inspirar nos brasileiros a fé e a confiança em dias melhores.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016
O que a vida quer é decência
Milhares de pessoas voltaram ontem às ruas do país. Desta vez, as multidões não protestaram contra o governo. Mobilizaram-se, sobretudo, a favor da decência e em defesa da preservação dos avanços saneadores que o Brasil vem alcançando a partir do trabalho de suas instituições, em especial as reunidas em torno da Operação Lava Jato.
Houve protestos em todas as unidades da federação, reunindo entre 75 mil e 480 mil pessoas, conforme a fonte das estimativas. Entre os alvos mais explícitos estavam os presidentes do Congresso, senador Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Um dos cernes da mobilização foi a defesa da Lava Jato.
O que os brasileiros continuam pedindo é que a política se reaproxime das pessoas. Que o interesse público seja o norte e não mera figura de retórica que serve para encobrir desmandos. A luta é pela ampliação da cidadania, pela restauração da ética, pelo fim da corrupção.
Nesse tempo novo, a política não se faz mais apenas nos espaços e instâncias tradicionais. A arena de discussões se ampliou e ganhou dimensões globais com a interação possibilitada pela internet e pelas redes que se interconectam e se retroalimentam. Mudou o algoritmo da política, como sintetizou Fernando Henrique Cardoso em artigo para o site Poder 360.
“Exigem-se novas formas de diálogo, em substituição às reuniões fechadas e aos tradicionais discursos onde um líder fala e a plateia escuta. Agora, munidos de ferramentas de comunicação extraordinárias todos querem falar, e mais ainda, querem ser ouvidos pelo mundo do poder. Goste-se ou não, é assim que está funcionando.”
É preciso que os governantes e os parlamentares se deem conta do que a população e a cidadania esperam deles. Saiam da letargia e girem o botão da sintonia para religar-se à sociedade. Passem longe, por exemplo, de repetir o vexame da semana passada, quando o pacote anticorrupção apoiado por 2 milhões de assinaturas foi estropiado no Congresso.
Chegou-se a tal nível de desfaçatez nos últimos anos, que todos cobram agora uma radicalização moralizadora. E, como todo extremo, às vezes ela carrega exageros inaceitáveis. Ocorre que, no clima atual, não basta a honestidade; é preciso mostrar-se cabalmente honesto. Qualquer iniciativa que soe contra a limpeza é rechaçada com vigor.
Nossa democracia tem demonstrado força para manter o curso dos acontecimentos no leito da preservação das liberdades, da conquista de direitos e do respeito às instituições. Assim deve continuar sendo. Só uns poucos celerados não comungam destes valores absolutos, e devem continuar sendo só isso mesmo: uma minoria irracional.
O que é preciso ficar claro é que a corrupção é hoje um dos nossos maiores males, mas não é o pior. O Brasil só conseguirá sair do atoleiro em que foi jogado pelas gestões do PT se, sobretudo, conseguir reanimar a economia, voltar a produzir e gerar empregos. E isso se consegue não só com mais decência, mas especialmente com a eficiência da boa gestão e a serenidade da boa política.
Houve protestos em todas as unidades da federação, reunindo entre 75 mil e 480 mil pessoas, conforme a fonte das estimativas. Entre os alvos mais explícitos estavam os presidentes do Congresso, senador Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Um dos cernes da mobilização foi a defesa da Lava Jato.
O que os brasileiros continuam pedindo é que a política se reaproxime das pessoas. Que o interesse público seja o norte e não mera figura de retórica que serve para encobrir desmandos. A luta é pela ampliação da cidadania, pela restauração da ética, pelo fim da corrupção.
Nesse tempo novo, a política não se faz mais apenas nos espaços e instâncias tradicionais. A arena de discussões se ampliou e ganhou dimensões globais com a interação possibilitada pela internet e pelas redes que se interconectam e se retroalimentam. Mudou o algoritmo da política, como sintetizou Fernando Henrique Cardoso em artigo para o site Poder 360.
“Exigem-se novas formas de diálogo, em substituição às reuniões fechadas e aos tradicionais discursos onde um líder fala e a plateia escuta. Agora, munidos de ferramentas de comunicação extraordinárias todos querem falar, e mais ainda, querem ser ouvidos pelo mundo do poder. Goste-se ou não, é assim que está funcionando.”
É preciso que os governantes e os parlamentares se deem conta do que a população e a cidadania esperam deles. Saiam da letargia e girem o botão da sintonia para religar-se à sociedade. Passem longe, por exemplo, de repetir o vexame da semana passada, quando o pacote anticorrupção apoiado por 2 milhões de assinaturas foi estropiado no Congresso.
Chegou-se a tal nível de desfaçatez nos últimos anos, que todos cobram agora uma radicalização moralizadora. E, como todo extremo, às vezes ela carrega exageros inaceitáveis. Ocorre que, no clima atual, não basta a honestidade; é preciso mostrar-se cabalmente honesto. Qualquer iniciativa que soe contra a limpeza é rechaçada com vigor.
Nossa democracia tem demonstrado força para manter o curso dos acontecimentos no leito da preservação das liberdades, da conquista de direitos e do respeito às instituições. Assim deve continuar sendo. Só uns poucos celerados não comungam destes valores absolutos, e devem continuar sendo só isso mesmo: uma minoria irracional.
O que é preciso ficar claro é que a corrupção é hoje um dos nossos maiores males, mas não é o pior. O Brasil só conseguirá sair do atoleiro em que foi jogado pelas gestões do PT se, sobretudo, conseguir reanimar a economia, voltar a produzir e gerar empregos. E isso se consegue não só com mais decência, mas especialmente com a eficiência da boa gestão e a serenidade da boa política.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
No grito, não!
Não fazem bem à democracia os protestos agressivos que começam a pipocar pelo país. Não será na base do conflito, da baderna e da afronta às instituições que o Brasil irá encontrar saídas para crise gigantesca em que foi jogado pelos governos do PT. Palavras de ordem não têm o condão de remediar a realidade.
Episódios ocorridos ontem merecem absoluto repúdio de todos os que prezam o respeito à lei e ao direito de manifestação pacífica de todos. Sempre que um grupo transcende os limites institucionais, alguém é prejudicado. O equilíbrio e o respeito mútuo são a essência do Estado democrático de Direito, e não podem nunca ser ameaçados.
Os extremistas que invadiram o plenário da Câmara deixaram claro seu desapreço pela democracia. Ao invocar uma improvável “intervenção militar” e tratar com truculento desrespeito a instituição onde os interesses do povo são representados (se bem ou mal são outros quinhentos), desnudaram o caráter autoritário de sua causa.
Mas não foi apenas na Câmara dos Deputados que os limites foram transpostos. Desde a semana passada, protestos de servidores no Rio de Janeiro contra as medidas de austeridade fiscal propostas pelo governo fluminense têm resvalado na violência. Não será assim que a evidente falência do estado será sanada.
Mais duradouras têm sido as manifestações em escolas e universidades pelo país afora reunidas sob a etérea bandeira da rejeição à proposta de emenda constitucional que disciplina os gastos públicos federais e à medida provisória que reforma o ensino médio, ambas em tramitação no Congresso.
Espelhados nos maus exemplos dos adultos, os estudantes escoram-se em palavras de ordem para resistir, em geral na base meramente da ideologia, a mudanças necessárias em estruturas cada vez mais evidentemente inadequadas para os dias atuais, como é o caso do ensino ofertado aos jovens e a estrutura inchada das despesas dos governos.
Todos estes movimentos parecem carregar um germe comum: o do extremismo que o acirramento cevado pelo PT nos últimos anos semeou. São frutos de grupos que se notabilizaram em cindir a sociedade brasileira num “nós” e “eles” que depõe contra a integridade nacional e tisna o vigor da nossa democracia.
A saída da crise está em mais, e não menos, entendimento. Está no esforço comum em prol de soluções para problemas que há décadas cobram soluções, sempre postergadas em favor de interesses menores.
A crise herdada do vale-tudo petista tem se mostrado bem mais amarga do que se previa. Os remédios, infelizmente, também terão de ser. Na base do grito, o país não vai conseguir avançar. Pelo contrário, vai é flertar com um passado do qual todos os que prezam a democracia queremos distância.
