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quinta-feira, 29 de março de 2018

Ação e reação

Uma das mais conhecidas leis da física diz que a toda ação corresponde uma reação. O enunciado de Newton vale para a interação entre dois ou mais objetos, mas aplica-se muito bem também à política. É o caso dos recentes episódios de hostilidade envolvendo o PT. Nenhuma violência se justifica, mas não é difícil ver de qual ovo nasceu a serpente.

O PT não apenas disseminou a discórdia. O PT continua insuflando o embate. A semeadura maldita do ódio entre os brasileiros vem de longa data, é da lavra petista, mas não está só no passado. Ela persiste no presente.

Nem é preciso ir longe para perceber. No espaço da última semana, Lula insultou, sem qualquer provocação que justificasse, produtores rurais – e justamente numa região em que eles são centrais para a vida da população – e pediu um “corretivo” da polícia num cidadão que protestava, com ovos, contra ele. Tudo isso na região onde dois em cada três pessoas querem Lula na cadeia, maior percentual do país, de acordo com o Datafolha.

Ao longo do processo judicial de que é alvo, o ex-presidente exercitou gostosamente sua verve de jararaca – a alcunha foi autodenominada por ele próprio, recorde-se. Ameaçou não acatar decisões da Justiça, incitou a desobediência, atacou críticos, afrontou instituições, a imprensa e quem mais ousou interpor-se em seu caminho.

Por sua vez, a presidente do PT disse, em janeiro, que vão ter que “matar muita gente” para fazer valer a lei e prender Lula. Em ato oficial do partido, um senador da República petista pregou desobediência civil, com ocupação de vias públicas, como reação à prisão do seu líder. Mesmo Lula só temperou seu veneno beligerante quando o risco de ser encarcerado tornou-se iminente e ele recuou alguns passos nas suas provocações ao Judiciário.

Enquanto ninguém fez ou disse nada contra, esteve bom para o PT. Os problemas começaram quando os oponentes deixaram de desempenhar no script o papel que o petismo gostaria. É aquela história: saiu da linha, o PT logo diz que “é golpe”.

O PT adora que seus adversários se posicionem de maneira cordata e ajam como vacas de presépio ao serem insultados e admoestados. Quando vem alguma reação, os petistas acionam o procedimento prescrito na próxima linha do seu algoritmo: posar de vítimas.

Os tiros dados na noite desta terça-feira contra dois ônibus da caravana eleitoral de Lula em Quedas do Iguaçu (PR) servem justamente à vitimização do PT, o papel em que o partido mais se sente confortável, mas que é mais enganoso do que fake news veiculada pelo Facebook.

Mas nada, rigorosamente nada, justifica atos de violência e agressividade como os que culminaram com os disparos desferidos contra os veículos petistas ontem. Não se enfrenta adversários com bala. Assim como também merecem repúdio as ameaças dirigidas ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Episódios desta natureza só interessam ao PT e a extremistas exaltados. O PT tem, sim, que apanhar. Mas é nas urnas, não nas ruas. Tem que levar uma surra, mas é de votos. O confronto com o PT deve se dar dentro dos mais estritos limites da nossa democracia, da civilidade, da lei e da ordem. Jamais, e nem um milímetro, fora deles.

terça-feira, 27 de março de 2018

Colheita maldita

Luiz Inácio Lula da Silva está colhendo o que plantou. Depois de 13 anos no poder, oito deles em pessoa e mais cinco em encarnação, poderia estar desfrutando louros de fama e reconhecimento. Mas a razia, a recessão e a roubalheira que suas gestões promoveram no país estão levando o ex-presidente a ter de enfrentar situações para lá de adversas, muito além da ameaça de prisão.

A repulsa popular ao petista tem ficado mais evidente ao longo da caravana eleitoral que ele empreende pelos estados da região Sul do Brasil – algo que também já fora registrado na sua passagem por Minas, em outubro passado. Lula tem sido recebido nas diversas paradas com hostilidade muito acima do comum. Sofre a mesma intolerância que o PT cultivou nos tempos em que achava que tudo podia.

Foram Lula e o PT que semearam a divisão do país. Foram o petista e seus sequazes que disseminaram o “nós e eles” como nunca antes na história dos embates políticos nacionais. Essa agressividade transbordou para a sociedade e contaminou ainda mais o terreno já tóxico das redes sociais.

