Mostrando postagens com marcador Pnad Contínua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pnad Contínua. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Quem está pagando a conta da recessão

A desigualdade social é a chaga mais vergonhosa da sociedade brasileira. A má distribuição da renda persiste de longa data, mas a mais severa recessão das últimas décadas conseguiu piorar o que já era muito ruim. São justamente os mais pobres que estão pagando a conta de uma década de políticas ruinosas levadas adiante pelos governos do PT.

O que é visível nas ruas o IBGE acaba de traduzir em números e indicadores que constam da edição de 2017 da Pnad Contínua – Rendimento de todas as fontes. Uma das conclusões merece ser reproduzida, pela crueza do que traduz.

“As pessoas que faziam parte do 1% da população brasileira com os maiores rendimentos recebiam, em média, R$ 27.213, em 2017. Esse valor é 36,1 vezes maior que o rendimento médio dos 50% da população com os menores rendimentos (R$ 754). Na região Nordeste essa razão foi de foi 44,9 vezes e na região Sul, 25 vezes.” Os 10% mais ricos acumulam riqueza igual à dos 80% mais pobres. A desigualdade pode ser ainda pior, por subestimada.

A recessão continuou a sua razia sobre os rendimentos dos brasileiros, que incluem salários, aposentadorias, pensões, aluguéis e benefícios assistenciais. Comparações mais longas são mais difíceis porque o levantamento só começou a ser feito de maneira abrangente e completa pelo IBGE a partir de 2016.

Mas o que é líquido e certo é que, em 2017, de novo a conta pesou mais para o piso da pirâmide. Entre os 5% mais pobres, o rendimento mensal médio caiu 38%, enquanto no extremo superior, a perda limitou-se a 3%. Todas as faixas perderam renda, em quedas que se somam e se acumulam às registradas nos anos anteriores. Infelizmente, vai demorar a mudar.

Por todos os ângulos que se olhe, o Brasil é imensamente injusto. Neste país empobrecido, informa O Estado de S. Paulomais de 10 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 40 por mês, o que é insuficiente até para um copo d’água por dia. Mais: 43 milhões ganham abaixo do mínimo, ressalta O Globo. Parece mais uma evidência de que políticas sociais e assistenciais recentes não conseguiram alcançar os resultados almejados.

Um de cada quatro brasileiros vive hoje na pobreza, de acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais de 2016, divulgada pelo IBGE em dezembro. Na ocasião, o Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) calculou que 9 milhões de brasileiros foram empurrados para baixo da linha da pobreza a partir de 2014. Em 2017, o mergulho continuou: mais 1,5 milhão desceram à condição de pobreza extrema, informa o Valor Econômico em sua manchete de hoje.

Alegar que as perdas registradas no ano passado são decorrência de políticas e iniciativas do governo que sucedeu Dilma Rousseff é, no mínimo, má-fé. Não se altera o curso de um transatlântico, como é a economia de um país como o Brasil, num estalar de dedos. Não se remedia desgraça tão grande em tempo tão curto. Ou seja, a dificuldade ainda remanescente é, sim, herança petista.

A gravidade da recessão promovida pela política desastrosa de Lula e Dilma é tão severa que estende seus efeitos até o presente e atormenta a retomada econômica. Mesmo depois de mais de um ano do fim da retração, a atividade produtiva continua custando a emergir, os empregos demoram a reagir, os rendimentos ainda esfarelam em razão da maior informalidade do mercado de trabalho.

A missão dos governos ao longo das últimas décadas, a começar dos avanços inscritos na Constituição de 1988 e potencializada com a estabilização da economia a partir do Plano Real, tem sido fazer o Brasil fazer a travessia em direção a ser um país mais próspero para todos, reduzindo o fosso que separa ricos e pobres e alimenta a violência e o desencanto. A década perdida em razão dos erros econômicos e dos crimes do PT tornou o caminho muito mais longo e árduo.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Boa safra

A política posta em prática após o fim do governo petista está, finalmente, produzindo uma safra robusta e disseminada de bons resultados na economia. A simples mudança de orientação mostrou-se capaz de operar o que parecia milagre: tirar o país do buraco recessivo em que esteve sob o domínio do PT. Uma política efetiva de ajustes e reformas estruturais, que a atual gestão não conseguiu fazer avançar como precisava, pode produzir transformações ainda mais profundas e muito mais positivas.