Episódios ocorridos ontem merecem absoluto repúdio de todos os que prezam o respeito à lei e ao direito de manifestação pacífica de todos. Sempre que um grupo transcende os limites institucionais, alguém é prejudicado. O equilíbrio e o respeito mútuo são a essência do Estado democrático de Direito, e não podem nunca ser ameaçados.
Os extremistas que invadiram o plenário da Câmara deixaram claro seu desapreço pela democracia. Ao invocar uma improvável “intervenção militar” e tratar com truculento desrespeito a instituição onde os interesses do povo são representados (se bem ou mal são outros quinhentos), desnudaram o caráter autoritário de sua causa.
Mas não foi apenas na Câmara dos Deputados que os limites foram transpostos. Desde a semana passada, protestos de servidores no Rio de Janeiro contra as medidas de austeridade fiscal propostas pelo governo fluminense têm resvalado na violência. Não será assim que a evidente falência do estado será sanada.
Mais duradouras têm sido as manifestações em escolas e universidades pelo país afora reunidas sob a etérea bandeira da rejeição à proposta de emenda constitucional que disciplina os gastos públicos federais e à medida provisória que reforma o ensino médio, ambas em tramitação no Congresso.
Espelhados nos maus exemplos dos adultos, os estudantes escoram-se em palavras de ordem para resistir, em geral na base meramente da ideologia, a mudanças necessárias em estruturas cada vez mais evidentemente inadequadas para os dias atuais, como é o caso do ensino ofertado aos jovens e a estrutura inchada das despesas dos governos.
Todos estes movimentos parecem carregar um germe comum: o do extremismo que o acirramento cevado pelo PT nos últimos anos semeou. São frutos de grupos que se notabilizaram em cindir a sociedade brasileira num “nós” e “eles” que depõe contra a integridade nacional e tisna o vigor da nossa democracia.
A saída da crise está em mais, e não menos, entendimento. Está no esforço comum em prol de soluções para problemas que há décadas cobram soluções, sempre postergadas em favor de interesses menores.
A crise herdada do vale-tudo petista tem se mostrado bem mais amarga do que se previa. Os remédios, infelizmente, também terão de ser. Na base do grito, o país não vai conseguir avançar. Pelo contrário, vai é flertar com um passado do qual todos os que prezam a democracia queremos distância.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Gatos cada vez mais pingados
São cada vez mais raros os brasileiros que se dispõem a defender a volta de Dilma Rousseff ao cargo. Uma amostra disso pôde ser vista na última sexta-feira, 10. O PT e seus satélites prometeram parar o Brasil para protestar contra o novo governo, mas mal conseguiram ocupar alguns poucos quarteirões em 24 estados pelo país afora.
O fracasso das manifestações anti-Temer mostra que os gatos pingados que ameaçam impedir que o Brasil supere o período de atraso a que esteve submetido sob o PT e mude de rumo podem até fazer algum barulho, mas não vão muito além da estridência. O que lhes resta é apenas tentar sabotar o país.
Os números das manifestações foram decepcionantes. Com a baixa adesão, nem os órgãos oficiais se animaram a fazer a contagem do público presente. Coube aos patrocinadores tentar inchar um pouquinho as estatísticas, mas nem isso ajudou. As imagens revelavam mais espaços vazios do que participantes.
Papel especialmente constrangedor sobrou para Luiz Inácio Lula da Silva. O petista reapareceu em público para protagonizar uma viagem no tempo. Depois de oito anos como presidente da República, e mais cinco como eminência parda do governo, ele teve de se contentar em voltar a envergar o velho figurino do oposicionista de palanque. Foi o pouco que lhe restou.
Do alto do carro de som, Lula atacou os “300 picaretas” que, diz, ainda ocupam o Congresso. São os mesmos com os quais ele gostosamente se locupletou durante dois mandatos e junto dos quais montou a maior rede de corrupção já vista no país. Deve ser bastante embaraçoso para quem foi considerado – erroneamente, mas paciência – um dos principais líderes globais ter que se valer de uma retórica de 20 anos atrás para continuar existindo...
Para expiar a ameaça, cada vez mais concreta, de ser preso e processado para responder pelo esquema de corrupção no qual ocupou o vértice, o petista ameaça com uma nova candidatura presidencial em 2018. É o caso de dizer: Candidate-se, Lula! Será a oportunidade que os brasileiros teremos para expressar, de uma vez por todas, o repúdio a tudo o que o ex-presidente passou a representar.
O que parece fora de questão é que Lula e os satélites petistas já deixaram Dilma falando sozinha, a começar pela sua ideia de convocar plebiscito para convocar novas eleições – atribuição que a Constituição sequer lhe faculta. Ela foi relegada ao limbo da história.
As manifestações – ou o melhor seria chamá-las simplesmente de reuniõezinhas? – da sexta-feira abandonaram eventuais exaltações à volta da presidente afastada para se concentrar apenas no chororô típico de perdedores. Os gatos até tentam rugir, mas, para seu desalento e para o bem do país, seu miado tornou-se quase inaudível.
O fracasso das manifestações anti-Temer mostra que os gatos pingados que ameaçam impedir que o Brasil supere o período de atraso a que esteve submetido sob o PT e mude de rumo podem até fazer algum barulho, mas não vão muito além da estridência. O que lhes resta é apenas tentar sabotar o país.
Os números das manifestações foram decepcionantes. Com a baixa adesão, nem os órgãos oficiais se animaram a fazer a contagem do público presente. Coube aos patrocinadores tentar inchar um pouquinho as estatísticas, mas nem isso ajudou. As imagens revelavam mais espaços vazios do que participantes.
Papel especialmente constrangedor sobrou para Luiz Inácio Lula da Silva. O petista reapareceu em público para protagonizar uma viagem no tempo. Depois de oito anos como presidente da República, e mais cinco como eminência parda do governo, ele teve de se contentar em voltar a envergar o velho figurino do oposicionista de palanque. Foi o pouco que lhe restou.
Do alto do carro de som, Lula atacou os “300 picaretas” que, diz, ainda ocupam o Congresso. São os mesmos com os quais ele gostosamente se locupletou durante dois mandatos e junto dos quais montou a maior rede de corrupção já vista no país. Deve ser bastante embaraçoso para quem foi considerado – erroneamente, mas paciência – um dos principais líderes globais ter que se valer de uma retórica de 20 anos atrás para continuar existindo...
Para expiar a ameaça, cada vez mais concreta, de ser preso e processado para responder pelo esquema de corrupção no qual ocupou o vértice, o petista ameaça com uma nova candidatura presidencial em 2018. É o caso de dizer: Candidate-se, Lula! Será a oportunidade que os brasileiros teremos para expressar, de uma vez por todas, o repúdio a tudo o que o ex-presidente passou a representar.
O que parece fora de questão é que Lula e os satélites petistas já deixaram Dilma falando sozinha, a começar pela sua ideia de convocar plebiscito para convocar novas eleições – atribuição que a Constituição sequer lhe faculta. Ela foi relegada ao limbo da história.
As manifestações – ou o melhor seria chamá-las simplesmente de reuniõezinhas? – da sexta-feira abandonaram eventuais exaltações à volta da presidente afastada para se concentrar apenas no chororô típico de perdedores. Os gatos até tentam rugir, mas, para seu desalento e para o bem do país, seu miado tornou-se quase inaudível.
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Tchau, querida
Os acontecimentos das últimas horas, desde a tarde de ontem, deixam claro de que lado a presidente da República, seu tutor (e agora primeiro-ministro) e seu partido estão: do crime, da corrupção, da obstrução da Justiça e contra a maioria do povo brasileiro. O governo do PT só governa para si mesmo. Abandonou, definitivamente, o Brasil. Tornou-se o comando-geral de uma facção.
Esta quarta-feira, 16 de março, ficará marcada na história brasileira como o dia do escárnio, da vergonha, do acinte. O dia em que a presidente da República foi flagrada agindo desabridamente para livrar Luiz Inácio Lula da Silva da prisão iminente, acusado que é de crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O dia em que, ao nomear um investigado da Justiça ministro-chefe da Casa Civil, Dilma deu um murro na dignidade dos brasileiros.
