Luiz Inácio Lula da Silva está inelegível e condenado a 12 anos e um mês de cadeia por ter recebido um tríplex à beira-mar no Guarujá (SP) como pagamento de propina por parte da OAS. Parece pouco delito para punição desta natureza. E é. Desde que ascendeu ao poder federal, em 2002, ele e seu partido, o PT, vêm cometendo crimes muito mais graves, cujas vítimas são os brasileiros e a nossa democracia. Merecem castigo ainda mais exemplar.
No total, o ex-presidente está envolvido em nove processos e é réu em cinco deles. O próximo a ser julgado deve ser o que envolve o sítio em Atibaia (SP) que a OAS e a Odebrecht deram a Lula em troca de contratos com a Petrobras. Mesmo este delito, que teria resultado em pouco mais de R$ 1 milhão em benefícios ao ex-presidente, é pouco perto do conjunto da obra petista.
A investigação, com acusação de crime de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, entrou em sua fase final de instrução, com depoimentos de testemunhas. E o que eles comprovam é que Lula e o PT não lesaram apenas os cofres públicos – o que já seria suficiente para purgarem penas exemplares – mas fraudaram, sobretudo, o processo eleitoral e, portanto, a vontade do eleitor brasileiro.
Os marqueteiros que levaram Lula à reeleição e Dilma Rousseff a suas duas vitórias presidenciais contaram à Justiça Federal em Curitiba que, desde 2006, foram pagos pelo PT com dinheiro sujo de caixa dois. Nada que já não fosse sabido em se tratando dos petistas, só que agora admitido por alguns dos principais artífices dos maiores êxitos eleitorais do partido.
A dinheirama corria solta, segundo João Santana e Mônica Moura. Em 2006, por exemplo, mais da metade da campanha da reeleição de Lula foi bancada com dinheiro sujo – como, aliás, já admitira Antonio Palocci em carta endereçada ao PT em setembro do ano passado. Já o petrolão irrigou a candidatura de Dilma tanto em 2010 quanto em 2014, com desvios na casa dos bilhões de reais, como a Operação Lava Jato vem revelando nestes últimos quatro anos.
Tudo considerado, resta claro que a folha corrida de Lula é muito mais extensa do que a que o levou à sua única condenação até agora. Há razões de sobra para que ele seja punido com ainda mais rigor, enquadrado na lei da ficha limpa e, portanto, impedido de disputar o voto do eleitor – o mesmo que ele seguidamente fraudou com o dinheiro sujo da corrupção ao longo de sua carreira política.
Na Copa do Mundo de 1986, Maradona ajudou a sua seleção a vencer a Inglaterra com um gol irregular, que o argentino cinicamente chamou de “a mão de Deus”. No Brasil, o que aconteceu em todas as últimas eleições presidenciais desde a ascensão do PT foi mais grave e deletério: vitórias conquistadas com a mão do diabo, que lesou nossa democracia, enganou o eleitor e gatunou o dinheiro que deveria servir ao povo.
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
sábado, 13 de maio de 2017
O ‘chefe’ e a organização criminosa
As eleições presidenciais de 2014 foram as mais disputadas da história brasileira. Logo após ser derrotado em segundo turno, por uma apertada diferença de pouco mais de 3 milhões de votos, o senador Aécio Neves (PSDB) afirmou que não havia perdido para um partido ou para uma candidata, mas sim para uma “organização criminosa”. Tudo o que o país conheceu desde então confirma que tanto aquela quanto as demais vitórias petistas foram uma fraude.
O marketing foi decisivo para a reeleição de Dilma Rousseff. Em especial, porque se valeu das mais espúrias armas à mão. A mentira foi a matéria-prima que João Santana modelou e os petistas disseminaram Brasil afora para alimentar seus militantes e constranger os mais pobres, temerosos do terror que o PT apregoava.
