Não é mera coincidência que a maior crise econômica da história brasileira suceda ao maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia em todo o mundo. Recessão e petrolão são faces da mesma moeda: a de um projeto de poder esfomeado que não se pejou de destroçar o Brasil para saciar-se.
Não é coincidência que, à medida que a corrupção tomava conta da relação entre poder público e interesses privados, a atividade produtiva tenha afundado como nunca no país. Investimentos, negócios e geração de riqueza e emprego não vicejam onde regras do jogo são feitas para serem burladas.
Não é coincidência que, enquanto nos governos recentes as pessoas que ocupavam a presidência da República se locupletavam com dinheiro sujo, a população em geral tenha empobrecido como jamais visto. O recurso embolsado para fazer as delícias de alguns é o mesmo que falta para promover bem-estar ao povo.
Também não é por acaso que aqueles que deveriam zelar pelas finanças e pela solidez das contas públicas, ou seja, dinheiro pago pelos contribuintes, sejam os mesmos escalados para fazer negociatas, vender decisões de governo e azeitar dutos de propina e dinheiro ilícito para bancar seu partido político. Responsabilidade fiscal não comunga com improbidade, desfaçatez e ausência de espírito público.
Não é coincidência que o partido que ao longo de toda a sua história se apresentava como “defensor do patrimônio público” tenha promovido a maior pilhagem e a mais completa destruição de todas, rigorosamente todas, as estatais que teve sob seu comando. Estado inchado e balofo só serve para perpetuar iniquidades e para servir de maná a poderosos, jamais para atender melhor a população.
Também não é obra do destino que o partido que se diz “dos trabalhadores” tenha dado à luz o maior exército de pessoas desempregadas que o país já teve. A receita econômica dos regimes populistas colabora mesmo é para manter os pobres na pobreza, não para dar-lhes mais autonomia, oportunidades de trabalho e perspectivas de prosperidade.
Não é, ainda, surpresa que a estratégia que mesclou explosão de endividamento público, consumo desenfreado e intervencionismo sem par tenha produzido ruína e rombos e não progresso ou benefício social e econômico. Não há crescimento com voluntarismo, não há avanço sem equilíbrio fiscal, não há investimento sem ambiente seguro, saudável e propício. Quem arca com a fatura da farra é sempre o povo; quem acaba lesadas em seus sonhos e direitos são também as gerações futuras.
O mais chocante é que os mesmos que protagonizaram o maior escândalo de corrupção do mundo e os mesmos que levaram o Brasil a ser, entre as economias relevantes, a mais atrasada do planeta nos anos recentes ajam como se nada tivessem com isso e até planejem se apresentar a eleitores como salvadores de uma pátria que eles mesmos arrasaram.
Não será coincidência se forem punidos com o rechaço da população, o repúdio da história e o vigor da Justiça. É o mínimo que merecem o PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e seus asseclas petistas, entre eles muitos já denunciados, condenados e presos, por todo o mal que causaram – e ainda causam – ao Brasil e aos brasileiros, por toda a recessão e a corrupção que, como nunca antes na história, produziram.
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quinta-feira, 9 de março de 2017
sábado, 18 de junho de 2016
A realidade e as ficções
A política brasileira está sendo passada a limpo, resultado das muitas investigações em andamento. É salutar para o país que assim seja. Para que o interesse público prevaleça sobre negócios privados, é fundamental que assim continue. O que não é admissível, contudo, é que, nesta limpeza, fatos se misturem a ficções, culpados se escondam atrás de inocentes.
Na guerra pela preservação do poder que se instituiu no país para manter o status quo instaurado pelo PT 13 anos atrás, há uma tentativa evidente de igualar a todos na lama. No jogo da política, seriam todos culpados e igualmente devotados a surrupiar recursos públicos e fraudar o interesse da população. Alto lá!
O mais recente lance desta artimanha é a delação de Sérgio Machado, aquele que por 11 anos presidiu uma subsidiária da Petrobras, a Transpetro, sob as bênçãos de Lula e Dilma, do PMDB e do PT. Em seus depoimentos, ele lista a montanha de mais de R$ 100 milhões em propinas que amealhou para seus partidários. Para contrabalançar, lança suspeitas sobre quem se opunha a tudo isso e combateu o petrolão.
Em especial, as acusações que faz ao senador Aécio Neves não resistem ao cotejo com a história, com os fatos, com a realidade.
Machado levanta, no longínquo 1998, a suspeita de que o então deputado federal teria se valido de dinheiro ilegal captado por ele (Machado) para eleger-se presidente da Câmara – numa eleição que ocorreria apenas três anos depois, entremeada por outra, em que Michel Temer foi reeleito para o mesmo cargo... Ademais, Machado, que foi executivo importante do PT, jamais exerceu qualquer cargo desta natureza na época do governo tucano.
Completa a inconsistência a constatação de que acusações que Machado faz ao PSDB, também de quase 20 anos atrás, não são corroboradas pelos acordos de delação e leniência já firmados pela construtora Camargo Correa. A empreiteira não apenas apresentou evidências, como já se comprometeu a pagar indenização milionária pelos ilícitos que cometeu nos governos petistas. Quanto ao ex-executivo da subsidiária do petrolão, apenas disparou saliva como munição de sua metralhadora.
Outro destes delírios de Machado é a acusação de que haveria um acordão envolvendo PMDB e PSDB para limitar o âmbito de atuação da Operação Lava Jato. A tese é tão estapafúrdia que envolveria livrar, com apoio tucano, Luiz Inácio Lula da Silva do inevitável encontro com a Justiça. Só uma mente muito fantasiosa e imaginativa seria capaz de conceber tal possibilidade.
O essencial disso tudo é que todas as suspeitas devem ser rigorosamente investigadas, para que a verdade prevaleça. É certo que ficará claro que não há paralelo na história brasileira ao esquema criminoso montado pelo PT e seus aliados, como Sérgio Machado, no governo. Não há concorrente ao petrolão, ao qual nem o mensalão fez sombra. Só quem deve teme, e estes estão sendo apeados do poder pelas instituições e pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff.
Na guerra pela preservação do poder que se instituiu no país para manter o status quo instaurado pelo PT 13 anos atrás, há uma tentativa evidente de igualar a todos na lama. No jogo da política, seriam todos culpados e igualmente devotados a surrupiar recursos públicos e fraudar o interesse da população. Alto lá!
O mais recente lance desta artimanha é a delação de Sérgio Machado, aquele que por 11 anos presidiu uma subsidiária da Petrobras, a Transpetro, sob as bênçãos de Lula e Dilma, do PMDB e do PT. Em seus depoimentos, ele lista a montanha de mais de R$ 100 milhões em propinas que amealhou para seus partidários. Para contrabalançar, lança suspeitas sobre quem se opunha a tudo isso e combateu o petrolão.
Em especial, as acusações que faz ao senador Aécio Neves não resistem ao cotejo com a história, com os fatos, com a realidade.
Machado levanta, no longínquo 1998, a suspeita de que o então deputado federal teria se valido de dinheiro ilegal captado por ele (Machado) para eleger-se presidente da Câmara – numa eleição que ocorreria apenas três anos depois, entremeada por outra, em que Michel Temer foi reeleito para o mesmo cargo... Ademais, Machado, que foi executivo importante do PT, jamais exerceu qualquer cargo desta natureza na época do governo tucano.
Completa a inconsistência a constatação de que acusações que Machado faz ao PSDB, também de quase 20 anos atrás, não são corroboradas pelos acordos de delação e leniência já firmados pela construtora Camargo Correa. A empreiteira não apenas apresentou evidências, como já se comprometeu a pagar indenização milionária pelos ilícitos que cometeu nos governos petistas. Quanto ao ex-executivo da subsidiária do petrolão, apenas disparou saliva como munição de sua metralhadora.
Outro destes delírios de Machado é a acusação de que haveria um acordão envolvendo PMDB e PSDB para limitar o âmbito de atuação da Operação Lava Jato. A tese é tão estapafúrdia que envolveria livrar, com apoio tucano, Luiz Inácio Lula da Silva do inevitável encontro com a Justiça. Só uma mente muito fantasiosa e imaginativa seria capaz de conceber tal possibilidade.
O essencial disso tudo é que todas as suspeitas devem ser rigorosamente investigadas, para que a verdade prevaleça. É certo que ficará claro que não há paralelo na história brasileira ao esquema criminoso montado pelo PT e seus aliados, como Sérgio Machado, no governo. Não há concorrente ao petrolão, ao qual nem o mensalão fez sombra. Só quem deve teme, e estes estão sendo apeados do poder pelas instituições e pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff.
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sexta-feira, 10 de junho de 2016
Relógio suíço da corrupção
O esquema de corrupção urdido pelo PT foi armado para funcionar como relógio suíço. E durante muito tempo funcionou. À população, vendeu-se a ilusão de um novo Brasil grande. As megaobras renderam contratos bilionários, de onde, por meio de propinodutos, veio a dinheirama para financiar a perpetuação do partido no poder. O marketing e a maquiagem de dados oficiais serviram para enganar a população. O esquema só ruiu porque as instituições se interpuseram no caminho.
Os jornais trazem hoje mais uma revelação de que a campanha de Dilma Rousseff à reeleição foi bancada por dinheiro surrupiado de contratos de obras públicas. Seriam mais US$ 4,5 milhões pagos pelo estaleiro Keppel Fels como propina e depositados em contas secretas na Suíça para pagar as contas do marqueteiro da campanha vitoriosa.
A revelação consta da delação feita pelo engenheiro e lobista Zwi Skornicki, que trabalhava para o estaleiro. A empresa, por sua vez, obteve contratos para fornecer equipamentos para a construção de plataformas da Petrobras que movimentaram US$ 3 bilhões. O dinheiro da propina foi troco.
É apenas mais um dos indícios de que o PT venceu as últimas eleições a bordo de uma organização criminosa. Desde março de 2014, a Operação Lava Jato vem revelando o alcance desta máfia, cujos tentáculos vão agora ganhando seus contornos mais nítidos com as delações de personagens de proa do esquema.
No último fim de semana, a revista IstoÉ já mostrara que a então presidente da República e candidata à reeleição, hoje presidente afastada do cargo, ordenou direta e pessoalmente a Marcelo Odebrecht que fizesse um depósito de R$ 12 milhões por meio de caixa dois para pagar os serviços de João Santana – o marqueteiro que, desde 2002, já recebeu R$ 229 milhões por campanhas do PT – e para repassar ao PMDB.
Também com base nas revelações que Odebrecht promete trazer a público, já se sabe que o dinheiro da corrupção foi usado para financiar o aparato que serviu Dilma diretamente, bancando mesadas a seus assessores mais diretos e mimos como cortes de cabelo contratados à casa de alguns milhares de reais. E Dilma diz que nunca se locupletou de recursos públicos...
Já se sabe, ainda, que contratos mantidos por empreiteiras brasileiras no exterior e financiados com o dinheiro barato do BNDES, em especial na África e na América Latina, serviram como fonte para pagamentos ao marqueteiro preferido do PT. As conexões entre as “palestras” que Lula ministrava ao redor do mundo, pagas pelas mesmas empresas, e os dutos da corrupção são igualmente explícitos.
Felizmente esta engrenagem montada para funcionar com precisão milimétrica bateu no paredão das instituições responsáveis por zelar pela justiça, pelo respeito ao patrimônio público e pela defesa do interesse nacional. Infelizmente, as descobertas demoraram um pouco para vir a público, dando ao PT muito mais tempo de mandato do que merecia.
A presidente afastada tem dito que defenderá o legado que deixou para os brasileiros. Supostamente fala de conquistas que ela mais prejudicou do que ajudou a construir. Sua verdadeira herança é um país falido, cujos avanços econômicos foram para o ralo e os sociais estão seriamente comprometidos. O que Dilma Rousseff e o PT de fato legaram à história foi uma forma suja e corrupta de fazer política e de tratar com absoluta leniência todos os criminosos que com eles se envolveram.
Os jornais trazem hoje mais uma revelação de que a campanha de Dilma Rousseff à reeleição foi bancada por dinheiro surrupiado de contratos de obras públicas. Seriam mais US$ 4,5 milhões pagos pelo estaleiro Keppel Fels como propina e depositados em contas secretas na Suíça para pagar as contas do marqueteiro da campanha vitoriosa.
A revelação consta da delação feita pelo engenheiro e lobista Zwi Skornicki, que trabalhava para o estaleiro. A empresa, por sua vez, obteve contratos para fornecer equipamentos para a construção de plataformas da Petrobras que movimentaram US$ 3 bilhões. O dinheiro da propina foi troco.
É apenas mais um dos indícios de que o PT venceu as últimas eleições a bordo de uma organização criminosa. Desde março de 2014, a Operação Lava Jato vem revelando o alcance desta máfia, cujos tentáculos vão agora ganhando seus contornos mais nítidos com as delações de personagens de proa do esquema.
No último fim de semana, a revista IstoÉ já mostrara que a então presidente da República e candidata à reeleição, hoje presidente afastada do cargo, ordenou direta e pessoalmente a Marcelo Odebrecht que fizesse um depósito de R$ 12 milhões por meio de caixa dois para pagar os serviços de João Santana – o marqueteiro que, desde 2002, já recebeu R$ 229 milhões por campanhas do PT – e para repassar ao PMDB.
Também com base nas revelações que Odebrecht promete trazer a público, já se sabe que o dinheiro da corrupção foi usado para financiar o aparato que serviu Dilma diretamente, bancando mesadas a seus assessores mais diretos e mimos como cortes de cabelo contratados à casa de alguns milhares de reais. E Dilma diz que nunca se locupletou de recursos públicos...