A beligerância petista é antiga.

Recorde-se a pregação de José Dirceu em cima de palanques em São Paulo dizendo que adversários deveriam “apanhar na rua e nas urnas”, num longínquo ano 2000, logo depois seguido por agressões a um Mario Covas já debilitado pelo câncer. Na mesma ocasião, Lula justificou a animosidade dizendo que seu oponente havia “sentado em cima de um formigueiro” do qual o PT “não tem controle sobre as formigas”.

Recordem-se iniciativas de Lula, já presidente, de tentar constranger críticas, censurar a imprensa e massacrar adversários políticos, fosse dentro do Congresso ou em eleições. Enquanto o poderio petista perdurou, o que se viu foi praticamente um só lado da história em ação – e as saúvas prosperando.

Lula e o PT sempre sonharam com um modelo em que a relação do líder com as massas se desse sem intermediários, nos moldes mais tradicionais do populismo e da demagogia política. Foi o vigor da democracia e a prevalência das liberdades civis no país que frearam este ímpeto totalitário que subjaz no petismo.

Em sua encarnação mais recente, já na condição de réu e depois condenado pela Justiça, o próprio Lula só amainou suas pregações depois de instruído pelos seus novos defensores, sob orientação inteligente de Sepúlveda Pertence. Foi caso estudado para reduzir o confronto com as instâncias da Justiça no mesmo momento em que o petista precisa desesperadamente se livrar das grades.

A bílis, porém, escorre sob o couro da jararaca. Na semana passada, o petista exercitou sua verve envenenada e achincalhou os produtores rurais brasileiros – justamente os maiores responsáveis pela recuperação econômica em marcha no país. Coagido, prega revides e “corretivos”, como fez ontem em Santa Catarina. Lula escolheu seu lado: em seus atos, falta povo e agora só o “exército do Stédile”, a militância do MST, dá as caras. 

O embate intoxicado pelo ódio não interessa ao país, não resolve os problemas reais que enfrentam cotidianamente os brasileiros – agravados pelos desmandos, pela irresponsabilidade e pela corrupção dos governos de Lula e de Dilma.

É na temperança, no equilíbrio, na seriedade, na responsabilidade e no realismo que está a trilha a ser traçada em favor da reconstrução de um novo país. Isso não significa, de forma alguma, amaciar para Lula e os seus. Significa, isto sim, travar o embate político nas devidas instâncias da nossa democracia e deixar para a Justiça o papel de repreender, condenar e punir quem semeou esta colheita maldita.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A vez de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva é hoje um condenado pela Justiça brasileira. Tem pena a cumprir de nove anos e seis meses de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda é réu em outros seis processos. Mesmo assim, acha que tem credenciais suficientes para voltar a ser presidente do Brasil, cargo que ocupava quando urdiu os crimes de que é acusado.

No próximo dia 24 de janeiro, Lula terá aquele que pode ser seu definitivo encontro de contas com a Justiça. Sua condenação, determinada pelo juiz Sergio Moro em julho último, será julgada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Dependendo da decisão dos três juízes que a compõem, o petista ficará inelegível.

Mas não se deve alimentar ilusões: independente do que acontecer daqui a 40 dias, o nome de Lula estará na urna eletrônica em outubro de 2018. Há uma miríade de instâncias, instrumentos legais, chicanas e protelações jurídicas que permitem arrastar o caso dele até a véspera ou mesmo até a data da eleição. Lula e seu exército de advogados esgotarão todas. Até dentro da cadeia, envergará o figurino que mais preza, o do perseguido e injustiçado, e atiçará o país.

Ao ex-presidente e ao PT pouco importa o interesse maior do Brasil. Seus passos atuais e futuros visam apenas dar nó na realidade, na qual ele e seu partido promoveram o maior retrocesso imposto ao país em décadas, patrocinaram o maior assalto a cofres públicos que se tem notícia no mundo e instauraram um regime de ruína, corrupção e decadência. Esta é a história de fato. Em campanha, Lula e o PT se dedicam a criar um universo paralelo, irreal, ilusório, enganador.

O que precisa ser respondido é: a que serve uma nova – seria a sexta – candidatura presidencial de Lula? A que ele se pretende?

