A inflação voltou a surpreender e marcou novo recorde negativo em fevereiro. O índice foi o mais baixo para o mês em 18 anos. O comportamento dos preços escancara a janela para queda ainda maior da taxa básica de juros.
O IPCA fechou o mês passado em 0,32%, de acordo com o IBGE. Com isso, o acumulado em 12 meses, número que realmente conta para o regime de metas, desceu a 2,84%, abaixo do piso estabelecido pelo Comitê de Política Monetária para a inflação deste ano.
Novamente a vedete da inflação baixa foi o item alimentação e bebidas, que mais uma vez caiu de preço. Em um ano, a comida na mesa dos brasileiros ficou 3,8% mais barata. Esta, sim, uma verdadeira dádiva do comportamento recente dos preços no país: permitir que mais gente se alimente mais e melhor.
Já há reflexos, inclusive, nos hábitos de consumo das famílias. De acordo com levantamento feito por uma consultoria privada publicado na edição de hoje d’O Estado de S. Paulo, o carrinho de compras está voltando agora a ser abastecido com produtos um pouco mais caros e sofisticados.
Até os serviços estão bem comportados no momento, muito por conta da ainda incipiente retomada da geração de empregos no país, também ainda bastante concentrada na informalidade.
No geral, menos da metade (48,5%) dos itens acompanhados pelo IBGE registrou alta de preços em fevereiro. Menos endividados e com renda levemente mais alta, os brasileiros devem gastar mais R$ 124 bilhões em consumo neste ano, calcula o Santander.
Todas as indicações são, portanto, de que o Banco Central terá de injetar mais adrenalina na demanda para que os preços em geral não continuem abaixo do piso da meta – o que seria a segunda vez na história, repetindo 2017.
As atenções se voltam agora para a reunião do Copom agendada para a próxima semana. Depois do novo mergulho do IPCA, cresceram as apostas em novo corte na taxa básica, o que aprofundaria a mínima histórica em que a Selic se encontra desde fevereiro, provavelmente para 6,5% ao ano.
Inflação e juros baixos configuram um ambiente extremamente benigno para a economia. Tanto para as famílias, que podem consumir mais e viver melhor, quanto para os governos, que passam a despender menos recursos com rolagem de suas dívidas – em 2017, esse gasto caiu R$ 6 bilhões no âmbito federal em comparação com o do ano anterior, para 6,2% do PIB.
Tudo caminha para um ano bom na economia, minorando os efeitos da razia causada pelo triênio recessivo semeado pelo petismo. É o ambiente ideal para que as discussões da política avancem melhor. E é justamente aí que ainda mora o perigo.
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terça-feira, 13 de março de 2018
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Um problema a menos
Não faz muito tempo a inflação ocupava o topo das inquietações dos brasileiros preocupados com o bolso. Fruto da leniência com que o governo petista tratava o tema, os índices de preços chegaram a namorar o descontrole. Mas, em golpes sucessivos, o problema foi varrido do mapa.
A inflação oficial do país caiu a 2,86% anuais em janeiro. Dois anos atrás, esse percentual equivalia à carestia de um trimestre; há três, correspondia à alta de preços registrada em apenas dois meses do ano. Por aí nota-se o quanto o país conseguiu avançar nesta questão. O assunto, por ora, e até onde a vista alcança, está morto.
A inflação de janeiro foi a menor para o mês desde o Plano Real, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. Caiu tanto em relação ao mesmo mês de 2017 quanto a dezembro. A queda de itens fundamentais da cesta de consumo dos brasileiros, como habitação e vestuário, colaborou para segurar o IPCA, contrabalançando a alta da alimentação.
Não é pouca coisa a inflação ter sido debelada. É traço de eficácia de políticas postas em marcha e que representavam o exato oposto do que foi feito enquanto o PT teve o comando da economia nas mãos. É mais um indicativo de que o país não pode sequer considerar a hipótese de voltar ao passado recente nas eleições de outubro próximo.
Inflação mais baixa é mais qualidade de vida para a população. Permite mais consumo, sobretudo de alimentos, e preserva o salário. Sobra mais dinheiro – ou, em muitos casos, falta menos para fechar o orçamento – no fim do mês. Organiza melhor a vida.
Foi o êxito no combate à inflação que permitiu outra realização notável do atual governo nestes pouco menos de dois anos em que comanda o Brasil: a queda da taxa básica de juros para o nível mais baixo da história.
A Selic foi reduzida ontem pelo Copom para 6,75% ao ano. Foi o 11° corte consecutivo, num processo iniciado em outubro de 2016. Trata-se de diminuição de 7,5 pontos percentuais num período de apenas 14 meses. Neste quesito, em que liderava rankings mundiais de juros reais, o país deixou de ser pária no mundo das finanças globais.
Estima-se que cada ponto a menos de juros resulte numa economia anual de R$ 28 bilhões para o Tesouro, ou quase um Bolsa Família, nos cálculos de Felipe Salto. Façam-se as contas e vê-se que são mais de R$ 200 bilhões que deixam de ser torrados com rolagem de dívida e podem servir melhor a população. Pode ser que chegue o dia em que se gaste ainda menos com a usura.
Inflação e juros baixos denotam que é possível derrotar mazelas que, por vezes, parecem insuperáveis. Quem visse o Brasil de dois anos atrás não apostaria um vintém na queda consistente e concomitante de ambos. Sinal de que os demais desafios também devem e podem ser vencidos. Desde que não sejam deixados sempre para depois.
A inflação oficial do país caiu a 2,86% anuais em janeiro. Dois anos atrás, esse percentual equivalia à carestia de um trimestre; há três, correspondia à alta de preços registrada em apenas dois meses do ano. Por aí nota-se o quanto o país conseguiu avançar nesta questão. O assunto, por ora, e até onde a vista alcança, está morto.
A inflação de janeiro foi a menor para o mês desde o Plano Real, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. Caiu tanto em relação ao mesmo mês de 2017 quanto a dezembro. A queda de itens fundamentais da cesta de consumo dos brasileiros, como habitação e vestuário, colaborou para segurar o IPCA, contrabalançando a alta da alimentação.
Não é pouca coisa a inflação ter sido debelada. É traço de eficácia de políticas postas em marcha e que representavam o exato oposto do que foi feito enquanto o PT teve o comando da economia nas mãos. É mais um indicativo de que o país não pode sequer considerar a hipótese de voltar ao passado recente nas eleições de outubro próximo.
Inflação mais baixa é mais qualidade de vida para a população. Permite mais consumo, sobretudo de alimentos, e preserva o salário. Sobra mais dinheiro – ou, em muitos casos, falta menos para fechar o orçamento – no fim do mês. Organiza melhor a vida.
Foi o êxito no combate à inflação que permitiu outra realização notável do atual governo nestes pouco menos de dois anos em que comanda o Brasil: a queda da taxa básica de juros para o nível mais baixo da história.
A Selic foi reduzida ontem pelo Copom para 6,75% ao ano. Foi o 11° corte consecutivo, num processo iniciado em outubro de 2016. Trata-se de diminuição de 7,5 pontos percentuais num período de apenas 14 meses. Neste quesito, em que liderava rankings mundiais de juros reais, o país deixou de ser pária no mundo das finanças globais.
Estima-se que cada ponto a menos de juros resulte numa economia anual de R$ 28 bilhões para o Tesouro, ou quase um Bolsa Família, nos cálculos de Felipe Salto. Façam-se as contas e vê-se que são mais de R$ 200 bilhões que deixam de ser torrados com rolagem de dívida e podem servir melhor a população. Pode ser que chegue o dia em que se gaste ainda menos com a usura.
Inflação e juros baixos denotam que é possível derrotar mazelas que, por vezes, parecem insuperáveis. Quem visse o Brasil de dois anos atrás não apostaria um vintém na queda consistente e concomitante de ambos. Sinal de que os demais desafios também devem e podem ser vencidos. Desde que não sejam deixados sempre para depois.
sábado, 9 de dezembro de 2017
Cestão de Natal
O país ainda terá de vencer longa trajetória até que possamos considerar a crise superada. Mas condições objetivas e cotidianas da vida dos brasileiros já vêm apresentando sinais evidentes de melhora neste pouco mais de um ano e meio desde a mudança de governo. Uma das conquistas mais expressivas vem do que está acontecendo com a inflação.
O ano está chegando ao fim com os índices de preços caindo a, provavelmente, seu menor patamar desde 1998. Ainda falta computar os dados de dezembro, mas a inflação oficial de 2016 será a segunda ou, na pior das hipóteses, terceira menor desde o Plano Real. É um alívio e tanto para quem até pouquíssimo tempo atrás via seu dinheiro ser corroído bem antes de o fim do mês chegar.
Segundo o IBGE divulgou nesta manhã, a inflação de novembro foi de 0,28%, bem abaixo do 0,42% registrado em outubro. Com isso, o acumulado no ano situa-se agora em 2,5%, menor nível em 19 anos. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 2,8%. São números que até recentemente poderiam soar como miragem.
Basta lembrar que 2016 terminou com inflação de 6,3%, namorando o teto de tolerância da meta, e 2015 viu os preços subirem 10,7%, acima de qualquer limite tolerável. Ou seja, estamos hoje num patamar que é menos da metade do que estávamos um ano atrás e menos de um terço do de dois anos antes.
Melhor de tudo é que a inflação cai mais onde mais dói no bolso: no preço dos alimentos. Tais itens representam, de acordo com o IBGE, um quarto das despesas das famílias brasileiras. Há sete meses consecutivos vêm ficando mais baratos. No ano, acumulam queda de 2,4%, algo nunca antes visto – pelo menos desde que há registros, isto é, desde 1994.
Melhor ainda, para os mais pobres a inflação está ainda mais baixa. O INPC, que acompanha gastos de famílias com renda até cinco salários mínimos, já está no menor nível desde o Plano Real, com os alimentos – que consomem um terço do orçamento deste estrato social – registrando queda de mais de 3% no último ano.
A comida na mesa ficou mais barata porque o campo brasileiro exercitou ao máximo seu potencial de geração de riqueza. Nunca antes as lavouras do país produziram tanto, com tanta produtividade. É mérito do setor da economia nacional que, servido por políticas adequadas de crédito, organização e tecnologia, conseguiu ir mais distante na cadeia global de valor.
O cestão de Natal dos brasileiros ainda não será o dos sonhos, mas já será bem mais provido do que se imaginava até recentemente. É necessário realismo: não se supera devastação como a que se abateu sobre a nossa economia entre 2014 e 2016 sem muito, redobrado e persistente esforço. O que já está ocorrendo com a inflação, alimentada pelo vigor agrícola, indica que perseverar no caminho que vem sendo trilhado pode render bons e duradouros frutos.
O ano está chegando ao fim com os índices de preços caindo a, provavelmente, seu menor patamar desde 1998. Ainda falta computar os dados de dezembro, mas a inflação oficial de 2016 será a segunda ou, na pior das hipóteses, terceira menor desde o Plano Real. É um alívio e tanto para quem até pouquíssimo tempo atrás via seu dinheiro ser corroído bem antes de o fim do mês chegar.
Segundo o IBGE divulgou nesta manhã, a inflação de novembro foi de 0,28%, bem abaixo do 0,42% registrado em outubro. Com isso, o acumulado no ano situa-se agora em 2,5%, menor nível em 19 anos. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 2,8%. São números que até recentemente poderiam soar como miragem.
Basta lembrar que 2016 terminou com inflação de 6,3%, namorando o teto de tolerância da meta, e 2015 viu os preços subirem 10,7%, acima de qualquer limite tolerável. Ou seja, estamos hoje num patamar que é menos da metade do que estávamos um ano atrás e menos de um terço do de dois anos antes.
Melhor de tudo é que a inflação cai mais onde mais dói no bolso: no preço dos alimentos. Tais itens representam, de acordo com o IBGE, um quarto das despesas das famílias brasileiras. Há sete meses consecutivos vêm ficando mais baratos. No ano, acumulam queda de 2,4%, algo nunca antes visto – pelo menos desde que há registros, isto é, desde 1994.
Melhor ainda, para os mais pobres a inflação está ainda mais baixa. O INPC, que acompanha gastos de famílias com renda até cinco salários mínimos, já está no menor nível desde o Plano Real, com os alimentos – que consomem um terço do orçamento deste estrato social – registrando queda de mais de 3% no último ano.
A comida na mesa ficou mais barata porque o campo brasileiro exercitou ao máximo seu potencial de geração de riqueza. Nunca antes as lavouras do país produziram tanto, com tanta produtividade. É mérito do setor da economia nacional que, servido por políticas adequadas de crédito, organização e tecnologia, conseguiu ir mais distante na cadeia global de valor.
