Os cem primeiros dias de governo podem ser apenas uma efeméride boboca, quase sem sentido, dado o tempo exíguo em relação aos anos de mandato. Mas servem para que o governante mostre seu cartão de visitas e, quando é o caso, reavalie rumos trilhados no início da arrancada. É o que deveria fazer o governo do presidente Jair Bolsonaro.
Até agora, a nova administração dilapidou tempo precioso, que deveria ter sido empregado para acelerar a necessária e desejável agenda de reformas estruturantes com a qual Bolsonaro pretende marcar sua passagem pelo poder. Em circunstâncias assim, o período inaugural de gestão é ainda mais valioso.
Não adianta ficar alegando – e seus seguidores reproduzindo o argumento em redes sociais – que o tempo até agora foi curto para remediar a herança maldita de três mandatos e meio do PT. Ninguém tem dúvida disso. Mas os dias iniciais são aqueles em que o governo entrante tem melhores condições de fazer o que bem entende. Não é exagero dizer que a atual gestão desperdiçou-os quase integralmente.
Seus dois grandes, e únicos, feitos até agora foram os envios da proposta de emenda constitucional que muda a Previdência e o projeto de lei com o chamado pacote anticrime. Uma coisa, porém, é apresentá-los ao Congresso e outra, bem mais árdua, é defendê-los da pancadaria e fazê-los aprovar por deputados e senadores. É o que cabe ao presidente conseguir agora.
O momento é propício para Bolsonaro realinhar estratégias e direcionar seus maiores esforços para o que o país realmente necessita: garantir a sobriedade das contas públicas para fincar alicerces firmes que permitam à nossa economia voltar a crescer com força e, assim, gerar empregos e oportunidades para os 13,1 milhões de desocupados atuais.
Neste sentido, duas pesquisas de opinião divulgadas desde domingo reforçam alertas ao presidente da República.
O Datafolha mostrou-o como o mandatário mais mal avaliado num início de mandato desde a redemocratização (não existem pesquisas do instituto anteriores ao governo Collor). Na média, 30% classificam sua gestão até aqui como ruim ou péssima, ante 32% de ótimo e bom.
Mais significativo, contudo, é que as maiores rejeições ao governo estão entre os brasileiros com ensino superior (35% de ruim ou péssimo) e com renda acima de dez salários mínimos (37%). Ou seja, são, justamente, os estratos em que tendem a estar os tomadores de decisões, aqueles que vão resolver se apostam ou não dinheiro grosso num destino melhor para o país.
Num recorte mais específico, pesquisa da XP Investimentos divulgada na terça-feira mostrou o azedume dos deputados em relação ao novo governo. Entre fevereiro e agora, saltou de 12% para 55% o percentual de parlamentares que considera ruim ou péssima a relação entre a Câmara e o Palácio do Planalto. Só 16% a classificam como ótima ou boa.
O recado aqui é mais ou menos o mesmo da pesquisa do Datafolha: goste ou não o governo da “velha política”, é aos parlamentares que caberá aprovar ou não as propostas de Bolsonaro. Ele depende tanto dos investidores quanto dos votos dos representantes do povo para fazer seu governo deslanchar. Sem eles, sem chance.
O alento é que, desde a semana passada, o presidente fez importante inflexão no seu modo de ser e abriu seu gabinete para, pela primeira vez em três meses, receber lideranças partidárias. Demorou. É assim que se governa: ouvindo e conversando com todos para buscar as melhores soluções, ainda mais fundamentais num país em estado de penúria como ainda se encontra o Brasil.
Espera-se que Jair Bolsonaro persevere nesta trilha e desista de dobrar apostas em pautas ideológicas (e inócuas) que só servem para agradar à militância mais fanática do ex-capitão do Exército. A escolha do novo ministro da Educação e a razia na Apex, tomada pelo bolsonarismo mais rastaquera, não foram auspiciosas neste sentido.
Se enveredar pelo caminho do dogmatismo e da radicalização, o presidente corre risco de ver as curvas de aprovação e desaprovação de seu governo cruzarem-se. Quando isso acontece, os analistas de pesquisas costumam dizer que a boca do jacaré se abriu – e seu destino, quase sempre, é engolir o governante.
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
quarta-feira, 18 de abril de 2018
O centro desabitado
A pesquisa divulgada no domingo pelo Datafolha permite vislumbrar alguma perspectiva na corrida eleitoral que se aproxima. Longe de ser um cenário perene, posto que com muitas candidaturas capengas, traz contornos um pouco mais nítidos para delimitar os campos ideológicos em disputa.
Há maior clareza nos extremos e uma enorme incógnita no centro. Isso tende a obrigar uma definição mais célere das alternativas que pretendem ocupar este espectro político, sob risco de ver nacos dele engolidos de forma oportunista pelos antagonistas situados em cada uma das pontas.
Dizia-se até pouco tempo que, na corrida eleitoral que se avizinha, o centro político está congestionado. Mais correto seria dizer, com base na pesquisa desta semana, que ele é um vazio a ser habitado por alguma candidatura mais consistente e mais condizente com a gravidade do momento atual.
A miríade de alternativas ditas centristas claramente não se sustentará e irá minguar daqui até a eleição. Até por razões financeiras. Partidos pragmáticos como MDB e em ascensão parlamentar como o DEM não vão torrar dezenas de milhões de reais – o limite são R$ 70 milhões no primeiro turno – apenas para que seus candidatos façam figuração na eleição.
Caricaturas como as apresentadas pelo PRB, pelo PSC, pelo Solidariedade, pelo Novo, por mais bem intencionadas, e até qualificadas, provavelmente passarão em branco na luta pelo voto liberal-conservador não radical.
Resta o PSDB. Seja pela tradição ou pela densidade eleitoral que ainda conserva, o partido ainda tem condições de galgar o espaço que está aberto e assegurar sua vaga no segundo turno. Vai precisar, contudo, de postura diferente da que vem assumindo.
O que parece estar claro é que o eleitorado exige do próximo presidente que assuma posições claras, tome atitudes inequívocas, compre as brigas necessárias para demonstrar sua firme disposição de mudar o estado de coisas em que o país ainda encontra-se afundado. Até porque, com ou sem Lula, o lulismo e o petismo ainda serão atores relevantes desta eleição – e provavelmente de muitas outras.
Não é por outra razão que uma parte significativa de brasileiros se seduz pelo canto da sereia de um ex-capitão do Exército que encarnou o antipetismo e vive a prometer o que os mais conservadores gostam de ouvir. Seu problema, contudo, é que suas ideias não correspondem aos fatos, tampouco aos atos de sua longa trajetória de político.
O maior risco do centro viável é ver-se tentado a mimetizar-se com o espectro ideológico mais à esquerda – este, sim, um campo já congestionado pelas candidaturas da Rede, do PDT e do PSB. São três forças com potencial que podem se parasitar e inviabilizar-se mutuamente, numa disputa tão fragmentada.
Se souber evitar estes caminhos enganosos, o centro tem uma avenida aberta diante de si. Precisa ter a virtude da temperança, da busca de entendimento amplo, mas não pode furtar-se a travar o combate e a denúncia dos erros que levaram o país a estar no fosso em que está. Não se superará a crise passando uma borracha no passado recente.
Uma boa alternativa de centro também precisará demonstrar que, ao contrário da maior parte de seus adversários, tem competência e experiência comprovadas. Necessitará transmitir à população que pensa, sente e age como o brasileiro comum, que experimenta na pele a dificuldade que é viver no Brasil atual. E, sobretudo, que tem a convicção necessária para mudar o país.
Há maior clareza nos extremos e uma enorme incógnita no centro. Isso tende a obrigar uma definição mais célere das alternativas que pretendem ocupar este espectro político, sob risco de ver nacos dele engolidos de forma oportunista pelos antagonistas situados em cada uma das pontas.
Dizia-se até pouco tempo que, na corrida eleitoral que se avizinha, o centro político está congestionado. Mais correto seria dizer, com base na pesquisa desta semana, que ele é um vazio a ser habitado por alguma candidatura mais consistente e mais condizente com a gravidade do momento atual.