Pelo que tem dito nos palanques de sua campanha antecipada, ilegalidade flagrante travestida de inocente “caravana”, o petista está disposto a defender o indefensável, opor-se ao crassamente necessário, afirmar o inconfessável. Lula tornou-se a pior espécie de político que pode haver: aquele disposto a justificar os crimes, erros e descalabros que cometeu colorindo-os como atos de defesa do povo. É abjeto.

O Brasil está numa encruzilhada e isso não é difícil perceber. Só tolos ou sabotadores podem negá-lo; Lula é um deles. Sua pregação não educa, não constrói, não converge a favor do país. É incapaz de qualquer autocrítica. O legado real do PT é de destruição, mas o ex-presidente age como se seu partido nada tivesse a ver com o desastre e, pior, atua para inviabilizar qualquer iniciativa de reconstruir os escombros – como no caso das reformas estruturais.

Lula precisa ajustar suas contas com a Justiça. Mas melhor será que seu nome chegue, ainda que aos trancos e barrancos, às eleições gerais de 2018. Este mito, falso, enganador, nefasto, precisa encontrar seu ponto final, para que o país possa se redimir do atraso que lhe foi impingido pelo petismo e consiga, de fato, acelerar a árdua travessia até se tornar de novo um país com perspectivas positivas, coisa que Luiz Inácio Lula da Silva e o PT dizimaram.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A farsa ambulante

Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta semana mais uma etapa da sua campanha eleitoral antecipada. O flagrante desrespeito à legislação não escondeu o malogro de sua caravana política por Minas Gerais. O estado, em frangalhos nas mãos do petista Fernando Pimentel, lhe virou as costas. A metamorfose virou farsa ambulante.

Lula passou por 21 cidades mineiras pedindo votos para voltar à presidência da República no próximo ano. No périplo anterior, visitara 28 municípios do Nordeste, que ainda lhe é um pouco mais acolhedor, até por conta das alianças que o petista mantém com os mais diferentes matizes de políticos que dominam a região.

Em Minas, Lula não encontrou sopa. Os tempos são outros e os comícios lotados de outrora deram lugar a audiências esvaziadas, como relatou a revista Isto É em sua edição desta semana. Faltou povo na equação do PT. Mal das pernas, o partido sequer conseguiu levantar uma mísera parcela dos recursos financeiros que pretendia obter por meio de vaquinhas para financiar o passeio de Lula.

Imagens acachapantes de fiascos e reiteradas ações de repúdio popular por onde Lula passou desaconselharam transmissões ao vivo por parte dos petistas. Nos palanques, Lula esteve sempre ladeado pela dupla da ruína: Dilma e Pimentel, que está aplicando em Minas a mesma receita do desastre que aprendeu em Brasília. Não faltaram ao ex-presidente apoios políticos regionais irrelevantes.

A aventura mineira do ex-presidente só não passou em brancas nuvens na imprensa nacional porque, de tempos em tempos, seu tino, e sua estrutura de marketing, lhe arrumava uma provocação para atrair manchetes. Lula é o Lula de sempre: só sobrevive no embate. Não será suficiente, contudo.

Luiz Inácio Lula da Silva representa o passado. O Brasil que ele sintetizava, e que poderia ter dado certo, deu no que o país é hoje: uma nação que luta para sair do atoleiro da sua pior crise social e econômica, com condições de vida bem piores do que há uma década e às voltas com chagas que já deveriam ter sido superadas, como a violência epidêmica do nosso dia a dia.

Mas o petista ainda é capaz de muitos desserviços ao país. Sua plataforma populista e demagógica prega contra as reformas estruturais que o Brasil precisa realizar para evitar o abismo à beira do qual as gestões petistas nos puseram. Pior: ameaça revogar o que de bom for feito agora. Lula não colabora com o país; Lula só tumultua.

As pesquisas de intenção de voto ainda dão Lula como o preferido do eleitorado. No entanto, 54% o rejeitam, o que torna improvável sua vitória em 2018. Antes, porém, de querer ludibriar novamente os brasileiros, o petista precisa acertar suas contas com a Justiça e pagar, atrás das grades, pelo mal que causou. Nas suas andanças pelo Brasil, já deve ter percebido que uma nova chance no poder ele jamais terá.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Cadê, Lula?

Lula, o condenado, começa hoje sua caravana da vergonha pelos estados do Nordeste. O petista está em campanha para um novo mandato, mas antes de buscar mais uma vez o voto do eleitor deveria explicar aos nordestinos por que prometeu tanto a eles, mas não entregou.

