Os cem primeiros dias de governo podem ser apenas uma efeméride boboca, quase sem sentido, dado o tempo exíguo em relação aos anos de mandato. Mas servem para que o governante mostre seu cartão de visitas e, quando é o caso, reavalie rumos trilhados no início da arrancada. É o que deveria fazer o governo do presidente Jair Bolsonaro.
Até agora, a nova administração dilapidou tempo precioso, que deveria ter sido empregado para acelerar a necessária e desejável agenda de reformas estruturantes com a qual Bolsonaro pretende marcar sua passagem pelo poder. Em circunstâncias assim, o período inaugural de gestão é ainda mais valioso.
Não adianta ficar alegando – e seus seguidores reproduzindo o argumento em redes sociais – que o tempo até agora foi curto para remediar a herança maldita de três mandatos e meio do PT. Ninguém tem dúvida disso. Mas os dias iniciais são aqueles em que o governo entrante tem melhores condições de fazer o que bem entende. Não é exagero dizer que a atual gestão desperdiçou-os quase integralmente.
Seus dois grandes, e únicos, feitos até agora foram os envios da proposta de emenda constitucional que muda a Previdência e o projeto de lei com o chamado pacote anticrime. Uma coisa, porém, é apresentá-los ao Congresso e outra, bem mais árdua, é defendê-los da pancadaria e fazê-los aprovar por deputados e senadores. É o que cabe ao presidente conseguir agora.
O momento é propício para Bolsonaro realinhar estratégias e direcionar seus maiores esforços para o que o país realmente necessita: garantir a sobriedade das contas públicas para fincar alicerces firmes que permitam à nossa economia voltar a crescer com força e, assim, gerar empregos e oportunidades para os 13,1 milhões de desocupados atuais.
Neste sentido, duas pesquisas de opinião divulgadas desde domingo reforçam alertas ao presidente da República.
O Datafolha mostrou-o como o mandatário mais mal avaliado num início de mandato desde a redemocratização (não existem pesquisas do instituto anteriores ao governo Collor). Na média, 30% classificam sua gestão até aqui como ruim ou péssima, ante 32% de ótimo e bom.
Mais significativo, contudo, é que as maiores rejeições ao governo estão entre os brasileiros com ensino superior (35% de ruim ou péssimo) e com renda acima de dez salários mínimos (37%). Ou seja, são, justamente, os estratos em que tendem a estar os tomadores de decisões, aqueles que vão resolver se apostam ou não dinheiro grosso num destino melhor para o país.
Num recorte mais específico, pesquisa da XP Investimentos divulgada na terça-feira mostrou o azedume dos deputados em relação ao novo governo. Entre fevereiro e agora, saltou de 12% para 55% o percentual de parlamentares que considera ruim ou péssima a relação entre a Câmara e o Palácio do Planalto. Só 16% a classificam como ótima ou boa.
O recado aqui é mais ou menos o mesmo da pesquisa do Datafolha: goste ou não o governo da “velha política”, é aos parlamentares que caberá aprovar ou não as propostas de Bolsonaro. Ele depende tanto dos investidores quanto dos votos dos representantes do povo para fazer seu governo deslanchar. Sem eles, sem chance.
O alento é que, desde a semana passada, o presidente fez importante inflexão no seu modo de ser e abriu seu gabinete para, pela primeira vez em três meses, receber lideranças partidárias. Demorou. É assim que se governa: ouvindo e conversando com todos para buscar as melhores soluções, ainda mais fundamentais num país em estado de penúria como ainda se encontra o Brasil.
Espera-se que Jair Bolsonaro persevere nesta trilha e desista de dobrar apostas em pautas ideológicas (e inócuas) que só servem para agradar à militância mais fanática do ex-capitão do Exército. A escolha do novo ministro da Educação e a razia na Apex, tomada pelo bolsonarismo mais rastaquera, não foram auspiciosas neste sentido.
Se enveredar pelo caminho do dogmatismo e da radicalização, o presidente corre risco de ver as curvas de aprovação e desaprovação de seu governo cruzarem-se. Quando isso acontece, os analistas de pesquisas costumam dizer que a boca do jacaré se abriu – e seu destino, quase sempre, é engolir o governante.
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
terça-feira, 27 de junho de 2017
A Temer o que é de Temer
A mais recente rodada de pesquisa de opinião feita pelo Datafolha consagra Michel Temer como o mais impopular presidente da República em quase três décadas. A avaliação pode ter lá suas razões, mas é mais impiedosa do que ele merece. O peemedebista paga por pecados que cometeu, mas também é reprovado, em boa medida, pela cruz que o PT deixou para ele carregar.
Na voragem como os fatos vêm se sucedendo no Brasil, parece um século, mas Temer está no comando da nação há apenas um ano, um mês e 14 dias. O que é possível consertar num espaço tão curto de tempo? Bem pouco. Depois da devastação de 13 anos de petismo, menos ainda. Mesmo assim, parte relevante ele conseguiu endireitar.
É meritório o bom trabalho feito no controle da inflação, que, depois de anos incomodando, caminha agora para completar o ciclo virtuoso inaugurado em 1994 com o Plano Real e que esteve sempre ameaçado pela leniência petista.
Também merece comemoração a redução da taxa básica de juros, processo ainda não finalizado, dada a exorbitância em que a Selic esteve até outubro passado. A depender do comportamento fiscal, o país pode rumar finalmente para condições dignas de uma economia minimamente equilibrada, e não a anomalia com a qual há anos convivemos.
No campo estrutural, a imposição do necessário teto para os gastos públicos equivale a uma reforma orçamentária como o país passou anos sem ver. A mudança na legislação trabalhista atualiza um caquético arcabouço que perdeu seu sentido mais de sete décadas depois de criado. E a previdenciária é o vespeiro que todos evitam, mas se torna cada vez mais imperativa, a despeito da gritaria populista e corporativista contrária.
Estes os avanços obtidos pelo governo de Michel Temer até agora. Não são poucos e são significativos.
Mas o atual presidente também tem suas falhas. Seu governo não tem brilho. Formado para garantir votos no Congresso, inaugura uma fase que ele próprio definiu como “semipresidencialista” nas relações entre os poderes. Sua equipe, para além do bem azeitado time econômico, tem poucas vozes dignas de respeito.
Temer também paga por não ter dado cabo a práticas condenáveis adotadas pelo partido do qual o PMDB foi sócio durante 13 anos. Talvez seja este seu maior pecado: não ter conseguido até agora mostrar-se muito diferente dos governos que o antecederam naquilo que tiveram de mais deplorável – a corrupção.
O presidente deve responder pelos equívocos que cometeu. Mas não é justo imputar a ele a responsabilidade por erros alheios. É o caso da difícil situação em que o país ainda se encontra – e por muito tempo ainda se encontrará – na economia. O desastre tem nome e sobrenome: Partido dos Trabalhadores.
Quem pôs 12 milhões de pessoas na rua foram as políticas do PT. Quem promoveu o maior assalto aos cofres públicos da história foi o PT. Quem patrocinou a pior recessão que a economia nacional já viveu foi o PT. Quem empobreceu as famílias brasileiras em mais de 10% no curto espaço de três anos foi o PT.
A avaliação crítica de Michel Temer deve ser equilibrada e justa até para que os verdadeiros responsáveis pela destruição do Brasil não apareçam de vítimas na história e, pior ainda, ganhem nova chance para acabar de afundar de vez o país, como permite antever outra nova rodada de pesquisa de intenção de votos que o Datafolha publica hoje.
A Temer o que é de Temer: que ele pague pelos erros em que incorreu, mas não pelos crimes alheios. É ao PT que cabe a real culpa por ter transformado o Brasil na ruína em que se transformou, tanto no campo econômico quanto no da ética pública. É só ao PT que interessa que Michel Temer se transforme no bode expiatório de toda a imensa crise que o país ainda atravessa.
Na voragem como os fatos vêm se sucedendo no Brasil, parece um século, mas Temer está no comando da nação há apenas um ano, um mês e 14 dias. O que é possível consertar num espaço tão curto de tempo? Bem pouco. Depois da devastação de 13 anos de petismo, menos ainda. Mesmo assim, parte relevante ele conseguiu endireitar.
É meritório o bom trabalho feito no controle da inflação, que, depois de anos incomodando, caminha agora para completar o ciclo virtuoso inaugurado em 1994 com o Plano Real e que esteve sempre ameaçado pela leniência petista.
Também merece comemoração a redução da taxa básica de juros, processo ainda não finalizado, dada a exorbitância em que a Selic esteve até outubro passado. A depender do comportamento fiscal, o país pode rumar finalmente para condições dignas de uma economia minimamente equilibrada, e não a anomalia com a qual há anos convivemos.
No campo estrutural, a imposição do necessário teto para os gastos públicos equivale a uma reforma orçamentária como o país passou anos sem ver. A mudança na legislação trabalhista atualiza um caquético arcabouço que perdeu seu sentido mais de sete décadas depois de criado. E a previdenciária é o vespeiro que todos evitam, mas se torna cada vez mais imperativa, a despeito da gritaria populista e corporativista contrária.
Estes os avanços obtidos pelo governo de Michel Temer até agora. Não são poucos e são significativos.
Mas o atual presidente também tem suas falhas. Seu governo não tem brilho. Formado para garantir votos no Congresso, inaugura uma fase que ele próprio definiu como “semipresidencialista” nas relações entre os poderes. Sua equipe, para além do bem azeitado time econômico, tem poucas vozes dignas de respeito.
Temer também paga por não ter dado cabo a práticas condenáveis adotadas pelo partido do qual o PMDB foi sócio durante 13 anos. Talvez seja este seu maior pecado: não ter conseguido até agora mostrar-se muito diferente dos governos que o antecederam naquilo que tiveram de mais deplorável – a corrupção.
O presidente deve responder pelos equívocos que cometeu. Mas não é justo imputar a ele a responsabilidade por erros alheios. É o caso da difícil situação em que o país ainda se encontra – e por muito tempo ainda se encontrará – na economia. O desastre tem nome e sobrenome: Partido dos Trabalhadores.
Quem pôs 12 milhões de pessoas na rua foram as políticas do PT. Quem promoveu o maior assalto aos cofres públicos da história foi o PT. Quem patrocinou a pior recessão que a economia nacional já viveu foi o PT. Quem empobreceu as famílias brasileiras em mais de 10% no curto espaço de três anos foi o PT.
A avaliação crítica de Michel Temer deve ser equilibrada e justa até para que os verdadeiros responsáveis pela destruição do Brasil não apareçam de vítimas na história e, pior ainda, ganhem nova chance para acabar de afundar de vez o país, como permite antever outra nova rodada de pesquisa de intenção de votos que o Datafolha publica hoje.