Já se sabe, ainda, que contratos mantidos por empreiteiras brasileiras no exterior e financiados com o dinheiro barato do BNDES, em especial na África e na América Latina, serviram como fonte para pagamentos ao marqueteiro preferido do PT. As conexões entre as “palestras” que Lula ministrava ao redor do mundo, pagas pelas mesmas empresas, e os dutos da corrupção são igualmente explícitos.
Felizmente esta engrenagem montada para funcionar com precisão milimétrica bateu no paredão das instituições responsáveis por zelar pela justiça, pelo respeito ao patrimônio público e pela defesa do interesse nacional. Infelizmente, as descobertas demoraram um pouco para vir a público, dando ao PT muito mais tempo de mandato do que merecia.
A presidente afastada tem dito que defenderá o legado que deixou para os brasileiros. Supostamente fala de conquistas que ela mais prejudicou do que ajudou a construir. Sua verdadeira herança é um país falido, cujos avanços econômicos foram para o ralo e os sociais estão seriamente comprometidos. O que Dilma Rousseff e o PT de fato legaram à história foi uma forma suja e corrupta de fazer política e de tratar com absoluta leniência todos os criminosos que com eles se envolveram.
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terça-feira, 7 de junho de 2016
Dilma no petrolão
Certa dose de mitologia vem sustentando que Dilma Rousseff não teria se beneficiado do petrolão. Acredita quem quer. Afinal, o maior esquema de corrupção da história do país se desenrolou na empresa cujo conselho de administração ela presidiu durante boa parte da roubalheira. Uma segunda frente de propinas vinha da área na qual a petista foi ministra, a de energia. Além disso, suas duas vitórias eleitorais foram abastecidas com farto dinheiro sujo.
O desenrolar das investigações da Operação Lava Jato, com a adição de novas delações, está deixando claro que Dilma enredou-se até o último fio de cabelo no esquema criminoso que drenou dinheiro da Petrobras, em especial, e de outras estatais em geral. Em alguns casos, o envolvimento capilar da presidente afastada foi literal.
A petista teria tido despesas pessoais pagas por dinheiro da propina vinda de empresas com negócios com o Estado. Seu cabeleireiro, cuja sessão de trabalho custa cerca de R$ 5 mil, foi um dos destinatários da grana. Mas não só. O entorno da presidente afastada também está todinho enrolado na trama.
Segundo as delações divulgadas neste fim de semana, também Anderson Dornelles, fiel escudeiro da presidente afastada desde seus tempos de Rio Grande do Sul, recebia polpuda mesada de empreiteiras. Já o chefe de gabinete dela, Giles Azevedo, articulava doações milionárias para as campanhas de Dilma. Ainda hoje ele faz companhia à chefe no Palácio da Alvorada.
Voltando um pouco mais no tempo, Erenice Guerra, que foi secretária-executiva e sucedeu Dilma na Casa Civil, já havia sido acusada de transformar o ministério num verdadeiro balcão de negócios, tocado como quitanda familiar.
As novas revelações reforçam, ainda, o envolvimento de Dilma Rousseff com a compra superfaturada da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Não há dúvida: a petista sabia que a estatal estava se metendo numa operação danosa para suas finanças. O prejuízo acabou chegando a quase R$ 3 bilhões, dinheiro que, em parte, pagou campanhas do PT – em especial, as presidenciais de 2010 e 2014.
As delações que estão vindo a público reforçam a necessidade de levar adiante as investigações no âmbito da Lava Jato. O país clama pela limpeza geral que os processos, se conduzidos com equilíbrio e com direito dos envolvidos à ampla defesa, podem trazer para a democracia e o sistema político brasileiro.
No âmbito mais imediato, as descobertas enfatizam a necessidade de o Senado dar célere prosseguimento ao processo de impeachment da presidente afastada. Há razões de sobra a justificar seu afastamento definitivo. O quanto antes isso acontecer, melhor será para que o país vire, definitivamente, esta página deplorável da nossa história.
O desenrolar das investigações da Operação Lava Jato, com a adição de novas delações, está deixando claro que Dilma enredou-se até o último fio de cabelo no esquema criminoso que drenou dinheiro da Petrobras, em especial, e de outras estatais em geral. Em alguns casos, o envolvimento capilar da presidente afastada foi literal.
A petista teria tido despesas pessoais pagas por dinheiro da propina vinda de empresas com negócios com o Estado. Seu cabeleireiro, cuja sessão de trabalho custa cerca de R$ 5 mil, foi um dos destinatários da grana. Mas não só. O entorno da presidente afastada também está todinho enrolado na trama.
Segundo as delações divulgadas neste fim de semana, também Anderson Dornelles, fiel escudeiro da presidente afastada desde seus tempos de Rio Grande do Sul, recebia polpuda mesada de empreiteiras. Já o chefe de gabinete dela, Giles Azevedo, articulava doações milionárias para as campanhas de Dilma. Ainda hoje ele faz companhia à chefe no Palácio da Alvorada.
Voltando um pouco mais no tempo, Erenice Guerra, que foi secretária-executiva e sucedeu Dilma na Casa Civil, já havia sido acusada de transformar o ministério num verdadeiro balcão de negócios, tocado como quitanda familiar.
As novas revelações reforçam, ainda, o envolvimento de Dilma Rousseff com a compra superfaturada da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Não há dúvida: a petista sabia que a estatal estava se metendo numa operação danosa para suas finanças. O prejuízo acabou chegando a quase R$ 3 bilhões, dinheiro que, em parte, pagou campanhas do PT – em especial, as presidenciais de 2010 e 2014.
As delações que estão vindo a público reforçam a necessidade de levar adiante as investigações no âmbito da Lava Jato. O país clama pela limpeza geral que os processos, se conduzidos com equilíbrio e com direito dos envolvidos à ampla defesa, podem trazer para a democracia e o sistema político brasileiro.
No âmbito mais imediato, as descobertas enfatizam a necessidade de o Senado dar célere prosseguimento ao processo de impeachment da presidente afastada. Há razões de sobra a justificar seu afastamento definitivo. O quanto antes isso acontecer, melhor será para que o país vire, definitivamente, esta página deplorável da nossa história.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Passe livre para o dinheiro sujo
A cada dia que passa, as investigações da Operação Lava Jato se aproximam de Luiz Inácio Lula da Silva. São por demais evidentes os contornos de uma organização criminosa que, a partir dos centros de poder em Brasília, articulou uma engrenagem de corrupção que lesou o patrimônio público e fez a alegria de um partido político, o PT.
Ontem, caiu o amigão de Lula, aquele com “passe livre” no Planalto. José Carlos Bumlai e mais dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O pecuarista agora carrega uma nova alcunha: para Deltan Dallagnol, procurador da República em Curitiba, ele era mais um “operador do PT”.
O esquema no qual o amigão de Lula pontuava é em tudo semelhante ao do já condenado mensalão, replicado e multiplicado por dezenas de vezes no petrolão: empréstimos nunca pagos, pagamento de propina para obtenção de contratos com estatais, corrupção de funcionários públicos, desvio de dinheiro público para caixa partidário e para bolsos privados.
No caso em questão, em troca os corruptores obtiveram negócios bilionários na Petrobras. O assalto era tão flagrante, que a diretoria executiva da estatal deu três pareceres contrários ao negócio com a construtora Schahin, de onde saiu o dinheiro para o PT. Mas a pressão de Brasília, via pecuarista, foi tão intensa que acabou rendendo um contrato que soma a bagatela de quase R$ 6,5 bilhões.
Com as revelações cotidianas, fica cada vez mais flagrante que o esquema corrupto foi montado, articulado e azeitado por Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil entre os anos 2003 e 2010 – o mesmo que, desde o mensalão, repete que “não sabia” de nada.
Naquela época e a partir de então, serviu para financiar a máquina petista de vencer eleições, a mesma que levou Dilma Rousseff a ser eleita e reeleita pelo PT. Nas eleições do ano passado, quem intermediou as tenebrosas transações da vez é quem hoje cuida da comunicação social da Presidência da República: o ministro Edinho Silva, alvo de inquérito já aberto pelo STF.
Não satisfeito em assaltar o Estado brasileiro para irrigar as engrenagens eleitorais do petismo, Lula também transformou a máquina pública em fonte de prosperidade pessoal. Sua família – a começar pelo filho e pela nora – está mergulhada em outros diversos casos de suspeita de enriquecimento ilícito.
O ex-presidente terá, inclusive, de depor a respeito. Na sexta-feira, a Polícia Federal intimou Lula a prestar esclarecimentos sobre o esquema de compra de medidas provisórias que tinha em seu filho Luís Cláudio um dos artífices. Tanto ele quanto Dilma editaram MPs que beneficiaram a indústria automotiva. Enfim está chegando a hora de Luiz Inácio Lula da Silva acertar as contas com a Justiça.
Ontem, caiu o amigão de Lula, aquele com “passe livre” no Planalto. José Carlos Bumlai e mais dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O pecuarista agora carrega uma nova alcunha: para Deltan Dallagnol, procurador da República em Curitiba, ele era mais um “operador do PT”.
O esquema no qual o amigão de Lula pontuava é em tudo semelhante ao do já condenado mensalão, replicado e multiplicado por dezenas de vezes no petrolão: empréstimos nunca pagos, pagamento de propina para obtenção de contratos com estatais, corrupção de funcionários públicos, desvio de dinheiro público para caixa partidário e para bolsos privados.
No caso em questão, em troca os corruptores obtiveram negócios bilionários na Petrobras. O assalto era tão flagrante, que a diretoria executiva da estatal deu três pareceres contrários ao negócio com a construtora Schahin, de onde saiu o dinheiro para o PT. Mas a pressão de Brasília, via pecuarista, foi tão intensa que acabou rendendo um contrato que soma a bagatela de quase R$ 6,5 bilhões.
Com as revelações cotidianas, fica cada vez mais flagrante que o esquema corrupto foi montado, articulado e azeitado por Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil entre os anos 2003 e 2010 – o mesmo que, desde o mensalão, repete que “não sabia” de nada.
Naquela época e a partir de então, serviu para financiar a máquina petista de vencer eleições, a mesma que levou Dilma Rousseff a ser eleita e reeleita pelo PT. Nas eleições do ano passado, quem intermediou as tenebrosas transações da vez é quem hoje cuida da comunicação social da Presidência da República: o ministro Edinho Silva, alvo de inquérito já aberto pelo STF.
Não satisfeito em assaltar o Estado brasileiro para irrigar as engrenagens eleitorais do petismo, Lula também transformou a máquina pública em fonte de prosperidade pessoal. Sua família – a começar pelo filho e pela nora – está mergulhada em outros diversos casos de suspeita de enriquecimento ilícito.
O ex-presidente terá, inclusive, de depor a respeito. Na sexta-feira, a Polícia Federal intimou Lula a prestar esclarecimentos sobre o esquema de compra de medidas provisórias que tinha em seu filho Luís Cláudio um dos artífices. Tanto ele quanto Dilma editaram MPs que beneficiaram a indústria automotiva. Enfim está chegando a hora de Luiz Inácio Lula da Silva acertar as contas com a Justiça.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
O PT quer acabar com o país
O PT está se lançando, mais uma vez, naquilo que mais gosta de fazer: reescrever a história. O partido dos mensaleiros e do petrolão acaba de divulgar um documento em que tortura os fatos até que eles confessem versões convenientes ao petismo. A verdade que os petistas tentam esconder é inescapável: nunca antes na história, o Brasil foi tomado de assalto por uma organização criminosa como esta.
A narrativa petista visa apresentar o partido no figurino que mais lhe convém: o de paladino da moralidade e vítima das elites, inconformadas com a ascensão social e com a abertura das portas do maravilhoso mundo de consumo a milhões de brasileiros pobres. Sobre o desemprego que assola 8,8 milhões de famílias, a recessão que fará a renda per capita retroceder uma década e a inflação que alcança níveis só vistos 20 anos atrás, nenhuma palavra.
Nenhuma novidade, o libelo do PT também avança contra as instituições, acusa magistrados, coloca sob suspeita iniciativas e investigações que estão passando o Brasil a limpo, em especial a Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro. Sobre a prisão de seus principais próceres, sobre a confirmação de que as estatais foram roubadas em bilhões de reais, sobre as provas contundentes de que o assalto serviu para perpetuar o projeto de poder dos petistas, nenhuma frase sequer.
Já se sabe que o petrolão desviou mais de R$ 20 bilhões da Petrobras e que a maior parte disso foi para o PT. Nacos ficaram com partidos aliados. Isso já está tão evidenciado que as legendas envolvidas devem ser acionadas judicialmente para devolver a grana surrupiada aos cofres públicos. Claro que, para os petistas, tudo isso não passa de conspiração golpista para “acabar” com o partido...
Depois de ter reduzido a Petrobras a pó, dizimado seu valor de mercado, quase inviabilizado a indústria do petróleo no país e desestruturado todo o setor elétrico, o PT prefere lançar suas críticas ao governo Fernando Henrique. Sobre comparar o salto que a estatal deu naquela época ao mergulho no qual naufraga agora, nem uma mísera vírgula.
Na tentativa suprema de distorcer a realidade, o PT sustenta que doações feitas por empresas a partidos da oposição deveriam ser tão suspeitas quanto as recebidas pelos petistas. Estranha lógica esta: quem está no comando do país e das estatais assaltadas no esquema do petrolão – assim como fora no mensalão – é o PT. E há 13 anos!
Não vai adiantar mais esta tentativa desesperada de fazer com que a mentira prevaleça sobre as verdades. As instituições do Estado brasileiro estão se encarregando de escrever a história e nela não cabe aos petistas o papel de mocinhos. O partido precisa, sim, ser dizimado. Mas não é por golpes, estratagemas ou armações. Será nos tribunais, nas cadeias e nas urnas. Porque o Brasil não merece o PT e o PT não merece continuar ainda mais tempo à frente do Brasil.