Lula ressuscita, mais de 20 anos depois, o modelo de promoção e marketing que adotou antes de conseguir chegar à presidência da República. Percorrerá de ônibus 28 cidades ao longo de 20 dias, desde Salvador até São Luís. Espera ser festejado, mas deveria mesmo é ser contestado e cobrado.

O Nordeste ainda é a região em que Lula, o condenado, mais conserva sua força eleitoral. Há, no entanto, uma dissociação entre a realidade que os governos do PT legaram aos nordestinos e a matéria-prima que impulsiona a retórica petista.

Entre as heranças malditas deixadas pelos governos de Lula e Dilma está a transformação das cidades nordestinas nos principais polos de criminalidade do Brasil. Em 2015, 40% dos assassinatos no país ocorreram em algum dos nove estados da região, de acordo com o Atlas da Violência, do Ipea.

Também é o povo do Nordeste que mais sofre com o pior legado do petismo: o desemprego. Em agosto do ano passado, quando chegou definitivamente ao fim o desastre capitaneado por Dilma Rousseff, 19,6 milhões de pessoas estavam sem trabalho na região, considerando o conceito que abarca o desemprego por desalento e o subemprego. É quase 44% do total de pessoas na região em idade para trabalhar, segundo o IBGE.

A realidade do Nordeste contrasta sobejamente com aquilo que o PT costuma mostrar na TV como realizações de sua lavra. A região é um dos maiores cemitérios de obras inacabadas deixadas de presente pelo petismo para o país. A lista é imensa, e nela é bem mais difícil achar o que foi feito do que aquilo que está parado e/ou mal feito.

Começa pela Abreu e Lima, cujo custo multiplicou-se por dez, tornando-a a refinaria de petróleo mais cara do mundo, embora só produza 1/5 do que deveria produzir. Passa pelas duas refinarias Premium que foram prometidas para o Maranhão e o Ceará e, depois de torrarem mais de R$ 2,6 bilhões, foram abandonadas. Cadê, Lula?

Lula, o condenado, poderia aproveitar os quatro dias que passará na Bahia para explicar por que a Ferrovia Leste-Oeste, que deveria cortar o estado de ponta a ponta, continua sem transportar uma mísera saca de soja, seis anos depois da data marcada para ser inaugurada.

A mesma maldição recai sobre a Transnordestina. As obras se iniciaram em junho de 2006 e deveriam estar terminadas em 2010, com trilhos cortando Piauí, Ceará e Pernambuco. “É o começo de um novo tempo para o Nordeste”, disse Lula no dia do lançamento das obras. Esse novo tempo ainda não chegou: o custo da ferrovia saltou de R$ 4,5 bilhões para R$ 11,2 bilhões e, mais de uma década depois, só metade dos trechos foram concluídos. Cadê, Lula?

O PT de Lula, o condenado, também está devendo boa parte daquela que seria a redenção do semiárido nordestino: a transposição das águas do rio São Francisco. As obras deveriam ter ficado prontas em 2010, mas até agora apenas o eixo leste pôde ser inaugurado, apesar de o empreendimento já ter consumido o dobro do previsto dez anos atrás. O eixo norte continua só no papel.

Estão também no Nordeste boa parte dos equipamentos de saúde parados, fechados sem servir a população, a exemplo de 500 UPAs (unidades de pronto-atendimento) prontinhas, mas sem funcionar em todo o país. A região sofreu, ainda, com a paralisia do Minha Casa Minha Vida, que, no ano passado até maio, havia contratado zero unidade para a faixa 1, destinada a famílias pobres – penúria que, neste ano, já foi revertida para 100 mil novas casas. Cadê, Lula?

A agenda de Lula, o condenado a 9 anos e seis meses de cadeia, no Nordeste está repleta de atividades tão festivas quanto enganosas. São vários títulos de doutor em universidades de meia tigela e concessão de diplomas de cidadão honorário que estavam arquivados há décadas. O ex-presidente poderia empregar seu tempo de forma mais produtiva e honesta: justificando aos nordestinos por que os engana há tanto tempo.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Lula real

Falta um ano e dois meses para a próxima eleição presidencial, mas um dos candidatos já está em plena campanha. Luiz Inácio Lula da Silva começará a rodar o país nesta semana para tentar voltar à presidência da República. Suas manifestações recentes, contudo, já indicam quem será preciso derrotar em 2018 para evitar que o Brasil retroceda ainda mais com um eventual retorno do PT ao poder.

