Lula, o condenado, começa hoje sua caravana da vergonha pelos estados do Nordeste. O petista está em campanha para um novo mandato, mas antes de buscar mais uma vez o voto do eleitor deveria explicar aos nordestinos por que prometeu tanto a eles, mas não entregou.
Lula ressuscita, mais de 20 anos depois, o modelo de promoção e marketing que adotou antes de conseguir chegar à presidência da República. Percorrerá de ônibus 28 cidades ao longo de 20 dias, desde Salvador até São Luís. Espera ser festejado, mas deveria mesmo é ser contestado e cobrado.
O Nordeste ainda é a região em que Lula, o condenado, mais conserva sua força eleitoral. Há, no entanto, uma dissociação entre a realidade que os governos do PT legaram aos nordestinos e a matéria-prima que impulsiona a retórica petista.
Entre as heranças malditas deixadas pelos governos de Lula e Dilma está a transformação das cidades nordestinas nos principais polos de criminalidade do Brasil. Em 2015, 40% dos assassinatos no país ocorreram em algum dos nove estados da região, de acordo com o Atlas da Violência, do Ipea.
Também é o povo do Nordeste que mais sofre com o pior legado do petismo: o desemprego. Em agosto do ano passado, quando chegou definitivamente ao fim o desastre capitaneado por Dilma Rousseff, 19,6 milhões de pessoas estavam sem trabalho na região, considerando o conceito que abarca o desemprego por desalento e o subemprego. É quase 44% do total de pessoas na região em idade para trabalhar, segundo o IBGE.
A realidade do Nordeste contrasta sobejamente com aquilo que o PT costuma mostrar na TV como realizações de sua lavra. A região é um dos maiores cemitérios de obras inacabadas deixadas de presente pelo petismo para o país. A lista é imensa, e nela é bem mais difícil achar o que foi feito do que aquilo que está parado e/ou mal feito.
Começa pela Abreu e Lima, cujo custo multiplicou-se por dez, tornando-a a refinaria de petróleo mais cara do mundo, embora só produza 1/5 do que deveria produzir. Passa pelas duas refinarias Premium que foram prometidas para o Maranhão e o Ceará e, depois de torrarem mais de R$ 2,6 bilhões, foram abandonadas. Cadê, Lula?
Lula, o condenado, poderia aproveitar os quatro dias que passará na Bahia para explicar por que a Ferrovia Leste-Oeste, que deveria cortar o estado de ponta a ponta, continua sem transportar uma mísera saca de soja, seis anos depois da data marcada para ser inaugurada.
A mesma maldição recai sobre a Transnordestina. As obras se iniciaram em junho de 2006 e deveriam estar terminadas em 2010, com trilhos cortando Piauí, Ceará e Pernambuco. “É o começo de um novo tempo para o Nordeste”, disse Lula no dia do lançamento das obras. Esse novo tempo ainda não chegou: o custo da ferrovia saltou de R$ 4,5 bilhões para R$ 11,2 bilhões e, mais de uma década depois, só metade dos trechos foram concluídos. Cadê, Lula?
O PT de Lula, o condenado, também está devendo boa parte daquela que seria a redenção do semiárido nordestino: a transposição das águas do rio São Francisco. As obras deveriam ter ficado prontas em 2010, mas até agora apenas o eixo leste pôde ser inaugurado, apesar de o empreendimento já ter consumido o dobro do previsto dez anos atrás. O eixo norte continua só no papel.
Estão também no Nordeste boa parte dos equipamentos de saúde parados, fechados sem servir a população, a exemplo de 500 UPAs (unidades de pronto-atendimento) prontinhas, mas sem funcionar em todo o país. A região sofreu, ainda, com a paralisia do Minha Casa Minha Vida, que, no ano passado até maio, havia contratado zero unidade para a faixa 1, destinada a famílias pobres – penúria que, neste ano, já foi revertida para 100 mil novas casas. Cadê, Lula?
A agenda de Lula, o condenado a 9 anos e seis meses de cadeia, no Nordeste está repleta de atividades tão festivas quanto enganosas. São vários títulos de doutor em universidades de meia tigela e concessão de diplomas de cidadão honorário que estavam arquivados há décadas. O ex-presidente poderia empregar seu tempo de forma mais produtiva e honesta: justificando aos nordestinos por que os engana há tanto tempo.
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Cadê, Lula?
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terça-feira, 12 de maio de 2015
Devagar quase parando
O arrocho nas contas públicas que o governo atualmente promove é de péssima qualidade. As maiores vítimas da tesoura são os brasileiros que dependem da assistência do Estado e os investimentos que deveriam trazer melhoria dos serviços públicos para a população.
A paralisia nas ações do governo é tão evidente que mereceu as manchetes das edições de domingo de dois dos principais jornais do país. Tanto a Folha de S.Paulo quanto O Estado de S. Paulo constataram que o arrocho fiscal está comprometendo programas e iniciativas do governo e prejudicando o bem-estar dos brasileiros.
O paradeiro é explícito no setor de obras pesadas, na área de habitação, na infraestrutura. Mas também afeta programas sociais, financiamentos educacionais, linhas de crédito para a agropecuária. O traço comum é a falta de dinheiro: a torneira secou e, para ver se consegue arrumar mais recursos, o governo avança no bolso dos contribuintes.
As estrelas das vistosas propagandas do PT na campanha eleitoral agora esmaeceram. No Minha Casa Minha Visa, a construção de milhares de unidades está parada. Neste ano, segundo entidades que representam os construtores, nenhuma moradia destinada a famílias de baixa renda foi contratada.
2015 também não começou ainda para os agricultores que esperam crédito oficial. Ninguém sabe quando o dinheiro do novo plano-safra estará disponível, enquanto as operações voltadas à agricultura familiar também estão praticamente suspensas desde dezembro, segundo entidades que representam trabalhadores do setor.
Não é preciso esmiuçar muito os números para se obter um retrato fidedigno da paralisia. Apenas um deles revela-se suficiente para condensar a situação: no primeiro trimestre do ano, os investimentos nas obras do PAC caíram 37% quando comparados ao mesmo período de 2014.
Tem ministério que, passados mais de quatro meses, ainda não conseguiu investir um centavo sequer do orçamento para investimentos deste ano. São sete casos, incluindo as pastas de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e de Desenvolvimento Agrário.