A miríade de alternativas ditas centristas claramente não se sustentará e irá minguar daqui até a eleição. Até por razões financeiras. Partidos pragmáticos como MDB e em ascensão parlamentar como o DEM não vão torrar dezenas de milhões de reais – o limite são R$ 70 milhões no primeiro turno – apenas para que seus candidatos façam figuração na eleição.
Caricaturas como as apresentadas pelo PRB, pelo PSC, pelo Solidariedade, pelo Novo, por mais bem intencionadas, e até qualificadas, provavelmente passarão em branco na luta pelo voto liberal-conservador não radical.
Resta o PSDB. Seja pela tradição ou pela densidade eleitoral que ainda conserva, o partido ainda tem condições de galgar o espaço que está aberto e assegurar sua vaga no segundo turno. Vai precisar, contudo, de postura diferente da que vem assumindo.
O que parece estar claro é que o eleitorado exige do próximo presidente que assuma posições claras, tome atitudes inequívocas, compre as brigas necessárias para demonstrar sua firme disposição de mudar o estado de coisas em que o país ainda encontra-se afundado. Até porque, com ou sem Lula, o lulismo e o petismo ainda serão atores relevantes desta eleição – e provavelmente de muitas outras.
Não é por outra razão que uma parte significativa de brasileiros se seduz pelo canto da sereia de um ex-capitão do Exército que encarnou o antipetismo e vive a prometer o que os mais conservadores gostam de ouvir. Seu problema, contudo, é que suas ideias não correspondem aos fatos, tampouco aos atos de sua longa trajetória de político.
O maior risco do centro viável é ver-se tentado a mimetizar-se com o espectro ideológico mais à esquerda – este, sim, um campo já congestionado pelas candidaturas da Rede, do PDT e do PSB. São três forças com potencial que podem se parasitar e inviabilizar-se mutuamente, numa disputa tão fragmentada.
Se souber evitar estes caminhos enganosos, o centro tem uma avenida aberta diante de si. Precisa ter a virtude da temperança, da busca de entendimento amplo, mas não pode furtar-se a travar o combate e a denúncia dos erros que levaram o país a estar no fosso em que está. Não se superará a crise passando uma borracha no passado recente.
Uma boa alternativa de centro também precisará demonstrar que, ao contrário da maior parte de seus adversários, tem competência e experiência comprovadas. Necessitará transmitir à população que pensa, sente e age como o brasileiro comum, que experimenta na pele a dificuldade que é viver no Brasil atual. E, sobretudo, que tem a convicção necessária para mudar o país.
terça-feira, 27 de junho de 2017
A Temer o que é de Temer
A mais recente rodada de pesquisa de opinião feita pelo Datafolha consagra Michel Temer como o mais impopular presidente da República em quase três décadas. A avaliação pode ter lá suas razões, mas é mais impiedosa do que ele merece. O peemedebista paga por pecados que cometeu, mas também é reprovado, em boa medida, pela cruz que o PT deixou para ele carregar.
Na voragem como os fatos vêm se sucedendo no Brasil, parece um século, mas Temer está no comando da nação há apenas um ano, um mês e 14 dias. O que é possível consertar num espaço tão curto de tempo? Bem pouco. Depois da devastação de 13 anos de petismo, menos ainda. Mesmo assim, parte relevante ele conseguiu endireitar.
É meritório o bom trabalho feito no controle da inflação, que, depois de anos incomodando, caminha agora para completar o ciclo virtuoso inaugurado em 1994 com o Plano Real e que esteve sempre ameaçado pela leniência petista.
Também merece comemoração a redução da taxa básica de juros, processo ainda não finalizado, dada a exorbitância em que a Selic esteve até outubro passado. A depender do comportamento fiscal, o país pode rumar finalmente para condições dignas de uma economia minimamente equilibrada, e não a anomalia com a qual há anos convivemos.
No campo estrutural, a imposição do necessário teto para os gastos públicos equivale a uma reforma orçamentária como o país passou anos sem ver. A mudança na legislação trabalhista atualiza um caquético arcabouço que perdeu seu sentido mais de sete décadas depois de criado. E a previdenciária é o vespeiro que todos evitam, mas se torna cada vez mais imperativa, a despeito da gritaria populista e corporativista contrária.
Estes os avanços obtidos pelo governo de Michel Temer até agora. Não são poucos e são significativos.
Mas o atual presidente também tem suas falhas. Seu governo não tem brilho. Formado para garantir votos no Congresso, inaugura uma fase que ele próprio definiu como “semipresidencialista” nas relações entre os poderes. Sua equipe, para além do bem azeitado time econômico, tem poucas vozes dignas de respeito.
Temer também paga por não ter dado cabo a práticas condenáveis adotadas pelo partido do qual o PMDB foi sócio durante 13 anos. Talvez seja este seu maior pecado: não ter conseguido até agora mostrar-se muito diferente dos governos que o antecederam naquilo que tiveram de mais deplorável – a corrupção.
O presidente deve responder pelos equívocos que cometeu. Mas não é justo imputar a ele a responsabilidade por erros alheios. É o caso da difícil situação em que o país ainda se encontra – e por muito tempo ainda se encontrará – na economia. O desastre tem nome e sobrenome: Partido dos Trabalhadores.
Quem pôs 12 milhões de pessoas na rua foram as políticas do PT. Quem promoveu o maior assalto aos cofres públicos da história foi o PT. Quem patrocinou a pior recessão que a economia nacional já viveu foi o PT. Quem empobreceu as famílias brasileiras em mais de 10% no curto espaço de três anos foi o PT.
A avaliação crítica de Michel Temer deve ser equilibrada e justa até para que os verdadeiros responsáveis pela destruição do Brasil não apareçam de vítimas na história e, pior ainda, ganhem nova chance para acabar de afundar de vez o país, como permite antever outra nova rodada de pesquisa de intenção de votos que o Datafolha publica hoje.
A Temer o que é de Temer: que ele pague pelos erros em que incorreu, mas não pelos crimes alheios. É ao PT que cabe a real culpa por ter transformado o Brasil na ruína em que se transformou, tanto no campo econômico quanto no da ética pública. É só ao PT que interessa que Michel Temer se transforme no bode expiatório de toda a imensa crise que o país ainda atravessa.
Na voragem como os fatos vêm se sucedendo no Brasil, parece um século, mas Temer está no comando da nação há apenas um ano, um mês e 14 dias. O que é possível consertar num espaço tão curto de tempo? Bem pouco. Depois da devastação de 13 anos de petismo, menos ainda. Mesmo assim, parte relevante ele conseguiu endireitar.
É meritório o bom trabalho feito no controle da inflação, que, depois de anos incomodando, caminha agora para completar o ciclo virtuoso inaugurado em 1994 com o Plano Real e que esteve sempre ameaçado pela leniência petista.
Também merece comemoração a redução da taxa básica de juros, processo ainda não finalizado, dada a exorbitância em que a Selic esteve até outubro passado. A depender do comportamento fiscal, o país pode rumar finalmente para condições dignas de uma economia minimamente equilibrada, e não a anomalia com a qual há anos convivemos.
No campo estrutural, a imposição do necessário teto para os gastos públicos equivale a uma reforma orçamentária como o país passou anos sem ver. A mudança na legislação trabalhista atualiza um caquético arcabouço que perdeu seu sentido mais de sete décadas depois de criado. E a previdenciária é o vespeiro que todos evitam, mas se torna cada vez mais imperativa, a despeito da gritaria populista e corporativista contrária.
Estes os avanços obtidos pelo governo de Michel Temer até agora. Não são poucos e são significativos.
Mas o atual presidente também tem suas falhas. Seu governo não tem brilho. Formado para garantir votos no Congresso, inaugura uma fase que ele próprio definiu como “semipresidencialista” nas relações entre os poderes. Sua equipe, para além do bem azeitado time econômico, tem poucas vozes dignas de respeito.
Temer também paga por não ter dado cabo a práticas condenáveis adotadas pelo partido do qual o PMDB foi sócio durante 13 anos. Talvez seja este seu maior pecado: não ter conseguido até agora mostrar-se muito diferente dos governos que o antecederam naquilo que tiveram de mais deplorável – a corrupção.
