O ceticismo em torno do fim da recessão é salutar e profilático. Ajuda a ressaltar os gigantescos desafios e dificuldades que o país ainda precisará superar para que a retomada do crescimento se torne de fato realidade. Colabora para enfatizar o tamanho do estrago que decisões equivocadas e uma política econômica ruinosa são capazes de produzir.
A alta de 1% registrada no primeiro trimestre é insuficiente para compensar o recuo que, pelos critérios da FGV, começou no segundo trimestre de 2014 e levou a atividade econômica nacional ao nível em que estava em fins de 2010. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB mantém-se negativo (-0,4%), deixando o Brasil ainda na lanterna dos rankings globais de crescimento.
Também por isso, o primeiro crescimento da produção depois de oito quedas trimestrais consecutivas, conforme série do IBGE, ainda não se mostra capaz de animar as apostas em torno da superação definitiva do maior e mais prolongado período recessivo vivido pela atividade econômica no Brasil. O caminho até o éden revela-se longo, esburacado, cheio de curvas, sujeito a chuvas e muitas trovoadas. Como e quando chegaremos lá?
Dois setores estão se apresentando como motores de uma arrancada adiante: a agropecuária e as exportações. Eles representam um Brasil possível, mas que ainda não se tornou predominante: dinâmico, altamente produtivo, com reconhecida capacidade de competir globalmente e menos dependente da mãozinha do Estado. São amostras do que podemos ser, microcosmos daquilo que ainda não somos.
Durante os últimos anos em que ainda havia crescimento no país, não coube nem ao campo nem ao comércio exterior papéis de protagonistas. Quem puxou o PIB naquele breve interregno de altas foi, sobretudo, o consumo – das famílias e do governo. Antes, como agora, os investimentos foram meros coadjuvantes.
Vistos em conjunto, esses componentes do PIB, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda, contam uma história. Mostram que a bonança que nos premiou na década passada foi consumida em si mesma. As sementes que poderiam fazer germinar a economia do amanhã não foram plantadas. As árvores que então frutificavam ficaram sem rega e adubo. A lavoura, então, murchou.
Esta é possivelmente uma imagem fiel da economia brasileira sob os anos de gestão do PT: uma vistosa plantação devastada por nuvens de gafanhotos, observada à distância pelo fazendeiro bonachão que se fartava nos exageros do consumo, desdenhava de precauções e não estava nem aí para o futuro. Não deu outra: a terra restou arrasada, quase um deserto desolado.
Vai levar tempo até esse solo exaurido pela irresponsabilidade voltar a brotar. Pode ser mais longo ou mais curto, a depender dos esforços de quem se dispuser a lavrar o chão ressecado, semear a terra e trabalhar de sol a sol para tratar os frutos, que, não duvidemos, demorarão a despontar. Em suma, depende de reformar o que errado e alquebrado está.
Pode ser mais difícil se a gritaria daqueles mesmos bonachões que ajudaram a praga a se espalhar – sim, mesmo com a destruição que promoveram, eles ainda estão por aí, livres, soltos e falastrões – se fizer ouvir e voltar a ganhar adeptos, espaço e poder.
Em termos mais diretos, os brasileiros amargam as consequências do que o PT fez ao país. Sofrem com os descaminhos de políticas postas em prática por Lula e Dilma e turbinadas por equipes ministeriais que dividiam seus expedientes entre a gestão da economia e a operação de balcões da corrupção. Pagam o preço dessa ruína.
Para ressuscitar, a economia brasileira terá de matar esse legado e fazer nascer um novo modelo. Por menos que isso, a crise não irá embora, até porque milagres só operam em outras dimensões... Não se destrói um país impunemente. Não se supera uma herança tão maldita senão com muito trabalho, esforço e tempo, muito tempo. Ao PT o que é do PT: todos os créditos pela devastação que, com tanta competência, conseguiu produzir.
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sábado, 3 de junho de 2017
sexta-feira, 2 de junho de 2017
O fim da recessão
Depois de uma sequência de quase três anos contínuos de queda, a economia brasileira finalmente respirou. A alta registrada no primeiro trimestre coroa a retomada que se seguiu à mudança de governo, mas pode ser insuficiente para sepultar de vez a pesada herança recessiva legada pelo PT. Depende dos caminhos que o país conseguirá trilhar, e da superação da atual crise política, a chance de voltar a crescer de forma sustentada.
O PIB brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre do ano na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Segundo o IBGE, a alta interrompe oito trimestres seguidos de quedas. Por outros mecanismos de aferição, a recessão do país é ainda mais prolongada e severa, com início no segundo trimestre de 2014.
