Luiz Inácio Lula da Silva ainda aparece como o principal concorrente à presidência da República nas eleições do ano que vem. É uma lástima. Mas, para voltar a comandar o país, ele terá de acertar várias contas com a Justiça. Se pretende se safar, melhor parar de tentar forjar provas e de passar recibo de que cometeu os crimes de que é acusado.
Lula já está condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex à beira-mar ganhado da OAS. Além desse processo, que depende apenas de manifestação dos juízes de segunda instância para que o ex-presidente seja preso, ele também é réu em outros seis.
O petista caminha para ser condenado em mais um deles. Desta vez também por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo um apartamento e o terreno onde seria instalado o Instituto Lula – para os quais já se conhecem provas de repasses da Odebrecht. Trata-se de corrupção avaliada em uns R$ 13 milhões. O caso é ilustrativo da desfaçatez de Lula.
Quando interrogado pelo juiz Sergio Moro no último dia 13 em Curitiba, Lula disse que quem cuidava do apartamento era sua esposa, Marisa Letícia, falecida em fevereiro. Cobrado sobre recibos que comprovassem que ele de fato alugava o imóvel, e não é seu dono, como sustenta a acusação, o ex-presidente gaguejou.
Dias depois, a defesa do petista encaminhou a Moro papéis que, segundo os advogados, demonstrariam a lisura da operação. O que se viu desde então foi uma sucessão de falcatruas que revelam o desapreço de Lula pela Justiça, a quem ele tenta ludibriar forjando provas.
Para um período de 59 meses de aluguel, a defesa apresentou apenas 26 recibos. Dois deles tinham datas inexistentes e meia dúzia repetiam mesmos erros grotescos de digitação. Tudo leva a crer que tenham sido preparados às pressas para responder a Moro, ou seja, eram de mentirinha.
Em seguida, o suposto proprietário do imóvel revelou que os recibos lhe foram levados para assinar no hospital por advogados de Lula, tudo num mesmo dia. Glaucos da Costamarques também assegurou que durante anos não recebeu nada a título de aluguel, deixando claro que era mero dono de fachada do apartamento, um laranja.
Uma planilha com os gastos detalhados da minuciosa contabilidade da família Lula da Silva incluía até as despesas com IPTU e condomínio do imóvel com que o petista foi presenteado pela Odebrecht, mas nem um centavo registrado de gastos com aluguel do mesmo.
É este personagem capaz de tramoias deste quilate, a fim de enganar a Justiça brasileira para tentar salvar-se das acusações de corrupção que lhe pensam nos ombros, que precisa ser batido nas eleições gerais de 2018. Lula tem contas a acertar com o povo brasileiro: precisa ser derrotado nas urnas e preso pela Justiça, pelos crimes que cometeu e pelo logro que empreende para tentar livrar-se deles.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Lula, o mito e a verdade
Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje mais um encontro com o juiz Sergio Moro em Curitiba. A cantilena dos petistas já está ensaiada: sustenta que tudo não passa de perseguição ao “maior líder popular deste país”, destinada a impedi-lo de voltar a governar o Brasil. É a ficção que lhes sobrou defender.
O problema é que, a cada dia que passa, a caricatura condiz menos com a realidade. O Lula de hoje é pior que o de ontem e o de amanhã certamente será ainda pior que o de agora. A cada episódio, o petista tem mais suspeitas a elucidar, mais acusações a responder, mais condenações contra as quais se defender.
O depoimento desta terça-feira, cinco meses após o anterior, faz parte de investigação sobre as relações do ex-presidente com a Odebrecht. A acusação, mais uma vez, é de corrupção e lavagem de dinheiro recebido da empreiteira para construção da sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP). A soma envolve R$ 12,4 milhões.
São os mesmos crimes pelos quais, em julho, o petista foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de cadeia pela ocultação da propriedade de um tríplex no Guarujá (SP), recebido como propina da empreiteira OAS em troca de contratos bilionários na Petrobras. A ficha corrida de Lula é extensa.