Se números globais dão dimensão da penúria que o governo do PT impôs aos brasileiros, casos específicos ilustram, com cores dramáticas, as consequências da ineficiência para o dia a dia das pessoas.
É o que acontece, por exemplo, no agreste de Pernambuco, onde o atraso das obras da transposição do São Francisco leva a população a conviver com um rodízio em que durante 28 dias por mês não chega água às torneiras. São brasileiros como eles que estão pagando a conta amarga do arrocho recessivo promovido pelo PT.
A paralisia nas ações do governo é tão evidente que mereceu as manchetes das edições de domingo de dois dos principais jornais do país. Tanto a Folha de S.Paulo quanto O Estado de S. Paulo constataram que o arrocho fiscal está comprometendo programas e iniciativas do governo e prejudicando o bem-estar dos brasileiros.
O paradeiro é explícito no setor de obras pesadas, na área de habitação, na infraestrutura. Mas também afeta programas sociais, financiamentos educacionais, linhas de crédito para a agropecuária. O traço comum é a falta de dinheiro: a torneira secou e, para ver se consegue arrumar mais recursos, o governo avança no bolso dos contribuintes.
As estrelas das vistosas propagandas do PT na campanha eleitoral agora esmaeceram. No Minha Casa Minha Visa, a construção de milhares de unidades está parada. Neste ano, segundo entidades que representam os construtores, nenhuma moradia destinada a famílias de baixa renda foi contratada.
2015 também não começou ainda para os agricultores que esperam crédito oficial. Ninguém sabe quando o dinheiro do novo plano-safra estará disponível, enquanto as operações voltadas à agricultura familiar também estão praticamente suspensas desde dezembro, segundo entidades que representam trabalhadores do setor.
Não é preciso esmiuçar muito os números para se obter um retrato fidedigno da paralisia. Apenas um deles revela-se suficiente para condensar a situação: no primeiro trimestre do ano, os investimentos nas obras do PAC caíram 37% quando comparados ao mesmo período de 2014.
Tem ministério que, passados mais de quatro meses, ainda não conseguiu investir um centavo sequer do orçamento para investimentos deste ano. São sete casos, incluindo as pastas de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e de Desenvolvimento Agrário.
Se números globais dão dimensão da penúria que o governo do PT impôs aos brasileiros, casos específicos ilustram, com cores dramáticas, as consequências da ineficiência para o dia a dia das pessoas.
É o que acontece, por exemplo, no agreste de Pernambuco, onde o atraso das obras da transposição do São Francisco leva a população a conviver com um rodízio em que durante 28 dias por mês não chega água às torneiras. São brasileiros como eles que estão pagando a conta amarga do arrocho recessivo promovido pelo PT.
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
Monstros do presente
O PT partiu para a apelação nos comerciais que começou a veicular na televisão para defender sua permanência no poder. Tenta incutir medo numa população já desesperançada. Açula mitos, desidrata a história e busca, a todo custo, transformar a eleição de outubro numa batalha final do bem contra o mal.
Trata-se de
estratégia coordenada, com iniciativas em várias frentes. Incluiu a postura crescentemente
belicosa assumida pela presidente da República, que transforma cada evento público
em palanque partidário, e não dispensa a franca beligerância quando o
protagonista dos ataques é Luiz Inácio Lula da Silva.
Contempla, ainda, a
escalação de ministros de Estado para atuarem como porta-vozes partidários e ventríloquos
do marketing oficial. A cada verdade que a oposição lhes lança na cara,
respondem com mais uma mistificação embalada em frases preparadas em birôs de
comunicação. Em governar, não se ocupam.
Em sua propaganda de
TV, o PT brande “fantasmas do passado”, mas a população brasileira está
assustada mesmo é com monstros do presente. Com a inflação que não apenas
ameaça, mas já lhe tira o sono após cada visita à feira. Com os serviços públicos
que não apenas atemorizam, mas lhe tiram do sério dia após dia. Com a falta de
boas perspectivas para o país.
A população
brasileira está alarmada é com monstros do presente que se revelam na inépcia
do governo em cumprir seus compromissos. Na incapacidade de entregar aos cidadãos
os benefícios com os quais acenou por anos, mas que nunca chegam.
Daí que três em cada
quatro brasileiros querem um Brasil diferente do que aí está. E não será com o
partido que governa o país há 12 anos e já demonstrou os limites e os vícios de
sua prática política que se alcançará a mudança necessária. Tampouco com o PT
travestindo-se do que há muito deixou de ser e distorcendo a história da qual
pretende se apropriar.
No Brasil de hoje, a
desesperança juntou-se ao medo. E a propaganda petista espelha isso. “É um sinal
de fraqueza, quase desespero”, resume João Paulo Peixoto, cientista político da
UnB, n’O Globo. A peça é “talvez um
pouco triste demais para quem também precisa vender esperança”, avalia Fernando
Rodrigues na Folha de S.Paulo.
A dura realidade, esta
megera, esta estraga prazeres, ocupa-se em desmentir os petistas e o discurso
oficial. Em suas andanças pelo país, cada dia mais intensas, a presidente Dilma
Rousseff vende um Brasil que não existe, um governo que jamais saiu da pré-escola,
uma gestão que se especializou em produzir desastres.
Ontem, no Nordeste, a
presidente disse que os governos do PT são mestres em planejar e em bem executar. Afirmou
isso em referência a uma obra que deveria ter ficado pronta quatro anos atrás, até
hoje teve menos de 60% executados e não será concluída antes do fim de 2015,
oito anos depois de iniciada: a transposição das águas do rio São Francisco.
A presidente
justifica a inépcia na execução da transposição ao “aprendizado” a que os
petistas tiveram que se submeter após o início da execução da obra, cujo custo até
agora mais que dobrou. Governo não é lugar de fazer pós-graduação; governo é
lugar de servir à nação. “Éramos bastante inexperientes”, admitiu
Dilma. Eram? Ou ainda são?
A lista de
improvisos, remendos e marretas deste governo é quase interminável. O que dizer
do “planejamento” para conter a inflação por meio da manipulação deslavada de
tarifas públicas, como admite, com todas as letras, o ministro da Casa Civil,
Aloizio Mercadante, em entrevista à Folha
publicada hoje?