A Temer o que é de Temer: que ele pague pelos erros em que incorreu, mas não pelos crimes alheios. É ao PT que cabe a real culpa por ter transformado o Brasil na ruína em que se transformou, tanto no campo econômico quanto no da ética pública. É só ao PT que interessa que Michel Temer se transforme no bode expiatório de toda a imensa crise que o país ainda atravessa.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015
A verdadeira herança maldita
Num país com carências monumentais como as que tem o Brasil, saúde, educação, segurança e saneamento, para ficar apenas nos exemplos mais gritantes, deveriam figurar no topo das preocupações dos cidadãos. Mas os governos petistas roubaram tanto que conseguiram fazer com que a corrupção fosse alçada à condição de maior problema nacional.
A constatação está em nova pesquisa feita pelo Datafolha divulgada neste fim de semana: 34% dos brasileiros apontam a corrupção como principal problema do país atualmente. Nos quase 20 anos em que o instituto mede o humor da população, isso nunca havia acontecido.
Até o início do atual governo, a corrupção jamais alcançara mais de um dígito nas menções de entrevistados pelo Datafolha. Dilma Rousseff conseguiu praticamente quadruplicar o percentual dos que apontam a roubalheira como maior preocupação no país hoje.
A população se deu conta que o dinheiro que falta para manter os benefícios sociais, para melhorar os serviços públicos e para tentar dar algum vigor à moribunda economia brasileira é o mesmo que está sendo descoberto no caixa do PT e de seus aliados políticos, no bolso de políticos e autoridades corrompidas e nos contratos bilionários de empreiteiras.
Os brasileiros parecem determinados a extirpar o câncer pela raiz. No mesmo levantamento, o Datafolha constatou que 65% consideram que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a presidente e 62% acham que Dilma deveria abreviar o calvário a que submete o país e renunciar ao cargo. O governo continua rejeitado por 67% da população.
É salutar que os cidadãos se mostrem tão críticos e ativos em relação ao país. Até porque, embora a corrupção tenha escalado posições e chegado ao topo, os demais problemas mantêm-se intocados, agora agravados pela crise econômica e social. Saúde, desemprego, educação e violência continuam atormentando os brasileiros.
Além disso, prevalece um clima de desânimo e de desalento em relação ao futuro do país. Três em cada quatro brasileiros apostam que tanto a inflação quanto o desemprego irão aumentar nos próximos meses. A realidade é que ninguém consegue enxergar horizonte num país onde o governo sequer dá conta do presente.
A verdadeira herança da passagem do PT pelo poder será a leniência com que o partido que se notabilizou pelo mensalão e agora pelo petrolão sempre tratou a roubalheira e a corrupção, tentando transformá-los em meros “malfeitos”. Os brasileiros se fartaram disso e estão percebendo que o país não sairá do lugar enquanto não se livrar de um mal cujas ramificações a cada dia chegam mais longe.
A constatação está em nova pesquisa feita pelo Datafolha divulgada neste fim de semana: 34% dos brasileiros apontam a corrupção como principal problema do país atualmente. Nos quase 20 anos em que o instituto mede o humor da população, isso nunca havia acontecido.
Até o início do atual governo, a corrupção jamais alcançara mais de um dígito nas menções de entrevistados pelo Datafolha. Dilma Rousseff conseguiu praticamente quadruplicar o percentual dos que apontam a roubalheira como maior preocupação no país hoje.
A população se deu conta que o dinheiro que falta para manter os benefícios sociais, para melhorar os serviços públicos e para tentar dar algum vigor à moribunda economia brasileira é o mesmo que está sendo descoberto no caixa do PT e de seus aliados políticos, no bolso de políticos e autoridades corrompidas e nos contratos bilionários de empreiteiras.
Os brasileiros parecem determinados a extirpar o câncer pela raiz. No mesmo levantamento, o Datafolha constatou que 65% consideram que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a presidente e 62% acham que Dilma deveria abreviar o calvário a que submete o país e renunciar ao cargo. O governo continua rejeitado por 67% da população.
É salutar que os cidadãos se mostrem tão críticos e ativos em relação ao país. Até porque, embora a corrupção tenha escalado posições e chegado ao topo, os demais problemas mantêm-se intocados, agora agravados pela crise econômica e social. Saúde, desemprego, educação e violência continuam atormentando os brasileiros.
Além disso, prevalece um clima de desânimo e de desalento em relação ao futuro do país. Três em cada quatro brasileiros apostam que tanto a inflação quanto o desemprego irão aumentar nos próximos meses. A realidade é que ninguém consegue enxergar horizonte num país onde o governo sequer dá conta do presente.
A verdadeira herança da passagem do PT pelo poder será a leniência com que o partido que se notabilizou pelo mensalão e agora pelo petrolão sempre tratou a roubalheira e a corrupção, tentando transformá-los em meros “malfeitos”. Os brasileiros se fartaram disso e estão percebendo que o país não sairá do lugar enquanto não se livrar de um mal cujas ramificações a cada dia chegam mais longe.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Governo padrão 7 x 1
Para cada brasileiro que ainda aprova o governo Dilma, sete o consideram ruim ou péssimo, conforme a mais nova rodada de pesquisa do Ibope. O padrão digno da humilhante derrota sofrida pela seleção brasileira diante da Alemanha na Copa de 2014 é compatível com o nível que a presidente da República imprime à sua gestão.
A petista está para anunciar uma reforma ministerial que representa sua capitulação final à mais baixa política, a terceirização definitiva do comando do país e a derrota acachapante do modo Dilma de governar. Melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados aos brasileiros passa longe dos interesses em disputa, não é o objetivo do campeonato.
A reforma em marcha é exemplo da pequenez do governo da presidente e da desqualificação do time que ela consegue escalar, no mais digno padrão Felipão. O caso mais emblemático, até por emprestar o mote ao slogan publicitário da atual gestão, é o do Ministério da Educação.
Mal terminou o nono mês do segundo mandato, a pasta acolherá seu terceiro titular, com a volta de Aloizio Mercadante ao cargo que já ocupara entre 2012 e 2014. Ele sucede Renato Janine, o professor de ética que o governo enrolado no petrolão expeliu em pouco mais de seis meses, e Cid Gomes, o brevíssimo. Desde 2011, já foram nada menos que seis ministros. Um escrete de pernas de pau.
A reforma de meia tigela também pode resultar no desmanche da CGU. Não se fala mais apenas em acabar com o status de ministério do órgão criado no governo Fernando Henrique para investigar e punir irregularidades e corrupção na administração federal. A Controladoria também corre risco de ser esquartejada entre várias pastas e o cumprimento da Lei de Acesso à Informação pode ser manietado.
Nas substituições que movimentam a Esplanada, não se nota o mais tênue sinal de preocupação em melhorar a governança do país. Há alguns dias, a presidente prometia também uma reforma administrativa para aumentar a eficiência e diminuir gastos. Entregará uma dança de cadeiras cujo único traço comum é tentar livrar Dilma do risco de impeachment.
A movimentação de Dilma lembra o gesto desesperado do então presidente Fernando Collor, quando, em abril de 1992, já com as primeiras denúncias de corrupção pipocando, montou um “ministério de notáveis”. A diferença é que o time da atual presidente nem este adjetivo pode pleitear; a Esplanada estará ainda mais repleta de nulidades.
A petista sairá derrotada de toda esta ciranda. Seu poder ficará ainda mais limitado e sua capacidade de gestão, ainda mais dependente da política miúda do Parlamento. Não menos importante, a voz de mando retornará a quem no passado a ungiu com a chance de comandar o Brasil: Lula. O governo de Dilma Rousseff não existe mais. Resta saber quando ela desocupará a cadeira de presidente da República.
A petista está para anunciar uma reforma ministerial que representa sua capitulação final à mais baixa política, a terceirização definitiva do comando do país e a derrota acachapante do modo Dilma de governar. Melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados aos brasileiros passa longe dos interesses em disputa, não é o objetivo do campeonato.
A reforma em marcha é exemplo da pequenez do governo da presidente e da desqualificação do time que ela consegue escalar, no mais digno padrão Felipão. O caso mais emblemático, até por emprestar o mote ao slogan publicitário da atual gestão, é o do Ministério da Educação.
Mal terminou o nono mês do segundo mandato, a pasta acolherá seu terceiro titular, com a volta de Aloizio Mercadante ao cargo que já ocupara entre 2012 e 2014. Ele sucede Renato Janine, o professor de ética que o governo enrolado no petrolão expeliu em pouco mais de seis meses, e Cid Gomes, o brevíssimo. Desde 2011, já foram nada menos que seis ministros. Um escrete de pernas de pau.
A reforma de meia tigela também pode resultar no desmanche da CGU. Não se fala mais apenas em acabar com o status de ministério do órgão criado no governo Fernando Henrique para investigar e punir irregularidades e corrupção na administração federal. A Controladoria também corre risco de ser esquartejada entre várias pastas e o cumprimento da Lei de Acesso à Informação pode ser manietado.
Nas substituições que movimentam a Esplanada, não se nota o mais tênue sinal de preocupação em melhorar a governança do país. Há alguns dias, a presidente prometia também uma reforma administrativa para aumentar a eficiência e diminuir gastos. Entregará uma dança de cadeiras cujo único traço comum é tentar livrar Dilma do risco de impeachment.
A movimentação de Dilma lembra o gesto desesperado do então presidente Fernando Collor, quando, em abril de 1992, já com as primeiras denúncias de corrupção pipocando, montou um “ministério de notáveis”. A diferença é que o time da atual presidente nem este adjetivo pode pleitear; a Esplanada estará ainda mais repleta de nulidades.
A petista sairá derrotada de toda esta ciranda. Seu poder ficará ainda mais limitado e sua capacidade de gestão, ainda mais dependente da política miúda do Parlamento. Não menos importante, a voz de mando retornará a quem no passado a ungiu com a chance de comandar o Brasil: Lula. O governo de Dilma Rousseff não existe mais. Resta saber quando ela desocupará a cadeira de presidente da República.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A pior da história
Quando o assunto é Dilma Rousseff e o governo do PT, nada é tão ruim que não possa piorar. A petista ostenta agora o título de presidente da República mais mal avaliada, mais rejeitada e, por que não dizer, mais odiada da história brasileira. Sua ficha de serviços prestados à nação justifica com sobras a baixa popularidade.
Segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 71% dos brasileiros consideram o governo atual ruim ou péssimo. Nem Fernando Collor às vésperas do impeachment foi tão rejeitado. Na ponta oposta, apenas 8% ainda avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Nunca tão poucos foram favoráveis a um governo.
A ojeriza a Dilma é ampla, geral e praticamente irrestrita. Em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todas as idades, a presidente é majoritariamente rejeitada. Na média e em todos os estratos, dois de cada três brasileiros rechaçam o governo dela – no Nordeste, a desaprovação chega a 66%; entre os mais pobres, alcança 69%. Este beco parece não vislumbrar saída.
O Datafolha perguntou a 3,3 mil brasileiros se consideram que o Congresso deve abrir processo de impeachment da presidente. 66% responderam que sim, com alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em abril. 38% creem que Dilma será afastada do cargo – eram 29% há quatro meses.
Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja inteiramente responsável pelo inferno em que se encontra. O desastre foi ela quem lavrou. Esta erva daninha, foi ela quem semeou.
