A economia brasileira está retomando o veio do qual foi desvirtuada quando estouraram as denúncias baseadas na fraudulenta delação feita por Joesley Batista e sua turma. Bastou que restasse clara a inépcia das acusações para que uma onda de euforia se apresentasse.
Um dos principais indicadores do otimismo veio da B3, a bolsa de valores de São Paulo. Ontem seu principal índice atingiu a máxima histórica, batendo recorde que já durava mais de nove anos. O Ibovespa chegou a 74.319 pontos e superou os 73.516 do pico anterior, registrado em 20 de maio de 2008.
Naquela época, o Brasil vivia o entusiasmo da conquista do selo de bom pagador e do anúncio da descoberta do pré-sal. Logo em seguida a crise global derrubou a bolsa local. Depois, um furacão bem pior, a delinquência petista, fez estrago muito mais duradouro na economia brasileira – já sem o grau de investimento e naufragada no petrolão – de onde só agora ensaiamos começar a sair.
A mudança de ares atual vem desde a troca de governo, há 16 meses. Diante das enormes dificuldades legadas pelas gestões petistas, na virada do ano o otimismo inicial arrefeceu e a crise política deflagrada em maio passado tratou de golpeá-lo um pouco mais. Mas, agora, a restauração da verdade dos fatos está repondo o país nos trilhos.
Desde o azedume que marcava o país nos estertores da gestão Dilma, a bolsa brasileira teve ganho espetacular. Em janeiro do ano passado, o Ibovespa marcava a metade do seu nível atual, ou seja, a alta nestes 21 meses foi de praticamente 100%. A bolsa local já subiu 23% neste ano. É a segunda que mais se valorizou em todo o mundo desde janeiro, abaixo apenas da de Hong Kong.
Por outros dois critérios, contudo, o nível alcançado ontem pela B3 ainda está distante do recorde. Em dólar, a máxima continua sendo os cerca de 44 mil pontos de 2008, ante os atuais 24 mil – por esta medida, o Ibovespa acumula queda de 46% nestes nove anos, de acordo com a Economática. Já quando se considera a inflação, o recorde de nove anos atrás equivaleria hoje a 127 mil pontos.
A bolsa brasileira não decola descolada da realidade.
O PIB nacional registrou sua segunda alta trimestral, agora com crescimento mais espraiado e ajudado pela recuperação do consumo, depois de nove trimestres de queda. A economia brasileira clama para que a próxima onda seja a de um ciclo virtuoso de aumento de investimentos, e as demais condições para tanto estão dadas. Até lá, há enorme capacidade ociosa que permitirá que a atividade produtiva cresça sem custos adicionais.
A inflação local atual é a mais baixa em 18 anos. Em particular, os alimentos estão 2% mais baratos nos últimos 12 meses, o que alivia a situação das famílias, recupera seu poder de compra e sua renda e ajuda a impulsionar o consumo. O comprometimento com pagamento de dívidas está caindo, ressalta a MB Associados.
Os juros brasileiros estão a caminho da mínima histórica, com previsão de que a taxa básica desça a 7,25% ao ano até dezembro. Do lado das empresas, juros mais baixos aliviam os custos e aumentam sua margem de lucro – ao mesmo tempo em que animam consumidores a ir às compras. Consequentemente, sobem os ganhos dos acionistas.
A economia mundial também está em bom momento, marcado por juros muito baixos e inflação idem na maior parte das nações desenvolvidas. O Brasil precisa estar apto a acompanhar o movimento global e dois fatores internos são cruciais para que a euforia que ora se desenha se propague em otimismo e se transforme em crescimento.
A primeira delas é a continuidade das reformas, em especial a da Previdência, e das privatizações, com concomitante ajuste das contas públicas. A segunda, a vitória nas eleições de 2018 de alguma candidatura que dê sequência à agenda que está se mostrando capaz de tirar o país do buraco. No seu leito natural, a economia brasileira tem tudo para continuar decolando.
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
O mercado renasce
Nem sempre a economia se move apenas por fatores objetivos. Muitas vezes são expectativas, confiança, simples fé ou torcida que animam os investimentos. E, assim, a profecia acaba se autorrealizando e o lado real vai junto, acompanhando a decolagem. Nas últimas semanas, tem sido assim. O mercado está renascendo no país.
Acumulam-se indicadores favoráveis aos negócios. É a bolsa de valores a caminho de nível recorde, o dólar que volta ao patamar de anos atrás, o risco de calote despencando para padrões pré-crise. Como pano de fundo, está a prevalência da mais elementar das leis das sociedades contemporâneas bem-sucedidas: a lei de mercado.
