Uma análise pormenorizada dos resultados do primeiro turno da eleição municipal ocorrida nesta semana mostra que o bom desempenho tucano não se limitou a importantes vitórias nos principais centros do país. O partido consolidou suas bases onde já tem presença expressiva, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, mas disseminou sucessos por todo o Brasil.
Em 14 dos 26 estados, o PSDB ampliou o número de prefeituras governadas. O maior salto, tanto em termos absolutos quanto percentuais, foi no Mato Grosso: mais 35 prefeituras em relação a 2012, com alta de 1.200%. No cômputo geral, o PSDB elegeu mais 98 prefeitos em relação a 2012, com crescimento de 14%, segundo balanço que acaba de ser publicado pelo Instituto Teotônio Vilela.
Em 18 dos 26 estados, a votação dada a candidatos a prefeito neste ano cresceu em relação a quatro anos atrás. Novamente o Mato Grosso liderou, multiplicando a votação tucana por sete entre as eleições de 2012 e de 2016. No geral, a votação em candidatos a prefeitos tucanos aumentou 3,7 milhões de votos, ou 26%.
Mesmo estados onde o desempenho eleitoral do PSDB não havia sido satisfatório nas últimas eleições, o partido avançou muito no domingo passado: no Rio, embora tenha conseguido eleger apenas o mesmo número de prefeitos de quatro anos atrás (dois), a votação recebida pelos candidatos do PSDB aumentou 331%.
Regionalmente, o PSDB manteve-se forte no Sudeste, Sul e Centro-Oeste e avançou em quase todo o Nordeste e Norte. Na Bahia, por exemplo, o crescimento foi expressivo: dez prefeituras a mais e alta de 208% nos votos recebidos pelos candidatos a prefeito do PSDB em comparação com 2012.
Os resultados tucanos no primeiro turno representam, segundo analisa O Estado de S. Paulo em reportagem sobre o documento produzido pelo ITV, “crescimento exponencial no número de votantes em alguns centros metropolitanos considerados estratégicos para a disputa presidencial de 2018”.
Mato Grosso do Sul e Alagoas foram, proporcionalmente, os estados onde as candidaturas tucanas foram mais bem sucedidas. A taxa de sucesso, ou seja, o total de vitórias em relação ao número de candidaturas, chegou, respectivamente, a 64% e 63%. No geral, a taxa de sucesso de candidatos tucanos foi de 45%, a mais alta entre os maiores partidos: foram 793 vitórias para um total de 1.757 candidaturas apresentadas.
Nesta eleição, o PSDB lançou 238 candidatos à reeleição. Destes, 129 foram vitoriosos em primeiro turno, o que resulta numa taxa de êxito de 54%. Há, ainda, mais cinco prefeituras onde o partido busca reeleger seus prefeitos na disputa de 30 de outubro.
Quando se consideram todos os municípios onde o PSDB atualmente é governo e lançou candidato próprio, o partido obteve 263 vitórias num universo de 480 candidaturas. A taxa de sucesso, neste caso, foi de 54,5%. No caso do PT, o índice ficou em 31%.
Em 312 municípios do país houve confrontos diretos entre candidatos do PSDB e do PT. Destes, em 114 o PSDB foi vitorioso, enquanto o PT saiu-se melhor em apenas 34.
Dos 630 municípios atualmente administrados por petistas, em 45 o PT tentou manter-se na prefeitura e teve, entre seus oponentes, um adversário do PSDB. Em apenas nove destes locais (20% do total), o PT saiu-se vencedor, enquanto em 17 (37,8%) os tucanos ganharam a eleição.
Os números demonstram que o sucesso tucano teve amplo alcance, numa onda de proporções nacionais. Sinalizam também que o eleitorado aprovou e chancelou a condução firme da oposição ao longo dos últimos anos, em especial no enfrentamento e consequente afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff do poder. As urnas agora recompensaram a postura que livrou o país da agonia petista.
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sábado, 8 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
O lusco-fusco da estrela
A outra face da moeda da vitória consagradora obtida pelo PSDB nas eleições do último domingo foi a acachapante derrocada do PT. O eleitorado puniu à altura o partido que promoveu o maior escândalo de corrupção da história do país e levou a economia brasileira à sua pior crise. Não tinha como ser diferente: o povo não é bobo.
O PT encolheu em todas as medidas: número de prefeituras, população governada, orçamento administrado, votos recebidos, vereadores eleitos. Tornou-se, assim, um partido de porte apenas médio, em meio à miscelânea de legendas que avultam no espectro político-partidário brasileiro - em termos de governos locais, menor que siglas como PR e PTB, entre outras.
De 638 prefeitos eleitos em 2012, os petistas agora só estarão à frente de 256 cidades. Entre capitais e municípios de maior porte, somente uma vitória: Rio Branco (AC). Há ainda uma capital e mais seis municípios com mais de 200 mil eleitores em disputa em 30 de outubro. No domingo, apenas 6,8 milhões de votos foram dados ao PT, tornando-o apenas o quinto da lista neste quesito, liderada pelo PSDB.
Enquanto o PT viu o total de municípios sob sua gestão cair 60%, o PSDB aumentou o número de cidades governadas em 14%, a maior marca entre os maiores partidos, e administrará pelo menos 793 cidades. Neste grupo, só o PSD, com alta de 7,6%, e o PMDB, com variação, porém, quase nula (+0,6%), aumentaram de tamanho.
A população de cidades governadas pelo PT cairá 84% a partir de 1° de janeiro de 2017, segundo dados da Folha de S.Paulo. Serão apenas 6 milhões de brasileiros, ante 38 milhões resultantes da eleição de 2012. O orçamento público sob administração petista também minguará para R$ 15,8 bilhões, queda de 86% – sempre considerando apenas os resultados de primeiro turno.
O PT volta agora ao tamanho que tinha na eleição de 2004, quando acabara de ascender ao poder central. A paúra do PT em relação ao rechaço sofrido do eleitorado brasileiro neste domingo já faz os petistas pensarem em se reinventar formando federações partidárias, alinhadas a legendas esquerdistas quase nanicas como o PSOL, o PDT e o PCdoB.
Apaga-se também a luz que Luiz Inácio Lula da Silva ainda imaginava carregar. Nem todo seu esforço e arrogância foram capazes de ressuscitar Fernando Haddad na capital paulista ou manter o chamado, e superado, “cinturão vermelho” na Grande São Paulo. Nem seu filho Lula conseguiu eleger como vereador em São Bernardo do Campo... Um deplorável ocaso político. Já Dilma Rousseff só serviu para afundar ainda mais os candidatos que apoiou.
Nestas eleições, os brasileiros deixaram clara a repulsa pelo modo petista de governar e deram seu voto de esperança em uma nova forma de fazer política. Também chancelaram, de uma vez por todas, a legalidade do processo político que o país viveu nos últimos meses, a despeito da gritaria de uma minoria que acusava golpe. Golpe, de morte, quem sofreu foi o PT no domingo.
O PT encolheu em todas as medidas: número de prefeituras, população governada, orçamento administrado, votos recebidos, vereadores eleitos. Tornou-se, assim, um partido de porte apenas médio, em meio à miscelânea de legendas que avultam no espectro político-partidário brasileiro - em termos de governos locais, menor que siglas como PR e PTB, entre outras.
De 638 prefeitos eleitos em 2012, os petistas agora só estarão à frente de 256 cidades. Entre capitais e municípios de maior porte, somente uma vitória: Rio Branco (AC). Há ainda uma capital e mais seis municípios com mais de 200 mil eleitores em disputa em 30 de outubro. No domingo, apenas 6,8 milhões de votos foram dados ao PT, tornando-o apenas o quinto da lista neste quesito, liderada pelo PSDB.
Enquanto o PT viu o total de municípios sob sua gestão cair 60%, o PSDB aumentou o número de cidades governadas em 14%, a maior marca entre os maiores partidos, e administrará pelo menos 793 cidades. Neste grupo, só o PSD, com alta de 7,6%, e o PMDB, com variação, porém, quase nula (+0,6%), aumentaram de tamanho.
A população de cidades governadas pelo PT cairá 84% a partir de 1° de janeiro de 2017, segundo dados da Folha de S.Paulo. Serão apenas 6 milhões de brasileiros, ante 38 milhões resultantes da eleição de 2012. O orçamento público sob administração petista também minguará para R$ 15,8 bilhões, queda de 86% – sempre considerando apenas os resultados de primeiro turno.
O PT volta agora ao tamanho que tinha na eleição de 2004, quando acabara de ascender ao poder central. A paúra do PT em relação ao rechaço sofrido do eleitorado brasileiro neste domingo já faz os petistas pensarem em se reinventar formando federações partidárias, alinhadas a legendas esquerdistas quase nanicas como o PSOL, o PDT e o PCdoB.
Apaga-se também a luz que Luiz Inácio Lula da Silva ainda imaginava carregar. Nem todo seu esforço e arrogância foram capazes de ressuscitar Fernando Haddad na capital paulista ou manter o chamado, e superado, “cinturão vermelho” na Grande São Paulo. Nem seu filho Lula conseguiu eleger como vereador em São Bernardo do Campo... Um deplorável ocaso político. Já Dilma Rousseff só serviu para afundar ainda mais os candidatos que apoiou.
Nestas eleições, os brasileiros deixaram clara a repulsa pelo modo petista de governar e deram seu voto de esperança em uma nova forma de fazer política. Também chancelaram, de uma vez por todas, a legalidade do processo político que o país viveu nos últimos meses, a despeito da gritaria de uma minoria que acusava golpe. Golpe, de morte, quem sofreu foi o PT no domingo.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
A onda azul
O PSDB foi o grande vencedor das eleições realizadas neste domingo. Os eleitores deram indicação clara de que querem ver o país num novo rumo, em que os governos sejam pautados pela eficiência, pela ética e orientados para o interesse público. O Brasil está agora, definitivamente, começando a mudar.
Foram 792 prefeituras conquistadas em todo o país em primeiro turno. Com os resultados já definitivos, o PSDB amplia em 13,8% o total de municípios governados pelo partido, ante os 695 de quatro anos atrás. Os tucanos ainda disputarão mais 19 prefeituras em segundo turno, no próximo dia 30.
Os resultados deste domingo colocam o PSDB como a segunda maior força partidária em termos de número de governos municipais, atrás apenas do PMDB. No entanto, os tucanos lideram, com larga margem, em termos de população governada, em número de capitais e municípios de maior porte.
Ontem a vitória já veio em primeiro turno em duas capitais: São Paulo e Teresina. Na capital paulista, o feito é inédito desde que as eleições passaram a ser disputadas em duas rodadas: nunca antes o prefeito da maior cidade do país havia vencido no primeiro turno. João Dória obteve 3.085.187 votos, o equivalente a 53,3% dos válidos. Recorde histórico.
Já Firmino Filho foi reeleito e será prefeito de Teresina pela quarta vez, dando continuidade à sequência de governos tucanos que vem desde 1995 administrando a capital do Piauí. Ele obteve 51,1% dos votos válidos neste domingo.
Além destas duas vitórias, o PSDB disputará o segundo turno em mais oito capitais. Em seis delas, o candidato do partido terminou a primeira rodada na liderança: Belém, Belo Horizonte, Maceió, Manaus, Porto Alegre e Porto Velho. As outras duas são Campo Grande e Cuiabá. Ainda concorrerá em segundo turno em mais 11 municípios com mais de 200 mil eleitores.
Com os resultados já conhecidos e as possíveis novas vitórias em 30 de outubro, o PSDB alcançará seu melhor desempenho eleitoral desde o pleito de 2004. Firma-se, assim, como a principal força político-partidária para conseguir dar uma guinada no país, superando os anos da desestruturação legada pelo PT.
Mas o que parece mais evidente é que a força eleitoral que ontem se manifestou nas urnas apenas dá sequência ao desempenho do PSDB nas eleições presidenciais de 2014, quando Aécio Neves só foi derrotado por Dilma Rousseff em razão da manipulação decorrente do petrolão e das distorções que a corrupção petista gerou naquela disputa.
A onda azul que agora arrebentou com força em todo o país já vinha se anunciando há anos. Agora, é hora de mostrar à população a competência tucana nas gestões locais, consolidar as vitórias em segundo turno e preparar-se para reconquistar o governo federal daqui a dois anos, para garantir que o Brasil de fato mude para melhor.
Foram 792 prefeituras conquistadas em todo o país em primeiro turno. Com os resultados já definitivos, o PSDB amplia em 13,8% o total de municípios governados pelo partido, ante os 695 de quatro anos atrás. Os tucanos ainda disputarão mais 19 prefeituras em segundo turno, no próximo dia 30.
Os resultados deste domingo colocam o PSDB como a segunda maior força partidária em termos de número de governos municipais, atrás apenas do PMDB. No entanto, os tucanos lideram, com larga margem, em termos de população governada, em número de capitais e municípios de maior porte.
Ontem a vitória já veio em primeiro turno em duas capitais: São Paulo e Teresina. Na capital paulista, o feito é inédito desde que as eleições passaram a ser disputadas em duas rodadas: nunca antes o prefeito da maior cidade do país havia vencido no primeiro turno. João Dória obteve 3.085.187 votos, o equivalente a 53,3% dos válidos. Recorde histórico.
Já Firmino Filho foi reeleito e será prefeito de Teresina pela quarta vez, dando continuidade à sequência de governos tucanos que vem desde 1995 administrando a capital do Piauí. Ele obteve 51,1% dos votos válidos neste domingo.
Além destas duas vitórias, o PSDB disputará o segundo turno em mais oito capitais. Em seis delas, o candidato do partido terminou a primeira rodada na liderança: Belém, Belo Horizonte, Maceió, Manaus, Porto Alegre e Porto Velho. As outras duas são Campo Grande e Cuiabá. Ainda concorrerá em segundo turno em mais 11 municípios com mais de 200 mil eleitores.
Com os resultados já conhecidos e as possíveis novas vitórias em 30 de outubro, o PSDB alcançará seu melhor desempenho eleitoral desde o pleito de 2004. Firma-se, assim, como a principal força político-partidária para conseguir dar uma guinada no país, superando os anos da desestruturação legada pelo PT.
Mas o que parece mais evidente é que a força eleitoral que ontem se manifestou nas urnas apenas dá sequência ao desempenho do PSDB nas eleições presidenciais de 2014, quando Aécio Neves só foi derrotado por Dilma Rousseff em razão da manipulação decorrente do petrolão e das distorções que a corrupção petista gerou naquela disputa.
A onda azul que agora arrebentou com força em todo o país já vinha se anunciando há anos. Agora, é hora de mostrar à população a competência tucana nas gestões locais, consolidar as vitórias em segundo turno e preparar-se para reconquistar o governo federal daqui a dois anos, para garantir que o Brasil de fato mude para melhor.
sábado, 1 de outubro de 2016
A festa da democracia
No próximo domingo, os brasileiros têm um novo encontro com a democracia. Vamos às urnas escolher prefeitos e vereadores e renovar o compromisso com a cidadania. A cada eleição, o país se fortalece. Desta vez, a busca é pela reconstrução de caminhos que levem o Brasil a superar sua mais grave crise e para legar ao passado, de uma vez por todas, a má experiência petista.
A realização simultânea de eleições em 5.568 municípios é uma demonstração incomparável da força da nossa democracia. Pouco mais de um mês depois de ter encerrado um processo de impeachment presidencial, o país vai às urnas para decidir quem governará suas cidades, com amplíssimo leque de opções partidárias ou ideológicas. Há prova mais inconteste de normalidade e legalidade?
As eleições deste ano confirmam o primado da ficha limpa como o critério mais relevante na orientação dos eleitores na hora de escolher seus governantes. Trata-se de efeito direto da depuração pela qual o país vem passando depois de amargar o maior escândalo de corrupção da sua história. Chega de malfeitos, chega de roubalheira, diz o eleitor.
Também no topo da agenda dos brasileiros está o anseio por ver superada a crise econômica que produziu a maior recessão da nossa história. Gerar empregos tornou-se o principal compromisso que os eleitores cobram de qualquer candidato a prefeito e a vereador. O brasileiro quer ter trabalho para voltar a ter tranquilidade e prosperidade.
Neste sentido, os resultados divulgados nesta manhã pelo IBGE não trazem qualquer alento. A taxa de desemprego no país voltou a subir e atingiu 11,8% da população, batendo mais um recorde. Um ano atrás, o indicador estava em 8,7%. Isso significa aumento de mais 3,2 milhões de pessoas desocupadas no país em apenas um ano, alta de 37% no período.
No âmbito das políticas públicas, as eleições municipais também serviram para ressaltar a fragilidade do sistema público de saúde brasileiro e a premente necessidade de torná-lo mais eficiente para que atenda melhor a população. Trata-se, hoje, em qualquer pesquisa que tenha sido publicada, em qualquer local do país, a principal preocupação da população.
As pesquisas conhecidas até o momento indicam, com clareza, que o eleitor brasileiro quer aprofundar a mudança iniciada com o impeachment de Dilma Rousseff. Candidatos do PSDB chegam com fortes chances de vitória – ou seja, despontam na primeira ou na segunda colocação dos levantamentos – em pelo menos nove capitais.
No domingo, vamos dar mais um passo no rumo da reconstrução do país que queremos. Com o voto, reitera-se o mais sagrado direito do cidadão: o de escolher seus próprios destinos. Caberá aos eleitos honrar a confiança que os eleitores nele depositarem. A democracia se fortalece e se constrói todos os dias. Tudo para fazer um país melhor.
A realização simultânea de eleições em 5.568 municípios é uma demonstração incomparável da força da nossa democracia. Pouco mais de um mês depois de ter encerrado um processo de impeachment presidencial, o país vai às urnas para decidir quem governará suas cidades, com amplíssimo leque de opções partidárias ou ideológicas. Há prova mais inconteste de normalidade e legalidade?