Ao longo destes quase três anos desde então, a verdade veio vindo à tona. Tudo o que a oposição denunciou à época vem se comprovando por meio das investigações levadas a cabo pela Operação Lava Jato. Agora é o próprio marqueteiro petista quem as confirma.
A tônica das vitórias petistas, e não apenas a da reeleição de Dilma, foi a corrupção e o uso desenfreado de dinheiro sujo. Desde o comecinho dos governos petistas, mais precisamente desde o dia 24 de agosto de 2005, quando a associação Santana-PT começou.
No vértice desse esquema criminoso esteve sempre Luiz Inácio Lula da Silva. É o que comprovam, mais uma vez, delações feitas pelos marqueteiros das campanhas vitoriosas do PT em 2006, 2010 e 2014. Malas e malas de dinheiro desviado de cofres públicos moveram as engrenagens eleitorais do petismo.
As contas das milionárias campanhas do PT eram alimentadas por caixa dois sob supervisão direta do capo Lula, disseram Santana e a mulher dele, Mônica Moura, à Lava Jato. Tudo bem diferente do que afirmou o ex-presidente anteontem em interrogatório ao juiz Sergio Moro em Curitiba.
Antonio Palocci, ministro da Fazenda do PT, cuidava do leva-e-traz do dinheiro. Não fazia nada, contudo, sem antes ter o aval do “chefe” – precisa dizer quem era? Guido Mantega o sucedeu no cargo e na tarefa.
Mais recentemente, a então presidente da República mantinha uma linha direta, escamoteada na forma de um e-mail falso batizado com nome de música de Chico Buarque, criado por ela mesma na biblioteca do Palácio da Alvorada, para avisar seus marqueteiros das movimentações da Polícia Federal e da Lava Jato. As informações eram vazadas pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, inclusive antecipando a prisão de Santana e Mônica.
Se isso não é uma organização criminosa em tentativa de obstrução da Justiça, o que mais é?
Tanto Lula quanto Dilma, ambos na condição de então presidente da República, cuidaram pessoalmente, e em detalhes, do funcionamento das engrenagens do esquema criminoso de financiamento de suas campanhas eleitorais e de sustentação das atividades políticas e partidárias do PT.
O apoio de partidos era comprado em leilões para aumentar o tempo de exposição das candidaturas petistas no rádio e na TV, e sufocar os adversários.
Malas, caixas de roupas e de sapatos viajavam para lá e para cá recheadas de dinheiro de caixa dois. Até o então ministro, e hoje governador de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, investigado na Operação Acrônimo, ocupou-se de carregá-las. Contas secretas em paraísos fiscais no exterior cuidavam de esconder a fortuna.
Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?
Havia ramificações fora do país, como na Venezuela e em Cuba, além de campanhas companheiras no Panamá, em Angola e El Salvador, todas sempre tutoradas por Lula. Ex-ministros de governos petistas como José Dirceu e Franklin Martins intermediavam negócios.
Recursos de bancos públicos, em especial do BNDES, eram usados para contemplar em negócios no exterior as mesmas empresas que, em contrapartida, despejavam dinheiro nas campanhas do PT aqui no Brasil.
Blogueiros – mesmo os mais aparentemente inocentes ou pretensamente engraçadinhos – trabalharam a soldo de campanhas petistas, remunerados com dinheiro oriundo de fonte ilícita. Até cabeleireiros e camareiras de Dilma recebiam parte da bolada.
Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?
Tudo isso foi dito pela candidatura da oposição à época das eleições de 2014. Tudo isso está sendo ora provado pela Justiça e pelas instituições brasileiras responsáveis pelas investigações.
Eleita na base da mentira, Dilma agora acusa seus marqueteiros de “faltar com a verdade”. Lula, como sempre, diz que nada sabia. Palocci, pelo menos, já está preso.
O tempo, infelizmente, não volta. A fraude eleitoral de 2014 – objeto de quatro ações movidas pelo PSDB no TSE – condenou o país a sua mais grave crise econômica, política e moral.
