Outrora tão tagarela, Dilma Rousseff resolveu se calar neste 1° de Maio. Não deveria. A presidente da República tem muito que explicar aos trabalhadores brasileiros, prejudicados na carne pelas medidas recessivas que o governo petista vem tomando.
Segundo o discurso oficial, Dilma teria preferido privilegiar “outros modais de comunicação” e dialogar com a população por meio das redes sociais. Nada a ver, portanto, com o pânico de tomar um panelaço na cabeça quando aparecesse mais uma vez fagueira no vídeo de milhões de lares brasileiros.
Será a primeira vez que Dilma não ocupa rede nacional por ocasião da comemoração do Dia do Trabalho. A presidente que mais usou horários obrigatórios no rádio e na televisão para fazer proselitismo político – em seus quatro anos e quatro meses de mandato, ela fez 21 pronunciamentos, um recorde absoluto – desta vez preferiu emudecer. Mas assunto para tratar não falta.
Dilma poderia começar explicando por que propôs ao Congresso cortar direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e o abono salarial. O relatório sobre a MP que trata do tema (a de n° 665) vai à discussão em comissão mista nesta semana e, apenas graças à resistência de parlamentares, foi atenuado, embora continue ceifando benefícios.
Também caberia muito bem na pauta da presidente para o Dia do Trabalho a situação de calamidade que se abate sobre os empregos no Brasil. Desde dezembro, foram eliminados 620 mil vagas no país, tendência que o resultado positivo registrado no mês passado não foi capaz de atenuar.
Em março, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego voltou a subir e atingiu 6,2%, conforme pesquisa divulgada nesta manhã pelo IBGE. É o maior índice para o mês desde 2011, ou seja, em quatro anos. O arrocho em marcha inclui também a alta disseminada de preços, o tarifaço nos serviços públicos e o enxugamento do crédito, como o da casa própria.
Há algumas semanas, o ministro da Comunicação Social havia dito que a presidente da República não se intimidaria com protestos. Não é o que parece. Depois de ter transferido a gestão econômica para Joaquim Levy e a articulação política para Michel Temer, agora Dilma transfere para Edinho Silva o papel de porta-voz de seu governo. É a terceirização que avança.
A presidente deve considerar que, apartada nas redes sociais, se livrará de ouvir dos brasileiros as verdades que eles têm a dizer sobre o governo que ela faz. Ilusão; não adianta a petista tentar se esconder. Quando os robôs do Palácio do Planalto começarem a disseminar os posts de Dilma relativos ao Dia do Trabalho, a reação virá líquida e certa, na forma de um panelaço virtual.
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quarta-feira, 29 de abril de 2015
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Mentiras em cadeia
Mais uma vez, já se
perdeu a conta de quantas foram exatamente, a presidente da República ocupou
rede nacional de rádio e TV para fazer proselitismo político. Dilma Rousseff falou
na noite de quarta-feira aos brasileiros como candidata à reeleição e não como
a primeira mandatária do país.
Seu rosário de
promessas não cumpridas é tão extenso, que a reação mais comum a mais um
pronunciamento oficial é a de total descrédito: redução das taxas de juros, hoje
já mais altas que quando ela assumiu a presidência; tarifas de energia baratas,
hoje já sendo reajustadas em dois dígitos; “pactos” que não dão em nada. Etc
etc etc.
São sempre
bem-vindas iniciativas que representem benefício e mais bem-estar aos
brasileiros. Mas elas devem ser verdadeiras e responsáveis. O que a presidente
anunciou na noite de anteontem não é nem uma coisa nem outra. Sua tônica
continua sendo a da mentira. O descompromisso dela e do PT com o futuro do país
continua latente.
Tanto no caso da
correção da tabela de imposto de renda, quanto no reajuste dos benefícios do
Bolsa Família, a proposta eleitoreira de Dilma passa longe de repor o que a inflação
em alta corroeu ao longo do governo dela. Em ambos os casos, apenas para zerar
a defasagem dos últimos três anos, seria preciso dar aumentos duas vezes
maiores.
A presidente e seus
marqueteiros parecem apostar que mentiras repetidas mil vezes acabarão se
tornando verdade. Ludibriam os brasileiros, faltam com a verdade. Dilma continua
devendo aos trabalhadores e também aos assistidos pelo Bolsa Família. Deveria,
com honestidade, admitir isso.
O valor pago pelo Bolsa
Família mantém-se abaixo do definido pela ONU como linha divisória da pobreza
extrema. O critério monetário em si já é reducionista, mas o admitamos. Mesmo assim,
seria necessário pagar pelo menos R$ 83 e não os R$ 70 adotados desde 2011. O valor
reajustado em 10% manter-se-á insuficiente.
Na mesma categoria
da fabulação, encaixam-se a queda de preços de energia e o balanço que a
presidente fez dos “pactos” com os quais tentou se contrapor à justa indignação
dos brasileiros por serviços públicos mais dignos, manifestada nos protestos de
junho do ano passado.
Será que qualquer
cidadão que dependa dos serviços de saúde, educação, segurança ou transporte
prestados pelo governo concordará com o que disse Dilma anteontem? Será que os
consumidores que estão recebendo contas de luz mais altas a partir deste mês e vislumbram
um racionamento de energia no horizonte comungarão da opinião da presidente?
O pronunciamento
oficial por ocasião do 1° de Maio foi um ato de desespero de quem teme ver-se
apeada do poder – e vê isso cada dia mais perto. Dilma e os seus terão todo o
tempo do mundo para exercitar suas táticas de guerrilha: o tempo da propaganda
eleitoral gratuita, a partir de agosto. Lá é o espaço para suas mentiras, não
um espaço institucional como o que ela ocupou anteontem.
O que não se pode
admitir é que, em sua desabalada tentativa de se manter no poder, Dilma e o PT
rifem o futuro do país, que não lhes pertence. Mais do que derrotar o projeto
que eles representam, cabe empenhar-se em impedir que o Brasil não continue a
ser parasitado pelo petismo daqui até o fim do ano. Dilma e o PT passarão, mas
o país que teremos que reconstruir fica.
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