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quinta-feira, 9 de março de 2017

Recessão e corrupção

Não é mera coincidência que a maior crise econômica da história brasileira suceda ao maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia em todo o mundo. Recessão e petrolão são faces da mesma moeda: a de um projeto de poder esfomeado que não se pejou de destroçar o Brasil para saciar-se.

Não é coincidência que, à medida que a corrupção tomava conta da relação entre poder público e interesses privados, a atividade produtiva tenha afundado como nunca no país. Investimentos, negócios e geração de riqueza e emprego não vicejam onde regras do jogo são feitas para serem burladas.

Não é coincidência que, enquanto nos governos recentes as pessoas que ocupavam a presidência da República se locupletavam com dinheiro sujo, a população em geral tenha empobrecido como jamais visto. O recurso embolsado para fazer as delícias de alguns é o mesmo que falta para promover bem-estar ao povo.

Também não é por acaso que aqueles que deveriam zelar pelas finanças e pela solidez das contas públicas, ou seja, dinheiro pago pelos contribuintes, sejam os mesmos escalados para fazer negociatas, vender decisões de governo e azeitar dutos de propina e dinheiro ilícito para bancar seu partido político. Responsabilidade fiscal não comunga com improbidade, desfaçatez e ausência de espírito público.

Não é coincidência que o partido que ao longo de toda a sua história se apresentava como “defensor do patrimônio público” tenha promovido a maior pilhagem e a mais completa destruição de todas, rigorosamente todas, as estatais que teve sob seu comando. Estado inchado e balofo só serve para perpetuar iniquidades e para servir de maná a poderosos, jamais para atender melhor a população.

Também não é obra do destino que o partido que se diz “dos trabalhadores” tenha dado à luz o maior exército de pessoas desempregadas que o país já teve. A receita econômica dos regimes populistas colabora mesmo é para manter os pobres na pobreza, não para dar-lhes mais autonomia, oportunidades de trabalho e perspectivas de prosperidade.

Não é, ainda, surpresa que a estratégia que mesclou explosão de endividamento público, consumo desenfreado e intervencionismo sem par tenha produzido ruína e rombos e não progresso ou benefício social e econômico. Não há crescimento com voluntarismo, não há avanço sem equilíbrio fiscal, não há investimento sem ambiente seguro, saudável e propício. Quem arca com a fatura da farra é sempre o povo; quem acaba lesadas em seus sonhos e direitos são também as gerações futuras.

O mais chocante é que os mesmos que protagonizaram o maior escândalo de corrupção do mundo e os mesmos que levaram o Brasil a ser, entre as economias relevantes, a mais atrasada do planeta nos anos recentes ajam como se nada tivessem com isso e até planejem se apresentar a eleitores como salvadores de uma pátria que eles mesmos arrasaram.

Não será coincidência se forem punidos com o rechaço da população, o repúdio da história e o vigor da Justiça. É o mínimo que merecem o PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e seus asseclas petistas, entre eles muitos já denunciados, condenados e presos, por todo o mal que causaram – e ainda causam – ao Brasil e aos brasileiros, por toda a recessão e a corrupção que, como nunca antes na história, produziram.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O fundo do poço

O IBGE confirmou nesta manhã que, nos últimos três anos, o Brasil atravessou a mais grave crise econômica da sua história. Não tem para ninguém: sob patrocínio do PT, a recessão que ainda nos assola não encontra paralelo em nenhum outro tempo, em nenhum outro governo. Só com o exorcismo da herança petista, nossas chances de recuperação sobressairão.

Em 2016, a queda do PIB brasileiro foi de 3,6%, que se somam aos 3,8% do ano anterior e à semi-estagnação de 2014. Desde o início da recessão, no segundo trimestre de 2014, a soma de riquezas produzidas no país já caiu 9%, de acordo com o IBGE, muito pior do que no crash de 1929. É a mais profunda e duradoura recessão da história.