São monstros como
estes que aterrorizam o dia a dia dos brasileiros. Mas, ao ver-se prestes a ser
apeado do poder, o PT prefere fabricar fantasmas e investir num discurso que
beira o desespero. Se fossem tão competentes quanto apregoam, os petistas não
estariam tendo que jogar tão baixo para tentar ganhar uma eleição na qual vai ficando
cada dia mais evidente que o Brasil inteiro quer vê-los derrotados.
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sábado, 19 de janeiro de 2013
Passeando no Nordeste
Dilma Rousseff retorna hoje ao Nordeste. A presidente pretende mostrar que seu governo está agindo em prol da região. Infelizmente, suas intenções não correspondem aos fatos. Os estados nordestinos só têm recebido atenção de Brasília no papel e na saliva.
De tempos em tempos,
Dilma volta à região para o conhecido “bater de bumbo”, jargão do mundo
político para se referir à promoção de ações de governo. Hoje, ela estará no
Piauí para entregar algumas moradias.
Inicialmente, o
programa oficial previa a inauguração de um sistema adutor de água, cuja
conclusão fora prevista para o primeiro semestre de 2012. Mas, na última hora, constatou-se
que ainda não havia o que entregar e a presidente terá que se contentar com uma
mera visita à obra, localizada no município de São Julião (PI).
Dilma pretende rodar
a região nas próximas semanas, num giro que inclui ainda Pernambuco, Ceará,
Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Seus assessores terão que montar as
agendas presidenciais com cuidado redobrado: nas últimas vezes em que foi ao
Nordeste, Dilma não conseguiu encontrar as realizações que alardeava.
Foi o que aconteceu,
por exemplo, em fevereiro do ano passado, quando ela quis visitar obras da
transposição do rio São Francisco e da ferrovia Transnordestina. Só conseguiu
ver canteiros malparados e ainda teve que evitar decepções maiores, riscando
na última hora sua passagem por Missão Velha (CE) e Cabrobó (PE), onde o quadro
era mais desolador.
A lista de obras periclitantes
é extensa: além da transposição e da Transnordestina, inclui a Ferrovia Oeste-Leste,
o porto de Ilhéus, as refinarias da Petrobras, a BR-101, os metrôs das
principais capitais nordestinas e até mesmo os malfadados navios petroleiros
que só conseguem navegar depois de muito atraso.
Em setembro, o Valor Econômico mostrou que a carteira de investimentos federais na região
soma R$ 116 bilhões, mas, na média, estes empreendimentos tinham três anos e
meio de atrasos. A julgar pelo baixíssimo desempenho orçamentário do governo
federal em 2012, a situação não mudou desde então.
A transposição do Velho
Chico, por exemplo, só recebeu 18% da verba prevista para o ano passado,
mostrou O Estado de S.Paulo no último dia de dezembro. A execução se restringiu,
basicamente, a restos a pagar dos anos anteriores. Com isso, a obra,
inicialmente prometida pelo PT para 2010, teve menos de 50% executados até
agora e só ficará pronta em 2015, na melhor das hipóteses.
Em outubro, a
Confederação Nacional da Indústria divulgou levantamento
em que mostra que somente um quarto de uma lista de 83 projetos prioritários
para o Nordeste estava em andamento. Um extenso rol de obras continua na gaveta
ou avança a passos de tartaruga. A penúria é maior no caso das ferrovias e dos
portos.
É o que acontece no Piauí
que Dilma visita hoje. A agenda presidencial guardou profilática distância das
obras da Transnordestina no estado, onde está 30% do traçado da ferrovia – situado
entre Eliseu Martins (PI) e Salgueiro (PE). Há dois anos, a presidente afirmou
que pretendia entregar a obra até 2013, mas, segundo técnicos do governo, só
20% dos trilhos foram assentados, como mostra hoje o Estadão.
Por suas belíssimas
atrações turísticas e suas paradisíacas praias, o Nordeste tem sido o refúgio
de presidentes em férias. Mas, quando estão a trabalho, eles não deveriam ir à
região apenas a passeio, como fará Dilma Rousseff hoje. Quem sabe numa próxima
vez a presidente tenha, de fato, algo a mostrar por lá.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
O Nordeste à míngua
O Nordeste impôs ao PT uma derrota acachapante nestas eleições. A região mostrou, em primeiro lugar, que não aceita tutela de quem quer que se arvore líder de sua população. Mas exprimiu, igualmente, repúdio a um governo que não vem dando a merecida atenção aos nordestinos.
Tanto Lula quanto
Dilma Rousseff foram eleitos com votações acachapantes no Nordeste: tiveram 61%
e 70% dos votos, respectivamente, nas eleições de 2006 e 2010. Em campanha, o
PT prometeu a redenção da região, por meio de obras há muito aguardadas pela
população. Mas, depois de uma década de governo petista, nada, rigorosamente
nada, foi concluído.
A lista de promessas
é robusta e, se tivesse sido concretizada, poderia ter contribuído para que a região
diminuísse expressivamente o hiato que ainda a separa do restante do país – o
Nordeste tem quase 28% da população brasileira, mas participa com pouco mais de
13% do PIB. Inclui refinarias, melhoria da malha rodoviária, em especial a
BR-101, a conclusão da ferrovia Transnordestina e, principalmente, a
transposição das águas do rio São Francisco.
Nesta semana, a
Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou levantamento em que mostra
que, de uma lista de 83 projetos prioritários para o Nordeste, somente 25%
estão em andamento. Um extenso rol de obras continua na gaveta ou avançam a
passos de cágado, como é mais notável no caso das ferrovias e dos portos.
Isso torna as
condições logísticas da região muito prejudicadas, impedindo maior expansão da
economia local. Enquanto a carteira de obra classificadas como prioritárias na
região atinge R$ 25,8 bilhões, os gastos com transportes no Nordeste somam a R$
30 bilhões. “Os investimentos nos projetos de infraestrutura teriam retorno em
pouco mais de quatro anos”, avalia o Valor
Econômico.