A crise econômica é fruto de escolhas equivocadas que ela aprofundou – e produzirá dois anos de recessão, como não ocorria no país desde a Grande Depressão, nos anos 1930. A desagregação política decorre da arrogância com que Dilma tentou administrar o país. A conflagração social é o estuário dramático de mentiras e erros cometidos em série.
Nem seus pares veem na presidente condições de superar as dificuldades. Como quem não enxerga na petista a líder que o momento clama, o vice-presidente está em busca de “alguém (que) tenha capacidade de reunificar a todos”. Até Lula parece entregar os pontos: nem uma improvável recuperação econômica é capaz de salvar Dilma e seu partido.
A crise aumenta de tamanho a cada mês, a cada semana, a cada dia. Pode ficar “desagradável”, no dizer de Michel Temer, para quem, duas semanas atrás, só havia uma “crisezinha”. Não: já está bem pior que desagradável. Quem trabalha, quem produz e quem investe no país – ou pelo menos tenta – sabe bem disso.
Nesta noite de quinta-feira, a legenda que produziu esta desestruturação e a chefe de governo que a levou ao paroxismo irão à TV defender seu projeto. Serão recebidos com a trilha sonora de milhões de panelas país afora, em repúdio à presidente da República e ao partido que têm muito a pagar e nada mais a oferecer ao país e aos brasileiros.
Segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 71% dos brasileiros consideram o governo atual ruim ou péssimo. Nem Fernando Collor às vésperas do impeachment foi tão rejeitado. Na ponta oposta, apenas 8% ainda avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Nunca tão poucos foram favoráveis a um governo.
A ojeriza a Dilma é ampla, geral e praticamente irrestrita. Em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todas as idades, a presidente é majoritariamente rejeitada. Na média e em todos os estratos, dois de cada três brasileiros rechaçam o governo dela – no Nordeste, a desaprovação chega a 66%; entre os mais pobres, alcança 69%. Este beco parece não vislumbrar saída.
O Datafolha perguntou a 3,3 mil brasileiros se consideram que o Congresso deve abrir processo de impeachment da presidente. 66% responderam que sim, com alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em abril. 38% creem que Dilma será afastada do cargo – eram 29% há quatro meses.
Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja inteiramente responsável pelo inferno em que se encontra. O desastre foi ela quem lavrou. Esta erva daninha, foi ela quem semeou.
A crise econômica é fruto de escolhas equivocadas que ela aprofundou – e produzirá dois anos de recessão, como não ocorria no país desde a Grande Depressão, nos anos 1930. A desagregação política decorre da arrogância com que Dilma tentou administrar o país. A conflagração social é o estuário dramático de mentiras e erros cometidos em série.
Nem seus pares veem na presidente condições de superar as dificuldades. Como quem não enxerga na petista a líder que o momento clama, o vice-presidente está em busca de “alguém (que) tenha capacidade de reunificar a todos”. Até Lula parece entregar os pontos: nem uma improvável recuperação econômica é capaz de salvar Dilma e seu partido.
A crise aumenta de tamanho a cada mês, a cada semana, a cada dia. Pode ficar “desagradável”, no dizer de Michel Temer, para quem, duas semanas atrás, só havia uma “crisezinha”. Não: já está bem pior que desagradável. Quem trabalha, quem produz e quem investe no país – ou pelo menos tenta – sabe bem disso.
Nesta noite de quinta-feira, a legenda que produziu esta desestruturação e a chefe de governo que a levou ao paroxismo irão à TV defender seu projeto. Serão recebidos com a trilha sonora de milhões de panelas país afora, em repúdio à presidente da República e ao partido que têm muito a pagar e nada mais a oferecer ao país e aos brasileiros.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Poço sem fundo
Nunca antes na história, uma presidente da República foi tão rejeitada pelos brasileiros. Um misto de decepção, desalento e desconfiança ronda o humor da população, diante dos rumos que o PT vem imprimindo ao país. Falta pouco para Dilma Rousseff tornar-se unanimidade, que hoje ampla maioria já preferiria ver pelas costas.
A nova rodada da pesquisa feita pelo instituto MDA sob encomenda da CNT revela que apenas 7,7% aprovam o governo atual. É a mais baixa taxa já aferida pelo instituto, cuja série começa em 1998. Na ponta contrária, nada menos que 71% consideram a gestão de Dilma ruim ou péssima. A desaprovação pessoal à presidente abrange 80% dos brasileiros.
O governo luta para carimbar críticas e o descontentamento com a atual administração como “golpismo” de quem quer se ver livre da presidente antes da hora. Mas basta percorrer as ruas para aferir o sentimento vívido de desaprovação às práticas correntes e de clamor pela responsabilização de quem levou o país para o atual beco em que se encontra.
Segundo o MDA, praticamente dois de cada três brasileiros são favoráveis ao impeachment da presidente – em março eram 60%; hoje são 63%. Não se trata de opinião ao léu. A pesquisa mostra que, para 44%, a mistura de corrupção na Petrobras, manipulação das contas públicas e irregularidades nas contas de campanha dariam motivo suficiente para o afastamento de Dilma do cargo.
Não há sinal de melhora no horizonte para a petista. Quase 85% da população – ou seja, quase nove em cada dez – considera que ela “não está sabendo lidar com a crise econômica”. Cada vez mais, os principais temores dos brasileiros são a perda do emprego, o aumento do custo de vida e as dívidas a pagar.
Os novos cortes orçamentários que o governo deve anunciar hoje, segundo os jornais desta quarta-feira, tendem a potencializar o arrocho e aumentar a penúria da população. Além disso, a revisão da meta fiscal reforça a sensação de um governo oscilante, incapaz de alcançar objetivos a que se propõe.
A pesquisa também desnuda a erosão da popularidade do tutor da atual presidente. Assim como Dilma, Lula também é visto como culpado pela corrupção na Petrobras. Numa eventual disputa pela presidência da República, o petista seria derrotado num segundo turno pelos três tucanos que já disputaram o cargo. A vantagem mais larga é obtida pelo senador Aécio Neves.
Dilma, Lula e o PT colhem hoje a reprovação da população por escolhas equivocadas, por práticas danosas e, sobretudo, pela propaganda enganosa que venderam aos brasileiros nos últimos anos, culminando com a sórdida campanha eleitoral que deu mais quatro anos de mandato à presidente. O sentimento presente nas pesquisas de opinião – a da CNT/MDA é apenas mais uma a coadunar a mesma percepção – são a expressão legítima de repúdio da população ao modo petista de governar.
A nova rodada da pesquisa feita pelo instituto MDA sob encomenda da CNT revela que apenas 7,7% aprovam o governo atual. É a mais baixa taxa já aferida pelo instituto, cuja série começa em 1998. Na ponta contrária, nada menos que 71% consideram a gestão de Dilma ruim ou péssima. A desaprovação pessoal à presidente abrange 80% dos brasileiros.
O governo luta para carimbar críticas e o descontentamento com a atual administração como “golpismo” de quem quer se ver livre da presidente antes da hora. Mas basta percorrer as ruas para aferir o sentimento vívido de desaprovação às práticas correntes e de clamor pela responsabilização de quem levou o país para o atual beco em que se encontra.
Segundo o MDA, praticamente dois de cada três brasileiros são favoráveis ao impeachment da presidente – em março eram 60%; hoje são 63%. Não se trata de opinião ao léu. A pesquisa mostra que, para 44%, a mistura de corrupção na Petrobras, manipulação das contas públicas e irregularidades nas contas de campanha dariam motivo suficiente para o afastamento de Dilma do cargo.
Não há sinal de melhora no horizonte para a petista. Quase 85% da população – ou seja, quase nove em cada dez – considera que ela “não está sabendo lidar com a crise econômica”. Cada vez mais, os principais temores dos brasileiros são a perda do emprego, o aumento do custo de vida e as dívidas a pagar.
Os novos cortes orçamentários que o governo deve anunciar hoje, segundo os jornais desta quarta-feira, tendem a potencializar o arrocho e aumentar a penúria da população. Além disso, a revisão da meta fiscal reforça a sensação de um governo oscilante, incapaz de alcançar objetivos a que se propõe.
A pesquisa também desnuda a erosão da popularidade do tutor da atual presidente. Assim como Dilma, Lula também é visto como culpado pela corrupção na Petrobras. Numa eventual disputa pela presidência da República, o petista seria derrotado num segundo turno pelos três tucanos que já disputaram o cargo. A vantagem mais larga é obtida pelo senador Aécio Neves.
Dilma, Lula e o PT colhem hoje a reprovação da população por escolhas equivocadas, por práticas danosas e, sobretudo, pela propaganda enganosa que venderam aos brasileiros nos últimos anos, culminando com a sórdida campanha eleitoral que deu mais quatro anos de mandato à presidente. O sentimento presente nas pesquisas de opinião – a da CNT/MDA é apenas mais uma a coadunar a mesma percepção – são a expressão legítima de repúdio da população ao modo petista de governar.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Dilma desce do futuro e embarca no passado
Nunca antes na história uma presidente da República foi tão rejeitada pelos brasileiros. A aversão ao governo de Dilma Rousseff tornou-se ampla, geral e irrestrita. Alcança todos os extratos sociais, todas as idades, todas as regiões do país e todas as áreas de atuação. É mais que rejeição ou aversão: é repulsa ao engodo que ela representa.
Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem, 68% dos brasileiros consideram o governo Dilma péssimo ou ruim. É a pior avaliação negativa da série histórica do instituto, inaugurada em março de 1986, no governo de José Sarney. Ou seja, em mais de 29 anos.
Além disso, 83% desaprovam a maneira de a petista governar e 78% não confiam nela. Todos os indicadores pioraram em relação à pesquisa anterior, feita em março. Na ponta oposta, a avaliação positiva da presidente caiu abaixo de um dígito: agora apenas 9% a aprovam. Como Dilma pode continuar presidindo o país numa situação assim?
A repulsa a Dilma só encontra comparação com a ojeriza que a população brasileira nutria por Sarney, que chegou a 7% de aprovação e 64% de desaprovação, em julho de 1989. Mas há duas diferenças abissais: o ex-presidente só atingiu a ribanceira onde Dilma está quando terminava seus cinco anos de governo, após seguidos fracassos econômicos e sociais. E, diferentemente da petista, ele não fora eleito.
Por segmento, as piores avaliações de Dilma ocorrem entre os mais jovens (16 e 24 anos) e nas periferias dos grandes centros, entre os quais ela só obtém 6% de aprovação. Reflexo, provavelmente, do aumento do desemprego, que nesta faixa etária saltou de 10% para 16% desde dezembro. E, também, em razão da porta que a gestão petista bateu na cara dos interessados em estudar com os agora desfigurados Fies, Prouni e Pronatec.
Em todas as áreas de atuação, o governo de Dilma é fartamente rejeitado, sempre num patamar superior a 60%. Em temas como taxa de juros, impostos, combate à inflação e ao desemprego, a ojeriza é quase absoluta, próximo ou acima de 90%. Parece tão ruim que é difícil acreditar que pode piorar. Mas pode.