O presidente deve responder pelos equívocos que cometeu. Mas não é justo imputar a ele a responsabilidade por erros alheios. É o caso da difícil situação em que o país ainda se encontra – e por muito tempo ainda se encontrará – na economia. O desastre tem nome e sobrenome: Partido dos Trabalhadores.
Quem pôs 12 milhões de pessoas na rua foram as políticas do PT. Quem promoveu o maior assalto aos cofres públicos da história foi o PT. Quem patrocinou a pior recessão que a economia nacional já viveu foi o PT. Quem empobreceu as famílias brasileiras em mais de 10% no curto espaço de três anos foi o PT.
A avaliação crítica de Michel Temer deve ser equilibrada e justa até para que os verdadeiros responsáveis pela destruição do Brasil não apareçam de vítimas na história e, pior ainda, ganhem nova chance para acabar de afundar de vez o país, como permite antever outra nova rodada de pesquisa de intenção de votos que o Datafolha publica hoje.
A Temer o que é de Temer: que ele pague pelos erros em que incorreu, mas não pelos crimes alheios. É ao PT que cabe a real culpa por ter transformado o Brasil na ruína em que se transformou, tanto no campo econômico quanto no da ética pública. É só ao PT que interessa que Michel Temer se transforme no bode expiatório de toda a imensa crise que o país ainda atravessa.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015
A verdadeira herança maldita
Num país com carências monumentais como as que tem o Brasil, saúde, educação, segurança e saneamento, para ficar apenas nos exemplos mais gritantes, deveriam figurar no topo das preocupações dos cidadãos. Mas os governos petistas roubaram tanto que conseguiram fazer com que a corrupção fosse alçada à condição de maior problema nacional.
A constatação está em nova pesquisa feita pelo Datafolha divulgada neste fim de semana: 34% dos brasileiros apontam a corrupção como principal problema do país atualmente. Nos quase 20 anos em que o instituto mede o humor da população, isso nunca havia acontecido.
Até o início do atual governo, a corrupção jamais alcançara mais de um dígito nas menções de entrevistados pelo Datafolha. Dilma Rousseff conseguiu praticamente quadruplicar o percentual dos que apontam a roubalheira como maior preocupação no país hoje.
A população se deu conta que o dinheiro que falta para manter os benefícios sociais, para melhorar os serviços públicos e para tentar dar algum vigor à moribunda economia brasileira é o mesmo que está sendo descoberto no caixa do PT e de seus aliados políticos, no bolso de políticos e autoridades corrompidas e nos contratos bilionários de empreiteiras.
Os brasileiros parecem determinados a extirpar o câncer pela raiz. No mesmo levantamento, o Datafolha constatou que 65% consideram que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a presidente e 62% acham que Dilma deveria abreviar o calvário a que submete o país e renunciar ao cargo. O governo continua rejeitado por 67% da população.
É salutar que os cidadãos se mostrem tão críticos e ativos em relação ao país. Até porque, embora a corrupção tenha escalado posições e chegado ao topo, os demais problemas mantêm-se intocados, agora agravados pela crise econômica e social. Saúde, desemprego, educação e violência continuam atormentando os brasileiros.
Além disso, prevalece um clima de desânimo e de desalento em relação ao futuro do país. Três em cada quatro brasileiros apostam que tanto a inflação quanto o desemprego irão aumentar nos próximos meses. A realidade é que ninguém consegue enxergar horizonte num país onde o governo sequer dá conta do presente.
A verdadeira herança da passagem do PT pelo poder será a leniência com que o partido que se notabilizou pelo mensalão e agora pelo petrolão sempre tratou a roubalheira e a corrupção, tentando transformá-los em meros “malfeitos”. Os brasileiros se fartaram disso e estão percebendo que o país não sairá do lugar enquanto não se livrar de um mal cujas ramificações a cada dia chegam mais longe.
A constatação está em nova pesquisa feita pelo Datafolha divulgada neste fim de semana: 34% dos brasileiros apontam a corrupção como principal problema do país atualmente. Nos quase 20 anos em que o instituto mede o humor da população, isso nunca havia acontecido.
Até o início do atual governo, a corrupção jamais alcançara mais de um dígito nas menções de entrevistados pelo Datafolha. Dilma Rousseff conseguiu praticamente quadruplicar o percentual dos que apontam a roubalheira como maior preocupação no país hoje.
A população se deu conta que o dinheiro que falta para manter os benefícios sociais, para melhorar os serviços públicos e para tentar dar algum vigor à moribunda economia brasileira é o mesmo que está sendo descoberto no caixa do PT e de seus aliados políticos, no bolso de políticos e autoridades corrompidas e nos contratos bilionários de empreiteiras.
Os brasileiros parecem determinados a extirpar o câncer pela raiz. No mesmo levantamento, o Datafolha constatou que 65% consideram que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a presidente e 62% acham que Dilma deveria abreviar o calvário a que submete o país e renunciar ao cargo. O governo continua rejeitado por 67% da população.
É salutar que os cidadãos se mostrem tão críticos e ativos em relação ao país. Até porque, embora a corrupção tenha escalado posições e chegado ao topo, os demais problemas mantêm-se intocados, agora agravados pela crise econômica e social. Saúde, desemprego, educação e violência continuam atormentando os brasileiros.
Além disso, prevalece um clima de desânimo e de desalento em relação ao futuro do país. Três em cada quatro brasileiros apostam que tanto a inflação quanto o desemprego irão aumentar nos próximos meses. A realidade é que ninguém consegue enxergar horizonte num país onde o governo sequer dá conta do presente.
A verdadeira herança da passagem do PT pelo poder será a leniência com que o partido que se notabilizou pelo mensalão e agora pelo petrolão sempre tratou a roubalheira e a corrupção, tentando transformá-los em meros “malfeitos”. Os brasileiros se fartaram disso e estão percebendo que o país não sairá do lugar enquanto não se livrar de um mal cujas ramificações a cada dia chegam mais longe.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A pior da história
Quando o assunto é Dilma Rousseff e o governo do PT, nada é tão ruim que não possa piorar. A petista ostenta agora o título de presidente da República mais mal avaliada, mais rejeitada e, por que não dizer, mais odiada da história brasileira. Sua ficha de serviços prestados à nação justifica com sobras a baixa popularidade.
Segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 71% dos brasileiros consideram o governo atual ruim ou péssimo. Nem Fernando Collor às vésperas do impeachment foi tão rejeitado. Na ponta oposta, apenas 8% ainda avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Nunca tão poucos foram favoráveis a um governo.
A ojeriza a Dilma é ampla, geral e praticamente irrestrita. Em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todas as idades, a presidente é majoritariamente rejeitada. Na média e em todos os estratos, dois de cada três brasileiros rechaçam o governo dela – no Nordeste, a desaprovação chega a 66%; entre os mais pobres, alcança 69%. Este beco parece não vislumbrar saída.
O Datafolha perguntou a 3,3 mil brasileiros se consideram que o Congresso deve abrir processo de impeachment da presidente. 66% responderam que sim, com alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em abril. 38% creem que Dilma será afastada do cargo – eram 29% há quatro meses.
Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja inteiramente responsável pelo inferno em que se encontra. O desastre foi ela quem lavrou. Esta erva daninha, foi ela quem semeou.
A crise econômica é fruto de escolhas equivocadas que ela aprofundou – e produzirá dois anos de recessão, como não ocorria no país desde a Grande Depressão, nos anos 1930. A desagregação política decorre da arrogância com que Dilma tentou administrar o país. A conflagração social é o estuário dramático de mentiras e erros cometidos em série.
Nem seus pares veem na presidente condições de superar as dificuldades. Como quem não enxerga na petista a líder que o momento clama, o vice-presidente está em busca de “alguém (que) tenha capacidade de reunificar a todos”. Até Lula parece entregar os pontos: nem uma improvável recuperação econômica é capaz de salvar Dilma e seu partido.
A crise aumenta de tamanho a cada mês, a cada semana, a cada dia. Pode ficar “desagradável”, no dizer de Michel Temer, para quem, duas semanas atrás, só havia uma “crisezinha”. Não: já está bem pior que desagradável. Quem trabalha, quem produz e quem investe no país – ou pelo menos tenta – sabe bem disso.
