Mostrando postagens com marcador previsões PIB 2017. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador previsões PIB 2017. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de dezembro de 2017

Um PIB de alerta

O PIB brasileiro manteve sua trajetória de recuperação. O resultado verificado no terceiro trimestre veio abaixo da média das expectativas e bem menor do que a variação registrada entre abril e junho. No entanto, a revisão dos números relativos aos dois primeiros trimestres do ano produziu o alento que o índice trimestral isolado turvou.

Segundo divulgou o IBGE nesta manhã, o PIB nacional cresceu 0,1% no terceiro trimestre do ano na comparação com o trimestre anterior. As projeções feitas por analistas apontavam para, em média, 0,3%. No segundo trimestre, a alta foi de 0,7%, conforme dado revisado pelo IBGE.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2016, o desempenho revela-se bem melhor e ascendente. A alta foi de 1,4%, a melhor desde o mergulho da economia na recessão. No ano, até setembro, o PIB acumula crescimento de 0,6% e agora pode subir acima do projetado para 2017, segundo primeiras estimativas feitas após a divulgação de hoje.

Isto porque o IBGE revisou resultados dos últimos seis trimestres e encontrou desempenho melhor da economia brasileira nos primeiros meses deste ano. Indicadores antecedentes apontam alta em torno de 0,4% no último trimestre de 2017, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Valor Econômico.

Quase todos os componentes do PIB apresentaram alta no terceiro trimestre, e a maior delas foi justamente a do segmento mais combalido pela recessão petista: os investimentos. A chamada formação bruta de capital fixo subiu 1,6%, maior taxa desde o segundo trimestre de 2013. Ainda assim, mantém-se muito baixa em relação ao PIB: 16,1%, a menor para igual período na série do IBGE e apenas acima das três taxas trimestrais anteriores.

Pela primeira vez desde 2013, subiram juntos investimento e consumo, que respondem por cerca de 80% da atividade no país. O consumo das famílias aumentou 1,2% no trimestre, taxa igual à do período anterior. Pelo lado da oferta, a agropecuária voltou a cair (-3%), em razão da entressafra. Mas indústria e serviços cresceram – 0,8% e 0,6%, respectivamente.

Tudo considerado, o PIB brasileiro ainda não deixou o terreno negativo aonde a recessão iniciada em 2014 o levou: nos quatro últimos trimestres, o índice está negativo em 0,2%. Note-se, contudo, a distância considerável em relação ao fundo do poço, os -4,6% anotados no segundo trimestre de 2016, o último da era petista.

Os resultados conhecidos nesta manhã renovam esperanças, mas ressaltam os enormes obstáculos que a economia brasileira ainda terá de superar para voltar a crescer de forma vigorosa e sustentável. Não depende de atos de vontade, como muitos parecem cobrar do atual governo, herdeiro de uma ruína em forma de país, legada pelo PT. 

Depende, isso sim, de muito trabalho, de iniciativa, de coragem para mudar, que andam faltando. Não apenas do Executivo, como é mais fácil exigir. Mas também do Legislativo, aparentemente pouco atento (para dizer o mínimo) ao grau de dificuldade em que o Brasil encontra-se. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A armadilha do baixo crescimento

Os resultados do PIB anunciados nesta manhã pelo IBGE são uma coleção de fracassos. É caso para deixar qualquer país corado de vergonha. Como os números encerram o período em que um partido esteve por mais tempo à frente do poder no Brasil, devem também ser suficientes para condenar seus responsáveis ao degredo político.

O PIB brasileiro caiu 0,3% no primeiro trimestre, na quinta baixa consecutiva nesta base de comparação. A queda acumulada em quatro trimestres chega a 4,7%, a maior da série iniciada pelo IBGE em 1997. Este seria hoje o retrato mais fidedigno da recessão que há dois anos assola a economia brasileira.

Desta vez, nem a agropecuária se salvou. Todos os setores tiveram retrocessos, com destaque para a indústria – aquela mesma que foi a maior beneficiária dos seguidos pacotes furados de incentivos tributários e creditícios promovidos pelos governos petistas. Só não tombaram as exportações e o guloso consumo do governo.

Na comparação mundial, o Brasil figura novamente na rabeira das listas: no índice anualizado, ou seja, em relação ao primeiro trimestre de 2015, só ganha da Venezuela; quando o cotejo é com o trimestre imediatamente anterior, aparece à frente apenas de Hungria, Grécia e Hong Kong.

