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sábado, 19 de agosto de 2017

No pó da estrada

Pode ainda parecer pouco, mas há muito tempo não saia uma fornada tão recheada de indicadores positivos apontando ares melhores na economia brasileira. Não é nada trivial retirar a atividade do abismo em que foi colocada pelo PT, mas o pior da crise patrocinada por Lula, Dilma & Cia está ficando na poeira.

A atividade começa a reagir de forma mais disseminada, com efeitos positivos também onde a recuperação mais precisa ser sentida: na geração de empregos. Vendas no varejo estão em alta, assim como a indústria e os serviços, sempre de acordo com as pesquisas conjunturais feitas pelo IBGE. Falta ainda os investimentos reagirem.

Poderão ser suficientes para decretar a estabilidade do PIB no segundo trimestre, mais ou menos em linha com a leve alta de 0,25% que o Banco Central divulgou ontem. No entanto, ainda são cisco perto do estrago que precisamos superar: são mais de 7% de retração do PIB e perda de mais de 10% da renda média dos brasileiros acumulados ao longo de três anos.

Qualquer crescimento econômico neste ano já será feito notável. Com as projeções se concentrando em torno de uma alta de 0,3% a 0,5% na economia até dezembro, trata-se de uma recuperação de cerca de quatro pontos do PIB em apenas um ano. Até a distribuição de renda melhorou, estimou a FGV, segundo o Valor Econômico. Não é pouca coisa.

Quando o IBGE divulgou o resultado da economia no primeiro trimestre, as leituras correntes à época davam conta de que aquela alta de 1%, ainda muito dependente da agropecuária, seria mero espasmo, com previsão de o PIB voltar a cair nos três meses seguintes. Não foi o que efetivamente aconteceu. O resultado oficial será conhecido em 1° de setembro, mas a atividade mostrou ter resistido até à crise política fabricada a partir de maio.

Não é caso, óbvio, de euforia. Longe disso. Há um longo e pedregoso caminho pela frente para que o país retome um ritmo de produção compatível com as necessidades de quem tem que gerar vagas para 13,5 milhões de pessoas hoje ainda desempregadas e 26,3 milhões de brasileiros sem trabalho adequado, conforme o IBGE mostrou ontem.

Isso torna ainda mais impositiva, até para evitar a explosão da dívida e das finanças públicas, a agenda de ajustes e reformas contra as quais forças irresponsáveis – ou mesmo incendiárias, como as ligadas ao antigo governo – se insurgem no Congresso. Para ir mais longe, será preciso muito mais. O esforço para acelerar está apenas começando. Não atrapalhar já ajudará bastante.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Algum alento

Dois indicadores recém-divulgados deram mais um alento à retomada da economia. Os resultados do varejo e dos serviços sugerem aquecimento no mercado e, quiçá, chances maiores de recuperação da geração de emprego. O país tem possibilidade de, aos poucos, retomar os trilhos. Basta que sobreviva às muitas sabotagens de que tem sido vítima.

A maior surpresa veio do varejo. A atividade cresceu 1,9% em abril na comparação com igual mês do ano anterior, depois de 24 meses seguidos de baixas, segundo o IBGE. No cotejo com o mês anterior, também houve alta (1%), depois de duas quedas consecutivas. Foi o melhor abril em 11 anos. Fatores pontuais, como a liberação do FGTS, ajudaram.

Entre os segmentos que tiveram alta está o de vendas em hiper e supermercados, alimentos e bebidas, assim como vestuário e calçados. São reflexos da queda expressiva da inflação, hoje menos da metade do que era um ano atrás. O bom resultado, no entanto, exige cautela: quatro dos oito seguimentos tiveram queda. Em geral, após dois anos de quedas o varejo opera atualmente em nível 10% menor do que no seu pico histórico, em novembro de 2014.

Nesta manhã, o IBGE divulgou outro resultado positivo: os serviços reverteram queda de 2,6% em março para uma alta de 1% em abril. É o melhor resultado para o mês desde 2013. Em compensação, no cotejo com igual mês do ano anterior, houve queda de 5,6%, infelizmente a maior da série para meses de abril. Nesta base de comparação, a sequência de baixas vem desde janeiro de 2015.

O setor de serviços responde por 75% dos empregos gerados no país. Assim, sua recuperação é fundamental para a retomada da abertura de novos postos de trabalho. Trata-se de segmento que, até por sua natureza, cobra regras mais flexíveis de contratação e demissão. Ou seja, que pode ser muito beneficiado com as mudanças previstas na reforma trabalhista em fase de discussão final no Senado.

A economia brasileira encontra-se numa gangorra em que fatos positivos são anulados por seguidas frustrações. É natural que seja assim. Afinal, há um fardo pesadíssimo de desequilíbrios a corrigir, contas a pagar, buracos a tapar herdado do descalabro petista e que demandará muito esforço de toda a sociedade até ser finalmente dissipado. Ainda vai levar um tempo até que possamos voltar a respirar.