As eleições deste ano confirmam o primado da ficha limpa como o critério mais relevante na orientação dos eleitores na hora de escolher seus governantes. Trata-se de efeito direto da depuração pela qual o país vem passando depois de amargar o maior escândalo de corrupção da sua história. Chega de malfeitos, chega de roubalheira, diz o eleitor.
Também no topo da agenda dos brasileiros está o anseio por ver superada a crise econômica que produziu a maior recessão da nossa história. Gerar empregos tornou-se o principal compromisso que os eleitores cobram de qualquer candidato a prefeito e a vereador. O brasileiro quer ter trabalho para voltar a ter tranquilidade e prosperidade.
Neste sentido, os resultados divulgados nesta manhã pelo IBGE não trazem qualquer alento. A taxa de desemprego no país voltou a subir e atingiu 11,8% da população, batendo mais um recorde. Um ano atrás, o indicador estava em 8,7%. Isso significa aumento de mais 3,2 milhões de pessoas desocupadas no país em apenas um ano, alta de 37% no período.
No âmbito das políticas públicas, as eleições municipais também serviram para ressaltar a fragilidade do sistema público de saúde brasileiro e a premente necessidade de torná-lo mais eficiente para que atenda melhor a população. Trata-se, hoje, em qualquer pesquisa que tenha sido publicada, em qualquer local do país, a principal preocupação da população.
As pesquisas conhecidas até o momento indicam, com clareza, que o eleitor brasileiro quer aprofundar a mudança iniciada com o impeachment de Dilma Rousseff. Candidatos do PSDB chegam com fortes chances de vitória – ou seja, despontam na primeira ou na segunda colocação dos levantamentos – em pelo menos nove capitais.
No domingo, vamos dar mais um passo no rumo da reconstrução do país que queremos. Com o voto, reitera-se o mais sagrado direito do cidadão: o de escolher seus próprios destinos. Caberá aos eleitos honrar a confiança que os eleitores nele depositarem. A democracia se fortalece e se constrói todos os dias. Tudo para fazer um país melhor.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Na reta final
Faltam cinco dias para os brasileiros voltarem às urnas para eleger 5.568 prefeitos e 57.958 vereadores. Na primeira eleição depois da devastação promovida pelo PT no país, o PSDB e as forças políticas que sempre se opuseram ao petismo caminham para ter expressivo sucesso nas eleições marcadas para o próximo domingo.
Segundo as mais recentes pesquisas de opinião, os tucanos lideram a disputa em alguns dos mais importantes centros do país. A começar por São Paulo, onde João Dória disparou e, segundo os levantamentos divulgados ontem tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha, passou a liderar a corrida pela prefeitura da maior cidade do país.
Também em Belo Horizonte, o candidato tucano mantém-se na ponta. João Leite vem liderando desde o início da disputa e pode vencer a eleição em primeiro turno já no próximo domingo. O mesmo deve acontecer com Artur Neto, que lidera em Manaus e busca a reeleição.
Em mais duas capitais, há candidatos do PSDB na liderança das pesquisas de opinião: Firmino Filho aparece na frente em Teresina e Rui Palmeira pode conseguir a reeleição em Maceió já na votação de domingo.
Em capitais como Porto Alegre, Campo Grande e Belém, os candidatos tucanos estão em segundo lugar, colados nos líderes. Nelson Marchezan Junior, Rose Modesto e Zenaldo Coutinho, este em busca da reeleição, caminham para disputar o segundo turno no próximo dia 30 de outubro.
A disputa municipal será o primeiro reencontro dos brasileiros com o sagrado processo de escolha eleitoral depois da crise que desaguou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff por prática de crime de responsabilidade. Poderá constituir-se na guinada que o país precisa dar na direção de novos rumos políticos.
As campanhas têm mostrado pelo país afora que os brasileiros se cansaram da maneira enganosa e fraudulenta com a qual os petistas se notabilizaram em fazer política. Nunca antes, desde que ascendeu ao poder federal em 2003, o partido de Lula, Dilma e José Dirceu saiu-se tão mal na disputa pelas prefeituras. O PT deve manter apenas o governo de Rio Branco.
Em contrapartida, o PSDB tem apresentado aos eleitores opções renovadoras da política, comprometidas com a ética, a melhor gestão dos recursos públicos e voltadas a dar maior eficiência à aplicação dos tributos pagos pelos cidadãos. O que os brasileiros demonstram querer é um governo que, pelo menos, não lhes atrapalhe.
As eleições são o momento máximo do processo democrático. Devem ser sempre tratadas pelos partidos e por todos os candidatos com o respeito que merecem. Os tucanos que estão buscando servir a população dos mais de 5.500 municípios brasileiras estão mostrando que têm clara consciência de que terão papel fundamental na reconstrução do país.
Segundo as mais recentes pesquisas de opinião, os tucanos lideram a disputa em alguns dos mais importantes centros do país. A começar por São Paulo, onde João Dória disparou e, segundo os levantamentos divulgados ontem tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha, passou a liderar a corrida pela prefeitura da maior cidade do país.
Também em Belo Horizonte, o candidato tucano mantém-se na ponta. João Leite vem liderando desde o início da disputa e pode vencer a eleição em primeiro turno já no próximo domingo. O mesmo deve acontecer com Artur Neto, que lidera em Manaus e busca a reeleição.
Em mais duas capitais, há candidatos do PSDB na liderança das pesquisas de opinião: Firmino Filho aparece na frente em Teresina e Rui Palmeira pode conseguir a reeleição em Maceió já na votação de domingo.
Em capitais como Porto Alegre, Campo Grande e Belém, os candidatos tucanos estão em segundo lugar, colados nos líderes. Nelson Marchezan Junior, Rose Modesto e Zenaldo Coutinho, este em busca da reeleição, caminham para disputar o segundo turno no próximo dia 30 de outubro.
A disputa municipal será o primeiro reencontro dos brasileiros com o sagrado processo de escolha eleitoral depois da crise que desaguou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff por prática de crime de responsabilidade. Poderá constituir-se na guinada que o país precisa dar na direção de novos rumos políticos.
As campanhas têm mostrado pelo país afora que os brasileiros se cansaram da maneira enganosa e fraudulenta com a qual os petistas se notabilizaram em fazer política. Nunca antes, desde que ascendeu ao poder federal em 2003, o partido de Lula, Dilma e José Dirceu saiu-se tão mal na disputa pelas prefeituras. O PT deve manter apenas o governo de Rio Branco.
Em contrapartida, o PSDB tem apresentado aos eleitores opções renovadoras da política, comprometidas com a ética, a melhor gestão dos recursos públicos e voltadas a dar maior eficiência à aplicação dos tributos pagos pelos cidadãos. O que os brasileiros demonstram querer é um governo que, pelo menos, não lhes atrapalhe.
As eleições são o momento máximo do processo democrático. Devem ser sempre tratadas pelos partidos e por todos os candidatos com o respeito que merecem. Os tucanos que estão buscando servir a população dos mais de 5.500 municípios brasileiras estão mostrando que têm clara consciência de que terão papel fundamental na reconstrução do país.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Contas a pagar
Não se deve olhar o resultado das contas públicas divulgado ontem meramente pela ótica contábil. O emaranhado de cifras e conceitos é quase incompreensível para a população em geral. A questão é política: o que interessa é mostrar que a parcela crescente de recursos que o país compromete com gastos do governo é o preço que a gestão Lula impôs à sociedade para eleger Dilma Rousseff. São contas a pagar por muitos e muitos anos.
A despeito de toda a criatividade contábil empregada pelos técnicos oficiais para inflar as receitas do governo, é bem possível que a meta fiscal não seja atingida neste ano. Nos últimos 12 meses, o superávit primário está em R$ 99,1 bilhões ou 2,85% do PIB. O resultado de outubro (superávit de R$ 9,7 bilhões) foi o pior para este mês do ano desde 2005.
Até o mês passado, a meta de superávit para este ano era de 3,3% do PIB. Foi reduzida para 3,1% com a exclusão dos investimentos da Eletrobrás dos cálculos. A estatal é um sorvedouro de dinheiro público e, com sua gestão temerária, estava puxando o resultado das estatais para baixo. Ao invés de tentar saneá-la, o governo preferiu varrer seus gastos para debaixo do tapete.
Mas, mesmo emagrecida, nem Papai Noel é capaz de fazer a nova meta fiscal de 2010 ser alcançada. O resultado primário é tradicionalmente deficitário no fim do ano, quando o governo tem que arcar com pagamento de 13º salário do funcionalismo. No ano passado, o déficit nominal saltou de R$ 114 milhões em outubro para R$ 10 bilhões em dezembro.
Isso significa que o governo petista não executará neste ano o esforço fiscal necessário para reduzir a dívida pública. Se o passivo não cai, o espaço para o corte de juros fica menor, os gastos saudáveis com investimentos públicos não acontecem e o país mantém-se pagando caro para rolar sua dívida, que cresceu R$ 18,8 bilhões em outubro e atingiu R$ 1,64 trilhão.
O governo tenta defender a escalada de gastos dizendo que era preciso fazer frente à crise econômica. Isso poderia ser – e foi – válido para 2009. Mas, neste ano, acelerar a gastança foi pura e exclusivamente irresponsabilidade. Ou em português mais claro: uso descarado dos recursos da sociedade em favor de um projeto político. Gastou-se muito para eleger a sucessora de Lula, não para acelerar o crescimento.
O governo do PT está conseguindo jogar no limbo o arcabouço institucional que permitiu ao país emergir da descrença internacional que grassava até a década de 90 para um patamar respeitável. O firme tripé baseado em responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante encontra-se trôpego.
No caso das contas públicas, o resultado deste ano só não é numericamente catastrófico porque a equipe econômica, sob as bênçãos do reconduzido ministro Guido Mantega, lançou mão de uma série de mandracarias para engordar as receitas.
Sem elas, os R$ 99 bilhões do superávit fiscal seriam um terço menores. O golpe mais vistoso foi desferido quando R$ 31,9 bilhões de uma dívida feita para capitalizar a Petrobras foram transformados em R$ 31,9 bilhões de receitas. Shazam! A União também garantiu outros R$ 1,4 bilhão com a venda de créditos que tinha na Eletrobrás para o BNDES e mais R$ 958 milhões com o pagamento antecipado, pela Caixa, de dividendos ao Tesouro.
Um dos vértices desta imensa criatividade contábil foi o BNDES: só nos dois últimos anos, recebeu R$ 200 bilhões em aportes do Tesouro, inflando a dívida bruta. A pretexto de não deixar as fontes de crédito estancarem, o banco foi turbinado para emprestar como nunca. Os critérios para isso foram, porém, bastante duvidosos, para dizer o mínimo.
Uma das operações mais esdrúxulas foram os empréstimos a frigoríficos, em especial ao grupo JBS/Friboi. Foram R$ 11,4 bilhões desde 2008, considerando também a compra de participação pelo BNDES no capital do JBS e do Bertin, hoje enfeixados no mesmo grupo empresarial, conforme análise de Mansueto Almeida. Isso tornou o JBS o segundo maior grupo privado nacional, atrás apenas da Vale – até 2005, o frigorífico goiano jamais figurara sequer entre as 200 maiores corporações brasileiras.
Quase ninguém entendeu a atração do BNDES pelo JBS – conglomerado privado onde o banco mais pôs dinheiro na sua história e do qual é hoje dono de 21%. A operação não aumentou a capacidade de exportação do país (mas elevou a dos EUA, onde o JBS adquiriu a Swift Foods), nem gerou um bife sequer de inovação tecnológica ou criou novos empregos – pelo contrário.
Mais eis que surge agora uma bela explicação para tamanha camaradagem oficial com o JBS: o grupo foi o maior doador da campanha vitoriosa de Dilma Rousseff. Foram nada menos que R$ 10 milhões, conforme mostra O Estado de S.Paulo em sua edição de hoje.
O valor supera até mesmo o de construtoras e bancos, dois dos setores mais satisfeitos com o governo do PT. Depois do JBS aparecem, nesta ordem, a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão. Ambas têm uma vistosa carteira de obras incluídas no PAC, algumas envoltas em suspeita de irregularidades e polêmicas, como a bilionária hidrelétrica de Belo Monte.
Fecha-se, então, o círculo: o governo abriu a torneira dos gastos, irrigou negócios amigos e recebeu em retribuição, na campanha eleitoral, o auxílio financeiro dos companheiros subsidiados. Com o país atolado neste “capitalismo estatal”, não surpreende que os resultados fiscais sejam cada vez piores. A conta da eleição de Dilma está sendo apresentada agora à sociedade. Quem vai pagar por isso?
A despeito de toda a criatividade contábil empregada pelos técnicos oficiais para inflar as receitas do governo, é bem possível que a meta fiscal não seja atingida neste ano. Nos últimos 12 meses, o superávit primário está em R$ 99,1 bilhões ou 2,85% do PIB. O resultado de outubro (superávit de R$ 9,7 bilhões) foi o pior para este mês do ano desde 2005.
Até o mês passado, a meta de superávit para este ano era de 3,3% do PIB. Foi reduzida para 3,1% com a exclusão dos investimentos da Eletrobrás dos cálculos. A estatal é um sorvedouro de dinheiro público e, com sua gestão temerária, estava puxando o resultado das estatais para baixo. Ao invés de tentar saneá-la, o governo preferiu varrer seus gastos para debaixo do tapete.
Mas, mesmo emagrecida, nem Papai Noel é capaz de fazer a nova meta fiscal de 2010 ser alcançada. O resultado primário é tradicionalmente deficitário no fim do ano, quando o governo tem que arcar com pagamento de 13º salário do funcionalismo. No ano passado, o déficit nominal saltou de R$ 114 milhões em outubro para R$ 10 bilhões em dezembro.
Isso significa que o governo petista não executará neste ano o esforço fiscal necessário para reduzir a dívida pública. Se o passivo não cai, o espaço para o corte de juros fica menor, os gastos saudáveis com investimentos públicos não acontecem e o país mantém-se pagando caro para rolar sua dívida, que cresceu R$ 18,8 bilhões em outubro e atingiu R$ 1,64 trilhão.
O governo tenta defender a escalada de gastos dizendo que era preciso fazer frente à crise econômica. Isso poderia ser – e foi – válido para 2009. Mas, neste ano, acelerar a gastança foi pura e exclusivamente irresponsabilidade. Ou em português mais claro: uso descarado dos recursos da sociedade em favor de um projeto político. Gastou-se muito para eleger a sucessora de Lula, não para acelerar o crescimento.
O governo do PT está conseguindo jogar no limbo o arcabouço institucional que permitiu ao país emergir da descrença internacional que grassava até a década de 90 para um patamar respeitável. O firme tripé baseado em responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante encontra-se trôpego.
No caso das contas públicas, o resultado deste ano só não é numericamente catastrófico porque a equipe econômica, sob as bênçãos do reconduzido ministro Guido Mantega, lançou mão de uma série de mandracarias para engordar as receitas.
Sem elas, os R$ 99 bilhões do superávit fiscal seriam um terço menores. O golpe mais vistoso foi desferido quando R$ 31,9 bilhões de uma dívida feita para capitalizar a Petrobras foram transformados em R$ 31,9 bilhões de receitas. Shazam! A União também garantiu outros R$ 1,4 bilhão com a venda de créditos que tinha na Eletrobrás para o BNDES e mais R$ 958 milhões com o pagamento antecipado, pela Caixa, de dividendos ao Tesouro.
Um dos vértices desta imensa criatividade contábil foi o BNDES: só nos dois últimos anos, recebeu R$ 200 bilhões em aportes do Tesouro, inflando a dívida bruta. A pretexto de não deixar as fontes de crédito estancarem, o banco foi turbinado para emprestar como nunca. Os critérios para isso foram, porém, bastante duvidosos, para dizer o mínimo.
Uma das operações mais esdrúxulas foram os empréstimos a frigoríficos, em especial ao grupo JBS/Friboi. Foram R$ 11,4 bilhões desde 2008, considerando também a compra de participação pelo BNDES no capital do JBS e do Bertin, hoje enfeixados no mesmo grupo empresarial, conforme análise de Mansueto Almeida. Isso tornou o JBS o segundo maior grupo privado nacional, atrás apenas da Vale – até 2005, o frigorífico goiano jamais figurara sequer entre as 200 maiores corporações brasileiras.
Quase ninguém entendeu a atração do BNDES pelo JBS – conglomerado privado onde o banco mais pôs dinheiro na sua história e do qual é hoje dono de 21%. A operação não aumentou a capacidade de exportação do país (mas elevou a dos EUA, onde o JBS adquiriu a Swift Foods), nem gerou um bife sequer de inovação tecnológica ou criou novos empregos – pelo contrário.
Mais eis que surge agora uma bela explicação para tamanha camaradagem oficial com o JBS: o grupo foi o maior doador da campanha vitoriosa de Dilma Rousseff. Foram nada menos que R$ 10 milhões, conforme mostra O Estado de S.Paulo em sua edição de hoje.
O valor supera até mesmo o de construtoras e bancos, dois dos setores mais satisfeitos com o governo do PT. Depois do JBS aparecem, nesta ordem, a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão. Ambas têm uma vistosa carteira de obras incluídas no PAC, algumas envoltas em suspeita de irregularidades e polêmicas, como a bilionária hidrelétrica de Belo Monte.
Fecha-se, então, o círculo: o governo abriu a torneira dos gastos, irrigou negócios amigos e recebeu em retribuição, na campanha eleitoral, o auxílio financeiro dos companheiros subsidiados. Com o país atolado neste “capitalismo estatal”, não surpreende que os resultados fiscais sejam cada vez piores. A conta da eleição de Dilma está sendo apresentada agora à sociedade. Quem vai pagar por isso?