É nos investimentos que o mergulho é mais profundo. A taxa anualizada até março desceu a 17,5% do PIB, no pior resultado desde o segundo trimestre de 2007, segundo a Assessoria em Finanças do ITV. Não é difícil recordar que 2007 foi justamente o ano em que se lançou o PAC, cuja “mãe” todos conhecem. Notam-se sem dificuldade seus nulos resultados.

Tecnicamente, a economia brasileira completou agora seu segundo ano em recessão. É a mais profunda que o país já enfrentou. E pode ser a mais duradoura, superando a crise global dos anos 1930 – ontem a OCDE divulgou previsão de que o PIB do Brasil cairá também em 2017, na terceira baixa consecutiva, algo nunca antes visto na nossa história.

Resta evidente que o país vê-se preso numa armadilha que o condena a crescer quase nada – isso quando cresce. Trata-se de modelo em que o Estado pode tudo, o dinheiro público não tem dono nem fim, a responsabilidade fiscal é um preceito a ser tratorado, o investimento privado e o lucro são demônios a serem exorcizados. Desnecessário dizer da ruína que isso acarreta; os números já falam por si.

O que o Brasil precisa urgentemente é aposentar este modelo e retomar o curso de iniciativas que, até serem atropeladas pelos governos Lula e Dilma, vinham mostrando sucesso. Mais responsabilidade com os recursos públicos, menor peso do Estado na economia, reformas que impulsionem a produtividade e a competitividade de quem trabalha e produz. Este é o encontro necessário que a sociedade brasileira necessita promover, sob pena de não ter futuro algum.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O PT enquadra o BC

Alexandre Tombini achou no relatório do FMI o pretexto que buscava para baixar a cabeça para o Planalto e, pior ainda, fazer o que o PT quer: afrouxar as políticas de combate à inflação e abrir caminho para a volta da falida “nova matriz econômica”.

Ontem, numa atitude sem precedentes, o presidente do Banco Central adiantou o movimento que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve fazer hoje, ao definir a nova taxa básica de juros. As apostas passaram de um quase consenso em torno de um aumento de 0,5 ponto percentual para uma alta menor ou mesmo a manutenção da Selic.

Tombini disse, num comunicado curto, que considerou “significativas” as revisões das projeções de crescimento do PIB brasileiro divulgadas ontem de manhã pelo FMI. Afirmou, ainda, que tais informações seriam “consideradas nas decisões” tomadas pelo Copom.

A manifestação veio após o FMI revisar muito para baixo suas projeções para o crescimento do país neste e no próximo ano e jogar sobre o Brasil a responsabilidade de ser um dos principais fatores de desaceleração da economia global. 

A estimativa para este ano é agora de uma queda de 3,5%, ante previsão de recessão de 1% feita em outubro. Para 2017 descartou-se a chance de crescimento, antes estimado em 2,3% e agora igual a zero.

O que o FMI agora diz ter visto com cores mais sombrias, os agentes econômicos brasileiros já vêm percebendo há tempos – no Boletim Focus desta semana, a queda deste ano é projetada em 3%. Será que só agora Tombini resolveu considerar que a economia brasileira está embicada para baixo de forma “significativa” e duradoura, numa mistura tóxica de recessão e inflação em alta?

Importa menos a decisão em si que o BC vai tomar no fim da tarde de hoje sobre os juros. O realmente sério e grave é a sinalização inequívoca de que quem deveria zelar pela inflação mais baixa – este é o mandato que cabe à autoridade monetária – baixou a cabeça e aceitou o cabresto de gente que levou o país ao desastre atual.

Foram as políticas ruinosas de Dilma, seguindo a linha ditada por Lula, e a leniência do BC que permitiram a decolagem da inflação nos últimos anos. Desde 2009 a meta não é cumprida, até que chegamos ao estouro espetacular do ano passado. Vencer a carestia foi objetivo sempre postergado pelo BC para o ano seguinte, e nunca conquistado. Por longo prazo a perspectiva é de preços em forte alta no país.

O temor é de que a possível manutenção dos juros hoje seja o passo inaugural da volta à política malfadada de incentivo irresponsável ao crédito e de impulsos artificiais ao consumo cujo resultado foram preços galopantes, recessão prolongada, desemprego e crise social. É o que o PT anseia e pelo que boa parte do governo torce. O Banco Central conseguiu alinhar-se completamente ao restante da gestão petista: rifou de vez a sua credibilidade.