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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A retórica da mentira

O dia era devotado à padroeira do Brasil, mas o PT ignorou o caráter religioso da data e incorreu em vários pecados na propaganda partidária que levou ao ar na última quinta-feira, feriado nacional dedicado a Nossa Senhora Aparecida.

Programas políticos veiculados em rádio e TV raramente se notabilizam pela sinceridade e pela honestidade das mensagens que propagam. Mas o dos petistas foi especialmente pródigo em tentar enganar o espectador.

Numa narrativa típica do Brasil Grande da época dos militares no poder, números superlativos foram enfileirados para tentar dar contornos a um país que a própria prática petista cuidou de implodir no momento seguinte. Muitas das realizações exibidas na primeira parte da propaganda enganosa petista ruíram pelos erros cometidos por ninguém menos que Dilma Rousseff – aliás, quase ignorada na peça – e Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi o próprio modelo insustentável de política posta em marcha pelo petismo que preparou e contratou o desastre que, num curto espaço de tempo, transformou em pó o pouco que o país havia conseguido avançar nas asas da bonança econômica global que marcara a primeira década deste século. A irresponsabilidade, a demagogia e o populismo transformaram em fumaça os ganhos conquistados pela população.

Na peça, a recessão semeada e adubada pelo PT é atribuída, de maneira enganosa, ao atual governo e àqueles que sempre se opuseram ao modo fraudulento de gestão dos petistas. É como se aqueles que há um ano e cinco meses tentam consertar os enormes estragos impostos por Lula e Dilma ao país fossem os responsáveis pela destruição.

Não há, claro, menção aos três anos de recessão patrocinados pelo PT, à destruição da renda dos brasileiros promovida pelo PT, ao retrocesso social decorrente das políticas populistas postas em marcha pelo PT, aos 14 milhões de desempregados legados pelo PT, à implosão do orçamento público resultante da irresponsabilidade do PT ou à corrupção desenfreada que levou a cabo os governos do PT.

Toda esta ruína é atribuída pela propaganda petista “aos efeitos de uma nova crise internacional” que, no entanto, jamais existiu. As necessárias medidas de ajuste postas em prática pela gestão de Michel Temer são equiparadas a maldades cujo único intuito é prejudicar os beneficiados pelo petismo e não à correção do rastro de destruição deixado por Lula e Dilma. Pela propaganda, resta claro que o PT não tem nem terá compromisso com as necessárias reformas que o país precisa promover para voltar a crescer.

A visão distorcida de mundo dos petistas também se sobressai quando conquistas individuais são sempre retratadas como se fossem dádivas concedidas por governos do partido. As realizações da universitária que se forma, da vendedora que consegue sua casa, da agricultora que progride devem menos a seus esforços pessoais e mais a benesses franqueadas pelo poder. Para o PT, o indivíduo é sempre menor que o Estado.

A Lula, a propaganda destina o único papel que o PT desde sempre lhe reservou: o de salvador da pátria. Apresentado como o redentor do povo, surge como uma espécie de Adhemar de Barros dos tempos atuais, aquele que rouba (muito), mas faz. Para o petismo, tanto faz, desde que lhe garanta a volta ao poder. Os depoimentos da militância exibidos na propaganda reforçam o caráter de seita – a mesma que Antonio Palocci escancarou em sua carta de desfiliação do partido – que o PT devota a seu líder-mor.

Em sua propaganda veiculada na semana passada, o PT ensaia a narrativa que tentará vender aos eleitores em 2018: o Brasil de antes era melhor que o Brasil de hoje. Omite que a penúria do presente é consequência direta do modelo enganoso posto em prática por Lula e Dilma. Oculta que as dificuldades de agora são tributárias da irresponsabilidade no trato do dinheiro e dos bens públicos que marcou os governos petistas.

À retórica da mentira petista será preciso contrapor a mensagem da verdade. A recessão, o desemprego, a corrupção, o desalento que têm marcado o Brasil e os brasileiros nos últimos anos são frutos das práticas do PT. As dificuldades, as restrições, o dinheiro curto são devidos à forma predatória com que o PT ocupou o poder. Para se desenvolver de fato, o Brasil precisa confinar o PT ao passado e jamais dar-lhe uma nova chance no futuro próximo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

‘Os caras’... de pau

O destino pregou, de novo, mais uma peça nos petistas. Na mesma hora em que o PT colocava no ar mais uma de suas fantasiosas, cínicas e inverídicas propagandas no rádio e na televisão, o marqueteiro que forjou a narrativa seguida pelo partido nos últimos anos preparava-se para dormir sua primeira noite na cadeira. Nada mais representativo da distância entre o discurso e a prática da legenda que governa o país há 13 anos.