O cestão de Natal dos brasileiros ainda não será o dos sonhos, mas já será bem mais provido do que se imaginava até recentemente. É necessário realismo: não se supera devastação como a que se abateu sobre a nossa economia entre 2014 e 2016 sem muito, redobrado e persistente esforço. O que já está ocorrendo com a inflação, alimentada pelo vigor agrícola, indica que perseverar no caminho que vem sendo trilhado pode render bons e duradouros frutos.
sábado, 7 de outubro de 2017
A inflação e os novos desafios
A inflação brasileira está dizimada. Se conseguimos debelar problema de tamanha gravidade, é porque o país tem condições de, tomadas as decisões corretas, vencer desafios hoje tão relevantes quanto derrotar a carestia foi no passado. A história nos ensina por onde caminhar.
O IPCA está controlado e nada indica que deixará de estar no futuro próximo. Em 12 meses até setembro, o índice aumentou 2,54%, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. É o segundo mais baixo dos últimos 18 anos, um dos menores do mundo hoje e, pelo menos até 2021, não se prevê que descole da meta fixada pelo CMN.
Três fatores confluem para êxito tão retumbante: a reorientação da política econômica, sem espaço para a leniência e a irresponsabilidade que marcaram os anos Dilma; a superoferta agrícola, que deixou os alimentos mais baratos (pelo quinto mês consecutivo apresentam deflação); e a recessão, o componente nefasto da equação, que desaqueceu a demanda e, junto, os preços.
Tanto a história recente quanto a história mais longínqua do combate à inflação ensinam algo precioso: com método, decisão e planejamento, é possível vencer desafios que, por duradouros, às vezes parecem intransponíveis. A carestia brasileira era, mas felizmente deixou de ser.
Até o Plano Real, implementado por economistas tucanos a partir de 1993, o país já tentara oito planos de estabilização de retumbante fracasso. Trinta anos atrás não havia nada mais aguardado pela população do que o fim da hiperinflação. E também não havia nada tão pouco crível, dado o histórico de insucessos.
A estratégia enfim deu certo porque seus executores abriram mão de artimanhas e apostaram na transparência e na participação informada dos agentes econômicos. Além disso, a estabilização nasceu acompanhada de um inédito ajuste fiscal iniciado pelo presidente Itamar Franco – mas que, incipiente, precisou ser aprofundado no segundo governo Fernando Henrique, embora jamais tenha sido feito realmente a contento.
É de ousadias como estas que o Brasil precisa agora para vencer seus principais desafios do presente: iniciar uma trajetória de crescimento econômico sustentado, diminuir a desigualdade social, pôr ordem nas contas públicas e redesenhar os limites do Estado. De pronto já se percebe que as contendas que agora nos espreitam são bem mais espinhosas, até porque foram deixadas acentuar-se nos últimos anos.
A questão é de oportunidade: o Brasil não conseguirá avançar se não superar estes entraves. Da mesma forma que houve enfrentamento decidido da inflação, é hora agora de encarar os demais desafios, e vencê-los. Não vai ser fácil, não vai ser rápido, mas é incontornável. Quem já mostrou que sabe fazer pode fazer de novo.
O IPCA está controlado e nada indica que deixará de estar no futuro próximo. Em 12 meses até setembro, o índice aumentou 2,54%, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. É o segundo mais baixo dos últimos 18 anos, um dos menores do mundo hoje e, pelo menos até 2021, não se prevê que descole da meta fixada pelo CMN.
Três fatores confluem para êxito tão retumbante: a reorientação da política econômica, sem espaço para a leniência e a irresponsabilidade que marcaram os anos Dilma; a superoferta agrícola, que deixou os alimentos mais baratos (pelo quinto mês consecutivo apresentam deflação); e a recessão, o componente nefasto da equação, que desaqueceu a demanda e, junto, os preços.
Tanto a história recente quanto a história mais longínqua do combate à inflação ensinam algo precioso: com método, decisão e planejamento, é possível vencer desafios que, por duradouros, às vezes parecem intransponíveis. A carestia brasileira era, mas felizmente deixou de ser.
Até o Plano Real, implementado por economistas tucanos a partir de 1993, o país já tentara oito planos de estabilização de retumbante fracasso. Trinta anos atrás não havia nada mais aguardado pela população do que o fim da hiperinflação. E também não havia nada tão pouco crível, dado o histórico de insucessos.
A estratégia enfim deu certo porque seus executores abriram mão de artimanhas e apostaram na transparência e na participação informada dos agentes econômicos. Além disso, a estabilização nasceu acompanhada de um inédito ajuste fiscal iniciado pelo presidente Itamar Franco – mas que, incipiente, precisou ser aprofundado no segundo governo Fernando Henrique, embora jamais tenha sido feito realmente a contento.
É de ousadias como estas que o Brasil precisa agora para vencer seus principais desafios do presente: iniciar uma trajetória de crescimento econômico sustentado, diminuir a desigualdade social, pôr ordem nas contas públicas e redesenhar os limites do Estado. De pronto já se percebe que as contendas que agora nos espreitam são bem mais espinhosas, até porque foram deixadas acentuar-se nos últimos anos.
A questão é de oportunidade: o Brasil não conseguirá avançar se não superar estes entraves. Da mesma forma que houve enfrentamento decidido da inflação, é hora agora de encarar os demais desafios, e vencê-los. Não vai ser fácil, não vai ser rápido, mas é incontornável. Quem já mostrou que sabe fazer pode fazer de novo.
sábado, 8 de julho de 2017
Golpe de misericórdia
A inflação desceu em junho ao seu menor nível para o mês desde que a economia brasileira recuperou a estabilidade com o Plano Real. Depois de mais de uma década, também voltou a mergulhar em terreno negativo. A ocorrência de deflação suscita novos desafios, acende alertas e exige posturas distintas da política econômica.
No mês passado, o IPCA ficou em -0,23%, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. Para junho, é o menor índice de toda a série histórica, ou seja, em 23 anos. O país não registrava deflação desde junho de 2006. No ano, a inflação caiu a praticamente um quarto do que foi entre janeiro e junho de 2016. Por todos os ângulos, a queda é assombrosa.
O país passa a conviver com situação oposta à que enfrentou, por meses seguidos, até dezembro do ano passado. Até então, o problema era o estouro do limite superior da meta, tônica dos governos perdulários e lenientes do PT. Agora a questão é outra: impedir que a inflação caia abaixo do piso.
No acumulado em 12 meses, o IPCA baixou para 3%, o exato limite inferior da banda de variação adotada pelo regime de metas nacional. Os índices gerais, que medem a inflação também no atacado, também estão em queda persistente e em deflação já por três a quatro meses seguidos.
Certamente é mais confortável, e sadio, ter como desafio uma inflação baixa demais. Pelo menos há a garantia de que os salários dos trabalhadores não estão apanhando dos preços. No entanto, como o próprio sistema de metas sugere, quedas acima do desejado também são problemáticas.
A inflação brasileira declinou com força desde a primeira metade do ano passado porque passou a encontrar pela frente uma política econômica para a qual a alta de preços é uma doença a se combater e não uma aliada conveniente para o crescimento econômico, como os governos anteriores acreditavam.
Entretanto, é inegável que outro fator relevante para o recuo dos preços é a recessão. E este é o aspecto mais preocupante do movimento atual da inflação brasileira. Ela cai, em parte, porque há menos demanda, por causa do desemprego e também em razão da desconfiança que assombra os consumidores.
Juntados estes fatores, resta evidente que a ação de política monetária do Banco Central precisa mudar. Não há razão para segurar o ritmo de queda da taxa básica de juros. Embora a Selic já tenha caído quatro pontos desde outubro e encontre-se hoje no seu menor patamar em quase quatro anos, há condições sustentáveis de acelerar os cortes já na reunião do próximo dia 26.
É claro que persiste a incógnita em relação ao lado fiscal dessa moeda. Segurar o rombo orçamentário tem se mostrado tarefa dificílima, ante o peso da má herança legada pela irresponsabilidade petista. Há pela frente o duplo desafio de, do lado fiscal, garrotear os gastos e, do lado monetário, afrouxar o laço, sob pena de aborto precoce da incipiente saída do país da recessão, algo que a crise política só faz piorar.
No mês passado, o IPCA ficou em -0,23%, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. Para junho, é o menor índice de toda a série histórica, ou seja, em 23 anos. O país não registrava deflação desde junho de 2006. No ano, a inflação caiu a praticamente um quarto do que foi entre janeiro e junho de 2016. Por todos os ângulos, a queda é assombrosa.
O país passa a conviver com situação oposta à que enfrentou, por meses seguidos, até dezembro do ano passado. Até então, o problema era o estouro do limite superior da meta, tônica dos governos perdulários e lenientes do PT. Agora a questão é outra: impedir que a inflação caia abaixo do piso.
No acumulado em 12 meses, o IPCA baixou para 3%, o exato limite inferior da banda de variação adotada pelo regime de metas nacional. Os índices gerais, que medem a inflação também no atacado, também estão em queda persistente e em deflação já por três a quatro meses seguidos.
Certamente é mais confortável, e sadio, ter como desafio uma inflação baixa demais. Pelo menos há a garantia de que os salários dos trabalhadores não estão apanhando dos preços. No entanto, como o próprio sistema de metas sugere, quedas acima do desejado também são problemáticas.
A inflação brasileira declinou com força desde a primeira metade do ano passado porque passou a encontrar pela frente uma política econômica para a qual a alta de preços é uma doença a se combater e não uma aliada conveniente para o crescimento econômico, como os governos anteriores acreditavam.
Entretanto, é inegável que outro fator relevante para o recuo dos preços é a recessão. E este é o aspecto mais preocupante do movimento atual da inflação brasileira. Ela cai, em parte, porque há menos demanda, por causa do desemprego e também em razão da desconfiança que assombra os consumidores.
Juntados estes fatores, resta evidente que a ação de política monetária do Banco Central precisa mudar. Não há razão para segurar o ritmo de queda da taxa básica de juros. Embora a Selic já tenha caído quatro pontos desde outubro e encontre-se hoje no seu menor patamar em quase quatro anos, há condições sustentáveis de acelerar os cortes já na reunião do próximo dia 26.
É claro que persiste a incógnita em relação ao lado fiscal dessa moeda. Segurar o rombo orçamentário tem se mostrado tarefa dificílima, ante o peso da má herança legada pela irresponsabilidade petista. Há pela frente o duplo desafio de, do lado fiscal, garrotear os gastos e, do lado monetário, afrouxar o laço, sob pena de aborto precoce da incipiente saída do país da recessão, algo que a crise política só faz piorar.
terça-feira, 4 de julho de 2017
Menos é mais
O Conselho Monetário Nacional (CMN) deu na semana passada passo importante na direção de tornar a economia brasileira menos desalinhada do resto do mundo. O compromisso com inflação mais baixa repõe a melhor ciência econômica no centro das políticas de governo. A estabilização é uma conquista que a sociedade brasileira demorou tempo demais para alcançar e não pode ser posta em risco, como ocorreu na gestão petista.
A política monetária do país será orientada para alcançar IPCA de 4,25% em 2019 e de 4% no ano seguinte. O Brasil aproxima-se, assim, dos padrões vigentes nas economias emergentes, cuja meta de inflação média é de 4%. O próximo passo será perseguir o patamar de 3% das economias vizinhas do continente.
Além da redução das metas, o horizonte estabelecido para a política monetária passa a ser de três anos à frente, e não apenas dois. A partir de agora, apenas uma vez a cada quatro anos a meta definida limitar-se-á ao mandato presidencial corrente.
Tal mudança dará mais previsibilidade e confiança ao sistema e também ajudará no processo de baixa da taxa básica de juros ora em marcha. Por fim, o intervalo de tolerância, que já havia sido estreitado neste ano, foi agora mantido em 1,5 ponto percentual.
Nos últimos 14 anos, a meta esteve congelada em 4,5%. Não raro, a rigidez combinou com fracasso: apenas em duas ocasiões o objetivo do sistema foi plenamente alcançado. A tônica sempre foi namorar o limite superior de tolerância, que nos governos de Lula e Dilma acabou convertendo-se na meta na prática, fruto de uma política, defendida pelo PT, segundo a qual uma inflaçãozinha a mais não dói. Doeu.
O processo de derrocada da inflação brasileira vem de longa data. Começou com o sucesso do Plano Real, implantado pelo governo Itamar Franco, tendo Fernando Henrique Cardoso à frente de uma brilhante equipe de economistas, em 1994. Sábado completaram-se 23 anos que a nova moeda entrou em circulação.