Todo o enredo em que Dilma, Lula e a turma de petistas despontam nas gravações trazidas a púbico ontem pelo juiz Sergio Moro é repugnante. O desdém com que abordam interesses do país, a desfaçatez com que tramam contra a república, o destemor com que se lançam em ameaças abertas contra as instituições do Estado democrático de Direito não são atos de quem preze uma nação como o Brasil. São iniciativas típicas de gangues, coisas de gângsteres.
Nas gravações transparecem o deboche e a postura beligerante do agora primeiro-ministro petista. O tom é de cizânia, o clima é de guerra, a ordem é de intimidação a quem quer que se interponha na frente do projeto do PT de livrar-se das grades. Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal – todos “têm que ter medo” dos petistas, como rosna Lula numa das conversas, com o deputado Wadih Damous. É a estratégia do terror.
A resposta dos brasileiros, que recuperaram sua capacidade de se indignar e de não aceitar passivamente o avanço da marcha da insensatez, do desrespeito e do vale-tudo, foi imediata. Ontem à noite, milhares de pessoas foram, espontaneamente, para as ruas extravasar sua indignação, sua revolta, sua repulsa ao estado atual das coisas no país. O compromisso é de manter a mobilização, até que o puído governo caia.
Não parece, contudo, haver limites para os que se lançam na destruição política, social, econômica, moral e ética do Brasil. Dilma, Lula e seus sequazes continuam agindo para barrar a Justiça, impedir a punição de crimes, manter o país no oceano de lama em que o PT nos afundou. Assim foi, novamente, na manhã desta quinta-feira durante a cerimônia de posse do ex-presidente e mais três ministros no Palácio do Planalto.
A presidente da República fez um discurso de líder de facção, de palanque, de animadora de auditório. Atacou instituições, ameaçou a Justiça e investiu contra seus críticos – ela que, quando em apuros, costuma acenar com a possibilidade de diálogos tão falsos quanto sua outrora suposta capacidade gestora.
Enquanto Dilma rasgava a fantasia e, numa cerimônia oficial, avançava contra os brios dos brasileiros, chamando-os de “golpistas”, a claque petista que lotava o auditório transformava a sede do governo em comitê de campanha. No dia que ficará marcado como aquele em que renunciou na prática ao cargo e entregou o poder ao tutor de quem nunca se desvencilhou, Dilma Rousseff se reduziu a uma sombra nas sombras, tornou à condição de poste que jamais teve luz.
Aqueles que se valem dos mais espúrios métodos para se preservar no poder, para evitar o encontro de contas com a Justiça e para manter o Brasil na marcha rumo ao atraso não conseguirão prosperar. A sociedade brasileira já deixou claro, de uma vez por todas, que não aceitará que o país seja transformado em playground dos petistas, nem numa pocilga. A hora desta gente acabou, a lâmina do impeachment está para ser acionada, enxotando o PT da vida nacional. Logo logo, Dilma vai ouvir das ruas, e não de um jocoso Lula: “Tchau, querida.”
Esta quarta-feira, 16 de março, ficará marcada na história brasileira como o dia do escárnio, da vergonha, do acinte. O dia em que a presidente da República foi flagrada agindo desabridamente para livrar Luiz Inácio Lula da Silva da prisão iminente, acusado que é de crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O dia em que, ao nomear um investigado da Justiça ministro-chefe da Casa Civil, Dilma deu um murro na dignidade dos brasileiros.
Todo o enredo em que Dilma, Lula e a turma de petistas despontam nas gravações trazidas a púbico ontem pelo juiz Sergio Moro é repugnante. O desdém com que abordam interesses do país, a desfaçatez com que tramam contra a república, o destemor com que se lançam em ameaças abertas contra as instituições do Estado democrático de Direito não são atos de quem preze uma nação como o Brasil. São iniciativas típicas de gangues, coisas de gângsteres.
Nas gravações transparecem o deboche e a postura beligerante do agora primeiro-ministro petista. O tom é de cizânia, o clima é de guerra, a ordem é de intimidação a quem quer que se interponha na frente do projeto do PT de livrar-se das grades. Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal – todos “têm que ter medo” dos petistas, como rosna Lula numa das conversas, com o deputado Wadih Damous. É a estratégia do terror.
A resposta dos brasileiros, que recuperaram sua capacidade de se indignar e de não aceitar passivamente o avanço da marcha da insensatez, do desrespeito e do vale-tudo, foi imediata. Ontem à noite, milhares de pessoas foram, espontaneamente, para as ruas extravasar sua indignação, sua revolta, sua repulsa ao estado atual das coisas no país. O compromisso é de manter a mobilização, até que o puído governo caia.
Não parece, contudo, haver limites para os que se lançam na destruição política, social, econômica, moral e ética do Brasil. Dilma, Lula e seus sequazes continuam agindo para barrar a Justiça, impedir a punição de crimes, manter o país no oceano de lama em que o PT nos afundou. Assim foi, novamente, na manhã desta quinta-feira durante a cerimônia de posse do ex-presidente e mais três ministros no Palácio do Planalto.
A presidente da República fez um discurso de líder de facção, de palanque, de animadora de auditório. Atacou instituições, ameaçou a Justiça e investiu contra seus críticos – ela que, quando em apuros, costuma acenar com a possibilidade de diálogos tão falsos quanto sua outrora suposta capacidade gestora.
Enquanto Dilma rasgava a fantasia e, numa cerimônia oficial, avançava contra os brios dos brasileiros, chamando-os de “golpistas”, a claque petista que lotava o auditório transformava a sede do governo em comitê de campanha. No dia que ficará marcado como aquele em que renunciou na prática ao cargo e entregou o poder ao tutor de quem nunca se desvencilhou, Dilma Rousseff se reduziu a uma sombra nas sombras, tornou à condição de poste que jamais teve luz.
Aqueles que se valem dos mais espúrios métodos para se preservar no poder, para evitar o encontro de contas com a Justiça e para manter o Brasil na marcha rumo ao atraso não conseguirão prosperar. A sociedade brasileira já deixou claro, de uma vez por todas, que não aceitará que o país seja transformado em playground dos petistas, nem numa pocilga. A hora desta gente acabou, a lâmina do impeachment está para ser acionada, enxotando o PT da vida nacional. Logo logo, Dilma vai ouvir das ruas, e não de um jocoso Lula: “Tchau, querida.”
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terça-feira, 15 de março de 2016
Começou a contagem regressiva
As gigantescas manifestações de ontem em todo o Brasil dispararam a contagem regressiva para o fim formal – uma vez que, na prática, ele já não existe – do governo de Dilma Rousseff. Se alguém ainda tinha dúvidas, ficou claro de uma vez por todas que a maioria absoluta do país não suporta conviver por mais tempo com o PT no poder. Acabou.
As dimensões dos protestos variam de acordo com as fontes. Segundo as mais comedidas, 3 milhões de pessoas foram às ruas; os mais otimistas calculam em 6,5 milhões. Realisticamente, dá-se de barato que em torno de 5 milhões de brasileiros saíram de casa para manifestar sua indignação, seu repúdio à corrupção e seu apoio ao trabalho das instituições que estão passando o país a limpo.
Nunca antes na nossa história um protesto mobilizou tanta gente. Nunca antes na história, aconteceu em tantos locais simultaneamente, em todo o país – em mais de 200 cidades – e também no exterior. Não se concentrou apenas nos grandes centros, espalhou-se pelo interior, por todas as regiões, por todos os estados. Atraiu mais gente do que a maior manifestação anterior, ocorrida um ano atrás. Sempre pacificamente, ordeiramente.
O governo fez a parte dele, desdenhando da disposição do povo para reclamar. Agiu como se só existissem as massas de manobra bovinas guiadas por líderes populistas. Achou que a capacidade de mobilização dos brasileiros não resistiria às promessas vazias da presidente e, principalmente, às ameaças de ataque das jararacas. Perdeu.