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Vitória da altivez
José Serra recebeu ontem o voto de 43.711.388 brasileiros. Foi a maior votação já obtida por um candidato à presidência da República que não tenha sido eleito. Também é superior aos votos recebidos por quaisquer dos pretendentes do PSDB que tenham disputado o cargo, incluindo Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos consecutivos. Por distintos ângulos que se olhe, Serra é um vitorioso.
Também em termos relativos, foi o maior sufrágio obtido desde as eleições de 1994 por um candidato à presidência não eleito: 43,95%. Nas últimas duas disputas, decididas em dois turnos, o vitorioso alcançou mais de 60% dos votos válidos. Desta vez, a diferença foi de apenas 12 pontos percentuais, o que impõe ao escolhido pela vontade popular uma maior clareza quanto aos limites de seu poder.
Em 11 estados, Serra terminou a eleição na frente de Dilma Rousseff. Nunca um presidente eleito concluiu a disputa derrotado em tantas e tão importantes unidades da Federação: Acre, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Em 2002, a oposição vencera em apenas um estado; em 2006, em sete.
Serra somou mais 10,6 milhões de votos em relação ao resultado que obteve no primeiro turno. Agregou mais apoio nestes 28 dias do que a candidata eleita pelo PT. Em três estados, o tucano reverteu o placar desfavorável da primeira votação: Espírito Santo, Goiás e Rio Grande do Sul.
Quem sai de uma eleição deste tamanho só pode ser considerado um vencedor.
Com José Serra, as forças de oposição adquiriram uma estatura que se julgava alquebrada pela avassaladora força da máquina lulista. Nunca antes na história, tiveram de enfrentar uma luta tão desigual com o governante de turno. Nunca antes na história, estiveram submetidas a tão despudorado uso do aparato público e a tão descarada intromissão do chefe de Estado em assuntos político-partidários.
Não há dúvida de que Serra e a oposição saem desta eleição muito maiores do que entraram.
O PSDB governará oito estados a partir de 1º de janeiro – mais do que administra atualmente. Significativo é que dos seis estados que conquistou em 2006, os tucanos mantiveram-se no poder em quatro deles, e num quinto, a Paraíba, integram a chapa do novo governo eleito. Trata-se de um expressivo percentual de êxito e um sinal claro de aprovação da população às gestões tucanas.
Sob administração do PSDB estará 47,5% do eleitorado nacional. São 64,2 milhões de brasileiros. Considerando-se também os dois estados conquistados pelo DEM (Rio Grande do Norte e Santa Catarina), a oposição terá a maioria do eleitorado sob seu comando nos estados. (Vale lembrar que, embora do PMDB, o governador reeleito de Mato Grosso do Sul apoiou a candidatura Serra, aumentando ainda mais a força da oposição.)
Em seu sereno discurso após a proclamação dos resultados, José Serra deu o tom do que esperar desta oposição a partir de agora: mais luta. “Nesses meses duríssimos, onde enfrentamos forças terríveis, vocês (militantes) alcançaram uma vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza, consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia do Brasil”, disse ele.
Mais do que nunca, a oposição está preparada para exercer o papel que dela esperam seus eleitores: fiscalizar o novo governo eleito, cobrar-lhe o cumprimento das promessas feitas, proteger a sociedade dos excessos antidemocráticos, zelar pela liberdade e pelo amplo direito de manifestação, defender os valores mais caros ao nosso povo.
O PSDB manteve-se na defesa da ética e da democracia. Esta bandeira foi empunhada por 43.711.388 brasileiros. A mensagem das urnas é extremamente favorável às forças oposicionistas. “Tão importante quanto o resultado em si, é em nome do que se vence e em nome do que se é derrotado”, resumiu o senador eleitor por Minas Gerais, Aécio Neves.
As maiores dificuldades da oposição nos últimos anos decorreram de ter tratado Lula com o respeito institucional que um mandatário merece e não com o antagonismo partidário que o presidente preferiu protagonizar.
O respeito à figura do chefe de Estado vai continuar existindo, a vontade dos eleitores será honrada, o resultado das urnas jamais será desacatado. Mas à humildade de aceitar a vitória dos adversários se somará a altivez e a força de quem saiu das eleições deste domingo respaldado por maciço apoio popular, de norte a sul do país. Oposição existe para se opor. E assim será, desde o primeiro dia do próximo governo, todos os dias.
Também em termos relativos, foi o maior sufrágio obtido desde as eleições de 1994 por um candidato à presidência não eleito: 43,95%. Nas últimas duas disputas, decididas em dois turnos, o vitorioso alcançou mais de 60% dos votos válidos. Desta vez, a diferença foi de apenas 12 pontos percentuais, o que impõe ao escolhido pela vontade popular uma maior clareza quanto aos limites de seu poder.
Em 11 estados, Serra terminou a eleição na frente de Dilma Rousseff. Nunca um presidente eleito concluiu a disputa derrotado em tantas e tão importantes unidades da Federação: Acre, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Em 2002, a oposição vencera em apenas um estado; em 2006, em sete.
Serra somou mais 10,6 milhões de votos em relação ao resultado que obteve no primeiro turno. Agregou mais apoio nestes 28 dias do que a candidata eleita pelo PT. Em três estados, o tucano reverteu o placar desfavorável da primeira votação: Espírito Santo, Goiás e Rio Grande do Sul.
Quem sai de uma eleição deste tamanho só pode ser considerado um vencedor.
Com José Serra, as forças de oposição adquiriram uma estatura que se julgava alquebrada pela avassaladora força da máquina lulista. Nunca antes na história, tiveram de enfrentar uma luta tão desigual com o governante de turno. Nunca antes na história, estiveram submetidas a tão despudorado uso do aparato público e a tão descarada intromissão do chefe de Estado em assuntos político-partidários.
Não há dúvida de que Serra e a oposição saem desta eleição muito maiores do que entraram.
O PSDB governará oito estados a partir de 1º de janeiro – mais do que administra atualmente. Significativo é que dos seis estados que conquistou em 2006, os tucanos mantiveram-se no poder em quatro deles, e num quinto, a Paraíba, integram a chapa do novo governo eleito. Trata-se de um expressivo percentual de êxito e um sinal claro de aprovação da população às gestões tucanas.
Sob administração do PSDB estará 47,5% do eleitorado nacional. São 64,2 milhões de brasileiros. Considerando-se também os dois estados conquistados pelo DEM (Rio Grande do Norte e Santa Catarina), a oposição terá a maioria do eleitorado sob seu comando nos estados. (Vale lembrar que, embora do PMDB, o governador reeleito de Mato Grosso do Sul apoiou a candidatura Serra, aumentando ainda mais a força da oposição.)
Em seu sereno discurso após a proclamação dos resultados, José Serra deu o tom do que esperar desta oposição a partir de agora: mais luta. “Nesses meses duríssimos, onde enfrentamos forças terríveis, vocês (militantes) alcançaram uma vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza, consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia do Brasil”, disse ele.
Mais do que nunca, a oposição está preparada para exercer o papel que dela esperam seus eleitores: fiscalizar o novo governo eleito, cobrar-lhe o cumprimento das promessas feitas, proteger a sociedade dos excessos antidemocráticos, zelar pela liberdade e pelo amplo direito de manifestação, defender os valores mais caros ao nosso povo.
O PSDB manteve-se na defesa da ética e da democracia. Esta bandeira foi empunhada por 43.711.388 brasileiros. A mensagem das urnas é extremamente favorável às forças oposicionistas. “Tão importante quanto o resultado em si, é em nome do que se vence e em nome do que se é derrotado”, resumiu o senador eleitor por Minas Gerais, Aécio Neves.
As maiores dificuldades da oposição nos últimos anos decorreram de ter tratado Lula com o respeito institucional que um mandatário merece e não com o antagonismo partidário que o presidente preferiu protagonizar.
O respeito à figura do chefe de Estado vai continuar existindo, a vontade dos eleitores será honrada, o resultado das urnas jamais será desacatado. Mas à humildade de aceitar a vitória dos adversários se somará a altivez e a força de quem saiu das eleições deste domingo respaldado por maciço apoio popular, de norte a sul do país. Oposição existe para se opor. E assim será, desde o primeiro dia do próximo governo, todos os dias.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Inimigos imaginários
O presidente Lula pautou toda a sua carreira política baseada no conflito. É assim desde as greves do ABC, no fim dos anos 70. Ele e seu partido só veem razão de existir num ambiente de conflagração e embates. Com sua imensa dificuldade de construir o consenso e dialogar com oponentes, Lula e o PT não conseguem sobreviver sem um inimigo para atacar, mesmo que seja necessário inventá-lo.
O festival de desespero e hostilidade que o comando do PT exibiu nos últimos dias é efeito direto desta ética política – melhor seria dizer da falta dela. O mau exemplo que vem de cima contagia a atitude da militância nas ruas e lhe serve como salvo-conduto. Para os petistas, não há adversários a derrotar, há inimigos a dizimar.
O episódio da última quarta-feira em Campo Grande, zona oeste da capital fluminense, é o mais recente de uma galeria de instantâneos de truculência protagonizados pelos partidários de Dilma Rousseff. Para o PT, não basta vencer os adversários políticos nas urnas, eles têm de “apanhar nas ruas” – na célebre pregação do czar-mor José Dirceu. Não servem os cabos eleitorais; valem mais os cabos de vassoura.
Uma pacata caminhada de José Serra e correligionários pelas ruas do Rio, parte intrínseca da disputa democrática pelo voto, foi barrada por militantes do PT, liderados por um candidato derrotado a deputado pelo partido. Isso já seria um fato gravíssimo e condenável, mas os fanáticos apoiadores de Dilma ainda arremessaram objetos em Serra e em sua entourage, algo mais deplorável ainda. Até jornalistas foram agredidos.
O PT tentou escapar afirmando que Serra havia simulado ter sido atacado. O próprio presidente da República embarcou pesadamente nessa história e disse que o candidato tucano havia “mentido descaradamente”. A raivosa declaração presidencial foi dada durante solenidade oficial, usando a estrutura oficial de comunicação. Tudo posto a serviço da candidatura oficial, que a quilômetros de distância entoava a mesma cantilena de seu mentor.
Lula e Dilma não contavam com uma impecável reportagem exibida pelo Jornal Nacional no dia seguinte. Nela, restou cabalmente comprovado que Serra sofreu sim uma covarde agressão. Lula e sua pupila escorregaram no popular “pega na mentira”.
Quando agridem injustamente, pessoas de caráter costumam pedir desculpas. Não é o caso de quem vive e se alimenta cotidianamente de insultar adversários. Aos escrúpulos, Lula e seu PT preferiram agarrar-se à mentira com intuito eleitoral. Novamente, mesmo contra os fatos, insistiram em acusar Serra de ter fraudado o episódio do Rio. Seus inimigos imaginários são a matéria-prima de sua prática política.
Só esse episódio já seria suficiente para jogar a turma petista definitivamente na lama. Mas como o objetivo é “permanecer mandando”, como eles não se cansam de afirmar, não há limites na maneira mafiosa de agir. A manipulada ação da Polícia Federal na investigação da violação de sigilo fiscal de tucanos reforça o argumento.
Todo o contorcionismo de Lula, da PF e do PT para imputar a responsabilidade pelos crimes a uma suposta disputa interna do PSDB não resistiu aos fatos, estes eternos estraga-prazeres do petismo. Apontado como aquele que comprou as informações sigilosas no mercado negro, o repórter Amaury Ribeiro Jr confessou aos policiais que todas as informações que obteve no submundo do crime acabaram nas mãos de Rui Falcão, proeminente coordenador da campanha de Dilma.
As pontas do novelo vão se entrelaçando. Estrela em ascensão no governo Lula, o secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, também admitiu em telefonema gravado divulgado pela revista Veja: “Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (...) Eu quase fui preso como um dos aloprados”.
Soma-se a isso o fato de Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, ter se tornado réu em ação envolvendo cobrança de propina na cidade de Santo André, na época em que o município era administrado pelo prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. São as vísceras dos subterrâneos petistas sendo reviradas. O que mais ainda está por se saber?
Por mais que o PT se esforce, a realidade teima em mostrar sua cara. Contra os fatos, a receita da campanha de Dilma Rousseff mantém-se a mesma: manipular e continuar mentindo até o último instante; fabricar todos os dias inimigos imaginários a combater; pôr o Estado para sufocar quem pensa diferente.
Para nossa bênção, já ficou claro no primeiro turno da eleição que os brasileiros majoritariamente desaprovam este caminho. São 54 milhões de pessoas que não compactuam com o que está aí. Provavelmente reiterarão a mensagem no próximo domingo, porque ganharam nas últimas semanas mais alguns caminhões de motivos – nenhum deles imaginário.
O festival de desespero e hostilidade que o comando do PT exibiu nos últimos dias é efeito direto desta ética política – melhor seria dizer da falta dela. O mau exemplo que vem de cima contagia a atitude da militância nas ruas e lhe serve como salvo-conduto. Para os petistas, não há adversários a derrotar, há inimigos a dizimar.
O episódio da última quarta-feira em Campo Grande, zona oeste da capital fluminense, é o mais recente de uma galeria de instantâneos de truculência protagonizados pelos partidários de Dilma Rousseff. Para o PT, não basta vencer os adversários políticos nas urnas, eles têm de “apanhar nas ruas” – na célebre pregação do czar-mor José Dirceu. Não servem os cabos eleitorais; valem mais os cabos de vassoura.
Uma pacata caminhada de José Serra e correligionários pelas ruas do Rio, parte intrínseca da disputa democrática pelo voto, foi barrada por militantes do PT, liderados por um candidato derrotado a deputado pelo partido. Isso já seria um fato gravíssimo e condenável, mas os fanáticos apoiadores de Dilma ainda arremessaram objetos em Serra e em sua entourage, algo mais deplorável ainda. Até jornalistas foram agredidos.
O PT tentou escapar afirmando que Serra havia simulado ter sido atacado. O próprio presidente da República embarcou pesadamente nessa história e disse que o candidato tucano havia “mentido descaradamente”. A raivosa declaração presidencial foi dada durante solenidade oficial, usando a estrutura oficial de comunicação. Tudo posto a serviço da candidatura oficial, que a quilômetros de distância entoava a mesma cantilena de seu mentor.
Lula e Dilma não contavam com uma impecável reportagem exibida pelo Jornal Nacional no dia seguinte. Nela, restou cabalmente comprovado que Serra sofreu sim uma covarde agressão. Lula e sua pupila escorregaram no popular “pega na mentira”.
Quando agridem injustamente, pessoas de caráter costumam pedir desculpas. Não é o caso de quem vive e se alimenta cotidianamente de insultar adversários. Aos escrúpulos, Lula e seu PT preferiram agarrar-se à mentira com intuito eleitoral. Novamente, mesmo contra os fatos, insistiram em acusar Serra de ter fraudado o episódio do Rio. Seus inimigos imaginários são a matéria-prima de sua prática política.
Só esse episódio já seria suficiente para jogar a turma petista definitivamente na lama. Mas como o objetivo é “permanecer mandando”, como eles não se cansam de afirmar, não há limites na maneira mafiosa de agir. A manipulada ação da Polícia Federal na investigação da violação de sigilo fiscal de tucanos reforça o argumento.
Todo o contorcionismo de Lula, da PF e do PT para imputar a responsabilidade pelos crimes a uma suposta disputa interna do PSDB não resistiu aos fatos, estes eternos estraga-prazeres do petismo. Apontado como aquele que comprou as informações sigilosas no mercado negro, o repórter Amaury Ribeiro Jr confessou aos policiais que todas as informações que obteve no submundo do crime acabaram nas mãos de Rui Falcão, proeminente coordenador da campanha de Dilma.
As pontas do novelo vão se entrelaçando. Estrela em ascensão no governo Lula, o secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, também admitiu em telefonema gravado divulgado pela revista Veja: “Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (...) Eu quase fui preso como um dos aloprados”.
Soma-se a isso o fato de Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, ter se tornado réu em ação envolvendo cobrança de propina na cidade de Santo André, na época em que o município era administrado pelo prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. São as vísceras dos subterrâneos petistas sendo reviradas. O que mais ainda está por se saber?
Por mais que o PT se esforce, a realidade teima em mostrar sua cara. Contra os fatos, a receita da campanha de Dilma Rousseff mantém-se a mesma: manipular e continuar mentindo até o último instante; fabricar todos os dias inimigos imaginários a combater; pôr o Estado para sufocar quem pensa diferente.
Para nossa bênção, já ficou claro no primeiro turno da eleição que os brasileiros majoritariamente desaprovam este caminho. São 54 milhões de pessoas que não compactuam com o que está aí. Provavelmente reiterarão a mensagem no próximo domingo, porque ganharam nas últimas semanas mais alguns caminhões de motivos – nenhum deles imaginário.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Caiu a máscara
O país assistiu na noite deste domingo ao primeiro debate real entre os dois postulantes à Presidência da República. Ficaram claras, de uma vez por todas, as diferenças entre José Serra e Dilma Rousseff. Separa-os um abismo, que a estratégia petista tentou sistematicamente escamotear no decorrer do primeiro turno. Felizes os brasileiros por termos a chance agora de cotejar nossas opções.
Franco, o debate realizado pela Band permitiu ao telespectador comparar duas posturas distintas. O que se viu foi uma brutal diferença de atributos, personalidades diametralmente opostas. De um lado, a agressividade de uma neófita em disputas eleitorais que também debutava em confrontos televisivos diretos. “Exaltada, (Dilma) demonstrou nervosismo”, resumiu a Folha de S. Paulo.
Do outro, a serenidade de quem tem propostas claras para o país, a segurança quanto ao que oferece aos brasileiros, a tranquilidade de quem está preparado para conduzir a nação a um patamar mais elevado. José Serra pautou sua participação no debate da Band na diferenciação entre o projeto que defende e o que o PT propugna.