A boa colheita inclui o aumento da arrecadação, decorrência também do reaquecimento da economia; a recuperação da indústria, virtualmente ressuscitada após mais de uma década à deriva; o vigor do setor externo, alimentado, principalmente, pelas exportações do agronegócio; e a continuidade da pujança agrícola, que pode até surpreender e registrar nova safra recorde neste ano.

Os bons resultados vão muito além da vertiginosa queda da inflação e do corte da taxa básica de juros. São, na realidade, em parte decorrência destas medidas, assim como de uma postura mais realista e responsável no trato das finanças públicas – embora ainda bastante insuficiente para reverter o enorme buraco em que elas foram jogadas pelo petismo. Vale observar cada um deles.

Ontem, o governo anunciou que a arrecadação tributária cresceu mais de 10% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2017 e já descontada a inflação. Boa parte disso são receitas chamadas atípicas, fruto, sobretudo, de refinanciamento de dívidas com o fisco. Mesmo sem esta ajuda, contudo, a expansão chegou a 2,3% reais, segundo a Receita Federal. Foi o melhor resultado em quatro anos, o que tende a facilitar o cumprimento do teto de gastos e o alcance das metas fiscais.

A arrecadação espelha o que está acontecendo na atividade real. Entre os tributos com maiores altas está o IPI. A receita do imposto que incide sobre produtos industrializados aumentou quase 20% no mês. Trata-se de um dado novo da economia brasileira: a recuperação industrial após três anos seguidos de quedas, também corroborada em pesquisa feita pelo Iedi publicada por O Estado de S. Paulo em sua edição de hoje.

A indústria reage também sustentada pelas exportações, que ajudaram o país a registrar seu menor déficit externo em nove anos. O balanço de pagamentos mede as transações com o exterior, incluindo comércio, serviços, remessas de lucros e pagamento de juros de dívidas. Dois dos principais fatores para o resultado positivo em janeiro foram a entrada significativa de investimentos estrangeiros na nossa economia e as exportações.

Parte do sucesso dos dois últimos anos atende pelo nome de retomada da confiança, recuperada após ter ficado evidente o fracasso das políticas intervencionistas, populistas e irresponsáveis do PT. A malfadada “nova matriz econômica” levou de roldão milhões de empregos, cuja recuperação continua sendo o maior desafio pela frente. Nenhuma retomada estará completa enquanto os 26,4 milhões de brasileiros sem trabalho, conforme a Pnad Contínua, não encontrarem melhor futuro.

Tudo caminha para que o próximo presidente herde situação venturosa que, se bem tratada, pode levar o país a ingressar num ciclo virtuoso e mais duradouro de desenvolvimento. O primeiro mandamento será não desviar a economia da rota atual e, sobretudo, não dar a batalha como vencida. Pelo contrário: o mais pesado ainda está por vir, em especial no front fiscal, como sintetiza O Globo.

Fica cada vez mais claro que a agenda do país só pode ser uma: reformas e um ajuste decidido na estrutura do Estado, com ênfase na diminuição dos gastos obrigatórios, que já engolem 91% do orçamento. O legado do próximo presidente da República o colocará em melhores condições para aprofundar esta vertente e afastar, de uma vez por todas, o risco de o país reincidir nos retrocessos que durante a última década nos desvirtuaram do melhor caminho.

sábado, 21 de outubro de 2017

A batalha do emprego

O principal objetivo das medidas econômicas deve ser prover bem-estar para a sociedade, melhores condições de vida e conforto para os cidadãos. A alavanca fundamental para isso é que as pessoas tenham uma ocupação, possam produzir e se realizar. Assim, gerar empregos deve ser o item número um da agenda de qualquer governo em situações de recuperação econômica.

No caso brasileiro, esta preocupação é levada ao extremo, para o topo do topo das prioridades. Afinal, a partir do início de 2014 o país mergulhou na pior recessão da sua história. O resultado mais aberrante da crise foi o empobrecimento geral da população e o mais doloroso, o surgimento do maior exército de pessoas desempregadas que o Brasil já conheceu.