O fundo do poço ainda não chegou, como anteveem analistas mais gabaritados. O desemprego ainda vai subir mais, beirando os 10%. A atividade econômica ainda vai desacelerar mais, fechando o ano na pior recessão desde o governo Collor. O nível de confiança de consumidores e empresários não dá sinais de que irá reagir.
Ontem nos EUA, Dilma, alheia, passeou num veículo sem motorista. Depois de sair do automóvel, disse: “Acabei de descer do futuro”. O veículo do Google tem tecnologia de ponta que o livra de colisões. Não é o caso do Brasil da presidente: desgovernado, o país ruma contra o muro ou a caminho do precipício. Tem gente precisando, urgentemente, tomar um carro e ir embora de vez, apeada do presente. Ao passado, mostrou a pesquisa da CNI/Ibope, Dilma Rousseff já chegou.
Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem, 68% dos brasileiros consideram o governo Dilma péssimo ou ruim. É a pior avaliação negativa da série histórica do instituto, inaugurada em março de 1986, no governo de José Sarney. Ou seja, em mais de 29 anos.
Além disso, 83% desaprovam a maneira de a petista governar e 78% não confiam nela. Todos os indicadores pioraram em relação à pesquisa anterior, feita em março. Na ponta oposta, a avaliação positiva da presidente caiu abaixo de um dígito: agora apenas 9% a aprovam. Como Dilma pode continuar presidindo o país numa situação assim?
A repulsa a Dilma só encontra comparação com a ojeriza que a população brasileira nutria por Sarney, que chegou a 7% de aprovação e 64% de desaprovação, em julho de 1989. Mas há duas diferenças abissais: o ex-presidente só atingiu a ribanceira onde Dilma está quando terminava seus cinco anos de governo, após seguidos fracassos econômicos e sociais. E, diferentemente da petista, ele não fora eleito.
Por segmento, as piores avaliações de Dilma ocorrem entre os mais jovens (16 e 24 anos) e nas periferias dos grandes centros, entre os quais ela só obtém 6% de aprovação. Reflexo, provavelmente, do aumento do desemprego, que nesta faixa etária saltou de 10% para 16% desde dezembro. E, também, em razão da porta que a gestão petista bateu na cara dos interessados em estudar com os agora desfigurados Fies, Prouni e Pronatec.
Em todas as áreas de atuação, o governo de Dilma é fartamente rejeitado, sempre num patamar superior a 60%. Em temas como taxa de juros, impostos, combate à inflação e ao desemprego, a ojeriza é quase absoluta, próximo ou acima de 90%. Parece tão ruim que é difícil acreditar que pode piorar. Mas pode.
O fundo do poço ainda não chegou, como anteveem analistas mais gabaritados. O desemprego ainda vai subir mais, beirando os 10%. A atividade econômica ainda vai desacelerar mais, fechando o ano na pior recessão desde o governo Collor. O nível de confiança de consumidores e empresários não dá sinais de que irá reagir.
Ontem nos EUA, Dilma, alheia, passeou num veículo sem motorista. Depois de sair do automóvel, disse: “Acabei de descer do futuro”. O veículo do Google tem tecnologia de ponta que o livra de colisões. Não é o caso do Brasil da presidente: desgovernado, o país ruma contra o muro ou a caminho do precipício. Tem gente precisando, urgentemente, tomar um carro e ir embora de vez, apeada do presente. Ao passado, mostrou a pesquisa da CNI/Ibope, Dilma Rousseff já chegou.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Dilma no volume morto
Não importa o grupo social, não importa a faixa de renda ou a região de domicílio. Pelo país afora, independente do recorte estatístico, pelo menos seis de cada dez brasileiros reprovam o governo da presidente Dilma Rousseff. As péssimas condições da economia sugerem que a situação ainda vai piorar para a petista.
A reprovação a Dilma voltou a subir e agora 65% dos brasileiros consideram que a presidente faz um governo ruim ou péssimo, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no domingo. Na ponta de baixo, somente um em cada dez brasileiros aprova o jeito de a petista agir, avaliando sua gestão como ótima ou boa.
Os brasileiros sentem-se enganados pela presidente que prometeu um mundo cor de rosa na campanha eleitoral e está patrocinando um dos períodos mais atordoantes da história recente do país. Estamos sendo intoxicados por uma mistura de recessão brava, inflação e desemprego, sem falar na sufocante corrupção.
O futuro é sombrio. Apenas 19% ainda creem que a situação econômica vai melhorar, ante 53% que consideram que piorará. Nos detalhes, o pessimismo com as perspectivas do país é bem mais expressivo: 73% acham que o desemprego vai aumentar ainda mais e 77% avaliam que a inflação continuará subindo. Infelizmente, podem ter razão.
A impopularíssima Dilma encontra-se em companhias nada notáveis. Seu índice de desaprovação é semelhante ao de Fernando Collor um pouquinho antes de ele ser ejetado do cargo de presidente sob a acusação de corrupção ou de José Sarney, no fim de um governo em que ninguém suportava mais o então mandatário.
As semelhanças entre o agora e o passado vão mais longe. Além de ser a presidente mais rejeitada da história desde Collor, Dilma promove o maior desemprego desde 1992, segundo números do Caged divulgados na sexta-feira – 244 mil vagas foram eliminadas no ano até agora. A inflação também é a mais alta em quase 20 anos.
Dilma é a encarnação da mentira, algo que nem seu tutor consegue mais disfarçar. Em conversa com religiosos na semana passada, Lula disse que a presidente, o PT e ele mesmo estão “no volume morto”, padecendo da reprovação generalizada da população.
A reprovação a Dilma voltou a subir e agora 65% dos brasileiros consideram que a presidente faz um governo ruim ou péssimo, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no domingo. Na ponta de baixo, somente um em cada dez brasileiros aprova o jeito de a petista agir, avaliando sua gestão como ótima ou boa.
Os brasileiros sentem-se enganados pela presidente que prometeu um mundo cor de rosa na campanha eleitoral e está patrocinando um dos períodos mais atordoantes da história recente do país. Estamos sendo intoxicados por uma mistura de recessão brava, inflação e desemprego, sem falar na sufocante corrupção.
O futuro é sombrio. Apenas 19% ainda creem que a situação econômica vai melhorar, ante 53% que consideram que piorará. Nos detalhes, o pessimismo com as perspectivas do país é bem mais expressivo: 73% acham que o desemprego vai aumentar ainda mais e 77% avaliam que a inflação continuará subindo. Infelizmente, podem ter razão.
A impopularíssima Dilma encontra-se em companhias nada notáveis. Seu índice de desaprovação é semelhante ao de Fernando Collor um pouquinho antes de ele ser ejetado do cargo de presidente sob a acusação de corrupção ou de José Sarney, no fim de um governo em que ninguém suportava mais o então mandatário.
As semelhanças entre o agora e o passado vão mais longe. Além de ser a presidente mais rejeitada da história desde Collor, Dilma promove o maior desemprego desde 1992, segundo números do Caged divulgados na sexta-feira – 244 mil vagas foram eliminadas no ano até agora. A inflação também é a mais alta em quase 20 anos.
Dilma é a encarnação da mentira, algo que nem seu tutor consegue mais disfarçar. Em conversa com religiosos na semana passada, Lula disse que a presidente, o PT e ele mesmo estão “no volume morto”, padecendo da reprovação generalizada da população.
Na sua pregação, ele admitiu que, na campanha, Dilma prometeu aos brasileiros uma coisa e fez outra. “Os tucanos sabiamente colocaram Dilma falando isso [no programa de TV] e dizendo que ela mente. Era uma coisa muito forte. E fiquei muito preocupado”.
A farsa eleitoral já foi amplamente caracterizada. A novidade é que nem o PT é mais capaz de negá-la. Quem sofre na pele e paga a fatura é a população, principalmente os mais pobres. Mas, felizmente, a hora do acerto de conta parece estar chegando. E não apenas para Dilma. Mas também para Lula e o PT. Já deu.
A farsa eleitoral já foi amplamente caracterizada. A novidade é que nem o PT é mais capaz de negá-la. Quem sofre na pele e paga a fatura é a população, principalmente os mais pobres. Mas, felizmente, a hora do acerto de conta parece estar chegando. E não apenas para Dilma. Mas também para Lula e o PT. Já deu.
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terça-feira, 14 de abril de 2015
A marcha da cidadania continua
Não importa quantos foram, o que conta é o sentimento, que permanece o mesmo. Indignação, repúdio e insatisfação em relação ao governo do PT levaram centenas de milhares de pessoas novamente às ruas neste domingo. A marcha da cidadania mantém-se ativa e pulsante.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
O inferno é o limite
Mais uma pesquisa de opinião mostra a rejeição ampla, geral e quase irrestrita a Dilma Rousseff e seu governo. A petista vai igualando recordes negativos e garantindo seu lugar na história entre os presidentes mais odiados pelos brasileiros.
Segundo o Ibope, em pesquisa encomendada pela CNI, 64% dos brasileiros consideram que o governo que Dilma faz é ruim ou péssimo. O percentual mais que dobrou nestes três primeiros meses de mandato – em dezembro era 27%. Apenas 12% acham sua gestão ótima ou boa.
A maneira de Dilma governar é desaprovada por 78% da população e só 19% têm opinião oposta. Para completar o quadro, para cada brasileiro que confia na presidente da República três não confiam: em percentuais, são 24% e 74%, respectivamente.
A rejeição vai de Norte a Sul, de pobres a ricos, de letrados a analfabetos. A base eleitoral que sustentou as vitórias do PT nas últimas quatro eleições também rejeita Dilma. São 60% de ruim e péssimo entre os que têm renda familiar até um salário mínimo; 56% entre os menos escolarizados e 55% no Nordeste.
O governo Dilma é fartamente desaprovado em todas as nove áreas de atuação pesquisadas pelo Ibope. Há casos em que o desastre é quase unanimidade. A política para os juros é rejeitada por 89% e a de imposto, por 90%. Saúde, segurança e combate à inflação são desaprovados por pelo menos 80% dos brasileiros.
Pela baixíssima aprovação que ora exibe (12%), nem mesmo os petistas apoiam a presidente – a outra hipótese é que os petistas representam mesmo é apenas esta mixaria da população brasileira. O percentual coincide com o que já haviam apontado as pesquisas de opinião feitas pelo Datafolha e pelo MDA nas últimas semanas.
Segundo O Estado de S. Paulo, Dilma já é a presidente mais rejeitada da história dentro da série de pesquisas realizadas pelo Ibope, lado a lado com os piores índices registrados por José Sarney, em julho de 1989.
No Valor Econômico, a comparação é com João Baptista Figueiredo e Fernando Collor de Mello, presidentes da República que, à sua época, tinham um país quase ingovernável nas mãos, com inflação comendo solta, economia em estado de catatonia e nenhuma base de apoio política.