Não sem razão, os dez minutos da falação petista foram acompanhados país afora pela trilha sonora de um dos maiores panelaços da nossa história. O ápice dos protestos deu-se quando Lula, na maior cara de pau, apareceu no vídeo. Foi um minuto e meio em que ele apresentou um Brasil que não existe, um sucesso que seu partido jamais protagonizou. O povo não é bobo.

No texto que lhe deram para ler, Lula citou um monte de estatísticas fora de contexto, mas, convenientemente, deixou de lado a principal informação: com o PT, o Brasil tornou-se o país com o pior desempenho econômico em todo o mundo – à frente apenas da Venezuela, cuja destruição populista nem conta como comparação.

Lula apropriou-se, ainda, de supostas conquistas sociais que já estão ficando no passado, corroídas pela crise-monstro em que suas políticas, aprofundadas por Dilma, nos mergulharam. Basta dizer que, entre 2014 e 2017, a população brasileira deve ficar, em média, 10% mais pobre, em razão da queda do PIB, do desemprego e da inflação. Isso, Lula não fala; isso, o PT esconde.

Sobre as ruidosas denúncias que a cada dia surgem contra ele, “o cara” se calou. Nem um pio do “mais honesto” dos mortais também sobre as suspeitas crescentes de que o sucesso eleitoral dele e de sua pupila deve tributo ao dinheiro sujo da corrupção, surrupiado dos cofres públicos, usurpado da mesma gente humilde que os petistas usam como mera ilustração de suas propagandas mentirosas.

Não bastasse isso, no programa veiculado ontem, o partido que sempre pregou o ódio, que sempre tratou adversários como inimigos e que azucrinou a vida de todos os governos na época em que ainda era oposição diz agora que a hora é de “reunir forças para fortalecer o Brasil”. Em favor de quê? Do governo mais corrupto da história? Da gestão mais desastrosa que o país já teve?

Mas o DNA do escorpião não demorou a se manifestar e, dois minutos depois de pedir união, o PT já assacava suas velhas diatribes, sustentando a surrada acusação de que “o Brasil quebrou três vezes” em “governos passados”. Omitiu, contudo, que isso aconteceu nas gestões de presidentes da República que, depois, tornaram-se fieis aliados de Lula e Dilma e ainda hoje compõem a base de apoio do PT.

No velho estilo João Santana, a propaganda petista novamente fez jorrar números fantasiosos, realidades mirabolantes. Será que eles não aprendem que foi esta mentirada que enterrou o Brasil nesta crise sem tamanho? Que é este irrealismo que irrita os brasileiros que buscam uma saída e não veem ninguém no governo capaz de apresentá-la?

O programa petista exagera o passado e esquece o presente. Cita o Minha Casa Minha Vida, programa hoje estacionado, alvo de cortes e mais cortes e que só sobrevive à custa de dinheiro do trabalhador. Lista a vistosa criação de empregos que agora caminha para se transformar na maior destruição de postos de trabalho das últimas décadas. Fala da valorização do salário mínimo, que, com a recessão, sumirá do horizonte pelo menos até 2019.

Menciona, ainda, grandes crises globais, mas não diz que a que o PT patrocina será a maior recessão de todos os tempos na história do Brasil. E ainda tem o disparate de afirmar, pela boca de Rui Falcão, que tudo isso se dá “sem recuar nos direitos, na renda e nos salário dos trabalhadores”. Em que país esta gente vive?

O programa exibido ontem pelo PT é o retrato acabado do descolamento entre o partido e o país. A máscara caiu, o castelo de areia desabou, a farsa desnudou-se. Agora é hora de quem transformou a realidade numa propaganda de margarina para ganhar eleições pague pelo mal que causou ao Brasil. A limpeza já começou. Agora é avançar para que fique claro que as caras eram de pau.

sábado, 8 de agosto de 2015

O réquiem do PT

O programa que o PT veiculou ontem em rede nacional de rádio e televisão deixa claro, de uma vez por todas, que o partido que levou o país à mais grave crise social, econômica, ética e política das últimas décadas não tem mais nada de sério a dizer aos brasileiros. O partido de Lula, Dilma e José Dirceu é incapaz de dar as respostas que os cidadãos cobram de um governo em processo de desintegração. Prepara seu testamento.