Só nos últimos dias Lula foi denunciado outras duas vezes, uma delas por formar, com Dilma Rousseff, outros cinco ex-ministros de Estado e um ex-tesoureiro do PT uma organização criminosa aliciada com pelo menos R$ 1,48 bilhão em propinas. A última, nesta segunda-feira, por negociar a edição de medidas provisórias.
Não é só a Justiça brasileira que dá dor de cabeça a Lula. Segundo o script dos petistas, ele é vítima da “elite”, aquela mesma que viveu no paraíso quando o PT governava... Difícil será encaixar nesse conto da carochinha episódios como o depoimento de Antonio Palocci, que pôs Lula no centro de um “pacto de sangue” firmado para assaltar o país em parceria com a mesma Odebrecht do caso investigado hoje em Curitiba.
Na semana passada, o mais poderoso ex-ministro de Lula, e um dos artífices de sua eleição em 2002, disse que a empreiteira franqueou R$ 300 milhões ao PT e ofereceu ao ex-presidente pagamento por “palestras” que manteriam sua vida em condições nababescas – recorde-se que, apenas em plano de previdência privada, Lula tinha R$ 9 milhões guardados. A reação imediata dos petistas foi pedir a expulsão de Palocci do partido...
Pela lista de crimes que cometeu, lesando o interesse público e ludibriando os brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva deve pagar com uma temporada na cadeia. Mas, além de condenado pela Justiça, ele precisa ser derrotado nas urnas nas eleições de 2018. Só assim o mito em torno do qual sua figura enganosa foi erigida será implodido de vez.
O problema é que, a cada dia que passa, a caricatura condiz menos com a realidade. O Lula de hoje é pior que o de ontem e o de amanhã certamente será ainda pior que o de agora. A cada episódio, o petista tem mais suspeitas a elucidar, mais acusações a responder, mais condenações contra as quais se defender.
O depoimento desta terça-feira, cinco meses após o anterior, faz parte de investigação sobre as relações do ex-presidente com a Odebrecht. A acusação, mais uma vez, é de corrupção e lavagem de dinheiro recebido da empreiteira para construção da sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP). A soma envolve R$ 12,4 milhões.
São os mesmos crimes pelos quais, em julho, o petista foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de cadeia pela ocultação da propriedade de um tríplex no Guarujá (SP), recebido como propina da empreiteira OAS em troca de contratos bilionários na Petrobras. A ficha corrida de Lula é extensa.
Só nos últimos dias Lula foi denunciado outras duas vezes, uma delas por formar, com Dilma Rousseff, outros cinco ex-ministros de Estado e um ex-tesoureiro do PT uma organização criminosa aliciada com pelo menos R$ 1,48 bilhão em propinas. A última, nesta segunda-feira, por negociar a edição de medidas provisórias.
Não é só a Justiça brasileira que dá dor de cabeça a Lula. Segundo o script dos petistas, ele é vítima da “elite”, aquela mesma que viveu no paraíso quando o PT governava... Difícil será encaixar nesse conto da carochinha episódios como o depoimento de Antonio Palocci, que pôs Lula no centro de um “pacto de sangue” firmado para assaltar o país em parceria com a mesma Odebrecht do caso investigado hoje em Curitiba.
Na semana passada, o mais poderoso ex-ministro de Lula, e um dos artífices de sua eleição em 2002, disse que a empreiteira franqueou R$ 300 milhões ao PT e ofereceu ao ex-presidente pagamento por “palestras” que manteriam sua vida em condições nababescas – recorde-se que, apenas em plano de previdência privada, Lula tinha R$ 9 milhões guardados. A reação imediata dos petistas foi pedir a expulsão de Palocci do partido...
Pela lista de crimes que cometeu, lesando o interesse público e ludibriando os brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva deve pagar com uma temporada na cadeia. Mas, além de condenado pela Justiça, ele precisa ser derrotado nas urnas nas eleições de 2018. Só assim o mito em torno do qual sua figura enganosa foi erigida será implodido de vez.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Lula, esse pobre homem do povo
A militância petista tem se dedicado com afinco a defender Luiz Inácio Lula da Silva. O problema é que, cada vez mais, faltam-lhe argumentos. É difícil sustentar que o ex-presidente é um perseguido pela Justiça, uma vítima das elites, um pobre coitado massacrado porque venceu na vida. A realidade é que Lula paga o que deve, responde pelo que fez e vê rasgar-se a fantasia daquilo que ele nunca foi.