A narrativa petista visa apresentar o partido no figurino que mais lhe convém: o de paladino da moralidade e vítima das elites, inconformadas com a ascensão social e com a abertura das portas do maravilhoso mundo de consumo a milhões de brasileiros pobres. Sobre o desemprego que assola 8,8 milhões de famílias, a recessão que fará a renda per capita retroceder uma década e a inflação que alcança níveis só vistos 20 anos atrás, nenhuma palavra.
Nenhuma novidade, o libelo do PT também avança contra as instituições, acusa magistrados, coloca sob suspeita iniciativas e investigações que estão passando o Brasil a limpo, em especial a Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro. Sobre a prisão de seus principais próceres, sobre a confirmação de que as estatais foram roubadas em bilhões de reais, sobre as provas contundentes de que o assalto serviu para perpetuar o projeto de poder dos petistas, nenhuma frase sequer.
Já se sabe que o petrolão desviou mais de R$ 20 bilhões da Petrobras e que a maior parte disso foi para o PT. Nacos ficaram com partidos aliados. Isso já está tão evidenciado que as legendas envolvidas devem ser acionadas judicialmente para devolver a grana surrupiada aos cofres públicos. Claro que, para os petistas, tudo isso não passa de conspiração golpista para “acabar” com o partido...
Depois de ter reduzido a Petrobras a pó, dizimado seu valor de mercado, quase inviabilizado a indústria do petróleo no país e desestruturado todo o setor elétrico, o PT prefere lançar suas críticas ao governo Fernando Henrique. Sobre comparar o salto que a estatal deu naquela época ao mergulho no qual naufraga agora, nem uma mísera vírgula.
Na tentativa suprema de distorcer a realidade, o PT sustenta que doações feitas por empresas a partidos da oposição deveriam ser tão suspeitas quanto as recebidas pelos petistas. Estranha lógica esta: quem está no comando do país e das estatais assaltadas no esquema do petrolão – assim como fora no mensalão – é o PT. E há 13 anos!
Não vai adiantar mais esta tentativa desesperada de fazer com que a mentira prevaleça sobre as verdades. As instituições do Estado brasileiro estão se encarregando de escrever a história e nela não cabe aos petistas o papel de mocinhos. O partido precisa, sim, ser dizimado. Mas não é por golpes, estratagemas ou armações. Será nos tribunais, nas cadeias e nas urnas. Porque o Brasil não merece o PT e o PT não merece continuar ainda mais tempo à frente do Brasil.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Mais uma pizza de piche
Uma das especialidades petistas é achincalhar as instituições. O rol inclui todas as que podem causar algum constrangimento às ações do partido e, principalmente, aquelas que são importantes instrumentos de fiscalização e controle das atividades de governo. Assim tem sido com as comissões parlamentares de inquérito, as antes temidas CPIs.
Neste exato momento, o PT está empenhado em enterrar mais uma: a da Petrobras. O relatório apresentado ontem pelo deputado petista Luiz Sérgio é um escárnio do começo ao fim. Nas 754 páginas do documento, faltou pouco para o ex-ministro de Dilma afirmar que o petrolão jamais existiu. O resto, ele fez.
Para começar, a Petrobras é apresentada como “vítima de atos de corrupção cometidos por alguns diretores e gerentes e por ação de um grupo de empreiteiras”. Segundo o relator, ainda à página 635 do texto divulgado ontem, “as ações ilícitas foram isoladas, não sendo possível afirmar a existência de ‘corrupção institucionalizada’”.
Segundo a visão malcheirosa apresentada pelo relator, pelo visto bagrinhos se organizaram em conluio de pé de ouvido com empresas maldosas para assaltar a empresa. Como explicar que esta espécie de ação entre amigos, a prevalecer o texto de Luiz Sérgio, redundou num assalto calculado pelo Ministério Público, até agora, em R$ 20 bilhões?
Também desaparece da história, na versão fabulosa do petista, a ponta mais relevante do esquema: o desvio de recursos públicos para partidos políticos, em especial o PT. Até os percentuais eram conhecidos – 3% dos contratos, a maior parte deles para os petistas – mas, segundo o relator, a “tese” de que o dinheiro sujo irrigou caixas partidários e campanhas é “duvidosa” (p. 619). Vale lembrar que as mesmíssimas suspeitas são alvo, inclusive, da Justiça Eleitoral e podem levar à impugnação da chapa Dilma-Temer.
Ainda de acordo com a fábula petista, ninguém que realmente tinha poder de mando na estatal teve qualquer responsabilidade sobre o maior escândalo de corrupção da história. Saem incólumes os presidentes da companhia à época do esquema, mas também a presidente do conselho de administração da Petrobras durante quase todo o período do assalto: Dilma Rousseff.
Não satisfeito em ignorar a realidade para tentar construir uma farsa, o relator dedica-se a buscar implodir o trabalho de quem realmente está conseguindo desbaratar a roubalheira: a Operação Lava Jato. A delação premiada, instrumento que tem levado às principais descobertas até agora, é atacada e deveria ser mudada, sugere Luiz Sérgio. Para ele, “o excesso de delações premiadas pode levar à impunidade” (p. 587).
Depois de oito meses de trabalho, a CPI da Petrobras caminha para terminar seguindo o mesmíssimo script da comissão mista que funcionou até dezembro do ano passado: em uma indigesta pizza de piche. É mais que válida, portanto, a intenção da oposição de apresentar um relatório alternativo, a fim de que a realidade prevaleça sobre a ficção que o PT adoraria que, mais uma vez, vingasse.
Neste exato momento, o PT está empenhado em enterrar mais uma: a da Petrobras. O relatório apresentado ontem pelo deputado petista Luiz Sérgio é um escárnio do começo ao fim. Nas 754 páginas do documento, faltou pouco para o ex-ministro de Dilma afirmar que o petrolão jamais existiu. O resto, ele fez.
Para começar, a Petrobras é apresentada como “vítima de atos de corrupção cometidos por alguns diretores e gerentes e por ação de um grupo de empreiteiras”. Segundo o relator, ainda à página 635 do texto divulgado ontem, “as ações ilícitas foram isoladas, não sendo possível afirmar a existência de ‘corrupção institucionalizada’”.
Segundo a visão malcheirosa apresentada pelo relator, pelo visto bagrinhos se organizaram em conluio de pé de ouvido com empresas maldosas para assaltar a empresa. Como explicar que esta espécie de ação entre amigos, a prevalecer o texto de Luiz Sérgio, redundou num assalto calculado pelo Ministério Público, até agora, em R$ 20 bilhões?
Também desaparece da história, na versão fabulosa do petista, a ponta mais relevante do esquema: o desvio de recursos públicos para partidos políticos, em especial o PT. Até os percentuais eram conhecidos – 3% dos contratos, a maior parte deles para os petistas – mas, segundo o relator, a “tese” de que o dinheiro sujo irrigou caixas partidários e campanhas é “duvidosa” (p. 619). Vale lembrar que as mesmíssimas suspeitas são alvo, inclusive, da Justiça Eleitoral e podem levar à impugnação da chapa Dilma-Temer.
Ainda de acordo com a fábula petista, ninguém que realmente tinha poder de mando na estatal teve qualquer responsabilidade sobre o maior escândalo de corrupção da história. Saem incólumes os presidentes da companhia à época do esquema, mas também a presidente do conselho de administração da Petrobras durante quase todo o período do assalto: Dilma Rousseff.
Não satisfeito em ignorar a realidade para tentar construir uma farsa, o relator dedica-se a buscar implodir o trabalho de quem realmente está conseguindo desbaratar a roubalheira: a Operação Lava Jato. A delação premiada, instrumento que tem levado às principais descobertas até agora, é atacada e deveria ser mudada, sugere Luiz Sérgio. Para ele, “o excesso de delações premiadas pode levar à impunidade” (p. 587).
Depois de oito meses de trabalho, a CPI da Petrobras caminha para terminar seguindo o mesmíssimo script da comissão mista que funcionou até dezembro do ano passado: em uma indigesta pizza de piche. É mais que válida, portanto, a intenção da oposição de apresentar um relatório alternativo, a fim de que a realidade prevaleça sobre a ficção que o PT adoraria que, mais uma vez, vingasse.
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sábado, 17 de outubro de 2015
Lula & Cia Ilimitada
Luiz Inácio Lula da Silva é um brasileiro que venceu na vida. Com a trajetória de quem superou as mais severas adversidades e chegou à presidência da República, ele teria razões de sobra para ser reconhecido por seus méritos. Acontece que o líder petista não se contentou em ter uma biografia ímpar. Ele transformou suas vitórias em uma forma de ficar rico, muito rico.
A transformação do Estado brasileiro em um imenso balcão de negócios a partir da ascensão do PT ao poder já está sobejamente documentada e vem sendo quase cotidianamente desbaratada. É o vigor das instituições que os petistas tanto combatem que nos permite assistir os malogros perpetrados desde o início do governo Lula serem revelados e punidos.
Depois do mensalão, uma nova fase de descobertas tem vindo a público com as investigações da Operação Lava Jato. Nelas, o envolvimento de Lula com o esquema corrupto se desnudam. Não só o ex-presidente mas também seus filhos e familiares surgem entre os suspeitos de receber dinheiro sujo.
Agora é vez de uma nora de Lula, que teria ganhado R$ 2 milhões para pagar “uma parcela de um imóvel” – imagine que imóvel é este... O dinheiro seria fruto de propina paga em negociações de contratos envolvendo a Petrobras, a Sete Brasil e a OSX. O próprio Lula teria se envolvido pessoalmente e atuado como intermediário nas tratativas entre as empresas.
A nora não é a primeira nem a única familiar de Lula – provavelmente não será a última – envolvida em suspeita de recebimento de dinheiro do petrolão. No começo da semana, soube-se que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também teve despesas no valor de R$ 2 milhões pagas por um dos operadores do PMDB no esquema.
A lista de integrantes da família Lula da Silva sob suspeita de recebimento de dinheiro sujo é longa, e inclui a compra de um lauto tríplex de frente para o mar pelo ex-presidente e sua mulher, possivelmente com a ajudinha de uma empreiteira. Parece brincadeira, mas até um sobrinho da ex-mulher do petista está sendo investigado por negócios escusos na África, sempre com a mão do ex-presidente.
O próprio Lula é alvo de inquérito do Ministério Público que o investiga por suspeita de tráfico de influência – antes e depois de ter ocupado o principal gabinete do Palácio do Planalto. O depoimento à Procuradoria do Distrito Federal ocorreu ontem. O ex-presidente também será ouvido pela Polícia Federal em inquéritos abertos no âmbito do petrolão.
O problema maior é que aquele que transformou o Estado brasileiro num imenso balcão de negócios é o mesmo que, com a atual presidente nas cordas, agora volta a dar todas as cartas no governo. Todos estamos, portanto, autorizados a concluir que toda sorte de malfeitos e tramoias que Luiz Inácio Lula da Silva patrocinou continuam a acontecer no seio do poder.
A transformação do Estado brasileiro em um imenso balcão de negócios a partir da ascensão do PT ao poder já está sobejamente documentada e vem sendo quase cotidianamente desbaratada. É o vigor das instituições que os petistas tanto combatem que nos permite assistir os malogros perpetrados desde o início do governo Lula serem revelados e punidos.
Depois do mensalão, uma nova fase de descobertas tem vindo a público com as investigações da Operação Lava Jato. Nelas, o envolvimento de Lula com o esquema corrupto se desnudam. Não só o ex-presidente mas também seus filhos e familiares surgem entre os suspeitos de receber dinheiro sujo.
Agora é vez de uma nora de Lula, que teria ganhado R$ 2 milhões para pagar “uma parcela de um imóvel” – imagine que imóvel é este... O dinheiro seria fruto de propina paga em negociações de contratos envolvendo a Petrobras, a Sete Brasil e a OSX. O próprio Lula teria se envolvido pessoalmente e atuado como intermediário nas tratativas entre as empresas.
A nora não é a primeira nem a única familiar de Lula – provavelmente não será a última – envolvida em suspeita de recebimento de dinheiro do petrolão. No começo da semana, soube-se que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também teve despesas no valor de R$ 2 milhões pagas por um dos operadores do PMDB no esquema.
A lista de integrantes da família Lula da Silva sob suspeita de recebimento de dinheiro sujo é longa, e inclui a compra de um lauto tríplex de frente para o mar pelo ex-presidente e sua mulher, possivelmente com a ajudinha de uma empreiteira. Parece brincadeira, mas até um sobrinho da ex-mulher do petista está sendo investigado por negócios escusos na África, sempre com a mão do ex-presidente.
O próprio Lula é alvo de inquérito do Ministério Público que o investiga por suspeita de tráfico de influência – antes e depois de ter ocupado o principal gabinete do Palácio do Planalto. O depoimento à Procuradoria do Distrito Federal ocorreu ontem. O ex-presidente também será ouvido pela Polícia Federal em inquéritos abertos no âmbito do petrolão.
O problema maior é que aquele que transformou o Estado brasileiro num imenso balcão de negócios é o mesmo que, com a atual presidente nas cordas, agora volta a dar todas as cartas no governo. Todos estamos, portanto, autorizados a concluir que toda sorte de malfeitos e tramoias que Luiz Inácio Lula da Silva patrocinou continuam a acontecer no seio do poder.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015
Agora faltam os chefes
O Brasil está praticamente sem governo, mas felizmente ainda dispõe de instituições sólidas que ontem, mais uma vez, demonstraram sua força. A prisão do tesoureiro do PT, decretada pela Justiça Federal, e a condenação das “pedaladas fiscais” por parte do Tribunal de Contas da União são passos decisivos para que a organização criminosa que dirige o país há 12 anos seja implacavelmente punida e o país volte a ter comando.