Novamente faltaram-lhe, no programa, humildade, autocrítica, sinceridade, coragem e espírito cívico. De novo, sobraram arrogância, covardia, mentira e manipulações ao partido que protagoniza o maior escândalo de corrupção da nossa história, produz a mais grave recessão em décadas e desfere na população o mais severo arrocho de que se tem notícia.

Para quem esperava uma prestação de contas, o programa partidário petista assumiu ares de campanha eleitoral. Deixou claro, definitivamente, que o maior objetivo dos petistas neste momento é tão-somente continuar a enganar os brasileiros, como fez no pleito de 2014. Pelo jeito, o PT já está se preparando para disputar novas eleições presidenciais...

O programa do PT tenta iludir os brasileiros sobre a profundidade e a extensão da crise. O partido do mensalão e do petrolão chama de “crise política” o que tem outro nome: os desdobramentos das revelações do maior esquema de corrupção que o país já viu e que financiou a chegada e a manutenção do PT e seus aliados no poder nos últimos 13 anos.

O PT fala em crise política, minimiza a crise econômica, mas omite-se em relação ao que de mais grave ocorre hoje no Brasil: a crise social, fruto do aumento do desemprego, da queda recorde da renda, da alta da inflação, da falta de perspectivas de recuperação e melhoria das condições de vida.

Mesmo acuado, o PT não busca conciliação, mas o enfrentamento direto com os que lhe fazem oposição. Na realidade, contrapõe-se mesmo é à larga maioria da população brasileira, que tornou a presidente Dilma e seu governo o mais execrado da história, como atestou, mais uma vez, a pesquisa do Datafolha divulgada ontem.

Depois de ensaiar afagos, a mão petista volta a apedrejar. No programa partidário, chega a sugerir ameaças golpistas e fomentar espectros da ditadura militar para produzir medo no povo e incitar mais instabilidade. O lobo que se faz de cordeiro demonstra que só se interessa mesmo em tentar salvar a própria pele.

Para completar, de forma acintosa, o PT ainda ironiza os que legitimamente manifestam insatisfação e indignação com o estado das coisas que aí está. Atitudes assim só podem ser interpretadas como o réquiem do partido. O PT não merece respeito nem consideração dos brasileiros que lutam por um país melhor, como ficará claro, mais uma vez, nas manifestações marcadas para o próximo dia 16. O panelaço de ontem foi só um ensaio.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Propaganda surreal gratuita

Quem assistiu a propaganda levada ao ar ontem pelo PT deve ter pensado que está vivendo em outro país, talvez até em outra galáxia. Foram dez minutos marcados pela falsidade e pela mistificação, traços que acompanham os petistas na sua tentativa de criar uma narrativa fantasiosa para o que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos.

O partido que está no poder há mais de 12 anos apresenta-se aos brasileiros como se ainda fosse oposição. Na TV, o PT sustenta que não tem nada a ver com o arrocho imposto aos direitos dos trabalhadores, com a inflação em alta, com a recessão que se aprofunda, com o desemprego que cresce.

O partido que protagoniza os mais graves casos de corrupção que se tem notícia no país fantasia-se como arauto da moralidade. Na TV, o PT esquece-se que os principais responsáveis pelos avanços na luta contra a roubalheira são as instituições do Estado democrático de Direito e não o governo do PT. O que o partido faz é simplesmente fornecer os corruptos que serão punidos.

O partido que está levando o Brasil a viver seu pior momento econômico em mais de duas décadas tenta transmutar-se num governo empreendedor e num gestor bem sucedido. Na TV, ao invés de repetir seus números mirabolantes, o PT deixa de explicar por que o país está cada dia mais paralisado e retrocede como poucos no mundo.

O partido cujo governo promove o maior arrocho dos últimos tempos, caça direitos dos trabalhadores e benefícios sociais tenta convencer suas vítimas de que os algozes são os outros, numa curiosa inversão de papéis. O PT da TV não é o mesmo que recomenda a aprovação das medidas provisórias 664 e 665, que trucidam os trabalhadores.

A esquizofrênica peça publicitária levada ao ar pelo PT chega ao ponto de simplesmente ignorar a presidente da República eleita e reeleita pelo partido. Dilma Rousseff não tem seu nome citado sequer uma vez em dez minutos de trama e aparece na tela por dois brevíssimos segundos, numa postura tão envergonhada quanto cínica.

Cabe a Luiz Inácio Lula da Silva o papel de protagonista do programa. No PT da TV, Lula é o Lula de sempre: “Não reconhece as instituições, não considera a história, não se preocupa com a coerência, não tem compromisso com nada exceto a sua vontade”, na precisa síntese feita por Rosangela Bittar no Valor Econômico.