Entre fins de 2014 e o primeiro semestre deste ano, o número de pessoas sem emprego mais que dobrou, até atingir 14 milhões de brasileiros, em março passado. Desde então, começou a cair, naquela que pode ser considerada uma das mais aguardadas reversões da herança tóxica deixada pelo PT – o resultado do mercado de trabalho em 2016 foi o pior em 40 anos, conforme a Rais divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho. Hoje são 13,2 milhões, conforme o IBGE.

Os números positivos começam a se disseminar pelo mercado formal de trabalho. Pelo sexto mês consecutivo, a economia brasileira mais abriu do que fechou vagas com carteira assinada. Foram 34,4 mil em setembro, o que levou o acumulado no ano a 209 mil, de acordo com números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também divulgados ontem.

Desde 2014, setembro não registrava excedente de empregos – um ano atrás, o país fechara quase 40 mil postos no mês. Mais positivo ainda é que a indústria tem sido o setor responsável por puxar os resultados para cima: respondeu por 75% do saldo no mês. Em termos regionais, o Nordeste liderou as contratações, um aspecto novo na recuperação.

O saldo em 12 meses ainda é bastante negativo (-466 mil, um terço do registrado em setembro de 2016), mas o mercado de trabalho ensaia terminar 2017 muito melhor do que começou. Há chance de o país fechar o ano com o primeiro resultado positivo em termos de geração de empregos desde 2014.

A recuperação econômica, e a consequente geração de novas oportunidades de trabalho, é tributária de algumas importantes reversões promovidas pelo atual governo a partir de maio de 2016.

Fatores como queda acentuada da inflação, diminuição consistente da taxa básica de juros e aumento dos saldos comerciais ajudaram a reanimar a atividade, reavivar o consumo e, consequentemente, reativar as contratações na indústria e no comércio. As mudanças decorrentes da reforma trabalhista tendem a ser mais uma dessas alavancas.

A questão é que a ruína petista nos levou a poço tão profundo que vai levar tempo longo, muito longo até que as perdas sejam revertidas, como ilustra levantamento feito pelo Iedi publicado na edição de hoje de O Globo. O estrago mais severo e duradouro é sobre os investimentos, que vão levar dez anos (a “década perdida” petista) para se recompor – isso numa hipótese quase irrealista de tão rósea. É nestes setores de ponta que a retomada da geração de emprego é mais renitente.

Nenhum gestor público pode se considerar satisfeito enquanto não ver a chaga do desemprego curada. A desocupação alimenta o desalento e suscita ainda mais a violência e a criminalidade. A luta pela geração de trabalho e renda e a inclusão de mais e mais famílias no mercado deve ser travada sem trégua. Até que, enfim, chegue o dia em que a batalha seja vencida.

sábado, 1 de abril de 2017

O nervo mais exposto da crise

Foram bastante ruins os resultados do mercado de trabalho no trimestre terminado em fevereiro. O desemprego voltou a bater recorde, o número de brasileiros sem emprego é o maior já visto na história e os rendimentos dos trabalhadores ainda não começaram a se recuperar. Só a retomada do crescimento, com a aprovação de reformas estruturais, voltará a impulsionar a geração de empregos no país.

Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE nesta manhã, a taxa de desocupação subiu a 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro. Isso significa que 13,5 milhões de pessoas estão desempregadas no país, alta de 30,6% em relação a um ano atrás. As previsões são de que o movimento de piora não cessará antes do fim deste semestre, para só então o desemprego estabilizar-se e mais adiante começar a ceder.

Uma das razões para a alta das taxas de desocupação neste momento é o chamado efeito alento. Em fevereiro, pela primeira vez depois de 22 meses, o país voltou a gerar vagas com carteira assinada: foram quase 36 mil, de acordo com o Caged. Com as primeiras notícias positivas sobre o mercado de trabalho, mais pessoas se aninam a procurar emprego e acabam inflando as estatísticas, já que o número de desocupados sobe sem que as ocupações reajam na mesma proporção.

O desemprego é o nervo mais exposto e doloroso da maior crise econômica já vivida pelo Brasil. É o custo mais alto de anos de irresponsabilidade, de políticas mal concebidas, de descaso com o dinheiro público, de aversão ao investimento privado e de contestações cotidianas do governo petista às mais elementares regras da economia e da aritmética.