As duas decisões envolvem a série de procedimentos irregulares – no caso fiscal – e ilegais – no episódio envolvendo João Vaccari Neto e seus sócios do petrolão – dos quais os governos do PT vêm lançando mão na gestão do país, seja com Dilma Rousseff, seja com Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta cadeia de comando, falta chegar aos chefes.
Vaccari tornou-se o segundo tesoureiro do PT preso em menos de um ano e meio. O antecessor Delúbio Soares cumpre pena em casa por corrupção ativa, praticada na época em que tinha as chaves dos cofres petistas, entre 2000 e 2005. O mensalão que condenou Delúbio virou piada de salão perto do que a turma que inclui Vaccari fez.
Até ontem tesoureiro do partido da presidente da República e que comanda o país desde 2003, Vaccari é suspeito de ter participado de um esquema que pode ter movimentado R$ 2 bilhões, desviados de contratos firmados com a Petrobras e empresas do setor elétrico. Deste valor, uns 30% podem ter ido para o PT.
A presidente Dilma apressou-se em mandar seus porta-vozes espalharem que “fez questão” de que Vaccari nem passasse perto da tesouraria de suas candidaturas à presidente. Alto lá! Na função de tesoureiro do PT, ele repassou R$ 30 milhões para a campanha que reelegeu Dilma em 2014 – dos quais R$ 4,8 milhões foram doados por empresas investigadas na Lava Jato. É dinheiro provavelmente enlameado na reeleição da presidente.
Não custa lembrar também que, além disso, Vaccari ocupou durante anos cargo de conselheiro em Itaipu Binacional, do qual só se afastou neste ano depois de muita cobrança da oposição. Ficou naquela função desde 2003, quando foi nomeado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. O que o agora ex-tesoureiro do PT fazia lá?
Outra: o tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 hoje ocupa gabinete privilegiado no Palácio do Planalto. Edinho Silva é agora secretário de Comunicação da Presidência e, nesta função, responsável por negociar com milhares de empresas do ramo no país inteiro. São exatamente repasses fraudulentos em contratos de comunicação que levaram Vaccari à prisão ontem – e também estão sendo investigados na Caixa e no Ministério da Saúde.
A investigação da Justiça identificou depósitos irregulares em gráficas ligadas ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, o mesmo do qual João Vaccari foi presidente e em que também é acusado de desviar dinheiro de mutuários do Bancoop, lesados em negócios imobiliários.
O dinheiro das gráficas foi pago por empreiteiras com contratos com a Petrobras sem que nenhum serviço fosse prestado, e dali repassado para o PT. Ou seja, não são “doações legais”, conforme tem alegado a linha de defesa petista. Um dos ex-diretores da mesma gráfica está hoje lotado na Secretaria-Geral da Presidência da República, mostra O Globo.
O comportamento criminoso reiterado de Vaccari foi determinante para a decretação da sua prisão pela Justiça. Desde março, ele é réu, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, num esquemão que pode ter levado mais de R$ 600 milhões para as arcas do PT, segundo denunciou Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras.
Na função de tesoureiro do PT, Vaccari foi um verdadeiro prodígio. Ele catapultou as doações ao partido como nunca antes na história. Considerando-se apenas anos não eleitorais, elas passaram de R$ 11,2 milhões em 2009, antes de ele assumir o cargo, para R$ 80 milhões em 2013, com o petrolão a todo vapor, informa O Globo.
A esposa, a filha e a cunhada de Vaccari também estão envolvidas, com suspeita de enriquecimento incompatível com a renda. Contudo, Rui Falcão, o presidente do PT, já jurou que Vaccari “nunca pôs dinheiro no bolso”. Desde outubro, o tesoureiro vinha dizendo a amigos que estava “pronto para ser preso”. O que ele fez desde então? Quantas provas terá destruído de lá para cá?
A outra decisão histórica de ontem envolve as “pedaladas” fiscais praticadas pelo governo da presidente Dilma para maquiar as contas públicas. O TCU concluiu que bancos públicos como a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES foram usados para cobrir despesas com programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e seguro-desemprego, o que é proibido por lei.
Cerca de R$ 40 bilhões podem ter sido usados para reduzir artificialmente o rombo fiscal do país na era Dilma. Houve, portanto, crime de responsabilidade, em infringência à Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, 17 atuais e ex-autoridades do governo serão chamadas a responder pela infração, passível de multa e processos.
Algumas delas ainda estão no governo, como os presidentes da Petrobras e do Banco Central, além dos ministros do Planejamento, do Desenvolvimento Social, do Trabalho e da Integração. Outras já se foram, como Guido Mantega, também ex-presidente do conselho de administração da Petrobras durante o petrolão.
Desde o mensalão, protagonistas dos escândalos de corrupção patrocinados pelo PT começaram a acertar contas com a Justiça. Primeiro caíram próceres do partido, como José Dirceu e José Genoino. Agora estão caindo também seus operadores incrustados nas entranhas do aparato estatal, como os ex-diretores da Petrobras presos, além dos donos das chaves dos cofres, como João Vaccari.
Desde então, a grande questão que não cala é: quando as investigações e as punições irão chegar aos chefes desta quadrilha? Com o belo trabalho feito pelo Ministério Público Federal, pela Justiça Federal e pela Polícia Federal, este dia parece estar ficando mais perto. Não há dúvidas de que há motivos de sobra para punir quem esteve e quem está no topo da cadeia de comando, seja da organização criminosa, seja do país, ao longo destes últimos 12 anos.
As duas decisões envolvem a série de procedimentos irregulares – no caso fiscal – e ilegais – no episódio envolvendo João Vaccari Neto e seus sócios do petrolão – dos quais os governos do PT vêm lançando mão na gestão do país, seja com Dilma Rousseff, seja com Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta cadeia de comando, falta chegar aos chefes.
Vaccari tornou-se o segundo tesoureiro do PT preso em menos de um ano e meio. O antecessor Delúbio Soares cumpre pena em casa por corrupção ativa, praticada na época em que tinha as chaves dos cofres petistas, entre 2000 e 2005. O mensalão que condenou Delúbio virou piada de salão perto do que a turma que inclui Vaccari fez.
Até ontem tesoureiro do partido da presidente da República e que comanda o país desde 2003, Vaccari é suspeito de ter participado de um esquema que pode ter movimentado R$ 2 bilhões, desviados de contratos firmados com a Petrobras e empresas do setor elétrico. Deste valor, uns 30% podem ter ido para o PT.
A presidente Dilma apressou-se em mandar seus porta-vozes espalharem que “fez questão” de que Vaccari nem passasse perto da tesouraria de suas candidaturas à presidente. Alto lá! Na função de tesoureiro do PT, ele repassou R$ 30 milhões para a campanha que reelegeu Dilma em 2014 – dos quais R$ 4,8 milhões foram doados por empresas investigadas na Lava Jato. É dinheiro provavelmente enlameado na reeleição da presidente.
Não custa lembrar também que, além disso, Vaccari ocupou durante anos cargo de conselheiro em Itaipu Binacional, do qual só se afastou neste ano depois de muita cobrança da oposição. Ficou naquela função desde 2003, quando foi nomeado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. O que o agora ex-tesoureiro do PT fazia lá?
Outra: o tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 hoje ocupa gabinete privilegiado no Palácio do Planalto. Edinho Silva é agora secretário de Comunicação da Presidência e, nesta função, responsável por negociar com milhares de empresas do ramo no país inteiro. São exatamente repasses fraudulentos em contratos de comunicação que levaram Vaccari à prisão ontem – e também estão sendo investigados na Caixa e no Ministério da Saúde.
A investigação da Justiça identificou depósitos irregulares em gráficas ligadas ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, o mesmo do qual João Vaccari foi presidente e em que também é acusado de desviar dinheiro de mutuários do Bancoop, lesados em negócios imobiliários.
O dinheiro das gráficas foi pago por empreiteiras com contratos com a Petrobras sem que nenhum serviço fosse prestado, e dali repassado para o PT. Ou seja, não são “doações legais”, conforme tem alegado a linha de defesa petista. Um dos ex-diretores da mesma gráfica está hoje lotado na Secretaria-Geral da Presidência da República, mostra O Globo.
O comportamento criminoso reiterado de Vaccari foi determinante para a decretação da sua prisão pela Justiça. Desde março, ele é réu, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, num esquemão que pode ter levado mais de R$ 600 milhões para as arcas do PT, segundo denunciou Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras.
Na função de tesoureiro do PT, Vaccari foi um verdadeiro prodígio. Ele catapultou as doações ao partido como nunca antes na história. Considerando-se apenas anos não eleitorais, elas passaram de R$ 11,2 milhões em 2009, antes de ele assumir o cargo, para R$ 80 milhões em 2013, com o petrolão a todo vapor, informa O Globo.
A esposa, a filha e a cunhada de Vaccari também estão envolvidas, com suspeita de enriquecimento incompatível com a renda. Contudo, Rui Falcão, o presidente do PT, já jurou que Vaccari “nunca pôs dinheiro no bolso”. Desde outubro, o tesoureiro vinha dizendo a amigos que estava “pronto para ser preso”. O que ele fez desde então? Quantas provas terá destruído de lá para cá?
A outra decisão histórica de ontem envolve as “pedaladas” fiscais praticadas pelo governo da presidente Dilma para maquiar as contas públicas. O TCU concluiu que bancos públicos como a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES foram usados para cobrir despesas com programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e seguro-desemprego, o que é proibido por lei.
Cerca de R$ 40 bilhões podem ter sido usados para reduzir artificialmente o rombo fiscal do país na era Dilma. Houve, portanto, crime de responsabilidade, em infringência à Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, 17 atuais e ex-autoridades do governo serão chamadas a responder pela infração, passível de multa e processos.
Algumas delas ainda estão no governo, como os presidentes da Petrobras e do Banco Central, além dos ministros do Planejamento, do Desenvolvimento Social, do Trabalho e da Integração. Outras já se foram, como Guido Mantega, também ex-presidente do conselho de administração da Petrobras durante o petrolão.
Desde o mensalão, protagonistas dos escândalos de corrupção patrocinados pelo PT começaram a acertar contas com a Justiça. Primeiro caíram próceres do partido, como José Dirceu e José Genoino. Agora estão caindo também seus operadores incrustados nas entranhas do aparato estatal, como os ex-diretores da Petrobras presos, além dos donos das chaves dos cofres, como João Vaccari.
Desde então, a grande questão que não cala é: quando as investigações e as punições irão chegar aos chefes desta quadrilha? Com o belo trabalho feito pelo Ministério Público Federal, pela Justiça Federal e pela Polícia Federal, este dia parece estar ficando mais perto. Não há dúvidas de que há motivos de sobra para punir quem esteve e quem está no topo da cadeia de comando, seja da organização criminosa, seja do país, ao longo destes últimos 12 anos.
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terça-feira, 24 de março de 2015
O capitão do time
O avanço das investigações da Operação Lava Jato vai revelando meandros que deixam mais claro até onde o petrolão chegou e como funcionavam suas engrenagens. Não foi apenas um esquema para financiar o PT e corromper parlamentares. Envolvia geopolítica e extensos canais de corrupção para garantir sustentação aos governos de Lula e Dilma.
Neste sofisticado organograma, uma figura surge com destaque: José Dirceu ou o “capitão do time”, como Lula se referia a ele. O ex-ministro esteve em praticamente todas. Sua contabilidade empresarial depois que deixou o governo, em 2005, revela um prodígio do mundo dos negócios que só num ambiente mafioso teria condições de prosperar tanto.
Em 2006, depois de ser defenestrado da Casa Civil de Lula por envolvimento no mensalão, Dirceu montou uma consultoria que, até 2013, faturou R$ 29,3 milhões. O período coincide com a época em que o ex-ministro foi processado, julgado e condenado pelo STF por crime de corrupção ativa – do de formação de quadrilha ele escapou na repescagem.
Dirceu talvez seja caso único no mundo de empresário que fatura mesmo estando em cana. Em 2013, ano em que esteve encarcerado na penitenciária da Papuda em Brasília, a empresa dele faturou incríveis R$ 4,2 milhões, segundo documentos revelados pela Lava Jato na semana passada.
Uma das principais suspeitas para tão notável sucesso é que o dinheiro que foi para a JD Consultoria e Assessoria fora desviado de contratos da Petrobras, conforme publicou a Folha de S.Paulo no domingo, a partir de declarações de empreiteiros presos pela Lava Jato em Curitiba. Ou seja, os dutos do petrolão alimentaram a caldeira do ex-ministro.
Do que a consultoria de Dirceu faturou desde que foi criada, um terço (R$ 9,5 milhões) veio de empresas investigadas na Lava Jato. Um dos clientes atendidos pelo ex-ministro era uma das firmas que distribuíam propina para o PT.
Também a diplomacia companheira está implicada nos meandros do dinheiro sujo. De um de seus clientes, Dirceu recebeu a missão de destravar negócios pendentes com a Venezuela. O “capitão do time” foi ao comandante Hugo Chávez e resolveu a parada.
As bondades com governos companheiros, à base de dinheiro público, rendiam gordos negócios para os petistas. À luz disso, fica fácil entender, por exemplo, por que a Petrobras enterrou quase R$ 40 bilhões numa refinaria desenhada para atender interesses venezuelanos e não brasileiros...
Dilma Rousseff foi saudada como “camarada de armas” quando assumiu o posto que José Dirceu deixou em 2005. Julgava-se que apenas a trajetória pretérita unia as duas biografias. Mas a investigação do Ministério Público sugere que as vidas de ambos andaram de mãos dadas ainda por longo tempo. Os tentáculos da corrupção se interconectam.