Na crônica política, momentos de tremendo baixo astral e parcas esperanças de melhora, com erosão de popularidade, perda de suporte parlamentar e descontrole na economia costumam ser chamados de “sarneyzação”. A continuar o quadro atual, teremos em breve um novo neologismo na língua portuguesa: a “dilmização”. Pior do que está fica. O inferno é o limite para Dilma Rousseff.
Segundo o Ibope, em pesquisa encomendada pela CNI, 64% dos brasileiros consideram que o governo que Dilma faz é ruim ou péssimo. O percentual mais que dobrou nestes três primeiros meses de mandato – em dezembro era 27%. Apenas 12% acham sua gestão ótima ou boa.
A maneira de Dilma governar é desaprovada por 78% da população e só 19% têm opinião oposta. Para completar o quadro, para cada brasileiro que confia na presidente da República três não confiam: em percentuais, são 24% e 74%, respectivamente.
A rejeição vai de Norte a Sul, de pobres a ricos, de letrados a analfabetos. A base eleitoral que sustentou as vitórias do PT nas últimas quatro eleições também rejeita Dilma. São 60% de ruim e péssimo entre os que têm renda familiar até um salário mínimo; 56% entre os menos escolarizados e 55% no Nordeste.
O governo Dilma é fartamente desaprovado em todas as nove áreas de atuação pesquisadas pelo Ibope. Há casos em que o desastre é quase unanimidade. A política para os juros é rejeitada por 89% e a de imposto, por 90%. Saúde, segurança e combate à inflação são desaprovados por pelo menos 80% dos brasileiros.
Pela baixíssima aprovação que ora exibe (12%), nem mesmo os petistas apoiam a presidente – a outra hipótese é que os petistas representam mesmo é apenas esta mixaria da população brasileira. O percentual coincide com o que já haviam apontado as pesquisas de opinião feitas pelo Datafolha e pelo MDA nas últimas semanas.
Segundo O Estado de S. Paulo, Dilma já é a presidente mais rejeitada da história dentro da série de pesquisas realizadas pelo Ibope, lado a lado com os piores índices registrados por José Sarney, em julho de 1989.
No Valor Econômico, a comparação é com João Baptista Figueiredo e Fernando Collor de Mello, presidentes da República que, à sua época, tinham um país quase ingovernável nas mãos, com inflação comendo solta, economia em estado de catatonia e nenhuma base de apoio política.
Na crônica política, momentos de tremendo baixo astral e parcas esperanças de melhora, com erosão de popularidade, perda de suporte parlamentar e descontrole na economia costumam ser chamados de “sarneyzação”. A continuar o quadro atual, teremos em breve um novo neologismo na língua portuguesa: a “dilmização”. Pior do que está fica. O inferno é o limite para Dilma Rousseff.
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quarta-feira, 25 de março de 2015
O ocaso de uma presidente
Mais uma pesquisa de opinião mostra a erosão da popularidade de Dilma Rousseff. Nunca uma presidente da República teve sua atuação pessoal tão reprovada pela população. Como corolário deste purgatório, se a eleição fosse hoje talvez nem houvesse segundo turno, com fragorosa derrota da petista para Aécio Neves. Quase 60% dos brasileiros vão ainda mais longe e defendem o impeachment da petista.
O levantamento feito pelo instituto MDA sob encomenda da CNT indica que 64,8% dos brasileiros têm avaliação negativa do governo da presidente, percentual praticamente igual aos 62% aferidos pelo Datafolha na semana passada. 77,7% reprovam o desempenho pessoal de Dilma como presidente, a pior marca já medida pelo instituto neste quesito.
“Os resultados mostram queda expressiva da popularidade da presidente e da avaliação do governo, em consequência, principalmente, da piora da situação econômica, do aumento da inflação e do custo de vida, do risco de desemprego, da piora nos serviços públicos e da corrupção, que passa a ser relacionada fortemente ao governo e à presidente da República”, sintetizam os pesquisadores.
O espírito geral é de desalento. Quando questionados se o governo do PT pode melhorar sua atuação em cinco diferentes áreas (emprego, renda, saúde, educação e segurança), nunca mais de 15% dos entrevistados concordam com a possibilidade.
Quando o assunto é corrupção, Dilma aparece de mãos dadas com seu tutor. Para 69%, ela é culpada pela roubalheira descoberta na Petrobras, quase o mesmo percentual (68%) dos que acham que Lula também tem responsabilidade no cartório. Para 90%, a debacle econômica atual é decorrência da corrupção e da má gestão pública no país.
É expressivo o pessimismo dos brasileiros em relação ao futuro do país. Para 88% dos entrevistados, a economia brasileira está em retrocesso ou, na melhor das hipóteses, parada. Uma das maiores ameaças é a inflação: 68,7% acham que o governo do PT não manterá o compromisso com o controle dos preços.
São minoria os que põem fé nas medidas anunciadas por Dilma para reverter a crise que ela mesma criou ao longo do primeiro mandato. Para 66,9% dos pesquisados, as medidas tomadas atualmente pelo governo petista não serão capazes de tirar o país do buraco em que se encontra; 82,9% acham que Dilma não está sabendo lidar com a difícil situação.
Diante destes resultados, deverá ser fugaz o alento produzido pela decisão anunciada ontem pela Standard & Poor’s de não rebaixar, por ora, a nota de crédito do Brasil. A agência aposta no êxito do governo em aprovar no Congresso o pacote de medidas amargas do arrocho fiscal. Se isso acontecer, Dilma Rousseff possivelmente atrairá a ira de muito mais gente. Trata-se de caso de raro ocaso precoce de uma presidente.
O levantamento feito pelo instituto MDA sob encomenda da CNT indica que 64,8% dos brasileiros têm avaliação negativa do governo da presidente, percentual praticamente igual aos 62% aferidos pelo Datafolha na semana passada. 77,7% reprovam o desempenho pessoal de Dilma como presidente, a pior marca já medida pelo instituto neste quesito.
“Os resultados mostram queda expressiva da popularidade da presidente e da avaliação do governo, em consequência, principalmente, da piora da situação econômica, do aumento da inflação e do custo de vida, do risco de desemprego, da piora nos serviços públicos e da corrupção, que passa a ser relacionada fortemente ao governo e à presidente da República”, sintetizam os pesquisadores.
O espírito geral é de desalento. Quando questionados se o governo do PT pode melhorar sua atuação em cinco diferentes áreas (emprego, renda, saúde, educação e segurança), nunca mais de 15% dos entrevistados concordam com a possibilidade.
Quando o assunto é corrupção, Dilma aparece de mãos dadas com seu tutor. Para 69%, ela é culpada pela roubalheira descoberta na Petrobras, quase o mesmo percentual (68%) dos que acham que Lula também tem responsabilidade no cartório. Para 90%, a debacle econômica atual é decorrência da corrupção e da má gestão pública no país.
É expressivo o pessimismo dos brasileiros em relação ao futuro do país. Para 88% dos entrevistados, a economia brasileira está em retrocesso ou, na melhor das hipóteses, parada. Uma das maiores ameaças é a inflação: 68,7% acham que o governo do PT não manterá o compromisso com o controle dos preços.
São minoria os que põem fé nas medidas anunciadas por Dilma para reverter a crise que ela mesma criou ao longo do primeiro mandato. Para 66,9% dos pesquisados, as medidas tomadas atualmente pelo governo petista não serão capazes de tirar o país do buraco em que se encontra; 82,9% acham que Dilma não está sabendo lidar com a difícil situação.
Diante destes resultados, deverá ser fugaz o alento produzido pela decisão anunciada ontem pela Standard & Poor’s de não rebaixar, por ora, a nota de crédito do Brasil. A agência aposta no êxito do governo em aprovar no Congresso o pacote de medidas amargas do arrocho fiscal. Se isso acontecer, Dilma Rousseff possivelmente atrairá a ira de muito mais gente. Trata-se de caso de raro ocaso precoce de uma presidente.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Dilma derrete
Neste fim de verão, o sol já não brilha mais tão inclemente, mas Dilma Rousseff derrete a olhos vistos. A pesquisa do Datafolha publicada hoje a torna a presidente mais mal avaliada da história da República em época de normalidade democrática. Os brasileiros têm motivos de sobra para detestar a petista cada vez mais.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Numa pesquisa interna da Secretaria de Comunicação, desde as eleições 32% mudaram de opinião negativamente em relação ao governo. Pelo Datafolha, a desaprovação da presidente subiu 42 pontos desde outubro passado.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
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Thomas Traumann
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O povo não é bobo
Nada melhor que a dura realidade para responder, pronta e adequadamente, as bravatas petistas. Menos de 24 horas depois de o partido do mensalão e do petrolão desfilar teorias conspiratórias na sua festa de 35 anos de fundação, o Datafolha mostrou com cores vívidas a ojeriza que a população cultiva atualmente em relação ao governo do PT.
O dado mais significativo é a monumental queda na popularidade de Dilma Rousseff. Somam 44% os que consideram o governo dela ruim ou péssimo. É a pior avaliação de um presidente da República registrada pelo instituto desde que este século começou. No início de dezembro, eram 24% os que se manifestavam assim.
Ao aumento da desaprovação corresponde, quase milimetricamente, a queda na aprovação da presidente, que baixou de 42% para 23% no período. Há um vaso comunicante ligando diretamente as duas curvas, sem paradas intermediárias – o percentual dos que acham o governo Dilma apenas regular não se alterou (33%).
Neste período de erosão de popularidade, a população deparou-se com uma Dilma muito diferente daquela que o marketing petista exitosamente construíra na campanha eleitoral.
O dado mais significativo é a monumental queda na popularidade de Dilma Rousseff. Somam 44% os que consideram o governo dela ruim ou péssimo. É a pior avaliação de um presidente da República registrada pelo instituto desde que este século começou. No início de dezembro, eram 24% os que se manifestavam assim.
Ao aumento da desaprovação corresponde, quase milimetricamente, a queda na aprovação da presidente, que baixou de 42% para 23% no período. Há um vaso comunicante ligando diretamente as duas curvas, sem paradas intermediárias – o percentual dos que acham o governo Dilma apenas regular não se alterou (33%).
Neste período de erosão de popularidade, a população deparou-se com uma Dilma muito diferente daquela que o marketing petista exitosamente construíra na campanha eleitoral.
Há quatro meses, a presidente faz o oposto do que prometera em cima dos palanques. Ao mesmo tempo revela-se um país muito diferente do que o PT dizia ser o Brasil do momento, principalmente com imensas dificuldades econômicas, a começar pela carestia.
Também por esta razão, 60% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que Dilma mentiu na campanha. Ou seja, o estelionato eleitoral não é figura de retórica da oposição, mas sim a percepção verdadeira da população brasileira hoje. Como seus principais atributos, a presidente carrega agora ser “desonesta” (47%), “falsa” (54%) e “indecisa” (50%).
O mar de escândalos que se sucedem nos últimos tempos também alçou a corrupção ao posto de segundo maior problema do país, atrás apenas da saúde, segundo os entrevistados pelo Datafolha.