Nesta noite de quinta-feira, a legenda que produziu esta desestruturação e a chefe de governo que a levou ao paroxismo irão à TV defender seu projeto. Serão recebidos com a trilha sonora de milhões de panelas país afora, em repúdio à presidente da República e ao partido que têm muito a pagar e nada mais a oferecer ao país e aos brasileiros.
Segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 71% dos brasileiros consideram o governo atual ruim ou péssimo. Nem Fernando Collor às vésperas do impeachment foi tão rejeitado. Na ponta oposta, apenas 8% ainda avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Nunca tão poucos foram favoráveis a um governo.
A ojeriza a Dilma é ampla, geral e praticamente irrestrita. Em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todas as idades, a presidente é majoritariamente rejeitada. Na média e em todos os estratos, dois de cada três brasileiros rechaçam o governo dela – no Nordeste, a desaprovação chega a 66%; entre os mais pobres, alcança 69%. Este beco parece não vislumbrar saída.
O Datafolha perguntou a 3,3 mil brasileiros se consideram que o Congresso deve abrir processo de impeachment da presidente. 66% responderam que sim, com alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em abril. 38% creem que Dilma será afastada do cargo – eram 29% há quatro meses.
Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja inteiramente responsável pelo inferno em que se encontra. O desastre foi ela quem lavrou. Esta erva daninha, foi ela quem semeou.
A crise econômica é fruto de escolhas equivocadas que ela aprofundou – e produzirá dois anos de recessão, como não ocorria no país desde a Grande Depressão, nos anos 1930. A desagregação política decorre da arrogância com que Dilma tentou administrar o país. A conflagração social é o estuário dramático de mentiras e erros cometidos em série.
Nem seus pares veem na presidente condições de superar as dificuldades. Como quem não enxerga na petista a líder que o momento clama, o vice-presidente está em busca de “alguém (que) tenha capacidade de reunificar a todos”. Até Lula parece entregar os pontos: nem uma improvável recuperação econômica é capaz de salvar Dilma e seu partido.
A crise aumenta de tamanho a cada mês, a cada semana, a cada dia. Pode ficar “desagradável”, no dizer de Michel Temer, para quem, duas semanas atrás, só havia uma “crisezinha”. Não: já está bem pior que desagradável. Quem trabalha, quem produz e quem investe no país – ou pelo menos tenta – sabe bem disso.
Nesta noite de quinta-feira, a legenda que produziu esta desestruturação e a chefe de governo que a levou ao paroxismo irão à TV defender seu projeto. Serão recebidos com a trilha sonora de milhões de panelas país afora, em repúdio à presidente da República e ao partido que têm muito a pagar e nada mais a oferecer ao país e aos brasileiros.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Dilma no volume morto
Não importa o grupo social, não importa a faixa de renda ou a região de domicílio. Pelo país afora, independente do recorte estatístico, pelo menos seis de cada dez brasileiros reprovam o governo da presidente Dilma Rousseff. As péssimas condições da economia sugerem que a situação ainda vai piorar para a petista.
A reprovação a Dilma voltou a subir e agora 65% dos brasileiros consideram que a presidente faz um governo ruim ou péssimo, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no domingo. Na ponta de baixo, somente um em cada dez brasileiros aprova o jeito de a petista agir, avaliando sua gestão como ótima ou boa.
Os brasileiros sentem-se enganados pela presidente que prometeu um mundo cor de rosa na campanha eleitoral e está patrocinando um dos períodos mais atordoantes da história recente do país. Estamos sendo intoxicados por uma mistura de recessão brava, inflação e desemprego, sem falar na sufocante corrupção.
O futuro é sombrio. Apenas 19% ainda creem que a situação econômica vai melhorar, ante 53% que consideram que piorará. Nos detalhes, o pessimismo com as perspectivas do país é bem mais expressivo: 73% acham que o desemprego vai aumentar ainda mais e 77% avaliam que a inflação continuará subindo. Infelizmente, podem ter razão.
A impopularíssima Dilma encontra-se em companhias nada notáveis. Seu índice de desaprovação é semelhante ao de Fernando Collor um pouquinho antes de ele ser ejetado do cargo de presidente sob a acusação de corrupção ou de José Sarney, no fim de um governo em que ninguém suportava mais o então mandatário.
As semelhanças entre o agora e o passado vão mais longe. Além de ser a presidente mais rejeitada da história desde Collor, Dilma promove o maior desemprego desde 1992, segundo números do Caged divulgados na sexta-feira – 244 mil vagas foram eliminadas no ano até agora. A inflação também é a mais alta em quase 20 anos.
Dilma é a encarnação da mentira, algo que nem seu tutor consegue mais disfarçar. Em conversa com religiosos na semana passada, Lula disse que a presidente, o PT e ele mesmo estão “no volume morto”, padecendo da reprovação generalizada da população.
A reprovação a Dilma voltou a subir e agora 65% dos brasileiros consideram que a presidente faz um governo ruim ou péssimo, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no domingo. Na ponta de baixo, somente um em cada dez brasileiros aprova o jeito de a petista agir, avaliando sua gestão como ótima ou boa.
Os brasileiros sentem-se enganados pela presidente que prometeu um mundo cor de rosa na campanha eleitoral e está patrocinando um dos períodos mais atordoantes da história recente do país. Estamos sendo intoxicados por uma mistura de recessão brava, inflação e desemprego, sem falar na sufocante corrupção.
O futuro é sombrio. Apenas 19% ainda creem que a situação econômica vai melhorar, ante 53% que consideram que piorará. Nos detalhes, o pessimismo com as perspectivas do país é bem mais expressivo: 73% acham que o desemprego vai aumentar ainda mais e 77% avaliam que a inflação continuará subindo. Infelizmente, podem ter razão.
A impopularíssima Dilma encontra-se em companhias nada notáveis. Seu índice de desaprovação é semelhante ao de Fernando Collor um pouquinho antes de ele ser ejetado do cargo de presidente sob a acusação de corrupção ou de José Sarney, no fim de um governo em que ninguém suportava mais o então mandatário.
As semelhanças entre o agora e o passado vão mais longe. Além de ser a presidente mais rejeitada da história desde Collor, Dilma promove o maior desemprego desde 1992, segundo números do Caged divulgados na sexta-feira – 244 mil vagas foram eliminadas no ano até agora. A inflação também é a mais alta em quase 20 anos.
Dilma é a encarnação da mentira, algo que nem seu tutor consegue mais disfarçar. Em conversa com religiosos na semana passada, Lula disse que a presidente, o PT e ele mesmo estão “no volume morto”, padecendo da reprovação generalizada da população.
Na sua pregação, ele admitiu que, na campanha, Dilma prometeu aos brasileiros uma coisa e fez outra. “Os tucanos sabiamente colocaram Dilma falando isso [no programa de TV] e dizendo que ela mente. Era uma coisa muito forte. E fiquei muito preocupado”.
A farsa eleitoral já foi amplamente caracterizada. A novidade é que nem o PT é mais capaz de negá-la. Quem sofre na pele e paga a fatura é a população, principalmente os mais pobres. Mas, felizmente, a hora do acerto de conta parece estar chegando. E não apenas para Dilma. Mas também para Lula e o PT. Já deu.
A farsa eleitoral já foi amplamente caracterizada. A novidade é que nem o PT é mais capaz de negá-la. Quem sofre na pele e paga a fatura é a população, principalmente os mais pobres. Mas, felizmente, a hora do acerto de conta parece estar chegando. E não apenas para Dilma. Mas também para Lula e o PT. Já deu.
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terça-feira, 14 de abril de 2015
A marcha da cidadania continua
Não importa quantos foram, o que conta é o sentimento, que permanece o mesmo. Indignação, repúdio e insatisfação em relação ao governo do PT levaram centenas de milhares de pessoas novamente às ruas neste domingo. A marcha da cidadania mantém-se ativa e pulsante.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
Os jornais de hoje sustentam que a adesão aos protestos de ontem foi menor que a de um mês atrás. É fato. Mas como menosprezar o sentimento de cerca de 700 mil pessoas que voltaram às ruas depois de terem protagonizado, apenas quatro semanas antes, a apoteose das mobilizações populares em mais de três décadas no país, com 2 milhões de brasileiros?