Dilma Rousseff destilou um rosário de mistificações nas duas horas de confronto. Brandiu obras que não realizou, imputou ao tucano medidas que ele nunca tomou, envolveu em falácias acusações totalmente infundadas. Aconteceu, por exemplo, quando disse que Serra planeja privatizar a Petrobras, algo que jamais frequentou o receituário do tucano.
A petista escalou os mais altos degraus da invencionice quando “acusou” as privatizações feitas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, demonizando-as. Não era a intenção dela, mas Dilma deixou claro o quanto o seu partido, o PT, se opôs a medidas que trouxeram conforto e emprego aos brasileiros: cada um que tem um telefone celular hoje, e são praticamente todos os brasileiros em idade adulta, sabe dos efeitos benéficos da abertura da telefonia, antes privilégio de pouquíssimos, para suas vidas.
Dilma assacou o vodu do medo ao dizer que Serra não dará continuidade a projetos, segundo ela, “exitosos” do atual governo, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida. Os fatos a desmentem, com sobra. O PAC está longe de deixar de ser uma lista de boas intenções que, em sua imensa maioria, dormitam no papel. O programa habitacional é apenas uma pálida sombra daquilo que a promessa lulista acenou aos incautos.
Tudo muito distinto do que Serra pode exibir a título de realizações à frente dos cargos que ocupou, em especial na prefeitura e no governo de São Paulo. Fiquemos no exemplo da construção de moradias: enquanto o Minha Casa Minha Vida entregou apenas 565 casas para famílias com renda até três salários mínimos até agosto, o governo paulista construiu mais de 50 mil para este mesmo estrato social nos últimos três anos e meio.
Aos fatos, Dilma respondeu com arreganhos. Tergiversou, para ficar num termo tão (mal) usado por ela ao longo do debate. Coube ao próprio Serra a melhor definição para o comportamento da adversária na noite deste domingo: “A Dilma foi a Dilma”.
O desempenho da candidata do PT foi tão desastroso que, minutos depois do encerramento do encontro promovido pela Band, o comando da campanha dela anunciou que Dilma não irá mais a boa parte dos debates para os quais foi convidada. Alega-se “problema de agenda”.
Quem viu o confronto de ontem sabe que não é isso. O que de fato ocorreu é que caiu a máscara de Dilma: a “mãe dos pobres” mostra-se agora como uma madrasta má, que não titubeia em apelar para mentiras para se fazer prevalecer. A luz dos holofotes fez a maquiagem derreter – e o que revelou não é nada bonito de se ver.
Franco, o debate realizado pela Band permitiu ao telespectador comparar duas posturas distintas. O que se viu foi uma brutal diferença de atributos, personalidades diametralmente opostas. De um lado, a agressividade de uma neófita em disputas eleitorais que também debutava em confrontos televisivos diretos. “Exaltada, (Dilma) demonstrou nervosismo”, resumiu a Folha de S. Paulo.
Do outro, a serenidade de quem tem propostas claras para o país, a segurança quanto ao que oferece aos brasileiros, a tranquilidade de quem está preparado para conduzir a nação a um patamar mais elevado. José Serra pautou sua participação no debate da Band na diferenciação entre o projeto que defende e o que o PT propugna.
Dilma Rousseff destilou um rosário de mistificações nas duas horas de confronto. Brandiu obras que não realizou, imputou ao tucano medidas que ele nunca tomou, envolveu em falácias acusações totalmente infundadas. Aconteceu, por exemplo, quando disse que Serra planeja privatizar a Petrobras, algo que jamais frequentou o receituário do tucano.
A petista escalou os mais altos degraus da invencionice quando “acusou” as privatizações feitas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, demonizando-as. Não era a intenção dela, mas Dilma deixou claro o quanto o seu partido, o PT, se opôs a medidas que trouxeram conforto e emprego aos brasileiros: cada um que tem um telefone celular hoje, e são praticamente todos os brasileiros em idade adulta, sabe dos efeitos benéficos da abertura da telefonia, antes privilégio de pouquíssimos, para suas vidas.
Dilma assacou o vodu do medo ao dizer que Serra não dará continuidade a projetos, segundo ela, “exitosos” do atual governo, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida. Os fatos a desmentem, com sobra. O PAC está longe de deixar de ser uma lista de boas intenções que, em sua imensa maioria, dormitam no papel. O programa habitacional é apenas uma pálida sombra daquilo que a promessa lulista acenou aos incautos.
Tudo muito distinto do que Serra pode exibir a título de realizações à frente dos cargos que ocupou, em especial na prefeitura e no governo de São Paulo. Fiquemos no exemplo da construção de moradias: enquanto o Minha Casa Minha Vida entregou apenas 565 casas para famílias com renda até três salários mínimos até agosto, o governo paulista construiu mais de 50 mil para este mesmo estrato social nos últimos três anos e meio.
Aos fatos, Dilma respondeu com arreganhos. Tergiversou, para ficar num termo tão (mal) usado por ela ao longo do debate. Coube ao próprio Serra a melhor definição para o comportamento da adversária na noite deste domingo: “A Dilma foi a Dilma”.
O desempenho da candidata do PT foi tão desastroso que, minutos depois do encerramento do encontro promovido pela Band, o comando da campanha dela anunciou que Dilma não irá mais a boa parte dos debates para os quais foi convidada. Alega-se “problema de agenda”.
Quem viu o confronto de ontem sabe que não é isso. O que de fato ocorreu é que caiu a máscara de Dilma: a “mãe dos pobres” mostra-se agora como uma madrasta má, que não titubeia em apelar para mentiras para se fazer prevalecer. A luz dos holofotes fez a maquiagem derreter – e o que revelou não é nada bonito de se ver.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Verdadeiro compromisso verde
A provocação política da hora é tentar ver numa provável aproximação entre PSDB e PV a marca do oportunismo eleitoral. Nada mais equivocado. Além de governar juntos muitos estados e municípios nos quatro cantos do país, tucanos e verdes compartilham uma agenda muito similar de desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. Isso não é retórica; os fatos falam por si.
A proximidade do PSDB com a agenda socioambiental vem de longe, mais precisamente de medidas tomadas na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi naquela época que se elevaram as reservas legais na Amazônia de 50% para 80%, numa batalha parlamentar em que os militantes verdes - a senadora, ainda petista, Marina Silva incluída - cerraram fileiras com o governo tucano.
Foi também então que foram criadas as reservas extrativistas e regulamentada a Agência Nacional de Água, órgão regulador destinado à proteção de um dos nossos mais caros recursos naturais que nos últimos anos o PT transformou, como todas as demais agências, em moeda de troca política.
São exemplos de bandeiras caras à causa ambiental que o PSDB, no governo, abraçou sem pestanejar, por absoluta convicção. Não foram raras as vezes em que organismos muitíssimo aguerridos na defesa ambiental, como o WWF, o Greenpeace e o SOS Mata Atlântica, aplaudiram tais iniciativas. Ambientalismo não é assunto de conveniência na agenda tucana; é tema permanente. Voltemos aos fatos.
A gestão de José Serra no governo do estado de São Paulo também foi pródiga em medidas radicais de proteção ao meio ambiente. A mais significativa delas talvez seja a adoção da lei de mudanças climáticas, a primeira em todo o hemisfério sul - e que só não foi pioneira no mundo porque, meses antes, a Califórnia promulgara a sua.
E o que ela determina? Determina que, em 2020, o nível de emissão de gases que geram o efeito-estufa, ou seja, que causam o aquecimento global, terá de ser 20% menor que hoje. É uma redução absoluta: daqui a dez anos, o estado de São Paulo vai estar produzindo 24 milhões de toneladas a menos de CO2 por ano do que produzia em 2005, ano de referência para as metas traçadas.
Não é exagero dizer que a atitude do governo de São Paulo influenciou diretamente a decisão do governo brasileiro, e por tabela de outras nações, de assumir metas de redução de emissões - menos ambiciosas, é verdade - na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas ocorrida em Copenhague em dezembro passado. Que bom que tenha sido assim!
Mas as ações tomadas no governo Serra em São Paulo não miram apenas o futuro; agem também sobre o presente. É o caso da lei de proteção do cerrado, que estabelece critérios mais rígidos do que prevê o Código Florestal Brasileiro para utilização e preservação desse bioma, tão ou mais ameaçado que a Floresta Amazônica. Também proibiu-se a compra, no estado, de madeira vinda da floresta que não tenha sido extraída de forma legal.
Para completar, na gestão tucana, o estado de São Paulo, como responsável por 20% da produção mundial de etanol, adotou regras rigorosíssimas para reduzir os impactos ambientais da cultura. Assim, foi abreviado o prazo para que as colheitas, antes feitas à base de danosas queimadas, sejam integralmente realizadas por máquinas. Em dois anos, cerca de 2,6 milhões de hectares deixaram de ser queimados, significando 8 milhões de toneladas de CO2 lançadas a menos na atmosfera.
Mesmo as grandes obras de infraestrutura tocadas nos últimos anos no governo de José Serra tiveram na preservação do meio ambiente uma preocupação central. Tome-se o exemplo do trecho Sul do Rodoanel: nada menos que 12% do valor do investimento (R$ 5 bilhões) foi aplicado em medidas compensatórias, incluindo a criação de gigantescos parques e a preservação de reservas.
Há quem diga que a preservação do meio ambiente é "uma ameaça" ao desenvolvimento econômico. Não é o caso de Serra. Proteger nossas riquezas naturais não vai contra o crescimento. Pelo contrário. A adoção de energias limpas irá gerar enormes oportunidades de investimentos, geração de emprego e renda, melhor qualidade de vida.
Como se pode ver, o verde da plataforma de Marina Silva e do PV e o azul e amarelo dos tucanos são, ao fim e ao cabo, uma coisa só: a agenda do futuro, com as cores do nosso país.
A proximidade do PSDB com a agenda socioambiental vem de longe, mais precisamente de medidas tomadas na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi naquela época que se elevaram as reservas legais na Amazônia de 50% para 80%, numa batalha parlamentar em que os militantes verdes - a senadora, ainda petista, Marina Silva incluída - cerraram fileiras com o governo tucano.
Foi também então que foram criadas as reservas extrativistas e regulamentada a Agência Nacional de Água, órgão regulador destinado à proteção de um dos nossos mais caros recursos naturais que nos últimos anos o PT transformou, como todas as demais agências, em moeda de troca política.
São exemplos de bandeiras caras à causa ambiental que o PSDB, no governo, abraçou sem pestanejar, por absoluta convicção. Não foram raras as vezes em que organismos muitíssimo aguerridos na defesa ambiental, como o WWF, o Greenpeace e o SOS Mata Atlântica, aplaudiram tais iniciativas. Ambientalismo não é assunto de conveniência na agenda tucana; é tema permanente. Voltemos aos fatos.
A gestão de José Serra no governo do estado de São Paulo também foi pródiga em medidas radicais de proteção ao meio ambiente. A mais significativa delas talvez seja a adoção da lei de mudanças climáticas, a primeira em todo o hemisfério sul - e que só não foi pioneira no mundo porque, meses antes, a Califórnia promulgara a sua.
E o que ela determina? Determina que, em 2020, o nível de emissão de gases que geram o efeito-estufa, ou seja, que causam o aquecimento global, terá de ser 20% menor que hoje. É uma redução absoluta: daqui a dez anos, o estado de São Paulo vai estar produzindo 24 milhões de toneladas a menos de CO2 por ano do que produzia em 2005, ano de referência para as metas traçadas.
Não é exagero dizer que a atitude do governo de São Paulo influenciou diretamente a decisão do governo brasileiro, e por tabela de outras nações, de assumir metas de redução de emissões - menos ambiciosas, é verdade - na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas ocorrida em Copenhague em dezembro passado. Que bom que tenha sido assim!
Mas as ações tomadas no governo Serra em São Paulo não miram apenas o futuro; agem também sobre o presente. É o caso da lei de proteção do cerrado, que estabelece critérios mais rígidos do que prevê o Código Florestal Brasileiro para utilização e preservação desse bioma, tão ou mais ameaçado que a Floresta Amazônica. Também proibiu-se a compra, no estado, de madeira vinda da floresta que não tenha sido extraída de forma legal.
Para completar, na gestão tucana, o estado de São Paulo, como responsável por 20% da produção mundial de etanol, adotou regras rigorosíssimas para reduzir os impactos ambientais da cultura. Assim, foi abreviado o prazo para que as colheitas, antes feitas à base de danosas queimadas, sejam integralmente realizadas por máquinas. Em dois anos, cerca de 2,6 milhões de hectares deixaram de ser queimados, significando 8 milhões de toneladas de CO2 lançadas a menos na atmosfera.
Mesmo as grandes obras de infraestrutura tocadas nos últimos anos no governo de José Serra tiveram na preservação do meio ambiente uma preocupação central. Tome-se o exemplo do trecho Sul do Rodoanel: nada menos que 12% do valor do investimento (R$ 5 bilhões) foi aplicado em medidas compensatórias, incluindo a criação de gigantescos parques e a preservação de reservas.
Há quem diga que a preservação do meio ambiente é "uma ameaça" ao desenvolvimento econômico. Não é o caso de Serra. Proteger nossas riquezas naturais não vai contra o crescimento. Pelo contrário. A adoção de energias limpas irá gerar enormes oportunidades de investimentos, geração de emprego e renda, melhor qualidade de vida.
Como se pode ver, o verde da plataforma de Marina Silva e do PV e o azul e amarelo dos tucanos são, ao fim e ao cabo, uma coisa só: a agenda do futuro, com as cores do nosso país.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Está nascendo um novo Brasil
As urnas trouxeram neste domingo uma clara mensagem dos eleitores: a maioria dos brasileiros quer que o país siga um caminho diferente do atual. José Serra é o responsável, nos próximos 27 dias, por honrar o mandado emanado das urnas neste primeiro turno e consolidá-lo na votação definitiva, marcada para 31 de outubro. Com os sufrágios que receberam, ele e Marina Silva personificam um novo Brasil.
Concluída nesta manhã a apuração em todo o país, José Serra obteve 33.132.283 votos. Marina completou sua brilhante trajetória com 19.636.359 votos. Feitas as contas, os dois foram depositários da confiança de 52.767.098 eleitores brasileiros. Isso representa 5.117.208 votos a mais do que os obtidos pela candidata do PT.
Juntos, Serra e Marina encarnarão este novo país. Um país que diz ‘não’ ao julgo e à tutela de quem se crê “dono” da vontade popular, “pai” dos brasileiros, a quem queria legar uma “mãe”. A esta retórica infantilizante, o eleitor disse ‘basta’. O Brasil mostrou-se muito maior e mais maduro do que o governo atual gostaria que fôssemos.
Registrado nas urnas, o recado dos brasileiros foi claro: não compactuam com seguidos escândalos de corrupção, invasões de privacidade, alianças com os mais nefastos caciques da política brasileira, apadrinhamentos políticos se sobrepondo à competência pessoal. Não aceita fantoches.
A vitória de Serra e o triunfo de Marina são feitos de quem lutou de maneira tenaz contra a máquina pública, as velhas oligarquias, os compadrios, a ocupação do espaço público por interesses privados e uma enorme quantidade de recursos torrados em favor da preferida de Lula – o governo federal gasta hoje R$ 1 milhão por dia para se autopromover.
“Não denunciamos a corrupção, o clientelismo e a ineficiência por ‘moralismo’, mas, sim, para mostrar, em nome da justiça social, o quanto os andares de baixo perdem com a ineficiência, a corrupção e o clientelismo. Haverá mais, e não menos, inclusão social e desenvolvimento, quanto mais eficiência houver no governo e decência na vida pública”, resumiu o presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado na edição de O Estado de S. Paulo deste domingo.
Em nome da decência, José Serra está no segundo turno. Mas não é só isso. Ele terminou a primeira rodada à frente de Dilma Rousseff em alguns dos mais importantes estados do país, como São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Também conseguiu a dianteira, de maneira incontestável, no Acre, em Roraima e em Rondônia.
Se Serra obteve desempenho muito mais promissor do que os prognósticos governistas lhe reservavam, o PSDB e as forças de oposição saíram das urnas também com força expressiva. Dentre os estados cuja eleição se definiu neste primeiro turno, governarão sete: Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Em 31 de outubro, o PSDB ainda tem chance de vencer em mais cinco estados: Alagoas, Goiás, Pará, Piauí e Roraima. Isso significa que, com os resultados deste domingo, 44,7% do eleitorado já está sob governos de tucanos e/ou seus aliados, percentual que pode chegar a 54,5% no fim deste mês. Quem disse que a oposição havia morrido?
A hora, portanto, é de união. Há uma chance histórica de o Brasil manter sua trajetória de normalidade democrática (inaugurada por Tancredo Neves), estabilidade econômica (iniciada com o presidente Itamar Franco), avanços sociais (aprofundados por Fernando Henrique) e, além disso, jogar fora as mazelas que prosperaram no governo do PT.
Com sua devoção à democracia, o respeito à vida, a defesa do patrimônio nacional e das instituições públicas, José Serra é o nome para conduzir o Brasil neste caminho e personificar o desejo de um país mais decente, que tanto os eleitores dele quanto os de Marina demonstraram querer. Um Brasil do desenvolvimento amplo e sustentável.
Concluída nesta manhã a apuração em todo o país, José Serra obteve 33.132.283 votos. Marina completou sua brilhante trajetória com 19.636.359 votos. Feitas as contas, os dois foram depositários da confiança de 52.767.098 eleitores brasileiros. Isso representa 5.117.208 votos a mais do que os obtidos pela candidata do PT.
Juntos, Serra e Marina encarnarão este novo país. Um país que diz ‘não’ ao julgo e à tutela de quem se crê “dono” da vontade popular, “pai” dos brasileiros, a quem queria legar uma “mãe”. A esta retórica infantilizante, o eleitor disse ‘basta’. O Brasil mostrou-se muito maior e mais maduro do que o governo atual gostaria que fôssemos.