Também por esta razão, 60% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que Dilma mentiu na campanha. Ou seja, o estelionato eleitoral não é figura de retórica da oposição, mas sim a percepção verdadeira da população brasileira hoje. Como seus principais atributos, a presidente carrega agora ser “desonesta” (47%), “falsa” (54%) e “indecisa” (50%).
O mar de escândalos que se sucedem nos últimos tempos também alçou a corrupção ao posto de segundo maior problema do país, atrás apenas da saúde, segundo os entrevistados pelo Datafolha.
Para 52%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ela ocorresse. A população parece perceber claramente que a roubalheira coincide com a trajetória política e administrativa da presidente; não há como dissociá-las.
Nestas horas de crise aguda, a resposta petista é sempre a mesma: acusar os críticos de “golpismo”, como fez Dilma na celebração dos 35 anos do PT na sexta-feira, ou tentar igualar a todos na lama, como buscou Lula na mesma ocasião. É a velha tática de quem foi pego na botija e imputa ao mensageiro o dissabor contido nas mensagens.
Diz-se agora que, à guisa de reação, a propaganda oficial vai tentar ressuscitar figurinos que a presidente envergou no início de seu governo e mostrar uma Dilma gerentona e eficaz, como forma de recuperar simpatia popular. Mas as condições de agora são muito distintas das de outrora: o que quatro anos atrás podia ser novidade hoje é história sobejamente conhecida, que o povo já sabe no que vai dar. A chapa vai ferver.
Nestas horas de crise aguda, a resposta petista é sempre a mesma: acusar os críticos de “golpismo”, como fez Dilma na celebração dos 35 anos do PT na sexta-feira, ou tentar igualar a todos na lama, como buscou Lula na mesma ocasião. É a velha tática de quem foi pego na botija e imputa ao mensageiro o dissabor contido nas mensagens.
Diz-se agora que, à guisa de reação, a propaganda oficial vai tentar ressuscitar figurinos que a presidente envergou no início de seu governo e mostrar uma Dilma gerentona e eficaz, como forma de recuperar simpatia popular. Mas as condições de agora são muito distintas das de outrora: o que quatro anos atrás podia ser novidade hoje é história sobejamente conhecida, que o povo já sabe no que vai dar. A chapa vai ferver.
sábado, 10 de maio de 2014
O povo na rua
Falta pouco mais de um
mês para o início da Copa do Mundo. E o que o governo mais temia ameaça se
concretizar: o retorno das manifestações por serviços públicos mais decentes,
justamente na época em que o país estará em maior evidência mundial. Ontem,
pipocaram protestos por todo o país. Parece que o povo começou a voltar para a
rua.
Tem para todos os
gostos. Houve marchas e bloqueio de vias em São Paulo, transporte público
parado no Rio, funcionários públicos em greve em Fortaleza e Salvador, rodoviários
de braços cruzados em Florianópolis, Campinas e no Grande ABC. Segundo a Folha de S.Paulo, desde fins de março ocorrem
em média cinco protestos por dia ao redor do país. O caldeirão está em
ebulição.
Se muitas das
manifestações são justas no conteúdo, algumas são especialmente equivocadas na
forma. Por mais que haja frustração generalizada com o legado que a Copa traria
e não trouxe e revolta pela montanha de dinheiro público que foi consumida em estádios
e em benefícios privados ligados ao torneio, nada justifica arruaças como as vistas
ontem nas duas principais cidades brasileiras.
Invadir prédio de
construtoras e pichar paredes de escritórios com palavras de ordem, como
aconteceu no movimento dos sem-teto em São Paulo, e quebradeira de quase 500 ônibus
no Rio não são práticas aceitáveis numa sociedade democrática.
A desordem merece
repúdio. Mas ontem se viu foi brindada com gestos amenos e espaço na agenda
concedido pela presidente da República aos mesmos que promoveram os atos
acintosos na capital paulista. Está errado.
Em campanha desabrida
por um novo mandato, Dilma Rousseff tenta transformar tudo em dividendo
eleitoral. A turma da baderna é aliada do PT, mas a candidata é, antes de tudo,
a primeira mandatária do país. Que sinal passa para a população ao distribuir
sorrisos a quem, horas antes, aviltara propriedades?
Motivos para
protestar, os sem-teto até têm. O Minha Casa Minha Vida é um fracasso
retumbante naquilo que era seu maior objetivo: diminuir a falta de moradia para
famílias pobres.
Apenas 15% das 1,2
milhão de habitações prometidas para famílias com renda até três salários mínimos
foram concluídas, mostrou O Estado de S. Paulo em janeiro. Não há perspectiva de melhora, mas o
governo petista prefere acenar com uma terceira fase do programa, antes de
sequer passar perto de entregar o que prometeu.
Sobre a qualidade
dos serviços públicos e o parco legado em termos de melhoria da qualidade de
vida nos nossos grandes centros que adviria da realização da Copa, é ocioso tratar. Basta olhar em volta e constatar a distância entre as
expectativas criadas desde que o Brasil foi escolhido pela Fifa, em 2007, e a
realidade atual. Quase nada aconteceu.
Dilma provavelmente
recebeu as lideranças do movimento de sem-teto ontem em São Paulo em mais uma
tentativa de tentar encaixar-se no figurino da mudança pela qual os brasileiros
– e nem só os que têm disposição de ir para as ruas – clamam. Mas sua
capacidade de ludibriar os eleitores está escasseando.
Pesquisa que o Datafolha
divulga hoje – com alta de Aécio Neves nas intenções de voto – mostra que
continua cada vez mais elevado o clamor de pessoas que querem ver o Brasil
mudar. Já são 74% os que pensam assim e não é à petista que eles mais associam
a capacidade de atender seu anseio.
Segundo a pesquisa,
Aécio tem mais capacidade de fazer as mudanças que o país pede do que a
presidente em busca de um segundo mandato. Hoje, 19% atribuem esta qualidade ao
tucano e apenas 15% a Dilma. Há dois meses, os percentuais eram invertidos: 10%
viam mais preparo no tucano e 19% na petista. O vetor da mudança mudou.
O mesmo levantamento
mostra Dilma com marca recorde de avaliação ruim ou péssima de sua gestão.
Agora, 26% da população qualifica seu governo desta maneira, mais que os 25%
aferidos no auge dos protestos de junho passado. É este caldo que alimenta a
mais nova onda de protestos que parece se prenunciar.
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Dilma não passa de ano
Não deve estar muito
tranquila a situação nas hostes governistas. A realidade não está se
comportando como planejado pelo marketing oficial e a presidente Dilma Rousseff
está derretendo nas pesquisas de opinião. A ojeriza ao governo dela é hoje até
maior do que aquela que levou milhões a protestar nas ruas no ano passado. A
petista é um fiasco.
Neste fim de semana,
o Datafolha divulgou
nova rodada de pesquisas eleitorais e de avaliação de governo. O dado mais
forte foi a queda de seis pontos na intenção de voto na presidente, que passou de
44% para 38% desde fevereiro. Com este percentual, Dilma ainda venceria a
eleição no primeiro turno. Mas como levar isso ao pé da letra, se, por
enquanto, só ela está na disputa? Trata-se de embate, por ora, bastante desigual.
As intenções de voto
em Dilma não despencaram à toa. A população brasileira está detestando a administração
da petista. Natural supor que, tão logo passem a identificar melhor que há
alternativas ao modelo que há 12 anos está aí, os eleitores desembarquem com
ainda mais força do barco da presidente. Motivos para isso têm de sobra.
Há uma decepção
generalizada com a gestão de Dilma. Hoje, 63% consideram que ela faz pelo país
menos do que esperavam. Há um ano, eram 34% os que pensavam a mesma coisa, ou
seja, o contingente dos insatisfeitos praticamente dobrou. O que mais desagrada
à população é o trato que a presidente dá a temas econômicos. Cresce,
principalmente, o temor frente à escalada da inflação.
Atualmente, ainda
segundo o Datafolha, 65% dos brasileiros acreditam que a inflação vai aumentar.
Ou seja, duas de cada três pessoas têm percepção negativa sobre o comportamento
dos preços – o que não é difícil: basta ir à feira e ao supermercado para
constatar que tudo, tudo mesmo, ficou muito mais caro nos últimos tempos. Em 12
meses, a expectativa negativa em relação à inflação cresceu 20 pontos.
Também aumentaram o pessimismo
em relação ao poder de compra dos salários, à situação econômica geral do país
e ao emprego. Para 45% dos entrevistados, o desemprego vai piorar no país. Trata-se
da mais alta taxa com esta percepção desde a posse de Dilma e equivale a
praticamente o dobro de três anos atrás.
Resta claro que as coisas
não estão saindo como planejado pelo marketing petista. Em outubro do ano
passado, João Santana, o 40° ministro do governo Dilma, previu
que a presidente recuperaria toda a sua popularidade até o fim de 2013.
Magnânima, veria uma “antropofagia de anões” entre seus adversários. Não é isso
o que aconteceu.
A avaliação da
presidente é hoje tão ruim quanto era no auge dos protestos do outono de 2013.
O percentual dos que consideram seu governo ruim ou péssimo é recorde: 25%, os
mesmos anotados na pesquisa que o Datafolha fez em fins de junho do ano
passado. Os que a consideram ótima ou boa somam 36%, levemente acima dos 30%
daquela época. Não é situação confortável.
O sentimento
dominante na população brasileira é de mudança. Segundo o Datafolha, 72% dos
entrevistados querem novos rumos para o país. O desejo pela renovação vem sendo
captado pelos institutos de pesquisa desde meados do ano passado. Vinha oscilando
em torno de 66% e agora atingiu seu patamar mais alto.
Na média, a
administração de Dilma leva nota 5,9, apenas minimamente acima dos 5,8 registrados
durante os protestos de junho – índice mais baixo deste governo. Trata-se de
uma boa síntese da gestão da petista: se fosse aluna de uma instituição séria de
ensino, Dilma Rousseff não passaria de ano. Como é uma má presidente da
República, não emplacará seu segundo mandato. Os brasileiros a derrotarão nas
urnas em outubro.
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sábado, 29 de março de 2014
Afunda, Dilma
A insatisfação ampla, geral e irrestrita em relação ao desgoverno da presidente Dilma Rousseff vai se espraiando entre os brasileiros, em todas as regiões, em todas as áreas de atuação. É um fracasso de cabo a rabo, percebido no dia a dia de uma gestão desnorteada e que agora começa a se refletir com mais intensidade nas pesquisas de opinião – e olha que elas ainda nem captaram a mais nova onda de escândalos, envolvendo as falcatruas na Petrobras...
A popularidade da
presidente caiu sete pontos desde novembro, segundo levantamento patrocinado
pela CNI e divulgado ontem pelo Ibope.
Passou de 43% para 36%. Falta pouco para a aprovação ao governo Dilma voltar ao
tamaninho que chegou a ter no auge das manifestações do ano passado e seu pior
momento até agora.