Neste sofisticado organograma, uma figura surge com destaque: José Dirceu ou o “capitão do time”, como Lula se referia a ele. O ex-ministro esteve em praticamente todas. Sua contabilidade empresarial depois que deixou o governo, em 2005, revela um prodígio do mundo dos negócios que só num ambiente mafioso teria condições de prosperar tanto.
Em 2006, depois de ser defenestrado da Casa Civil de Lula por envolvimento no mensalão, Dirceu montou uma consultoria que, até 2013, faturou R$ 29,3 milhões. O período coincide com a época em que o ex-ministro foi processado, julgado e condenado pelo STF por crime de corrupção ativa – do de formação de quadrilha ele escapou na repescagem.
Dirceu talvez seja caso único no mundo de empresário que fatura mesmo estando em cana. Em 2013, ano em que esteve encarcerado na penitenciária da Papuda em Brasília, a empresa dele faturou incríveis R$ 4,2 milhões, segundo documentos revelados pela Lava Jato na semana passada.
Uma das principais suspeitas para tão notável sucesso é que o dinheiro que foi para a JD Consultoria e Assessoria fora desviado de contratos da Petrobras, conforme publicou a Folha de S.Paulo no domingo, a partir de declarações de empreiteiros presos pela Lava Jato em Curitiba. Ou seja, os dutos do petrolão alimentaram a caldeira do ex-ministro.
Do que a consultoria de Dirceu faturou desde que foi criada, um terço (R$ 9,5 milhões) veio de empresas investigadas na Lava Jato. Um dos clientes atendidos pelo ex-ministro era uma das firmas que distribuíam propina para o PT.
Também a diplomacia companheira está implicada nos meandros do dinheiro sujo. De um de seus clientes, Dirceu recebeu a missão de destravar negócios pendentes com a Venezuela. O “capitão do time” foi ao comandante Hugo Chávez e resolveu a parada.
As bondades com governos companheiros, à base de dinheiro público, rendiam gordos negócios para os petistas. À luz disso, fica fácil entender, por exemplo, por que a Petrobras enterrou quase R$ 40 bilhões numa refinaria desenhada para atender interesses venezuelanos e não brasileiros...
Dilma Rousseff foi saudada como “camarada de armas” quando assumiu o posto que José Dirceu deixou em 2005. Julgava-se que apenas a trajetória pretérita unia as duas biografias. Mas a investigação do Ministério Público sugere que as vidas de ambos andaram de mãos dadas ainda por longo tempo. Os tentáculos da corrupção se interconectam.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Dilma e suas respostas inadequadas
Dilma Rousseff concedeu ontem uma de suas raras entrevistas coletivas, a fim de tentar sair das cordas depois do soco no queixo que tomou dos 2 milhões de brasileiros que foram às ruas protestar no domingo. Suas respostas, como sempre, foram inadequadas. A presidente continua sem compreender que o motivo da indignação é o governo dela e do PT.
As razões que tiraram os brasileiros de casa incluem a roubalheira em proporções industriais, notadamente na Petrobras; a incapacidade do governo de admitir que conduziu uma política econômica desastrosa nos últimos quatro anos; e a recusa da população a pagar a maior parte da conta amarga do arrocho recessivo que o PT ora promove.
Em praticamente tudo o que disse ontem, Dilma demonstrou simplesmente desconhecer esta realidade. Para começar, mais uma vez, tentou espalhar o manto negro da corrupção sobre todos, chamando-a de “senhora bastante idosa” que “não poupa ninguém”. A postura da presidente é que é de antanho: tentar jogar todos no mesmo balaio sujo.
O que a idosa senhora teria a dizer sobre seus filhos mais travessos, entre eles os petistas Renato Duque e João Vaccari? O primeiro foi preso novamente ontem, sob a acusação de ter enviado o equivalente a R$ 68 milhões para contas em Mônaco, parte deles amealhada ainda no ano passado. O segundo, como tesoureiro do PT, encheu as burras do partido com dinheiro desviado da Petrobras e ontem foi denunciado pelo Ministério Público.
Ainda na entrevista, muitíssimo a contragosto, a presidente ensaiou admitir que, quem sabe, talvez, “é possível que possa ter cometido algum [erro de dosagem na economia]”. Em seguida, com sua peculiar arrogância, sustentou que, na verdade, sua política econômica se contrapunha a quem “acha que tinha que deixar empresas quebrarem e trabalhadores se desempregarem”.
É caso clássico de retórica absolutamente descolada da realidade. Quebradeira é o que mais se tem visto no país desde a chegada de Dilma à presidência. Apenas para ilustrar, a indústria brasileira produz hoje 9% menos do que produzia em 2009. A geração de empregos caiu em todos os anos do primeiro mandato dela: apenas nos últimos dois meses, 637 mil postos foram eliminados no país.
Além destas mitificações baratas, Dilma baseou sua manifestação em outros dois eixos: tentar mostrar-se humilde e aberta ao diálogo. São dois atributos que, definitivamente, não casam com a persona dela e só foram agora oportunamente assacados porque a presidente está em sérios apuros e quase sem base de sustentação na sociedade e no Congresso.
Trata-se de humildade calculada e de um mea-culpa sussurrado. Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos, Dilma e seu governo que embalem o Mateus que pariram. E que busquem dialogar com os seus. Respostas, a presidente continua não tendo a oferecer a quem, seriamente, foi às ruas no domingo bradar por um país melhor.
As razões que tiraram os brasileiros de casa incluem a roubalheira em proporções industriais, notadamente na Petrobras; a incapacidade do governo de admitir que conduziu uma política econômica desastrosa nos últimos quatro anos; e a recusa da população a pagar a maior parte da conta amarga do arrocho recessivo que o PT ora promove.
Em praticamente tudo o que disse ontem, Dilma demonstrou simplesmente desconhecer esta realidade. Para começar, mais uma vez, tentou espalhar o manto negro da corrupção sobre todos, chamando-a de “senhora bastante idosa” que “não poupa ninguém”. A postura da presidente é que é de antanho: tentar jogar todos no mesmo balaio sujo.
O que a idosa senhora teria a dizer sobre seus filhos mais travessos, entre eles os petistas Renato Duque e João Vaccari? O primeiro foi preso novamente ontem, sob a acusação de ter enviado o equivalente a R$ 68 milhões para contas em Mônaco, parte deles amealhada ainda no ano passado. O segundo, como tesoureiro do PT, encheu as burras do partido com dinheiro desviado da Petrobras e ontem foi denunciado pelo Ministério Público.
Ainda na entrevista, muitíssimo a contragosto, a presidente ensaiou admitir que, quem sabe, talvez, “é possível que possa ter cometido algum [erro de dosagem na economia]”. Em seguida, com sua peculiar arrogância, sustentou que, na verdade, sua política econômica se contrapunha a quem “acha que tinha que deixar empresas quebrarem e trabalhadores se desempregarem”.
É caso clássico de retórica absolutamente descolada da realidade. Quebradeira é o que mais se tem visto no país desde a chegada de Dilma à presidência. Apenas para ilustrar, a indústria brasileira produz hoje 9% menos do que produzia em 2009. A geração de empregos caiu em todos os anos do primeiro mandato dela: apenas nos últimos dois meses, 637 mil postos foram eliminados no país.
Além destas mitificações baratas, Dilma baseou sua manifestação em outros dois eixos: tentar mostrar-se humilde e aberta ao diálogo. São dois atributos que, definitivamente, não casam com a persona dela e só foram agora oportunamente assacados porque a presidente está em sérios apuros e quase sem base de sustentação na sociedade e no Congresso.
Trata-se de humildade calculada e de um mea-culpa sussurrado. Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos, Dilma e seu governo que embalem o Mateus que pariram. E que busquem dialogar com os seus. Respostas, a presidente continua não tendo a oferecer a quem, seriamente, foi às ruas no domingo bradar por um país melhor.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Os bolivarianos daqui
Se é preocupante a escalada autoritária que vem acontecendo na Venezuela, não é menos temerário o que as forças de apoio ao governo do PT ensaiam fazer aqui no Brasil. Os bolivarianos daqui estão prontos para deflagrar guerras. A truculência é a arma preferida de quem perdeu a razão.
A estridência do petismo e de seus satélites ditos “sociais” aumenta à medida que explode a dimensão da roubalheira e do desgoverno. Sobe de tom na mesma proporção em que o governo reeleito revela-se um engodo absoluto. E vai às raias da loucura quando percebe que a sociedade brasileira cada vez mais rejeita o modo PT de governar.
Mas o fator com maior capacidade de incendiar a ira dos carbonários petistas são as ameaças a seu líder-mor, Lula. Bastou surgir e crescer o temor de que as investigações sobre a roubalheira na Petrobras poderiam chegar até as barbas do ex-presidente que a turma se assanhou para valer. Agora querem briga a qualquer custo.
Não chega a ser nenhuma novidade a beligerância de agrupamentos como o “exército do Stédile”, a CUT ou a FUP, sempre prontos a deflagrar confrontos com quem consideram adversários do projeto de poder que integram. Afinal, o que lhes interessa é manter azeitados os canais que irrigam sua contabilidade e financiam sua existência.
Grave mesmo é quando um ex-presidente da República resolve fazer as vezes de chefe deste tipo de falanges. Este é o papel a que Luiz Inácio Lula da Silva tem se prestado desde que abandonou a reclusão em que se manteve durante meses, enquanto a crise consumia Dilma Rousseff. Por que será? O que tanto ele teme para vociferar desta maneira?
Contra a triste realidade que se revela a cada dia, envolvendo não apenas a estatal de petróleo, mas também o imenso aparato corrupto instalado pelos petistas no seio do Estado, não se ouve argumentos. Só a tática do desespero.
Sobre a destruição da Petrobras, nenhuma manifestação razoavelmente equilibrada. Tão somente manifestos de “intelectuais” (haja aspas) faixa branca sempre dispostos a defender o indefensável. Será que padecem da “falta de conhecimento” sobre a situação da empresa que a presidente Dilma Rousseff atribui às agências de crédito que rebaixaram a companhia?
Agora já se cogita até a venda das sagradas reservas do pré-sal, aquelas mesmas que o PT acusava a oposição de querer “entregar” para estrangeiros e capitalistas insaciáveis. Já se fala também em novo socorro do governo à empresa, com farto recurso público. O que os bolivarianos daqui têm a dizer a respeito?
Quando o mau exemplo vem de cima, os partidários da truculência se sentem autorizados a partir para a “porrada”, como defende gente do primeiro escalão do PT. Mas o Brasil que não concorda com isso, e que é o Brasil da maioria, responderá à baixaria lutando por mais cidadania, mais democracia, mais decência, paz e mais respeito ao país. Aos bolivarianos daqui restará a Venezuela como consolo, ou como destino.
A estridência do petismo e de seus satélites ditos “sociais” aumenta à medida que explode a dimensão da roubalheira e do desgoverno. Sobe de tom na mesma proporção em que o governo reeleito revela-se um engodo absoluto. E vai às raias da loucura quando percebe que a sociedade brasileira cada vez mais rejeita o modo PT de governar.
Mas o fator com maior capacidade de incendiar a ira dos carbonários petistas são as ameaças a seu líder-mor, Lula. Bastou surgir e crescer o temor de que as investigações sobre a roubalheira na Petrobras poderiam chegar até as barbas do ex-presidente que a turma se assanhou para valer. Agora querem briga a qualquer custo.
Não chega a ser nenhuma novidade a beligerância de agrupamentos como o “exército do Stédile”, a CUT ou a FUP, sempre prontos a deflagrar confrontos com quem consideram adversários do projeto de poder que integram. Afinal, o que lhes interessa é manter azeitados os canais que irrigam sua contabilidade e financiam sua existência.
Grave mesmo é quando um ex-presidente da República resolve fazer as vezes de chefe deste tipo de falanges. Este é o papel a que Luiz Inácio Lula da Silva tem se prestado desde que abandonou a reclusão em que se manteve durante meses, enquanto a crise consumia Dilma Rousseff. Por que será? O que tanto ele teme para vociferar desta maneira?
Contra a triste realidade que se revela a cada dia, envolvendo não apenas a estatal de petróleo, mas também o imenso aparato corrupto instalado pelos petistas no seio do Estado, não se ouve argumentos. Só a tática do desespero.
Sobre a destruição da Petrobras, nenhuma manifestação razoavelmente equilibrada. Tão somente manifestos de “intelectuais” (haja aspas) faixa branca sempre dispostos a defender o indefensável. Será que padecem da “falta de conhecimento” sobre a situação da empresa que a presidente Dilma Rousseff atribui às agências de crédito que rebaixaram a companhia?
Agora já se cogita até a venda das sagradas reservas do pré-sal, aquelas mesmas que o PT acusava a oposição de querer “entregar” para estrangeiros e capitalistas insaciáveis. Já se fala também em novo socorro do governo à empresa, com farto recurso público. O que os bolivarianos daqui têm a dizer a respeito?
Quando o mau exemplo vem de cima, os partidários da truculência se sentem autorizados a partir para a “porrada”, como defende gente do primeiro escalão do PT. Mas o Brasil que não concorda com isso, e que é o Brasil da maioria, responderá à baixaria lutando por mais cidadania, mais democracia, mais decência, paz e mais respeito ao país. Aos bolivarianos daqui restará a Venezuela como consolo, ou como destino.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
A mãe do petrolão
Dilma Rousseff finalmente deixou de lado um silêncio que já durava dois meses. Diante do que falou na última sexta-feira, porém, melhor teria feito se tivesse continuado calada.