O exemplo mais
gritante da incúria do governo federal em relação ao Nordeste continua a ser a
transposição das águas do Velho Chico. A obra foi apresentada no governo de
Luiz Inácio Lula da Silva como a salvação do semiárido, assolado por frequentes
estiagens e indesejáveis faltas d’água. Prometida para 2010, não deve ficar
pronta sequer na gestão Dilma, sobrando para 2020.
Lançada como uma das
vedetes do hoje esquecido PAC, em janeiro de 2007, a transposição deveria
assegurar oferta de água a cerca de 400 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará,
Paraíba e Rio Grande do Norte. Mas oito dos 16 lotes que compõem a obra estão
hoje paralisados – muitos a cargo da Construtora Delta, blindada pelo governo petista
e sua base aliada na CPI do Cachoeira – e somente um foi concluído: o chamado canal
de aproximação do eixo norte, em Cabrobó (PE).
Mas, mesmo já
inaugurado, este trecho não leva água alguma para as famílias do semiárido,
conforme mostrou o Correio
Braziliense há um mês: “Ninguém foi beneficiado pelo canal com pouco
mais de dois quilômetros porque, até hoje, uma estação de bombeamento e uma
ponte não estão prontas.” A ponte sequer começou a ser construída e a estação
só deve ser finalizada no fim de 2014.
A transposição
envolve obras numa extensão de 713 quilômetros de canais. Orçada inicialmente
em R$ 4,5 bilhões, já praticamente dobrou de valor, mas continua longe da
conclusão. Sobram denúncias de sobrepreços, superfaturamento e desvio de recursos
públicos. A Controladoria Geral da União também já apontou deficiências graves nos
projetos básico e executivo das obras e falhas de fiscalização por parte do
Ministério da Integração Nacional.
Enquanto isso, o
semiárido nordestino agoniza com a falta d’água e a perspectiva de um verão rigorosíssimo.
A estiagem já atinge 80% de Pernambuco e 90% da produção agrícola de Ceará e
Piauí está comprometida. O Jornal do Commercio mostra hoje em manchete que 2012
já é o ano mais seco na região desde 1985.
Alterar as condições
climáticas é algo que escapa à intervenção humana. Mas ações que poderiam reduzir
as agruras que o sol inclemente impõe ao Nordeste poderiam muito bem ser
desenvolvidas pelo poder público. A região exige e merece mais atenção do
governo federal, e não apenas promessas vãs e compromissos nunca honrados.
terça-feira, 10 de julho de 2012
De costas para o Nordeste
O Nordeste deu a Dilma Rousseff algumas de suas votações mais consagradoras em 2010. Não é exagero dizer que a presidente deve sua eleição à região. Mas tamanho apoio não vem sendo retribuído à altura: o governo federal tem dado pouca atenção aos estados nordestinos, castigados pela pior seca dos últimos 30 anos.
Atualmente, 1.134 municípios
do semiárido encontram-se em situação de emergência devido à estiagem. Além do
suplício que a falta de chuvas causa à vida das pessoas, apenas em termos de
produção agropecuária estima-se que o Nordeste perderá R$ 12 bilhões neste ano.
Numa situação assim, é imperativa a ação do poder público.
Sobre minorar o
sofrimento dos afetados pela seca, o governo federal diz muito, mas faz quase
nada. Em abril, o Planalto enviou medida provisória ao Congresso para amparar vítimas
da estiagem no semiárido brasileiro. Nela, foi autorizada despesa extra de R$
706,4 milhões para ações de socorro como o seguro-safra, defesa civil e auxílio
financeiro emergencial. Passados quase três meses, porém, apenas 4% dos
recursos foram aplicados.
O Nordeste é
enaltecido em discursos oficiais, mas continua sendo vítima de práticas predatórias,
arcaicas, inescrupulosas. Enquanto a seca avança, obras que poderiam servir
para aplacar o problema apodrecem sob o sol inclemente. E instituições públicas
que deveriam zelar por uma vida melhor para o sertanejo servem de butim para
alimentar as alianças petistas.
Tome-se o que
acontece, por exemplo, no Dnocs e no Banco do Nordeste. Bem geridos, poderiam ser
instrumentos poderosos no combate à seca, mas, nas mãos do PT, são tratados
como meras moedas de troca na partilha de poder. Fatiados entre partidos da
base aliada, vira e mexe surgem no noticiário policial alimentando escândalos de
desvio de dinheiro público.
O Nordeste também tem
se notabilizado por ser a região onde as obras federais caminham mais
lentamente. O caso mais emblemático é o da transposição das águas do rio São
Francisco. Encampada pelo ex-presidente Lula como a redenção da seca, está
longe, muito longe de alcançar o objetivo: seja porque efetivamente não se
prestará a esta finalidade, seja porque sua conclusão fica cada dia mais distante.
Atualmente, segundo o
Jornal do Commercio, grande parte das
obras está paralisada. Dos 14 lotes, seis estão com obras suspensas. São eles: o
3, em Salgueiro (PE); o 4, em Penaforte (CE); o 5 em Jati (CE); o 6 em Mauriti
(CE); o 7 em São José de Piranhas (PB); e o 9 em Floresta (PE). Todos tiveram
seus contratos rescindidos por suspeita de irregularidades e agora aguardam a
realização de novas licitações.
A transposição não
tem data para acabar e o governo é incapaz de dizer quanto ela irá custar. O orçamento,
que começou em R$ 4,5 bilhões, já chegou a R$ 8,2 bilhões, mas continua mirando
o céu como limite. Antes prevista para 2010, a obra ficará pronta, na melhor
das hipóteses, em 2015 – até hoje apenas 36% foram executados. Somente um
trecho de 4 km do Eixo Norte foi entregue até agora, executado pelo Exército.
Mas o Nordeste não precisa
apenas de mais água. Necessita também de infraestrutura adequada para acelerar
o seu desenvolvimento. Se depender do ritmo de outro grande empreendimento da
região, o da ferrovia Transnordestina, ainda terá de esperar muito. A obra é
outro exemplo de abandono e inépcia.
A ferrovia é
privada, mas conta com grosso recurso do BNDES. Seu custo já subiu 20%, para R$
5,4 bilhões, mas pode crescer mais R$ 1,3 bilhão, de acordo com O
Estado de S.Paulo. A Transnordestina está em construção há cinco anos,
mas até agora só um terço da obra ficou pronta, impedindo o Nordeste de escoar
sua produção até os portos de Suape (PE) e Pecém (CE) de forma mais barata e
competitiva.