A organização criminosa não burlou apenas as eleições. Lesou os brasileiros, sabotou o país e implodiu o presente e o futuro de milhões de pessoas. Provado está. Agora resta ver condenados e punidos os responsáveis pelo mal que cometeram, para que nunca mais a história se repita.
O marketing foi decisivo para a reeleição de Dilma Rousseff. Em especial, porque se valeu das mais espúrias armas à mão. A mentira foi a matéria-prima que João Santana modelou e os petistas disseminaram Brasil afora para alimentar seus militantes e constranger os mais pobres, temerosos do terror que o PT apregoava.
Ao longo destes quase três anos desde então, a verdade veio vindo à tona. Tudo o que a oposição denunciou à época vem se comprovando por meio das investigações levadas a cabo pela Operação Lava Jato. Agora é o próprio marqueteiro petista quem as confirma.
A tônica das vitórias petistas, e não apenas a da reeleição de Dilma, foi a corrupção e o uso desenfreado de dinheiro sujo. Desde o comecinho dos governos petistas, mais precisamente desde o dia 24 de agosto de 2005, quando a associação Santana-PT começou.
No vértice desse esquema criminoso esteve sempre Luiz Inácio Lula da Silva. É o que comprovam, mais uma vez, delações feitas pelos marqueteiros das campanhas vitoriosas do PT em 2006, 2010 e 2014. Malas e malas de dinheiro desviado de cofres públicos moveram as engrenagens eleitorais do petismo.
As contas das milionárias campanhas do PT eram alimentadas por caixa dois sob supervisão direta do capo Lula, disseram Santana e a mulher dele, Mônica Moura, à Lava Jato. Tudo bem diferente do que afirmou o ex-presidente anteontem em interrogatório ao juiz Sergio Moro em Curitiba.
Antonio Palocci, ministro da Fazenda do PT, cuidava do leva-e-traz do dinheiro. Não fazia nada, contudo, sem antes ter o aval do “chefe” – precisa dizer quem era? Guido Mantega o sucedeu no cargo e na tarefa.
Mais recentemente, a então presidente da República mantinha uma linha direta, escamoteada na forma de um e-mail falso batizado com nome de música de Chico Buarque, criado por ela mesma na biblioteca do Palácio da Alvorada, para avisar seus marqueteiros das movimentações da Polícia Federal e da Lava Jato. As informações eram vazadas pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, inclusive antecipando a prisão de Santana e Mônica.
Se isso não é uma organização criminosa em tentativa de obstrução da Justiça, o que mais é?
Tanto Lula quanto Dilma, ambos na condição de então presidente da República, cuidaram pessoalmente, e em detalhes, do funcionamento das engrenagens do esquema criminoso de financiamento de suas campanhas eleitorais e de sustentação das atividades políticas e partidárias do PT.
O apoio de partidos era comprado em leilões para aumentar o tempo de exposição das candidaturas petistas no rádio e na TV, e sufocar os adversários.
Malas, caixas de roupas e de sapatos viajavam para lá e para cá recheadas de dinheiro de caixa dois. Até o então ministro, e hoje governador de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, investigado na Operação Acrônimo, ocupou-se de carregá-las. Contas secretas em paraísos fiscais no exterior cuidavam de esconder a fortuna.
Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?
Havia ramificações fora do país, como na Venezuela e em Cuba, além de campanhas companheiras no Panamá, em Angola e El Salvador, todas sempre tutoradas por Lula. Ex-ministros de governos petistas como José Dirceu e Franklin Martins intermediavam negócios.
Recursos de bancos públicos, em especial do BNDES, eram usados para contemplar em negócios no exterior as mesmas empresas que, em contrapartida, despejavam dinheiro nas campanhas do PT aqui no Brasil.
Blogueiros – mesmo os mais aparentemente inocentes ou pretensamente engraçadinhos – trabalharam a soldo de campanhas petistas, remunerados com dinheiro oriundo de fonte ilícita. Até cabeleireiros e camareiras de Dilma recebiam parte da bolada.
Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?