À medida que as investigações do Judiciário, das polícias e dos órgãos de fiscalização e controle avançam, acumulam-se graves acusações contra o líder-mor dos petistas. As piores são as suspeitas de que ele usou o cargo de presidente da República para traficar influência, obter benefícios pessoais e abrir caminho para a corrupção no governo. Fora do cargo, a desenvoltura só aumentou.
Lula não consegue explicar como faturou tanto dinheiro nos últimos anos. Não é capaz de justificar como adquiriu bens e imóveis, como pôde ter uma vida cada vez mais confortável durante e depois da passagem pelo comando do país. Renda e patrimônio para isso ele até tinha (ou tem), mas eles nunca são arrolados pelo ex-presidente como lastro de suas conquistas materiais e financeiras. Por que será?
Os escândalos da hora que têm Lula como protagonista envolvem a nebulosa compra de um tríplex à beira-mar no Guarujá (SP) e a reforma de um sítio em Atibaia. O traço comum é que sempre envolvem o patrocínio de alguma empresa agraciada por benesses públicas bancadas com o dinheiro do povo brasileiro e gentilmente concedidas pelos governos do PT. Sempre implicam uma espécie de toma-lá-deu-cá.
A confusão entre público e privado sempre orbitou em torno de Lula, desde muito antes de ele se tornar presidente do Brasil. Coincide, na verdade, com os primeiros triunfos do PT em nível municipal. Bastou o partido pôr o pé em algumas prefeituras importantes, e ricas, para as denúncias de irregularidades e corrupção começarem a surgir. Lula ou algum preposto dele sempre estavam por perto.
Os mesmos problemas que Lula enfrenta agora para explicar seus imóveis ele teve ainda nos anos 1990. O líder petista não conseguiu provar de onde veio o dinheiro para adquirir o apartamento de cobertura onde mora até hoje em São Bernardo do Campo. A transação envolveu firmas falidas, desapropriações suspeitas feitas pela administração municipal do PT e a onipresente figura do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula.
A história veio à tona em 1998 e pode ser lida neste trecho de livro de Luiz Maklouf Carvalho. Foi parte de uma apuração jornalística que decorria de inquéritos – inclusive conduzidos internamente pelo PT – que investigaram irregularidades cometidas em prefeituras petistas em que uma empresa ligada a Teixeira, a CPEM, era sempre beneficiada por contratos sem licitação.
Tanto antes como agora, Lula sempre se recusou a explicar a verdadeira origem dos recursos. No presente, além deste embaraço, fica também difícil para os petistas sustentar – em cima de base real e não de ficções – que ele seria um pobre coitado perseguido pelo bem que concedeu aos mais pobres e pelas maldades impetradas ao andar de cima. Nunca foi nem uma coisa, nem outra.
Resta aos sequazes do ex-presidente apenas defender como “coisas mais naturais do mundo” as circunstâncias com as quais Lula sustenta sua vida na base de mimos recebidos graciosamente de empreiteiras – como fez Gilberto Carvalho recentemente.
Ou talvez seus fiéis escudeiros achem que eletrodomésticos pagos a peso de ouro – entre eles, forno de R$ 10 mil e bancada de cozinha de R$ 43 mil, comprados em dinheiro vivo – sejam regalinhos insignificantes. Ou antenas de telefone instaladas acidentalmente no quintal sejam singela dádiva dos céus e não de empresas telefônicas, como estampa a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje. Tudo coisa de somenos importância...
É uma pena que Lula não vá mais depor hoje ao Ministério Público em São Paulo, o que ocorreria pela primeira vez com ele já na condição de investigado e não mais como simples testemunha ou depoente. Seria uma oportunidade e tanto para que demonstrasse que vive, conforme sustenta a narrativa petista, como um simples homem do povo. Vai ver todo o conforto que lhe cerca seja só uma miragem, uma invenção dos adversários, uma ficção da imprensa, uma maldade da Justiça ou uma farsa da história.
