A situação no país está tão desalentadora que até notícia ruim agora está sendo motivo de comemoração em Brasília. O Brasil foi novamente rebaixado por mais uma agência de classificação de riscos, mas isso foi visto com alívio pelas autoridades da administração Dilma. São traços de um governo que se contenta com o “menos pior”.
Ontem, a Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil. Com a decisão, mais uma agência de rating deixou os papéis brasileiros a um degrau da classificação de especulativos, ou seja, pouco confiáveis aos olhos dos investidores. Em julho, a Standard & Poor’s já havia colocado a avaliação da dívida brasileira em perspectiva negativa.
A notícia, porém, foi recebida com festa em Brasília. Explica-se: o cenário é tão ruim que a expectativa era de que a Moody’s não só rebaixasse a nota brasileira como também a mantivesse com perspectiva negativa, ou seja, com chance de nova baixa no curto prazo. Mas a agência mudou o viés para “estável”. Com isso, a classificação não deve se alterar pelo menos nos próximos seis a nove meses.
O rebaixamento decidido pela Moody’s decorre da seguinte equação: baixo crescimento da economia, sem perspectiva de melhora até o fim do mandato da atual presidente; gastos públicos em alta, sem que o governo demonstre capacidade de freá-los; uma total ausência de iniciativas para reformar o país e uma completa falta de liderança política do governo no Congresso. Alguém discorda da avaliação dos analistas da agência?
Para que o pior não aconteça, ou seja, para que o Brasil não passe a ser considerado um porto inseguro para investidores globais, a economia nacional teria que crescer 2% ao ano e o governo teria que produzir superávits fiscais da ordem de 2% do PIB, segundo a Moody’s. Difícil, não?
Basta ter presente que a perspectiva realista e predominante entre os analistas é de recessão neste – podendo chegar a uma queda do PIB próxima a 3% até dezembro – e no próximo ano e que as metas fiscais do governo são de 0,15% do PIB neste ano e 0,7% em 2016 para aferir a distância entre realidade e desejo.
Na prática, o Brasil já remunera os investidores com juros tão altos quanto se o país já fosse classificado como uma economia de grau especulativo. O que se recebe para pôr dinheiro aqui é mais do que em lugares com reputações tão ruins, em termos financeiros, quanto a nossa, como a Índia, a Indonésia ou a Turquia. Com a perspectiva de alta da dívida pública, a tendência é pagarmos ainda mais.
Na prática, a decisão da Moody’s representou um gesto de boa vontade com o país, tendo como único fiador o ministro da Fazenda. Mal sabe a agência que hoje Joaquim Levy se fia numa parte do PMDB e depende da boa vontade de um partido cindido para que o governo encontre uma agenda positiva, ainda que improvável.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Petrobras em queda livre
Aconteceu o esperado e a Petrobras teve sua nota de crédito rebaixada ontem pela agência de classificação de riscos Moody’s. A maior empresa pública do Brasil é agora considerada investimento especulativo, no mesmo saco de outras moedas podres. O que já está ruim demais pode ficar muito pior.
A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.
A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.
De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.
A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.
A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.
A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.
A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.
A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.
A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.
A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.
De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.
A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.
A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.
A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.
A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.
A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
A Petrobras em declínio
A Petrobras, nossa maior empresa e uma das companhias mais importantes para o desenvolvimento do país, encontra-se hoje numa situação deplorável. São a enxurrada de escândalos, as perdas persistentes de valor, a produção que não reage, os investimentos que não acontecem na proporção necessária.
Ontem foi a vez de a agência de classificação de risco Moody’s rebaixar a nota de crédito da estatal, e manter a perspectiva negativa para a companhia. Em comunicado, informou que a decisão se justifica pelo alto grau de endividamento da empresa, situação que só deve se reverter “bem depois de 2016”, ao contrário das previsões oficiais.
Desde 2010, a dívida total da Petrobras quase triplicou e a dívida líquida quase quadruplicou, segundo levantamento feito pelo blog Achados Econômicos. A estatal é hoje a empresa mais endividada do mundo.
Embora a dívida tenha crescido, a produção não aumentou. Pelo contrário: a Petrobras viu a quantidade de barris que extrai cair duas vezes seguidas nos últimos dois anos – o que não acontecia desde o governo Sarney. Desde o começo da gestão Dilma, a companhia já perdeu cerca de 60% do seu valor de mercado em dólares.