Tudo isso foi dito pela candidatura da oposição à época das eleições de 2014. Tudo isso está sendo ora provado pela Justiça e pelas instituições brasileiras responsáveis pelas investigações.
Eleita na base da mentira, Dilma agora acusa seus marqueteiros de “faltar com a verdade”. Lula, como sempre, diz que nada sabia. Palocci, pelo menos, já está preso.
O tempo, infelizmente, não volta. A fraude eleitoral de 2014 – objeto de quatro ações movidas pelo PSDB no TSE – condenou o país a sua mais grave crise econômica, política e moral.
A organização criminosa não burlou apenas as eleições. Lesou os brasileiros, sabotou o país e implodiu o presente e o futuro de milhões de pessoas. Provado está. Agora resta ver condenados e punidos os responsáveis pelo mal que cometeram, para que nunca mais a história se repita.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Não falta mais nada
A prisão de João Santana impõe a seguinte questão: o que mais falta para que a campanha que reelegeu Dilma Rousseff seja considerada ilegítima, irregular, corrupta? O cerco sobre a chapa presidencial que obteve a vitória em 2014 está se fechando, com todas as cabeças coroadas envolvidas na reeleição enredadas de alguma maneira em falcatruas e roubalheiras.
O despacho do juiz Sergio Moro que determinou a prisão do marqueteiro e principal consultor dos governos do PT não deixa margem a dúvidas. Dinheiro de “origem espúria”, “propina oriunda da Petrobras” e “expedientes notoriamente fraudulentos” foram usados para bancar a campanha de Dilma no ano passado. Há suspeitas de que as vitórias petistas em 2006 e 2010 também tenham se valido destes artifícios.
É a segunda vez que o marqueteiro das campanhas vitoriosas do PT entra na mira da Justiça: Duda Mendonça já confessara, em 2005, ter recebido R$ 12 milhões de caixa dois no exterior. A diferença agora é de proporções: nesta contabilidade suja, João Santana vale uma dúzia ou mais de Dudas.
Esta poderosa associação entre dinheiro sujo e preservação de poder movimentou R$ 198 milhões em campanhas eleitorais petistas entre 2004 e 2014, aí incluídas a reeleição de Lula, as duas vitórias de Dilma e o triunfo de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Trata-se de uma engrenagem tentacular, poderosa e muito cara.
É muito difícil crer que Dilma seja uma ilha de honestidade em meio ao mar de lama em que seu partido e seus partidários afundam. O envolvimento do PT com a corrupção é visceral, não vem de agora e atinge todas as suas instâncias.
Todos os últimos tesoureiros do PT estão presos ou, no caso do ainda ministro Edinho Silva, são alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato. Ministros de primeiríssimo escalão, como Jaques Wagner, também são alvo da Justiça. Ex-presidentes e líderes do PT estão ou estiveram na prisão. Os principais doadores da campanha petista estão condenados e presos.
Como se não bastasse, Lula também está a um passo de passar a ser formalmente investigado por “possível envolvimento” em “práticas criminosas” – repasses de dinheiro desviado de estatais para a construção do instituto que leva seu nome. Sem falar nas investigações sobre o tríplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e o tráfico de influência em favor da Odebrecht, na forma de contratos bilionários no exterior financiados pelo BNDES, como mostrou a edição da revista Época desta semana.
Tem-se como corolário que a mesma “sofisticada organização criminosa” que atuou no mensalão continuou suas investidas, com ímpeto crescente, mesmo depois de condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A diferença é de proporções: os milhões da compra de apoio político no Congresso transformaram-se nos bilhões para financiar a permanência do PT no governo. O crime escalou vários degraus.
As novas revelações em torno de João Santana corroboram praticamente todos os argumentos que embasam as ações movidas pelo PSDB junto à Justiça Eleitoral para impugnar a chapa Dilma-Temer: uso da máquina pública, abuso de poder político e econômico, configurado na forma de recebimento de propina de empresas envolvidas na Lava Jato, financiamento eleitoral irregular, propaganda ilegal e todo tipo de maquiagem em dados oficiais. A eles, se junta agora a suspeita evidente de uso de caixa dois na campanha petista.