O atual nível de produção de bens e serviços no país retrocedeu ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010, ou seja, de seis anos atrás. É como se todos os ganhos econômicos obtidos ao longo do período em que Dilma Rousseff governou o país tivessem virado fumaça.

Desta vez, todos os setores encolheram na comparação anual, algo inédito desde 1996: os piores resultados foram os da agropecuária (-6,6%), prejudicada pela quebra, principalmente, da safra de milho, e os dos investimentos (-10,2%). Em três anos, a produção de máquinas e equipamentos caiu 26% no país e retrocedeu ao nível do início de 2009.

O PIB per capita caiu novamente e, em reais, já regrediu 9,2% desde 2013. Medido em dólares, é o quinto ano seguido em que o indicador recua. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), no fim desta década o PIB per capita brasileiro ainda estará 21% abaixo do seu valor máximo, alcançado em 2011.

Segundo ranking do FMI, o PIB do Brasil terá tido o sétimo pior desempenho em todo o mundo e o pior do G-20 e da OCDE no ano passado – em 2015, havíamos sido o décimo pior entre 191 nações. A expectativa é de que neste ano já voltemos ao terreno positivo, com alta de 0,5%, mas ainda próximo da rabeira das listas mundiais.

Não se pense, como se ouviu dizer durante anos e anos a fio nos discursos petistas, que o Brasil foi mal porque o resto do mundo também foi. Em 2016, a economia global cresceu em torno de 3%, com os emergentes alcançando expansão acima de 4% – hoje pela manhã, o PIB da zona do euro confirmou alta de 1,4% no ano passado.

Entre os vizinhos, apenas Venezuela (-10%) e Suriname (-7%) não se saíram melhores do que nós. Junto com a Argentina (-1,8%) e o Equador (-2,3%), estas economias foram responsáveis por levar a América Latina e o Caribe ao pior desempenho entre todos os continentes e o único a andar para trás em 2016. Vexame.

Enquanto durou a passagem de Dilma pelo poder, o crescimento acumulado do PIB brasileiro foi de apenas 1,7%, ou seja, 0,3% ao ano em média – isso para uma população que cresce em torno de 0,9% anual. Entre todos os presidentes desde a proclamação da República, a petista só não perdeu para Collor e Floriano Peixoto.

Mas a ruindade não é exclusividade da ex-presidente defenestrada do cargo. Desde a ascensão do PT ao poder, o desempenho brasileiro ficou muito aquém da média global e de economias próximas ou similares à nossa. Entre 2003 e 2016, a expansão geral do PIB nacional foi de 39%, o segundo pior da América do Sul, o 16° na América Latina e o 137° em todo o mundo, como retratado na edição do Brasil Real de setembro passado.

Um dado positivo, pelo menos, é que ao longo do ano passado o ritmo de retração do PIB na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior veio diminuindo. Era de 5,4% no início de 2016 e desceu a 2,5% no quarto trimestre do ano – exceto nas exportações, em todos os componentes do produto, seja pela ótica da demanda quanto pela da oferta, as quedas ficaram menores. Houve, portanto, mudança efetiva de perspectiva com o desenrolar do governo Temer.

Além disso, a queda anualizada baixou de 4,8% no segundo trimestre de 2016 para os 3,6% do fim do ano. São melhoras ainda tímidas para o tamanho do estrago legado pelas gestões petistas – nos três últimos meses do ano, a queda em relação ao trimestre anterior se acentuou. Será preciso ainda muito trabalho para livrar o país do estrago produzido pelas gestões de Lula e Dilma.

Os resultados conhecidos hoje reforçam a necessidade de avançar na agenda de reformas, de modernizar e desinchar o Estado e de escancarar o espaço para que os investimentos privados aconteçam, gerando riqueza e, sobretudo, empregos. Se estas iniciativas não forem adiante, as chances de o país sair do fundo do poço em que o PT nos meteu diminuirão consideravelmente. Só as mudanças estruturais nos livrarão do pior.