Será ainda longa e árdua a trajetória até que o país reencontre o caminho da geração de empregos. Historicamente, o mercado de trabalho é um dos últimos aspectos a reagir às crises econômicas. Novas vagas só são abertas depois que as empresas já tiverem retomado a confiança na recuperação da atividade e religado seus motores.

Além do fim da recessão, medidas legais poderão ajudar a destravar o mercado. É o caso das novas regras para terceirização de mão de obra, aprovadas no Congresso sob forte oposição dos sindicatos – aqueles mesmos que só se preocupam em defender quem tem estabilidade no emprego e carteira assinada, mas se lixam para os milhões que não encontram trabalho, atuam como informais ou apelam para negócios próprios. É um alento, mas não é panaceia.

Mudanças ainda mais significativas podem surgir da reforma trabalhista em tramitação na Câmara, a começar pelo dispositivo que fortalece a negociação entre empregados e empregadores. O tempo passou e o mundo do trabalho mudou. Para que o país se torne mais produtivo e gere bons empregos, é preciso romper amarras quase imutáveis da legislação trabalhista brasileira, uma senhora de quase 80 anos de idade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Vencer o desemprego

Números divulgados nesta manhã pelo IBGE dão contornos definitivos à maior tragédia produzida pela ruinosa política econômica petista: o desemprego atingiu patamares recordes no último ano da gestão de Dilma Rousseff. Reverter este estrago deve ser o maior objetivo do novo governo, já que voltar a ter um emprego é o maior sonho de quem o PT colocou na rua da amargura.

Em dezembro, a taxa de desemprego bateu em 12%, a mais alta da série medida pelo IBGE, de acordo com a Pnad Contínua. Na média anual, ficou em 11,5%, com alta de três pontos percentuais sobre 2015. Isso significa que 12,3 milhões de brasileiros estão sem emprego. Em um ano, o exército de desempregados engrossou em 3,2 milhões de pessoas, com aumento de 37%.

Vai ter petista apressadinho – e leviano como sempre – querendo imputar a destruição massiva de postos de trabalho a uma suposta “política de arrocho” do governo Michel Temer. Alto lá! Entre a reeleição e o impeachment de Dilma, nada menos que 5 milhões de brasileiros perderam seus empregos; desde então, foram mais 700 mil.

Infelizmente, porém, ainda não batemos no fundo do poço. Analistas são unânimes em prever que a taxa continuará aumentando até meados deste ano para só então começar a declinar – algumas de 21 consultorias ouvidas pelo Valor Econômico estimam que o índice chegará a algo como 13% até o fim deste semestre. A dinâmica própria da atividade econômica explica.

Como a economia começa a dar sinais, ainda que tímidos, de ressurreição, mais pessoas se animarão a buscar trabalho e as taxas de desemprego, num primeiro momento, subirão. No período seguinte, que deve acontecer lá pelo terceiro trimestre do ano, as empresas, finalmente, começarão a contratar e os percentuais poderão, finalmente, começar a cair. Oxalá.

Os dados recentes já mostram algum alívio. A taxa medida pelo IBGE está estável desde o trimestre terminado em agosto, ou seja, há cinco medições. Já de acordo com o Caged, o total de postos de trabalho eliminados em 2016 (1,32 milhão) foi 15% menor que um ano antes (1,55 milhão). É melhora pouca, mas já é alguma coisa.

2017 será um ano de fortes mudanças no país, agora que a área está limpa do desastre petista. O desafio é levar adiante as reformas que o país precisa para voltar a crescer e, como consequência, obter o mais almejado objetivo: gerar empregos para devolver a milhões de lares a tranquilidade perdida com a recessão.

Que não restem dúvidas: quem produziu a crise e o desemprego tamanho GG que a acompanha foram as escolhas equivocadas dos governos petistas. À gestão atual cabe o papel de retificar o caminho, repondo o Brasil na trilha do desenvolvimento, do bem-estar e da geração de riqueza. Vencer o desemprego é a meta maior.

sábado, 15 de outubro de 2016

O desalento que amplifica a crise

O IBGE acaba de constatar o que há muito tempo já se cogitava: a situação do mercado de trabalho no Brasil, infelizmente, é bem pior do que se sabia até agora. O desalento com a nossa economia amplifica o exército dos que não conseguem obter um emprego e fragiliza as condições laborais.