O despacho do juiz Sergio Moro que determinou a prisão do marqueteiro e principal consultor dos governos do PT não deixa margem a dúvidas. Dinheiro de “origem espúria”, “propina oriunda da Petrobras” e “expedientes notoriamente fraudulentos” foram usados para bancar a campanha de Dilma no ano passado. Há suspeitas de que as vitórias petistas em 2006 e 2010 também tenham se valido destes artifícios.
É a segunda vez que o marqueteiro das campanhas vitoriosas do PT entra na mira da Justiça: Duda Mendonça já confessara, em 2005, ter recebido R$ 12 milhões de caixa dois no exterior. A diferença agora é de proporções: nesta contabilidade suja, João Santana vale uma dúzia ou mais de Dudas.
Esta poderosa associação entre dinheiro sujo e preservação de poder movimentou R$ 198 milhões em campanhas eleitorais petistas entre 2004 e 2014, aí incluídas a reeleição de Lula, as duas vitórias de Dilma e o triunfo de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Trata-se de uma engrenagem tentacular, poderosa e muito cara.
É muito difícil crer que Dilma seja uma ilha de honestidade em meio ao mar de lama em que seu partido e seus partidários afundam. O envolvimento do PT com a corrupção é visceral, não vem de agora e atinge todas as suas instâncias.
Todos os últimos tesoureiros do PT estão presos ou, no caso do ainda ministro Edinho Silva, são alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato. Ministros de primeiríssimo escalão, como Jaques Wagner, também são alvo da Justiça. Ex-presidentes e líderes do PT estão ou estiveram na prisão. Os principais doadores da campanha petista estão condenados e presos.
Como se não bastasse, Lula também está a um passo de passar a ser formalmente investigado por “possível envolvimento” em “práticas criminosas” – repasses de dinheiro desviado de estatais para a construção do instituto que leva seu nome. Sem falar nas investigações sobre o tríplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e o tráfico de influência em favor da Odebrecht, na forma de contratos bilionários no exterior financiados pelo BNDES, como mostrou a edição da revista Época desta semana.
Tem-se como corolário que a mesma “sofisticada organização criminosa” que atuou no mensalão continuou suas investidas, com ímpeto crescente, mesmo depois de condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A diferença é de proporções: os milhões da compra de apoio político no Congresso transformaram-se nos bilhões para financiar a permanência do PT no governo. O crime escalou vários degraus.
As novas revelações em torno de João Santana corroboram praticamente todos os argumentos que embasam as ações movidas pelo PSDB junto à Justiça Eleitoral para impugnar a chapa Dilma-Temer: uso da máquina pública, abuso de poder político e econômico, configurado na forma de recebimento de propina de empresas envolvidas na Lava Jato, financiamento eleitoral irregular, propaganda ilegal e todo tipo de maquiagem em dados oficiais. A eles, se junta agora a suspeita evidente de uso de caixa dois na campanha petista.
Fica claro por que o PT tenta, de todas as formas, impedir que, no julgamento das ações movidas pelo PSDB, o TSE faça uso das provas colhidas pela Operação Lava Jato. A começar pela manifestação, enviada por Sergio Moro ao tribunal em outubro, de que o direcionamento de dinheiro de propina para a campanha de Dilma em 2014 já está comprovado.
Os salutares avanços das investigações da Operação Lava Jato revelam um Estado corrompido, comprado, loteado por interesses alheios aos do país. Desnudam um conluio entre quem quer continuar ganhando dinheiro à custa do povo e quem pretende apenas continuar a usufruir o poder. Trata-se de um sistema corrupto, que gera mandatos ilegítimos e que frauda a vontade popular. Um sistema que não pode mais continuar dando as cartas no Brasil.