Culpar o passado é a saída mais óbvia de quem está mergulhado num presente de apuros. Como presidente do conselho de administração da Petrobras por quase oito anos, Dilma foi uma espécie de mãe do petrolão. Cabe a ela e ao PT responder pelos 12 anos de assalto do partido à empresa, durante os quais, segundo revelações da Operação Lava Jato, meio bilhão de reais foram desviados para os cofres petistas.
O PT teve três mandatos para apurar o que supostamente teria acontecido de errado no Brasil antes da chegada do partido ao poder, em especial na Petrobras. Se não o fez, das duas uma: ou não encontrou nada errado, o que é mais provável, ou não quis investigar e punir eventuais culpados, o que constitui crime de prevaricação. O óbvio: os problemas não estão no passado; estão no presente, vivíssimos.
A tática do “pega ladrão”, tão bem caracterizada pelo presidente Fernando Henrique, é usual no petismo. Sempre que flagrados com a boca na botija, o que tem sido cada vez mais comum, os partidários do mensalão e do petrolão dão um jeito de acusar seus acusadores e de culpar os mensageiros pelo teor ingrato das mensagens. Não cola.
O banditismo petista há muito deixou de ser novidade. O estarrecedor é a inépcia que a presidente da República demonstra para desempenhar suas funções e defender o interesse público. “Se não entendeu a dimensão e a natureza do ataque à Petrobras, como poderá sanear e proteger a empresa?”, sintetizou Miriam Leitão no domingo.
Dilma cumpre papel num script que lhe foi ditado pelo marketing e pelo seu tutor. Definitivamente não sabe o que fazer diante da roubalheira sistêmica que se espalhou no aparato estatal como cancro, sob seu nariz e com o seu beneplácito, institucionalizada pelo PT. Revela-se espectadora e não protagonista de seu governo.
Se ainda havia dúvidas, a presidente da República mostrou não estar à altura do cargo que ocupa e dos desafios que precisa vencer. Mais parece uma marionete, num momento em que o país clama por um líder.
Depois de seu mutismo, esperava-se que Dilma reaparecesse para dar ao país sua visão sobre os rumos que pretende imprimir ao governo para superar as enormes dificuldades que ela mesma criou para os brasileiros. Mas não; o que se viu foi uma presidente se comportando como animadora de auditório, líder de torcida, chefe de facção.
Afirmar que o problema da roubalheira da Petrobras repousa no que supostamente aconteceu na empresa quase duas décadas atrás é afrontar a inteligência dos brasileiros, desrespeitar a nação e zombar das instituições. Mais que isso, desnuda a inaptidão da presidente para estar na função que exerce. Dilma não está à altura do Brasil.
Depois de seu mutismo, esperava-se que Dilma reaparecesse para dar ao país sua visão sobre os rumos que pretende imprimir ao governo para superar as enormes dificuldades que ela mesma criou para os brasileiros. Mas não; o que se viu foi uma presidente se comportando como animadora de auditório, líder de torcida, chefe de facção.
Afirmar que o problema da roubalheira da Petrobras repousa no que supostamente aconteceu na empresa quase duas décadas atrás é afrontar a inteligência dos brasileiros, desrespeitar a nação e zombar das instituições. Mais que isso, desnuda a inaptidão da presidente para estar na função que exerce. Dilma não está à altura do Brasil.
Culpar o passado é a saída mais óbvia de quem está mergulhado num presente de apuros. Como presidente do conselho de administração da Petrobras por quase oito anos, Dilma foi uma espécie de mãe do petrolão. Cabe a ela e ao PT responder pelos 12 anos de assalto do partido à empresa, durante os quais, segundo revelações da Operação Lava Jato, meio bilhão de reais foram desviados para os cofres petistas.
O PT teve três mandatos para apurar o que supostamente teria acontecido de errado no Brasil antes da chegada do partido ao poder, em especial na Petrobras. Se não o fez, das duas uma: ou não encontrou nada errado, o que é mais provável, ou não quis investigar e punir eventuais culpados, o que constitui crime de prevaricação. O óbvio: os problemas não estão no passado; estão no presente, vivíssimos.
A tática do “pega ladrão”, tão bem caracterizada pelo presidente Fernando Henrique, é usual no petismo. Sempre que flagrados com a boca na botija, o que tem sido cada vez mais comum, os partidários do mensalão e do petrolão dão um jeito de acusar seus acusadores e de culpar os mensageiros pelo teor ingrato das mensagens. Não cola.
O banditismo petista há muito deixou de ser novidade. O estarrecedor é a inépcia que a presidente da República demonstra para desempenhar suas funções e defender o interesse público. “Se não entendeu a dimensão e a natureza do ataque à Petrobras, como poderá sanear e proteger a empresa?”, sintetizou Miriam Leitão no domingo.
Dilma cumpre papel num script que lhe foi ditado pelo marketing e pelo seu tutor. Definitivamente não sabe o que fazer diante da roubalheira sistêmica que se espalhou no aparato estatal como cancro, sob seu nariz e com o seu beneplácito, institucionalizada pelo PT. Revela-se espectadora e não protagonista de seu governo.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Sombrias revelações
Mais uma vez em sérios apuros, novamente o PT tenta colocar de pé a teoria de que todos são iguais na imundice. Quando mais insiste em tentar nivelar a política brasileira por baixo, mais o partido do mensalão e do petrolão se vê enroscado em tenebrosas transações. Conosco não, violão!
Ontem veio a público novo depoimento de Alberto Youssef indicando que próceres de primeira linha do petismo eram responsáveis por recolher o dinheiro sujo desviado de contratos da Petrobras. Os drenos da corrupção não estavam enterrados apenas na lama; passavam dentro do Palácio do Planalto.
Segundo o doleiro, pelo menos dois ex-ministros da Casa Civil estiveram envolvidos no esquema: José Dirceu e Antonio Palocci. Diz muito de um governo e de um partido a revelação de que, no segundo cargo mais importante da hierarquia de poder, estava gente com este cabedal. (Não custa lembrar que uma terceira ocupante do cargo, Gleisi Hoffmann, também já caiu na rede dos investigadores.) O atual tesoureiro do partido também está enredado.
Não é de hoje que os petistas são matéria-prima do noticiário e de investigações policiais envolvendo roubalheiras, crimes e assaltos ao Estado. Desde que o PT só tinha logrado chegar ao poder em nível municipal, os escândalos se sucedem. Ganharam dimensão, aumentaram de proporção, mas a cepa marginal sempre esteve lá.
Nesta mesma semana em que novas transações tenebrosas envolvendo petistas vieram à tona, o Supremo Tribunal Federal arquivou inquéritos que investigavam a suposta participação de ex-secretários do governo tucano de São Paulo num suposto esquema de propina nas obras do metrô da capital. E o PT ainda quer misturar estes alhos com seus bugalhos.
Na campanha eleitoral, a candidata Dilma Rousseff ensaiou um mantra que repetia irritantemente a cada debate na televisão. Citava casos que supostamente indicariam corrupção em governos do PSDB e concluía, a cada um deles: “Todos soltos”. Buscava mostrar que, com ela, é tudo diferente: quem rouba é preso.
A diferença, porém, é de outra natureza: o grupo que está no poder desde 2003 tem no roubo seu modus operandi. Se noutros tempos a Justiça não mandou prender ninguém, é porque não encontrou o que justificasse a prisão. Se manda prender petistas agora à farta, é porque razões há. Esta é a diferença.
A retórica petista de que “faz o que todo mundo sempre fez” é velha. Desde que o PT foi flagrado no mensalão, os antigos vestais da política brasileira despiram a fantasia. O que aconteceu desde então não deixa dúvidas: o PT promoveu um carnaval no governo, esbaldou dinheiro público e montou no poder o maior bloco mafioso de que se tem notícia. Não adianta tentar arrastar todos para o mesmo buraco.
Ontem veio a público novo depoimento de Alberto Youssef indicando que próceres de primeira linha do petismo eram responsáveis por recolher o dinheiro sujo desviado de contratos da Petrobras. Os drenos da corrupção não estavam enterrados apenas na lama; passavam dentro do Palácio do Planalto.
Segundo o doleiro, pelo menos dois ex-ministros da Casa Civil estiveram envolvidos no esquema: José Dirceu e Antonio Palocci. Diz muito de um governo e de um partido a revelação de que, no segundo cargo mais importante da hierarquia de poder, estava gente com este cabedal. (Não custa lembrar que uma terceira ocupante do cargo, Gleisi Hoffmann, também já caiu na rede dos investigadores.) O atual tesoureiro do partido também está enredado.
Não é de hoje que os petistas são matéria-prima do noticiário e de investigações policiais envolvendo roubalheiras, crimes e assaltos ao Estado. Desde que o PT só tinha logrado chegar ao poder em nível municipal, os escândalos se sucedem. Ganharam dimensão, aumentaram de proporção, mas a cepa marginal sempre esteve lá.
Nesta mesma semana em que novas transações tenebrosas envolvendo petistas vieram à tona, o Supremo Tribunal Federal arquivou inquéritos que investigavam a suposta participação de ex-secretários do governo tucano de São Paulo num suposto esquema de propina nas obras do metrô da capital. E o PT ainda quer misturar estes alhos com seus bugalhos.
Na campanha eleitoral, a candidata Dilma Rousseff ensaiou um mantra que repetia irritantemente a cada debate na televisão. Citava casos que supostamente indicariam corrupção em governos do PSDB e concluía, a cada um deles: “Todos soltos”. Buscava mostrar que, com ela, é tudo diferente: quem rouba é preso.
A diferença, porém, é de outra natureza: o grupo que está no poder desde 2003 tem no roubo seu modus operandi. Se noutros tempos a Justiça não mandou prender ninguém, é porque não encontrou o que justificasse a prisão. Se manda prender petistas agora à farta, é porque razões há. Esta é a diferença.
A retórica petista de que “faz o que todo mundo sempre fez” é velha. Desde que o PT foi flagrado no mensalão, os antigos vestais da política brasileira despiram a fantasia. O que aconteceu desde então não deixa dúvidas: o PT promoveu um carnaval no governo, esbaldou dinheiro público e montou no poder o maior bloco mafioso de que se tem notícia. Não adianta tentar arrastar todos para o mesmo buraco.
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sábado, 7 de fevereiro de 2015
Partido dos Trambiques, 35 anos
O partido do mensalão e do petrolão comemora hoje seus 35 anos de fundação. Não será surpresa se a celebração de aniversário estiver sendo paga com parte do meio bilhão de reais recebidos como propina pelos petistas ao longo dos últimos dez anos. Assim é a festa do PT desde que chegou ao poder: bancada com dinheiro sujo.
A revelação de que US$ 200 milhões podem ter sido desviados de contratos da Petrobras para as contas do PT faz parte de uma espécie de linha evolutiva do partido. Tudo começou com licitações de ônibus e lixo quando os petistas só haviam conseguido governar municípios e, após a conquista do poder federal, foi ganhando proporção.
Desde a Land Rover de Silvio Pereira à dinheirama em profusão que a Polícia Federal e o Ministério Público desvendam agora, o que mudou foi a dimensão: o carro custava alguns milhares de reais e hoje só se fala em bilhões de dólares. Os negócios à sombra do poder prosperaram e os cofres do partido encheram.
As campanhas eleitorais petistas ilustram o enriquecimento. Quando Lula foi eleito, em 2002, o partido gastou R$ 21 milhões. Na reeleição dele, já com o poder à disposição, foram R$ 85 milhões, valor que chegou a R$ 350 milhões no ano passado, o dobro da primeira vitória de Dilma Rousseff. Parece bem claro o nexo causal entre as novas revelações da Operação Lava Jato e a escalada. Ou não?
Desde a chegada do PT ao poder, o pagamento de propinas dentro da maior empresa brasileira tornou-se “algo endêmico e institucionalizado”, segundo a delação feita por Pedro José Barusco, ex-gerente da área de Serviços da estatal. No centro das operações estava João Vaccari Neto, o tesoureiro que substituiu o hoje presidiário Delúbio Soares na função de arrecadador do partido.
O mesmo Vaccari já se meteu em desvios que lesaram mais de 3 mil mutuários do Bancoop em até R$ 170 milhões, quando era presidente do sindicato dos bancários de São Paulo. O mesmo Vaccari esteve na coordenação da primeira campanha de Dilma e até 15 dias atrás tinha assento no conselho de administração de outra gigante estatal, a Itaipu Binacional. Que funções ele cumpria lá?
As novas revelações da nona fase da Operação Lava Jato sugerem que o PT pode ter sido reincidente nos mesmos crimes confessados por Duda Mendonça quando flagrado na CPI dos Correios, em 2005: lavagem de dinheiro, crimes de ordem tributária e, sobretudo, eleitoral, pela suspeita de terem financiado as últimas campanhas petistas.
Assombra que, diante de tamanho descalabro, a presidente da República tenha buscado uma solução para a Petrobras para “agradar e não ferir suscetibilidades do PT”, enquanto os petistas hipotecam solidariedade e prometem desagravo a Vaccari, porque ele “nunca pôs dinheiro no bolso”.
A revelação de que US$ 200 milhões podem ter sido desviados de contratos da Petrobras para as contas do PT faz parte de uma espécie de linha evolutiva do partido. Tudo começou com licitações de ônibus e lixo quando os petistas só haviam conseguido governar municípios e, após a conquista do poder federal, foi ganhando proporção.
Desde a Land Rover de Silvio Pereira à dinheirama em profusão que a Polícia Federal e o Ministério Público desvendam agora, o que mudou foi a dimensão: o carro custava alguns milhares de reais e hoje só se fala em bilhões de dólares. Os negócios à sombra do poder prosperaram e os cofres do partido encheram.