Ontem, pela primeira vez, o IBGE divulgou indicadores que adicionam ao contingente de desempregados aqueles que deixaram de buscar trabalho (desalento) e os que, mesmo querendo, não conseguem uma ocupação mínima de 40 horas semanais (subocupação).

Segundo esta metodologia, em julho havia 22,7 milhões de brasileiros para quem falta trabalho no país. Estavam assim divididos: 11,6 milhões estão desocupados; 6,2 milhões estão desalentados, ou seja, desistiram de procurar alguma ocupação; e 4,8 milhões são os chamados subocupados, que trabalham menos que a jornada mínima diária de oito horas.

Este grupo representa 13,6% da população com idade para trabalhar no país, contingente que alcança 166 milhões de brasileiros. Quando se considera a taxa composta por todos os subgrupos, ou seja, desocupados, subocupados e desalentados, o percentual atinge 20,9% da força de trabalho “ampliada”, conceito que engloba as populações ocupadas e desocupadas e a força de trabalho potencial, de acordo com o IBGE.

Recorde-se que a taxa oficial (pura) de desemprego está em 11,8% e considera 12 milhões de pessoas sem ocupação no trimestre terminado em agosto. Com os novos indicadores, sabemos agora que, no frigir dos ovos, o total de pessoas para quem falta trabalho no Brasil equivale a praticamente o dobro do número oficial de desempregados.

Desde o início da recessão, em 2014, o grupo dos brasileiros para quem falta trabalho cresceu mais de 47%: passou de 15,4 milhões de pessoas para os atuais 22,7 milhões, segundo O Globo. Ou seja, ganhou mais 7,3 milhões de pessoas.

A mudança metodológica obedece orientação da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que visa padronizar as estatísticas globais sobre o assunto. As conclusões jogam por terra a falácia, propagada durante anos pelo petismo, de que o Brasil exibiu as melhores taxas de emprego do mundo nos governos Lula e Dilma.

A este respeito, vale fixar a precisa avaliação feita por Claudio Dedecca, professor da Unicamp, publicada na edição de hoje dO Globo: “Nos anos de pleno emprego, todo mundo tinha trabalho, mas isso não quer dizer que todos recebiam o suficiente para se manter ou tinham empregos de qualidade. Sempre tivemos postos de baixa produtividade, de baixa qualificação e baixa remuneração”.

Mais este retrato da dramática situação em que se encontra a economia do país apenas reforça a necessidade de levar adiante uma ousada agenda de reformas que tenham capacidade de promover o crescimento, de forma a gerar melhores condições de trabalho, renda e bem-estar social para os brasileiros.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Retratos do desemprego

A falta de emprego está disseminada em todas as regiões, em todas as camadas sociais e faixas etárias. No país que, sob os governos do PT, tornou-se recordista mundial de desemprego, o principal alvo de qualquer boa política econômica precisa ser gerar novas oportunidades de trabalho. Numa situação assim, conceder mais benefícios e reajustes salariais a quem já está empregado é seguir na contramão.

Em 20 das 27 unidades da federação, a taxa medida pelo IBGE nunca esteve tão alta. Todos os setores encolheram, com especial destaque para a indústria, que em um ano eliminou 1,4 milhão de vagas de trabalho. Não tem refresco para ninguém.

Na média, o desemprego fechou o segundo trimestre do ano em 11,3%, divulgou o IBGE na semana passada. A pior situação é a do Nordeste, região mais castigada pela recessão. O número de nordestinos fora do mercado de trabalho já totaliza 19,6 milhões, quase 44% do total de pessoas na região em idade para trabalhar, segundo o Valor Econômico.

Em todo o país, somam 11,6 milhões os brasileiros sem emprego hoje. Entre os jovens, a taxa chega a 24%. O desemprego ainda deve aumentar pelo menos um ponto percentual nos próximos quatro meses, o que significa mais 1 milhão de pessoas na rua da amargura. A curva só deve parar de subir no segundo semestre do ano que vem.

O exército dos desempregados não é o único. Há também os subempregados (trabalhadores que ganham menos que o salário mínimo) e os subocupados (que, mesmo querendo, trabalham menos que a jornada de 40 horas).