Se foram menos volumosos, os protestos se disseminaram, contudo. Informa O Globo que o número de cidades onde foram registrados atos aumentou de 147, em 15 de março, para 218 ontem. Alguns dos organizadores dizem ter registrado manifestações em 452 localidades.
O pessoal do governo deve ter ficado com água na boca. Para eles, pôr 700 mil pessoas na rua hoje, como fazem os movimentos de oposição a Dilma e ao PT, é sonho impossível. Haja vista o que aconteceu na terça-feira passada, quando a CUT e os satélites do PT não conseguiram levar nem 6 mil pessoas para manifestações chapa-branca.
Os brasileiros que ontem não voltaram às ruas provavelmente não mudaram em nada sua opinião sobre o governo da presidente Dilma. A vida cotidiana continua tão – na realidade, mais – difícil quanto um mês atrás. A rejeição e a indignação são as mesmas de um mês atrás.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, a desaprovação ao governo da petista mantém-se altíssima: 60%. Na ponta de baixo do gráfico, só 13% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. O quadro é praticamente o mesmo de um mês atrás, quando o instituto fora a campo pela última vez.
O que é novo, porém, é a opinião dos brasileiros sobre a possibilidade de impeachment da presidente. Segundo a mesma pesquisa, 63% consideram que, “com base em tudo o que se sabe até o momento sobre a Operação Lava Jato”, o Congresso deveria abrir processo para afastar a presidente do cargo. Para 57%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou rolar.
Ontem, o governo até tentou ensaiar alguma dignidade, eximindo-se de tentar apequenar as manifestações. Mas não deixou de buscar socializar o prejuízo, dizendo que o alvo dos protestos é a classe política em geral. Não: os alvos da repulsa são Dilma, Lula, o PT e sua forma suja de fazer política. Ou seja, os motivos para manter a marcha da cidadania ativa e operante continuam. Até que o Brasil mude.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Dilma derrete
Neste fim de verão, o sol já não brilha mais tão inclemente, mas Dilma Rousseff derrete a olhos vistos. A pesquisa do Datafolha publicada hoje a torna a presidente mais mal avaliada da história da República em época de normalidade democrática. Os brasileiros têm motivos de sobra para detestar a petista cada vez mais.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.
A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.
Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas – sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto – de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.
Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.
Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros.
Numa pesquisa interna da Secretaria de Comunicação, desde as eleições 32% mudaram de opinião negativamente em relação ao governo. Pelo Datafolha, a desaprovação da presidente subiu 42 pontos desde outubro passado.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a “guerrilha política” e seus “soldados” com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.
Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...
Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.
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Thomas Traumann
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Dias piores virão
A avaliação que os brasileiros fazem da situação econômica e social do país está degringolando a olhos vistos. Infelizmente, porém, o pior ainda está por vir. O quadro atual está distante do que deverá ocorrer no país nos próximos meses, quando as maldades do governo petista estiverem valendo de verdade.
Por ora, os brasileiros vivem a ressaca de uma eleição vencida à base de muita mentira, promessas frustradas e uma prática de governo diametralmente oposta à discurseira dos palanques. Desde a reeleição, lá se vão cento e poucos dias de desmentidos quase cotidianos às promessas de campanha. O povo não aceita.
O corte de benefícios sociais, o aumento de impostos e tarifas públicas, a alta dos juros e da inflação, a elevação do desemprego apenas começaram a despontar no horizonte. Só irão se manifestar com cores realmente fortes daqui a algumas semanas. Aí o que hoje está no campo das expectativas passará a ser constatação: a vida no país está mais difícil.
Se o governo avalia que sua situação atual é ruim, é melhor estar preparado para enfrentar a tormenta que virá. Enquanto para os petistas o que está em jogo é popularidade e preservação de um projeto político, para a população o buraco é muito mais embaixo: o que está ameaçada é a sobrevivência diária.
Não surpreende o pessimismo dos brasileiros. Crescimento, investimentos e consumo estão se retraindo. Diante da avalanche de corrupção, cresce a sensação de desalento. Na eleição, Dilma Rousseff dizia que tudo isso não passava de esperneio artificial da oposição.
O mau humor se nutre de uma realidade que se deteriora a olhos vistos. A inflação de janeiro passado foi a maior em 12 anos e as previsões para este ano pioram a cada semana. Os prognósticos para o crescimento do PIB afundam e agora já estão zerados.
Segundo o Datafolha, para 55% da população a situação econômica do país irá piorar nos próximos meses. Trata-se do mais alto nível de pessimismo em relação à economia desde que a questão começou a ser abordada pelo instituto, em dezembro de 1997.
Oito em cada dez brasileiros esperam que a inflação vá aumentar; há dois meses, eram 54%. Desde que o país reconquistou a estabilidade com o Plano Real em 1994, nunca o temor diante da carestia foi tão agudo entre os brasileiros quanto agora. Pessimismo similar afeta as expectativas quanto ao desemprego: 62% acham que ele vai subir.
O governo apostou todas as suas fichas na sua capacidade de iludir os cidadãos. Fiou-se na preservação do emprego, que logo começará a ratear. O suposto poder ilimitado do marketing petista de manipular a realidade não é capaz de fazer frente ao duro dia a dia enfrentado pela população. O país está mergulhado num universo de desencanto, mas ainda vai piorar bastante.
Por ora, os brasileiros vivem a ressaca de uma eleição vencida à base de muita mentira, promessas frustradas e uma prática de governo diametralmente oposta à discurseira dos palanques. Desde a reeleição, lá se vão cento e poucos dias de desmentidos quase cotidianos às promessas de campanha. O povo não aceita.
O corte de benefícios sociais, o aumento de impostos e tarifas públicas, a alta dos juros e da inflação, a elevação do desemprego apenas começaram a despontar no horizonte. Só irão se manifestar com cores realmente fortes daqui a algumas semanas. Aí o que hoje está no campo das expectativas passará a ser constatação: a vida no país está mais difícil.
Se o governo avalia que sua situação atual é ruim, é melhor estar preparado para enfrentar a tormenta que virá. Enquanto para os petistas o que está em jogo é popularidade e preservação de um projeto político, para a população o buraco é muito mais embaixo: o que está ameaçada é a sobrevivência diária.
Não surpreende o pessimismo dos brasileiros. Crescimento, investimentos e consumo estão se retraindo. Diante da avalanche de corrupção, cresce a sensação de desalento. Na eleição, Dilma Rousseff dizia que tudo isso não passava de esperneio artificial da oposição.
O mau humor se nutre de uma realidade que se deteriora a olhos vistos. A inflação de janeiro passado foi a maior em 12 anos e as previsões para este ano pioram a cada semana. Os prognósticos para o crescimento do PIB afundam e agora já estão zerados.
Segundo o Datafolha, para 55% da população a situação econômica do país irá piorar nos próximos meses. Trata-se do mais alto nível de pessimismo em relação à economia desde que a questão começou a ser abordada pelo instituto, em dezembro de 1997.
Oito em cada dez brasileiros esperam que a inflação vá aumentar; há dois meses, eram 54%. Desde que o país reconquistou a estabilidade com o Plano Real em 1994, nunca o temor diante da carestia foi tão agudo entre os brasileiros quanto agora. Pessimismo similar afeta as expectativas quanto ao desemprego: 62% acham que ele vai subir.
O governo apostou todas as suas fichas na sua capacidade de iludir os cidadãos. Fiou-se na preservação do emprego, que logo começará a ratear. O suposto poder ilimitado do marketing petista de manipular a realidade não é capaz de fazer frente ao duro dia a dia enfrentado pela população. O país está mergulhado num universo de desencanto, mas ainda vai piorar bastante.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O povo não é bobo
Nada melhor que a dura realidade para responder, pronta e adequadamente, as bravatas petistas. Menos de 24 horas depois de o partido do mensalão e do petrolão desfilar teorias conspiratórias na sua festa de 35 anos de fundação, o Datafolha mostrou com cores vívidas a ojeriza que a população cultiva atualmente em relação ao governo do PT.