Mas os problemas vão muito além de uma deterioração das condições financeiras. Há também os orçamentos estourados, os prazos nunca cumpridos. Obras sob responsabilidade da Petrobras estão na lista de irregularidades do TCU: a compra da refinaria de Pasadena, a construção de Abreu e Lima em Pernambuco e o Comperj.
Infelizmente, a Petrobras virou fonte de notícias ruins nos últimos anos. Investimentos mal orientados, loteamento de cargos e controle de preços de combustíveis minaram a rentabilidade da empresa. Tudo isso envolto em muita corrupção. Os danos impostos à companhia são parte da herança lastimável deixada pelo governo do PT.
Das páginas de negócios, a Petrobras foi parar nas páginas de polícia, levada pelo PT. Em depoimento à Justiça Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, disse que 3% do valor dos contratos fechados na diretoria de Abastecimento era usado para pagar propinas. Deste valor, dois terços ficariam com o PT.
Durante todo este período, Dilma Rousseff comandou a companhia. Seja como ministra de Minas e Energia ou da Casa Civil, seja como presidente do Conselho de Administração ou como presidente da República. A debacle da empresa é o retrato da qualidade da gestão da candidata à reeleição.
A Petrobras é empresa importante para o desenvolvimento econômico e social do país. Seu corpo de funcionários é da maior qualidade. Este é um ativo que foi dilapidado pelos petistas nos últimos anos. Chegou a hora de recuperar a empresa e torná-la novamente um orgulho dos brasileiros.
Ontem foi a vez de a agência de classificação de risco Moody’s rebaixar a nota de crédito da estatal, e manter a perspectiva negativa para a companhia. Em comunicado, informou que a decisão se justifica pelo alto grau de endividamento da empresa, situação que só deve se reverter “bem depois de 2016”, ao contrário das previsões oficiais.
Desde 2010, a dívida total da Petrobras quase triplicou e a dívida líquida quase quadruplicou, segundo levantamento feito pelo blog Achados Econômicos. A estatal é hoje a empresa mais endividada do mundo.
Embora a dívida tenha crescido, a produção não aumentou. Pelo contrário: a Petrobras viu a quantidade de barris que extrai cair duas vezes seguidas nos últimos dois anos – o que não acontecia desde o governo Sarney. Desde o começo da gestão Dilma, a companhia já perdeu cerca de 60% do seu valor de mercado em dólares.
Mas os problemas vão muito além de uma deterioração das condições financeiras. Há também os orçamentos estourados, os prazos nunca cumpridos. Obras sob responsabilidade da Petrobras estão na lista de irregularidades do TCU: a compra da refinaria de Pasadena, a construção de Abreu e Lima em Pernambuco e o Comperj.
Infelizmente, a Petrobras virou fonte de notícias ruins nos últimos anos. Investimentos mal orientados, loteamento de cargos e controle de preços de combustíveis minaram a rentabilidade da empresa. Tudo isso envolto em muita corrupção. Os danos impostos à companhia são parte da herança lastimável deixada pelo governo do PT.
Das páginas de negócios, a Petrobras foi parar nas páginas de polícia, levada pelo PT. Em depoimento à Justiça Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, disse que 3% do valor dos contratos fechados na diretoria de Abastecimento era usado para pagar propinas. Deste valor, dois terços ficariam com o PT.
Durante todo este período, Dilma Rousseff comandou a companhia. Seja como ministra de Minas e Energia ou da Casa Civil, seja como presidente do Conselho de Administração ou como presidente da República. A debacle da empresa é o retrato da qualidade da gestão da candidata à reeleição.
A Petrobras é empresa importante para o desenvolvimento econômico e social do país. Seu corpo de funcionários é da maior qualidade. Este é um ativo que foi dilapidado pelos petistas nos últimos anos. Chegou a hora de recuperar a empresa e torná-la novamente um orgulho dos brasileiros.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Rumo à segundona
Com uma política à altura do futebolzinho que a seleção brasileira jogou na Copa do Mundo, o Brasil corre o risco de cair para a segunda divisão entre as economias do mundo. A avaliação que os credores internacionais fazem das nossas condições econômicas é cadente.
Ontem foi a vez de a Moody’s colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor’s, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.
Entre os motivos que a Moody’s cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.
Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.
Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.
Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody’s “já estão sendo superados”. Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.
Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody’s é taxativa: o problema são “fraquezas domésticas” e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.
Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.
Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.
No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.
Ontem foi a vez de a Moody’s colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor’s, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.
