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sábado, 6 de agosto de 2016

A farinha está pouca

O dinheiro anda curto no bolso do brasileiro. Provavelmente vai continuar assim por um longo tempo ainda. O quanto antes o novo governo conseguir fazer as pazes com a aritmética e a responsabilidade voltar a imperar no orçamento público, mais cedo as engrenagens da economia voltarão a girar. Uma coisa não funciona sem a outra.

A herança maldita legada pelo PT ainda vai nos custar meses, quiçá anos, de sacrifícios. É pesado o fardo que a atual gestão tem de carregar no lombo, e as contribuições que vem dando para mudar – para melhor – as expectativas em relação ao futuro e as perspectivas do país já são um alento e tanto diante do deserto ao qual o Brasil se acostumara com Dilma Rousseff.

Os sinais da braveza da crise se mostram, por exemplo, na séria perda de rendimentos sofrida por quem ainda consegue se manter empregado. Chega a assustar. Os números mais recentes sobre o mercado de trabalho, contidos na Pnad Contínua, indicam que a renda média do trabalhador brasileiro desceu ao menor nível desde fins de 2012, ou seja, em quase quatro anos. Desde o pico, no início de 2015, são quase 5% de perda.

“Não há qualquer dado, qualquer sinal de respiro e recuperação no mercado de trabalho no segundo trimestre, que já deveria apresentar alguma variação positiva ou estabilidade”, sentenciou Cimar Azevedo, o técnico responsável por acompanhar a situação do emprego no país, no dia em que o IBGE revelou que a taxa de desocupação escalou ao recorde de 11,3%.

Com o salário mais curto, resta ao trabalhador apelar para as parcas economias depositadas no banco – isso quando as há. Por mais um mês, os brasileiros tiveram de avançar sobre sua poupança. Pela 16ª vez desde o início de 2015, os saques superaram os depósitos nas cadernetas. Desta vez, em R$ 1,1 bilhão. Nada menos que R$ 97 bilhões já saíram dos cofrinhos desde janeiro do ano passado.

O poder aquisitivo da população também é corroído pela inflação, outro dos presentes que a gestão petista gentilmente deixou de legado para o país. Mesmo com a arrefecida recente, o índice oficial ainda acumula alta de 8,8% nos últimos 12 meses. Enquanto estiver tão elevado, e a torneira de gastos ainda não tiver sido fechada para ajudar a política monetária no combate à carestia, os juros precisarão ser mantidos altos, já avisou o Banco Central.

Este conjunto de situações só reforça a recomendação para que as forças políticas e econômicas imbuídas em resgatar o país remem na mesma direção, ou seja, a que restaura a responsabilidade no trato da coisa pública, o respeito às regras estabelecidas e o equilíbrio entre despesas e receitas. 

É este o único caminho para que o crescimento econômico retorne e para que os graves problemas enfrentados hoje pelos brasileiros se tornem parte do passado. Com a farinha pouca, ninguém deveria querer ser o primeiro na fila do pirão.

sábado, 28 de março de 2015

PIB nota zero

Dilma Rousseff encerrou seu primeiro mandato com um pibizinho digno de nota zero. O 0,1% de crescimento divulgado nesta manhã pelo IBGE é o pior resultado registrado pela economia brasileira desde 2009 e um dos mais baixos em todo o mundo. Não há outro diagnóstico possível: até agora, o governo dela foram quatro anos jogados no lixo.

Alguns petistas graduados adoram inventar que “gente não come PIB”. Mas o fato é que o PIB estagnado de 2014 representa menos produção, menos investimento, menos emprego, menos dinheiro no bolso e menos consumo. É precisamente o que está acontecendo com o Brasil.

Os brasileiros estão ficando mais pobres. Um dos resultados mais notáveis divulgados nesta manhã pelo IBGE é a queda de 0,7% no PIB per capita. Ou seja, efetivamente a renda de cada brasileiro ficou menor no ano passado. A última vez que isso ocorreu foi na crise global de 2009. Dilma faz história...

Reforça a constatação de empobrecimento a redução de 0,5% no salário real em fevereiro, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, medida pela Pesquisa Mensal de Emprego divulgada ontem também pelo IBGE. Trata-se da maior queda em quase dez anos – entre trabalhadores sem carteira, a baixa foi de 4,3% e nos por conta própria, de 3,8%.

Entre os resultados mais negativos do PIB, está a queda acentuada dos investimentos, que recuaram 4,4%. A indústria caiu 1,2%, com baixa ainda maior (3,8%) em seu segmento outrora mais dinâmico, o de transformação. Construção civil (-2,6%) e comércio (-1,8%) mostram que o investimento estancou e o dinheiro que antes irrigava o consumo sumiu.

Não fosse a revisão metodológica feita pelo IBGE, o Brasil teria tido recessão no ano passado. Mesmo assim, mal saímos da vizinhança do zero. Como os erros do primeiro mandato foram grandes demais, neste ano a economia deverá cobrar seu preço e, infelizmente, o PIB do país deve cair, segundo já admite até o Banco Central em seus prognósticos. A dúvida é apenas o tamanho do tombo: 0,5%, 0,8%, 1%, 2%...

Nem a generosa revisão dos resultados de 2011 a 2013 livrou o governo Dilma de levar o país a crescer meros 2,1% em média ao longo de seu primeiro mandato. A petista eterniza-se, desta maneira, entre os três piores presidentes da história republicana brasileira em termos de crescimento econômico.

Entre 40 países que já divulgaram o PIB de 2014, o Brasil desponta na 37ª posição, superando apenas Japão, Finlândia e Itália, que tiveram crescimento negativo no ano passado, segundo a OCDE. (Ontem, o Uruguai divulgou seu PIB de 2014, com alta de “apenas” 3,5%, a 12ª consecutiva. Dá inveja?)