Lula se revelou com todas as letras e cores em evento na Escola de Direito da UFRJ promovido na sexta-feira. Ali está o contorno e os atributos com os quais pretende se apresentar ao eleitorado – e eles são os piores possíveis. Está ressuscitado com tintas vívidas o candidato populista, demagogo, autoritário e antidemocrático que jaz no espírito e nos sonhos do petismo.

A turba o acolheu com ares de seita. O condenado a 9 anos e seis meses de cadeia pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro não se fez de rogado: investiu contra seus algozes, tripudiou das instituições do Estado de direito (sob aplausos entusiasmados de futuros rábulas) e prometeu que, se eleito, fará o que estiver ao seu alcance para calar um dos pilares da democracia republicana, a imprensa.

O Lula de hoje é ainda pior do que o Lula do passado. Suas diatribes tornam-se ainda mais graves porque saídas da boca de um ex-presidente da República. Lula não honra o cargo que ocupou por oito anos e que, mostram as investigações em marcha, conspurcou com sua desonestidade – os outros seis processos em que é réu o reiteram.

Lula prepara sua campanha – que, não tenhamos dúvida, ele sustentará mesmo dentro da cadeia – a bordo de um modelo bolivariano. Sim, o PT quer transformar o Brasil na Venezuela, país que se tornou a pior escória do mundo nos tempos atuais. Simplesmente porque o PT considera que o que acontece na Venezuela de Chávez e Maduro é o que deveria valer para o nosso Brasil.

Os ares de truculência também cercam a estrutura montada para dar suporte à caravana que Lula inicia pelo Nordeste a partir da próxima quinta-feira. Milícias ligadas a movimentos ditos “sociais” acompanharão a comitiva do petista à guisa de “promover sua segurança”. Sempre prontos para briga, agirão, isso sim, como inibidores de eventuais protestos e instrumentos de coerção.

É este Lula radicalizado sob as bênçãos do PT que precisa ser derrotado nas urnas no ano que vem. O condenado a quase uma década de cadeia tem de ser confrontado com vigor redobrado, de modo a restar evidente o mal que ele encarna, na forma de populismo, demagogia, irresponsabilidade e desonestidade. Mas caberá também a seu adversário a temperança para evitar que o discurso do ódio que destilam os petistas não perdure mais. Fora Lula!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Somos 140 milhões

Sete em cada dez brasileiros querem que Dilma tenha seu mandato abreviado. É majoritária na população a constatação de que a presidente não tem mínimas condições de permanecer por mais dois anos e nove meses no cargo. Mas o governo e o PT agem, vociferam e esperneiam como se esta imensa maioria fosse apenas um grupelho sectário.

Nos palanques, em atos oficiais e mesmo nas peças legais que deveriam servir para a defesa da petista no processo de impeachment, a narrativa oficial espanca a realidade, nega o óbvio e tenta, sobretudo, enganar a opinião pública. Às favas com os fatos, porque o que lhes interessa é vencer a guerra, custe o que custar.

Foi assim, por exemplo, na defesa que o advogado-geral da União fez de Dilma ontem perante a comissão do impeachment na Câmara. Funcionário público pago pelo povo, José Eduardo Cardozo foi ao Congresso fazer proselitismo político. Limitou-se a repetir o discurso do “golpe” e a forjar supostos desvios em liames processuais. O mérito das denúncias que pesam contra a presidente, ele preferiu ignorar.

Provavelmente, Cardozo não teria como negar que Dilma manipulou o Orçamento da União para enganar a população e buscar um novo mandato. Também não teria como sustentar que as pedaladas fiscais serviram para bancar programas sociais, quando até oficialmente o governo já admitiu que foram usadas em empréstimos a grandes empresas. Das omissões da petista no esquema de corrupção na Petrobras, ele nem passou perto.

Enganosa também é a peroração de Lula, dia sim, dia também, pelo país afora pregando que as supostas conquistas dos governos do PT estarão em risco em caso de impeachment de Dilma. Parece referir-se, como é seu costume, a uma realidade virtual, no mesmo momento em que a recessão econômica se encarrega de jogar milhões de famílias brasileiras no desemprego e na pobreza.