A mudança de ares que se operou no país desde o fim do governo do PT ajudou a melhorar expectativas e a reerguer a atividade. A expressiva queda da inflação – que desceu a menos da metade do que era um ano atrás – e a consequente redução da taxa básica de juros – que ontem caiu mais um ponto percentual, agora para 10,25% ao ano – forneceram condições objetivas à melhoria do ambiente econômico.
No lado real da economia, foi sobretudo graças à agropecuária que a economia nacional ressuscitou. A alta em relação ao trimestre anterior foi de 13,4%, a maior desde 1996. O campo está bombando, produzindo a maior safra de grãos da nossa história e ajudando a dinamizar a atividade também da porteira para fora: a indústria cresceu 0,9% no trimestre, no melhor resultado em quatro anos. Serviços ficaram estáveis (0%).
Mas os números divulgados nesta manhã pelo IBGE também trazem resultados muito ruins. Todos os componentes da demanda, como consumo e investimentos, voltaram a cair. Novamente, o destaque mais negativo foram os investimentos, há quatro anos em queda praticamente ininterrupta. Com isso, a taxa de investimentos desceu a seu menor patamar da série histórica do IBGE, para 15,6% do PIB.
Isso significa que, por um lado, as famílias continuam receosas de consumir – muitas delas, 14 milhões para ser mais exato, não têm sequer condições de, por estarem nas estatísticas de desemprego. Do lado dos investidores, o ânimo ainda não voltou e corre risco de continuar adormecido se as reformas estruturais emperrarem em Brasília.
A conclusão que se tira de tudo isso é que o país vem vivendo uma experiência econômica tétrica desde a virada da década. A atividade produtiva está no mesmo patamar de fins de 2010, ou seja, lá se foram seis anos jogados na lata de lixo. Fica de lição como experiência a ser aprendida e nunca mais repetida, e de prevenção ao canto da sereia daqueles que têm a cara de pau de defender a ressurreição da malfadada receita petista de produzir ruínas.
O país precisa redobrar a energia para superar a crise política, perseverar na limpeza da corrupção que os governos de Lula e Dilma transformaram em endêmica e insistir em mudanças profundas na estrutura produtiva, em especial nos gastos públicos. Só assim a pior recessão da nossa história será, de fato, passado. Por enquanto, ainda não é.
O PIB brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre do ano na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Segundo o IBGE, a alta interrompe oito trimestres seguidos de quedas. Por outros mecanismos de aferição, a recessão do país é ainda mais prolongada e severa, com início no segundo trimestre de 2014.
A mudança de ares que se operou no país desde o fim do governo do PT ajudou a melhorar expectativas e a reerguer a atividade. A expressiva queda da inflação – que desceu a menos da metade do que era um ano atrás – e a consequente redução da taxa básica de juros – que ontem caiu mais um ponto percentual, agora para 10,25% ao ano – forneceram condições objetivas à melhoria do ambiente econômico.
No lado real da economia, foi sobretudo graças à agropecuária que a economia nacional ressuscitou. A alta em relação ao trimestre anterior foi de 13,4%, a maior desde 1996. O campo está bombando, produzindo a maior safra de grãos da nossa história e ajudando a dinamizar a atividade também da porteira para fora: a indústria cresceu 0,9% no trimestre, no melhor resultado em quatro anos. Serviços ficaram estáveis (0%).
Mas os números divulgados nesta manhã pelo IBGE também trazem resultados muito ruins. Todos os componentes da demanda, como consumo e investimentos, voltaram a cair. Novamente, o destaque mais negativo foram os investimentos, há quatro anos em queda praticamente ininterrupta. Com isso, a taxa de investimentos desceu a seu menor patamar da série histórica do IBGE, para 15,6% do PIB.
Isso significa que, por um lado, as famílias continuam receosas de consumir – muitas delas, 14 milhões para ser mais exato, não têm sequer condições de, por estarem nas estatísticas de desemprego. Do lado dos investidores, o ânimo ainda não voltou e corre risco de continuar adormecido se as reformas estruturais emperrarem em Brasília.
A conclusão que se tira de tudo isso é que o país vem vivendo uma experiência econômica tétrica desde a virada da década. A atividade produtiva está no mesmo patamar de fins de 2010, ou seja, lá se foram seis anos jogados na lata de lixo. Fica de lição como experiência a ser aprendida e nunca mais repetida, e de prevenção ao canto da sereia daqueles que têm a cara de pau de defender a ressurreição da malfadada receita petista de produzir ruínas.
O país precisa redobrar a energia para superar a crise política, perseverar na limpeza da corrupção que os governos de Lula e Dilma transformaram em endêmica e insistir em mudanças profundas na estrutura produtiva, em especial nos gastos públicos. Só assim a pior recessão da nossa história será, de fato, passado. Por enquanto, ainda não é.
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