Nenhum desses sinais positivos são, portanto, definitivos. São oscilações na atividade econômica, que ora cresce, ora retrocede. Assim tenderá a ser enquanto o país não superar o atoleiro em que os três anos de recessão o colocaram. Não haverá recuperação digna desse nome enquanto as condições gerais de produção não se recuperarem, para o que a reforma do Estado, de sua estrutura anacrônica e de seus gastos estapafúrdios é condição sine qua non.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A crise nas prateleiras

É no dia a dia das lojinhas, do comércio e do rame-rame da prestação de serviços que a crise econômica é percebida com cores mais vívidas. Afinal, são estas as atividades que mais ocupam pessoas, que mais movimentam a atividade e que, de alguma forma, batem mais fundo no bolso. Elas funcionam como termômetro realista da recessão.

O IBGE acabou de publicar os resultados do varejo e dos serviços relativos ao ano passado. O comércio varejista teve seu pior ano desde 2001, com queda de 6,2%. Quando se consideram também as vendas de veículos, motos e material de construção, a redução se aprofunda e atinge 8,7%. Em ambos os casos, são oito trimestre seguidos de baixas.

A crise é indubitável. Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio mostrou que o número de estabelecimentos diminuiu em 109 mil em 2016, com 182 mil vagas de trabalho eliminadas. “Em dois anos, o comércio encolheu em mais de 200 mil lojas e quase 360 mil empregos diretos”, resumiu O Estado de S. Paulo na sua edição de segunda-feira.

Já os serviços despencaram 5%, após já terem caído 3,6% em 2015. São os piores resultados da série, que teve início em 2012. Um atenuante é que nos dois últimos meses de 2016 a variação voltou a ser positiva quando calculada sobre o mês anterior. Relevante notar que os segmentos com pior desempenho são os serviços mais dependentes da demanda da indústria (transportes e técnico-profissionais). Como as fábricas pararam, eles também estancaram.

São naturais as quedas. O desemprego, o endividamento e a inflação fizeram minguar o dinheiro disponível no bolso dos consumidores. A saída, claro, foi parar de comprar. Como agora os índices de preços estão bem mais comportados, as taxas de juros estão caindo e a atividade econômica começa a reagir, o cenário tende a mudar.

Com os números recentes, tem-se, aos poucos, o retrato completo daquele que ficará marcado como o terceiro ano de recessão brasileira, a mais prolongada e profunda da nossa história – recorde-se que a indústria recuou 6,6% em 2016 e a agricultura só agora caminha para recuperar-se, com brilho, da sua pior safra desde o início da década.

Os prognósticos, que serão confirmados pelo IBGE em 7 de março, sugerem que, no ano passado, a economia afundou no mesmo diapasão de 2015, ou seja, alguma coisa ao redor de 3,5%. No cômputo geral, no mergulho que vem desde o segundo trimestre de 2014 o PIB brasileiro terá decaído quase 9% e a renda per capita, uns 11%.

Tudo indica que o pior tenha ficado no passado. Todas as fichas estão postas na retomada do crescimento, mínimo que seja, a partir do segundo ou terceiro trimestre deste ano. Ainda não será nada de encher os olhos, mas para uma nação que passou tanto tempo submergindo já será um alívio e tanto.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ainda devagar, quase parado

Mesmo com a mudança de perspectivas do país, as dificuldades da economia brasileira permanecem. São sinais de que os estragos promovidos nos últimos anos foram mais profundos do que se poderia imaginar. Indicam, também, que a disposição para reformar o Estado terá que ser redobrada.

Os ventos positivos advindos da ascensão do governo Michel Temer levaram alguns a crer que a simples melhora de expectativas seria capaz de tirar o Brasil da trajetória recessiva e recolocá-lo de volta na rota do crescimento. Doce ilusão. O panorama melhorou, mas não o suficiente (ainda) para recuperar os bons ventos.

Nas últimas semanas, alguns indicadores vieram à tona sinalizando que apenas em meados do ano que vem, na melhor das hipóteses, a viagem ao fundo do poço deverá ser interrompida. Neste ínterim, o país terá de promover mudanças importantes na sua estrutura de gastos e de produção para impulsionar a decolagem quando ela vier.

A indústria, por exemplo, já voltou a patinar. Em agosto, houve queda de 3,8% frente ao mês anterior, interrompendo cinco meses consecutivos de altas nesta base de comparação, segundo o IBGE. Com isso, torna a ficar comprometido um dos motores que vem dando alento ao comércio internacional brasileiro.

O mercado de trabalho ainda está longe, muito longe, de voltar a gerar vagas. Por enquanto, a razia de empregos continua a pleno vapor, com 22,7 milhões de brasileiros penalizados pela falta de trabalho, conforme o novo conceito empregado pelo IBGE para aferir o comportamento das contratações.

A inflação até deu refresco, mas não foi capaz por ora de aliviar a carga sobre o bolso dos consumidores. O indicador referente às vendas de varejo assinalou em agosto a 17ª baixa seguida quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, também de acordo com o IBGE. Com o dinheiro mais curto, as compras não param de encolher.

Resta claro que houve uma dissonância entre a melhora das expectativas de parte dos agentes e a reação efetiva da economia. Fica evidente que a destruição das condições de produção e geração de emprego e renda no país pelos governos petistas foi mais severa do que se podia antever.