Em fevereiro, a presidente
da República foi pessoalmente aos canteiros de obras da transposição e da ferrovia.
Na ocasião, foi enérgica e garantiu que o tempo dos atrasos havia ficado para
trás. Não foi o que aconteceu e os dois empreendimentos permanecem em marcha a
ré.
Uma região com as
características do Nordeste merece atenção especial de qualquer governo que
pretenda imprimir uma marcha de desenvolvimento equilibrado ao país. Reclama políticas
estratégicas e estruturantes para lançá-lo num salto à frente, que já se
manifesta na intensa ampliação de seu mercado de consumo.
Na era petista, o Nordeste
tem servido de mote para a retórica afinada do governo federal. Mas não recebe em
troca o que lhe prometem. Os nordestinos são credores da eleição de Dilma
Rousseff, mas, até agora, o que a presidente da República fez foi virar-lhes as
costas. A região merece mais atenção e respeito, e não castigo.
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terça-feira, 24 de abril de 2012
A indústria da seca
O Nordeste está,
novamente, penando com a falta d’água. A impiedosa seca que atinge a região reforça
a constatação dos equívocos que envolvem a bilionária obra da transposição do
rio São Francisco. É a típica situação em que os recursos públicos são empregados
para fazer proselitismo, e não para o que deveriam: melhorar a vida das
pessoas.
Atualmente, 261
municípios nordestinos estão em situação de emergência. Os principais estados
atingidos são Bahia, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe – onde a
presidente da República desembarcará hoje com um séquito de ministros para
discutir a seca com governadores da região.
A estiagem está
dizimando a produção agrícola – a maior parte de subsistência – do Nordeste. Em
Pernambuco, por exemplo, 95% das lavouras, principalmente de milho e feijão, já
se perderam. Cerca de 100 mil produtores foram atingidos e cerca de 300 mil toneladas
de alimentos deixaram de ser cultivados. Também os rebanhos bovino, caprino e
ovino, que somam seis milhões de cabeças, estão sob ameaça.
Cerca de 2,5 milhões
de pessoas em 595 municípios nordestinos estão recebendo água por meio de
carros-pipa controlados pelo Exército. Não é um contrassenso que isso esteja
acontecendo numa região onde estão sendo despejados R$ 8,2 bilhões justamente
para prover água?
Mais que mil
palavras, a dura realidade enfrentada atualmente pelos nordestinos escancara a falsidade
do discurso petista. A transposição do rio São Francisco foi apresentada ao
país como a redenção do déficit hídrico no semiárido e no sertão do Nordeste. Mas
até hoje não passou de mera peça de publicidade, e de péssima qualidade.
O mais grave é que,
possivelmente, o drama da falta d’água na torneira não será resolvido com as obras
da transposição. Apenas 4% da água desviada pelos canais será usada para
consumo humano. Em contrapartida, 70% da água transposta irá para
irrigação em grandes projetos de exportação e 26% para uso industrial.
Pior ainda, os
nordestinos vão pagar muito caro pela pouca água que chegará a suas casas. O
custo do metro cúbico de água a ser futuramente fornecida por meio dos canais
da transposição é estimado pelo governo em R$ 0,15, ou quase dez vezes o preço
médio praticado no país.
Além do marketing
deslavado, nada justifica a obsessão do governo petista pelas obras da
transposição. O Nordeste carece, sim, de auxílio do poder público federal, mas
não na forma de imagens manipuladas de TV. O que se pede é condições de vida
mais dignas.
Há muito que o governo
central poderia fazer para auxiliar a região, como incentivo a bem sucedidos projetos
de conservação da água, apoio à formação de cooperativas de produtores, construção
de estradas vicinais para escoamento da safra.
Mas a megalomania
petista preferiu torrar bilhões numa obra envolta em polêmica – e que, aliás, tem
na Construtora Delta, sempre ela, um de seus maiores executores. A transposição
é um dos maiores contratos da empresa – que, desde 2004, recebeu R$ 3,7 bilhões
do governo federal – dentro do PAC.
Em fevereiro, Dilma Rousseff
visitou canteiros da transposição. Sua intenção era, com o olho do dono, fazer
a obra engordar e acelerar. Nada, porém, mudou. Hoje, três lotes (3, 4 e 7) estão
abandonados e terão de ser licitados novamente. Tudo isso depois de a obra ter
ficado 71% mais cara e ter tido em 2011, primeiro ano da atual gestão, seu pior
avanço: apenas 5%.
A presidente e sua
trupe de ministros terão de suar a camisa para mostrar que estão agindo adequadamente
para minorar o drama da falta d’água no Nordeste. Da forma como as iniciativas
têm sido tomadas, parece que o que mais interessa ao PT é manter a região sob cabresto,
numa perpetuação da nefasta indústria da seca.
sábado, 24 de março de 2012
Transposição: a caravana da verdade
Há pouco mais de um mês, Dilma Rousseff esteve no semiárido nordestino. Afirmou, na ocasião, que foi lá para garantir que as obras da transposição do rio São Francisco andariam. Foram palavras ao vento: a situação continua tão ruim quanto estava, com o agravante de que, neste meio tempo, o governo espetou mais R$ 2,65 bilhões na conta do empreendimento.
A transposição é um dos mais gritantes equívocos em série promovidos pela gestão petista. Seu custo não para de escalar, seus benefícios são duvidosos, sua viabilidade é questionável. É o que a caravana formada por parlamentares do PSDB, do DEM e do PPS poderá conferir in loco hoje no Ceará.
A transposição começou custando R$ 4,8 bilhões. Escalou a R$ 6,8 bilhões em julho passado e agora decolou para R$ 8,2 bilhões. Ou seja, ficou 71% mais cara – sem, contudo, fazer chegar uma gota d’água ao semiárido, conforme mostra hoje O Estado de S.Paulo.
O governo alega que a forte demanda sobre a construção civil e a construção pesada pressionou os valores dos contratos. Mas, no mesmo período em que o preço da transposição quase dobrou, os custos da construção civil só subiram cerca de 7%, tanto no Nordeste quanto na média do país.