As campanhas eleitorais petistas ilustram o enriquecimento. Quando Lula foi eleito, em 2002, o partido gastou R$ 21 milhões. Na reeleição dele, já com o poder à disposição, foram R$ 85 milhões, valor que chegou a R$ 350 milhões no ano passado, o dobro da primeira vitória de Dilma Rousseff. Parece bem claro o nexo causal entre as novas revelações da Operação Lava Jato e a escalada. Ou não?
Desde a chegada do PT ao poder, o pagamento de propinas dentro da maior empresa brasileira tornou-se “algo endêmico e institucionalizado”, segundo a delação feita por Pedro José Barusco, ex-gerente da área de Serviços da estatal. No centro das operações estava João Vaccari Neto, o tesoureiro que substituiu o hoje presidiário Delúbio Soares na função de arrecadador do partido.
O mesmo Vaccari já se meteu em desvios que lesaram mais de 3 mil mutuários do Bancoop em até R$ 170 milhões, quando era presidente do sindicato dos bancários de São Paulo. O mesmo Vaccari esteve na coordenação da primeira campanha de Dilma e até 15 dias atrás tinha assento no conselho de administração de outra gigante estatal, a Itaipu Binacional. Que funções ele cumpria lá?
As novas revelações da nona fase da Operação Lava Jato sugerem que o PT pode ter sido reincidente nos mesmos crimes confessados por Duda Mendonça quando flagrado na CPI dos Correios, em 2005: lavagem de dinheiro, crimes de ordem tributária e, sobretudo, eleitoral, pela suspeita de terem financiado as últimas campanhas petistas.
Assombra que, diante de tamanho descalabro, a presidente da República tenha buscado uma solução para a Petrobras para “agradar e não ferir suscetibilidades do PT”, enquanto os petistas hipotecam solidariedade e prometem desagravo a Vaccari, porque ele “nunca pôs dinheiro no bolso”.
Com tanta desfaçatez, o Partido dos Trabalhadores deveria aproveitar a festa de hoje e rebatizar-se. Fica uma sugestão: Partido dos Trambiques.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Acabou a graça
A impropriedade de manter Maria das Graças Foster na presidência da Petrobras era flagrante há meses. Mas Dilma Rousseff, com sua peculiar inaptidão, a preservou no cargo, sangrando ainda mais a empresa. É mais uma das irresponsabilidades cometidas pela presidente da República contra a estatal, pelas quais ela terá logo, logo que responder.
A saída de Graça do comando da Petrobras pode representar novo alento para a empresa. Mas a simples substituição da presidente e da direção não dará jeito no descalabro que levou a companhia a erigir uma dívida de R$ 331 bilhões e a perder, em apenas cinco meses, R$ 205 bilhões, ou 2/3 de seu valor de mercado.
A Petrobras está vergada sob o peso da corrupção, de um modelo de negócios falido e do fardo regulatório que lhe embaça os horizontes. Dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, não tem capacidade para extraí-lo – segundo Graça, com a crise em que a estatal se meteu, a exploração terá de ser reduzida “ao mínimo necessário”.
Sob a direção de Graça e o controle direto de Dilma, a Petrobras tem desempenho sofrível perto de suas concorrentes. Desde que as cotações de petróleo mergulharam em todo o mundo, as petroleiras têm tido dificuldades, mas nada que se compare com a empresa brasileira.
Segundo o CBIE, entre setembro e o fim de janeiro, o barril havia caído 44% (nos últimos dias, ensaiou uma recuperação), enquanto a Petrobras perdera 55% de seu valor. Suas principais concorrentes globais resistiram: Exxon, Shell e Chevron encolheram, em média, apenas 13%. Ou seja, mais do que à crise global, a Petrobras sucumbe a seus próprios erros e aos equívocos da política local.
O fundo do fundo do poço em que a Petrobras foi metida pelas escolhas do PT e as barbeiragens de Dilma suscitam a necessidade de se rediscutir o modelo de negócios adotado para o setor de petróleo no Brasil desde 2007. Não basta apenas profissionalizar a gestão da companhia.
É preciso também acabar com a obrigatoriedade de a estatal participar de todos os consórcios de exploração do pré-sal e ser a operadora única dos poços de águas ultraprofundas. Menos recomendável ainda é perseverar no modelo de partilha e na política de conteúdo nacional que torna os negócios de petróleo no país ainda mais custosos.
Em seu discurso de posse, Dilma Rousseff disse que a Petrobras é vítima de “predadores internos” e “inimigos externos”. A presidente não precisa dar sequência à sua teoria conspiratória. Basta que não faça com o resto do país o que tem feito com a estatal: esperar que ela chegue, degringolada, à beira do abismo antes de tomar alguma atitude.
A saída de Graça do comando da Petrobras pode representar novo alento para a empresa. Mas a simples substituição da presidente e da direção não dará jeito no descalabro que levou a companhia a erigir uma dívida de R$ 331 bilhões e a perder, em apenas cinco meses, R$ 205 bilhões, ou 2/3 de seu valor de mercado.
A Petrobras está vergada sob o peso da corrupção, de um modelo de negócios falido e do fardo regulatório que lhe embaça os horizontes. Dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, não tem capacidade para extraí-lo – segundo Graça, com a crise em que a estatal se meteu, a exploração terá de ser reduzida “ao mínimo necessário”.
Sob a direção de Graça e o controle direto de Dilma, a Petrobras tem desempenho sofrível perto de suas concorrentes. Desde que as cotações de petróleo mergulharam em todo o mundo, as petroleiras têm tido dificuldades, mas nada que se compare com a empresa brasileira.
Segundo o CBIE, entre setembro e o fim de janeiro, o barril havia caído 44% (nos últimos dias, ensaiou uma recuperação), enquanto a Petrobras perdera 55% de seu valor. Suas principais concorrentes globais resistiram: Exxon, Shell e Chevron encolheram, em média, apenas 13%. Ou seja, mais do que à crise global, a Petrobras sucumbe a seus próprios erros e aos equívocos da política local.
O fundo do fundo do poço em que a Petrobras foi metida pelas escolhas do PT e as barbeiragens de Dilma suscitam a necessidade de se rediscutir o modelo de negócios adotado para o setor de petróleo no Brasil desde 2007. Não basta apenas profissionalizar a gestão da companhia.
É preciso também acabar com a obrigatoriedade de a estatal participar de todos os consórcios de exploração do pré-sal e ser a operadora única dos poços de águas ultraprofundas. Menos recomendável ainda é perseverar no modelo de partilha e na política de conteúdo nacional que torna os negócios de petróleo no país ainda mais custosos.
Em seu discurso de posse, Dilma Rousseff disse que a Petrobras é vítima de “predadores internos” e “inimigos externos”. A presidente não precisa dar sequência à sua teoria conspiratória. Basta que não faça com o resto do país o que tem feito com a estatal: esperar que ela chegue, degringolada, à beira do abismo antes de tomar alguma atitude.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O custo PT na Petrobras
R$ 88,6 bilhões. Este é o possível valor que corresponde ao assalto perpetrado pelas gestões petistas na Petrobras, seja na forma de desvios e corrupção, seja na de negócios mal feitos, ineficiência e desperdício de dinheiro que deveria servir ao desenvolvimento do país. Quem vai pagar por isso?
O tamanho da cifra ainda é alvo de discórdia. Os representantes do governo no conselho de administração da Petrobras impediram que a companhia lançasse o valor como baixa contábil no balanço capenga sobre os resultados do terceiro trimestre do ano passado divulgados na madrugada de ontem.
O ajuste pode ser de “apenas” R$ 61,4 bilhões ou, na conta mais conservadora possível, a corrupção teria surrupiado não mais que R$ 4 bilhões da empresa. Como quer que se olhe, trata-se do maior escândalo financeiro e político da história da humanidade.
Os R$ 88,6 bilhões correspondem a um terço do patrimônio da Petrobras. Mas nada impede que o montante seja ainda maior, porque as estimativas feitas por duas das mais renomadas consultorias internacionais se ativeram apenas ao período de 2004 a 2012.
Ocorre que o próprio Ministério Público Federal, quando pediu a prisão de Nestor Cerveró, afiançou que não há indícios de que a roubalheira tenha sido estancada. Há notícias de continuação do pagamento de propinas até em 2014, com suspeita de terem tido a campanha de Dilma Rousseff à reeleição como destino.
De todo modo, os R$ 88,6 bilhões estimados pelas consultorias são dinheiro inimaginável. Seriam suficientes, por exemplo, para colocar 11,5 milhões de crianças em creches – zerando uma promessa que o PT passou longe de cumprir – ou 51 milhões de jovens em escolas. Este é o custo que o petismo está impondo à sociedade brasileira.
Para se ter ideia, no Brasil apenas três empresas têm ativos totais maiores que o valor do descalabro na Petrobras. Ou seja, a corrupção e a ineficiência registradas nas gestões de Lula e de Dilma custam ao país mais do que valem algumas das maiores companhias brasileiras. Este é o único ativo que o PT é capaz de construir.
Entre os ativos que a Petrobras vai limar de seu balanço estão descalabros como os da refinaria Abreu e Lima – onde R$ 4 bilhões foram gastos antes das obras começarem – e do Comperj. Estão também as duas refinarias Premium que Lula e Dilma prometeram reiteradas vezes para o Nordeste: não saíram do papel, mas consumiram R$ 2,7 bilhões.
O mais grave é que, na sua forma peculiar de ver as coisas, a presidente da República continua achando que a Petrobras dispõe da “mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”. É por esta razão que, nas barbas de Dilma Rousseff, tanto dinheiro esteja sendo roubado do povo brasileiro.
O tamanho da cifra ainda é alvo de discórdia. Os representantes do governo no conselho de administração da Petrobras impediram que a companhia lançasse o valor como baixa contábil no balanço capenga sobre os resultados do terceiro trimestre do ano passado divulgados na madrugada de ontem.
O ajuste pode ser de “apenas” R$ 61,4 bilhões ou, na conta mais conservadora possível, a corrupção teria surrupiado não mais que R$ 4 bilhões da empresa. Como quer que se olhe, trata-se do maior escândalo financeiro e político da história da humanidade.
Os R$ 88,6 bilhões correspondem a um terço do patrimônio da Petrobras. Mas nada impede que o montante seja ainda maior, porque as estimativas feitas por duas das mais renomadas consultorias internacionais se ativeram apenas ao período de 2004 a 2012.
Ocorre que o próprio Ministério Público Federal, quando pediu a prisão de Nestor Cerveró, afiançou que não há indícios de que a roubalheira tenha sido estancada. Há notícias de continuação do pagamento de propinas até em 2014, com suspeita de terem tido a campanha de Dilma Rousseff à reeleição como destino.
De todo modo, os R$ 88,6 bilhões estimados pelas consultorias são dinheiro inimaginável. Seriam suficientes, por exemplo, para colocar 11,5 milhões de crianças em creches – zerando uma promessa que o PT passou longe de cumprir – ou 51 milhões de jovens em escolas. Este é o custo que o petismo está impondo à sociedade brasileira.
Para se ter ideia, no Brasil apenas três empresas têm ativos totais maiores que o valor do descalabro na Petrobras. Ou seja, a corrupção e a ineficiência registradas nas gestões de Lula e de Dilma custam ao país mais do que valem algumas das maiores companhias brasileiras. Este é o único ativo que o PT é capaz de construir.
Entre os ativos que a Petrobras vai limar de seu balanço estão descalabros como os da refinaria Abreu e Lima – onde R$ 4 bilhões foram gastos antes das obras começarem – e do Comperj. Estão também as duas refinarias Premium que Lula e Dilma prometeram reiteradas vezes para o Nordeste: não saíram do papel, mas consumiram R$ 2,7 bilhões.
O mais grave é que, na sua forma peculiar de ver as coisas, a presidente da República continua achando que a Petrobras dispõe da “mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”. É por esta razão que, nas barbas de Dilma Rousseff, tanto dinheiro esteja sendo roubado do povo brasileiro.
sábado, 24 de janeiro de 2015
Eles não aprendem
As novas revelações da Operação Lava Jato deixam ainda mais claro que o modus operandi adotado desde o mensalão mantém-se mais vivo do que nunca como parte do projeto de poder do PT. Compra de apoio parlamentar, financiamento irregular de campanha e assalto ao dinheiro público são seus principais ingredientes.
Os jornais de hoje trazem duas notícias que reforçam a constatação: a descoberta de que a consultoria de José Dirceu recebeu uma bolada milionária das principais empreiteiras envolvidas no assalto à Petrobras e as revelações de um empreiteiro de que um balcão de achaques desviava recursos públicos para pagar a fidelidade de parlamentares.
O ainda poderoso ex-ministro petista, condenado a sete anos e 11 meses por corrupção ativa, recebeu R$ 3,76 milhões de três empresas investigadas na Lava Jato. Os pagamentos ocorreram entre 2009 e 2013, quando ele já não estava no governo, não tinha mandato parlamentar e estava sendo julgado pelo mensalão. Que serviços sua consultoria prestaria?
Já a defesa apresentada por Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, sustenta que as empreiteiras eram ameaçadas por Paulo Roberto Costa e companhia limitada caso não soltassem a grana para financiar o projeto de poder petista. Já se sabe que a propina girava em torno de 3% do valor dos contratos, beneficiando PT, PP e PMDB pelo menos e influenciado as eleições de 2006, 2010 e 2014, mostra hoje o Valor Econômico.
As semelhanças com os tempos do mensalão não são mera coincidência. O que difere, porém, um escândalo do outro são as dimensões. No balanço que deve publicar na próxima terça-feira, a Petrobras deverá informar ao distinto público que a corrupção pode ter lhe surrupiado R$ 10 bilhões, segundo O Globo. A cifra (descoberta) do mensalão é apenas uma ínfima parcela disso.