Neste momento, os índices de preços vivem período de forte retração. O IPCA encontra-se hoje em um terço de onde estava no início de 2016. O IGP-M (que não é usado para balizar a meta) acumula baixa de 0,78% nos últimos 12 meses, algo inédito desde janeiro de 2010. A previsão é de que a inflação oficial feche o ano próxima de 3,5%, no que seria a menor taxa desde 2006.
Reduzir a meta de inflação implica também perseguir aumentos menores para os gastos públicos, já que a política do teto instituída a partir deste ano restringe a variação das despesas do governo à variação do índice oficial de preços. Os resultados fiscais divulgados a cada mês sugerem a dificuldade quase hercúlea da tarefa.
A fixação de metas mais baixas para 2019 e 2020 também serve para sinalizar que o compromisso com o controle da inflação deve transcender governos e independe de quem detém o comando da nação. Manter preços comportados significa valorizar a moeda e promover maior bem-estar para a população. Disso, os brasileiros não devem abrir mão, aconteça o que acontecer.
A política monetária do país será orientada para alcançar IPCA de 4,25% em 2019 e de 4% no ano seguinte. O Brasil aproxima-se, assim, dos padrões vigentes nas economias emergentes, cuja meta de inflação média é de 4%. O próximo passo será perseguir o patamar de 3% das economias vizinhas do continente.
Além da redução das metas, o horizonte estabelecido para a política monetária passa a ser de três anos à frente, e não apenas dois. A partir de agora, apenas uma vez a cada quatro anos a meta definida limitar-se-á ao mandato presidencial corrente.
Tal mudança dará mais previsibilidade e confiança ao sistema e também ajudará no processo de baixa da taxa básica de juros ora em marcha. Por fim, o intervalo de tolerância, que já havia sido estreitado neste ano, foi agora mantido em 1,5 ponto percentual.
Nos últimos 14 anos, a meta esteve congelada em 4,5%. Não raro, a rigidez combinou com fracasso: apenas em duas ocasiões o objetivo do sistema foi plenamente alcançado. A tônica sempre foi namorar o limite superior de tolerância, que nos governos de Lula e Dilma acabou convertendo-se na meta na prática, fruto de uma política, defendida pelo PT, segundo a qual uma inflaçãozinha a mais não dói. Doeu.
O processo de derrocada da inflação brasileira vem de longa data. Começou com o sucesso do Plano Real, implantado pelo governo Itamar Franco, tendo Fernando Henrique Cardoso à frente de uma brilhante equipe de economistas, em 1994. Sábado completaram-se 23 anos que a nova moeda entrou em circulação.
Neste momento, os índices de preços vivem período de forte retração. O IPCA encontra-se hoje em um terço de onde estava no início de 2016. O IGP-M (que não é usado para balizar a meta) acumula baixa de 0,78% nos últimos 12 meses, algo inédito desde janeiro de 2010. A previsão é de que a inflação oficial feche o ano próxima de 3,5%, no que seria a menor taxa desde 2006.
Reduzir a meta de inflação implica também perseguir aumentos menores para os gastos públicos, já que a política do teto instituída a partir deste ano restringe a variação das despesas do governo à variação do índice oficial de preços. Os resultados fiscais divulgados a cada mês sugerem a dificuldade quase hercúlea da tarefa.
A fixação de metas mais baixas para 2019 e 2020 também serve para sinalizar que o compromisso com o controle da inflação deve transcender governos e independe de quem detém o comando da nação. Manter preços comportados significa valorizar a moeda e promover maior bem-estar para a população. Disso, os brasileiros não devem abrir mão, aconteça o que acontecer.
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sexta-feira, 23 de junho de 2017
A derrocada da inflação
Depois de anos flertando com o caos, finalmente a inflação brasileira caminha de volta para patamares civilizados. O índice deve fechar na meta – ou até abaixo dela – neste ano e o país deve passar a perseguir alvos mais ambiciosos a partir de 2019. Trata-se de uma das vitórias mais relevantes desde que o Brasil se viu livre do PT.
A inflação brasileira encontra-se hoje em praticamente um terço do que era quando Dilma Rousseff foi defenestrada do governo. Desde maio do ano passado, o IPCA baixou de 9,3% em 12 meses para 3,6%. A perspectiva é de que encerre 2017 neste mesmo patamar, de acordo com as previsões colhidas pelo Banco Central (BC) junto ao mercado.
Recorde-se que, enquanto Dilma mandava no país, o estouro da inflação era um dos principais temores dos agentes econômicos. Afinal, combater a carestia nunca foi o forte da ex-presidente. A petista se lixava tanto para a solvência e a solidez das contas públicas, quanto para a alta geral de preços que por anos corroeu o salário dos trabalhadores brasileiros.
A simples mudança de ares, com a troca de governo, já foi capaz de levar alento à política de combate à inflação. Completada pela sinalização inequívoca do Banco Central de que não iria compactuar com a continuidade da alta, como por anos fora a tônica sob o PT, revelou-se capaz de frear o ímpeto dos preços.
Não se pode negar que, além da política monetária, a recessão tem sua parcela de responsabilidade na derrocada. Menos emprego e menos salário são iguais a menos consumo e, portanto, menos pressão inflacionária. É este fator que explica a perspectiva presente de o país apresentar deflação quando forem conhecidos os índices deste mês de junho. Se confirmada, será a primeira em 11 anos.
Tal situação permitiu que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC passasse a vislumbrar oportunidade de cortar um naco a mais na inflação estrutural brasileira, baixando a meta a ser perseguida pela política de juros a partir de 2019.
Depois de 14 anos, o alvo da política monetária a cargo do BC passará a ser 4,25% ao ano, levemente abaixo dos 4,5% vigentes desde 2005 e só atingidos em três ocasiões ao longo desse período. A decisão deverá ser sacramentada na próxima semana.
A inflação brasileira encontra-se hoje em praticamente um terço do que era quando Dilma Rousseff foi defenestrada do governo. Desde maio do ano passado, o IPCA baixou de 9,3% em 12 meses para 3,6%. A perspectiva é de que encerre 2017 neste mesmo patamar, de acordo com as previsões colhidas pelo Banco Central (BC) junto ao mercado.
Recorde-se que, enquanto Dilma mandava no país, o estouro da inflação era um dos principais temores dos agentes econômicos. Afinal, combater a carestia nunca foi o forte da ex-presidente. A petista se lixava tanto para a solvência e a solidez das contas públicas, quanto para a alta geral de preços que por anos corroeu o salário dos trabalhadores brasileiros.
A simples mudança de ares, com a troca de governo, já foi capaz de levar alento à política de combate à inflação. Completada pela sinalização inequívoca do Banco Central de que não iria compactuar com a continuidade da alta, como por anos fora a tônica sob o PT, revelou-se capaz de frear o ímpeto dos preços.
Não se pode negar que, além da política monetária, a recessão tem sua parcela de responsabilidade na derrocada. Menos emprego e menos salário são iguais a menos consumo e, portanto, menos pressão inflacionária. É este fator que explica a perspectiva presente de o país apresentar deflação quando forem conhecidos os índices deste mês de junho. Se confirmada, será a primeira em 11 anos.
Tal situação permitiu que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC passasse a vislumbrar oportunidade de cortar um naco a mais na inflação estrutural brasileira, baixando a meta a ser perseguida pela política de juros a partir de 2019.
Depois de 14 anos, o alvo da política monetária a cargo do BC passará a ser 4,25% ao ano, levemente abaixo dos 4,5% vigentes desde 2005 e só atingidos em três ocasiões ao longo desse período. A decisão deverá ser sacramentada na próxima semana.
Vale registrar que, ainda assim, o Brasil ainda conviverá com níveis altos de inflação, se comparados a outras economias. Segundo o Credit Suisse, a meta média nos países desenvolvidos é de 2,2%, na América Latina, de 3% e nos emergentes, de 4%.
A queda consistente da inflação brasileira abre espaço para outro movimento estrutural correlato: a baixa da taxa básica de juros. As reduções começaram em outubro do ano passado e só não se acentuaram em maio porque a crise política golpeou o processo. Há, contudo, condições objetivas para sua continuidade. Será mais uma vitória relevante do país depois que nos livramos do PT.
A queda consistente da inflação brasileira abre espaço para outro movimento estrutural correlato: a baixa da taxa básica de juros. As reduções começaram em outubro do ano passado e só não se acentuaram em maio porque a crise política golpeou o processo. Há, contudo, condições objetivas para sua continuidade. Será mais uma vitória relevante do país depois que nos livramos do PT.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
No alvo, enfim
Depois de sete anos, durante os quais em alguns momentos ameaçou sair de controle, a inflação brasileira voltou para a jaula. Não é pouca coisa, porque apenas 12 meses atrás, ainda sob a gestão do PT, o índice oficial flertava com o caos. Mudamos da água para o vinho, da leniência para a responsabilidade.
O IPCA caiu em abril para 0,14%, segundo divulgado nesta manhã pelo IBGE. Nestes quatro meses, a taxa de agora equivale a apenas um terço da do mesmo período de 2016. No acumulado em 12 meses, parâmetro que baliza a política monetária, a inflação brasileira desceu a 4,08%, ou seja, abaixo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional para o ano.
Recordar é viver: apenas um ano atrás, o IPCA anualizado estava em 9,3% e as projeções de mercado previam índices acima de 6% para os 12 meses à frente. Nota-se, portanto, o tamanho do tombo que a inflação sofreu depois que o comando do país, e da economia em especial, mudou de mãos. Quem mais sofria com isso eram os mais pobres.
Nestes anos em que o país passou sem ver a cor da meta, reinou a falácia segundo a qual “um pouquinho mais de inflação não dói”. Doeu. A alta dos preços foi uma das responsáveis por empobrecer os brasileiros em mais de 10% ao longo dos três anos em que perdurou a recessão semeada pelos governos petistas.
A combinação de inflação alta e queda do emprego, com reflexo na média de salários pagos, levou a aumento concomitante da concentração de renda e da desigualdade social, algo inédito no país em mais de 20 anos. Experiência para ser aprendida e nunca mais repetida.
Verdade que a queda expressiva da inflação deriva em parte da recessão. Menos dinheiro circulando é menos consumo e, portanto, preços menos pressionados. Mas é, sobretudo, produto de mudança considerável na condução da política monetária, isto é, da aplicação das taxas de juros para segurar a demanda.
Inflação na meta nunca foi preocupação do governo anterior. Pelo contrário. No tempo (tenebroso) de Dilma Rousseff, os condutores da política econômica achavam que deixar os preços avançarem ajudaria a esquentar a economia. Com sua sabedoria, não apenas a deixaram fugir do controle como também quebraram o país.
A forte queda da inflação chancela a necessidade de o Banco Central perseverar no corte dos juros. Trata-se de outro ciclo virtuoso inaugurado pela atual gestão após o descalabro da política econômica petista. Estima-se que a taxa básica desça a 8,5% até o fim do ano, um talho de quase seis pontos em pouco mais de um ano.
A estabilidade da moeda é uma conquista preciosa da sociedade brasileira. Os mais jovens não conheceram o tempo em que a inflação que hoje se mede em um ano se media em um par de dias. Isso acabou a partir do Plano Real, que em julho completa 23 anos. Quem sabe agora, com o PT mantido longe, o tempo de preços comportados tenha vindo para ficar.
O IPCA caiu em abril para 0,14%, segundo divulgado nesta manhã pelo IBGE. Nestes quatro meses, a taxa de agora equivale a apenas um terço da do mesmo período de 2016. No acumulado em 12 meses, parâmetro que baliza a política monetária, a inflação brasileira desceu a 4,08%, ou seja, abaixo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional para o ano.
Recordar é viver: apenas um ano atrás, o IPCA anualizado estava em 9,3% e as projeções de mercado previam índices acima de 6% para os 12 meses à frente. Nota-se, portanto, o tamanho do tombo que a inflação sofreu depois que o comando do país, e da economia em especial, mudou de mãos. Quem mais sofria com isso eram os mais pobres.
Nestes anos em que o país passou sem ver a cor da meta, reinou a falácia segundo a qual “um pouquinho mais de inflação não dói”. Doeu. A alta dos preços foi uma das responsáveis por empobrecer os brasileiros em mais de 10% ao longo dos três anos em que perdurou a recessão semeada pelos governos petistas.
A combinação de inflação alta e queda do emprego, com reflexo na média de salários pagos, levou a aumento concomitante da concentração de renda e da desigualdade social, algo inédito no país em mais de 20 anos. Experiência para ser aprendida e nunca mais repetida.
