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sábado, 8 de agosto de 2015

O réquiem do PT

O programa que o PT veiculou ontem em rede nacional de rádio e televisão deixa claro, de uma vez por todas, que o partido que levou o país à mais grave crise social, econômica, ética e política das últimas décadas não tem mais nada de sério a dizer aos brasileiros. O partido de Lula, Dilma e José Dirceu é incapaz de dar as respostas que os cidadãos cobram de um governo em processo de desintegração. Prepara seu testamento.

Novamente faltaram-lhe, no programa, humildade, autocrítica, sinceridade, coragem e espírito cívico. De novo, sobraram arrogância, covardia, mentira e manipulações ao partido que protagoniza o maior escândalo de corrupção da nossa história, produz a mais grave recessão em décadas e desfere na população o mais severo arrocho de que se tem notícia.

Para quem esperava uma prestação de contas, o programa partidário petista assumiu ares de campanha eleitoral. Deixou claro, definitivamente, que o maior objetivo dos petistas neste momento é tão-somente continuar a enganar os brasileiros, como fez no pleito de 2014. Pelo jeito, o PT já está se preparando para disputar novas eleições presidenciais...

O programa do PT tenta iludir os brasileiros sobre a profundidade e a extensão da crise. O partido do mensalão e do petrolão chama de “crise política” o que tem outro nome: os desdobramentos das revelações do maior esquema de corrupção que o país já viu e que financiou a chegada e a manutenção do PT e seus aliados no poder nos últimos 13 anos.

O PT fala em crise política, minimiza a crise econômica, mas omite-se em relação ao que de mais grave ocorre hoje no Brasil: a crise social, fruto do aumento do desemprego, da queda recorde da renda, da alta da inflação, da falta de perspectivas de recuperação e melhoria das condições de vida.

Mesmo acuado, o PT não busca conciliação, mas o enfrentamento direto com os que lhe fazem oposição. Na realidade, contrapõe-se mesmo é à larga maioria da população brasileira, que tornou a presidente Dilma e seu governo o mais execrado da história, como atestou, mais uma vez, a pesquisa do Datafolha divulgada ontem.

Depois de ensaiar afagos, a mão petista volta a apedrejar. No programa partidário, chega a sugerir ameaças golpistas e fomentar espectros da ditadura militar para produzir medo no povo e incitar mais instabilidade. O lobo que se faz de cordeiro demonstra que só se interessa mesmo em tentar salvar a própria pele.

Para completar, de forma acintosa, o PT ainda ironiza os que legitimamente manifestam insatisfação e indignação com o estado das coisas que aí está. Atitudes assim só podem ser interpretadas como o réquiem do partido. O PT não merece respeito nem consideração dos brasileiros que lutam por um país melhor, como ficará claro, mais uma vez, nas manifestações marcadas para o próximo dia 16. O panelaço de ontem foi só um ensaio.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PT: Teu presente te encarcera

Os petistas ficaram incomodados com o programa de televisão que o PSDB levou ao ar na noite da última terça-feira. Dita com tanta contundência e objetividade, a verdade doeu-lhes fundo na alma. A reação do PT não tardou, repetindo sua velha estratégia de sempre: tentar forçar os brasileiros a olharem para um passado fictício e se esquecerem de um realíssimo presente de agruras. Não cola.

Ressuscitar fantasmas do passado até poderia funcionar se as pessoas não estivessem mesmo é preocupadas com os monstros do presente. Que palavras o PT tem a dizer sobre o pior momento econômico desde Fernando Collor? Sobre a maior inflação em mais de 20 anos? Sobre o maior corte orçamentário na saúde e na educação da história? Sobre o desemprego em alta? Aparentemente, nada.

A tentativa diversionista é tão extemporânea quanto esdrúxula. Transposta no tempo, equivaleria, por exemplo, a vermos Fernando Henrique Cardoso, ao assumir a presidência do país em 1995, culpar as mazelas produzidas pelo governo do general João Baptista Figueiredo. Todos se lembram que, quando chegou ao poder, a preocupação do tucano foi outra: construir um novo futuro para o país.

Os petistas também omitem que o passado ao qual condenam é o mesmo que legou ao presidente Lula as condições para que conduzisse o país nas boas ondas da bonança econômica global e expandisse as conquistas sociais. Sem esta herança bendita, talvez a gestão petista não tivesse passado de um breve interregno na história do país.

O PT diz que irá recorrer à Justiça para conseguir direito de resposta. Será ótimo se a obtiver. O partido dos mensaleiros poderá aproveitar a oportunidade para tentar explicar a roubalheira na Petrobras, as mentiras da campanha eleitoral e o arrocho recessivo que está asfixiando os brasileiros. Até porque o horário de TV a que os petistas também têm direito foi todo usado para fantasias.

O partido também poderá usar sua prerrogativa para defender seus encarcerados. Chamar, em rede nacional, os condenados José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e Delúbio Soares de “guerreiros do povo brasileiro”. E, ainda, advogar a inocência de João Vaccari Neto, de Paulo Roberto Costa, de Renato Duque e de Nestor Cerveró, expiando-os da culpa pelos bilhões de reais que a Petrobras inscreveu em balanço como perdas com a corrupção e a má gestão.

O que os petistas podem ter certo é que a crítica ao que o governo deles faz de errado não irá cessar. Em ditaduras, o contraditório é calado; em contos de fadas, às vezes é o passado quem prevalece. Na realidade brasileira de hoje, o que importa é proteger o país dos males – atuais e reais – que o PT continua a promover, aparentemente de maneira ilimitada e sem nenhuma chance de autocrítica. Até de dentro de prisões.