Eles se somam aos trabalhadores informais, que já são mais de 10 milhões de brasileiros e devem crescer ainda mais, segundo mostrou O Estado de S. Paulo em sua edição de ontem. São pessoas que, embora estejam trabalhando, não têm nenhum benefício trabalhista.

Outro aspecto pouco comentado do mercado de trabalho brasileiro é sua baixa remuneração. Mesmo nos anos de bonança econômica, a maior parte das vagas geradas pagava salários de até dois salários mínimos. Só piorou: hoje 10,3 milhões de pessoas ganham baixo de metade do mínimo.

Para completar o retrato desestimulante, há também o chamado desemprego por desalento, pessoas que simplesmente desistiram de buscar uma vaga de trabalho. Ele fica evidente, por exemplo, na redução do número de trabalhadores ativos, fenômeno que já acontece no Nordeste, com queda de 0,4% no trimestre.

A situação dramática do mercado de trabalho brasileiro reforça a necessidade de austeridade no ajuste econômico como forma de abrir caminho para a retomada do crescimento. Não se justifica a concessão de aumentos salariais a categorias profissionais fartamente protegidas no momento em que, a cada dia, 3 mil pessoas perdem seu emprego no país. Estes e não aqueles devem ser a prioridade nacional.

sábado, 6 de agosto de 2016

A farinha está pouca

O dinheiro anda curto no bolso do brasileiro. Provavelmente vai continuar assim por um longo tempo ainda. O quanto antes o novo governo conseguir fazer as pazes com a aritmética e a responsabilidade voltar a imperar no orçamento público, mais cedo as engrenagens da economia voltarão a girar. Uma coisa não funciona sem a outra.

A herança maldita legada pelo PT ainda vai nos custar meses, quiçá anos, de sacrifícios. É pesado o fardo que a atual gestão tem de carregar no lombo, e as contribuições que vem dando para mudar – para melhor – as expectativas em relação ao futuro e as perspectivas do país já são um alento e tanto diante do deserto ao qual o Brasil se acostumara com Dilma Rousseff.

Os sinais da braveza da crise se mostram, por exemplo, na séria perda de rendimentos sofrida por quem ainda consegue se manter empregado. Chega a assustar. Os números mais recentes sobre o mercado de trabalho, contidos na Pnad Contínua, indicam que a renda média do trabalhador brasileiro desceu ao menor nível desde fins de 2012, ou seja, em quase quatro anos. Desde o pico, no início de 2015, são quase 5% de perda.

“Não há qualquer dado, qualquer sinal de respiro e recuperação no mercado de trabalho no segundo trimestre, que já deveria apresentar alguma variação positiva ou estabilidade”, sentenciou Cimar Azevedo, o técnico responsável por acompanhar a situação do emprego no país, no dia em que o IBGE revelou que a taxa de desocupação escalou ao recorde de 11,3%.

Com o salário mais curto, resta ao trabalhador apelar para as parcas economias depositadas no banco – isso quando as há. Por mais um mês, os brasileiros tiveram de avançar sobre sua poupança. Pela 16ª vez desde o início de 2015, os saques superaram os depósitos nas cadernetas. Desta vez, em R$ 1,1 bilhão. Nada menos que R$ 97 bilhões já saíram dos cofrinhos desde janeiro do ano passado.

O poder aquisitivo da população também é corroído pela inflação, outro dos presentes que a gestão petista gentilmente deixou de legado para o país. Mesmo com a arrefecida recente, o índice oficial ainda acumula alta de 8,8% nos últimos 12 meses. Enquanto estiver tão elevado, e a torneira de gastos ainda não tiver sido fechada para ajudar a política monetária no combate à carestia, os juros precisarão ser mantidos altos, já avisou o Banco Central.

Este conjunto de situações só reforça a recomendação para que as forças políticas e econômicas imbuídas em resgatar o país remem na mesma direção, ou seja, a que restaura a responsabilidade no trato da coisa pública, o respeito às regras estabelecidas e o equilíbrio entre despesas e receitas. 

É este o único caminho para que o crescimento econômico retorne e para que os graves problemas enfrentados hoje pelos brasileiros se tornem parte do passado. Com a farinha pouca, ninguém deveria querer ser o primeiro na fila do pirão.