Os resultados do PIB que o IBGE divulgou nesta manhã demonstram quão árduo será o caminho da retomada do crescimento do país. O ritmo de alta diminuiu em relação ao primeiro trimestre, mas pelo menos manteve-se em terreno positivo e mostrou-se menos dependente de um único setor, a agropecuária.
A economia brasileira cresceu 0,2% entre abril e junho passado, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. É o segundo trimestre consecutivo de alta, depois de oito trimestres seguidos de quedas. Livre do PT, o país deixou para trás a mais profunda e prolongada recessão de sua história, uma experiência para ser conhecida e nunca mais repetida.
Mesmo tímido, o crescimento do período pode ser considerado uma vitória, uma vez que metade do trimestre coincide com a crise política deflagrada em 17 de maio. Temia-se o pior, ou seja, nova queda, mas ela não veio. Talvez seja indicativo de que, superadas turbulências fora da ordem, a economia brasileira esteja de fato no rumo da recuperação. Oxalá.
Desta vez, claramente o motor da atividade foi o consumo das famílias, com alta de 1,4% sobre o trimestre anterior, depois de nove quedas consecutivas. Com o fim da safra recorde, a locomotiva agropecuária deu uma paradinha e ficou estagnada. Serviços, sobretudo comércio, cresceram 0,6% no trimestre e a indústria caiu 0,5%, com destaque negativo para a construção.
Em contrapartida, mais uma vez, a formação bruta de capital fixo despencou. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, já são 13 quedas seguidas, desta vez de 6,5%. Em proporção do PIB, os investimentos recuaram agora a 15,5%, mais um recorde negativo numa economia em que essa taxa deveria situar-se pelo menos ao redor de 25%, padrão de países com perfis similares ao nosso – em 2010, triscamos em 22%.
Há, contudo, uma clara trajetória de recuperação da economia quando se constata que o resultado acumulado em quatro trimestres passou de -4,8% no fim do segundo trimestre de 2016, data em que chegou ao fim o malfadado governo petista, para os atuais -1,4%, desempenho próximo ao da crise global de 2009. No semestre, a variação do PIB brasileiro foi zero. Ou seja, paramos de piorar.
Juros, inflação, crédito e mercado de trabalho começam a desenhar contornos de um cenário mais benigno, enquanto o desempenho fiscal e a trajetória explosiva da dívida pública, ambos à espera de maior arrojo do Congresso nas reformas estruturais, figuram na ponta dos grandes riscos.
Ainda ontem, o IBGE mostrou que em julho o desemprego voltou a cair e o total de desocupados diminuiu em 1,4 milhão de pessoas nos últimos dois meses. Já há quem preveja que a taxa poderá baixar para 12% até o fim do ano, quase dois pontos percentuais menor que a máxima, registrada em março último. A indústria automobilística começou a retomar jornadas em três turnos e, após quatro anos, também deve voltar a contratar, registra o Valor Econômico.
É inegável que, a despeito dos muitos percalços e deficiências que rondam o atual governo, o país trilha caminho bem mais próspero do que aquele ao qual estava fadado até um ano e pouco atrás. Os resultados do trimestre reforçam o dever de aprofundar os ajustes e as reformas, bem como a imperativa necessidade de impedir que os rumos do Brasil voltem a descambar para o mais abjeto populismo, que ora ainda nos cobra seu alto preço, nas eleições de 2018.
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sábado, 2 de setembro de 2017
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