Verdade que a queda expressiva da inflação deriva em parte da recessão. Menos dinheiro circulando é menos consumo e, portanto, preços menos pressionados. Mas é, sobretudo, produto de mudança considerável na condução da política monetária, isto é, da aplicação das taxas de juros para segurar a demanda.
Inflação na meta nunca foi preocupação do governo anterior. Pelo contrário. No tempo (tenebroso) de Dilma Rousseff, os condutores da política econômica achavam que deixar os preços avançarem ajudaria a esquentar a economia. Com sua sabedoria, não apenas a deixaram fugir do controle como também quebraram o país.
A forte queda da inflação chancela a necessidade de o Banco Central perseverar no corte dos juros. Trata-se de outro ciclo virtuoso inaugurado pela atual gestão após o descalabro da política econômica petista. Estima-se que a taxa básica desça a 8,5% até o fim do ano, um talho de quase seis pontos em pouco mais de um ano.
A estabilidade da moeda é uma conquista preciosa da sociedade brasileira. Os mais jovens não conheceram o tempo em que a inflação que hoje se mede em um ano se media em um par de dias. Isso acabou a partir do Plano Real, que em julho completa 23 anos. Quem sabe agora, com o PT mantido longe, o tempo de preços comportados tenha vindo para ficar.
sábado, 8 de abril de 2017
Tchau, inflação
Depois de ter flertado com o descontrole durante a maior parte do governo Dilma, a inflação finalmente voltou para pertinho da meta. Trata-se de uma conquista relevante e que pode ser creditada em boa medida ao maior rigor da gestão Michel Temer em relação ao assunto.
A inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,57%, segundo informou o IBGE nesta manhã. Desde agosto de 2010, o IPCA não retrocedia ao patamar estabelecido como alvo pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A taxa acumulada no trimestre é a menor desde o início do Plano Real. Há espaço para cair mais e, sobretudo, derrubar ainda mais as taxas de juros, impulsionando o processo de recuperação da economia ora em marcha.
Em seu mais recente relatório trimestral de inflação, que a cada três meses traz amplo diagnóstico do comportamento de preços no país, o Banco Central traçou cenário bastante otimista. Para este ano, o prognóstico de referência – ou seja, na hipótese de serem mantidos a taxa de juros e o câmbio em vigor – indica IPCA de 3,6%. Em 2018, a inflação poderia descer a 3,3%.
São ambos percentuais bastante abaixo da meta definida pelo CMN, de 4,5%, mas ainda dentro da margem de variação tolerável, de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem uma avenida enorme pela frente para reduzir ainda mais, e com mais ímpeto, a taxa básica de juros.
Na semana que vem, o Copom volta a se reunir e deve determinar mais um corte na Selic. As apostas mínimas encontram-se agora em um ponto percentual, o que levaria a taxa básica para 11,25%, a mais baixa desde outubro de 2014. As estimativas predominantes no mercado apontam juros de 8,75% no fim deste ano.
Cada ponto percentual a menos na Selic resulta em economia de R$ 26 bilhões por ano para o governo – o dispêndio atual com pagamento de juros da dívida pública gira em torno de R$ 400 bilhões, mas vai cair. O corte também precisa chegar à ponta, em que as taxas aos tomadores finais de crédito ainda mantêm-se extorsivas.
Se a política monetária faz a sua parte, o outro lado da estabilidade da moeda cabe à política fiscal. O desafio é grande. O governo luta para conseguir cumprir a meta fixada para este ano, mas ainda terá de cortar mais despesas até para fechar o quarto déficit seguido nas contas públicas. Também por isso, são tão necessárias as reformas.
A inflação foi rapidamente derrotada também porque passou a ser tratada como prioridade de governo. Não foi o que aconteceu na gestão da ex-presidente. Até porque, talvez, a cartilha petista ainda não se dê conta de que a carestia é mais perversa com os mais pobres, a quem a alta inclemente dos preços mais castiga. Do mesmo jeito que esta postura negligente foi defenestrada da vida nacional, agora chegou a hora de dar tchau à inflação.
A inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,57%, segundo informou o IBGE nesta manhã. Desde agosto de 2010, o IPCA não retrocedia ao patamar estabelecido como alvo pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A taxa acumulada no trimestre é a menor desde o início do Plano Real. Há espaço para cair mais e, sobretudo, derrubar ainda mais as taxas de juros, impulsionando o processo de recuperação da economia ora em marcha.
Em seu mais recente relatório trimestral de inflação, que a cada três meses traz amplo diagnóstico do comportamento de preços no país, o Banco Central traçou cenário bastante otimista. Para este ano, o prognóstico de referência – ou seja, na hipótese de serem mantidos a taxa de juros e o câmbio em vigor – indica IPCA de 3,6%. Em 2018, a inflação poderia descer a 3,3%.
São ambos percentuais bastante abaixo da meta definida pelo CMN, de 4,5%, mas ainda dentro da margem de variação tolerável, de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem uma avenida enorme pela frente para reduzir ainda mais, e com mais ímpeto, a taxa básica de juros.
Na semana que vem, o Copom volta a se reunir e deve determinar mais um corte na Selic. As apostas mínimas encontram-se agora em um ponto percentual, o que levaria a taxa básica para 11,25%, a mais baixa desde outubro de 2014. As estimativas predominantes no mercado apontam juros de 8,75% no fim deste ano.
Cada ponto percentual a menos na Selic resulta em economia de R$ 26 bilhões por ano para o governo – o dispêndio atual com pagamento de juros da dívida pública gira em torno de R$ 400 bilhões, mas vai cair. O corte também precisa chegar à ponta, em que as taxas aos tomadores finais de crédito ainda mantêm-se extorsivas.
Se a política monetária faz a sua parte, o outro lado da estabilidade da moeda cabe à política fiscal. O desafio é grande. O governo luta para conseguir cumprir a meta fixada para este ano, mas ainda terá de cortar mais despesas até para fechar o quarto déficit seguido nas contas públicas. Também por isso, são tão necessárias as reformas.
A inflação foi rapidamente derrotada também porque passou a ser tratada como prioridade de governo. Não foi o que aconteceu na gestão da ex-presidente. Até porque, talvez, a cartilha petista ainda não se dê conta de que a carestia é mais perversa com os mais pobres, a quem a alta inclemente dos preços mais castiga. Do mesmo jeito que esta postura negligente foi defenestrada da vida nacional, agora chegou a hora de dar tchau à inflação.
sábado, 11 de março de 2017
O dragão amansou
A inflação deu mais uma amostra de que, a partir de agora, deve mesmo ficar comportada. Se os preços se mantiverem quietos, a economia brasileira terá eliminado pelo menos uma de suas piores anomalias: a coexistência de carestia e recessão. É possível que tenhamos um problema a menos doravante.
O IBGE mostrou nesta manhã que o IPCA fechou fevereiro em 0,33%. É a mais baixa taxa para o mês desde 2000. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses, aquela que baliza a política de juros do Banco Central, retrocedeu a 4,76%, a menor neste recorte em 17 anos. Os principais fatores para o resultado positivo foram os comportamentos dos preços de alimentos e bebidas.
Nos últimos meses, o movimento de baixa começou nos alimentos e disseminou-se por setores que durante longo tempo impediram o recuo da inflação no país. É o caso dos chamados preços administrados – em especial, tarifas públicas – e dos serviços.
A inflação dos administrados tombou de 17% no início de 2016 para perto de 4% agora. Recorde-se que a correção das tarifas, como energia elétrica e combustíveis, veio depois de anos em que o governo do PT as manteve artificialmente congeladas, justamente para tentar mascarar a alta generalizada de preços que assolava o país.
Já os serviços cedem agora sob o peso da crise econômica. Prevê-se para este ano a menor alta desde 2000, pouco acima de 4%, como reportou O Globo no início desta semana. Desde 2005, com exceção de 2015, os preços do setor – que responde por 35% do IPCA – sempre subiram mais que a inflação média, num comportamento de difícil reversão.
Sim, é claro que a recessão também tem participação no nocaute do dragão. Com desemprego recorde e salários contidos, a saída das famílias foi cortar fundo na sacola da feira e esvaziar o carrinho de supermercado. Com consumo menor, funcionou a lei de mercado e os preços caíram.
A política monetária também merece créditos pelo êxito. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, o país passou a contar com uma equipe econômica e uma diretoria do BC que não renegam o óbvio: inflação se combate e não se ignora ou mesmo se incentiva, como a cartilha petista tornara praxe. Uma das consequências é que, depois de sete anos indômito, o IPCA deve fechar 2017 abaixo da meta.
A mansidão do dragão abre espaço, ainda, para que o país persiga taxas de juros mais baixas, ancoradas, inclusive, em metas de inflação mais ambiciosas, como já se discute para 2019 e até mesmo 2018, em decisão do Conselho Monetário Nacional aguardada para junho. Se isso acontecer, mais uma esquisitice nacional terá sido exorcizada. Faltará apenas dar cabo à recessão.
O IBGE mostrou nesta manhã que o IPCA fechou fevereiro em 0,33%. É a mais baixa taxa para o mês desde 2000. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses, aquela que baliza a política de juros do Banco Central, retrocedeu a 4,76%, a menor neste recorte em 17 anos. Os principais fatores para o resultado positivo foram os comportamentos dos preços de alimentos e bebidas.
Nos últimos meses, o movimento de baixa começou nos alimentos e disseminou-se por setores que durante longo tempo impediram o recuo da inflação no país. É o caso dos chamados preços administrados – em especial, tarifas públicas – e dos serviços.
A inflação dos administrados tombou de 17% no início de 2016 para perto de 4% agora. Recorde-se que a correção das tarifas, como energia elétrica e combustíveis, veio depois de anos em que o governo do PT as manteve artificialmente congeladas, justamente para tentar mascarar a alta generalizada de preços que assolava o país.
Já os serviços cedem agora sob o peso da crise econômica. Prevê-se para este ano a menor alta desde 2000, pouco acima de 4%, como reportou O Globo no início desta semana. Desde 2005, com exceção de 2015, os preços do setor – que responde por 35% do IPCA – sempre subiram mais que a inflação média, num comportamento de difícil reversão.
Sim, é claro que a recessão também tem participação no nocaute do dragão. Com desemprego recorde e salários contidos, a saída das famílias foi cortar fundo na sacola da feira e esvaziar o carrinho de supermercado. Com consumo menor, funcionou a lei de mercado e os preços caíram.
A política monetária também merece créditos pelo êxito. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, o país passou a contar com uma equipe econômica e uma diretoria do BC que não renegam o óbvio: inflação se combate e não se ignora ou mesmo se incentiva, como a cartilha petista tornara praxe. Uma das consequências é que, depois de sete anos indômito, o IPCA deve fechar 2017 abaixo da meta.
A mansidão do dragão abre espaço, ainda, para que o país persiga taxas de juros mais baixas, ancoradas, inclusive, em metas de inflação mais ambiciosas, como já se discute para 2019 e até mesmo 2018, em decisão do Conselho Monetário Nacional aguardada para junho. Se isso acontecer, mais uma esquisitice nacional terá sido exorcizada. Faltará apenas dar cabo à recessão.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
A primeira conquista
A queda da inflação é a primeira conquista relevante do novo momento do país. Os índices de preços tombaram a partir da mudança de governo, deixando claro que uma das principais dificuldades para domar o dragão era a desconfiança em relação à gestão petista. Está aberto o caminho para a ressurreição da nossa economia.
O IPCA, índice oficial de inflação, fechou janeiro no menor patamar para o mês em toda a série histórica, iniciada em dezembro de 1979, ou seja, em 37 anos. Ficou em 0,38%, segundo o IBGE, em linha com as expectativas de mercado. O percentual representa leve alta sobre dezembro (0,30%) e uma queda brutal na comparação com um ano atrás, quando o IPCA fechara em 1,27%.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses aproxima-se da meta definida pelo Comitê de Política Monetária para este ano (4,5%). Está agora em 5,35% – um ano atrás, ainda na gestão Dilma Rousseff, era exatamente o dobro. É uma vitória e tanto, alcançada em curtíssimo espaço de tempo.
Neste aspecto, o maior mérito do atual governo foi ter conseguido reverter as expectativas pessimistas que rondavam a administração do PT. Todos se recordam que pouco tempo atrás o temor era de que a inflação saísse do controle, dada a leniência com que a ex-presidente e sua turma cuidavam do assunto.
O sentimento inverteu-se. Espera-se agora inflação na meta neste e nos próximos dois anos, e o Banco Central já começa a considerar que o Brasil tem condições de levar os índices para padrões civilizados, ou seja, em torno de 3% ao ano, conforme previu Ilan Goldfajn na semana passada. Para tanto, é preciso cumprir um amplo dever de casa, o que significa colocar as finanças públicas do país realmente em ordem.