Dos 32 pontos de popularidade que perdeu
ao longo do primeiro semestre de 2013 até o auge das manifestações de rua, Dilma
chegou a recuperar 12, conforme registrou o Ibope em novembro. Mesmo pouco, o alento
durou quase nada. Com os pontos que ela agora tornou a perder, resulta que a
presidente reconquistou apenas cinco dos 32 pontos de sua popularidade avariada.
Não parece exibir fôlego.
Ao mesmo tempo em que
a aprovação cai, o percentual dos que avaliam a gestão da presidente como ruim
ou péssima sobe com força. Hoje, este contingente é quatro vezes maior do que
era há apenas um ano. Vale dizer: em março de 2013, 7% achavam o governo de Dilma
ruim ou péssimo e agora este grupo soma 27%, já se aproximando dos 31% de julho
do ano passado, ponto mais crítico da atual gestão.
Consideradas estas
duas curvas, a presidente está hoje tão mal avaliada quanto estava logo depois
que milhares de brasileiros protestaram nas ruas, no inverno de 2013. Com uma
diferença: o saldo positivo era de 15 pontos em setembro último e agora é de
apenas nove. Não há um estouro de boiada de insatisfação, como aconteceu
naquela ocasião, mas há um mal-estar cada vez mais disseminado.
Parece haver um duto
drenando a popularidade de Dilma e transformando-a diretamente em repulsa. A antiga
aprovação (ótimo+bom) está se convertendo em desaprovação (ruim+péssimo) numa
viagem sem escala pelo patamar de avaliação regular, como costuma acontecer. Enquanto
a aprovação caiu sete pontos, a desaprovação subiu também sete pontos, de 20%
para 27% de novembro para cá. Regular apenas oscilou de 35% para 36%.
A insatisfação ainda
é meio difusa. Mas ganha contornos claros quando se pergunta aos entrevistados como
avaliam o governo em diferentes campos de atuação. E o que ocorre é que, pela
primeira vez em 39 meses de governo, a presidente tem sua gestão reprovada em todas
as nove áreas aferidas pela pesquisa. “O descontentamento aumentou mais
notadamente com relação às políticas econômicas, refletindo a maior preocupação
com relação à inflação e ao desemprego”, destacou o Ibope.
Para cada brasileiro
que aprova a condução da economia pelo governo Dilma, três desaprovam, segundo O Globo. A proporção é bastante próxima disso no que se refere ao combate
à inflação (71% de insatisfação) e maior ainda na política de juros (73%). Nesta
seara, a presidente não terá nenhuma chance de refresco pela frente: ontem, o Banco Central
sinalizou
que conta com inflação maior, crescimento menor e, possivelmente, juros mais
altos no horizonte.
A proporção se
repete na saúde: 77% de desaprovação e somente 21% de aprovação, numa das insatisfações
mais acachapantes entre todas as nove áreas pesquisadas – só não é maior que a
relativa aos impostos. Está aí mais uma prova de que os brasileiros não se
deixam enganar por coelhos tirados da cartola para ludibriar a população, como o programa Mais Médicos. O mesmo acontece na segurança: 76% a 22%. Na educação,
para cada brasileiro que aprova, dois desaprovam.
Até áreas consideradas
caras ao PT estão caindo de podre. A desaprovação já é maior também às
políticas de combate à pobreza – núcleo estratégico do governo entre os mais
pobres e maiores eleitores de Dilma – e de combate ao desemprego, com 57%
desaprovando a atuação da presidente em relação ao assunto e 40% demonstrando
satisfação – percentuais que eram inversos um ano atrás.
A repulsa à
presidente Dilma também começa a se espraiar pelo interior do país, numa
indicação de que a erosão na popularidade dela está mais para voçoroca. Em
cidades com até 20 mil habitantes, o percentual dos que consideram a gestão
atual ótima ou boa caiu de 59% para 44%. Foi a mais intensa queda entre os estratos
pesquisados pelo Ibope.
A população
brasileira quer mudar, como vêm mostrando todas as pesquisas de opinião de
todos os institutos desde fins do ano passado. A novidade, porém, é que a
mudança já está sendo associada a nomes. Segundo outra pesquisa do Ibope Inteligência, Aécio Neves é citado por 18% dos entrevistados como quem tem
mais condições de fazer as transformações que o país necessita. Outros 13%
apontam Marina Silva e 8%, Eduardo Campos. Com Dilma afundando, o caminho está
aberto.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O Brasil quer mudança
Pesquisas de opinião
divulgadas neste fim de semana revelam qual o humor atual da população brasileira
em relação ao governo. Em síntese, continua muito forte o sentimento de
mudança, a aprovação da gestão Dilma Rousseff está, na melhor das hipóteses,
estacionada e as esperanças dos cidadãos quanto ao futuro não são nada positivas.
No sábado, em
pesquisa publicada por O Estado de S. Paulo, o Ibope mostrou que a aprovação ao governo Dilma –
ou seja, o percentual de quem considera sua gestão ótima ou boa – caiu quatro
pontos e encontra-se hoje em 39%. Está, portanto, bem abaixo do recorde de 63%,
verificado em março de 2013.
Na outra ponta, ainda
segundo o Ibope, hoje o percentual dos que avaliam o governo Dilma como ruim ou
péssimo subiu também quatro pontos, para 24%. A máxima neste indicador também
ocorreu em julho do ano passado, com 31%.
No rescaldo das movimentações
de rua, a popularidade da presidente caiu à metade e desceu a 31% em julho de
2013. Resumo da ópera: passados sete meses desde os protestos, Dilma recuperou
apenas oito dos 32 pontos que chegou a perder.
O Datafolha, em
pesquisa publicada ontem pela Folha de S.Paulo, também captou a mesma alta na taxa dos que consideram o
governo Dilma ruim ou péssimo: a desaprovação passou de 17% em novembro para
21% agora. Ótimo e bom ficaram estacionados em 41%.
Os movimentos ao
longo dos meses são muito parecidos com os do Ibope. No Datafolha, Dilma desceu
dos 65% de aprovação recorde em março para 30% no finzinho de junho do ano
passado. Ou seja, nestes últimos sete meses recuperou somente 11 dos 35 pontos
que perdeu desde as manifestações de rua.
Cotejadas, as duas
pesquisas parecem indicar que Dilma encontra-se hoje estacionada no que pode
ser o seu teto, na casa em torno dos 40% de aprovação. Interessante notar que
os pontos recuperados pela presidente o foram logo após as manifestações.
Desde
então, houve apenas um soluço positivo – que alguns analistas chamam de “efeito
Papai Noel”, em razão do clima favorável que marca as festas de fim de ano – em
dezembro do ano passado e, agora, nova queda ou estagnação na aprovação.
Um primeiro aspecto
a considerar é que se frustrou a previsão feita pelos gurus do marketing
presidencial que disseram que, em quatro meses, Dilma estaria de volta ao
patamar recorde que exibira antes das manifestações. “Ocorrerá uma antropofagia
de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no
Olimpo”, disse
João Santana em outubro passado.
A opinião dos
brasileiros também revela quão desesperançada a população está com o governo
atual. O Datafolha esmiuçou o humor dos entrevistados quanto ao futuro e captou
desejo de mudança em 67% deles. Apenas 26% afirmam que querem que as ações do
governo continuem como estão – nem Lula as suporta mais, como mostra a Folha
hoje...
A perspectiva
econômica é a que inspira mais pessimismo na população. Os que não creem em
melhora na sua própria situação nos próximos meses já são maioria (49% acham
que continuarão como estão ou piorarão). Em relação à condição da economia
brasileira como um todo, 27% acham que vai piorar e 34% apostam que vai
melhorar; para 35% permanecerá tudo como está.
Nada menos que 59% dos
entrevistados pelo Datafolha acreditam que a inflação vai aumentar, com
reflexos diretos no poder de compra dos salários, que tende a diminuir para 31% dos
entrevistados. Já 39% dos 2.614 ouvidos pelo Datafolha também creem que o
desemprego no país vai aumentar.
Tais números indicam
que o desalento também já vai se espraiando pela população. É o contrário do
propagandeado pelo marketing oficial, segundo o qual “a economia vai mal, mas o
povo vai bem”.
Não surpreende que esta insatisfação ainda não se reflita nas
pesquisas de intenção de voto para presidente. Afinal, o que temos hoje é
apenas uma presidente candidata em campanha explícita que seus concorrentes só
poderão fazer a partir de junho.
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sábado, 3 de agosto de 2013
A rainha nua
Nada traduz melhor o atual estado e a fraqueza da chefe da nação para lidar com as questões do país do que a pesquisa que o Ibope divulgou ontem sobre a confiança dos brasileiros nas instituições e grupos sociais. Dilma Rousseff conseguiu enxovalhar, como nunca antes na história, a reputação da Presidência da República.
O levantamento mostra que o grau de confiança da população na
instituição “presidente da República” caiu de 63 em 2012 para 42 neste ano. Foi
a maior queda medida pelo Ibope, tanto em termos absolutos (21 pontos), quanto
relativos (33%), nesta rodada – a quinta desde que a pesquisa anual passou a
ser feita, em 2009.
A brutal queda na percepção positiva que os cidadãos têm
sobre a figura da presidente da República também representa o triplo da redução
média verificada na confiança que os brasileiros nutrem pelas instituições do
país em geral, que foi de 7 pontos ou 13%: passou de 54 para 47 pontos, numa
escala que vai de 0 a 100.
Desde que Dilma assumiu o governo, há dois anos e meio, a
confiança dos brasileiros na figura da presidente já caiu quase 40%. Até a
gestão passada, a Presidência era considerada a 3ª instituição mais confiável,
atrás apenas dos bombeiros e das igrejas. Hoje, é apenas a 11ª mais respeitada.
“No primeiro ano de governo de Dilma Rousseff, seu índice de
confiança caiu de 69 para 60. Recuperou-se para 63 no ano seguinte, e despencou
agora para 42 – uma nota ‘vermelha’. Em um ano, saiu da 4ª posição no ranking
para a 11ª. Nenhuma outra instituição perdeu tantas colocações em tão pouco
tempo”, informa O Estado de S.Paulo, que divulgou os resultados da pesquisa do Ibope, chamada Índice de
Confiança Social.
Em regiões e grupos sociais específicos, a presidente goza
de ainda menos confiança junto aos brasileiros. No Sudeste, seu índice caiu de 60
para 34 em um ano. Entre as classes A e B, chegou a 36. Só o Nordeste e as
classes D e E continuam salvando Dilma de uma avaliação ainda mais amarga.
Entre 2012 e 2013, a queda de confiança foi generalizada e
atingiu todas as 18 instituições pesquisadas. Mas as únicas com desempenho tão
negativo quanto a presidente da República são o governo federal, com queda de
23% desde 2012, e o sistema público de saúde, com perda de 24%. Ou seja, também
estão intimamente relacionadas ao desempenho da atual gestão. Todas as demais instituições perderam
menos de 20% entre um ano e outro.
O levantamento vem se somar às pesquisas de opinião pública mais
recentes, que demonstram a ascendente desaprovação da população brasileira ao jeito
Dilma de governar. Fica cada vez mais evidente sua incapacidade para enfrentar
os crescentes problemas que o país atravessa. Fica cada vez mais nítida sua
falta de talhe para o cargo. A rainha está nua.