O dado mais significativo é a monumental queda na popularidade de Dilma Rousseff. Somam 44% os que consideram o governo dela ruim ou péssimo. É a pior avaliação de um presidente da República registrada pelo instituto desde que este século começou. No início de dezembro, eram 24% os que se manifestavam assim.
Ao aumento da desaprovação corresponde, quase milimetricamente, a queda na aprovação da presidente, que baixou de 42% para 23% no período. Há um vaso comunicante ligando diretamente as duas curvas, sem paradas intermediárias – o percentual dos que acham o governo Dilma apenas regular não se alterou (33%).
Neste período de erosão de popularidade, a população deparou-se com uma Dilma muito diferente daquela que o marketing petista exitosamente construíra na campanha eleitoral.
O dado mais significativo é a monumental queda na popularidade de Dilma Rousseff. Somam 44% os que consideram o governo dela ruim ou péssimo. É a pior avaliação de um presidente da República registrada pelo instituto desde que este século começou. No início de dezembro, eram 24% os que se manifestavam assim.
Ao aumento da desaprovação corresponde, quase milimetricamente, a queda na aprovação da presidente, que baixou de 42% para 23% no período. Há um vaso comunicante ligando diretamente as duas curvas, sem paradas intermediárias – o percentual dos que acham o governo Dilma apenas regular não se alterou (33%).
Neste período de erosão de popularidade, a população deparou-se com uma Dilma muito diferente daquela que o marketing petista exitosamente construíra na campanha eleitoral.
Há quatro meses, a presidente faz o oposto do que prometera em cima dos palanques. Ao mesmo tempo revela-se um país muito diferente do que o PT dizia ser o Brasil do momento, principalmente com imensas dificuldades econômicas, a começar pela carestia.
Também por esta razão, 60% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que Dilma mentiu na campanha. Ou seja, o estelionato eleitoral não é figura de retórica da oposição, mas sim a percepção verdadeira da população brasileira hoje. Como seus principais atributos, a presidente carrega agora ser “desonesta” (47%), “falsa” (54%) e “indecisa” (50%).
O mar de escândalos que se sucedem nos últimos tempos também alçou a corrupção ao posto de segundo maior problema do país, atrás apenas da saúde, segundo os entrevistados pelo Datafolha.
Também por esta razão, 60% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que Dilma mentiu na campanha. Ou seja, o estelionato eleitoral não é figura de retórica da oposição, mas sim a percepção verdadeira da população brasileira hoje. Como seus principais atributos, a presidente carrega agora ser “desonesta” (47%), “falsa” (54%) e “indecisa” (50%).
O mar de escândalos que se sucedem nos últimos tempos também alçou a corrupção ao posto de segundo maior problema do país, atrás apenas da saúde, segundo os entrevistados pelo Datafolha.
Para 52%, Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ela ocorresse. A população parece perceber claramente que a roubalheira coincide com a trajetória política e administrativa da presidente; não há como dissociá-las.
Nestas horas de crise aguda, a resposta petista é sempre a mesma: acusar os críticos de “golpismo”, como fez Dilma na celebração dos 35 anos do PT na sexta-feira, ou tentar igualar a todos na lama, como buscou Lula na mesma ocasião. É a velha tática de quem foi pego na botija e imputa ao mensageiro o dissabor contido nas mensagens.
Diz-se agora que, à guisa de reação, a propaganda oficial vai tentar ressuscitar figurinos que a presidente envergou no início de seu governo e mostrar uma Dilma gerentona e eficaz, como forma de recuperar simpatia popular. Mas as condições de agora são muito distintas das de outrora: o que quatro anos atrás podia ser novidade hoje é história sobejamente conhecida, que o povo já sabe no que vai dar. A chapa vai ferver.
Nestas horas de crise aguda, a resposta petista é sempre a mesma: acusar os críticos de “golpismo”, como fez Dilma na celebração dos 35 anos do PT na sexta-feira, ou tentar igualar a todos na lama, como buscou Lula na mesma ocasião. É a velha tática de quem foi pego na botija e imputa ao mensageiro o dissabor contido nas mensagens.
Diz-se agora que, à guisa de reação, a propaganda oficial vai tentar ressuscitar figurinos que a presidente envergou no início de seu governo e mostrar uma Dilma gerentona e eficaz, como forma de recuperar simpatia popular. Mas as condições de agora são muito distintas das de outrora: o que quatro anos atrás podia ser novidade hoje é história sobejamente conhecida, que o povo já sabe no que vai dar. A chapa vai ferver.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Números imbatíveis
É evidente que a pesquisa do Datafolha divulgada ontem e publicada hoje nos jornais serve como luva à estratégia petista de tentar esfriar os ânimos dos eleitores de Aécio Neves. Mas há razões de sobra para acreditar que as chances de vitória tucana continuam presentes e elevadas. A votação é só no próximo domingo.
Para começar, a corrida eleitoral mantém-se na condição de empate técnico. Segundo o Datafolha, a petista alcança hoje 52% dos votos válidos e Aécio, 48%. Embora Dilma Rousseff apareça numericamente na frente, a margem de erro de dois pontos percentuais permite vê-los ainda pau a pau da disputa pelos 141 milhões de votos.
Se pesquisa decidisse eleição, Aécio não teria passado nem perto do segundo turno. Sua ascensão mal foi captada pelos institutos – todos os institutos – na véspera da votação de 5 de outubro. Quando as urnas foram apuradas, a candidatura tucana saiu-se muito melhor do que qualquer pesquisa previra.
O Datafolha mesmo foi um dos que errou mais feio. No dia anterior ao pleito, deu a Aécio 26% dos votos válidos e à petista, 44%. Apurados os votos, o tucano atingiu 34% e Dilma ficou com apenas 42%. Nenhuma margem de erro justifica isso. Os números não batem.
O viés comum às pesquisas é sempre o mesmo: tendem a superfaturar os votos favoráveis ao governo e sub-representar os votos da oposição. Uma das explicações técnicas para isso seria um desvio de amostra, a saber: na base pesquisada por institutos como o Datafolha há mais eleitores dos estratos que se identificam mais com Dilma e o PT – renda e escolaridade menores – do que com Aécio.
Segundo quem analisa a fundo pesquisas de intenção de voto, só este fator já é suficiente para prejudicar em até 4 pontos percentuais as intenções de voto em candidaturas que têm mais força entre os eleitores de renda média e alta e escolaridade maior, como a de Aécio.
Outro fator relevante é a abstenção, que as pesquisas não levam em conta. Ela tende a ser maior no Nordeste, onde o governo costuma ser mais forte, e nos estados onde não haverá segundo turno. Considerando as votações de primeiro turno, este componente também tende a pesar a favor da candidatura de Aécio.
Tudo considerado, resta evidente que a atual disputa pela presidência da República continua duríssima. A realidade indica que, na pior das hipóteses, Aécio e Dilma disputam a vitória cabeça a cabeça. Não há nenhuma indicação evidente de que a candidata à reeleição tenha, efetivamente, vantagem no momento.
Há, isto sim, sinais manifestados pelos brasileiros país afora de que querem um Brasil novo, melhor e diferente do que aí está. Diante disso, a candidatura oficial foi buscar forças na sua velha e suja estratégia de difamação, boataria e ódio. Quem está desesperado são eles.
Para começar, a corrida eleitoral mantém-se na condição de empate técnico. Segundo o Datafolha, a petista alcança hoje 52% dos votos válidos e Aécio, 48%. Embora Dilma Rousseff apareça numericamente na frente, a margem de erro de dois pontos percentuais permite vê-los ainda pau a pau da disputa pelos 141 milhões de votos.
Se pesquisa decidisse eleição, Aécio não teria passado nem perto do segundo turno. Sua ascensão mal foi captada pelos institutos – todos os institutos – na véspera da votação de 5 de outubro. Quando as urnas foram apuradas, a candidatura tucana saiu-se muito melhor do que qualquer pesquisa previra.
O Datafolha mesmo foi um dos que errou mais feio. No dia anterior ao pleito, deu a Aécio 26% dos votos válidos e à petista, 44%. Apurados os votos, o tucano atingiu 34% e Dilma ficou com apenas 42%. Nenhuma margem de erro justifica isso. Os números não batem.