O país não está dividido; está unido contra o PT. O que ontem se viu nas ruas foi a marcha da cidadania, avivada pela sociedade civil, estimulada pela força de valores que foram sistematicamente aviltados ao longo da última década. O país de verdade, não o Brasil do PT.
Os brasileiros foram às ruas mostrando que são maioria. Deixando claro que não se deixam seduzir pelo marketing enganoso. Avisando à presidente, ao partido dela e a seu tutor, Lula, que, diferentemente do que eles pregam, os cidadãos do país não toleram a corrupção, não acham que ela esteja sendo praticada em nome de uma causa nobre, nem admitem que os que mais se locupletaram da roubalheira posem de almas “mais honestas” que existem.
A parte que lhe cabia o povo brasileiro fez. Agora correrá o tempo da política, sem a qual nenhum processo popular tem como prosperar, dentro das regras constitucionais. Espera-se já para esta semana a retomada dos ritos de afastamento de Dilma Rousseff, com a perspectiva cada vez mais palpável de que estejam concluídos em 45 dias.
As dimensões dos protestos variam de acordo com as fontes. Segundo as mais comedidas, 3 milhões de pessoas foram às ruas; os mais otimistas calculam em 6,5 milhões. Realisticamente, dá-se de barato que em torno de 5 milhões de brasileiros saíram de casa para manifestar sua indignação, seu repúdio à corrupção e seu apoio ao trabalho das instituições que estão passando o país a limpo.
Nunca antes na nossa história um protesto mobilizou tanta gente. Nunca antes na história, aconteceu em tantos locais simultaneamente, em todo o país – em mais de 200 cidades – e também no exterior. Não se concentrou apenas nos grandes centros, espalhou-se pelo interior, por todas as regiões, por todos os estados. Atraiu mais gente do que a maior manifestação anterior, ocorrida um ano atrás. Sempre pacificamente, ordeiramente.
O governo fez a parte dele, desdenhando da disposição do povo para reclamar. Agiu como se só existissem as massas de manobra bovinas guiadas por líderes populistas. Achou que a capacidade de mobilização dos brasileiros não resistiria às promessas vazias da presidente e, principalmente, às ameaças de ataque das jararacas. Perdeu.
O país não está dividido; está unido contra o PT. O que ontem se viu nas ruas foi a marcha da cidadania, avivada pela sociedade civil, estimulada pela força de valores que foram sistematicamente aviltados ao longo da última década. O país de verdade, não o Brasil do PT.
Os brasileiros foram às ruas mostrando que são maioria. Deixando claro que não se deixam seduzir pelo marketing enganoso. Avisando à presidente, ao partido dela e a seu tutor, Lula, que, diferentemente do que eles pregam, os cidadãos do país não toleram a corrupção, não acham que ela esteja sendo praticada em nome de uma causa nobre, nem admitem que os que mais se locupletaram da roubalheira posem de almas “mais honestas” que existem.
A parte que lhe cabia o povo brasileiro fez. Agora correrá o tempo da política, sem a qual nenhum processo popular tem como prosperar, dentro das regras constitucionais. Espera-se já para esta semana a retomada dos ritos de afastamento de Dilma Rousseff, com a perspectiva cada vez mais palpável de que estejam concluídos em 45 dias.
Diante disso, de nada irá adiantar o governismo colocar seus gatos pingados nas ruas na próxima sexta-feira. Alguma razão pelo menos os defensores do governo têm: sim, não vai ter golpe. Vai ter impeachment.
sábado, 12 de março de 2016
Se nós não formos, ela fica
Os brasileiros preparam-se para escrever neste fim de semana um capítulo para ficar na história da nação. A maior mobilização popular já realizada no Brasil tem como objetivo demonstrar o repúdio da população ao oceano de lama que tomou conta do país nos últimos anos e lançar um grito indignado em favor da restauração da ética e da responsabilidade na vida pública.
Milhões de brasileiros devem ocupar as ruas no domingo em movimento convocado por entidades civis, grupos sociais e partidos políticos de oposição ao governo. É a união de esforços para tirar o Brasil das graves crises que nos assolam: a crise política, a crise ética, a crise econômica e a crise social patrocinadas pelo governo que aí está e pelo grupo político que comanda o país há mais de 13 anos.
São muitos os motivos para protestar e para se indignar. Uma primeira razão que irmana os que encherão ruas, praças e avenidas do Brasil no domingo é o apoio ao trabalho que nossas instituições – em especial o Ministério Público, a Polícia Federal e os órgãos de Justiça – vêm realizando para tentar extirpar da vida nacional o cancro da corrupção, que se tornou norma na administração federal nos últimos anos.
As ruas também irão dar seu “basta” a um modo de fazer política que transformou em regra o loteamento do Estado, o assalto aos cofres públicos, o achincalhe ao interesse público e o predomínio de interesses partidários sobre os coletivos. Manifestarão sua repulsa ao que representa, em suma, o modelo petista de governar.
Os que iremos para as ruas neste domingo são movidos pelo compromisso estrito com os preceitos da Constituição, pela defesa da ordem e pelo respeito à paz. Não buscam confrontos, mas sim a reconstrução de uma nação que seja, de novo, de todos e não de apenas alguns, como se tornou o Brasil sob o manto enganoso do populismo.
Para o bem da nação, o desfecho previsível das manifestações deverá ser o encerramento antecipado do governo de Dilma Rousseff, que, definitivamente, não exibe mais quaisquer condições de prosseguir. Seja pelo impeachment, pela impugnação da chapa pela Justiça Eleitoral ou por uma improvável, embora muito desejável, renúncia da presidente da República. Fato é que o governo que aí ainda está acabou, simplesmente.
As manifestações deste domingo expressarão também o clamor dos brasileiros para que o país supere o enorme atraso a que foi levado pelos governos petistas, a partir de Lula, em termos econômicos, éticos e políticos. Sob a capa de paladino da moralidade, o PT promoveu retrocessos de décadas, pondo em risco conquistas e avanços arduamente conquistados pela sociedade brasileira.
O país que irá às ruas neste domingo, em defesa das instituições, rezando pela Constituição e em absoluta paz, estará mais coeso do que nunca em busca de um objetivo comum: a favor do Brasil e contra o PT.
Milhões de brasileiros devem ocupar as ruas no domingo em movimento convocado por entidades civis, grupos sociais e partidos políticos de oposição ao governo. É a união de esforços para tirar o Brasil das graves crises que nos assolam: a crise política, a crise ética, a crise econômica e a crise social patrocinadas pelo governo que aí está e pelo grupo político que comanda o país há mais de 13 anos.
São muitos os motivos para protestar e para se indignar. Uma primeira razão que irmana os que encherão ruas, praças e avenidas do Brasil no domingo é o apoio ao trabalho que nossas instituições – em especial o Ministério Público, a Polícia Federal e os órgãos de Justiça – vêm realizando para tentar extirpar da vida nacional o cancro da corrupção, que se tornou norma na administração federal nos últimos anos.
As ruas também irão dar seu “basta” a um modo de fazer política que transformou em regra o loteamento do Estado, o assalto aos cofres públicos, o achincalhe ao interesse público e o predomínio de interesses partidários sobre os coletivos. Manifestarão sua repulsa ao que representa, em suma, o modelo petista de governar.
Os que iremos para as ruas neste domingo são movidos pelo compromisso estrito com os preceitos da Constituição, pela defesa da ordem e pelo respeito à paz. Não buscam confrontos, mas sim a reconstrução de uma nação que seja, de novo, de todos e não de apenas alguns, como se tornou o Brasil sob o manto enganoso do populismo.
Para o bem da nação, o desfecho previsível das manifestações deverá ser o encerramento antecipado do governo de Dilma Rousseff, que, definitivamente, não exibe mais quaisquer condições de prosseguir. Seja pelo impeachment, pela impugnação da chapa pela Justiça Eleitoral ou por uma improvável, embora muito desejável, renúncia da presidente da República. Fato é que o governo que aí ainda está acabou, simplesmente.