No primeiro exercício de Dilma, nove dos 12 lotes do empreendimento chegaram a parar. Para retomar as obras, o governo apelou para o “jeitinho” – o mesmo no qual Aldo Rebelo aposta para o Brasil não fazer feio nas obras da Copa.
Como os aditivos esbarravam no teto legal de 25%, foram criados seis novos contratos, perfazendo mais R$ 2,65 bilhões a serem gastos em obras que já deveriam ter sido cobertas pelos contratos atuais, como mostrou o Jornal do Commercio há dez dias. Os “resíduos” mais caros estão no Eixo Norte, com uma soma de R$ 1,9 bilhão.
Uma das reais razões para o inchaço dos contratos é que, no afã eleitoral, as obras foram tocadas apenas com base em projetos básicos – isto é, pouco mais do que rascunhos e intuição.
Na dura realidade do semiárido, as construtoras depararam-se com situações muito diferentes do que estava no papel – levando, inclusive, a acidentes como o desmoronamento de parte do túnel de Cuncas, que com seus 15 km corta a divisa entre Ceará e Paraíba, em abril de 2011 – e tiveram de tirar o pé do acelerador.
Vedetes do PAC, hoje as obras da transposição estão mesmo é praticamente em ponto morto. 2011 marcou o pior ano de execução do empreendimento, com avanço de apenas 5%. Dos R$ 1,3 bilhão reservados no Orçamento da União do ano passado, apenas 13% foram executados.
Não há mais chance de Dilma inaugurar a transposição integralmente, segundo o próprio balanço oficial do PAC divulgado no início do mês. O eixo norte, que deveria ficar pronto neste ano, tem apenas 19% executados. Na melhor das hipóteses, só será concluído em dezembro de 2015. O leste, prometido para 2010, tem 48% de execução e previsão de término no último mês da gestão Dilma – num claro indício de que a data estimada é fajuta.
A população não foi enganada apenas por custos e cronogramas irreais: o discurso oficial de que a transposição resolverá o problema de abastecimento de água da população do semiárido também é falso.
Apenas 4% da água desviada será usada para consumo humano, mostrou Washington Novaes n’O Estado de S.Paulo: “Desde o estudo de impacto ambiental, foi afirmado que 70% da água transposta iria para irrigação em grandes projetos de exportação, 26% para uso industrial”.
Enquanto isso, iniciativas bem-sucedidas de abastecimento humano, como a construção de cisternas de concreto para armazenar água de chuva, foram escanteadas pelo governo federal. A meta, definida por uma coligação de ONGs, a Articulação do Semiárido, era chegar a 1 milhão, mas só 30% foram feitas. Para piorar, a gestão petista anunciou recentemente que pretende passar a adotar cisternas de plástico, que simplesmente estorricam sob o calor nordestino e custam cinco vezes mais.
Em 2009, já no clima de vale-tudo que moveria o PT na campanha eleitoral, Dilma Rousseff aboletou-se ao lado de Lula para protagonizar a “caravana da transposição”. Já naquela época, o teatro ficou evidente. Agora, caravanas bem mais verdadeiras servirão para mostrar o que, de fato, está acontecendo no país: uma realidade bem diferente do discurso oficial. E tristemente pior.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A transposição que Dilma não vai ver
Dilma Rousseff está hoje no Nordeste. Não foi à região para inaugurar nada, nem anunciar nenhuma novidade. Foi apenas ver de perto um dos fracassos mais retumbantes da qual foi protagonista, não apenas como presidente, mas desde que “gerenciava” o governo Lula: as obras da transposição do rio São Francisco.
O cenário que a aguarda é de desolação. Obras paralisadas; empreendimentos que se desintegram semanas depois de serem “concluídos”; municípios inteiros submetidos à penúria; comunidades que agora vivem pior do que antes da chegada dos canteiros das empreiteiras.
A transposição é projeto muito antigo, e também polêmico. Parte dos estados nordestinos era contra; parte muito a favor. Lula decidiu tocá-la a partir de 2007. Vangloriou-se de estar fazendo algo que, desde Dom Pedro, não se conseguia.
“Eu digo sempre que o Lula de dona Lindu conseguiu fazer a obra que o Imperador, filho do rei Dom João VI, não quis fazer”, disse ele, em um de seus últimos atos na presidência, em dezembro de 2010. Lula não conseguiu coisa nenhuma; para existir, a transposição ainda tem de comer muita poeira.
Atualmente, a maior parte dos 14 lotes de obras está parada, à espera de aditivos contratuais. Desde o ano passado, as máquinas foram sendo desligadas. O total de empregados caiu de 9 mil para 3.900, se tanto. As construtoras argumentam que os valores negociados com o governo mostraram-se insuficientes para bancar as obras. Para voltar ao trabalho, espetaram uma nova fatura bilionária no governo petista, que topou pagar.
Os custos da transposição já subiram mais de 50% sem que uma gota de água irrigasse o semiárido. O valor passou dos R$ 4,5 bilhões iniciais para os atuais R$ 6,9 bilhões. Um dos pecados originais da transposição foi ter sido iniciada sem que houvesse sequer projetos básicos das obras. Em campo, a realidade que as empreiteiras encontraram era bem diferente da prevista.
O improviso já resultou em acidentes graves, como o desmoronamento de parte do túnel de Cuncas, que com seus 15 km corta a divisa entre Ceará e Paraíba, em abril do ano passado. Em localidades como Montevidéu, no município de Salgueiro (PE), as obras afetaram o açude que garantia o abastecimento para a população, agora sem água.
A obra da transposição é alvo de pelo menos dez investigações do Ministério Público Federal. As primeiras ações foram propostas em 2005 e os inquéritos apuram desde fraudes em licitações até a remoção de índios de locais por onde passam as obras.
Hoje, cinco anos depois do seu início, apenas 58% da transposição foi feita, segundo o Jornal do Commercio, de Recife, em série de reportagens que vem sendo publicada desde domingo. Inicialmente, a conclusão deveria ocorrer neste ano, mas já se sabe que, na melhor das hipóteses, ficará para o sucessor de Dilma inaugurar os 713 quilômetros de canais do empreendimento, em 2015.