Aspectos objetivos também pesaram a favor da queda dos índices de inflação. Em especial, o expressivo aumento da produção agrícola, que deve ser confirmado por novos levantamentos do IBGE e da Conab a serem divulgados amanhã, ajudou a baixar os preços dos alimentos, que em vários momentos azedaram a cesta de compras dos brasileiros.
Ter e manter a inflação sob controle é um êxito e um avanço dos quais a sociedade brasileira não abre mão. Durante os últimos anos, vimos esta conquista, sem a qual nenhuma nação de fato progride, ser ameaçada pelo descaso petista. Este tempo, felizmente, parece ter ficado no passado.
Superado o primeiro obstáculo, o governo do presidente Michel Temer tem agora melhores condições para seguir adiante na arrumação da economia. Ato contínuo, a taxa básica de juros deve continuar caindo, livrando o Brasil de outra de suas anomalias. Restará o necessário ajuste fiscal. Mas será assim, pé ante pé, passo a passo, conquista após conquista, que o país voltará ao normal.
O IPCA, índice oficial de inflação, fechou janeiro no menor patamar para o mês em toda a série histórica, iniciada em dezembro de 1979, ou seja, em 37 anos. Ficou em 0,38%, segundo o IBGE, em linha com as expectativas de mercado. O percentual representa leve alta sobre dezembro (0,30%) e uma queda brutal na comparação com um ano atrás, quando o IPCA fechara em 1,27%.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses aproxima-se da meta definida pelo Comitê de Política Monetária para este ano (4,5%). Está agora em 5,35% – um ano atrás, ainda na gestão Dilma Rousseff, era exatamente o dobro. É uma vitória e tanto, alcançada em curtíssimo espaço de tempo.
Neste aspecto, o maior mérito do atual governo foi ter conseguido reverter as expectativas pessimistas que rondavam a administração do PT. Todos se recordam que pouco tempo atrás o temor era de que a inflação saísse do controle, dada a leniência com que a ex-presidente e sua turma cuidavam do assunto.
O sentimento inverteu-se. Espera-se agora inflação na meta neste e nos próximos dois anos, e o Banco Central já começa a considerar que o Brasil tem condições de levar os índices para padrões civilizados, ou seja, em torno de 3% ao ano, conforme previu Ilan Goldfajn na semana passada. Para tanto, é preciso cumprir um amplo dever de casa, o que significa colocar as finanças públicas do país realmente em ordem.
Aspectos objetivos também pesaram a favor da queda dos índices de inflação. Em especial, o expressivo aumento da produção agrícola, que deve ser confirmado por novos levantamentos do IBGE e da Conab a serem divulgados amanhã, ajudou a baixar os preços dos alimentos, que em vários momentos azedaram a cesta de compras dos brasileiros.
Ter e manter a inflação sob controle é um êxito e um avanço dos quais a sociedade brasileira não abre mão. Durante os últimos anos, vimos esta conquista, sem a qual nenhuma nação de fato progride, ser ameaçada pelo descaso petista. Este tempo, felizmente, parece ter ficado no passado.
Superado o primeiro obstáculo, o governo do presidente Michel Temer tem agora melhores condições para seguir adiante na arrumação da economia. Ato contínuo, a taxa básica de juros deve continuar caindo, livrando o Brasil de outra de suas anomalias. Restará o necessário ajuste fiscal. Mas será assim, pé ante pé, passo a passo, conquista após conquista, que o país voltará ao normal.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Alívio imediato
A pancada que o Copom deu nos juros na semana passada abre uma avenida para que o país reencontre o caminho do crescimento econômico. Taxas menores, mais próximas do patamar prevalecente no resto do mundo, podem funcionar como alívio imediato até que as reformas comecem a decolar.
A redução, de 0,75 ponto percentual, foi a maior desde abril de 2012 e levou o juro básico a 13% ao ano. O Copom, porém, escancarou a porta para novos cortes, provavelmente de igual ou maior magnitude, nas reuniões futuras – a próxima acontece em 22/2. Prometeu, segundo informou na nota divulgada após a reunião, “intensificação da flexibilização monetária em curso”, até porque a recessão segue mais brava que o esperado.
Foi a terceira redução seguida da Selic, após quatro anos sem baixas. Os cortes só se tornaram possíveis porque a inflação, que ameaçou sair de controle em razão da leniência do governo petista, arrefeceu, ao mesmo tempo em que a economia esfriou acima do previsto. Além disso, a perspectiva da retomada da disciplina fiscal também tirou das costas do Banco Central o peso de tentar segurar sozinho os preços.
A derrocada do PT abriu espaço para que o controle da inflação se tornasse mais bem sucedido. Também ficamos sabendo na semana passada que o índice oficial fechou 2016 em 6,3%, dentro do limite de tolerância estipulado pelo regime de metas, e uma façanha quando se considera que um ano antes o IPCA havia atingido 10,7%. Já se trabalha com a hipótese de inflação na meta neste ano.
O efeito analgésico e anabolizante dos juros mais baixos na economia se faz sentir com maior intensidade nas contas públicas e nos investimentos privados – estes, porém, num efeito mais lento e moderado.
Taxas menores significam menos dispêndios do governo com a rolagem da sua dívida – estima-se economia anual de pelo menos R$ 16 bilhões só com o corte da semana passada. Também funcionam como indutor para que o dinheiro privado circule, gerando mais negócios, emprego e renda, e não permaneça parado, engordando em bancos.
O corte dos juros chega em boa hora, principalmente porque o atual ciclo de redução não repete o vício do voluntarismo que marcou o período de quedas mais recente, no início do governo Dilma Rousseff. Diante da terra arrasada legada pelo PT, é uma das poucas medidas com potencial para reativar a economia e estancar a recessão – a outra são as concessões e privatizações.
Agora, a depender da condução da agenda reformista, há claras chances de a baixa ser duradoura. Quem sabe o Brasil finalmente deixe de ser uma jabuticaba em matéria de política monetária – ainda temos, de longe, o maior juro real do mundo, em torno de 8% ao ano – e o alívio se torne permanente.
A redução, de 0,75 ponto percentual, foi a maior desde abril de 2012 e levou o juro básico a 13% ao ano. O Copom, porém, escancarou a porta para novos cortes, provavelmente de igual ou maior magnitude, nas reuniões futuras – a próxima acontece em 22/2. Prometeu, segundo informou na nota divulgada após a reunião, “intensificação da flexibilização monetária em curso”, até porque a recessão segue mais brava que o esperado.
Foi a terceira redução seguida da Selic, após quatro anos sem baixas. Os cortes só se tornaram possíveis porque a inflação, que ameaçou sair de controle em razão da leniência do governo petista, arrefeceu, ao mesmo tempo em que a economia esfriou acima do previsto. Além disso, a perspectiva da retomada da disciplina fiscal também tirou das costas do Banco Central o peso de tentar segurar sozinho os preços.
A derrocada do PT abriu espaço para que o controle da inflação se tornasse mais bem sucedido. Também ficamos sabendo na semana passada que o índice oficial fechou 2016 em 6,3%, dentro do limite de tolerância estipulado pelo regime de metas, e uma façanha quando se considera que um ano antes o IPCA havia atingido 10,7%. Já se trabalha com a hipótese de inflação na meta neste ano.
O efeito analgésico e anabolizante dos juros mais baixos na economia se faz sentir com maior intensidade nas contas públicas e nos investimentos privados – estes, porém, num efeito mais lento e moderado.
Taxas menores significam menos dispêndios do governo com a rolagem da sua dívida – estima-se economia anual de pelo menos R$ 16 bilhões só com o corte da semana passada. Também funcionam como indutor para que o dinheiro privado circule, gerando mais negócios, emprego e renda, e não permaneça parado, engordando em bancos.
O corte dos juros chega em boa hora, principalmente porque o atual ciclo de redução não repete o vício do voluntarismo que marcou o período de quedas mais recente, no início do governo Dilma Rousseff. Diante da terra arrasada legada pelo PT, é uma das poucas medidas com potencial para reativar a economia e estancar a recessão – a outra são as concessões e privatizações.
Agora, a depender da condução da agenda reformista, há claras chances de a baixa ser duradoura. Quem sabe o Brasil finalmente deixe de ser uma jabuticaba em matéria de política monetária – ainda temos, de longe, o maior juro real do mundo, em torno de 8% ao ano – e o alívio se torne permanente.
sábado, 10 de dezembro de 2016
A inflação aquieta-se
A crise brasileira é tão brava que está conseguindo fazer o que, durante anos, a política de juros não conseguiu: domar a inflação. Os índices estão recuando com força e alguns grupos de preços já começam a ensaiar quedas mais expressivas e até mesmo deflação. A recessão está derrubando tudo o que encontra pela frente.
Na manhã desta sexta-feira, o IBGE divulgou o penúltimo IPCA do ano. Em novembro, a inflação ficou em 0,18%, bem menor que a do mês anterior e apenas uma fração do 1,01% registrado um ano antes. Desde 1998, o índice não era tão baixo neste mês do ano. O acumulado em 12 meses recuou para 7%, menor patamar desde dezembro de 2014.
Com o recuo abriu-se a possibilidade de a inflação fechar 2016 contida sob o limite máximo (6,5%) da meta estipulada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para o ano, o que não acontece desde 2014. No ano passado, o IPCA foi o mais alto desde 2002, atingindo 10,67%. Nota-se a magnitude da queda ao longo dos últimos meses.
Um dos fatores que contribuíram para o arrefecimento da inflação, claro, foi a política de juros praticada pelo Banco Central. A taxa básica só começou a ser reduzida em outubro, mesmo timidamente. Com a manutenção da Selic na maior parte do ano, na prática o juro real foi sendo aumentado no país, esfriando ainda mais a demanda e, consequentemente, também a economia.
Mas o que mais explica o tombo da inflação é mesmo a crise. O desemprego segurou o consumo das famílias e a queda da demanda fez sua parte na lei de mercado, forçando os preços para baixo. Um exemplo são o item alimentos e bebidas, que há três meses apresenta deflação – 0,54% no acumulado desde setembro, com o maior recuo registrado em novembro.
Os prognósticos projetam quedas ainda mais acentuadas. Segundo a mais recente edição do Boletim Focus do BC, o IPCA deve fechar 2017 em 4,93%. No ritmo atual, as estimativas certamente irão cair mais e convergir com rapidez para a meta de 4,5% fixada pelo Copom. Isso irá descortinar uma enorme janela de oportunidade para a política monetária.
No início da semana, em ata sobre a reunião que decidiu pelo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, o Copom havia registrado que o agravamento da crise econômica e a manutenção do desemprego em patamar cada vez mais elevado abriam caminho para quedas futuras maiores dos juros. Com os resultados do IPCA conhecidos hoje, isso tornou-se quase favas contadas já a partir de janeiro.
Claro que nem tudo é 100% certo. As dúvidas quanto ao que ocorrerá no cenário externo a partir de janeiro com o início do governo de Donald Trump permanecem, o que poderia afetar a cotação do dólar e, por tabela, os preços de bens e serviços importados. Mas, aparentemente, a inflação brasileira aquietou-se. Pode ser algum alívio para o brasileiro prosseguir sua luta cotidiana contra a recessão.
Na manhã desta sexta-feira, o IBGE divulgou o penúltimo IPCA do ano. Em novembro, a inflação ficou em 0,18%, bem menor que a do mês anterior e apenas uma fração do 1,01% registrado um ano antes. Desde 1998, o índice não era tão baixo neste mês do ano. O acumulado em 12 meses recuou para 7%, menor patamar desde dezembro de 2014.
Com o recuo abriu-se a possibilidade de a inflação fechar 2016 contida sob o limite máximo (6,5%) da meta estipulada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para o ano, o que não acontece desde 2014. No ano passado, o IPCA foi o mais alto desde 2002, atingindo 10,67%. Nota-se a magnitude da queda ao longo dos últimos meses.
Um dos fatores que contribuíram para o arrefecimento da inflação, claro, foi a política de juros praticada pelo Banco Central. A taxa básica só começou a ser reduzida em outubro, mesmo timidamente. Com a manutenção da Selic na maior parte do ano, na prática o juro real foi sendo aumentado no país, esfriando ainda mais a demanda e, consequentemente, também a economia.
Mas o que mais explica o tombo da inflação é mesmo a crise. O desemprego segurou o consumo das famílias e a queda da demanda fez sua parte na lei de mercado, forçando os preços para baixo. Um exemplo são o item alimentos e bebidas, que há três meses apresenta deflação – 0,54% no acumulado desde setembro, com o maior recuo registrado em novembro.