Registrado nas urnas, o recado dos brasileiros foi claro: não compactuam com seguidos escândalos de corrupção, invasões de privacidade, alianças com os mais nefastos caciques da política brasileira, apadrinhamentos políticos se sobrepondo à competência pessoal. Não aceita fantoches.
A vitória de Serra e o triunfo de Marina são feitos de quem lutou de maneira tenaz contra a máquina pública, as velhas oligarquias, os compadrios, a ocupação do espaço público por interesses privados e uma enorme quantidade de recursos torrados em favor da preferida de Lula – o governo federal gasta hoje R$ 1 milhão por dia para se autopromover.
“Não denunciamos a corrupção, o clientelismo e a ineficiência por ‘moralismo’, mas, sim, para mostrar, em nome da justiça social, o quanto os andares de baixo perdem com a ineficiência, a corrupção e o clientelismo. Haverá mais, e não menos, inclusão social e desenvolvimento, quanto mais eficiência houver no governo e decência na vida pública”, resumiu o presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado na edição de O Estado de S. Paulo deste domingo.
Em nome da decência, José Serra está no segundo turno. Mas não é só isso. Ele terminou a primeira rodada à frente de Dilma Rousseff em alguns dos mais importantes estados do país, como São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Também conseguiu a dianteira, de maneira incontestável, no Acre, em Roraima e em Rondônia.
Se Serra obteve desempenho muito mais promissor do que os prognósticos governistas lhe reservavam, o PSDB e as forças de oposição saíram das urnas também com força expressiva. Dentre os estados cuja eleição se definiu neste primeiro turno, governarão sete: Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Em 31 de outubro, o PSDB ainda tem chance de vencer em mais cinco estados: Alagoas, Goiás, Pará, Piauí e Roraima. Isso significa que, com os resultados deste domingo, 44,7% do eleitorado já está sob governos de tucanos e/ou seus aliados, percentual que pode chegar a 54,5% no fim deste mês. Quem disse que a oposição havia morrido?
A hora, portanto, é de união. Há uma chance histórica de o Brasil manter sua trajetória de normalidade democrática (inaugurada por Tancredo Neves), estabilidade econômica (iniciada com o presidente Itamar Franco), avanços sociais (aprofundados por Fernando Henrique) e, além disso, jogar fora as mazelas que prosperaram no governo do PT.
Com sua devoção à democracia, o respeito à vida, a defesa do patrimônio nacional e das instituições públicas, José Serra é o nome para conduzir o Brasil neste caminho e personificar o desejo de um país mais decente, que tanto os eleitores dele quanto os de Marina demonstraram querer. Um Brasil do desenvolvimento amplo e sustentável.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Não ao cheque em branco, e sem fundos
As informações mais recentes – e não apenas os resultados das pesquisas de intenção de votos – trazem uma clara mensagem do eleitor: ele quer aprofundar a discussão sobre o futuro do país. Para os que já perfazem a maioria da população, a eleição presidencial não deve se encerrar no próximo domingo. Vamos a um desejável e necessário segundo turno para escolher o melhor para o Brasil.
Pesquisa do Datafolha mostra que em duas semanas a distância entre as intenções de voto em Dilma Rousseff e os demais candidatos diminuiu de 14 para dois pontos – ou seja, está agora dentro da margem de erro. A petista caiu em todas as regiões do país e notadamente entre as mulheres; entre os que têm curso superior, entre os quais José Serra lidera, ela já é hoje apenas a terceira colocada.
É a voz rouca das ruas se fazendo ouvir, a contragosto do PT. A partir de meados de agosto, a campanha petista tentara mergulhar o país num torpor paralisante, segundo o qual o destino da nação estava selado. Não contava que a realidade se interpusesse e, mais uma vez, o PT e seus candidatos tropeçassem em falhas morais. A face do petismo revelou-se e o eleitor abespinhou-se.
A descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil, chefiada até outro dia por Dilma, e a devassa fiscal feita por meio da Receita Federal na vida de adversários políticos levaram os cidadãos a dizer ‘não’ a esta escalada de desmandos. A candidata petista sofre neste instante uma sangria de votos – seis milhões de eleitores teriam desistido de votar nela nos últimos 15 dias, segundo o levantamento do Datafolha.
E quem são, majoritariamente, os que estão desembarcando da candidatura Dilma? Segundo as mesmas pesquisas, são, em grande medida, os que foram os maiores beneficiados pelas políticas de inclusão empreendidas ao longo dos últimos anos. Entre os estratos de renda de dois a cinco salários mínimos, Dilma teve a maior erosão nas intenções de voto. O recado desse grupo é evidente: não basta ter mais dinheiro no bolso, é preciso um país decente.
São justamente as camadas onde se forma a opinião pública que estão se voltando contra Dilma e os descalabros que ela encarna. Aos poucos, a mesma percepção vai se espraiando pelo resto da sociedade, numa resposta à arrogância do presidente Lula, que, na semana passada, arvorou-se “dono” do que pensam os brasileiros. A população dá cada vez mais mostras de que não aceita pratos feitos, tampouco a tutela de quem quer que seja.
É este estado de coerção que afugentou os eleitores. O Brasil com o qual se sonha é um país de liberdades e oportunidades, de esforços reconhecidos, de méritos recompensados. É o oposto do sistema de compadrio, de achaques, de mistificações e obscurantismos que a candidatura Dilma encarna. Um modelo em que um Estado agigantado solapa as alternativas dos que não são amigos do poder, como relata Miriam Leitão na edição de hoje de O Globo: “A mistura é explosiva: de um lado, um Estado com poder de vida ou morte sobre as empresas; do outro, emissários do partido do governo com ameaças embutidas na formulação de pedidos”.
Dilma Rousseff tentou a todo custo evitar o confronto direto de ideias, muito provavelmente porque careça delas. (Os cercadinhos que a separam do povo e da imprensa são a face simbólica desta postura.) Agora, assustada com a possibilidade de ter de defrontar-se sem subterfúgios com um adversário único e direto, apela mais uma vez ao patrono de sua candidatura para tentar se livrar do segundo turno. Não conseguirá.
A candidata do PT ainda não entendeu o recado do eleitor: ele quer vê-la exposta ao contraditório, sujeita a contestações, instada a explicar-se. Quer ver fluir um debate franco e aberto de ideias e propostas para fazer um país melhor, menos desigual, repleto de justas oportunidades. A sociedade brasileira deu-se conta de que estava prestes a assinar um cheque em branco, e recusou-se. Até porque ele podia estar sem fundos.
Pesquisa do Datafolha mostra que em duas semanas a distância entre as intenções de voto em Dilma Rousseff e os demais candidatos diminuiu de 14 para dois pontos – ou seja, está agora dentro da margem de erro. A petista caiu em todas as regiões do país e notadamente entre as mulheres; entre os que têm curso superior, entre os quais José Serra lidera, ela já é hoje apenas a terceira colocada.
É a voz rouca das ruas se fazendo ouvir, a contragosto do PT. A partir de meados de agosto, a campanha petista tentara mergulhar o país num torpor paralisante, segundo o qual o destino da nação estava selado. Não contava que a realidade se interpusesse e, mais uma vez, o PT e seus candidatos tropeçassem em falhas morais. A face do petismo revelou-se e o eleitor abespinhou-se.
A descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil, chefiada até outro dia por Dilma, e a devassa fiscal feita por meio da Receita Federal na vida de adversários políticos levaram os cidadãos a dizer ‘não’ a esta escalada de desmandos. A candidata petista sofre neste instante uma sangria de votos – seis milhões de eleitores teriam desistido de votar nela nos últimos 15 dias, segundo o levantamento do Datafolha.
E quem são, majoritariamente, os que estão desembarcando da candidatura Dilma? Segundo as mesmas pesquisas, são, em grande medida, os que foram os maiores beneficiados pelas políticas de inclusão empreendidas ao longo dos últimos anos. Entre os estratos de renda de dois a cinco salários mínimos, Dilma teve a maior erosão nas intenções de voto. O recado desse grupo é evidente: não basta ter mais dinheiro no bolso, é preciso um país decente.
São justamente as camadas onde se forma a opinião pública que estão se voltando contra Dilma e os descalabros que ela encarna. Aos poucos, a mesma percepção vai se espraiando pelo resto da sociedade, numa resposta à arrogância do presidente Lula, que, na semana passada, arvorou-se “dono” do que pensam os brasileiros. A população dá cada vez mais mostras de que não aceita pratos feitos, tampouco a tutela de quem quer que seja.
É este estado de coerção que afugentou os eleitores. O Brasil com o qual se sonha é um país de liberdades e oportunidades, de esforços reconhecidos, de méritos recompensados. É o oposto do sistema de compadrio, de achaques, de mistificações e obscurantismos que a candidatura Dilma encarna. Um modelo em que um Estado agigantado solapa as alternativas dos que não são amigos do poder, como relata Miriam Leitão na edição de hoje de O Globo: “A mistura é explosiva: de um lado, um Estado com poder de vida ou morte sobre as empresas; do outro, emissários do partido do governo com ameaças embutidas na formulação de pedidos”.
Dilma Rousseff tentou a todo custo evitar o confronto direto de ideias, muito provavelmente porque careça delas. (Os cercadinhos que a separam do povo e da imprensa são a face simbólica desta postura.) Agora, assustada com a possibilidade de ter de defrontar-se sem subterfúgios com um adversário único e direto, apela mais uma vez ao patrono de sua candidatura para tentar se livrar do segundo turno. Não conseguirá.
A candidata do PT ainda não entendeu o recado do eleitor: ele quer vê-la exposta ao contraditório, sujeita a contestações, instada a explicar-se. Quer ver fluir um debate franco e aberto de ideias e propostas para fazer um país melhor, menos desigual, repleto de justas oportunidades. A sociedade brasileira deu-se conta de que estava prestes a assinar um cheque em branco, e recusou-se. Até porque ele podia estar sem fundos.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Uma escolha de bem
Faltando seis dias para as eleições presidenciais, o Brasil encontra-se em uma encruzilhada. Entre os caminhos divergentes, há pelo menos uma concordância: as preocupações com os avanços sociais e econômicos da população.
Mas, se há convergência nisso, um dos lados em disputa exercita diuturnamente seu desprezo debochado por valores cruciais como respeito às leis, à liberdade de imprensa, aos direitos constitucionais, à ética, à honestidade pessoal e à distinção entre Estado e partido. É a turma de Dilma Rousseff e José Dirceu.
Em contrapartida, entre os partidários de José Serra o governo não é usado como propriedade pessoal ou, pior ainda, para beneplácito de um grupo de amigos; os adversários políticos não são tratados como inimigos do país; não se vê condenações à imprensa como instituição; o respeito às leis e às instituições é cláusula pétrea.
Se Serra é certeza de um Estado a serviço de todos os brasileiros, a quem serve o governo do PT, de Lula e de Dilma? Aos companheiros, com certeza, como ficou flagrante no balcão de negócios montado na Casa Civil por Erenice Guerra, braço direito da candidata petista.
A lista de malfeitos parece não ter fim. O país chegou a um ponto em que um participante de esquema sujo, ex-diretor de uma estatal, os Correios, confessa publicamente que o gabinete chefiado pela candidata oficial à sucessão era palco de uma “roubalheira”, conforme mostra a edição da revista Veja desta semana.
O ilícito corria solto entre a equipe de Dilma e seus apaniguados. Sete pessoas já foram demitidas. Mas o governo age no sentido convencer a população de que nada demais ocorre. Houve uma banalização da degradação, contra a qual se batem a oposição e, principalmente, os meios de comunicação.
Contra este estado de coisas, jornais como O Estado de S. Paulo – e seus 135 anos de tradição, respeitabilidade e, inclusive, franca e corajosa resistência à ditadura militar – apontam Serra como a melhor alternativa para melhorar a vida da população brasileira.
Em editorial publicado no sábado, o Estadão defendeu que a opção é entre “quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção” ou quem “pode representar a recondução do país ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos”. Não se trata, então, de uma escolha de Sofia.
Sob o comando de Lula, a tentativa de fazer um país socialmente mais justo, infelizmente, ocorreu, como lembra o jornal, “paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil”.
O que houve, na verdade, foi uma política na qual os avanços sociais não eram o objetivo final, mas um meio para a permanência de um grupo político no poder. E esse pessoal trouxe para dentro do Palácio do Planalto alianças espúrias, tráfico de influência, fisiologismo e enriquecimento suspeito dos amigos. Promoveu uma verdadeira ressurreição de párias da política.
Também em editorial, estampado na primeira página de sua edição dominical, a Folha de S. Paulo alertou para o risco de um eventual governo Dilma impor controles sobre a atuação da imprensa, responsável pela revelação de seguidas maracutaias do governo petista.
O jornal também relembrou que Lula não conseguiria nem um pedacinho dos atuais índices de popularidade caso não contasse com um ambiente internacional favorável ou não tivesse mantido a política econômica de Fernando Henrique.
É por posicionamentos lúcidos como estes que a imprensa é vista pelos petistas como seu mais temido inimigo. Não deixa de ser uma manifestação do horror que os partidários de Lula nutrem pela transparência, pela lisura, pela prestação de contas e pelo respeito aos cidadãos no trato da coisa pública. A atuação isenta e vigilante dos meios de comunicação é a maior garantia que dispomos hoje de que os malfeitos não prosperarão. É uma escolha de bem, assim como a de José Serra.
Mas, se há convergência nisso, um dos lados em disputa exercita diuturnamente seu desprezo debochado por valores cruciais como respeito às leis, à liberdade de imprensa, aos direitos constitucionais, à ética, à honestidade pessoal e à distinção entre Estado e partido. É a turma de Dilma Rousseff e José Dirceu.
Em contrapartida, entre os partidários de José Serra o governo não é usado como propriedade pessoal ou, pior ainda, para beneplácito de um grupo de amigos; os adversários políticos não são tratados como inimigos do país; não se vê condenações à imprensa como instituição; o respeito às leis e às instituições é cláusula pétrea.
Se Serra é certeza de um Estado a serviço de todos os brasileiros, a quem serve o governo do PT, de Lula e de Dilma? Aos companheiros, com certeza, como ficou flagrante no balcão de negócios montado na Casa Civil por Erenice Guerra, braço direito da candidata petista.
A lista de malfeitos parece não ter fim. O país chegou a um ponto em que um participante de esquema sujo, ex-diretor de uma estatal, os Correios, confessa publicamente que o gabinete chefiado pela candidata oficial à sucessão era palco de uma “roubalheira”, conforme mostra a edição da revista Veja desta semana.
O ilícito corria solto entre a equipe de Dilma e seus apaniguados. Sete pessoas já foram demitidas. Mas o governo age no sentido convencer a população de que nada demais ocorre. Houve uma banalização da degradação, contra a qual se batem a oposição e, principalmente, os meios de comunicação.
Contra este estado de coisas, jornais como O Estado de S. Paulo – e seus 135 anos de tradição, respeitabilidade e, inclusive, franca e corajosa resistência à ditadura militar – apontam Serra como a melhor alternativa para melhorar a vida da população brasileira.
Em editorial publicado no sábado, o Estadão defendeu que a opção é entre “quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção” ou quem “pode representar a recondução do país ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos”. Não se trata, então, de uma escolha de Sofia.
Sob o comando de Lula, a tentativa de fazer um país socialmente mais justo, infelizmente, ocorreu, como lembra o jornal, “paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil”.
O que houve, na verdade, foi uma política na qual os avanços sociais não eram o objetivo final, mas um meio para a permanência de um grupo político no poder. E esse pessoal trouxe para dentro do Palácio do Planalto alianças espúrias, tráfico de influência, fisiologismo e enriquecimento suspeito dos amigos. Promoveu uma verdadeira ressurreição de párias da política.
Também em editorial, estampado na primeira página de sua edição dominical, a Folha de S. Paulo alertou para o risco de um eventual governo Dilma impor controles sobre a atuação da imprensa, responsável pela revelação de seguidas maracutaias do governo petista.
O jornal também relembrou que Lula não conseguiria nem um pedacinho dos atuais índices de popularidade caso não contasse com um ambiente internacional favorável ou não tivesse mantido a política econômica de Fernando Henrique.
É por posicionamentos lúcidos como estes que a imprensa é vista pelos petistas como seu mais temido inimigo. Não deixa de ser uma manifestação do horror que os partidários de Lula nutrem pela transparência, pela lisura, pela prestação de contas e pelo respeito aos cidadãos no trato da coisa pública. A atuação isenta e vigilante dos meios de comunicação é a maior garantia que dispomos hoje de que os malfeitos não prosperarão. É uma escolha de bem, assim como a de José Serra.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Corolário da intolerância
Desde o escândalo do mensalão é assim: quando se vê acuado por denúncias e evidências de corrupção e malfeitos, o PT acena com a possibilidade de “mobilizar as massas” em defesa de seu governo “democrático e popular”.
Acontecerá de novo nesta quinta-feira, quando ONG, sindicatos, agremiações estudantis e entidades amaciadas pelo ervanário público protestarão contra o “golpismo midiático”. Mas o que se pretende é muito mais: caçar o direito de divergir do governo petista, algo que esse pessoal simplesmente não suporta.
O evento desta quinta-feira não é ato isolado. Há algumas semanas, desde que foram sendo reveladas as violações na Receita Federal e as falcatruas na Casa Civil, o próprio presidente da República partiu para o ataque contra a imprensa. Comício após comício, ato público após ato público, Lula vem insuflando seu público, afrontando a liberdade de informar dos meios de comunicação. A turma do protesto simplesmente seguiu a senha dada pelo líder. Encena agora o corolário da intolerância.
Os tais “representantes” de entidades civis cumprem o papel que o petismo lhes reservou na Era Lula: servir de vassalos de um governo que muitas vezes lhes paga o salário e noutras tantas lhes garante gordas verbas públicas em forma de polpudos convênios. O PT transformou centrais sindicais, MST, UNE e confrarias do gênero em correia de transmissão dos interesses oficiais: funcionam como cães de guarda que o petismo põe em campo toda vez que alguma de suas maracutaias é descoberta.