“A transposição do São Francisco é uma amostra exemplar do padrão de gestão petista. Decisões são tomadas não com base em cálculos econômico-financeiros ou estudos sobre a importância e a urgência do projeto para a região e para o país, mas tendo em conta os interesses do PT e de seus aliados de ocasião”, comentou O Estado de S.Paulo em editorial no primeiro dia de 2012.
Dilma ordenou a seus assessores que mantivessem sob discrição sua ida ao Nordeste hoje. Ela passará por Pernambuco – Floresta e Cabrobó – e Ceará – Juazeiro do Norte e Mariti. Tudo bem diferente da caravana pomposa na qual acompanhou Lula em outubro de 2009 – cercada de ministros, uísque, roda de viola e tapetes vermelhos – para promover sua candidatura presidencial.
O mais nefasto é o uso e o abuso que o PT faz do dinheiro público para enganar o público, iludir pessoas que só pedem um pouco de atenção oficial e comunidades que gostariam de progredir honestamente. A transposição é obra necessária, mas as gestões de Lula e de Dilma a transformaram em mais um estelionato a figurar na ficha corrida do partido.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Indústria da seca
Foi no Nordeste que Dilma Rousseff foi proporcionalmente mais bem votada na eleição que a levou à Presidência da República, em 2010. Seu governo, porém, não reflete a atenção e os cuidados que a região esperava dela. Infelizmente, o semiárido continua a impulsionar uma indústria de escândalos nos órgãos federais.
O da vez envolve o centenário Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Novamente, um braço do Estado é usado para produzir benefícios privados e dividendos político-partidários. Repete-se lá uma tônica disseminada na gestão petista.
Ontem, O Globo divulgou os resultados de um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apontando prejuízo de R$ 312 milhões na gestão de pessoal e em contratações irregulares feitas pelo órgão, subordinado ao Ministério da Integração Nacional.
“O relatório de 252 páginas revela uma sucessão de pagamentos superfaturados, contratos com preços superestimados e ‘inércia’ da direção do órgão para sanar irregularidades que prosperaram ao longo da última década”, informou o jornal. As contas do Dnocs de 2008, 2009 e 2010 também foram consideradas irregulares.
Repetindo o mesmo vício do ministro da Integração, o chefe do Dnocs também privilegiou um estado em detrimento dos demais na liberação de verbas. Se Fernando Bezerra desequilibrou os repasses em favor de Pernambuco, o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, superfaturou os recursos para o Rio Grande do Norte de seu padrinho político, o deputado Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara.
De 47 convênios firmados com municípios para ações de defesa civil, 37 contemplaram prefeituras potiguares, que ficaram com 43% dos recursos liberados. Segundo a Folha de S.Paulo, 20 dessas cidades no RN são administradas pelo PMDB. A maior parte dos contratos (23) tem irregularidades, envolvendo empresas de fachada, conforme aponta a CGU.
Um diretor do Dnocs já caiu e o chefe-geral equilibra-se no cargo. O noticiário político de hoje diz que os atritos produzidos na área detonaram uma rusga brava entre o PSB do ministro Bezerra e o PMDB dos apadrinhados de órgãos ligados à Integração Nacional – que incluem ainda Sudene e Codevasf, agora também sujeitos ao crivo do escovão.
É de indignar ver comandantes de instituições que deveriam se dedicar a buscar saídas para o semiárido engalfinhando-se em torno de cargos e não de propostas, programas e soluções para problemas que ainda afligem milhões de brasileiros.
O episódio atual não destoa, no entanto, da parca atenção efetiva que a gestão petista tem dado ao Nordeste. Há muita propaganda e oba-oba em torno de feitos supostamente “históricos” para a superação dos atrasos da região, mas a dura realidade difere bem disso.
Obras espetaculares como a transposição do rio São Francisco e a construção da Transnordestina serviram muito bem para abrilhantar os programas de TV da então candidata a presidente da República. Mas até hoje não produziram um benefício efetivo sequer para a população nordestina.
A mais longeva obra inconclusa do Nordeste, a ferrovia foi prometida para o fim do governo Lula. Hoje apenas 10% de seus 1.728 km estão prontos, mas, mesmo assim, só são utilizados para transportar material para a construção da própria Transnordestina. Se tudo correr bem, com pelo menos quatro anos de atraso a promessa será cumprida.
Outra promessa lulista, a transposição do São Francisco já encareceu 40% e sequer ficará pronta no governo atual. Parte da estrutura já feita, construída às pressas para figurar na campanha eleitoral de Dilma, hoje apodrece sob o sol inclemente. Nenhuma gota d’água chegou ao sertão.
O Nordeste vem apresentando taxas chinesas de crescimento nos últimos anos. Muito se deve ao empreendedorismo e ao esforço próprio de seu povo. O governo central pouco ajuda neste processo de superação. A região quer emancipação e progresso, e não continuar a servir de subterfúgio para que a política miúda siga produzindo escândalos em série.
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Espanando a poeira
Demitido há quase um mês, o diretor-geral do Dnit demitiu-se ontem do cargo. A frase pode parecer contraditória, mas foi exatamente isso o que aconteceu: Luiz Antonio Pagot oficializou nesta segunda-feira seu desligamento do governo por moto próprio, depois de ter sido defenestrado no início de julho por ordem de ninguém menos que a presidente da República. Qual a seriedade de uma “faxina” como esta?
Pagot saiu do órgão que concentra as maiores falcatruas da Esplanada com pompa e circunstância, num quase comício: auditório lotado, discurso inflamado e a entrega de uma carta de demissão lacrada endereçada à presidente. Mas a sua mise-en-scène completa-se com um pacto de silêncio sobre o que realmente interessa: quem operava a central de corrupção do caixa do Dnit, que só neste ano tem R$ 13 bilhões para gastar?
É bem provável que esta pergunta continue sem resposta. A disposição do governo petista para investigar é de mentirinha. Já a de punir só se manifesta em reação à imprensa. Os aliados não precisam temer, portanto, as ameaças para inglês que Dilma Rousseff fez nos últimos dias, incluindo a de que exigirá “ficha limpa” dos novos indicados. Tudo mudará para permanecer exatamente como sempre esteve.