Ao longo de anos, a atividade produtiva no Brasil esteve garroteada pelo preconceito contra o lucro. O principal instrumento desta má política foi a intervenção desmesurada do governo nos negócios. O país voltou ao tempo em que se considerava que a mão peluda do Estado podia tudo. Deu no que deu: na pior crise econômica da história brasileira.
O gigantismo estatal produziu a recessão, levou ao desemprego recorde e conduziu as finanças públicas ao descalabro em que hoje estão, não apenas em termos federais, como também em âmbito subnacional, cujo exemplo mais deprimente é o Rio de Janeiro. Uma experiência para ser conhecida e nunca mais repetida.
Felizmente, com o impeachment de Dilma Rousseff a agenda do país mudou, em busca de promover a geração de riqueza que leva empresas e trabalhadores à prosperidade, em favor de admitir que o lucro privado produz receitas tributárias para governos aplicarem em bem-estar social, em busca de impulsionar negócios que multipliquem empregos.
Ainda que a atividade ainda não tenha reagido, os primeiros sinais de ânimo se fazem notar. O índice da bolsa de valores atingiu ontem seu maior patamar em quase cinco anos. Desde a mínima recente, em janeiro de 2016, acumula alta de 81%. Ainda falta um naco de mais 8% para bater o recorde histórico, alcançado em maio de 2008, mas a trajetória parece inexorável e visível nos próximos meses – em dólar, contudo, o Ibovespa ainda está na metade da máxima.
Um dos motores da euforia tem sido a recuperação das cotações das chamadas commodities, as matérias-primas globais, como petróleo e minério de ferro, cujos preços subiram 67% e 97% em um ano. O Brasil é exportador de ambos – do segundo, o mais relevante do mundo. Como consequência, entram mais divisas no país e a cotação do dólar cai, ajudando a baixar a inflação e os juros.
Os bons resultados – mesmo incipientes, mesmo ainda incapazes de reverter o estrago de anos de má gestão – não deixam dúvida de que é preciso perseverar na agenda das reformas, no ajuste das contas públicas, no caminho da ampliação de espaços para o investimento privado e na redução paulatina do tamanho do Estado. A consequência será melhores condições de vida para os brasileiros em geral e atenção pública mais focada naqueles milhões que ainda dela dependem.
Acumulam-se indicadores favoráveis aos negócios. É a bolsa de valores a caminho de nível recorde, o dólar que volta ao patamar de anos atrás, o risco de calote despencando para padrões pré-crise. Como pano de fundo, está a prevalência da mais elementar das leis das sociedades contemporâneas bem-sucedidas: a lei de mercado.
Ao longo de anos, a atividade produtiva no Brasil esteve garroteada pelo preconceito contra o lucro. O principal instrumento desta má política foi a intervenção desmesurada do governo nos negócios. O país voltou ao tempo em que se considerava que a mão peluda do Estado podia tudo. Deu no que deu: na pior crise econômica da história brasileira.
O gigantismo estatal produziu a recessão, levou ao desemprego recorde e conduziu as finanças públicas ao descalabro em que hoje estão, não apenas em termos federais, como também em âmbito subnacional, cujo exemplo mais deprimente é o Rio de Janeiro. Uma experiência para ser conhecida e nunca mais repetida.
Felizmente, com o impeachment de Dilma Rousseff a agenda do país mudou, em busca de promover a geração de riqueza que leva empresas e trabalhadores à prosperidade, em favor de admitir que o lucro privado produz receitas tributárias para governos aplicarem em bem-estar social, em busca de impulsionar negócios que multipliquem empregos.
Ainda que a atividade ainda não tenha reagido, os primeiros sinais de ânimo se fazem notar. O índice da bolsa de valores atingiu ontem seu maior patamar em quase cinco anos. Desde a mínima recente, em janeiro de 2016, acumula alta de 81%. Ainda falta um naco de mais 8% para bater o recorde histórico, alcançado em maio de 2008, mas a trajetória parece inexorável e visível nos próximos meses – em dólar, contudo, o Ibovespa ainda está na metade da máxima.
Um dos motores da euforia tem sido a recuperação das cotações das chamadas commodities, as matérias-primas globais, como petróleo e minério de ferro, cujos preços subiram 67% e 97% em um ano. O Brasil é exportador de ambos – do segundo, o mais relevante do mundo. Como consequência, entram mais divisas no país e a cotação do dólar cai, ajudando a baixar a inflação e os juros.
Os bons resultados – mesmo incipientes, mesmo ainda incapazes de reverter o estrago de anos de má gestão – não deixam dúvida de que é preciso perseverar na agenda das reformas, no ajuste das contas públicas, no caminho da ampliação de espaços para o investimento privado e na redução paulatina do tamanho do Estado. A consequência será melhores condições de vida para os brasileiros em geral e atenção pública mais focada naqueles milhões que ainda dela dependem.
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