No Nordeste, o ex-presidente chegou ao caradurismo de dizer que a região deve a ele por “projetos estruturantes” realizados nos seus oito anos de governo. Deve estar se referindo, talvez, à bilionária e inconclusa refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, uma das fontes do petrolão, ou, quem sabe, à nunca terminada transposição do rio São Francisco.

Dilma, por sua vez, não deixa por menos. No Palácio do Planalto, dedica-se, igualmente dia sim, dia também, a atos panfletários e à repartição do que sobrou de seu governo, na forma de butim. Sem nenhum pudor, transformou educação, saúde e o que mais houver à mão em moeda de troca no jogo da baixa política. O governo “popular”, “progressista” e “de esquerda” só mantém esperança de sobreviver nas mãos do pior fisiologismo.

Na bacia das almas, em clima de fim de feira, governo e PT atuam como se não houvesse amanhã. Mas, no Brasil real, há pelo menos 140 milhões de cidadãos ciosos do destino que aguarda a nação, sedentos por mudança e horrorizados em ver o país estraçalhado nas mãos dos petistas. A maioria somos os que queremos o impeachment de Dilma Rousseff. Quem deve se sentir acuado são eles, a ruidosa minoria, não nós.

sábado, 18 de julho de 2015

Lula, a sua hora chegou

Luiz Inácio Lula da Silva é, desde o último dia 8, alvo de investigação criminal aberta pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Chegou a hora de o ex-presidente responder pelo balcão de negócios que, com sua ascensão à presidência da República, o PT armou no poder e transformou o governo federal num antro de corrupção.

Lula é investigado por crime de tráfego de influência, sob a suspeita de ter ajudado a Odebrecht, uma das principais envolvidas no escândalo da Operação Lava-Jato, a obter contratos no exterior financiados com dinheiro do BNDES. O Código Penal estipula pena de dois a cinco anos de reclusão para quem for condenado.

A abertura de investigação já é um passo adiante na apuração sobre a atuação do petista. Em maio, diante de suspeitas publicadas na imprensa, a Procuradoria havia solicitado informações a diversos órgãos e agora, com o que recebeu como resposta, resolveu transformar o procedimento preliminar numa investigação criminal formal. Lula, sua batata está assando...

O ex-presidente voou nas asas da Odebrecht para diversos destinos ao redor do mundo. Entre os já sabidos estão Cuba, Venezuela, República Dominicana, Angola e Panamá – justamente aqueles melhor aquinhoados com os empréstimos camaradas do BNDES nos últimos anos. Entre início de 2011 e fim de 2014, há 38 registros de saída de Lula do país.

O total de dinheiro emprestado pelo BNDES para obras da Odebrecht fora do Brasil soma R$ 31,3 bilhões, segundo a Folha de S.Paulo. As operações do banco ligadas à empresa no exterior atingem US$ 9,5 bilhões. Pelo visto, o investimento da empreiteira na contratação da mãozinha do ex-presidente compensou...

Em companhia de Lula nas viagens estava Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht hoje preso sob a acusação de movimentar pagamentos de propinas no exterior. Na investigação aberta pela Procuradoria, o petista pode ter seu sigilo quebrado e ser alvo de busca e apreensão. Há muito mais a elucidar.

No início de junho, já haviam vindo a público pagamentos feitos pela Camargo Correa ao Instituto Lula e à empresa do ex-presidente, a LILS. Documentos apreendidos pela Lava-Jato registram repasses de R$ 4,5 milhões a título de “bônus eleitorais”, “contribuições e doações”. O petista também é alvo de mais duas investigações da mesma Procuradoria no DF relacionadas ao mensalão. Lula tem muito a esclarecer perante a Justiça.

O estado atual de degradação em que o país foi posto tem as nove digitais – e muito mais – de Luiz Inácio Lula da Silva. Que as investigações da Procuradoria da República avancem e ganhem em breve, também, o auxílio da tão aguardada CPI que a oposição tenta criar no Congresso para descobrir como e onde, afinal de contas, foram parar os bilhões de reais dos brasileiros que o BNDES movimentou de forma suspeita nos últimos anos a mando de Lula e do PT.

sábado, 23 de março de 2013

Homem de negócios

Qualquer cidadão tem o direito de fazer o que bem entender da vida. Com ex-presidentes da República não é diferente. Mas Luiz Inácio Lula da Silva consegue exercitar o sagrado direito ao livre arbítrio afrontando todo tipo de boa norma que se possa imaginar. Para quem se anunciava como um pregador mundial pela justiça social, ele está se saindo um excelente caixeiro-viajante, com uma portentosa carteira de negócios a propagandear.