A situação não inspira desânimo, contudo. Cobra ímpeto. A correção de rumos vem sendo feita, mas pode ser acelerada, a partir da aprovação da PEC da responsabilidade pelo Congresso. O passo seguinte é reformar a Previdência, fonte de desequilíbrios cada vez mais perniciosos aos caixas tanto da União, quanto dos estados.

Mas tão urgente quanto aliviar o Estado é atrair o investimento privado de volta ao jogo, no momento em que o público desce a níveis históricos, como mostra o Valor Econômico em sua edição de hoje. A reconstrução da infraestrutura nacional tem o condão de ser excelente oportunidade para dinamizar a economia e, ao mesmo tempo, acabar com entraves que bloqueiam o melhor desenvolvimento do país. Mãos à obra, portanto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O tamanho do estrago

Saiu nesta manhã o primeiro indicador oficial sobre o desempenho da economia brasileiro no ano passado. A fotografia revelada é horrorosa, como há décadas não se via. O mais preocupante é que a viagem buraco abaixo continua, sem um fim à vista.

Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.

A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).

Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.

Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.

Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.

2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.

Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.

São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.

sábado, 16 de agosto de 2014

A recessão vem aí

A Copa do Mundo deu um tombo na economia brasileira só comparável ao chocolate que a seleção de Luiz Felipe Scolari sofreu da Alemanha. Com os péssimos resultados registrados em junho, já é praticamente certo que o PIB nacional caiu no segundo trimestre. A recessão pode estar a caminho.

Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.

Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.

Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.

Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.

Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.

Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.

Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.

Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Em marcha lenta

Cortes de juros são sempre bem-vindos. Pena que a oitava queda seguida da taxa básica, decidida ontem pelo Banco Central, seja o reflexo mais evidente das dificuldades que o governo Dilma Rousseff tem tido para impedir que a economia do país desabe de vez. Agora, até o varejo já está desacelerando.

A Selic caiu ontem para 8% ao ano, seu menor patamar histórico. Em termos reais, ou seja, descontando-se a inflação, o juro brasileiro está próximo de 2,3% – ainda assim, o terceiro maior do mundo, atrás apenas de China (3,7%) e Rússia (3,5%).

A previsão dominante é de que os juros brasileiros devem baixar ainda mais para tentar reanimar a nossa moribunda economia. Neste aspecto, a presidente poderá dizer que cumpriu o que prometeu: levou a taxa a pisos impensáveis pouco tempo atrás. Infelizmente, a Selic só cai porque o Brasil está metido num círculo vicioso.

Nesta manhã, o Banco Central divulgou o PIB de maio. O resultado é uma queda de 0,02% sobre abril. Em três meses deste ano e em oito dos 17 primeiros meses da gestão Dilma, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou. Nos últimos 12 meses, a economia brasileira cresceu só 1,39%, segundo o levantamento do BC, que funciona como prévia da estimativa oficial do IBGE.

O mais desagradável é que a marcha lenta, que antes era mais concentrada na indústria, vai se espalhando pelos demais setores. A agricultura vai bastante mal neste ano, menos por culpa do governo, mais por causa de São Pedro, que foi inclemente com a falta de chuva. O campo deixou de ser, pelo menos por ora, um dos motores que sustentava o nosso crescimento.

Agora é a vez de o comércio também ratear. Desde a eclosão da crise, em 2008, o incentivo ao consumo tem sido a mola mestra da economia petista. Funcionou por um tempo, mas enferrujou de uns meses para cá. Dois indicadores divulgados ontem deixam isso muito claro.

O mais relevante foi a queda de 0,8% nas vendas de varejo em maio. É o pior resultado desde novembro de 2008, isto é, desde o auge do paradeiro que se seguiu à quebra do banco americano Lehman Brothers. Caíram, principalmente, as vendas de alimentos, eletrodomésticos e material de construção.

Não é possível dizer, ainda, se se trata de ponto fora da curva virtuosa do comércio ou se já é o começo da descida ladeira abaixo. Mas crescem os sinais de que o modelo petista – se é que pode ser chamado assim – esgotou-se. Até porque o consumidor encontra-se com a corda no pescoço e quer distância de novas dívidas.

Segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada ontem, a inadimplência do consumidor cresceu 19% no semestre. A renda, de acordo com análise feita pela entidade, está comprometida com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e altas (veículos e imobiliárias). É uma situação que periga rumar para o descontrole. O nó apertou.

Não se sabe como o governo federal irá reagir à nova realidade. Nos últimos anos, com Lula e depois com Dilma, executou um samba de uma nota só, que agora está claramente desafinado. Atacar os juros tem sido medida acertada, porém insuficiente. Não adianta consertar uma peça, se toda a engrenagem está falha.

O que tem acontecido é que as medidas necessárias chegam com atraso. Muitas vezes só são tomadas quando o problema já se manifestou ou o desequilíbrio fez novas vítimas pelo caminho. O melhor a fazer seria aproveitar o que há de bom, como a queda dos juros, para estruturar um plano geral para sustentar o desenvolvimento do país. Mas, hoje, isso é apenas uma possibilidade distante.