Os salutares avanços das investigações da Operação Lava Jato revelam um Estado corrompido, comprado, loteado por interesses alheios aos do país. Desnudam um conluio entre quem quer continuar ganhando dinheiro à custa do povo e quem pretende apenas continuar a usufruir o poder. Trata-se de um sistema corrupto, que gera mandatos ilegítimos e que frauda a vontade popular. Um sistema que não pode mais continuar dando as cartas no Brasil.
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sábado, 13 de fevereiro de 2016
Dinheiro sujo, de novo
Quis o destino que, no mesmo momento em que o vice-presidente da República apresentou sua defesa perante a Justiça Eleitoral em ações em que o PSDB acusa a chapa Dilma-Temer de ter vencido as eleições de 2014 por meio de abusos de ordem política e econômica, veio a público mais uma suspeita de que a reeleição do condomínio PT-PMDB foi financiada com dinheiro sujo e ilegal.
Publica hoje a Folha de S.Paulo que a Operação Lava Jato investiga se João Santana, o marqueteiro das últimas três campanhas petistas, recebeu pagamentos por serviços prestados ao PT em contas no exterior. Seria dinheiro de caixa dois, não declarado à Justiça Eleitoral, cuja punição é a impugnação do mandato obtido de forma assim fraudulenta.
O expediente não é novo em se tratando do modus operandi petista. Em 2005, a CPI que apurou o escândalo do mensalão – aquele pingo no oceano do que viria a ser descoberto depois no petrolão – ouviu de Duda Mendonça, o então marqueteiro do PT e do governo Lula, que parte da campanha que elegera o então presidente em 2002 fora paga com dinheiro de caixa dois no exterior.
A diferença, contudo, está nas proporções: enquanto Duda falou em R$ 12 milhões, Santana movimentou, apenas em recursos declarados, R$ 170 milhões nas eleições de 2006, 2010 e 2014.
Com a nova investigação da Lava Jato, abre-se mais uma vertente para comprovar que a reeleição de Dilma e Temer é ilegítima. A lista de improbidades é extensa: uso explícito da máquina pública em favor da candidatura oficial; desvio de dinheiro público para financiar a campanha; manipulação de programas e dados oficiais para iludir o eleitor. Desde a primeira hora, o PSDB denunciou-as.
Nas ações em trâmite no TSE, a estratégia de defesa da chapa vencedora – seguida à risca ontem pelos advogados do vice-presidente, em sincronia com os da presidente da República, que devem se manifestar na próxima semana – não traz qualquer novidade: insiste-se em nivelar a todos na lama. Acusa-se a oposição de fazer o mesmo que a dupla governista fez.
Esquece-se, contudo, de ressaltar que quem tinha, e ainda tem, a caneta – então há 12 anos e agora há quase 14 – era, e ainda é, o PT e não o PSDB. Releva-se que o grosso do dinheiro que moveu a caríssima campanha de Dilma e Temer à reeleição chegou às burras petistas de forma sub-reptícia, corrupta, por meio de caixa dois e de operações de natureza fraudulenta.
Já está sobejamente provado pelos trabalhos da Justiça, em especial os da Operação Lava Jato, que o Estado brasileiro foi assaltado pelo condomínio reunido em torno dos petistas. A cifra remonta a alguns bilhões de reais, amealhados ao longo de anos na rapinagem às estatais brasileiras, a começar pela hoje quase falida – dada a exaustão à que foi submetida pelo PT – Petrobras.
As ações com as quais o PSDB ingressou na Justiça Eleitoral logo após a eleição de 2014 buscam provar que a vontade do eleitor brasileiro foi usurpada pelos métodos sujos da aliança reunida em torno do PT. A cada dia, fica mais evidente que as acusações procedem e as investigações precisam prosperar, chegando às devidas punições.
É diante deste risco que a defesa de Michel Temer e Dilma Rousseff tenta confundir os legisladores, em vez de simplesmente se defender. À falta de argumentos, busca igualar a todos na baixaria. A investigação sobre os pagamentos a João Santana pode jogar ainda mais luz neste universo nebuloso, colaborando para que quem se valeu da corrupção para se eleger seja exemplarmente punido.