O protesto desta semana também tem lá seu caráter preventivo. É como se o petismo quisesse dizer: “Não nos venham querer derrotar nas urnas, porque, se assim for, não deixaremos pedra sobre pedra neste país.” Não foi uma nem duas vezes que já se ouviu de próceres do lulismo que os tais “movimentos sociais” não dariam sossego a um eventual governo de alguém da oposição – tendo, claro, Lula como maestro. É desta maneira que esta gente respeita a democracia e a vontade popular...
Nem sempre Lula e o PT viram a imprensa como sua inimiga nº 1. Na realidade, ela lhes foi, no mais das vezes e por anos a fio, companheira. Muito do mito erigido em torno do líder popular deve-se aos meios de comunicação. Muito do denuncismo que sustentou a atividade parlamentar dos petistas por décadas só prosperou em razão do espaço que os jornais lhes franquearam. Mas, para o petismo, isso ainda é pouco: só serve a unanimidade.
O ataque do PT em busca da concordância absoluta se dá em duas frentes. Por um lado, ataca-se a liberdade de a imprensa independente atuar, o direito de algumas cabeças pensantes divergir. É a elite intelectual que precisa ser exterminada.
De outro, instrumentalizam-se vozes chapas-brancas para defender o governo a qualquer preço e a toda hora. O governo montou uma barricada guerrilheira na internet (basta observar quem patrocina os blogs alinhados ao governismo), espraiou a subserviência por jornais do interior do país cevados a gordas publicidades oficiais e engendrou uma potente máquina de propaganda por meio de empresas públicas travestidas de jornalísticas. Uma estratégia de guerra para aniquilar vozes dissonantes e amplificar a de áulicos.
Tudo considerado, estamos diante de um dos piores legados da era Lula: a intolerância com o contraditório. Divergir do discurso oficial tornou-se crime no Brasil, coisa de quem “torce contra”, a ser punido com as garras do aparato estatal (a Receita Federal está aí para isso...). Uma verdadeira herança maldita que só encontra competidora à altura na leniência com o malfeito – algo que este governo não só pratica como tenta inocular na sociedade. Marcas de uma era que o país ainda demorará um tempo para eliminar, mas que é preciso começar já a varrer.
Acontecerá de novo nesta quinta-feira, quando ONG, sindicatos, agremiações estudantis e entidades amaciadas pelo ervanário público protestarão contra o “golpismo midiático”. Mas o que se pretende é muito mais: caçar o direito de divergir do governo petista, algo que esse pessoal simplesmente não suporta.
O evento desta quinta-feira não é ato isolado. Há algumas semanas, desde que foram sendo reveladas as violações na Receita Federal e as falcatruas na Casa Civil, o próprio presidente da República partiu para o ataque contra a imprensa. Comício após comício, ato público após ato público, Lula vem insuflando seu público, afrontando a liberdade de informar dos meios de comunicação. A turma do protesto simplesmente seguiu a senha dada pelo líder. Encena agora o corolário da intolerância.
Os tais “representantes” de entidades civis cumprem o papel que o petismo lhes reservou na Era Lula: servir de vassalos de um governo que muitas vezes lhes paga o salário e noutras tantas lhes garante gordas verbas públicas em forma de polpudos convênios. O PT transformou centrais sindicais, MST, UNE e confrarias do gênero em correia de transmissão dos interesses oficiais: funcionam como cães de guarda que o petismo põe em campo toda vez que alguma de suas maracutaias é descoberta.
O protesto desta semana também tem lá seu caráter preventivo. É como se o petismo quisesse dizer: “Não nos venham querer derrotar nas urnas, porque, se assim for, não deixaremos pedra sobre pedra neste país.” Não foi uma nem duas vezes que já se ouviu de próceres do lulismo que os tais “movimentos sociais” não dariam sossego a um eventual governo de alguém da oposição – tendo, claro, Lula como maestro. É desta maneira que esta gente respeita a democracia e a vontade popular...
Nem sempre Lula e o PT viram a imprensa como sua inimiga nº 1. Na realidade, ela lhes foi, no mais das vezes e por anos a fio, companheira. Muito do mito erigido em torno do líder popular deve-se aos meios de comunicação. Muito do denuncismo que sustentou a atividade parlamentar dos petistas por décadas só prosperou em razão do espaço que os jornais lhes franquearam. Mas, para o petismo, isso ainda é pouco: só serve a unanimidade.
O ataque do PT em busca da concordância absoluta se dá em duas frentes. Por um lado, ataca-se a liberdade de a imprensa independente atuar, o direito de algumas cabeças pensantes divergir. É a elite intelectual que precisa ser exterminada.
De outro, instrumentalizam-se vozes chapas-brancas para defender o governo a qualquer preço e a toda hora. O governo montou uma barricada guerrilheira na internet (basta observar quem patrocina os blogs alinhados ao governismo), espraiou a subserviência por jornais do interior do país cevados a gordas publicidades oficiais e engendrou uma potente máquina de propaganda por meio de empresas públicas travestidas de jornalísticas. Uma estratégia de guerra para aniquilar vozes dissonantes e amplificar a de áulicos.
Tudo considerado, estamos diante de um dos piores legados da era Lula: a intolerância com o contraditório. Divergir do discurso oficial tornou-se crime no Brasil, coisa de quem “torce contra”, a ser punido com as garras do aparato estatal (a Receita Federal está aí para isso...). Uma verdadeira herança maldita que só encontra competidora à altura na leniência com o malfeito – algo que este governo não só pratica como tenta inocular na sociedade. Marcas de uma era que o país ainda demorará um tempo para eliminar, mas que é preciso começar já a varrer.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Um envelope fechado, recheado de dinheiro sujo
Parece não ter fim a torrente de escândalos que inunda o governo Lula e, mais especificamente, a pasta que até outro dia foi chefiada por Dilma Rousseff. A turma da ex-ministra e agora pretendente a presidente da República está enredada nas mais tenebrosas transações. Caraca!
Nas explicações do PT e do governo, a candidata não sabia de nada que acontecia em torno de sua antiga sala no Palácio do Planalto. Lula, muito menos. E eram coisas pesadíssimas, como tráfico de influência, cobrança de propina, nepotismo descarado e até mesmo a farta distribuição de pacotes de dinheiro vivo como pagamento de corrupção.
Ao mesmo tempo, a campanha eleitoral atribui à petista qualidades de grande executiva. Dá para acreditar? Das duas uma: ou Dilma é uma péssima administradora, incapaz de perceber o que se passa sob seu nariz, ou então tem tudo a ver com este mar de lama que assola o Planalto. Com qual versão ficar?
A mais nova reportagem da revista Veja joga mais luz nos subterrâneos petistas. Deixa claro que no governo Lula o país deixou de ter uma Casa Civil, substituída por uma verdadeira casa da mãe Joana – ou será da “tia” Dilma, como a chamavam os alopradinhos de Erenice Guerra?
A publicação mostra que, em julho do ano passado, o advogado Vinícius de Oliveira, recém-ingresso no ministério comandado pela dupla Dilma/Erenice, deparou-se com um envelope recheado com R$ 200 mil na gaveta de sua mesa. Tratava-se de uma espécie de corrupção preventiva: todos ali haviam recebido o seu, como parte de uma operação envolvendo a compra emergencial do Tamiflu, medicamento para combate à gripe suína, pelo governo brasileiro. Até da desgraça alheia esta gente tenta se aproveitar.
Entre os sócios desta quadrilha em ação dentro do Palácio do Planalto (será uma ramificação daquela do mensalão?) está uma lista de nomes que não para de crescer, formada por amigos e parentes de Erenice. Lá estão filhos, marido, irmãos, ex-cunhada e uma parentalha sem fim. Sempre envolvida em negócios cotados em bilhões de reais, Erenice é, desde já, responsável por dar uma nova acepção à Bolsa Família.
Nunca é demais lembrar que Erenice Guerra e Dilma Rousseff são unha-e-carne. Estiveram lado a lado desde os primeiros momentos do governo Lula, ainda antes da posse. São quase oito anos juntinhas. A pergunta que não quer calar é: onde estava Dilma enquanto esta rede de falcatruas se expandia? Na melhor das hipóteses, estaria inaugurando pedras fundamentais e obras inacabadas do PAC ou em algum palanque pelo Brasil afora. Seria, assim, uma administradora tremendamente incapaz.
A outra alternativa – que, convenhamos, é bem mais provável – é ainda pior: Dilma conhecia tudo o que se passava sob seu nariz. Já se sabe que muitas das reuniões ocorreram no quarto andar do Palácio do Planalto. Em sua edição de ontem, a Folha de S. Paulo mostrou que o nome de “tia” Dilma era utilizado pelos meninos de Erenice para avalizar as transações.
A candidata petista recusa-se a esclarecer as dubiedades que cercam o caso. Chama a descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil de “factóide”. Mostra-se, cada vez mais, um envelope fechado, que provavelmente esconde dentro uma má surpresa para o destinatário, o povo brasileiro.
Ninguém sabe ao certo o que Dilma pretende para o país, já que se recusa a pôr no papel e divulgar seu programa de governo – algo que “nunca” acontecerá, segundo o responsável por coordenar a sua elaboração, o czar obscurantista Marco Aurélio Garcia. É o velho horror petista à luz.
A forma mais efetiva de avaliar o que Dilma nos reserva é mirar suas atitudes pregressas e as escolhas que fez. Suas nomeações são um primor: Erenice, Silas Rondeau (defenestrado do Ministério de Minas e Energia sob suspeita de irregularidades), Milton Zuanazzi (responsável por lançar a Anac no voo cego que resultou na morte de centenas de passageiros nos dois maiores acidentes aéreos da história brasileira), Fernando Pimentel (o ex-prefeito de Belo Horizonte especializado em dossiês criminosos). E por aí afora.
Sobre o que esperar de um governo Dilma (toc, toc, toc, bate na madeira) há outras indicações, tão ou mais explícitas. Vocalizadas pelo “companheiro de armas” José Dirceu, elas dão conta de que, com Dilma, o PT vai finalmente implantar seu real projeto de poder, em que, entre outras coisinhas, provavelmente a imprensa não disporá de tanta liberdade quanto hoje. Palavras do “chefe da quadrilha” do mensalão petista.
Mesmo com todo o esforço do PT para esconder quem realmente é sua candidata, pouco a pouco os eleitores brasileiros tomam conhecimento de uma realidade nada agradável. Dilma revela-se péssima administradora, sem um programa de governo explicitado, aliada dos mais atrasados e danosos políticos do país, conivente por anos com um enorme esquema de corrupção montado dentro de seu gabinete. Isso não é café pequeno.
Nas explicações do PT e do governo, a candidata não sabia de nada que acontecia em torno de sua antiga sala no Palácio do Planalto. Lula, muito menos. E eram coisas pesadíssimas, como tráfico de influência, cobrança de propina, nepotismo descarado e até mesmo a farta distribuição de pacotes de dinheiro vivo como pagamento de corrupção.
Ao mesmo tempo, a campanha eleitoral atribui à petista qualidades de grande executiva. Dá para acreditar? Das duas uma: ou Dilma é uma péssima administradora, incapaz de perceber o que se passa sob seu nariz, ou então tem tudo a ver com este mar de lama que assola o Planalto. Com qual versão ficar?
A mais nova reportagem da revista Veja joga mais luz nos subterrâneos petistas. Deixa claro que no governo Lula o país deixou de ter uma Casa Civil, substituída por uma verdadeira casa da mãe Joana – ou será da “tia” Dilma, como a chamavam os alopradinhos de Erenice Guerra?
A publicação mostra que, em julho do ano passado, o advogado Vinícius de Oliveira, recém-ingresso no ministério comandado pela dupla Dilma/Erenice, deparou-se com um envelope recheado com R$ 200 mil na gaveta de sua mesa. Tratava-se de uma espécie de corrupção preventiva: todos ali haviam recebido o seu, como parte de uma operação envolvendo a compra emergencial do Tamiflu, medicamento para combate à gripe suína, pelo governo brasileiro. Até da desgraça alheia esta gente tenta se aproveitar.
Entre os sócios desta quadrilha em ação dentro do Palácio do Planalto (será uma ramificação daquela do mensalão?) está uma lista de nomes que não para de crescer, formada por amigos e parentes de Erenice. Lá estão filhos, marido, irmãos, ex-cunhada e uma parentalha sem fim. Sempre envolvida em negócios cotados em bilhões de reais, Erenice é, desde já, responsável por dar uma nova acepção à Bolsa Família.
Nunca é demais lembrar que Erenice Guerra e Dilma Rousseff são unha-e-carne. Estiveram lado a lado desde os primeiros momentos do governo Lula, ainda antes da posse. São quase oito anos juntinhas. A pergunta que não quer calar é: onde estava Dilma enquanto esta rede de falcatruas se expandia? Na melhor das hipóteses, estaria inaugurando pedras fundamentais e obras inacabadas do PAC ou em algum palanque pelo Brasil afora. Seria, assim, uma administradora tremendamente incapaz.
A outra alternativa – que, convenhamos, é bem mais provável – é ainda pior: Dilma conhecia tudo o que se passava sob seu nariz. Já se sabe que muitas das reuniões ocorreram no quarto andar do Palácio do Planalto. Em sua edição de ontem, a Folha de S. Paulo mostrou que o nome de “tia” Dilma era utilizado pelos meninos de Erenice para avalizar as transações.
A candidata petista recusa-se a esclarecer as dubiedades que cercam o caso. Chama a descoberta do balcão de negócios montado na Casa Civil de “factóide”. Mostra-se, cada vez mais, um envelope fechado, que provavelmente esconde dentro uma má surpresa para o destinatário, o povo brasileiro.
Ninguém sabe ao certo o que Dilma pretende para o país, já que se recusa a pôr no papel e divulgar seu programa de governo – algo que “nunca” acontecerá, segundo o responsável por coordenar a sua elaboração, o czar obscurantista Marco Aurélio Garcia. É o velho horror petista à luz.
A forma mais efetiva de avaliar o que Dilma nos reserva é mirar suas atitudes pregressas e as escolhas que fez. Suas nomeações são um primor: Erenice, Silas Rondeau (defenestrado do Ministério de Minas e Energia sob suspeita de irregularidades), Milton Zuanazzi (responsável por lançar a Anac no voo cego que resultou na morte de centenas de passageiros nos dois maiores acidentes aéreos da história brasileira), Fernando Pimentel (o ex-prefeito de Belo Horizonte especializado em dossiês criminosos). E por aí afora.
Sobre o que esperar de um governo Dilma (toc, toc, toc, bate na madeira) há outras indicações, tão ou mais explícitas. Vocalizadas pelo “companheiro de armas” José Dirceu, elas dão conta de que, com Dilma, o PT vai finalmente implantar seu real projeto de poder, em que, entre outras coisinhas, provavelmente a imprensa não disporá de tanta liberdade quanto hoje. Palavras do “chefe da quadrilha” do mensalão petista.
Mesmo com todo o esforço do PT para esconder quem realmente é sua candidata, pouco a pouco os eleitores brasileiros tomam conhecimento de uma realidade nada agradável. Dilma revela-se péssima administradora, sem um programa de governo explicitado, aliada dos mais atrasados e danosos políticos do país, conivente por anos com um enorme esquema de corrupção montado dentro de seu gabinete. Isso não é café pequeno.
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Horror à luz
Acuado por mais uma avalanche de escândalos, o presidente da República pôs todos os seus muitos subordinados em campo nesta semana para defender uma ministra de Estado cujos familiares montaram um balcão de negócios dentro do seu governo. Vale tudo, incluindo o uso descarado da estrutura pública para fins partidários – agora até notas com timbre oficial ocupam-se de fazer política eleitoral para o PT.
Mas o artifício central do estratagema petista é posar de vítima de um “golpe da imprensa”. O lulismo tem horror ao escrutínio dos meios de comunicação e detesta a fiscalização de quaisquer das instituições do Estado democrático de Direito. Contraditório, só vale se for o deles. A dura realidade é mero detalhe ou simples versão distorcida dos fatos na farsa asfixiante que o PT tenta nos impor.
O governo de Lula age com a desenvoltura de quem se acha inimputável ao deslanchar seus malfeitos. Transformou o ministério mais poderoso da Esplanada numa central de falcatruas. Ali se urdiram a aliança com bicheiros pelas mãos de Waldomiro Diniz; o assalto aos Correios e a uma penca de estatais para financiar o mensalão; a feitura de dossiês espúrios para caluniar adversários políticos; o armazém de secos e molhados que trafica influências a troco de “taxas de sucesso”. Bem ali, um andar acima de onde despacha o presidente.
Tudo isso sabemos hoje por causa da atuação vigilante e independente dos órgãos de imprensa. Foram eles que puseram no ar a grotesca cena em que o então assessor direto de José Dirceu embolsava maços de dinheiro. Foram eles que escancararam e escarafuncharam quando Roberto Jefferson expôs os meandros do pagamento de mesadas a parlamentares. Foram eles que demonstraram que assessores diletos de Dilma Rousseff produziam quilos de planilhas com dados protegidos por lei e viviam em gostoso conluio com lobbies. Foi, por fim, a imprensa que revelou que a campanha petista à presidência da República manipulava sigilos fiscais em associação com criminosos.
Dependesse do PT, nada disso seria sabido. Para os partidários de Dilma, imprensa boa é imprensa calada ou subserviente. Resumindo numa frase saída da boca de um prócer do partido, para eles “o problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa”. Espantosa, a afirmação foi feita anteontem por um dos chefes da campanha dilmista: o onipresente José Dirceu. Será esta treva, a da mordaça, o que nos aguarda se a candidata de Lula triunfar nas urnas?