As manifestações deste domingo expressarão também o clamor dos brasileiros para que o país supere o enorme atraso a que foi levado pelos governos petistas, a partir de Lula, em termos econômicos, éticos e políticos. Sob a capa de paladino da moralidade, o PT promoveu retrocessos de décadas, pondo em risco conquistas e avanços arduamente conquistados pela sociedade brasileira.
O país que irá às ruas neste domingo, em defesa das instituições, rezando pela Constituição e em absoluta paz, estará mais coeso do que nunca em busca de um objetivo comum: a favor do Brasil e contra o PT.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
O protesto é todo dia
Milhares de brasileiros voltaram ontem às ruas para manifestar seu repúdio ao governo petista e pedir, mais uma vez, o afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República. O país vive hoje uma espécie de protesto permanente, à espera de mudanças que, cedo ou tarde, virão.
Sim, tinha menos gente nas ruas ontem do que nas três megamanifestações anteriores. Mas um sucesso retumbante não transforma outros êxitos menores em fracassos. A causa que conseguiu pôr quase 2 milhões de pessoas nas ruas em março passado continua tão viva quanto antes.
Ontem, a estimativa é de que mais de 80 mil pessoas tenham saído às ruas de todo o país. Houve protestos em cerca de 90 cidades, espalhadas por todos os 26 estados e no Distrito Federal.
O petismo, com sua máquina que antigamente arregimentava gente, deve estar se roendo de inveja. Ultimamente, os defensores do governo não conseguem botar nem uma fração disso nas ruas – basta lembrar que, na terça-feira passada, sindicatos e centrais petistas mal conseguiram arrebanhar 5 mil pessoas no Rio...
Já era previsível que as mobilizações deste domingo não teriam a mesma força das anteriores. Menos pelo motivo, mais pelas circunstâncias. O processo de impeachment de Dilma foi formalmente deflagrado há apenas 12 dias, e nem sempre é simples angariar simpatizantes nesta época do ano.
A convicção de que Dilma Rousseff precisa ser afastada do cargo permanece intacta, como mostram todas as pesquisas de opinião recentes. De cada três brasileiros, dois querem vê-la pelas costas, diz o Datafolha. Pesquisa recente do Instituto GPP mostra que 66% dos que votaram na presidente hoje não votariam e 86% consideram que ela mentiu aos eleitores.
A continuação dos protestos e a mobilização em caráter permanente da sociedade pela saída do PT do comando do país reforçam a constatação de que o povo brasileiro quer aprofundar a discussão sobre os crimes de responsabilidade que Dilma cometeu no exercício do cargo. A lista é extensa e merece exame detido, até para que não pairem dúvidas sobre a legitimidade do processo que deve resultar no afastamento dela.
A cada dia que passa, os brasileiros terão mais motivos para querer ver Dilma e o PT alijados do poder. Infelizmente, é consenso que nos próximos meses a crise econômica vai se aprofundar, o desemprego vai aumentar, a recessão não irá ceder e a paralisia do governo vai se prolongar, deixando o país à deriva.
O impeachment já está na boca do povo, no cotidiano das pessoas. É questão de tempo, e de cumprir os ritos da democracia, para que ele se torne fato. O protesto já está nas ruas, acontece todos os dias, na luta diuturna daqueles que buscam um Brasil melhor.
Sim, tinha menos gente nas ruas ontem do que nas três megamanifestações anteriores. Mas um sucesso retumbante não transforma outros êxitos menores em fracassos. A causa que conseguiu pôr quase 2 milhões de pessoas nas ruas em março passado continua tão viva quanto antes.
Ontem, a estimativa é de que mais de 80 mil pessoas tenham saído às ruas de todo o país. Houve protestos em cerca de 90 cidades, espalhadas por todos os 26 estados e no Distrito Federal.
O petismo, com sua máquina que antigamente arregimentava gente, deve estar se roendo de inveja. Ultimamente, os defensores do governo não conseguem botar nem uma fração disso nas ruas – basta lembrar que, na terça-feira passada, sindicatos e centrais petistas mal conseguiram arrebanhar 5 mil pessoas no Rio...
Já era previsível que as mobilizações deste domingo não teriam a mesma força das anteriores. Menos pelo motivo, mais pelas circunstâncias. O processo de impeachment de Dilma foi formalmente deflagrado há apenas 12 dias, e nem sempre é simples angariar simpatizantes nesta época do ano.
A convicção de que Dilma Rousseff precisa ser afastada do cargo permanece intacta, como mostram todas as pesquisas de opinião recentes. De cada três brasileiros, dois querem vê-la pelas costas, diz o Datafolha. Pesquisa recente do Instituto GPP mostra que 66% dos que votaram na presidente hoje não votariam e 86% consideram que ela mentiu aos eleitores.
A continuação dos protestos e a mobilização em caráter permanente da sociedade pela saída do PT do comando do país reforçam a constatação de que o povo brasileiro quer aprofundar a discussão sobre os crimes de responsabilidade que Dilma cometeu no exercício do cargo. A lista é extensa e merece exame detido, até para que não pairem dúvidas sobre a legitimidade do processo que deve resultar no afastamento dela.
A cada dia que passa, os brasileiros terão mais motivos para querer ver Dilma e o PT alijados do poder. Infelizmente, é consenso que nos próximos meses a crise econômica vai se aprofundar, o desemprego vai aumentar, a recessão não irá ceder e a paralisia do governo vai se prolongar, deixando o país à deriva.
O impeachment já está na boca do povo, no cotidiano das pessoas. É questão de tempo, e de cumprir os ritos da democracia, para que ele se torne fato. O protesto já está nas ruas, acontece todos os dias, na luta diuturna daqueles que buscam um Brasil melhor.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Os protestos de quem roda o Brasil
Caminhoneiros estão parando de norte a sul do país em protesto contra a presidente, sua política ruinosa e sua falta de palavra. O governo os trata como criminosos. As manifestações vêm de quem melhor conhece o Brasil profundo, que convive diuturnamente com as dificuldades de se produzir e trabalhar num país onde o poder público faz tudo o que pode para atrapalhar.
Segundo os balanços publicados nos jornais, a categoria conseguiu, de forma quase espontânea, espalhar seu protesto por pelo menos 14 estados. Foi mais longe do que seus organizadores, mesmo informais, estimavam conseguir chegar.
Os porta-vozes do governo dizem que “nunca viram greve cujo único objetivo é gerar desgaste para o governo”. Deveriam forçar um pouco a memória e lembrar-se de quando o PT ainda era oposição e, apenas por discordar de políticas implementadas, convocava manifestações e marchas sem pestanejar.
O governo trata os caminhoneiros como delinquentes, promete “agir com rigor” e multá-los em mais de R$ 1.900. Curiosamente, não dispensa o mesmo tratamento truculento aos petroleiros há duas semanas em greve com sua pauta carcomida, alinhada a bandeiras caras ao petismo – e que muito mais prejuízos econômicos vêm gerando à Petrobras e ao país.
Caminhoneiros estão entre as categorias profissionais que melhor conhecem os entraves de se produzir no Brasil. Rodando pelas estradas, sabem, como poucos, da sua condição lastimável, da insegurança a que também motoristas em viagens particulares com suas famílias estão diariamente sujeitos.
A infraestrutura brasileira está em frangalhos. No caso da malha rodoviária, a deterioração ganha contornos objetivos em pesquisa divulgada pela CNT na semana passada. Alguns resultados: 52% das estradas federais estão em situação ruim ou péssima; somente 12% das nossas rodovias são pavimentadas e menos de 14% são duplicadas.
Transitar pelo país é fazer uma viagem ao atraso e pelo incerto. Segundo o mesmo anuário, mais de 8,2 mil pessoas morreram em acidentes rodoviários no ano passado. Perde-se R$ 47 bilhões com a situação esfacelada das nossas estradas.
Caminhoneiros também estão entre os brasileiros que mais reconhecem quanto custa uma promessa não cumprida. São os que há anos veem obras serem repetidamente anunciadas, mas nunca executadas. Os exemplos se repetem por todo canto, agravados agora pelos entraves ao andamento dos programas de concessão que o PT mostra-se incapaz de tocar.