Na semana passada, quando requereu a prisão de Nestor Cerveró, o Ministério Público Federal deixou claro que “não há indicativos de que o esquema criminoso [na Petrobras] foi estancado”. Há, segundo os promotores, indícios de pagamento de propinas a diretores da estatal mesmo em 2014.
Os desdobramentos recentes da investigação do ‘petrolão’ também se aproximam da presidente Dilma Rousseff. Tanto Cerveró quanto José Sergio Gabrielli imputaram ao conselho de administração presidido por ela as maiores responsabilidades pelos negócios ruinosos promovidos pela Petrobras – como a construção da refinaria Abreu e Lima, que dará prejuízo de ao menos US$ 3,2 bilhões à estatal, segundo revelou a Folha de S.Paulo.
Uma avaliação bondosa poderia afirmar que o PT não aprende com os erros que comete. Uma leitura mais realista, porém, indica que as falcatruas, a falta de limites éticos e o desrespeito ao bem público são inerentes à prática do partido que está no comando do país há 12 anos.
Os jornais de hoje trazem duas notícias que reforçam a constatação: a descoberta de que a consultoria de José Dirceu recebeu uma bolada milionária das principais empreiteiras envolvidas no assalto à Petrobras e as revelações de um empreiteiro de que um balcão de achaques desviava recursos públicos para pagar a fidelidade de parlamentares.
O ainda poderoso ex-ministro petista, condenado a sete anos e 11 meses por corrupção ativa, recebeu R$ 3,76 milhões de três empresas investigadas na Lava Jato. Os pagamentos ocorreram entre 2009 e 2013, quando ele já não estava no governo, não tinha mandato parlamentar e estava sendo julgado pelo mensalão. Que serviços sua consultoria prestaria?
Já a defesa apresentada por Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, sustenta que as empreiteiras eram ameaçadas por Paulo Roberto Costa e companhia limitada caso não soltassem a grana para financiar o projeto de poder petista. Já se sabe que a propina girava em torno de 3% do valor dos contratos, beneficiando PT, PP e PMDB pelo menos e influenciado as eleições de 2006, 2010 e 2014, mostra hoje o Valor Econômico.
As semelhanças com os tempos do mensalão não são mera coincidência. O que difere, porém, um escândalo do outro são as dimensões. No balanço que deve publicar na próxima terça-feira, a Petrobras deverá informar ao distinto público que a corrupção pode ter lhe surrupiado R$ 10 bilhões, segundo O Globo. A cifra (descoberta) do mensalão é apenas uma ínfima parcela disso.
Na semana passada, quando requereu a prisão de Nestor Cerveró, o Ministério Público Federal deixou claro que “não há indicativos de que o esquema criminoso [na Petrobras] foi estancado”. Há, segundo os promotores, indícios de pagamento de propinas a diretores da estatal mesmo em 2014.
Os desdobramentos recentes da investigação do ‘petrolão’ também se aproximam da presidente Dilma Rousseff. Tanto Cerveró quanto José Sergio Gabrielli imputaram ao conselho de administração presidido por ela as maiores responsabilidades pelos negócios ruinosos promovidos pela Petrobras – como a construção da refinaria Abreu e Lima, que dará prejuízo de ao menos US$ 3,2 bilhões à estatal, segundo revelou a Folha de S.Paulo.
Uma avaliação bondosa poderia afirmar que o PT não aprende com os erros que comete. Uma leitura mais realista, porém, indica que as falcatruas, a falta de limites éticos e o desrespeito ao bem público são inerentes à prática do partido que está no comando do país há 12 anos.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Graça mente
Com a Petrobras derretendo, o governo deflagrou ontem uma operação para blindar a atual presidente da empresa, Maria das Graças Foster. É tudo o que a presidente da República e seus auxiliares não deveriam estar fazendo numa hora destas. Cabe a Dilma Rousseff vir a público explicar a catatonia na estatal tragada por corrupção, e não tentar justificar o injustificável.
É cada vez mais evidente que a posição de Graça é insustentável. Suas alegações diante das denúncias de que há anos sabia das falcatruas na companhia não se sustentam. Para piorar, o aparato oficial também é usado para sustentar a mentira, por meio de notas oficiais divulgadas aos borbotões pela Petrobras – agora até de madrugada...
Do outro lado, estão as denúncias cristalinas, límpidas, feitas pela geóloga Venina Velosa da Fonseca. Têm hora, data, destinatários e remetentes claros. Estão registradas. Aconteceram, do que se sabe até agora, nos dias 2 de abril de 2009, 3 de abril de 2009, 4 de maio de 2009, 26 de agosto de 2011 e 7 de outubro de 2011.
As primeiras mensagens vieram a público na sexta-feira pelo Valor Econômico. Desde então, a Petrobras divulgou três notas oficiais para tentar desmentir Venina. Alega que a presidente da empresa só soube poucos dias atrás do que a funcionária tinha a dizer. A cada investida, fica claro que quem precisa ser desmentida é a empresa e, mais precisamente, sua presidente, Graça Foster.
Hoje, o Valor traz novas mensagens enviadas pela geóloga a Graça, então diretora de Gás e Energia da estatal. Uma delas foi expedida na madrugada de 3 de abril de 2009, horas antes de Venina protocolar oficialmente junto ao sistema de documentação da Petrobras denúncia de irregularidades na área de comunicação da diretoria na qual trabalhava, a de Abastecimento. Elas resultaram em desvio comprovado de R$ 58 milhões.
Outro e-mail data de 7 de outubro de 2011. Nele, Venina diz preferir dizer tudo o que tinha a dizer “olhando direto nos olhos” de Graça e pede que a então diretora a receba. Como não conseguiu, optou por escrever a mensagem. Fica claro na correspondência a confiança que a funcionária depositava em Graça, que, no entanto, jamais a retribuiu.
O desfecho das denúncias já é sabido: Venina acabou desterrada para um posto em Cingapura e no mês passado foi destituída do cargo que ocupava na empresa. Em contraponto, um dos funcionários por ela denunciado, de umbilicais ligações com o PT da Bahia, demorou quatro anos para ser demitido.
Alguns anos atrás, outro denunciante entrou para a história ao fazer um pungente apelo diante das câmeras, durante depoimento no Congresso : “Sai, Zé, sai rápido daí”. Estava deflagrada a investigação do mensalão e José Dirceu demorou só alguns poucos dias para seguir o conselho de Roberto Jefferson. Hoje é um presidiário. Graça Foster, definitivamente, não precisaria chegar a tanto.
É cada vez mais evidente que a posição de Graça é insustentável. Suas alegações diante das denúncias de que há anos sabia das falcatruas na companhia não se sustentam. Para piorar, o aparato oficial também é usado para sustentar a mentira, por meio de notas oficiais divulgadas aos borbotões pela Petrobras – agora até de madrugada...
Do outro lado, estão as denúncias cristalinas, límpidas, feitas pela geóloga Venina Velosa da Fonseca. Têm hora, data, destinatários e remetentes claros. Estão registradas. Aconteceram, do que se sabe até agora, nos dias 2 de abril de 2009, 3 de abril de 2009, 4 de maio de 2009, 26 de agosto de 2011 e 7 de outubro de 2011.
As primeiras mensagens vieram a público na sexta-feira pelo Valor Econômico. Desde então, a Petrobras divulgou três notas oficiais para tentar desmentir Venina. Alega que a presidente da empresa só soube poucos dias atrás do que a funcionária tinha a dizer. A cada investida, fica claro que quem precisa ser desmentida é a empresa e, mais precisamente, sua presidente, Graça Foster.
Hoje, o Valor traz novas mensagens enviadas pela geóloga a Graça, então diretora de Gás e Energia da estatal. Uma delas foi expedida na madrugada de 3 de abril de 2009, horas antes de Venina protocolar oficialmente junto ao sistema de documentação da Petrobras denúncia de irregularidades na área de comunicação da diretoria na qual trabalhava, a de Abastecimento. Elas resultaram em desvio comprovado de R$ 58 milhões.
Outro e-mail data de 7 de outubro de 2011. Nele, Venina diz preferir dizer tudo o que tinha a dizer “olhando direto nos olhos” de Graça e pede que a então diretora a receba. Como não conseguiu, optou por escrever a mensagem. Fica claro na correspondência a confiança que a funcionária depositava em Graça, que, no entanto, jamais a retribuiu.
O desfecho das denúncias já é sabido: Venina acabou desterrada para um posto em Cingapura e no mês passado foi destituída do cargo que ocupava na empresa. Em contraponto, um dos funcionários por ela denunciado, de umbilicais ligações com o PT da Bahia, demorou quatro anos para ser demitido.
Alguns anos atrás, outro denunciante entrou para a história ao fazer um pungente apelo diante das câmeras, durante depoimento no Congresso : “Sai, Zé, sai rápido daí”. Estava deflagrada a investigação do mensalão e José Dirceu demorou só alguns poucos dias para seguir o conselho de Roberto Jefferson. Hoje é um presidiário. Graça Foster, definitivamente, não precisaria chegar a tanto.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Desgoverno
O que Dilma Rousseff ainda está esperando para tomar atitude – qualquer atitude que seja – diante da escandalosa situação da Petrobras? A inação da presidente perante a maior empresa estatal do país combina com a postura da petista em relação à sua administração como um todo. Estamos diante de um desgoverno.
As denúncias de malfeitos na Petrobras se acumulam e se multiplicam. As irregularidades eram do conhecimento da atual diretoria há anos; as propinas derivadas de negócios escusos eram entregues a domicílio, feito pizza delivery; o descompromisso com o interesse público chegou ao cúmulo de permitir a assinatura de contratos com valores em branco.
A estatal afunda neste mar de lama. Vale hoje menos do que valia antes de as gigantescas reservas do pré-sal terem sido descobertas – talvez seja caso único na história em que uma riqueza empobreceu uma empresa. O acesso da Petrobras ao mercado de crédito está bloqueado e, com isso, as demais companhias brasileiras também são prejudicadas.
A ex-presidente do conselho de administração da petroleira na época do ápice da roubalheira – Dilma esteve nesta posição durante oito longos anos – assiste a tudo impassível. Mantém no comando da empresa uma diretoria que não tem mais autoridade para permanecer nos cargos, sob pena de tornar ainda mais penosa a já difícil ressurreição da Petrobras.
A Petrobras da conselheira Dilma não destoa do governo da presidente Dilma. A petista chefia um governo à deriva, descaracterizado, esfacelado. Pelo menos metade dos ministros está demissionária há um mês. A equipe econômica é hoje uma hidra de várias cabeças, nenhuma delas pensante. A chefe espera, observa e não age. A situação só piora.
Os que se anteciparam e deixaram seus cargos – como Marta Suplicy e Jorge Hage – saíram atirando. Criticaram a falta de uma equipe econômica “independente, experiente e comprovada”, como fez a ex-ministra da Cultura. Ou apontaram o controle “absolutamente insuficiente” sobre a atividade das empresas estatais, como afirmou o controlador-geral.
Desde a campanha eleitoral, Dilma Rousseff tem demonstrado pouco apreço pelo ato de governar. Basta lembrar que, entre agosto e setembro, a presidente foi a seu local de trabalho apenas em cinco ocasiões. Depois, até o fim do segundo turno da disputa, passou 40 dias sem pisar no Palácio do Planalto.
O clima é de fim de feira. Mas, infelizmente, ainda nos restam quatro longos anos com Dilma à frente do país. Difícil imaginar como atravessaremos este período se prevalecer o desgoverno que assistimos manifestar-se todos os dias. A petista precisa começar a agir, antes que seja tarde demais.
As denúncias de malfeitos na Petrobras se acumulam e se multiplicam. As irregularidades eram do conhecimento da atual diretoria há anos; as propinas derivadas de negócios escusos eram entregues a domicílio, feito pizza delivery; o descompromisso com o interesse público chegou ao cúmulo de permitir a assinatura de contratos com valores em branco.
A estatal afunda neste mar de lama. Vale hoje menos do que valia antes de as gigantescas reservas do pré-sal terem sido descobertas – talvez seja caso único na história em que uma riqueza empobreceu uma empresa. O acesso da Petrobras ao mercado de crédito está bloqueado e, com isso, as demais companhias brasileiras também são prejudicadas.
A ex-presidente do conselho de administração da petroleira na época do ápice da roubalheira – Dilma esteve nesta posição durante oito longos anos – assiste a tudo impassível. Mantém no comando da empresa uma diretoria que não tem mais autoridade para permanecer nos cargos, sob pena de tornar ainda mais penosa a já difícil ressurreição da Petrobras.
A Petrobras da conselheira Dilma não destoa do governo da presidente Dilma. A petista chefia um governo à deriva, descaracterizado, esfacelado. Pelo menos metade dos ministros está demissionária há um mês. A equipe econômica é hoje uma hidra de várias cabeças, nenhuma delas pensante. A chefe espera, observa e não age. A situação só piora.
Os que se anteciparam e deixaram seus cargos – como Marta Suplicy e Jorge Hage – saíram atirando. Criticaram a falta de uma equipe econômica “independente, experiente e comprovada”, como fez a ex-ministra da Cultura. Ou apontaram o controle “absolutamente insuficiente” sobre a atividade das empresas estatais, como afirmou o controlador-geral.
Desde a campanha eleitoral, Dilma Rousseff tem demonstrado pouco apreço pelo ato de governar. Basta lembrar que, entre agosto e setembro, a presidente foi a seu local de trabalho apenas em cinco ocasiões. Depois, até o fim do segundo turno da disputa, passou 40 dias sem pisar no Palácio do Planalto.
O clima é de fim de feira. Mas, infelizmente, ainda nos restam quatro longos anos com Dilma à frente do país. Difícil imaginar como atravessaremos este período se prevalecer o desgoverno que assistimos manifestar-se todos os dias. A petista precisa começar a agir, antes que seja tarde demais.
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