Cada vez mais, os brasileiros vão se apercebendo que estão
diante de um governo sem norte, sem comando, sem outros propósitos que não seja
unicamente preservar, a todo o custo, o poder conquistado e exercido ao longo
de uma década.
O governo Dilma está se notabilizando por conduzir o país a
um grau alarmante de paralisia e de preocupante desorientação. Suas propostas e decisões
não conseguem sobreviver ao choque da realidade. Suas ideias não correspondem
aos fatos. Suas intenções esbarram na inépcia de quem não se mostra capaz de transformar
o que é papel e saliva em realidade.
Suas muitas promessas continuam sem ser cumpridas – vide o
que acontece em qualquer uma das áreas de infraestrutura, das ferrovias aos
aeroportos e estradas. Sua incapacidade para enxergar o óbvio chega a cegar – veja-se
o risco ascendente que agora rondam as privatizações que o governo federal pretende
levar adiante nos próximos meses.
A indústria definha, num ziguezague que só tende a levá-la
ainda mais fundo para o buraco. O comércio exterior nunca esteve tão mal,
abatido por importações cavalares de petróleo num país que até outro dia se dizia
autossuficiente. Os serviços públicos continuam em petição de miséria – na
pesquisa do Ibope, o sistema de saúde só não é mais mal avaliado que o Congresso
e os partidos políticos.
É inegável que a perda de confiança da população na figura que
exerce a função mais importante no país acaba respingando nas demais esferas. Com
sua péssima atuação à frente do governo, a presidente está conseguindo erodir não
apenas o seu capital político, mas também depreciar ainda mais todas as
instituições da República. A dose de malefícios que ela está impondo ao Brasil já
ultrapassou os limites. A pesquisa feita pelo Ibope é o retrato mais fiel de
que o tempo de Dilma Rousseff passou.
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
PT é vidraça, e não pedra
O Partido dos Trabalhadores está no poder há 10 anos e meio,
mas seu líder máximo acha que pode continuar se comportando como se estivesse
na oposição. Sempre que pode, Luiz Inácio Lula da Silva exercita seu velho
estilo pendular: posar de pedra quando, na verdade, é vidraça. O ex-presidente
e o PT tentam ocupar todos os espaços, quando a sociedade brasileira vai
deixando claro que não há espaço algum para eles.
Lula passou toda a temporada de protestos de junho na muda.
Palavra alguma se ouviu dele quando milhões de brasileiros foram às ruas para
manifestar sua indignação em relação ao estado deplorável da prestação dos
serviços públicos no país, à malversação de dinheiro público, à corrosão das
práticas políticas, à corrupção deslavada.
O ex-presidente manifesta-se agora, em artigo em inglês
distribuído ontem pelo The
New York Times. Oportunisticamente, tenta articular uma análise pela
qual, no fim das contas, as manifestações só aconteceram com tamanho vigor porque
o governo dele e o da presidente Dilma Rousseff foram bem sucedidos demais. Os
brasileiros teriam ido às ruas porque “querem mais”.
Engana-se Lula: os brasileiros não querem mais do mesmo, mas
sim algo diferente do que aí está. Os protestos foram claríssimos quanto a
isso: não à roubalheira; não ao descaso quanto a atendimentos de saúde, escolas
e transportes públicos de péssima qualidade; e um não rotundo à forma
emporcalhada de fazer política que há quase 11 anos o PT patrocina.
Sempre que se veem em apuros, Lula e os petistas lançam mão
da mesma estratégia: confundir-se com os críticos, para tentar sair incólumes
das pedradas. É como se o partido nunca tivesse saído da oposição. Como sua
atuação antes de chegar ao poder é mais bem vista (e mais edulcorada) do que
seus hábitos no governo, a mandracaria às vezes cola.
Foi assim quando da eclosão da descoberta do mensalão, em
2005. Lá foi Lula tentar convencer a sociedade brasileira de que o PT cometera
o mesmo pecadilho que cometem todos os demais partidos do país, nada demais. Oito
anos depois, porém, os próceres petistas estão condenados pelo STF a passar anos
na cadeia.
Desde então, não foram poucas as vezes em que Lula e alguns
outros líderes petistas afirmaram que o Partido dos Trabalhadores precisava se
renovar. O argumento volta agora, mas funciona, na realidade, como a máxima de “O
Leopardo”: Mudar para manter tudo como está.
A “profunda renovação” que Lula prega talvez encontre sua
mais perfeita tradução na ressurreição de cardeais da política brasileira que a
sociedade execra e repudia, mas que o PT gostosamente patrocinou com a
finalidade de manter-se no poder, ao mesmo tempo em que exercitou, sem pejo, o
mais deplorável loteamento do aparato estatal que se tem notícia.
“Acima de tudo, eles [os jovens] exigem instituições
políticas mais limpas e mais transparentes, sem as distorções do sistema
político e eleitoral anacrônico do Brasil. (...) Em suma, eles querem ser
ouvidos”, escreve Lula. Haja cinismo.
Assim como o PT, o ex-presidente insiste numa reforma
política que, antes de tudo, sustenta-se em interesses do próprio partido, como
o financiamento público de campanhas e o voto em lista fechada, e não em legítimas
aspirações por mais participação popular nas decisões do Parlamento. A maneira petista
de conduzir as discussões sobre o assunto é tão desonesta, que nem os aliados
aceitam.
Lula não concorda que os protestos representem uma rejeição da
política. Mas as pesquisas de opinião estão aí para mostrar que foram, pelo
menos, a rejeição à política que o PT, hoje por meio de Dilma Rousseff, favorece.
O governo da presidente já é avaliado negativamente por 29%
dos brasileiros, com avaliação positiva de apenas 31%, com queda de 23 pontos
em um mês, segundo pesquisa divulgada
ontem pela Confederação Nacional dos Transportes. Como corolário, 44% dos
entrevistados dizem que não votam em Dilma de jeito nenhum.
Não há malabarismo retórico capaz de dar jeito na insatisfação
geral dos brasileiros. Menos ainda de ser suficiente para convencer-nos de que o governo
do PT é, no fim das contas, o mais qualificado para fazer as mudanças que a sociedade
demanda. Se Lula se sente tão bem fazendo as vezes de opositor, as urnas poderão
devolver-lhe este papel. Aí, sim, ele poderá desempenhar suas críticas com
legitimidade. Por enquanto, ele e seu PT são alvo, e não flecha.
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terça-feira, 2 de julho de 2013
O confisco da esperança
Dilma Rousseff está pagando o preço pela forma como conduziu o país até hoje. Durante dois anos e meio de mandato, a presidente acreditou que a alta popularidade lhe serviria de salvo-conduto para não tomar as medidas corretas, delongar-se em decisões importantes e tratar com arrogância as críticas. Fará um bom serviço ao país se pelo menos impedir que as coisas continuem a piorar tanto.
Pesquisas de opinião publicadas no fim de semana trouxeram
um duro choque de realidade para a presidente: o povo que foi para as ruas
demonstra uma insatisfação disseminada, antes difusa, mas agora amplamente manifesta.
Dilma perdeu popularidade e também capital eleitoral. Seu futuro político turvou-se.
A avaliação positiva do governo da presidente caiu pela
metade, considerada a margem de erro do Datafolha,
em apenas 20 dias: era de 65% em março, desceu a 57% no início de junho e desabou
para 30% agora.
Foi a mais rápida queda de popularidade de um presidente da
República desde que Fernando Collor de Mello confiscou a poupança dos
brasileiros, em 1990. Dilma parece ter feito pior: confiscou a esperança do
povo.
A desaprovação a Dilma se expressa de forma específica e
concreta. Os brasileiros estão vendo com crescente ceticismo o futuro, as
perspectivas da economia e as chances de que a vida melhore. A avaliação
positiva da gestão econômica caiu de 49% para 27%. Mais pessoas acham que
a inflação e o desemprego vão subir e o poder de compra dos salários vai cair.
Ao resultado da pesquisa sobre a avaliação do governo,
publicada no sábado, se somou o de intenção de voto na eleição presidencial do
ano que vem, conhecido ontem. Nesta, Dilma perdeu 21 pontos: os que dizem pretender
votar pela reeleição dela somam hoje apenas 30%, ante 51% somente 20 dias antes.
Tudo considerado, temos uma demonstração inconteste de que a
população percebeu que está diante de um governo fantasma. Falta solidez à gestão
de Dilma, são rarefeitas as perspectivas positivas em razão do pouco que a
presidente conseguiu construir nestes 30 meses até agora. O percentual dos que
consideram sua gestão “ruim” ou “péssima” passou de 7% em março para 9% no
início de junho e quase triplicou agora, para 25%.
Quem parar para pensar vai ver que este é um governo que
praticamente não existiu. Dilma foi eleita vestida na fantasia de competente
gestora que iria fazer e acontecer. Sua experiência pregressa
como “mãe do PAC” não fornecia razões para acreditar em tamanha fabulação, mas o
marketing excessivo cuidou de resolver as coisas.
Já no cargo, a presidente deixou de lado a fantasia e
encampou um novo figurino: o de “faxineira” da ética. Gastou seu primeiro ano pondo
nada menos que sete ministros para correr, varrendo para debaixo do tapete a
sujeira que recebera de herança de Lula e com a qual ela mesma colaborara,
ainda na condição de ministra-chefe da Casa Civil.
O segundo ano foi de intenso bate-cabeça, com a presidente
tomando decisões e logo voltando atrás, fazendo e desfazendo. Ministérios
importantes como o dos Transportes simplesmente travaram. Até deliberações corretas,
como a das privatizações de infraestrutura, consumiram meses de titubeio. Por isso,
até hoje continuam sem sair do papel.
Na gestão da economia, Dilma deixou corroer a credibilidade
que o país passara anos construindo. Permitiu o desmonte da política fiscal
responsável, liberou a criatividade da equipe econômica e, pior de tudo,
tratou a inflação como bichinho de estimação.
Quando os problemas começaram a se revelar, Dilma
simplesmente lançou-se em sua campanha reeleitoral, acreditando que poderia
empurrá-los com a barriga até que o segundo mandato estivesse no papo. Fiava-se
nos seus altos patamares de popularidade.
Constata-se que Dilma gastou tempo precioso do país num
projeto vazio. Cuidou, tão somente, de tentar preservar seu capital eleitoral,
sem dedicar-se a resolver os problemas da população. Mostrou, sentada na
cadeira da presidência da República, o pouco ou nenhum tino que possuiu para
lidar com um país com as dimensões do Brasil.
A petista ainda tem um ano e meio pela frente. Se pelo menos
dedicar-se a evitar que a situação do país se degringole ainda mais, já
prestará um grande serviço aos brasileiros. Se continuar agindo como agiu até
hoje, Dilma Rousseff arrisca-se a passar para a história como a presidente que
mais mal fez ao Brasil. O país do futuro ficará atado ao passado.
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