No Dnit mantêm-se intocadas as estruturas na maioria dos estados. Mostrou a Folha de S.Paulo que pelo menos 12 das 23 superintendências regionais são objeto de inquéritos do Ministério Público ou da Polícia Federal. É uma verdadeira farra, que inclui até conserto de carro de amante de servidor, além de repasses ilegais de recursos a empresas ligadas aos padrinhos políticos dos superintendentes.
É evidente que a disposição de Dilma para limpar a sujeira que há no Executivo possui claros limites. Ministérios controlados por PMDB, PDT, PP e PC do B serão “poupados” da faxina política, informou O Globo. Já o PT é intocável. Pensando bem, em vista do tamanho desses partidos, praticamente todo o mundo já está absolvido por antecipação. A “faxina” não passa, digamos, de espanar a poeirinha que cobre os móveis...
“Não basta afastar pessoas, se, como nos Transportes, a administração criou um método de corrupção. As capitanias hereditárias do PMDB no setor elétrico, o sultanato do PDT no Trabalho, o feudo do PCdoB nos Esportes e o bunker ideológico-financista de ramificações do PT e organizações ditas sociais no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra parecem desafios acima do poder e fora do alcance da presidente”, comenta O Globo hoje em editorial.
Não por acaso, e bem de acordo com o modus operandi petista, o governo não tomou nenhuma providência em mais um escândalo cabeludo com começo, meio e fim divulgado no fim de semana. Com vídeo e tudo, a revista Época mostrou que assessores da Agência Nacional de Petróleo (ANP) cobravam propina para fazer processos de empresas privadas saírem do lugar. Não surpreende que a ANP, totalmente aparelhada pelo PC do B, tenha se tornado um entrave ao crescimento do setor no país nos últimos anos.
Mais alguns casos: na Valec, o TCU descobriu um rombo (mais um) de R$ 420 milhões em contratos superfaturados nas ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste, ambas obras do PAC. Já a bilionária transposição do Rio São Francisco também sofre com a cobrança de aditivos, como revelou o Valor Econômico, e está praticamente parada. Enquanto isso, seu custo saltou dos iniciais R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões, ou módicos 40% a mais.
É preciso dissipar a nuvem de poeira que o governo tenta soprar sobre a realidade: o que mais há hoje no governo de Dilma Rousseff é irregularidade para ser investigada. Se a sociedade não se mantiver vigilante, vai tudo para o esquecimento.
O que os petistas mais querem é que a saída de Pagot represente um ponto final nas incômodas denúncias de corrupção que assolam a administração federal nos últimos meses. Para o governo, o que realmente interessa é tirar o assunto da pauta dos jornais e esconder os escândalos da opinião pública. Mas, como a limpeza é de mentirinha, a sujeira vai só mudar de endereço, suspensa no irrespirável ar de Brasília.
Pagot saiu do órgão que concentra as maiores falcatruas da Esplanada com pompa e circunstância, num quase comício: auditório lotado, discurso inflamado e a entrega de uma carta de demissão lacrada endereçada à presidente. Mas a sua mise-en-scène completa-se com um pacto de silêncio sobre o que realmente interessa: quem operava a central de corrupção do caixa do Dnit, que só neste ano tem R$ 13 bilhões para gastar?
É bem provável que esta pergunta continue sem resposta. A disposição do governo petista para investigar é de mentirinha. Já a de punir só se manifesta em reação à imprensa. Os aliados não precisam temer, portanto, as ameaças para inglês que Dilma Rousseff fez nos últimos dias, incluindo a de que exigirá “ficha limpa” dos novos indicados. Tudo mudará para permanecer exatamente como sempre esteve.
No Dnit mantêm-se intocadas as estruturas na maioria dos estados. Mostrou a Folha de S.Paulo que pelo menos 12 das 23 superintendências regionais são objeto de inquéritos do Ministério Público ou da Polícia Federal. É uma verdadeira farra, que inclui até conserto de carro de amante de servidor, além de repasses ilegais de recursos a empresas ligadas aos padrinhos políticos dos superintendentes.
É evidente que a disposição de Dilma para limpar a sujeira que há no Executivo possui claros limites. Ministérios controlados por PMDB, PDT, PP e PC do B serão “poupados” da faxina política, informou O Globo. Já o PT é intocável. Pensando bem, em vista do tamanho desses partidos, praticamente todo o mundo já está absolvido por antecipação. A “faxina” não passa, digamos, de espanar a poeirinha que cobre os móveis...
“Não basta afastar pessoas, se, como nos Transportes, a administração criou um método de corrupção. As capitanias hereditárias do PMDB no setor elétrico, o sultanato do PDT no Trabalho, o feudo do PCdoB nos Esportes e o bunker ideológico-financista de ramificações do PT e organizações ditas sociais no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra parecem desafios acima do poder e fora do alcance da presidente”, comenta O Globo hoje em editorial.
Não por acaso, e bem de acordo com o modus operandi petista, o governo não tomou nenhuma providência em mais um escândalo cabeludo com começo, meio e fim divulgado no fim de semana. Com vídeo e tudo, a revista Época mostrou que assessores da Agência Nacional de Petróleo (ANP) cobravam propina para fazer processos de empresas privadas saírem do lugar. Não surpreende que a ANP, totalmente aparelhada pelo PC do B, tenha se tornado um entrave ao crescimento do setor no país nos últimos anos.
Mais alguns casos: na Valec, o TCU descobriu um rombo (mais um) de R$ 420 milhões em contratos superfaturados nas ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste, ambas obras do PAC. Já a bilionária transposição do Rio São Francisco também sofre com a cobrança de aditivos, como revelou o Valor Econômico, e está praticamente parada. Enquanto isso, seu custo saltou dos iniciais R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões, ou módicos 40% a mais.
É preciso dissipar a nuvem de poeira que o governo tenta soprar sobre a realidade: o que mais há hoje no governo de Dilma Rousseff é irregularidade para ser investigada. Se a sociedade não se mantiver vigilante, vai tudo para o esquecimento.
O que os petistas mais querem é que a saída de Pagot represente um ponto final nas incômodas denúncias de corrupção que assolam a administração federal nos últimos meses. Para o governo, o que realmente interessa é tirar o assunto da pauta dos jornais e esconder os escândalos da opinião pública. Mas, como a limpeza é de mentirinha, a sujeira vai só mudar de endereço, suspensa no irrespirável ar de Brasília.
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