O viés comum às pesquisas é sempre o mesmo: tendem a superfaturar os votos favoráveis ao governo e sub-representar os votos da oposição. Uma das explicações técnicas para isso seria um desvio de amostra, a saber: na base pesquisada por institutos como o Datafolha há mais eleitores dos estratos que se identificam mais com Dilma e o PT – renda e escolaridade menores – do que com Aécio.
Segundo quem analisa a fundo pesquisas de intenção de voto, só este fator já é suficiente para prejudicar em até 4 pontos percentuais as intenções de voto em candidaturas que têm mais força entre os eleitores de renda média e alta e escolaridade maior, como a de Aécio.
Outro fator relevante é a abstenção, que as pesquisas não levam em conta. Ela tende a ser maior no Nordeste, onde o governo costuma ser mais forte, e nos estados onde não haverá segundo turno. Considerando as votações de primeiro turno, este componente também tende a pesar a favor da candidatura de Aécio.
Tudo considerado, resta evidente que a atual disputa pela presidência da República continua duríssima. A realidade indica que, na pior das hipóteses, Aécio e Dilma disputam a vitória cabeça a cabeça. Não há nenhuma indicação evidente de que a candidata à reeleição tenha, efetivamente, vantagem no momento.
Há, isto sim, sinais manifestados pelos brasileiros país afora de que querem um Brasil novo, melhor e diferente do que aí está. Diante disso, a candidatura oficial foi buscar forças na sua velha e suja estratégia de difamação, boataria e ódio. Quem está desesperado são eles.
sábado, 5 de julho de 2014
Segundo turno à vista
Nem com toda a
propaganda oficial, nem com todo o clima de festa que cerca a época de Copa do
Mundo, a presidente Dilma Rousseff consolidou suas chances de vitória nas
eleições de outubro.
O que a mais recente pesquisa de intenções de voto,
divulgada ontem pelo Datafolha,
atesta é que a disputa será decidida em dois turnos e, na segunda rodada, a
oposição tem tudo para vencer.
Para começar, as intenções
de voto na candidata-presidente empatam rigorosamente com as declaradas nos
demais candidatos: 38% a 38%. No início de junho, Dilma tinha percentual menor
(34%), mas os oponentes pontuavam bem menos (32%). Ou seja, neste último mês mais
eleitores se inclinaram a ficar contra do que a favor da petista.
Dilma também tem
contra si uma taxa de rejeição que é o dobro da de Aécio Neves: 32% a 16%. A
proporção daqueles que dizem que não votarão na petista “de jeito nenhum” é
ainda mais acachapante em determinados grupos: somam 51% entre os eleitores com
ensino superior, 49% nos de renda acima de dez salários mínimos e 40% na região
Sudeste. Se depender deles, Dilma já pode pedir o boné...
Em alguns segmentos
de renda e região, Aécio já vence ou empata com a presidente. Entre os que
ganham entre cinco e dez salários mínimos, o tucano tem 36% dos votos e a
petista, 26%. Igual vantagem é registrada entre os que completaram o ensino
superior, faixa em que Aécio ganhou sete pontos em um mês. No estrato acima de
dez salários, há empate técnico entre os dois, situação que se repete nos
estados do Sudeste.
Dá para delimitar
claramente onde Dilma Rousseff concentra a maior parte de suas forças: a região
Nordeste, as cidades de interior do país, os brasileiros que ganham menos de
dois salários mínimos, as mulheres e os eleitores com apenas ensino fundamental
completo.
Os números colhidos
pelo Datafolha para um possível segundo turno evidenciam as reais chances de
vitória da oposição. Hoje, a diferença entre Dilma e Aécio é de apenas sete
pontos percentuais: 46% a 39%. Vale lembrar: há pouco mais de quatro meses, em
fevereiro passado, a petista tinha o dobro das intenções de voto no tucano nesta
mesma simulação.
Ainda sobre o
segundo turno, Aécio já empataria com Dilma entre os jovens, entre aqueles com escolaridade
até o ensino médio, nas regiões metropolitanas e na faixa de renda entre dois e
cinco salários mínimos. E venceria a petista entre os brasileiros com ensino
superior, com renda acima de cinco salários, nas regiões Sudeste, Sul e
Centro-Oeste e nos municípios com mais de 200 mil habitantes.
Por enquanto, apenas
um terço dos eleitores manifesta “grande interesse” pelas eleições. Ou seja, a
decisão do voto ainda está sendo postergada, com os brasileiros à espera de conhecer
melhor as alternativas que têm ao que já está aí há 12 anos e já é muito bem conhecido.
A oposição tem uma
avenida pela frente para decolar. Enquanto 50% dizem “conhecer muito bem” a presidente,
apenas 16% manifestam a mesma posição em relação a Aécio Neves. Assim, o início
da propaganda eleitoral, com exibição equânime dos candidatos, tende a favorecer
quem é menos conhecido e não quem já está aí, massivamente vendida todos os
dias pela propaganda oficial, há anos.
Os resultados do
Datafolha se juntam aos de outros institutos de pesquisa e apontam, todos, numa
única direção: o país ruma para uma eleição em que os cidadãos optarão pela
mudança, abrindo nova fase de prosperidade e de desenvolvimento para os
brasileiros. A campanha que ora começa será valiosa para aclarar os novos caminhos
que se abrem, dando aos eleitores as melhores condições de fazer as escolhas
que o Brasil precisa.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
As boas-novas do Datafolha
O detalhamento da
mais recente pesquisa de intenção de votos feita pelo Datafolha
sugere que a oposição tem uma pista livre para decolar nos próximos meses até a
eleição de outubro. Tudo indica que o tempo do PT está chegando ao fim. Está se
aproximando a hora da mudança. Ufa!
O resultado geral
mais significativo é a persistente queda das intenções de voto na presidente Dilma
Rousseff. Desde fevereiro, ela perdeu dez pontos e hoje tem 34%. As quedas mais
acentuadas ocorreram no Norte e no Nordeste. Também não aconteceu a decantada
decolagem que João Santana, no alto de toda a prepotência, previu
em outubro do ano passado.
Num eventual segundo
turno, a petista já sente o calor da aproximação de Aécio Neves. Na simulação
feita no início deste mês, a diferença a favor da candidata-presidente é de
apenas oito pontos percentuais: 46% a 38%. Há quatro meses, em fevereiro, na
mesma simulação Dilma tinha simplesmente o dobro das intenções de voto do
tucano: 54% a 27%.
Em estados cruciais
como São Paulo, que reúne 22% do eleitorado brasileiro, a presidente já está
atrás de Aécio nas simulações de segundo turno (46% a 34%) e aparece tecnicamente
empatada com ele na disputa em primeiro turno: 23% a 20%, segundo informa a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje.
Ainda em relação a
um cada vez mais certo segundo turno, Aécio vence Dilma nas regiões Sul e
Sudeste enquanto no Centro-Oeste há rigoroso empate. A rejeição à candidata-presidente
vem subindo e hoje já é a maior entre todos os candidatos (35%), enquanto a de
Aécio é declinante e hoje encontra-se em 29%.
O caldo geral a
favor da mudança continua engrossando: 74% dos entrevistados pelo Datafolha pedem
um governo que tome atitudes diferentes do que faz a gestão Dilma. Para 21% dos
entrevistados, Aécio é quem está mais preparado para fazer as transformações
que o Brasil precisa – o percentual equivale ao dobro dos que pensavam assim em
fevereiro. Dilma é apontada agora por 16%.
Todo o bom
desempenho do senador tucano acontece a despeito do bombardeio propagandístico
que o governo federal promove em rádios e televisões de todo o país tentando
apropriar-se de realizações que, na maioria dos casos, nem dele são – como acontece
em Minas e em São Paulo, para ficar apenas em alguns poucos exemplos.
As chances de Aécio
ganham ainda maior relevância quando se sabe que, segundo o Datafolha, ele
ainda é pouco conhecido pela população em geral. Enquanto 55% dos entrevistados
dizem conhecer Dilma muito bem, apenas 19% afirmam o mesmo em relação ao ex-governador
de Minas Gerais. Ou seja, à medida que começa a ser mais bem conhecido, Aécio
sobe.