É legítima a manifestação de uma categoria profissional que, como milhões de cidadãos, está cansada de ver o Brasil andar para trás. No fim de semana, a fila de caminhões vai ganhar a companhia de multidões a pé que novamente devem ocupar ruas e avenidas para protestar contra o governo e pedir a saída de Dilma Rousseff. São brasileiros que, de norte a sul, no campo e nas cidades, não aguentam mais viver num país em rota de colisão.
Segundo os balanços publicados nos jornais, a categoria conseguiu, de forma quase espontânea, espalhar seu protesto por pelo menos 14 estados. Foi mais longe do que seus organizadores, mesmo informais, estimavam conseguir chegar.
Os porta-vozes do governo dizem que “nunca viram greve cujo único objetivo é gerar desgaste para o governo”. Deveriam forçar um pouco a memória e lembrar-se de quando o PT ainda era oposição e, apenas por discordar de políticas implementadas, convocava manifestações e marchas sem pestanejar.
O governo trata os caminhoneiros como delinquentes, promete “agir com rigor” e multá-los em mais de R$ 1.900. Curiosamente, não dispensa o mesmo tratamento truculento aos petroleiros há duas semanas em greve com sua pauta carcomida, alinhada a bandeiras caras ao petismo – e que muito mais prejuízos econômicos vêm gerando à Petrobras e ao país.
Caminhoneiros estão entre as categorias profissionais que melhor conhecem os entraves de se produzir no Brasil. Rodando pelas estradas, sabem, como poucos, da sua condição lastimável, da insegurança a que também motoristas em viagens particulares com suas famílias estão diariamente sujeitos.
A infraestrutura brasileira está em frangalhos. No caso da malha rodoviária, a deterioração ganha contornos objetivos em pesquisa divulgada pela CNT na semana passada. Alguns resultados: 52% das estradas federais estão em situação ruim ou péssima; somente 12% das nossas rodovias são pavimentadas e menos de 14% são duplicadas.
Transitar pelo país é fazer uma viagem ao atraso e pelo incerto. Segundo o mesmo anuário, mais de 8,2 mil pessoas morreram em acidentes rodoviários no ano passado. Perde-se R$ 47 bilhões com a situação esfacelada das nossas estradas.
Caminhoneiros também estão entre os brasileiros que mais reconhecem quanto custa uma promessa não cumprida. São os que há anos veem obras serem repetidamente anunciadas, mas nunca executadas. Os exemplos se repetem por todo canto, agravados agora pelos entraves ao andamento dos programas de concessão que o PT mostra-se incapaz de tocar.
É legítima a manifestação de uma categoria profissional que, como milhões de cidadãos, está cansada de ver o Brasil andar para trás. No fim de semana, a fila de caminhões vai ganhar a companhia de multidões a pé que novamente devem ocupar ruas e avenidas para protestar contra o governo e pedir a saída de Dilma Rousseff. São brasileiros que, de norte a sul, no campo e nas cidades, não aguentam mais viver num país em rota de colisão.
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
O Brasil sabe o que quer
Quase 1 milhão de pessoas voltaram às ruas ontem para manifestar seu repúdio ao rumo que os governos petistas vêm dando ao país nos últimos anos. Dilma, Lula e o PT foram os alvos prediletos dos brasileiros indignados com a corrupção, os descaminhos da economia e as mentiras do marketing oficial.
As manifestações não repetiram os números de março, mas superaram os de abril. Não é possível desprezar um movimento cívico que, em cinco meses, levou alguns milhões de brasileiros de volta a ruas, praças e avenidas pelo país afora, como há muito tempo não se via por aqui. Por quaisquer ângulos que se observe, é um sucesso.
Os cálculos sobre o número de manifestantes e cidades envolvidas divergem de acordo com as fontes. Segundo O Globo e o Valor Econômico, 879 mil brasileiros ocuparam as ruas de 205 cidades. O Estado de S. Paulo computou 790 mil em 168 municípios e a Folha de S.Paulo fala em 612 mil pessoas espalhadas por 169 localidades. Em alguns casos, havia mais gente nas ruas agora do que nos protestos de junho de 2013.
Discutir a quantidade de presentes é o que menos importa em relação às manifestações de ontem, assim como às anteriores. O que prevalece é o sentimento de cidadania que os brasileiros externam. “Impeachment já”, “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Lula nunca mais” foram as palavras de ordem dominantes. O povo sabe bem o que quer.
A indignação verdadeira dos brasileiros de norte a sul do país também serve como contraponto às estéreis respostas que o governo tenta ensaiar em Brasília, acreditando que pode enganar a população com a fumaça de agendas pré-fabricadas. As dificuldades do Brasil não se resolvem com passes de mágica, tampouco com oportunismo.
Os cidadãos continuam cobrando soluções para problemas que são reais, em especial os assaltos aos recursos públicos perpetrados pelo grupo que se sustenta no poder nos últimos 13 anos. Os mesmos governos e governantes que se ocuparam unicamente de garantir a sobrevivência de seu projeto político descuidaram da carestia, do emprego, dos serviços públicos. O povo percebe.
As manifestações deste domingo reforçam o ímpeto das forças políticas de oposição para manter a pressão sobre o governo, cobrar da presidente da República respostas às agruras que a população sente na pele, defender a atuação rigorosa das instituições e exigir que se cumpra regiamente o que a Constituição determina.
A cidadania provou, mais uma vez, estar vivíssima no país. É vívida uma democracia que consegue levar, periodicamente, cidadãos às ruas para exigirem seus direitos, manifestarem suas opiniões, buscarem um país mais justo e defenderem os interesses legítimos da nação, em oposição àqueles que só a querem predar. Restou claro, mais uma vez, que não há golpismo algum no ar; apenas a luta verdadeira em favor de um Brasil melhor.
As manifestações não repetiram os números de março, mas superaram os de abril. Não é possível desprezar um movimento cívico que, em cinco meses, levou alguns milhões de brasileiros de volta a ruas, praças e avenidas pelo país afora, como há muito tempo não se via por aqui. Por quaisquer ângulos que se observe, é um sucesso.
Os cálculos sobre o número de manifestantes e cidades envolvidas divergem de acordo com as fontes. Segundo O Globo e o Valor Econômico, 879 mil brasileiros ocuparam as ruas de 205 cidades. O Estado de S. Paulo computou 790 mil em 168 municípios e a Folha de S.Paulo fala em 612 mil pessoas espalhadas por 169 localidades. Em alguns casos, havia mais gente nas ruas agora do que nos protestos de junho de 2013.
Discutir a quantidade de presentes é o que menos importa em relação às manifestações de ontem, assim como às anteriores. O que prevalece é o sentimento de cidadania que os brasileiros externam. “Impeachment já”, “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Lula nunca mais” foram as palavras de ordem dominantes. O povo sabe bem o que quer.
A indignação verdadeira dos brasileiros de norte a sul do país também serve como contraponto às estéreis respostas que o governo tenta ensaiar em Brasília, acreditando que pode enganar a população com a fumaça de agendas pré-fabricadas. As dificuldades do Brasil não se resolvem com passes de mágica, tampouco com oportunismo.
Os cidadãos continuam cobrando soluções para problemas que são reais, em especial os assaltos aos recursos públicos perpetrados pelo grupo que se sustenta no poder nos últimos 13 anos. Os mesmos governos e governantes que se ocuparam unicamente de garantir a sobrevivência de seu projeto político descuidaram da carestia, do emprego, dos serviços públicos. O povo percebe.
As manifestações deste domingo reforçam o ímpeto das forças políticas de oposição para manter a pressão sobre o governo, cobrar da presidente da República respostas às agruras que a população sente na pele, defender a atuação rigorosa das instituições e exigir que se cumpra regiamente o que a Constituição determina.
A cidadania provou, mais uma vez, estar vivíssima no país. É vívida uma democracia que consegue levar, periodicamente, cidadãos às ruas para exigirem seus direitos, manifestarem suas opiniões, buscarem um país mais justo e defenderem os interesses legítimos da nação, em oposição àqueles que só a querem predar. Restou claro, mais uma vez, que não há golpismo algum no ar; apenas a luta verdadeira em favor de um Brasil melhor.
sábado, 15 de agosto de 2015
Vamos, de novo, pra rua!