O PT convive mal com o contraditório, aceita com ressalvas os princípios democráticos, arrosta as liberdades. Só tolera opinião que é a favor – coisa que o petismo tem de sobra na rede espúria de vassalos que disseminou pela internet e em veículos de imprensa do interior do país cevados a gordas verbas de publicidade oficial. Esse é o mundo que o petismo tenta a todo o custo nos impor: críticos tratados como “inimigos da pátria”, áulicos mimados com benesses públicas.
“Aos críticos do ‘milagre lulista’ foi reservado o pior dos mundos. Criou o seu próprio ‘ame-o ou deixe-o’. Quem está com ele – e nessa categoria o arco é amplo, vai do MST ao grande empresariado – ‘ama’ o Brasil; quem está contra é inimigo e tem de ser destruído”, resume com precisão cirúrgica o historiador Marco Antonio Villa na edição de hoje da Folha de S.Paulo.
Não é de hoje que Lula mostra os caninos a quem se interpõe em seu caminho. A imprensa é o alvo mais reiterado, mas não é o único. Órgãos como o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o Ibama, responsáveis por zelar pela coisa pública, já foram mil vezes enxovalhados pelo presidente da República sempre que apontaram malfeitos do governo. Dividem com os meios de comunicação o papel de bode expiatório pelos fracassos petistas.
Tivesse o dom divino que acredita ter, Lula não teria dúvidas: teria extirpado todos da sua frente, como sonha fazer com adversários da oposição, um a um. Seu pavor à luminosidade do escrutínio só tem similar na escuridão produzida pelos regimes ditatoriais. Mas tudo tem um fim. E o da era de trevas do governo Lula está próximo.
Mas o artifício central do estratagema petista é posar de vítima de um “golpe da imprensa”. O lulismo tem horror ao escrutínio dos meios de comunicação e detesta a fiscalização de quaisquer das instituições do Estado democrático de Direito. Contraditório, só vale se for o deles. A dura realidade é mero detalhe ou simples versão distorcida dos fatos na farsa asfixiante que o PT tenta nos impor.
O governo de Lula age com a desenvoltura de quem se acha inimputável ao deslanchar seus malfeitos. Transformou o ministério mais poderoso da Esplanada numa central de falcatruas. Ali se urdiram a aliança com bicheiros pelas mãos de Waldomiro Diniz; o assalto aos Correios e a uma penca de estatais para financiar o mensalão; a feitura de dossiês espúrios para caluniar adversários políticos; o armazém de secos e molhados que trafica influências a troco de “taxas de sucesso”. Bem ali, um andar acima de onde despacha o presidente.
Tudo isso sabemos hoje por causa da atuação vigilante e independente dos órgãos de imprensa. Foram eles que puseram no ar a grotesca cena em que o então assessor direto de José Dirceu embolsava maços de dinheiro. Foram eles que escancararam e escarafuncharam quando Roberto Jefferson expôs os meandros do pagamento de mesadas a parlamentares. Foram eles que demonstraram que assessores diletos de Dilma Rousseff produziam quilos de planilhas com dados protegidos por lei e viviam em gostoso conluio com lobbies. Foi, por fim, a imprensa que revelou que a campanha petista à presidência da República manipulava sigilos fiscais em associação com criminosos.
Dependesse do PT, nada disso seria sabido. Para os partidários de Dilma, imprensa boa é imprensa calada ou subserviente. Resumindo numa frase saída da boca de um prócer do partido, para eles “o problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa”. Espantosa, a afirmação foi feita anteontem por um dos chefes da campanha dilmista: o onipresente José Dirceu. Será esta treva, a da mordaça, o que nos aguarda se a candidata de Lula triunfar nas urnas?
O PT convive mal com o contraditório, aceita com ressalvas os princípios democráticos, arrosta as liberdades. Só tolera opinião que é a favor – coisa que o petismo tem de sobra na rede espúria de vassalos que disseminou pela internet e em veículos de imprensa do interior do país cevados a gordas verbas de publicidade oficial. Esse é o mundo que o petismo tenta a todo o custo nos impor: críticos tratados como “inimigos da pátria”, áulicos mimados com benesses públicas.
“Aos críticos do ‘milagre lulista’ foi reservado o pior dos mundos. Criou o seu próprio ‘ame-o ou deixe-o’. Quem está com ele – e nessa categoria o arco é amplo, vai do MST ao grande empresariado – ‘ama’ o Brasil; quem está contra é inimigo e tem de ser destruído”, resume com precisão cirúrgica o historiador Marco Antonio Villa na edição de hoje da Folha de S.Paulo.
Não é de hoje que Lula mostra os caninos a quem se interpõe em seu caminho. A imprensa é o alvo mais reiterado, mas não é o único. Órgãos como o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o Ibama, responsáveis por zelar pela coisa pública, já foram mil vezes enxovalhados pelo presidente da República sempre que apontaram malfeitos do governo. Dividem com os meios de comunicação o papel de bode expiatório pelos fracassos petistas.
Tivesse o dom divino que acredita ter, Lula não teria dúvidas: teria extirpado todos da sua frente, como sonha fazer com adversários da oposição, um a um. Seu pavor à luminosidade do escrutínio só tem similar na escuridão produzida pelos regimes ditatoriais. Mas tudo tem um fim. E o da era de trevas do governo Lula está próximo.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Um imenso balcão de negócios
Há três semanas, uma das maiores ameaças de se ter Dilma Rousseff como presidente da República era não saber qual seria o papel de seus aliados barra pesada. O que farão no governo dela gente como Fernando Collor de Mello, José Dirceu, José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Newton Cardoso, entre uma penca de outros?
Como a experiência de Dilma na seara política é algo próximo de zero, a força desse pessoal será enorme. Junto deles, virão históricos de corrupção, nepotismo, truculência, fisiologismo e uso da máquina pública para fins pessoais e familiares. Vote numa Dilma e ganhe esta turma toda de bônus.
Há duas semanas, com o escândalo da Receita Federal, ficou claro que os brasileiros ainda correm outro risco com Dilma no Planalto. O PT ressuscitou a abjeta prática de utilizar o Estado para investigar e acuar todos os que ousam fazer oposição ao governo. Coisa de ditaduras que se julgava morta e sepultada no Brasil. Os casos das quebras criminosas de sigilo fiscal da filha e do genro de José Serra não são apenas um problema pessoal do candidato tucano: são uma ameaça aos direitos fundamentais de cada um dos brasileiros.
Mas, por incrível que pareça, tudo isso ainda pode ser pouco. Caso sejam comprovadas as denúncias relatadas na edição desta semana da revista Veja, a roubalheira está no DNA do grupo de Dilma Rousseff. Na reportagem, a atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, é apontada como intermediária dos negócios escusos do próprio filho, Israel, envolvendo órgãos do governo e iniciativa privada. Vale recordar que Erenice, confidente de Dilma, só deixou a total obscuridade ao prestar bons serviços à hoje candidata. Agora dá para ter uma ideia de quais serviços são esses.
Segundo Veja, Israel Guerra atrairia empresários de olho em verbas públicas. A Erenice caberia dar aval às operações de tomada de assalto aos cofres do governo e mexer as peças, quando necessário. Custo ao empreendedor: 6% do valor do contrato, a título de “taxa de sucesso”. O dinheiro, segundo consta, serviria para “saldar compromissos políticos”. Um típico exemplo de tráfico de influência.
A revista relata um caso concreto. Em 2009, o empresário Fabio Baracat pediu a Israel Guerra uma maneira de sua empresa de cargas aéreas, a MTA, ampliar a participação nas operações dos Correios – órgão que, é bom não esquecer, foi desmantelado na gestão Lula.
Os ouvidos do empresário foram brindados com uma resposta que lhe soou como música: “Minha mãe resolve”, disse-lhe Israel. Ato contínuo, seu negócio decolou. A transação foi celebrada com goles de vinho no apartamento funcional da própria Erenice Guerra, então secretária-executiva de Dilma.
Como coadjuvantes dessa história corrupto-familiar-policialesca, também atuaram o assessor jurídico da Casa Civil, outro filho e irmãos de Erenice, como revela O Estado de S.Paulo em sua edição de hoje. Já Israel e Vinícius, os protagonistas do escândalo relatado por Veja, foram lotados na Anac – a quem cabe licenciar a operação de empresas como a MTA –, como mostra O Globo em sua edição de hoje. Mais republicano impossível.
Os encontros entre lobistas, empresários e traficantes em geral ocorreram no escritório do coordenador jurídico da campanha de Dilma, Márcio Silva. Mais um elo entre a bandidagem e a postulante ao Planalto. Mas não para a candidata, cuja reação ao episódio foi a mesma de sempre: desqualificar a imprensa, atacar a oposição, posar de vítima e gritar muito. Discutir os acontecimentos que é bom, nem pensar: os fatos, ah, os fatos são mero detalhe...
O episódio é apenas mais um – ou pelo menos o mais explícito deles – a ilustrar o imenso balcão de negócios em que o PT transformou o Estado brasileiro. Vende-se de tudo um pouco nesse armazém espúrio: o patrimônio nacional, benesses estatais, facilidades jurídicas, penduricalhos legais, financiamentos a preços módicos.
Em troca, cobra-se do agraciado apoio irrestrito ao projeto petista de perpetuação de poder – na forma de apoio$ financeiro$ e $ilêncio conivente. Olhe para o lado e responda: há um único grande empresário que se oponha ao PT hoje? Por que será? Já passa da hora de pôr, democraticamente, esta turma para correr.
Como a experiência de Dilma na seara política é algo próximo de zero, a força desse pessoal será enorme. Junto deles, virão históricos de corrupção, nepotismo, truculência, fisiologismo e uso da máquina pública para fins pessoais e familiares. Vote numa Dilma e ganhe esta turma toda de bônus.
Há duas semanas, com o escândalo da Receita Federal, ficou claro que os brasileiros ainda correm outro risco com Dilma no Planalto. O PT ressuscitou a abjeta prática de utilizar o Estado para investigar e acuar todos os que ousam fazer oposição ao governo. Coisa de ditaduras que se julgava morta e sepultada no Brasil. Os casos das quebras criminosas de sigilo fiscal da filha e do genro de José Serra não são apenas um problema pessoal do candidato tucano: são uma ameaça aos direitos fundamentais de cada um dos brasileiros.
Mas, por incrível que pareça, tudo isso ainda pode ser pouco. Caso sejam comprovadas as denúncias relatadas na edição desta semana da revista Veja, a roubalheira está no DNA do grupo de Dilma Rousseff. Na reportagem, a atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, é apontada como intermediária dos negócios escusos do próprio filho, Israel, envolvendo órgãos do governo e iniciativa privada. Vale recordar que Erenice, confidente de Dilma, só deixou a total obscuridade ao prestar bons serviços à hoje candidata. Agora dá para ter uma ideia de quais serviços são esses.
Segundo Veja, Israel Guerra atrairia empresários de olho em verbas públicas. A Erenice caberia dar aval às operações de tomada de assalto aos cofres do governo e mexer as peças, quando necessário. Custo ao empreendedor: 6% do valor do contrato, a título de “taxa de sucesso”. O dinheiro, segundo consta, serviria para “saldar compromissos políticos”. Um típico exemplo de tráfico de influência.
A revista relata um caso concreto. Em 2009, o empresário Fabio Baracat pediu a Israel Guerra uma maneira de sua empresa de cargas aéreas, a MTA, ampliar a participação nas operações dos Correios – órgão que, é bom não esquecer, foi desmantelado na gestão Lula.
Os ouvidos do empresário foram brindados com uma resposta que lhe soou como música: “Minha mãe resolve”, disse-lhe Israel. Ato contínuo, seu negócio decolou. A transação foi celebrada com goles de vinho no apartamento funcional da própria Erenice Guerra, então secretária-executiva de Dilma.
Como coadjuvantes dessa história corrupto-familiar-policialesca, também atuaram o assessor jurídico da Casa Civil, outro filho e irmãos de Erenice, como revela O Estado de S.Paulo em sua edição de hoje. Já Israel e Vinícius, os protagonistas do escândalo relatado por Veja, foram lotados na Anac – a quem cabe licenciar a operação de empresas como a MTA –, como mostra O Globo em sua edição de hoje. Mais republicano impossível.
Os encontros entre lobistas, empresários e traficantes em geral ocorreram no escritório do coordenador jurídico da campanha de Dilma, Márcio Silva. Mais um elo entre a bandidagem e a postulante ao Planalto. Mas não para a candidata, cuja reação ao episódio foi a mesma de sempre: desqualificar a imprensa, atacar a oposição, posar de vítima e gritar muito. Discutir os acontecimentos que é bom, nem pensar: os fatos, ah, os fatos são mero detalhe...
O episódio é apenas mais um – ou pelo menos o mais explícito deles – a ilustrar o imenso balcão de negócios em que o PT transformou o Estado brasileiro. Vende-se de tudo um pouco nesse armazém espúrio: o patrimônio nacional, benesses estatais, facilidades jurídicas, penduricalhos legais, financiamentos a preços módicos.
Em troca, cobra-se do agraciado apoio irrestrito ao projeto petista de perpetuação de poder – na forma de apoio$ financeiro$ e $ilêncio conivente. Olhe para o lado e responda: há um único grande empresário que se oponha ao PT hoje? Por que será? Já passa da hora de pôr, democraticamente, esta turma para correr.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O ventríloquo e o mutismo da candidata
Ontem, dia da Independência do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou 2min15s de tempo de TV para se dirigir aos telespectadores. De terno, gravata e distintivo com a bandeira nacional na lapela, poderia facilmente levar ouvintes incautos a pensar que se tratava de um pronunciamento oficial, algo corriqueiro na mais importante data cívica do calendário brasileiro. Mas, não: Lula foi à TV fazer política eleitoral e defender a candidata do PT à presidência da República. Fez papel de ventríloquo.
Lula ocupou o horário eleitoral de Dilma Rousseff para falar do escândalo da quebra continuada de sigilos fiscais perpetrada por petistas lotados na Receita Federal. Mas não disse uma mísera palavra sobre o caso em si. Não lamentou o fato de alguns milhares de brasileiros estarem sendo vítimas de devassas ilegais, algo constatado pela própria Receita. Não teceu qualquer comentário sobre o fato de o órgão ter se transformado num “simples balcão de negócios”, onde vazamentos são rotina, conforme disse o ministro da Fazenda do governo dele.
Lula preocupou-se unicamente em falar pela sua candidata, livrá-la do contraditório, protegê-la de contestações. Para isso, usou no seu pronunciamento uma série de tapeações para levar seus ouvintes a crer que a oposição, ao bater-se contra as ilegalidades produzidas por petistas incrustados no aparato estatal, apela para “baixarias”, “mentiras”, “calúnias”. Coroou o logro dizendo que o que fazem os oposicionistas é “um crime contra a mulher brasileira”.
Aí é que reside o ponto: onde está a mulher que quer ser presidente da nação que até agora não disse uma palavra a respeito de um dos maiores escândalos recentes do país? Por que não vem a público para se pronunciar e condenar os aloprados – da Receita e de muitas outras repartições estatais – que agem contra os cidadãos e os transformam em vítimas da bisbilhotice mal intencionada? Por que se mantém muda?
Se Dilma não tem condições de manifestar-se numa situação destas, é de se pensar no que pode ocorrer se um dia vier a se sentar na cadeira presidencial e o Brasil se vir diante de uma crise sem precedentes, de um incidente diplomático, de uma emergência inapelável. Recorrerá ao seu mentor, ao eterno guia?
É difícil saber o que é mais deplorável em todo este episódio: se a pusilanimidade e flagrante inapetência da candidata do PT ou a postura nada republicana de Lula. Não é de hoje que Lula age desbragadamente como presidente de uma facção e não como presidente de todos os brasileiros. Há muito, afastou-se da figura de estadista que um dia pretendeu ser.
O pronunciamento levado ao ar ontem foi apenas o caso mais evidente e flagrante de uma extensa série. Desde que escolheu sua candidata, Lula passou a percorrer o país com Dilma a tiracolo, transformando jornadas de trabalho em caravanas de campanha. Foram anos, não só dias nem meses, assim. Pouco governo, muita politicagem. E o que a população ganhou com isso?
Não satisfeito, mais recentemente Lula montou acampamento em São Paulo para dia sim dia também aboletar-se sobre um palanque e lanhar a oposição. Joga-se sem pudor na peleja eleitoral e extrapola todos os limites aceitáveis. “Se conseguir eleger a sucessora, vai distorcer a realidade e atuar como se presidente fosse. Se não conseguir, não deixará o próximo governo governar”, resume Dora Kramer na edição de hoje de O Estado de S. Paulo.
Lula fala muito para deixar que sua pupila mantenha-se calada. É ilustrativo que a candidata do PT agora sequer entrevistas conceda. Atrás de púlpitos, protege-se de perguntas incômodas – a debates, como o de hoje na TV Gazeta, há muito deixou de ir. Para não falar, alega-se afônica em razão de compromissos eleitorais. Mas mais correto seria sublinhar seu mutismo, simbólico do que o país pode esperar caso ela saia-se vencedora da votação de outubro. Vamos às urnas daqui a 25 dias para eleger um presidente, não marionetes.
Lula ocupou o horário eleitoral de Dilma Rousseff para falar do escândalo da quebra continuada de sigilos fiscais perpetrada por petistas lotados na Receita Federal. Mas não disse uma mísera palavra sobre o caso em si. Não lamentou o fato de alguns milhares de brasileiros estarem sendo vítimas de devassas ilegais, algo constatado pela própria Receita. Não teceu qualquer comentário sobre o fato de o órgão ter se transformado num “simples balcão de negócios”, onde vazamentos são rotina, conforme disse o ministro da Fazenda do governo dele.