Os prognósticos projetam quedas ainda mais acentuadas. Segundo a mais recente edição do Boletim Focus do BC, o IPCA deve fechar 2017 em 4,93%. No ritmo atual, as estimativas certamente irão cair mais e convergir com rapidez para a meta de 4,5% fixada pelo Copom. Isso irá descortinar uma enorme janela de oportunidade para a política monetária.
No início da semana, em ata sobre a reunião que decidiu pelo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, o Copom havia registrado que o agravamento da crise econômica e a manutenção do desemprego em patamar cada vez mais elevado abriam caminho para quedas futuras maiores dos juros. Com os resultados do IPCA conhecidos hoje, isso tornou-se quase favas contadas já a partir de janeiro.
Claro que nem tudo é 100% certo. As dúvidas quanto ao que ocorrerá no cenário externo a partir de janeiro com o início do governo de Donald Trump permanecem, o que poderia afetar a cotação do dólar e, por tabela, os preços de bens e serviços importados. Mas, aparentemente, a inflação brasileira aquietou-se. Pode ser algum alívio para o brasileiro prosseguir sua luta cotidiana contra a recessão.
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Algum cenário benigno
As dificuldades da economia brasileira continuam imensas e, em muitos aspectos, como o desemprego, ainda tendem a piorar nos próximos meses. No entanto, já surgem aqui e ali perspectivas otimistas que prometem desanuviar o horizonte. É o caso da inflação e, consequentemente, dos juros.
Em relatório em que, a cada três meses, esmiúça o comportamento dos preços no país, o Banco Central passou a considerar a hipótese de que a inflação esteja começando a convergir para a meta definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os próximos dois anos. Felizmente, um dos itens que começam a ficar menos caros são os alimentos.
De acordo com o Copom, já no fim de 2017 a inflação oficial, medida pelo IPCA, poderia cair a 4,4% e, em 2018, poderia descer a 3,8%. Em ambos os casos, a meta anual é de 4,5%. Se confirmado, e ainda há muito chão até lá, será a primeira vez que isso acontecerá no país desde 2010. O desafio é grande: hoje, o índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses está em 9%.
Com a inflação tendendo a ficar mais comportada, abre-se espaço para que o BC também comece a cogitar dar cabo de outra anormalidade brasileira: os juros jabuticaba que o país pratica. Começaram a pipocar previsões de que, já na reunião de outubro, a taxa básica, hoje em 14,25% ao ano, começará a cair, com a queda prosseguindo ao longo de 2017.
No passado recente, o BC comungou da crença furada de que um pouquinho mais de inflação não dói e manejou os juros com displicência, voluntarismo e irresponsabilidade. Deu no que deu: o resultado foi a explosão dos preços, que alcançaram as maiores altas em 20 anos, e uma política de juros artificialmente baixos que não se sustentou.
Para que o país caminhe de volta à normalidade agora, tudo dependerá, principalmente, do que acontecer com o outro lado da moeda, ou seja, com a política fiscal. A inflação só baixa e os juros só podem cair se o governo reverter o comportamento leniente e deletério que foi a marca das gestões petistas no trato das contas públicas e passar a frear seus gastos.
Por isso, será decisiva a capacidade do governo Michel Temer de aprovar no Congresso a imposição do teto para o crescimento das despesas públicas a partir de 2017. A medida foi transformada pela oposição petista em crime de lesa-pátria e vem sendo usada como arma eleitoral pelo país afora. Quem destruiu agora tenta de toda forma impedir a reconstrução...
Mas o tetracampeonato de rombos nas contas públicas, com déficits consecutivos entre 2014 a 2017, não deixa margem a dúvidas: é preciso disciplinar o crescimento dos gastos públicos, sem o que o país simplesmente afundará na quebradeira. A aprovação do teto é uma medida importante, que pode até ser melhorada em alguns aspectos no Congresso. Mas é absolutamente necessária para que o cenário fique realmente mais benigno doravante.
Em relatório em que, a cada três meses, esmiúça o comportamento dos preços no país, o Banco Central passou a considerar a hipótese de que a inflação esteja começando a convergir para a meta definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os próximos dois anos. Felizmente, um dos itens que começam a ficar menos caros são os alimentos.
De acordo com o Copom, já no fim de 2017 a inflação oficial, medida pelo IPCA, poderia cair a 4,4% e, em 2018, poderia descer a 3,8%. Em ambos os casos, a meta anual é de 4,5%. Se confirmado, e ainda há muito chão até lá, será a primeira vez que isso acontecerá no país desde 2010. O desafio é grande: hoje, o índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses está em 9%.
Com a inflação tendendo a ficar mais comportada, abre-se espaço para que o BC também comece a cogitar dar cabo de outra anormalidade brasileira: os juros jabuticaba que o país pratica. Começaram a pipocar previsões de que, já na reunião de outubro, a taxa básica, hoje em 14,25% ao ano, começará a cair, com a queda prosseguindo ao longo de 2017.
No passado recente, o BC comungou da crença furada de que um pouquinho mais de inflação não dói e manejou os juros com displicência, voluntarismo e irresponsabilidade. Deu no que deu: o resultado foi a explosão dos preços, que alcançaram as maiores altas em 20 anos, e uma política de juros artificialmente baixos que não se sustentou.
Para que o país caminhe de volta à normalidade agora, tudo dependerá, principalmente, do que acontecer com o outro lado da moeda, ou seja, com a política fiscal. A inflação só baixa e os juros só podem cair se o governo reverter o comportamento leniente e deletério que foi a marca das gestões petistas no trato das contas públicas e passar a frear seus gastos.
Por isso, será decisiva a capacidade do governo Michel Temer de aprovar no Congresso a imposição do teto para o crescimento das despesas públicas a partir de 2017. A medida foi transformada pela oposição petista em crime de lesa-pátria e vem sendo usada como arma eleitoral pelo país afora. Quem destruiu agora tenta de toda forma impedir a reconstrução...
Mas o tetracampeonato de rombos nas contas públicas, com déficits consecutivos entre 2014 a 2017, não deixa margem a dúvidas: é preciso disciplinar o crescimento dos gastos públicos, sem o que o país simplesmente afundará na quebradeira. A aprovação do teto é uma medida importante, que pode até ser melhorada em alguns aspectos no Congresso. Mas é absolutamente necessária para que o cenário fique realmente mais benigno doravante.
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Relatório de Inflação
sábado, 10 de setembro de 2016
A inflação não dá trégua
A inflação chega ao oitavo mês do ano sem dar trégua. Com isso, o Brasil mantém-se como uma jabuticaba: o país que menos cresce no mundo com uma carestia de dar dó. É o resultado do coquetel de bobagens econômicas petistas.
Divulgada nesta manhã pelo IBGE, a inflação de agosto veio mais mansa do que a paulada do mês anterior. O IPCA ficou em 0,44%, abaixo do índice de julho, mas exatamente o dobro do registrado um ano atrás e o maior para o mês desde 2007.
Quem deu refresco foram os alimentos, enfim. Em contrapartida, gastos com alguns serviços, como educação e saúde, doeram no bolso dos brasileiros. A consequência é que a inflação acumulada em um ano continua altíssima: 8,97%.
Não custa lembrar: a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Como não é difícil perceber, trata-se de uma miragem no país já há bastante tempo.
Inflação alta costuma ser manifestação evidente de economia aquecida. No Brasil da politiquinha econômica do PT – aquela à base de gastos públicos desmesurados, concessão de crédito barata e farta para os amigos do rei e intervenção direta no funcionamento dos mercados, com contratos rasgados ao léu – acontece o contrário.
O país, como se viu na semana passada, está em recessão desde o segundo trimestre de 2014, portanto há dois anos ininterruptos. A queda de 0,6% do PIB no período entre abril e julho, o derradeiro da experiência petista, cravou o pior desempenho entre todas as economias do mundo que mereçam ser levadas minimamente a sério.
A inflação alta tem tudo para manter-se ainda por um bom tempo como uma das heranças malditas da gestão que foi enxotada definitivamente do comando do país no fim de agosto. Isto porque, enquanto o dragão estiver por aí, o freio de mão dos juros altos – os mais altos de todo o mundo – continuará puxado e o crescimento ficará mais difícil.
Ao mesmo tempo, enquanto não se costurar solução para o gasto desenfreado do governo – cada demora adicional no ajuste fiscal custa bilhões de reais a mais, de acordo com estudo publicado na edição de hoje do jornal O Globo – a política monetária terá de fazer o jogo sujo de conter a demanda e, desta forma, tentar não alimentar a alta de preços. Juros altos colaboram para frear o investimento e, de quebra, a geração de empregos.
Inflação, recessão, desemprego, dinheiro encarecido por meio de juros exorbitantes são manifestações reais de um modo absolutamente fracassado de tratar a economia. Infelizmente, há pessoas que, por má-fé ou ignorância mesmo, preferem não enxergar isso.
Os que ocupam ruas e protestam para defender a prevalência desta velha política são os mesmos prejudicados pelos efeitos nefastos que ela causa – e continuará causando ainda por largo tempo – na vida de todos os brasileiros.
Divulgada nesta manhã pelo IBGE, a inflação de agosto veio mais mansa do que a paulada do mês anterior. O IPCA ficou em 0,44%, abaixo do índice de julho, mas exatamente o dobro do registrado um ano atrás e o maior para o mês desde 2007.
Quem deu refresco foram os alimentos, enfim. Em contrapartida, gastos com alguns serviços, como educação e saúde, doeram no bolso dos brasileiros. A consequência é que a inflação acumulada em um ano continua altíssima: 8,97%.
Não custa lembrar: a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Como não é difícil perceber, trata-se de uma miragem no país já há bastante tempo.
Inflação alta costuma ser manifestação evidente de economia aquecida. No Brasil da politiquinha econômica do PT – aquela à base de gastos públicos desmesurados, concessão de crédito barata e farta para os amigos do rei e intervenção direta no funcionamento dos mercados, com contratos rasgados ao léu – acontece o contrário.
O país, como se viu na semana passada, está em recessão desde o segundo trimestre de 2014, portanto há dois anos ininterruptos. A queda de 0,6% do PIB no período entre abril e julho, o derradeiro da experiência petista, cravou o pior desempenho entre todas as economias do mundo que mereçam ser levadas minimamente a sério.
A inflação alta tem tudo para manter-se ainda por um bom tempo como uma das heranças malditas da gestão que foi enxotada definitivamente do comando do país no fim de agosto. Isto porque, enquanto o dragão estiver por aí, o freio de mão dos juros altos – os mais altos de todo o mundo – continuará puxado e o crescimento ficará mais difícil.
Ao mesmo tempo, enquanto não se costurar solução para o gasto desenfreado do governo – cada demora adicional no ajuste fiscal custa bilhões de reais a mais, de acordo com estudo publicado na edição de hoje do jornal O Globo – a política monetária terá de fazer o jogo sujo de conter a demanda e, desta forma, tentar não alimentar a alta de preços. Juros altos colaboram para frear o investimento e, de quebra, a geração de empregos.
Inflação, recessão, desemprego, dinheiro encarecido por meio de juros exorbitantes são manifestações reais de um modo absolutamente fracassado de tratar a economia. Infelizmente, há pessoas que, por má-fé ou ignorância mesmo, preferem não enxergar isso.
Os que ocupam ruas e protestam para defender a prevalência desta velha política são os mesmos prejudicados pelos efeitos nefastos que ela causa – e continuará causando ainda por largo tempo – na vida de todos os brasileiros.
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sábado, 13 de agosto de 2016
A pior inflação
O brasileiro está sofrendo com o pior tipo de inflação: a da comida que vai à mesa das famílias. O preço dos alimentos está em disparada, agravando ainda mais as agruras decorrentes da recessão e do desemprego na vida das pessoas.
Em julho, o IPCA chegou a 0,52%, segundo o IBGE. Quase 70% disso deveu-se à alta dos preços dos alimentos, que ficaram 1,3% mais caros no mês. A escalada deriva principalmente de problemas climáticos, que nos últimos meses reduziram a safra agrícola com chuvas em excesso na região Sul e seca no Centro-Oeste.
Há casos escabrosos. O feijão carioca ficou 150% mais caro desde janeiro, o leite, 49% e o arroz, 11%. O feijão preto subiu 41% só em julho e o leite longa vida, quase 18%. No geral, os alimentos encareceram 8,8% neste ano e 13,6% nos últimos 12 meses.