Entre os motivos que a Moody’s cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.
Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.
Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.
Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody’s “já estão sendo superados”. Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.
Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody’s é taxativa: o problema são “fraquezas domésticas” e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.
Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.
Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.
No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.
sábado, 5 de outubro de 2013
Viés de baixa
O mundo está percebendo, dia após dia, o que os brasileiros já constataram há bastante tempo: a situação econômica do país vai de mal a pior, as condições de vida estão ficando cada vez mais difíceis e, mais grave, não se vêem iniciativas do governo para reverter a situação. Até quando a gestão petista vai continuar ignorando os sinais e irá, enfim, fazer algo certo?
A temporada de más
notícias sobre a saúde da economia brasileira vindas do exterior continuou
ontem com o rebaixamento da nota de crédito da Petrobras, também pela agência
de classificação Moody’s. Este pode até parecer um assunto de interesse só de
investidores, iniciados ou aficionados do mercado financeiro, mas, na prática,
diz muito sobre o que está acontecendo no mundo real.
As avaliações de
risco servem para que grandes investidores definam onde irão aplicar seu
dinheiro. Também determinam as condições de crédito que esta ou aquela empresa ou
país disporão no mercado. Quanto mais baixo o rating, menor a confiança e mais
caro o dinheiro. Trata-se, portanto, de um indicativo considerável da solidez
de companhias e governos.
Segundo a Moody’s, a
Petrobras está em situação difícil porque assumiu responsabilidades que estão
se mostrando bem maiores do que a capacidade da empresa para gerar lucros. Vale
dizer: a estatal carrega um fardo de investimentos pesado demais para as
condições que o governo lhe impôs, seja para a exploração da camada pré-sal,
seja, principalmente, por ter se tornado um dos esteios da política oficial de
controle da inflação.
Junto com nossa
maior companhia, ainda de acordo com a Moody’s, ontem também adernaram as classificações
de risco de dez bancos brasileiros. Informa a agência que a principal razão
para rebaixar o rating das instituições financeiras é sua reavaliação quanto ao
“nível da capacidade do governo brasileiro para fornecer suporte sistêmico a
estes bancos em caso de necessidade”. Anteontem, a perspectiva para o rating
dos títulos do governo brasileiro já havia sido rebaixada.
Se repararmos bem,
há uma piora generalizada no ambiente econômico e esta deterioração vai agora ficando
mais evidente aos olhos do mundo. Em sua edição da semana passada, a revista The Economist tratou de sintetizar com
realismo este estado geral das coisas no Brasil. Não é simples coincidência que
a Moody’s tenha agido em seguida, derrubando a perspectiva dos títulos brasileiros
e as notas da Petrobras e dos bancos.
Também cresce a
sensação de que, mantidas as atuais circunstâncias, será questão de tempo para a
avaliação de risco do Brasil pelas agências de classificação ser rebaixada – a Standard
& Poor’s foi a primeira a alterar a perspectiva, ainda em junho.
Isso significa que,
pouco tempo depois de termos ascendido à condição de “grau de investimento”, corremos
o risco de voltar ao status de economia classificada como “especulativa”, ou
seja, de onde os bons investidores preferem manter profilática distância.
Gustavo Franco
resume bem o sentimento reinante, em entrevista publicada hoje n’O Globo: “É um retrocesso amplo, que sanciona o que o mercado já enxerga:
mais risco soberano, mais inflação, mais controle de preços, mais
intervencionismo messiânico, mais tensão com o mundo empresarial e menos
crescimento. É fundamentalmente tempo perdido.”
Um dos pontos
centrais desta desconfiança é a escalada nos gastos do governo e o aumento
brutal da dívida pública, que a equipe econômica tenta escamotear, mas não
consegue. Conforme os parâmetros do FMI (que o governo brasileiro contesta), nossa
dívida situa-se perto de 67% do PIB. Nesse quesito, entre os emergentes só estamos
melhor que Egito (85%), Jordânia (84%) e Hungria (80%).
Só um esforço fiscal
inédito no atual governo poderia reverter este processo de deterioração a olhos
vistos. Mas não se enxerga nenhuma disposição para tanto em Brasília. Ao mesmo
tempo, a indesejada intervenção estatal em todos os poros da economia
brasileira ainda demandará mais injeção de dinheiro em bancos públicos, como
BNDES e Caixa, exigindo mais emissão de dívida por parte do Tesouro. É um saco
sem fundo.