Lula preocupou-se unicamente em falar pela sua candidata, livrá-la do contraditório, protegê-la de contestações. Para isso, usou no seu pronunciamento uma série de tapeações para levar seus ouvintes a crer que a oposição, ao bater-se contra as ilegalidades produzidas por petistas incrustados no aparato estatal, apela para “baixarias”, “mentiras”, “calúnias”. Coroou o logro dizendo que o que fazem os oposicionistas é “um crime contra a mulher brasileira”.
Aí é que reside o ponto: onde está a mulher que quer ser presidente da nação que até agora não disse uma palavra a respeito de um dos maiores escândalos recentes do país? Por que não vem a público para se pronunciar e condenar os aloprados – da Receita e de muitas outras repartições estatais – que agem contra os cidadãos e os transformam em vítimas da bisbilhotice mal intencionada? Por que se mantém muda?
Se Dilma não tem condições de manifestar-se numa situação destas, é de se pensar no que pode ocorrer se um dia vier a se sentar na cadeira presidencial e o Brasil se vir diante de uma crise sem precedentes, de um incidente diplomático, de uma emergência inapelável. Recorrerá ao seu mentor, ao eterno guia?
É difícil saber o que é mais deplorável em todo este episódio: se a pusilanimidade e flagrante inapetência da candidata do PT ou a postura nada republicana de Lula. Não é de hoje que Lula age desbragadamente como presidente de uma facção e não como presidente de todos os brasileiros. Há muito, afastou-se da figura de estadista que um dia pretendeu ser.
O pronunciamento levado ao ar ontem foi apenas o caso mais evidente e flagrante de uma extensa série. Desde que escolheu sua candidata, Lula passou a percorrer o país com Dilma a tiracolo, transformando jornadas de trabalho em caravanas de campanha. Foram anos, não só dias nem meses, assim. Pouco governo, muita politicagem. E o que a população ganhou com isso?
Não satisfeito, mais recentemente Lula montou acampamento em São Paulo para dia sim dia também aboletar-se sobre um palanque e lanhar a oposição. Joga-se sem pudor na peleja eleitoral e extrapola todos os limites aceitáveis. “Se conseguir eleger a sucessora, vai distorcer a realidade e atuar como se presidente fosse. Se não conseguir, não deixará o próximo governo governar”, resume Dora Kramer na edição de hoje de O Estado de S. Paulo.
Lula fala muito para deixar que sua pupila mantenha-se calada. É ilustrativo que a candidata do PT agora sequer entrevistas conceda. Atrás de púlpitos, protege-se de perguntas incômodas – a debates, como o de hoje na TV Gazeta, há muito deixou de ir. Para não falar, alega-se afônica em razão de compromissos eleitorais. Mas mais correto seria sublinhar seu mutismo, simbólico do que o país pode esperar caso ela saia-se vencedora da votação de outubro. Vamos às urnas daqui a 25 dias para eleger um presidente, não marionetes.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
A profana ceia governista
O PT e os partidos governistas estão oferecendo ao eleitor uma bela demonstração de como agirão caso saiam consagrados das urnas em outubro. Faltando mais de um mês para as eleições, deram início a um deplorável espetáculo de assalto ao Estado. Propostas para o país nenhum deles tem a oferecer, interessados que estão em apenas tomar sua parte na divisão do butim.
A senha para a disparada foi dada alguns dias atrás pelo partido que tende a manter-se como o de maior peso parlamentar no próximo governo. Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, avisou a seus correligionários que o PMDB já se prepara para fazer a “partilha” da futura administração. No seu rastro, vieram todas as siglas abrigadas no condomínio montado por Lula, aos berros de “me dá, me dá, que eu vi primeiro”.
É só olhar à volta da candidata oficial para ver ao lado dela o que de pior grassa nos partidos. Todos ressuscitadinhos da silva por Lula, estão lá Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Newton Cardoso, José Dirceu, Delúbio Soares, o anão do Orçamento Genebaldo Correia etc etc etc. A lista é extensa o suficiente para compor uma quadrilha de 40, como a do mensalão.
Com esta turma, estão de volta ao léxico vocábulos que gostaríamos de ver apenas em dicionários não atualizados para os padrões agora adotados nos países de língua portuguesa. Nos jornais, para quem quiser ler ou ouvir, os aliados de Dilma falam abertamente em “partilha do pão”, em “carguinhos” e em “valer quanto pesa” nas negociatas pela repartição do poder. Triste show desta pequena loja de horrores.
“A Brasília dos últimos anos firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos. (...) No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins lucrativos”, resume Josias de Souza na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Audrey, a planta carnívora petista, está prontinha para engolir o que vier pela frente.
Como se não bastasse, Lula e o marketing político do PT cuidam de transformar o debate político em algo primário, infantil, pré-escolar, reduzindo os cidadãos a “filhos” de um líder ungido por Deus. Diz o principal jingle de campanha de Dilma: “Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/Pois sei: meu povo ganhou uma mãe”. Estamos esperando o Messias? Somos órfãos em busca de adoção?
Pouco se sabe sobre a candidata do PT. Mas muito se revela sobre ela a partir de suas péssimas companhias ou a partir do molde abestalhado em que tenta encaixar o eleitorado brasileiro. Na sua gagueira onipresente, na profana evocação de poderes divinos, na transformação do país numa imensa creche, Dilma Rousseff nos apresenta seu gugu-dadá retrocessivo.
Tem sorte o eleitor de estar podendo assistir tudo isso acontecer a ainda 40 dias da votação. Os governistas nos oferecem de graça e sob a luz do dia uma amostra do que irá se desenrolar, cotado em bilhões, nos recônditos mal iluminados do poder, caso a candidata do PT saia-se vencedora da eleição. É mais um motivo para colocar toda esta turma para entoar suas cantigas de ninar em outra freguesia.
A senha para a disparada foi dada alguns dias atrás pelo partido que tende a manter-se como o de maior peso parlamentar no próximo governo. Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, avisou a seus correligionários que o PMDB já se prepara para fazer a “partilha” da futura administração. No seu rastro, vieram todas as siglas abrigadas no condomínio montado por Lula, aos berros de “me dá, me dá, que eu vi primeiro”.
É só olhar à volta da candidata oficial para ver ao lado dela o que de pior grassa nos partidos. Todos ressuscitadinhos da silva por Lula, estão lá Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Newton Cardoso, José Dirceu, Delúbio Soares, o anão do Orçamento Genebaldo Correia etc etc etc. A lista é extensa o suficiente para compor uma quadrilha de 40, como a do mensalão.
Com esta turma, estão de volta ao léxico vocábulos que gostaríamos de ver apenas em dicionários não atualizados para os padrões agora adotados nos países de língua portuguesa. Nos jornais, para quem quiser ler ou ouvir, os aliados de Dilma falam abertamente em “partilha do pão”, em “carguinhos” e em “valer quanto pesa” nas negociatas pela repartição do poder. Triste show desta pequena loja de horrores.
“A Brasília dos últimos anos firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos. (...) No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins lucrativos”, resume Josias de Souza na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Audrey, a planta carnívora petista, está prontinha para engolir o que vier pela frente.
Como se não bastasse, Lula e o marketing político do PT cuidam de transformar o debate político em algo primário, infantil, pré-escolar, reduzindo os cidadãos a “filhos” de um líder ungido por Deus. Diz o principal jingle de campanha de Dilma: “Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/Pois sei: meu povo ganhou uma mãe”. Estamos esperando o Messias? Somos órfãos em busca de adoção?
Pouco se sabe sobre a candidata do PT. Mas muito se revela sobre ela a partir de suas péssimas companhias ou a partir do molde abestalhado em que tenta encaixar o eleitorado brasileiro. Na sua gagueira onipresente, na profana evocação de poderes divinos, na transformação do país numa imensa creche, Dilma Rousseff nos apresenta seu gugu-dadá retrocessivo.
Tem sorte o eleitor de estar podendo assistir tudo isso acontecer a ainda 40 dias da votação. Os governistas nos oferecem de graça e sob a luz do dia uma amostra do que irá se desenrolar, cotado em bilhões, nos recônditos mal iluminados do poder, caso a candidata do PT saia-se vencedora da eleição. É mais um motivo para colocar toda esta turma para entoar suas cantigas de ninar em outra freguesia.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
O Brasil não quer um tutor
Na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional na semana passada, o tucano José Serra sentenciou: “Nenhum presidente governa na garupa”. Buscou chamar atenção para o risco que o país corre de ter um verdadeiro fantoche na presidência da República. Mais que isso, quis dizer que o comando de uma grande nação exige um líder testado e aprovado; não comporta um experimento de proveta.
É um ciborgue desta natureza que teremos se Dilma Rousseff vier a ser eleita. Quem irá mandar, de fato, continuará a ser Luiz Inácio Lula da Silva, secundado pelo “chefe da quadrilha” (as palavras são do então procurador-geral da República) José Dirceu e gente como Fernando Collor, José Sarney, Renan Calheiros e os 300 picaretas que o hoje presidente já disse existir no Congresso. São estas as credenciais da petista?
Os marqueteiros de Dilma sabem da fraqueza da candidata e temem que, exposto à luz da campanha televisiva, isso seja claramente percebido pelo eleitorado. Em razão desse temor, já no primeiro programa de TV, exibido na terça-feira, tentaram transformar a obscura petista em líder nacional. Líder nacional?
Como a matéria-prima de que dispõem é escassa, os senhores da comunicação de Dilma deram dimensões grandiosas a suas passagens por uma secretaria municipal em Porto Alegre e uma pasta no governo gaúcho. Embora tenham mencionado uma nunca antes conhecida participação de Dilma no processo de redemocratização, desta vez pelo menos não usaram fotos de Norma Bengell...
Nesta altura da vida de Dilma, José Serra já fora secretário de Planejamento do Estado de São Paulo, deputado com inúmeras propostas aprovadas na Constituinte, senador da República e ministro de duas pastas. Já tinha uma longa ficha de serviços relevantes prestados à sociedade brasileira, em que pontuam sua participação na criação do seguro-desemprego e no lançamento dos medicamentos genéricos no país.
Como o que Dilma tem a apresentar é um pouco mais, um pouco menos desta sua curta experiência técnico-gerencial, são reais as dúvidas sobre o que acontecerá se ela, porventura, vier a se sentar na cadeira mais importante do país. Mas, desde ontem, esta questão desvaneceu. Batendo no peito, Lula avisou que quem continuará no comando será ele. Em outras palavras, admitiu que “sua presidenta” será apenas uma laranja. Santo suco azedo!
Ontem no Nordeste, Lula revelou que, uma vez fora da presidência, irá andar pelo país como uma espécie de bedel. Se, nesses seus passeios, topar com algo que não lhe agrade, irá puxar a orelha da presidente do Brasil. “Se tiver alguma coisa errada, vou pegar o telefone e ligar para a presidente e dizer: ‘Olha, tem uma coisa aqui errada. Pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer’. Essa é a contribuição que um político tem a dar para o Brasil”, disse ontem, em passagem por Salgueiro, no interior de Pernambuco.
Como parece não estar nem aí para suas contradições, o presidente jogou no lixo suas convicções anteriores e deixou claro que terá papel ativo num eventual governo de Dilma. Há menos de um mês, Lula afirmara, textualmente: “Me contentarei em ser um bom ex-presidente, sem dar palpite na vida de quem está governando”. Fica a dúvida do que vale: a primeira frase? A segunda? Uma terceira que ainda virá?
Uma coisa é certa: Dilma será uma marionete nas mãos de Lula e seus companheiros. Um próximo governo petista será uma tradicional república de bananas na qual a chefe de governo prestará obediência e homenagens ao velho caudilho. Quer o povo esta tutela sem fim, este cabresto modernizado, esse coronelismo redivivo de antanho?
Mas Lula não estará sozinho na tarefa de dizer à presidente do Brasil o que ela deve fazer. Na hipótese de chegar ao Palácio do Planalto, Dilma terá muitos conselheiros a orientá-la. Do Maranhão, contará com a ajuda de José Sarney e seu clã, ligados a um período de hiperinflação, a fisiologismo, atos secretos e lavagem de dinheiro.
Em Alagoas, poderá sentir-se confortabilíssima na companhia de Fernando Collor, único presidente apeado do poder sob acusação de corrupção – algo, aliás, que mostrou-se fichinha perto do que viria a fazer o PT anos depois, como o próprio admitiu: “Lula melhorou o que eu fiz”. Sábio Collor.
O clube dos fichas sujas reunidos em torno de Dilma não acaba aí. Junta também Jader Barbalho, que renunciou ao cargo de senador na esteira de um escândalo de desvio de recursos públicos; Newton Cardoso e sua gorda riqueza; o candango Gim Argello, processado por grilagem de terras, mas que poderá conduzir a neófita na turbulenta rede de intrigas da capital federal.
Não lhe faltarão, claro, os parlamentares envolvidos no mensalão. À revelia da sociedade, os petistas já trataram de reabilitá-los, a começar pelo ex-deputado cassado José Dirceu – com quem Dilma divide tarefas de campanha e, fraternalmente, até o cachorro labrador. Nessa verdadeira abertura de sarcófagos, não será esquecido nem mesmo Severino Cavalcanti e seu mensalinho. Será um conselho administrativo e tanto, comandado por quem sempre se sentiu mais confortável palpitando do que fazendo: o próprio Lula.
É um ciborgue desta natureza que teremos se Dilma Rousseff vier a ser eleita. Quem irá mandar, de fato, continuará a ser Luiz Inácio Lula da Silva, secundado pelo “chefe da quadrilha” (as palavras são do então procurador-geral da República) José Dirceu e gente como Fernando Collor, José Sarney, Renan Calheiros e os 300 picaretas que o hoje presidente já disse existir no Congresso. São estas as credenciais da petista?
Os marqueteiros de Dilma sabem da fraqueza da candidata e temem que, exposto à luz da campanha televisiva, isso seja claramente percebido pelo eleitorado. Em razão desse temor, já no primeiro programa de TV, exibido na terça-feira, tentaram transformar a obscura petista em líder nacional. Líder nacional?
Como a matéria-prima de que dispõem é escassa, os senhores da comunicação de Dilma deram dimensões grandiosas a suas passagens por uma secretaria municipal em Porto Alegre e uma pasta no governo gaúcho. Embora tenham mencionado uma nunca antes conhecida participação de Dilma no processo de redemocratização, desta vez pelo menos não usaram fotos de Norma Bengell...
Nesta altura da vida de Dilma, José Serra já fora secretário de Planejamento do Estado de São Paulo, deputado com inúmeras propostas aprovadas na Constituinte, senador da República e ministro de duas pastas. Já tinha uma longa ficha de serviços relevantes prestados à sociedade brasileira, em que pontuam sua participação na criação do seguro-desemprego e no lançamento dos medicamentos genéricos no país.
Como o que Dilma tem a apresentar é um pouco mais, um pouco menos desta sua curta experiência técnico-gerencial, são reais as dúvidas sobre o que acontecerá se ela, porventura, vier a se sentar na cadeira mais importante do país. Mas, desde ontem, esta questão desvaneceu. Batendo no peito, Lula avisou que quem continuará no comando será ele. Em outras palavras, admitiu que “sua presidenta” será apenas uma laranja. Santo suco azedo!
Ontem no Nordeste, Lula revelou que, uma vez fora da presidência, irá andar pelo país como uma espécie de bedel. Se, nesses seus passeios, topar com algo que não lhe agrade, irá puxar a orelha da presidente do Brasil. “Se tiver alguma coisa errada, vou pegar o telefone e ligar para a presidente e dizer: ‘Olha, tem uma coisa aqui errada. Pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer’. Essa é a contribuição que um político tem a dar para o Brasil”, disse ontem, em passagem por Salgueiro, no interior de Pernambuco.
Como parece não estar nem aí para suas contradições, o presidente jogou no lixo suas convicções anteriores e deixou claro que terá papel ativo num eventual governo de Dilma. Há menos de um mês, Lula afirmara, textualmente: “Me contentarei em ser um bom ex-presidente, sem dar palpite na vida de quem está governando”. Fica a dúvida do que vale: a primeira frase? A segunda? Uma terceira que ainda virá?
Uma coisa é certa: Dilma será uma marionete nas mãos de Lula e seus companheiros. Um próximo governo petista será uma tradicional república de bananas na qual a chefe de governo prestará obediência e homenagens ao velho caudilho. Quer o povo esta tutela sem fim, este cabresto modernizado, esse coronelismo redivivo de antanho?
Mas Lula não estará sozinho na tarefa de dizer à presidente do Brasil o que ela deve fazer. Na hipótese de chegar ao Palácio do Planalto, Dilma terá muitos conselheiros a orientá-la. Do Maranhão, contará com a ajuda de José Sarney e seu clã, ligados a um período de hiperinflação, a fisiologismo, atos secretos e lavagem de dinheiro.
Em Alagoas, poderá sentir-se confortabilíssima na companhia de Fernando Collor, único presidente apeado do poder sob acusação de corrupção – algo, aliás, que mostrou-se fichinha perto do que viria a fazer o PT anos depois, como o próprio admitiu: “Lula melhorou o que eu fiz”. Sábio Collor.
O clube dos fichas sujas reunidos em torno de Dilma não acaba aí. Junta também Jader Barbalho, que renunciou ao cargo de senador na esteira de um escândalo de desvio de recursos públicos; Newton Cardoso e sua gorda riqueza; o candango Gim Argello, processado por grilagem de terras, mas que poderá conduzir a neófita na turbulenta rede de intrigas da capital federal.
Não lhe faltarão, claro, os parlamentares envolvidos no mensalão. À revelia da sociedade, os petistas já trataram de reabilitá-los, a começar pelo ex-deputado cassado José Dirceu – com quem Dilma divide tarefas de campanha e, fraternalmente, até o cachorro labrador. Nessa verdadeira abertura de sarcófagos, não será esquecido nem mesmo Severino Cavalcanti e seu mensalinho. Será um conselho administrativo e tanto, comandado por quem sempre se sentiu mais confortável palpitando do que fazendo: o próprio Lula.
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