Publica hoje a Folha de S.Paulo que a Operação Lava Jato investiga se João Santana, o marqueteiro das últimas três campanhas petistas, recebeu pagamentos por serviços prestados ao PT em contas no exterior. Seria dinheiro de caixa dois, não declarado à Justiça Eleitoral, cuja punição é a impugnação do mandato obtido de forma assim fraudulenta.
O expediente não é novo em se tratando do modus operandi petista. Em 2005, a CPI que apurou o escândalo do mensalão – aquele pingo no oceano do que viria a ser descoberto depois no petrolão – ouviu de Duda Mendonça, o então marqueteiro do PT e do governo Lula, que parte da campanha que elegera o então presidente em 2002 fora paga com dinheiro de caixa dois no exterior.
A diferença, contudo, está nas proporções: enquanto Duda falou em R$ 12 milhões, Santana movimentou, apenas em recursos declarados, R$ 170 milhões nas eleições de 2006, 2010 e 2014.
Com a nova investigação da Lava Jato, abre-se mais uma vertente para comprovar que a reeleição de Dilma e Temer é ilegítima. A lista de improbidades é extensa: uso explícito da máquina pública em favor da candidatura oficial; desvio de dinheiro público para financiar a campanha; manipulação de programas e dados oficiais para iludir o eleitor. Desde a primeira hora, o PSDB denunciou-as.
Nas ações em trâmite no TSE, a estratégia de defesa da chapa vencedora – seguida à risca ontem pelos advogados do vice-presidente, em sincronia com os da presidente da República, que devem se manifestar na próxima semana – não traz qualquer novidade: insiste-se em nivelar a todos na lama. Acusa-se a oposição de fazer o mesmo que a dupla governista fez.
Esquece-se, contudo, de ressaltar que quem tinha, e ainda tem, a caneta – então há 12 anos e agora há quase 14 – era, e ainda é, o PT e não o PSDB. Releva-se que o grosso do dinheiro que moveu a caríssima campanha de Dilma e Temer à reeleição chegou às burras petistas de forma sub-reptícia, corrupta, por meio de caixa dois e de operações de natureza fraudulenta.
Já está sobejamente provado pelos trabalhos da Justiça, em especial os da Operação Lava Jato, que o Estado brasileiro foi assaltado pelo condomínio reunido em torno dos petistas. A cifra remonta a alguns bilhões de reais, amealhados ao longo de anos na rapinagem às estatais brasileiras, a começar pela hoje quase falida – dada a exaustão à que foi submetida pelo PT – Petrobras.
As ações com as quais o PSDB ingressou na Justiça Eleitoral logo após a eleição de 2014 buscam provar que a vontade do eleitor brasileiro foi usurpada pelos métodos sujos da aliança reunida em torno do PT. A cada dia, fica mais evidente que as acusações procedem e as investigações precisam prosperar, chegando às devidas punições.
É diante deste risco que a defesa de Michel Temer e Dilma Rousseff tenta confundir os legisladores, em vez de simplesmente se defender. À falta de argumentos, busca igualar a todos na baixaria. A investigação sobre os pagamentos a João Santana pode jogar ainda mais luz neste universo nebuloso, colaborando para que quem se valeu da corrupção para se eleger seja exemplarmente punido.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Máquina de fazer negócios
Há um traço comum na forma como o PT lida com o interesse público: o que importa é aproveitar-se da situação e fazer negócios, vultosos negócios. Com maus exemplos vindos de cima, e se sucedendo a toda hora, petistas se mostram à vontade para delinquir. É uma máquina de desviar, roubar e lavar dinheiro.
O mais recente escândalo petista envolve ninguém menos que o líder-mor do partido, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a edição da revista Época desta semana, o Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília acaba de abrir investigação contra o ex-presidente da República por tráfico de influência internacional e no Brasil.