Mais uma vez, em sua narrativa o PT divide a sociedade brasileira entre “eles” e “nós”. Mais uma vez, apresenta-se como marco inaugural do Brasil. Ninguém aguenta mais tanta enganação. Tanto quanto o conteúdo exibido pela propaganda levada ao ar ontem à noite, o PT é uma farsa do princípio ao fim. Os panelaços que se espalharam pelo Brasil afora são pouco diante de tanta empulhação.

sábado, 17 de maio de 2014

Mais um clássico de ficção e terror

O pessoal do PT resolveu misturar gêneros em suas novas superproduções para a TV. Juntou filmes de horror, ficção e fantasia para exibir um presente que não existe e falsificar um passado que só a imaginação doentia e oportunista dos petistas é capaz de conceber. Tudo para vender aos eleitores um futuro improvável.

O partido que governa o país há 12 anos quer se apresentar à população como o portador dos ventos da mudança. Talvez nem eles mesmos estejam aguentando mais uma gestão tão ruim quanto a que faz Dilma Rousseff. Se eles ainda podem ter dúvidas, os brasileiros têm certeza: não suportam mais quatro anos com a atual presidente no comando.

A desfaçatez da propaganda petista não encontra limites. Agora, até crescimento econômico virou coisa de quem “torce contra”. Quando a onda era boa, e o Brasil surfava nela, os avanços do PIB brasileiro eram trombeteados gostosamente pelo petismo. Mas isso é passado; agora, dizem que fazer a economia crescer “não importa”.

É de se perguntar: de onde, então, virão os empregos, as melhores oportunidades de trabalho, a receita de impostos para o Estado tornar os serviços públicos minimamente decentes, os investimentos das empresas, a prosperidade dos cidadãos? Florescerão ofertados por algum salvador, possivelmente...

Embora seja Dilma quem vá buscar um novo mandato nas urnas em outubro, o PT foge mais que o diabo da cruz de mostrar aos brasileiros o que governo dela produziu desde 2011. O esforço é sempre em caracterizar a obra completa e não os tétricos atos recentes que a petista protagoniza. Ao contrário daquele velho slogan, pensam que o povo é bobo.

Mas não adianta. Pode-se cortar os períodos para baixo ou para cima, de frente ou de lado: com Lula ou com Dilma, sempre nos saímos pior que todos os demais países da América do Sul quando o assunto é a evolução do bem-estar da população. Duvidam?

O Brasil é hoje, exceto a Venezuela, o país que menos cresce em toda a América do Sul. Mas isso não é um feito exclusivo de Dilma, é obra de todo o PT: tal situação vem desde 2003, ou seja, desde que Luiz Inácio Lula da Silva ascendeu à presidência da República. Parece incrível, mas é a mais pura verdade.

Entre 2003 e 2013, enquanto o continente cresceu 60,7%, o Brasil avançou somente 45,7%. Neste período, nenhuma, nem uminha, economia sul-americana foi tão mal quanto a nossa. A Argentina e o Peru dobraram seu PIB no período, e até a Venezuela cresceu 61%, conforme atesta a série estatística da Cepal.

Os petistas odeiam ser comparados com outras realidades, mas o registro faz-se necessário: entre 1995 e 2002, uma época de vacas magérrimas em todo o mundo, o Brasil foi o quarto país que mais cresceu entre os sul-americanos, perdendo apenas para Chile, Peru e Bolívia, e acima da média do continente. Bem diferente da época atual.

Quem teve a pachorra de assistir ao programa do PT exibido na noite de ontem deve ter pensado que assistia a um gostoso filme da Sessão da Tarde, em que os malvados só pensam em fazer ruindade com os outros e os bonzinhos sempre aparecem para nos salvar da malvadeza. Bonzinhos, claro, são eles, os petistas. Sempre.

Quando Dilma aparece no vídeo para vender um rosário de realizações na infraestrutura, o telespectador – que, segundo a propaganda do PT, é “testemunha das grandes obras em andamento para melhorar os transportes públicos” – deve ter tombado para trás na cadeira. Em que país aquilo está acontecendo?

Quando a candidata diz que seu governo se notabiliza por “estabilidade, equilíbrio fiscal e uso correto dos recursos públicos”, os pequenos, médios e grandes empreendedores que não encontram confiança para pôr nem mais um centavo em seus negócios temendo o futuro, devem ter embrulhado o estômago. Já parecia filme de horror.