Do potencial de
maior conhecimento do candidato do PSDB também pode depender a migração dos que
hoje se mostram desalentados com as eleições e indicam disposição para votar
branco, nulo ou abster-se em outubro. Nesta condição encontram-se 30% dos
brasileiros, que ora se declaram sem candidatos.
Os resultados do Datafolha
– que ouviu 4.337 pessoas, mais que o dobro do usual – corroboram outras
pesquisas de outros institutos. Ou seja, não são pontos fora da curva. A eleição,
de fato, caminha para favorecer a escolha de um novo rumo para o Brasil. Não é
por outra razão que o desespero ora campeia nas hostes petistas, a ponto de
Lula deitar críticas, dia sim dia também, ao governo de sua pupila. Agora,
Lula, é tarde.
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sábado, 7 de junho de 2014
O Brasil em desalento
Os brasileiros têm motivos de sobra para voltar às ruas. Têm motivos para estarem insatisfeitas com o país. Têm motivos para protestar contra um governo que não mostrou a que veio e aproxima-se de um fim de feira melancólico. Tornamo-nos um país de desalento.
É este o clima reinante
hoje no Brasil, e justamente às vésperas do que a propaganda oficial vendeu
como a maior festa de todos os tempos. A “Copa das Copas” só não é um fiasco
completo porque os jogadores da seleção de futebol se esforçam para manter acessa
a chama da esperança. Na vida cotidiana, está tudo uma dureza só.
Pesquisa do Datafolha
divulgada hoje confirma o clima de desânimo. Otimista inveterado, o brasileiro
caiu na real e tornou-se um pessimista empedernido. São maioria (36%) os que
acreditam que a situação do país na economia vai piorar. Parte relevante dos
que antes achavam que tudo continuaria como está agora enxerga o futuro com
viés negativo.
Teme-se a inflação,
que voltou a subir no acumulado em 12 meses – agora para 6,37%, conforme
divulgou o IBGE
nesta manhã. Segundo o Datafolha, a expectativa de alta nos preços voltou a seu
patamar mais alto: 64% dos entrevistados apostam nisso. Nesta semana, o Pew Research também listou a inflação como maior preocupação atual dos
brasileiros.
Teme-se também o
desemprego. Para 48% dos entrevistados pelo Datafolha, a falta de trabalho vai
aumentar no país. O patamar só é menor que o registrado em março de 2009, no
auge da crise econômica que se seguiu à quebra do banco americano Lehman
Brothers. Sintetiza a Folha de S.Paulo:
o pessimismo “bate recorde”.
Decerto não é “canalhice”,
como acusa
o falastrão Luiz Inácio Lula da Silva, a amarga constatação. Decerto a sensação
expressa nas pesquisas e vocalizada por formadores de opinião e empresários é a
mesma que acomete quem toma ônibus lotado, quem não obtém atendimento decente em
hospital e não consegue comprar na feira o mesmo que comprava no mês anterior.
Nossa gente parece
ter se cansado do blábláblá das autoridades. Chega de diagnóstico, chega de
promessas. Até porque ninguém mais que eles conhece tão bem o que os diagnósticos
expressam. Sabe tão bem o que as promessas não cumpridas acarretam em forma de
uma vida cada vez mais dificultosa.
Há esperança, porém.
O mesmo Datafolha mostra que as intenções de voto em Dilma Rousseff continuam mergulhando,
o que permite antever riscos concretos de derrota do projeto de reeleição que
ela encarna. Em quatro meses, dez pontos percentuais foram para o buraco,
levando junto a candidata-presidente.
O Datafolha constata
que a insatisfação com o governo petista ainda não se reverteu em votos para os
candidatos da oposição. De fato. Mas é de se ressaltar a enorme distância entre
os meios à mão do governo e os disponíveis àqueles que tentam apear Dilma do
poder. É abissal e ainda está longe de ser transposta.
A exposição das opções,
a partir de julho, na campanha eleitoral tende a fazer o quadro se alterar. É o
que quase sempre ocorre, com foi em 2010, neste caso a favor da hoje
presidente. Os brasileiros estão convictos de que é hora de mudar. Só precisam
de um pouco mais de informação e tempo para saber qual o rumo tomar. A mudança
chegará.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O Brasil quer mudança
Pesquisas de opinião
divulgadas neste fim de semana revelam qual o humor atual da população brasileira
em relação ao governo. Em síntese, continua muito forte o sentimento de
mudança, a aprovação da gestão Dilma Rousseff está, na melhor das hipóteses,
estacionada e as esperanças dos cidadãos quanto ao futuro não são nada positivas.
No sábado, em
pesquisa publicada por O Estado de S. Paulo, o Ibope mostrou que a aprovação ao governo Dilma –
ou seja, o percentual de quem considera sua gestão ótima ou boa – caiu quatro
pontos e encontra-se hoje em 39%. Está, portanto, bem abaixo do recorde de 63%,
verificado em março de 2013.
Na outra ponta, ainda
segundo o Ibope, hoje o percentual dos que avaliam o governo Dilma como ruim ou
péssimo subiu também quatro pontos, para 24%. A máxima neste indicador também
ocorreu em julho do ano passado, com 31%.
No rescaldo das movimentações
de rua, a popularidade da presidente caiu à metade e desceu a 31% em julho de
2013. Resumo da ópera: passados sete meses desde os protestos, Dilma recuperou
apenas oito dos 32 pontos que chegou a perder.
O Datafolha, em
pesquisa publicada ontem pela Folha de S.Paulo, também captou a mesma alta na taxa dos que consideram o
governo Dilma ruim ou péssimo: a desaprovação passou de 17% em novembro para
21% agora. Ótimo e bom ficaram estacionados em 41%.
Os movimentos ao
longo dos meses são muito parecidos com os do Ibope. No Datafolha, Dilma desceu
dos 65% de aprovação recorde em março para 30% no finzinho de junho do ano
passado. Ou seja, nestes últimos sete meses recuperou somente 11 dos 35 pontos
que perdeu desde as manifestações de rua.
Cotejadas, as duas
pesquisas parecem indicar que Dilma encontra-se hoje estacionada no que pode
ser o seu teto, na casa em torno dos 40% de aprovação. Interessante notar que
os pontos recuperados pela presidente o foram logo após as manifestações.
Desde
então, houve apenas um soluço positivo – que alguns analistas chamam de “efeito
Papai Noel”, em razão do clima favorável que marca as festas de fim de ano – em
dezembro do ano passado e, agora, nova queda ou estagnação na aprovação.
Um primeiro aspecto
a considerar é que se frustrou a previsão feita pelos gurus do marketing
presidencial que disseram que, em quatro meses, Dilma estaria de volta ao
patamar recorde que exibira antes das manifestações. “Ocorrerá uma antropofagia
de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no
Olimpo”, disse
João Santana em outubro passado.
A opinião dos
brasileiros também revela quão desesperançada a população está com o governo
atual. O Datafolha esmiuçou o humor dos entrevistados quanto ao futuro e captou
desejo de mudança em 67% deles. Apenas 26% afirmam que querem que as ações do
governo continuem como estão – nem Lula as suporta mais, como mostra a Folha
hoje...
A perspectiva
econômica é a que inspira mais pessimismo na população. Os que não creem em
melhora na sua própria situação nos próximos meses já são maioria (49% acham
que continuarão como estão ou piorarão). Em relação à condição da economia
brasileira como um todo, 27% acham que vai piorar e 34% apostam que vai
melhorar; para 35% permanecerá tudo como está.
Nada menos que 59% dos
entrevistados pelo Datafolha acreditam que a inflação vai aumentar, com
reflexos diretos no poder de compra dos salários, que tende a diminuir para 31% dos
entrevistados. Já 39% dos 2.614 ouvidos pelo Datafolha também creem que o
desemprego no país vai aumentar.
Tais números indicam
que o desalento também já vai se espraiando pela população. É o contrário do
propagandeado pelo marketing oficial, segundo o qual “a economia vai mal, mas o
povo vai bem”.
Não surpreende que esta insatisfação ainda não se reflita nas
pesquisas de intenção de voto para presidente. Afinal, o que temos hoje é
apenas uma presidente candidata em campanha explícita que seus concorrentes só
poderão fazer a partir de junho.
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