Lula é suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com governos estrangeiros em países onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES. Em tese utilizando-se do petista como lobista, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para empreendimentos no exterior. Sobre Lula, pesa, ainda, a acusação de tráfico de influência junto ao BNDES depois que deixou a Presidência.
Também neste fim de semana, a Folha de S.Paulo revelou que a Polícia Federal abriu inquérito para investigar outro prócer petista: o marqueteiro João Santana. Há suspeita de que duas empresas dele trouxeram US$ 16 milhões de Angola para o Brasil em 2012 “numa operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT”.
O dinheiro pago a Santana teria saído de empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. São, como se percebe, pontas de um mesmo novelo: nele se enroscam empresas dispostas a pagar propinas, agentes públicos corruptos, uso de influência para traficar interesses escusos e farto abuso de dinheiro público.
Neste ambiente deteriorado, vem em boa hora vitória alcançada pela oposição no Congresso que acaba com sigilo nas operações feitas pelo BNDES, um dos vértices do dinheiro que alimenta a ciranda da corrupção aqui e lá fora. A mudança foi incluída em medida provisória que concede crédito de R$ 30 bilhões ao banco. O governo – avesso à transparência – ameaça vetá-la.
Faz sentido. Afinal, este é o mesmo governo que, deliberadamente, destruiu os registros das reuniões do conselho de administração da Petrobras que levaram a estatal a fechar os negócios mais ruinosos da sua longa existência. Transparência e prestação de contas são a antítese da penumbra que faz girar a roda da corrupção.
No momento em que o tesoureiro do partido no comando do país há 13 anos está preso, o marqueteiro das campanhas vitoriosas nas últimas quatro eleições é investigado pela PF e o ex-presidente da República inspira um inquérito destinado a apurar sua participação em corrupção, não restam dúvidas: esta máquina tem que parar de funcionar.
O mais recente escândalo petista envolve ninguém menos que o líder-mor do partido, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a edição da revista Época desta semana, o Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília acaba de abrir investigação contra o ex-presidente da República por tráfico de influência internacional e no Brasil.
Lula é suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com governos estrangeiros em países onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES. Em tese utilizando-se do petista como lobista, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para empreendimentos no exterior. Sobre Lula, pesa, ainda, a acusação de tráfico de influência junto ao BNDES depois que deixou a Presidência.
Também neste fim de semana, a Folha de S.Paulo revelou que a Polícia Federal abriu inquérito para investigar outro prócer petista: o marqueteiro João Santana. Há suspeita de que duas empresas dele trouxeram US$ 16 milhões de Angola para o Brasil em 2012 “numa operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT”.
O dinheiro pago a Santana teria saído de empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. São, como se percebe, pontas de um mesmo novelo: nele se enroscam empresas dispostas a pagar propinas, agentes públicos corruptos, uso de influência para traficar interesses escusos e farto abuso de dinheiro público.
Neste ambiente deteriorado, vem em boa hora vitória alcançada pela oposição no Congresso que acaba com sigilo nas operações feitas pelo BNDES, um dos vértices do dinheiro que alimenta a ciranda da corrupção aqui e lá fora. A mudança foi incluída em medida provisória que concede crédito de R$ 30 bilhões ao banco. O governo – avesso à transparência – ameaça vetá-la.
Faz sentido. Afinal, este é o mesmo governo que, deliberadamente, destruiu os registros das reuniões do conselho de administração da Petrobras que levaram a estatal a fechar os negócios mais ruinosos da sua longa existência. Transparência e prestação de contas são a antítese da penumbra que faz girar a roda da corrupção.
No momento em que o tesoureiro do partido no comando do país há 13 anos está preso, o marqueteiro das campanhas vitoriosas nas últimas quatro eleições é investigado pela PF e o ex-presidente da República inspira um inquérito destinado a apurar sua participação em corrupção, não restam dúvidas: esta máquina tem que parar de funcionar.
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