Quando deixou a presidência, há pouco mais de dois anos, Lula disse que gastaria seu tempo livre assando coelhos em beira de represa em São Bernardo do Campo. E que se dedicaria a projetos de combate à fome, principalmente na África. Que nada. Sabe-se agora que o ex-presidente devota-se mesmo é a encher os bolsos de dinheiro e a defender projetos de grandes empreiteiras mundo afora.

Não há nada de errado em Lula ganhar dinheiro fazendo palestra para matraquear os feitos de sua experiência de oito anos como presidente do Brasil. Há gosto para tudo e, infelizmente, muita audiência incauta capaz de comprar o que ele fala pelo valor de face.

Entretanto, o que a reportagem que a Folha de S.Paulo publica hoje tem de mais valioso é justamente desmascarar os propósitos que movem o “líder do povo” em suas andanças pelo mundo. Esqueça aquela história de combate à fome e à pobreza; as palestras de Lula são eventos de negócios, gordos negócios.  

Com base em telegramas oficiais emitidos pelas embaixadas brasileiras (alguns originais merecem ser lidos), o jornal mostra que quase metade das viagens de Lula à África e à América Latina é patrocinada por empresas com negócios e interesses tanto junto ao governo brasileiro, quanto em países visitados pelo ex-presidente.

Lula é um mestre da lábia e, em meio a suas falas em defesa da inclusão e da justiça social, sempre dá um jeito de enfiar recados à audiência em favor de seus financiadores. Ou seja, um garoto-propaganda dos sonhos de qualquer conglomerado econômico: aparentemente isento, embora regiamente remunerado.

Em Maputo, em novembro de 2012, por exemplo, depois de falar de inclusão, “foi insistente sobre as possibilidades que se abrem para Moçambique com a presença de empresas brasileiras de reconhecida competência”, segundo minucioso relato da embaixadora Lígia Maria Scherer. (Vale ter presente que os moçambicanos nutrem especial hostilidade pelas empresas brasileiras, que desenvolvem os maiores negócios hoje lá existentes.)

No giro que fez nesta semana por Gana, Benin, Guiné Equatorial e Nigéria, Lula também viajou sob patrocínio de conglomerados como Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Segundo a Folha, uma palestra no exterior pode render ao ex-presidente R$ 300 mil, sem contar gastos com hospedagem, alimentação e transporte. Para o Instituto Lula, é tudo em prol dos “interesses da nação brasileira”... Claro.

Enquanto as palestras de Lula se restringem a interesses privados, o problema é apenas de quem paga para ouvi-lo sem saber exatamente que está sendo enganado. Mas a coisa torna-se mais grave quando envolve o uso do prestígio do ex-presidente para manipular decisões do governo brasileiro.

Foi o que aconteceu em maio de 2011. Em visita ao Panamá, Lula pediu “muito empenho” ao embaixador naquele país para que informasse ao Itamaraty que, na volta ao Brasil, trataria de três pontos com a presidente Dilma Rousseff: estimular a Petrobras a entrar em negócios de etanol no Panamá, convencer a Embraer a instalar lá um centro regional e ajeitar uma audiência do ministro de Economia panamenho com seu colega Guido Mantega.

Não se sabe se algum dos pleitos prosperou. Mas neles repete-se o modus operandi lulista: tentar dobrar decisões que deveriam ser eminentemente empresariais sob o peso da influência política. A Petrobras está aí como prova viva do mal que a prática fez à outrora maior companhia brasileira e à economia do país.

As práticas de Lula como ex-presidente guardam semelhança com o papel que ele escolheu desempenhar enquanto foi chefe da nação. O líder petista notabilizou-se como o mais eficaz mercador que se tem notícia à frente do país, transformando sua gestão num vastíssimo balcão de negócios. Seria muito contraditório, uma vez fora do Planalto, ele passar a se dedicar apenas a assar coelhinhos.