Mas o pior é Dilma dizendo que tem “pulso firme no combate à inflação”. Foi algo capaz de fazer as donas de casa que perdem o sono a cada vez que vão à feira e encontram o tomate mais caro colocarem as crianças fora da sala de TV, porque o programa já estava ficando impróprio demais para menores – e até para maiores.

Em mais um convescote ontem à noite com jornalistas, Dilma Rousseff disse que está tranquila quanto a sua reeleição, porque “a partir de agosto tem muito a mostrar”. Vamos, então, nos preparar para o mais longo festival de mentiras que a TV brasileira jamais exibiu. A julgar pelo que foi ao ar ontem, vai ter gosto para tudo: para quem aprecia terror e para quem adora ficção. A realidade vai continuar nos flagelando é fora da tela mesmo.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Monstros do presente

O PT partiu para a apelação nos comerciais que começou a veicular na televisão para defender sua permanência no poder. Tenta incutir medo numa população já desesperançada. Açula mitos, desidrata a história e busca, a todo custo, transformar a eleição de outubro numa batalha final do bem contra o mal.

Trata-se de estratégia coordenada, com iniciativas em várias frentes. Incluiu a postura crescentemente belicosa assumida pela presidente da República, que transforma cada evento público em palanque partidário, e não dispensa a franca beligerância quando o protagonista dos ataques é Luiz Inácio Lula da Silva.

Contempla, ainda, a escalação de ministros de Estado para atuarem como porta-vozes partidários e ventríloquos do marketing oficial. A cada verdade que a oposição lhes lança na cara, respondem com mais uma mistificação embalada em frases preparadas em birôs de comunicação. Em governar, não se ocupam.

Em sua propaganda de TV, o PT brande “fantasmas do passado”, mas a população brasileira está assustada mesmo é com monstros do presente. Com a inflação que não apenas ameaça, mas já lhe tira o sono após cada visita à feira. Com os serviços públicos que não apenas atemorizam, mas lhe tiram do sério dia após dia. Com a falta de boas perspectivas para o país.

A população brasileira está alarmada é com monstros do presente que se revelam na inépcia do governo em cumprir seus compromissos. Na incapacidade de entregar aos cidadãos os benefícios com os quais acenou por anos, mas que nunca chegam.

Daí que três em cada quatro brasileiros querem um Brasil diferente do que aí está. E não será com o partido que governa o país há 12 anos e já demonstrou os limites e os vícios de sua prática política que se alcançará a mudança necessária. Tampouco com o PT travestindo-se do que há muito deixou de ser e distorcendo a história da qual pretende se apropriar.

No Brasil de hoje, a desesperança juntou-se ao medo. E a propaganda petista espelha isso. “É um sinal de fraqueza, quase desespero”, resume João Paulo Peixoto, cientista político da UnB, n’O Globo. A peça é “talvez um pouco triste demais para quem também precisa vender esperança”, avalia Fernando Rodrigues na Folha de S.Paulo.

A dura realidade, esta megera, esta estraga prazeres, ocupa-se em desmentir os petistas e o discurso oficial. Em suas andanças pelo país, cada dia mais intensas, a presidente Dilma Rousseff vende um Brasil que não existe, um governo que jamais saiu da pré-escola, uma gestão que se especializou em produzir desastres.

Ontem, no Nordeste, a presidente disse que os governos do PT são mestres em planejar e em bem executar. Afirmou isso em referência a uma obra que deveria ter ficado pronta quatro anos atrás, até hoje teve menos de 60% executados e não será concluída antes do fim de 2015, oito anos depois de iniciada: a transposição das águas do rio São Francisco.

A presidente justifica a inépcia na execução da transposição ao “aprendizado” a que os petistas tiveram que se submeter após o início da execução da obra, cujo custo até agora mais que dobrou. Governo não é lugar de fazer pós-graduação; governo é lugar de servir à nação. “Éramos bastante inexperientes”, admitiu Dilma. Eram? Ou ainda são?

A lista de improvisos, remendos e marretas deste governo é quase interminável. O que dizer do “planejamento” para conter a inflação por meio da manipulação deslavada de tarifas públicas, como admite, com todas as letras, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em entrevista à Folha publicada hoje?

São monstros como estes que aterrorizam o dia a dia dos brasileiros. Mas, ao ver-se prestes a ser apeado do poder, o PT prefere fabricar fantasmas e investir num discurso que beira o desespero. Se fossem tão competentes quanto apregoam, os petistas não estariam tendo que jogar tão baixo para tentar ganhar uma eleição na qual vai ficando cada dia mais evidente que o Brasil inteiro quer vê-los derrotados.