Com a alta também dos grãos, que servem de ração a rebanhos, o próximo vilão tende a ser as carnes, conforme prevê a’O Globo o ministro da Agricultura, para quem há uma “inflação represada” prestes a desaguar na mesa dos brasileiros. Algum alento, em contrapartida, pode vir da baixa das cotações internacionais de commodities.
A inflação brasileira mantém-se alta a despeito de o país viver a pior recessão de sua história. É caso único no mundo. Nas crises econômicas, os preços tendem a cair. No Brasil desajustado por anos de descalabro econômico petista, acontece o inverso: carestia e depressão.
Os preços têm se mantido altos por ondas sucessivas de aumentos. Até uns dois anos atrás, eram os serviços, estimulados pelo aumento de renda, que sustentavam a alta – ainda expressiva, em torno de 7% anuais, atualmente. Depois veio o choque tarifário patrocinado pelo governo Dilma, que elevou a energia elétrica, por exemplo, em mais de 70% em dois anos. Agora é a vez dos alimentos, o que torna a carestia ainda mais dolorosa.
Os preços em escalada mantêm a política monetária sob pressão, ou seja, dificultam a redução da taxa básica de juros e, desta maneira, comprimem o espaço para que a recuperação da economia se dê. Inflação alta é igual a crédito caro, custos em elevação e crescimento baixo.
A inflação acumulada nos primeiros sete meses de 2016 (4,96%) já supera a meta prevista para todo este ano. A previsão é de que o índice oficial encerre o ano ao redor de 7%, acima, portanto, até do teto de tolerância estipulado. Neste sentido, o Banco Central não pode esmorecer em sua política de combate à alta de preços.
Precisará, contudo, de um apoio que não teve durante os anos de governo do PT e de que ainda carece com mais nitidez na atual gestão: uma política vigorosa de controle dos gastos públicos. A derrocada da hiperinflação é uma das principais conquistas da sociedade brasileira na história recente. Não pode, jamais, ser posta em risco.
Em julho, o IPCA chegou a 0,52%, segundo o IBGE. Quase 70% disso deveu-se à alta dos preços dos alimentos, que ficaram 1,3% mais caros no mês. A escalada deriva principalmente de problemas climáticos, que nos últimos meses reduziram a safra agrícola com chuvas em excesso na região Sul e seca no Centro-Oeste.
Há casos escabrosos. O feijão carioca ficou 150% mais caro desde janeiro, o leite, 49% e o arroz, 11%. O feijão preto subiu 41% só em julho e o leite longa vida, quase 18%. No geral, os alimentos encareceram 8,8% neste ano e 13,6% nos últimos 12 meses.
Com a alta também dos grãos, que servem de ração a rebanhos, o próximo vilão tende a ser as carnes, conforme prevê a’O Globo o ministro da Agricultura, para quem há uma “inflação represada” prestes a desaguar na mesa dos brasileiros. Algum alento, em contrapartida, pode vir da baixa das cotações internacionais de commodities.
A inflação brasileira mantém-se alta a despeito de o país viver a pior recessão de sua história. É caso único no mundo. Nas crises econômicas, os preços tendem a cair. No Brasil desajustado por anos de descalabro econômico petista, acontece o inverso: carestia e depressão.
Os preços têm se mantido altos por ondas sucessivas de aumentos. Até uns dois anos atrás, eram os serviços, estimulados pelo aumento de renda, que sustentavam a alta – ainda expressiva, em torno de 7% anuais, atualmente. Depois veio o choque tarifário patrocinado pelo governo Dilma, que elevou a energia elétrica, por exemplo, em mais de 70% em dois anos. Agora é a vez dos alimentos, o que torna a carestia ainda mais dolorosa.
Os preços em escalada mantêm a política monetária sob pressão, ou seja, dificultam a redução da taxa básica de juros e, desta maneira, comprimem o espaço para que a recuperação da economia se dê. Inflação alta é igual a crédito caro, custos em elevação e crescimento baixo.
A inflação acumulada nos primeiros sete meses de 2016 (4,96%) já supera a meta prevista para todo este ano. A previsão é de que o índice oficial encerre o ano ao redor de 7%, acima, portanto, até do teto de tolerância estipulado. Neste sentido, o Banco Central não pode esmorecer em sua política de combate à alta de preços.
Precisará, contudo, de um apoio que não teve durante os anos de governo do PT e de que ainda carece com mais nitidez na atual gestão: uma política vigorosa de controle dos gastos públicos. A derrocada da hiperinflação é uma das principais conquistas da sociedade brasileira na história recente. Não pode, jamais, ser posta em risco.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Inflação na mira
Durante os últimos anos, inflação foi tratada pelos governos do PT como assunto de menor importância. Deu no que deu: a carestia rouba pedaços crescentes dos salários dos brasileiros, também aviltados pela recessão e pelo desemprego. Mas parece que agora a alta de preços voltará a ser combatida com a seriedade necessária.
Nesta semana, o novo presidente do Banco Central deixou qualquer sutileza ou tibieza de lado para afirmar que, com ele, a regra é clara: a inflação tem que baixar para a meta. Perto da leniência típica de seus antecessores imediatos, Ilan Goldfajn é quase uma quimera.
Desde 2005, o regime de metas preconiza que a inflação no país deve ser de 4,5% ao ano, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. Desde 2009, a variação de preços não passa nem perto do objetivo – dizer que o limite superior é “meta” é uma distorção.
No ano passado, o IPCA atingiu 10,6%, maior patamar desde 2002. Atualmente, a inflação está em 9,3% nos 12 meses até maio e a projeção é de que feche o ano em 7,3%, ou seja, novamente ao arrepio do que determina o objetivo da política monetária.
Um passo importante rumo ao maior controle da inflação pode ser dado hoje pelo Conselho Monetário Nacional. O órgão colegiado reúne-se para chancelar a meta de 4,5% para 2017, que já prevê o encurtamento do intervalo de tolerância para 1,5 ponto, e definir o patamar a ser perseguido em 2018. Em sua edição de hoje, o Valor Econômico afiança que a decisão será por baixar a meta de daqui a dois anos para 4,25% ou até 4%.
A derrocada da hiperinflação foi uma das principais conquistas da sociedade brasileira na história recente. Há toda uma geração de jovens que nem faz ideia de que, pouco mais de 20 anos atrás, o salário chegava ao fim do mês valendo apenas uma fração do que valia quando era pago. Houve mês com inflação de mais de 80%.
Este tempo, felizmente, passou. Mas houve momentos na nossa história recente em que namoramos a volta do descontrole – está cheio de petista diplomado que acha que mais inflação gera mais crescimento... É este processo de tolerância que começa agora a ser revertido com a nova política monetária posta em marcha pelo BC.
Mas a desintoxicação não estará completa enquanto também não restabelecermos as duas outras pernas do tripé que sustentou a economia brasileira a partir do final do século passado e permitiu que o país experimentasse a maior bonança dos últimos anos: a responsabilidade com os gastos públicos e a livre flutuação do câmbio.
Na realidade, o que o país precisa executar é uma espécie de detox das práticas desvirtuadas que afundaram nossa economia. Colocar a inflação de novo no centro da mira é passo importante nesta estratégia, que só logrará sucesso se o dinheiro recolhido dos contribuintes voltar a ser tratado também com a seriedade que merece.
Nesta semana, o novo presidente do Banco Central deixou qualquer sutileza ou tibieza de lado para afirmar que, com ele, a regra é clara: a inflação tem que baixar para a meta. Perto da leniência típica de seus antecessores imediatos, Ilan Goldfajn é quase uma quimera.
Desde 2005, o regime de metas preconiza que a inflação no país deve ser de 4,5% ao ano, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. Desde 2009, a variação de preços não passa nem perto do objetivo – dizer que o limite superior é “meta” é uma distorção.
No ano passado, o IPCA atingiu 10,6%, maior patamar desde 2002. Atualmente, a inflação está em 9,3% nos 12 meses até maio e a projeção é de que feche o ano em 7,3%, ou seja, novamente ao arrepio do que determina o objetivo da política monetária.
Um passo importante rumo ao maior controle da inflação pode ser dado hoje pelo Conselho Monetário Nacional. O órgão colegiado reúne-se para chancelar a meta de 4,5% para 2017, que já prevê o encurtamento do intervalo de tolerância para 1,5 ponto, e definir o patamar a ser perseguido em 2018. Em sua edição de hoje, o Valor Econômico afiança que a decisão será por baixar a meta de daqui a dois anos para 4,25% ou até 4%.
A derrocada da hiperinflação foi uma das principais conquistas da sociedade brasileira na história recente. Há toda uma geração de jovens que nem faz ideia de que, pouco mais de 20 anos atrás, o salário chegava ao fim do mês valendo apenas uma fração do que valia quando era pago. Houve mês com inflação de mais de 80%.
Este tempo, felizmente, passou. Mas houve momentos na nossa história recente em que namoramos a volta do descontrole – está cheio de petista diplomado que acha que mais inflação gera mais crescimento... É este processo de tolerância que começa agora a ser revertido com a nova política monetária posta em marcha pelo BC.
Mas a desintoxicação não estará completa enquanto também não restabelecermos as duas outras pernas do tripé que sustentou a economia brasileira a partir do final do século passado e permitiu que o país experimentasse a maior bonança dos últimos anos: a responsabilidade com os gastos públicos e a livre flutuação do câmbio.
Na realidade, o que o país precisa executar é uma espécie de detox das práticas desvirtuadas que afundaram nossa economia. Colocar a inflação de novo no centro da mira é passo importante nesta estratégia, que só logrará sucesso se o dinheiro recolhido dos contribuintes voltar a ser tratado também com a seriedade que merece.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Ainda a inflação
Nem a mais severa recessão está conseguindo domar a inflação brasileira. A carestia continua doendo fundo no bolso da população, fruto das políticas econômicas equivocadas que vigoraram nos últimos anos e da leniência com que o governo petista sempre tratou a escalada de preços no país.
Nesta manhã, o IBGE mostrou que a inflação mantém-se alta. O IPCA de maio atingiu 0,78%, mais elevada taxa para o mês desde 2008. O índice subiu em relação ao 0,61% do mês anterior e também levou o acumulado em 12 meses a aumentar um pouco mais, para 9,32%.
Mais uma vez, a inflação sofreu impacto das tarifas públicas, em especial o aumento praticado pelas concessionárias de água e esgoto. Também a energia continuou a encarecer. São partes das heranças malditas dos anos de manipulação petista.
Em locais como Fortaleza e Porto Alegre a inflação anual mantém-se na casa de dois dígitos. Além disso, a população de menor renda sofre mais com aumentos maiores de preços: o INPC, que acompanha gastos de famílias que ganham até cinco salários mínimos, subiu quase 1% em maio, também de acordo com o IBGE.
Para complicar um pouco mais, há previsão de que outro item essencial da cesta de consumo, os alimentos, mantenha-se em alta nos próximos meses, em razão do aumento das cotações de commodities como soja e milho, com impacto também em carnes e ovos. Até maio, a alta da alimentação no domicílio já chega a 8% no ano e a quase 15% no acumulado em 12 meses.
A inflação alta compõe o coquetel tóxico que asfixia o dia a dia dos brasileiros e inclui o desemprego recorde e a queda da renda (de 3,3% em 12 meses até abril, segundo a mais recente Pnad Contínua). Com o dinheiro cada vez mais curto, sobra à população avançar sobre o cofrinho das poupanças: em maio, os saques superaram os depósitos em R$ 6,6 bilhões, o pior resultado para o mês medido pelo Banco Central desde 1995.
Toda esta situação impõe desafios adicionais significativos à nova direção do BC, cujo novo presidente foi aprovado ontem pelo Senado. Ilan Goldfajn terá a missão de fazer o que o PT há muito tempo deixou de considerar importante: trazer a inflação para dentro dos limites impostos pelo regime de metas, ou seja, 4,5% ao ano com tolerância de dois pontos percentuais de variação para mais ou para menos. Desde 2009, isso não acontece.
Enquanto a inflação persistir, o Brasil terá de continuar convivendo com outra de suas jabuticabas anômalas: as estratosféricas taxas de juros, que o Copom deve manter intocadas em reunião que acontece hoje, justamente em razão da ainda indômita alta dos preços. Como se vê, sem nenhuma dificuldade, os desequilíbrios legados pela irresponsabilidade petista ainda nos custam e nos custarão muito caro.
Nesta manhã, o IBGE mostrou que a inflação mantém-se alta. O IPCA de maio atingiu 0,78%, mais elevada taxa para o mês desde 2008. O índice subiu em relação ao 0,61% do mês anterior e também levou o acumulado em 12 meses a aumentar um pouco mais, para 9,32%.