A presidente Dilma Rousseff
gosta de dizer que adotou uma “nova matriz econômica”, jogando no lixo o
arcabouço exitoso herdado da gestão tucana. Se o regime de responsabilidade
fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação rendeu frutos que impulsionaram o
país por anos e anos, a experiência baseada em superintervenção estatal,
controle de preços e incentivo desproporcional ao consumo teve fôlego curtíssimo
e naufragou em pouco tempo. O viés é de baixa.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Brasil rebaixado, de novo
Quando a notícia é boa, o governo petista se encarrega de insuflá-la. Quando é ruim, culpa o mensageiro. Este deverá ser o comportamento oficial diante do anúncio, feito pela agência de classificação de riscos Moody’s na noite de ontem, do rebaixamento da perspectiva para o rating dos títulos do governo brasileiro.
A perspectiva para
os títulos negociados pelo Brasil passou de “positiva” para “estável”.
O rating dos papéis, porém, não foi alterado, por ora. A Moody’s revê agora a
expectativa positiva que há apenas um ano – em novembro passado – enxergara
para a economia brasileira. Tem motivos de sobra para isso.
Esta é a segunda
agência a rebaixar suas expectativas para os títulos do Brasil. Em junho, a
Standard & Poor’s já havia colocado os papéis do país em perspectiva “negativa”.
De lá para cá, as coisas não melhoraram nada. Pelo contrário.
No comunicado
emitido ontem (que, embora em inglês, vale ser lido na íntegra), a Moody’s diz
que alguns dos principais fatores que haviam levado a agência a enxergar uma
perspectiva positiva para o Brasil “não estão mais presentes”.
Cita a piora de
indicadores como a relação dívida pública/PIB e investimento/PIB, a deterioração
da contabilidade fiscal, o uso de recursos do Tesouro para empréstimos a bancos
públicos – que já ultrapassa 9% do PIB – e a “evidência” de que o Brasil esteja
atravessando um longo período de baixo crescimento.
Diz a Moody’s que a situação
brasileira é bem pior que a de países que desfrutam do mesmo rating concedido
pela agência. Nossa taxa de investimento está em 17,6% do PIB e não deve
superar 20% neste e no próximo ano, enquanto a média de economias classificadas
como Baa (a nota de risco dada pela agência ao Brasil) é de 23,8% do PIB.
O tamanho da nossa
dívida também destoa dos países de classificação similar à nossa. A Moody’s a
vê em ascensão, ao redor de 60% do PIB, enquanto a média das demais nações com
mesmo rating situa-se em 45%.
A agência é incisiva
quando analisa as perspectivas para o crescimento futuro do PIB do país: “continuam
fracas” e dificilmente a taxa irá ultrapassar 2% neste e no próximo ano, “levando
a economia brasileira a apresentar crescimento abaixo da tendência por quatro
anos consecutivos”.
O Brasil patina nos últimos
anos porque temos desafios estruturais que, além de não estarem sendo
enfrentados, estão se agigantando. Para começar, nossa produtividade é baixa:
enquanto cresceu 1,8% anual em média no Brasil nas duas últimas décadas, na Coreia
aumentou 5%; na Turquia, 4% e no Chile, 3,8%, segundo o professor Dani Rodrik, de Princeton.
Outra das nossas pragas
é a má regulação e o intervencionismo excessivo do governo nos negócios
privados. O melhor exemplo é o que está acontecendo no setor de infraestrutura,
em que leilões que, aparentemente, tinham tudo para atrair o interesse de
investidores naufragam por falta de clareza de regras. O superendividamento da “supertele”
criada sob as bênçãos do governo do PT – e que agora naufraga – é outra evidência
deste mesmo mal...
O alto custo de mão
de obra também está entre nossas deficiências crônicas e se faz notar,
principalmente, na indústria. A fraqueza do setor ficou mais uma vez confirmada
com o crescimento zero anotado em agosto, conforme divulgado
pelo IBGE ontem. Reforça-se, assim, a perspectiva de expansão nula ou mesmo negativa para o nosso PIB no terceiro trimestre.
A avaliação da Moody’s
apenas corrobora um sentimento que já tem se mostrado bastante latente entre
investidores e analistas: a perda de confiança no Brasil. Nossos problemas não
são conjunturais, nem cíclicos. Tampouco apenas refletem dificuldades
enfrentadas no mundo como um todo, como quer fazer crer o governo petista. Nosso
inferno está aqui dentro mesmo.
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