No próximo domingo, a cidadania voltará a ocupar ruas, praças e avenidas pelo Brasil afora. Brasileiros de todas as classes, regiões, idades, ideologias, crenças irão manifestar sua indignação com os rumos do país, com o desgoverno, com a roubalheira, com a mentira, com a truculência e com o descaso pela população. Nada mais legítimo numa democracia. Nada mais adequado na defesa dos interesses da nação.
Os protestos miram a evidente degradação das condições de vida no país, representada por uma crise econômica, política, social e, sobretudo, moral como há muito tempo não se via. Todos sentem na pele as dificuldades causadas pela falta de emprego, pelo aumento absurdo dos preços, pela queda brutal da renda, pelo serviço público que não cura, não protege nem ensina.
Os brasileiros que sonham com um Brasil melhor se indignam com a corrupção, deploram os assaltos aos cofres públicos revelados cotidianamente pela Justiça, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, abominam as ilegalidades identificadas pelo TCU e rejeitam as irregularidades eleitorais hoje sob escrutínio do TSE.
Enquanto, sob abrigo de cerimônias oficiais realizadas em palácios, ativistas e partidários da presidente da República ameaçam se “entrincheirar” e brandir “arma na mão” em defesa do governo do PT, neste domingo o PSDB e os brasileiros que se cansaram de ver o país sendo usurpado pelo grupo encastelado no poder renovarão sua profissão de fé nas leis, na democracia e nas instituições. Contra a intolerância dos que perderam seus argumentos, levantaremos a Constituição.
Os brasileiros que ocuparão as ruas, praças e avenidas em centenas de cidades do país neste domingo não precisam, necessariamente, querer o fim do governo da atual presidente. Mas se cansaram dos descaminhos em que ela lançou o país e buscam, certamente, uma saída, uma luz no fim do túnel que o atual governo – também com absoluta certeza – perdeu as condições de apontar. Mesmo os que não estarão nas ruas compartilham desta insatisfação.
Não são, portanto, golpistas, antidemocratas, pessimistas ou derrotados os brasileiros que irão às ruas neste domingo. São, ao contrário, os que comungam do Estado democrático de direito, os que respeitam e confiam nas instituições, os que repelem qualquer solução que não seja regiamente amparada na Constituição. São os que continuam a alimentar a esperança numa mudança por um país melhor para todos os brasileiros.
O PSDB, legitimamente, tomará parte nas manifestações do próximo domingo. Como partido político que representa uma parte relevante da sociedade brasileira, estará nas ruas lutando por um país mais próspero, mais justo, mais limpo. Não se trata de opção; é dever da maior força de oposição ao governo que aí está. Vamos, de novo, para as ruas. A favor do Brasil.
Os protestos miram a evidente degradação das condições de vida no país, representada por uma crise econômica, política, social e, sobretudo, moral como há muito tempo não se via. Todos sentem na pele as dificuldades causadas pela falta de emprego, pelo aumento absurdo dos preços, pela queda brutal da renda, pelo serviço público que não cura, não protege nem ensina.
Os brasileiros que sonham com um Brasil melhor se indignam com a corrupção, deploram os assaltos aos cofres públicos revelados cotidianamente pela Justiça, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, abominam as ilegalidades identificadas pelo TCU e rejeitam as irregularidades eleitorais hoje sob escrutínio do TSE.
Enquanto, sob abrigo de cerimônias oficiais realizadas em palácios, ativistas e partidários da presidente da República ameaçam se “entrincheirar” e brandir “arma na mão” em defesa do governo do PT, neste domingo o PSDB e os brasileiros que se cansaram de ver o país sendo usurpado pelo grupo encastelado no poder renovarão sua profissão de fé nas leis, na democracia e nas instituições. Contra a intolerância dos que perderam seus argumentos, levantaremos a Constituição.
Os brasileiros que ocuparão as ruas, praças e avenidas em centenas de cidades do país neste domingo não precisam, necessariamente, querer o fim do governo da atual presidente. Mas se cansaram dos descaminhos em que ela lançou o país e buscam, certamente, uma saída, uma luz no fim do túnel que o atual governo – também com absoluta certeza – perdeu as condições de apontar. Mesmo os que não estarão nas ruas compartilham desta insatisfação.
Não são, portanto, golpistas, antidemocratas, pessimistas ou derrotados os brasileiros que irão às ruas neste domingo. São, ao contrário, os que comungam do Estado democrático de direito, os que respeitam e confiam nas instituições, os que repelem qualquer solução que não seja regiamente amparada na Constituição. São os que continuam a alimentar a esperança numa mudança por um país melhor para todos os brasileiros.
O PSDB, legitimamente, tomará parte nas manifestações do próximo domingo. Como partido político que representa uma parte relevante da sociedade brasileira, estará nas ruas lutando por um país mais próspero, mais justo, mais limpo. Não se trata de opção; é dever da maior força de oposição ao governo que aí está. Vamos, de novo, para as ruas. A favor do Brasil.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Panelaço virtual nela
Outrora tão tagarela, Dilma Rousseff resolveu se calar neste 1° de Maio. Não deveria. A presidente da República tem muito que explicar aos trabalhadores brasileiros, prejudicados na carne pelas medidas recessivas que o governo petista vem tomando.
Segundo o discurso oficial, Dilma teria preferido privilegiar “outros modais de comunicação” e dialogar com a população por meio das redes sociais. Nada a ver, portanto, com o pânico de tomar um panelaço na cabeça quando aparecesse mais uma vez fagueira no vídeo de milhões de lares brasileiros.
Será a primeira vez que Dilma não ocupa rede nacional por ocasião da comemoração do Dia do Trabalho. A presidente que mais usou horários obrigatórios no rádio e na televisão para fazer proselitismo político – em seus quatro anos e quatro meses de mandato, ela fez 21 pronunciamentos, um recorde absoluto – desta vez preferiu emudecer. Mas assunto para tratar não falta.
Dilma poderia começar explicando por que propôs ao Congresso cortar direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e o abono salarial. O relatório sobre a MP que trata do tema (a de n° 665) vai à discussão em comissão mista nesta semana e, apenas graças à resistência de parlamentares, foi atenuado, embora continue ceifando benefícios.
Também caberia muito bem na pauta da presidente para o Dia do Trabalho a situação de calamidade que se abate sobre os empregos no Brasil. Desde dezembro, foram eliminados 620 mil vagas no país, tendência que o resultado positivo registrado no mês passado não foi capaz de atenuar.
Em março, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego voltou a subir e atingiu 6,2%, conforme pesquisa divulgada nesta manhã pelo IBGE. É o maior índice para o mês desde 2011, ou seja, em quatro anos. O arrocho em marcha inclui também a alta disseminada de preços, o tarifaço nos serviços públicos e o enxugamento do crédito, como o da casa própria.
Há algumas semanas, o ministro da Comunicação Social havia dito que a presidente da República não se intimidaria com protestos. Não é o que parece. Depois de ter transferido a gestão econômica para Joaquim Levy e a articulação política para Michel Temer, agora Dilma transfere para Edinho Silva o papel de porta-voz de seu governo. É a terceirização que avança.
A presidente deve considerar que, apartada nas redes sociais, se livrará de ouvir dos brasileiros as verdades que eles têm a dizer sobre o governo que ela faz. Ilusão; não adianta a petista tentar se esconder. Quando os robôs do Palácio do Planalto começarem a disseminar os posts de Dilma relativos ao Dia do Trabalho, a reação virá líquida e certa, na forma de um panelaço virtual.
Segundo o discurso oficial, Dilma teria preferido privilegiar “outros modais de comunicação” e dialogar com a população por meio das redes sociais. Nada a ver, portanto, com o pânico de tomar um panelaço na cabeça quando aparecesse mais uma vez fagueira no vídeo de milhões de lares brasileiros.
Será a primeira vez que Dilma não ocupa rede nacional por ocasião da comemoração do Dia do Trabalho. A presidente que mais usou horários obrigatórios no rádio e na televisão para fazer proselitismo político – em seus quatro anos e quatro meses de mandato, ela fez 21 pronunciamentos, um recorde absoluto – desta vez preferiu emudecer. Mas assunto para tratar não falta.