Mais uma vez, a inflação sofreu impacto das tarifas públicas, em especial o aumento praticado pelas concessionárias de água e esgoto. Também a energia continuou a encarecer. São partes das heranças malditas dos anos de manipulação petista.
Em locais como Fortaleza e Porto Alegre a inflação anual mantém-se na casa de dois dígitos. Além disso, a população de menor renda sofre mais com aumentos maiores de preços: o INPC, que acompanha gastos de famílias que ganham até cinco salários mínimos, subiu quase 1% em maio, também de acordo com o IBGE.
Para complicar um pouco mais, há previsão de que outro item essencial da cesta de consumo, os alimentos, mantenha-se em alta nos próximos meses, em razão do aumento das cotações de commodities como soja e milho, com impacto também em carnes e ovos. Até maio, a alta da alimentação no domicílio já chega a 8% no ano e a quase 15% no acumulado em 12 meses.
A inflação alta compõe o coquetel tóxico que asfixia o dia a dia dos brasileiros e inclui o desemprego recorde e a queda da renda (de 3,3% em 12 meses até abril, segundo a mais recente Pnad Contínua). Com o dinheiro cada vez mais curto, sobra à população avançar sobre o cofrinho das poupanças: em maio, os saques superaram os depósitos em R$ 6,6 bilhões, o pior resultado para o mês medido pelo Banco Central desde 1995.
Toda esta situação impõe desafios adicionais significativos à nova direção do BC, cujo novo presidente foi aprovado ontem pelo Senado. Ilan Goldfajn terá a missão de fazer o que o PT há muito tempo deixou de considerar importante: trazer a inflação para dentro dos limites impostos pelo regime de metas, ou seja, 4,5% ao ano com tolerância de dois pontos percentuais de variação para mais ou para menos. Desde 2009, isso não acontece.
Enquanto a inflação persistir, o Brasil terá de continuar convivendo com outra de suas jabuticabas anômalas: as estratosféricas taxas de juros, que o Copom deve manter intocadas em reunião que acontece hoje, justamente em razão da ainda indômita alta dos preços. Como se vê, sem nenhuma dificuldade, os desequilíbrios legados pela irresponsabilidade petista ainda nos custam e nos custarão muito caro.
sábado, 7 de maio de 2016
Dinheiro curto
A crise econômica se manifesta da maneira mais comezinha na falta de dinheiro no bolso. Com desemprego, recessão e inflação, está difícil os salários chegarem ao fim do mês. Para quem tem algum guardado, a saída tem sido avançar na poupança depositada no banco. O país precisa urgentemente voltar a crescer para começar a virar esta página.
Embora tenha amenizado a alta nas últimas semanas, a inflação continua sem dar trégua. Em abril, o IPCA chegou a 0,61%, conforme divulgado nesta manhã pelo IBGE. O índice superou o de março (0,43%) e veio acima de todas as estimativas divulgadas na véspera pelo Valor Econômico. No acumulado em 12 meses, o IPCA encontra-se agora em 9,28%.
Em abril, pesaram justamente os itens que impactam mais diretamente no dia a dia das pessoas. Alimentação e bebidas subiram mais de 1%, repetindo a forte alta dos últimos meses – no acumulado em um ano, os aumentos atingem 13,4%. Gastos com saúde e cuidados pessoais foram os outros vilões de abril, com aumento de 2,3% no mês. Está caro comer, beber e ficar doente no Brasil.
Segundo o Banco Central, a única esperança de que a carestia não continue a avançar é, infelizmente, a recessão. Com menos dinheiro na carteira, o consumidor compra menos e o comerciante e o prestador de serviços se vêm obrigados a baixar seus preços. O desemprego em alta também cuida de frear o consumo e, assim, esfriar a produção, gerando novos cortes de postos de trabalho. Um triste ciclo vicioso.
Para fazer frente às despesas que não cessam, os brasileiros estão sendo obrigados a torrar suas poupanças. Ontem o Banco Central informou que em abril, novamente, os saques superaram os depósitos. Desta vez em R$ 8,2 bilhões. Foi o pior resultado para o mês em 21 anos. Há quatro meses o patrimônio das poupanças vem diminuindo e já encolheu 2,5% neste ano.
Desde o início de 2015, as cadernetas foram esvaziadas em R$ 85 bilhões (perda líquida), uma sangria nunca antes vista neste país. Nestes 16 meses, em apenas uma ocasião (dezembro passado) o saldo da movimentação das poupanças não foi negativo. Só o dinheiro suado das economias é quem tem conseguido salvar os brasileiros.
O mal-estar que ronda a vida dos brasileiros assolados pela crise econômica pode ser sintetizado no chamado índice de desconforto. Computado pelo Banco Fibra, soma a taxa de inflação à do desemprego para tentar expressar os estragos que a economia em baixa causa no dia a dia das pessoas. O percentual chega hoje a 21%, o maior desde 2012.
É este desalento de ponta a ponta que terá de ser enfrentado pelo governo que assume o país na próxima semana. Para vencer o desafio, é imperativo que uma agenda de reformas que oxigenem o ambiente econômico e façam voltar a girar a roda dos investimentos seja implementada. Os brasileiros irão comemorar, e agradecer.
Embora tenha amenizado a alta nas últimas semanas, a inflação continua sem dar trégua. Em abril, o IPCA chegou a 0,61%, conforme divulgado nesta manhã pelo IBGE. O índice superou o de março (0,43%) e veio acima de todas as estimativas divulgadas na véspera pelo Valor Econômico. No acumulado em 12 meses, o IPCA encontra-se agora em 9,28%.
Em abril, pesaram justamente os itens que impactam mais diretamente no dia a dia das pessoas. Alimentação e bebidas subiram mais de 1%, repetindo a forte alta dos últimos meses – no acumulado em um ano, os aumentos atingem 13,4%. Gastos com saúde e cuidados pessoais foram os outros vilões de abril, com aumento de 2,3% no mês. Está caro comer, beber e ficar doente no Brasil.
Segundo o Banco Central, a única esperança de que a carestia não continue a avançar é, infelizmente, a recessão. Com menos dinheiro na carteira, o consumidor compra menos e o comerciante e o prestador de serviços se vêm obrigados a baixar seus preços. O desemprego em alta também cuida de frear o consumo e, assim, esfriar a produção, gerando novos cortes de postos de trabalho. Um triste ciclo vicioso.
Para fazer frente às despesas que não cessam, os brasileiros estão sendo obrigados a torrar suas poupanças. Ontem o Banco Central informou que em abril, novamente, os saques superaram os depósitos. Desta vez em R$ 8,2 bilhões. Foi o pior resultado para o mês em 21 anos. Há quatro meses o patrimônio das poupanças vem diminuindo e já encolheu 2,5% neste ano.
Desde o início de 2015, as cadernetas foram esvaziadas em R$ 85 bilhões (perda líquida), uma sangria nunca antes vista neste país. Nestes 16 meses, em apenas uma ocasião (dezembro passado) o saldo da movimentação das poupanças não foi negativo. Só o dinheiro suado das economias é quem tem conseguido salvar os brasileiros.
O mal-estar que ronda a vida dos brasileiros assolados pela crise econômica pode ser sintetizado no chamado índice de desconforto. Computado pelo Banco Fibra, soma a taxa de inflação à do desemprego para tentar expressar os estragos que a economia em baixa causa no dia a dia das pessoas. O percentual chega hoje a 21%, o maior desde 2012.
É este desalento de ponta a ponta que terá de ser enfrentado pelo governo que assume o país na próxima semana. Para vencer o desafio, é imperativo que uma agenda de reformas que oxigenem o ambiente econômico e façam voltar a girar a roda dos investimentos seja implementada. Os brasileiros irão comemorar, e agradecer.
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Governo Padrão 10
No seu apagar das luzes, a gestão da presidente Dilma Rousseff enfileira recordes, todos inglórios. É uma espécie de “governo padrão 10”, mas, infelizmente, sempre no campo negativo. Nunca antes na história tantos indicadores estiveram tão ruins, desenhando a pior recessão já vivida pelos brasileiros.
A principal marca do “governo padrão 10” é o desemprego. Já são 10 milhões de brasileiros sem trabalho e uma taxa de desocupação acima de 10%, segundo aferiu o IBGE com base no comportamento do mercado no trimestre terminado em fevereiro. O Brasil tornou-se detentor do triste título de país que mais gera desempregados em todo o mundo.
Também em torno de 10% ronda atualmente a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Apenas em março, os índices de preço desceram levemente abaixo da casa dos dois dígitos, menos por êxito da política de combate à carestia e muito mais em função da recessão, que freia o consumo e obriga empresas e comerciantes a baixarem preços.
Consequência direta da falta de emprego e do dinheiro mais curto no bolso, os brasileiros estão ficando mais pobres. A renda per capita da população já caiu dois anos seguidos desde 2014 e a queda deve superar os 10% até o fim deste ano. Alguma recuperação de tamanha perda só é vislumbrada no fim da atual década.
Como se não bastasse, o cabalístico número dez também dizima as contas públicas sob o governo Dilma. O déficit nominal do governo central encontra-se atualmente próximo de sua máxima histórica e alcança inacreditáveis 10,75% do PIB. Traduzido em moeda sonante, isso equivale a um rombo de R$ 638 bilhões no acumulado em 12 meses, algo nunca antes visto.
Para coroar o desfecho da nefasta experiência petista no poder, o país deve experimentar quatro anos de queda e estagnação do PIB, que, acumulados, deverão resultar num retrocesso da nossa economia em torno 10% entre os anos 2014 e 2017. Com Lula e Dilma, o Brasil tornou-se um dos países que menos crescem no mundo e o lanterna da América Latina, junto com a penumbrosa Venezuela.
O novo governo que assumirá com o afastamento da petista precisa adotar uma agenda nova e radicalmente oposta à que vigorou nos últimos anos para tentar reverter o quadro. De qualquer forma, qualquer recuperação não serão nada fácil, dada a desastrosa herança que o PT legará a seu sucessor.
O Brasil tem condições de deixar para trás o padrão ruinoso que predominou nos últimos anos e voltar a ser um país nota 10, desde que torne a incentivar os investimentos, motor da geração de renda e empregos. Também é fundamental abdicar da danosa intervenção estatal que vigorou nos últimos anos e esfrangalhou nossa economia. Confiança e credibilidade serão os propulsores da desejada mudança.
A principal marca do “governo padrão 10” é o desemprego. Já são 10 milhões de brasileiros sem trabalho e uma taxa de desocupação acima de 10%, segundo aferiu o IBGE com base no comportamento do mercado no trimestre terminado em fevereiro. O Brasil tornou-se detentor do triste título de país que mais gera desempregados em todo o mundo.
Também em torno de 10% ronda atualmente a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Apenas em março, os índices de preço desceram levemente abaixo da casa dos dois dígitos, menos por êxito da política de combate à carestia e muito mais em função da recessão, que freia o consumo e obriga empresas e comerciantes a baixarem preços.
Consequência direta da falta de emprego e do dinheiro mais curto no bolso, os brasileiros estão ficando mais pobres. A renda per capita da população já caiu dois anos seguidos desde 2014 e a queda deve superar os 10% até o fim deste ano. Alguma recuperação de tamanha perda só é vislumbrada no fim da atual década.
Como se não bastasse, o cabalístico número dez também dizima as contas públicas sob o governo Dilma. O déficit nominal do governo central encontra-se atualmente próximo de sua máxima histórica e alcança inacreditáveis 10,75% do PIB. Traduzido em moeda sonante, isso equivale a um rombo de R$ 638 bilhões no acumulado em 12 meses, algo nunca antes visto.
Para coroar o desfecho da nefasta experiência petista no poder, o país deve experimentar quatro anos de queda e estagnação do PIB, que, acumulados, deverão resultar num retrocesso da nossa economia em torno 10% entre os anos 2014 e 2017. Com Lula e Dilma, o Brasil tornou-se um dos países que menos crescem no mundo e o lanterna da América Latina, junto com a penumbrosa Venezuela.
O novo governo que assumirá com o afastamento da petista precisa adotar uma agenda nova e radicalmente oposta à que vigorou nos últimos anos para tentar reverter o quadro. De qualquer forma, qualquer recuperação não serão nada fácil, dada a desastrosa herança que o PT legará a seu sucessor.
O Brasil tem condições de deixar para trás o padrão ruinoso que predominou nos últimos anos e voltar a ser um país nota 10, desde que torne a incentivar os investimentos, motor da geração de renda e empregos. Também é fundamental abdicar da danosa intervenção estatal que vigorou nos últimos anos e esfrangalhou nossa economia. Confiança e credibilidade serão os propulsores da desejada mudança.
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