À medida que as investigações do Judiciário, das polícias e dos órgãos de fiscalização e controle avançam, acumulam-se graves acusações contra o líder-mor dos petistas. As piores são as suspeitas de que ele usou o cargo de presidente da República para traficar influência, obter benefícios pessoais e abrir caminho para a corrupção no governo. Fora do cargo, a desenvoltura só aumentou.
Lula não consegue explicar como faturou tanto dinheiro nos últimos anos. Não é capaz de justificar como adquiriu bens e imóveis, como pôde ter uma vida cada vez mais confortável durante e depois da passagem pelo comando do país. Renda e patrimônio para isso ele até tinha (ou tem), mas eles nunca são arrolados pelo ex-presidente como lastro de suas conquistas materiais e financeiras. Por que será?
Os escândalos da hora que têm Lula como protagonista envolvem a nebulosa compra de um tríplex à beira-mar no Guarujá (SP) e a reforma de um sítio em Atibaia. O traço comum é que sempre envolvem o patrocínio de alguma empresa agraciada por benesses públicas bancadas com o dinheiro do povo brasileiro e gentilmente concedidas pelos governos do PT. Sempre implicam uma espécie de toma-lá-deu-cá.
A confusão entre público e privado sempre orbitou em torno de Lula, desde muito antes de ele se tornar presidente do Brasil. Coincide, na verdade, com os primeiros triunfos do PT em nível municipal. Bastou o partido pôr o pé em algumas prefeituras importantes, e ricas, para as denúncias de irregularidades e corrupção começarem a surgir. Lula ou algum preposto dele sempre estavam por perto.
Os mesmos problemas que Lula enfrenta agora para explicar seus imóveis ele teve ainda nos anos 1990. O líder petista não conseguiu provar de onde veio o dinheiro para adquirir o apartamento de cobertura onde mora até hoje em São Bernardo do Campo. A transação envolveu firmas falidas, desapropriações suspeitas feitas pela administração municipal do PT e a onipresente figura do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula.
A história veio à tona em 1998 e pode ser lida neste trecho de livro de Luiz Maklouf Carvalho. Foi parte de uma apuração jornalística que decorria de inquéritos – inclusive conduzidos internamente pelo PT – que investigaram irregularidades cometidas em prefeituras petistas em que uma empresa ligada a Teixeira, a CPEM, era sempre beneficiada por contratos sem licitação.
Tanto antes como agora, Lula sempre se recusou a explicar a verdadeira origem dos recursos. No presente, além deste embaraço, fica também difícil para os petistas sustentar – em cima de base real e não de ficções – que ele seria um pobre coitado perseguido pelo bem que concedeu aos mais pobres e pelas maldades impetradas ao andar de cima. Nunca foi nem uma coisa, nem outra.
Resta aos sequazes do ex-presidente apenas defender como “coisas mais naturais do mundo” as circunstâncias com as quais Lula sustenta sua vida na base de mimos recebidos graciosamente de empreiteiras – como fez Gilberto Carvalho recentemente.
Ou talvez seus fiéis escudeiros achem que eletrodomésticos pagos a peso de ouro – entre eles, forno de R$ 10 mil e bancada de cozinha de R$ 43 mil, comprados em dinheiro vivo – sejam regalinhos insignificantes. Ou antenas de telefone instaladas acidentalmente no quintal sejam singela dádiva dos céus e não de empresas telefônicas, como estampa a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje. Tudo coisa de somenos importância...
É uma pena que Lula não vá mais depor hoje ao Ministério Público em São Paulo, o que ocorreria pela primeira vez com ele já na condição de investigado e não mais como simples testemunha ou depoente. Seria uma oportunidade e tanto para que demonstrasse que vive, conforme sustenta a narrativa petista, como um simples homem do povo. Vai ver todo o conforto que lhe cerca seja só uma miragem, uma invenção dos adversários, uma ficção da imprensa, uma maldade da Justiça ou uma farsa da história.
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