Dilma poderia começar explicando por que propôs ao Congresso cortar direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e o abono salarial. O relatório sobre a MP que trata do tema (a de n° 665) vai à discussão em comissão mista nesta semana e, apenas graças à resistência de parlamentares, foi atenuado, embora continue ceifando benefícios.
Também caberia muito bem na pauta da presidente para o Dia do Trabalho a situação de calamidade que se abate sobre os empregos no Brasil. Desde dezembro, foram eliminados 620 mil vagas no país, tendência que o resultado positivo registrado no mês passado não foi capaz de atenuar.
Em março, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego voltou a subir e atingiu 6,2%, conforme pesquisa divulgada nesta manhã pelo IBGE. É o maior índice para o mês desde 2011, ou seja, em quatro anos. O arrocho em marcha inclui também a alta disseminada de preços, o tarifaço nos serviços públicos e o enxugamento do crédito, como o da casa própria.
Há algumas semanas, o ministro da Comunicação Social havia dito que a presidente da República não se intimidaria com protestos. Não é o que parece. Depois de ter transferido a gestão econômica para Joaquim Levy e a articulação política para Michel Temer, agora Dilma transfere para Edinho Silva o papel de porta-voz de seu governo. É a terceirização que avança.
A presidente deve considerar que, apartada nas redes sociais, se livrará de ouvir dos brasileiros as verdades que eles têm a dizer sobre o governo que ela faz. Ilusão; não adianta a petista tentar se esconder. Quando os robôs do Palácio do Planalto começarem a disseminar os posts de Dilma relativos ao Dia do Trabalho, a reação virá líquida e certa, na forma de um panelaço virtual.
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terça-feira, 14 de abril de 2015
A marcha da cidadania continua
Não importa quantos foram, o que conta é o sentimento, que permanece o mesmo. Indignação, repúdio e insatisfação em relação ao governo do PT levaram centenas de milhares de pessoas novamente às ruas neste domingo. A marcha da cidadania mantém-se ativa e pulsante.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Dilma derrete
Neste fim de verão, o sol já não brilha mais tão inclemente, mas Dilma Rousseff derrete a olhos vistos. A pesquisa do Datafolha publicada hoje a torna a presidente mais mal avaliada da história da República em época de normalidade democrática. Os brasileiros têm motivos de sobra para detestar a petista cada vez mais.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Numa pesquisa interna da Secretaria de Comunicação, desde as eleições 32% mudaram de opinião negativamente em relação ao governo. Pelo Datafolha, a desaprovação da presidente subiu 42 pontos desde outubro passado.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
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Thomas Traumann
quarta-feira, 18 de março de 2015
Dilma e suas respostas inadequadas
Dilma Rousseff concedeu ontem uma de suas raras entrevistas coletivas, a fim de tentar sair das cordas depois do soco no queixo que tomou dos 2 milhões de brasileiros que foram às ruas protestar no domingo. Suas respostas, como sempre, foram inadequadas. A presidente continua sem compreender que o motivo da indignação é o governo dela e do PT.
As razões que tiraram os brasileiros de casa incluem a roubalheira em proporções industriais, notadamente na Petrobras; a incapacidade do governo de admitir que conduziu uma política econômica desastrosa nos últimos quatro anos; e a recusa da população a pagar a maior parte da conta amarga do arrocho recessivo que o PT ora promove.
Em praticamente tudo o que disse ontem, Dilma demonstrou simplesmente desconhecer esta realidade. Para começar, mais uma vez, tentou espalhar o manto negro da corrupção sobre todos, chamando-a de “senhora bastante idosa” que “não poupa ninguém”. A postura da presidente é que é de antanho: tentar jogar todos no mesmo balaio sujo.
O que a idosa senhora teria a dizer sobre seus filhos mais travessos, entre eles os petistas Renato Duque e João Vaccari? O primeiro foi preso novamente ontem, sob a acusação de ter enviado o equivalente a R$ 68 milhões para contas em Mônaco, parte deles amealhada ainda no ano passado. O segundo, como tesoureiro do PT, encheu as burras do partido com dinheiro desviado da Petrobras e ontem foi denunciado pelo Ministério Público.
Ainda na entrevista, muitíssimo a contragosto, a presidente ensaiou admitir que, quem sabe, talvez, “é possível que possa ter cometido algum [erro de dosagem na economia]”. Em seguida, com sua peculiar arrogância, sustentou que, na verdade, sua política econômica se contrapunha a quem “acha que tinha que deixar empresas quebrarem e trabalhadores se desempregarem”.
É caso clássico de retórica absolutamente descolada da realidade. Quebradeira é o que mais se tem visto no país desde a chegada de Dilma à presidência. Apenas para ilustrar, a indústria brasileira produz hoje 9% menos do que produzia em 2009. A geração de empregos caiu em todos os anos do primeiro mandato dela: apenas nos últimos dois meses, 637 mil postos foram eliminados no país.
Além destas mitificações baratas, Dilma baseou sua manifestação em outros dois eixos: tentar mostrar-se humilde e aberta ao diálogo. São dois atributos que, definitivamente, não casam com a persona dela e só foram agora oportunamente assacados porque a presidente está em sérios apuros e quase sem base de sustentação na sociedade e no Congresso.
Trata-se de humildade calculada e de um mea-culpa sussurrado. Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos, Dilma e seu governo que embalem o Mateus que pariram. E que busquem dialogar com os seus. Respostas, a presidente continua não tendo a oferecer a quem, seriamente, foi às ruas no domingo bradar por um país melhor.
As razões que tiraram os brasileiros de casa incluem a roubalheira em proporções industriais, notadamente na Petrobras; a incapacidade do governo de admitir que conduziu uma política econômica desastrosa nos últimos quatro anos; e a recusa da população a pagar a maior parte da conta amarga do arrocho recessivo que o PT ora promove.
Em praticamente tudo o que disse ontem, Dilma demonstrou simplesmente desconhecer esta realidade. Para começar, mais uma vez, tentou espalhar o manto negro da corrupção sobre todos, chamando-a de “senhora bastante idosa” que “não poupa ninguém”. A postura da presidente é que é de antanho: tentar jogar todos no mesmo balaio sujo.
O que a idosa senhora teria a dizer sobre seus filhos mais travessos, entre eles os petistas Renato Duque e João Vaccari? O primeiro foi preso novamente ontem, sob a acusação de ter enviado o equivalente a R$ 68 milhões para contas em Mônaco, parte deles amealhada ainda no ano passado. O segundo, como tesoureiro do PT, encheu as burras do partido com dinheiro desviado da Petrobras e ontem foi denunciado pelo Ministério Público.
Ainda na entrevista, muitíssimo a contragosto, a presidente ensaiou admitir que, quem sabe, talvez, “é possível que possa ter cometido algum [erro de dosagem na economia]”. Em seguida, com sua peculiar arrogância, sustentou que, na verdade, sua política econômica se contrapunha a quem “acha que tinha que deixar empresas quebrarem e trabalhadores se desempregarem”.
É caso clássico de retórica absolutamente descolada da realidade. Quebradeira é o que mais se tem visto no país desde a chegada de Dilma à presidência. Apenas para ilustrar, a indústria brasileira produz hoje 9% menos do que produzia em 2009. A geração de empregos caiu em todos os anos do primeiro mandato dela: apenas nos últimos dois meses, 637 mil postos foram eliminados no país.
Além destas mitificações baratas, Dilma baseou sua manifestação em outros dois eixos: tentar mostrar-se humilde e aberta ao diálogo. São dois atributos que, definitivamente, não casam com a persona dela e só foram agora oportunamente assacados porque a presidente está em sérios apuros e quase sem base de sustentação na sociedade e no Congresso.
Trata-se de humildade calculada e de um mea-culpa sussurrado. Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos, Dilma e seu governo que embalem o Mateus que pariram. E que busquem dialogar com os seus. Respostas, a presidente continua não tendo a oferecer a quem, seriamente, foi às ruas no domingo bradar por um país melhor.
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