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quarta-feira, 17 de maio de 2017

O trator da retomada

Dentro de mais duas semanas, o país saberá oficialmente se o PIB parou de cair, depois de quase três anos afundando. Os primeiros sinais são positivos e sugerem que a pior recessão da história finalmente pode ter acabado. O trator da retomada está no Brasil profundo do interior.

Ontem o Banco Central divulgou seu índice de atividade relativo ao primeiro trimestre, que funciona como prévia aproximada do PIB calculado pelo IBGE, a ser conhecido em 1° de junho. A economia cresceu 1,12%, após oito trimestres consecutivos de baixa – pela série do IBGE, a queda atual é mais duradoura, de 11 trimestres.

Qualquer que seja o resultado oficial, será certamente um alento perto de onde estava a economia brasileira um ano atrás: no primeiro trimestre de 2016, a atividade caiu mais de 6%. É um salto e tanto, como analisa Sergio Vale, da MB Associados, n’O Estado de S. Paulo.

Não há consenso sobre se a retomada que despontou nos três primeiros meses do ano será mantida no trimestre seguinte – em março, já houve recuo de 0,44% na atividade sobre fevereiro.

Investidores, empresas e consumidores ainda estão ressabiados com a continuidade do crescimento econômico, ainda muito depende de uma agenda de reformas difíceis de serem aprovadas no Congresso. Também por isso, a recuperação em marcha é gradual, paulatina e moderada.

Do que não restam dúvidas, contudo, é sobre a força do setor primário da economia brasileira. O agro está bombando.

O Brasil está colhendo neste ano a maior safra de grãos de sua história. As reestimativas de produção se sucedem, sempre trazendo novas altas. O campo cada vez surpreende mais.

Devem ser colhidas algo em torno de 233 milhões de toneladas de grãos até julho, segundo o IBGE e a Conab. Isso equivale a alta de mais de 25% sobre o volume produzido no último ano-safra, quando o país experimentou a primeira queda de produção desde 2009.

O Brasil produz cada vez mais ocupando relativamente áreas cada vez menores. Isso traduz-se em atuar em consonância com os preceitos da sustentabilidade. Significa também comida mais barata na mesa dos brasileiros – e de gente espalhada pelo mundo todo.

O campo produz hoje 150% mais do que produzia no início da década de 1990 – data considerada marco na mudança de padrões da produção agrícola nacional. Significa que, mantido aquele nível de produtividade, o Brasil precisaria de mais 84 milhões de hectares para colher o que colhe hoje. É simplesmente mais que o dobro da área de 60 milhões de hectares atualmente ocupada pela lavoura nacional.

A agropecuária brasileira tornou-se paradigma de produtividade mundial. Muito diferente dos demais setores da nossa economia, em que a produtividade média, na melhor das hipóteses, ficou estagnada ao longo dos últimos anos. Não é difícil enxergar: o campo aponta o caminho a seguir.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A vaca (e o porco e o frango) foi pro brejo

O estardalhaço da operação que desbaratou irregularidades em duas dezenas de frigoríficos brasileiros está fazendo estragos. As consequências já alcançaram além-fronteiras e afetaram a venda de carnes nacionais para o exterior. Tudo indica que, com sua ação, a Polícia Federal tenha mirado num alvo, mas derrubado rebanhos inteiros.

União Europeia, China e Chile anunciaram ontem restrições à compra de carne brasileira – a Coreia do Sul tinha tomado a mesma decisão, mas voltou atrás. Juntos, compram cerca de 1/3 da produção nacional exportada – os dois primeiros são os principais mercados de destino do Brasil nesta área. Para tentar estancar danos, o Ministério da Agricultura suspendeu a licença de exportação dos 21 frigoríficos sob investigação.

É positivo que a PF tenha buscado barrar mais um esquema criminoso em ação no país. O conluio entre fiscais do Ministério da Agricultura e alguns frigoríficos para tapar os olhos a todo tipo de falcatruas na produção de carnes, permitindo que produto impróprio para consumo chegasse à mesa, deve ser realmente punido com máximo rigor. Afinal, o que está em risco é a saúde pública e a segurança alimentar de milhares – quiçá milhões – de consumidores.

A operação também tem mérito de desnudar mais um caso de corrupção, de relação promíscua e de ocupação desenfreada da máquina pública brasileira para satisfazer o apetite de partidos políticos, com lauta distribuição de propinas e subornos. Esta demonstra ser a doença mais disseminada no aparato estatal do país depois da passagem da praga de gafanhotos que foram os governos petistas. Não dá para continuar sendo assim.

No entanto, a Carne Fraca não parece ter atentado para os efeitos perniciosos que acarretaria a um setor em que o Brasil é potência global. Pôr na rua “a maior operação da história”, como a PF classificou a ação de sexta-feira, para brecar a atuação de duas dezenas de estabelecimentos num setor em que eles somam 4.837 revela-se claro exagero. Pior: só uma das empresas investigadas, sediada no Paraná, passou por perícia.

O setor emprega, segundo informações do governo brasileiro, 6 milhões de pessoas. Exportou US$ 13,7 bilhões no ano passado, terceiro maior item da nossa pauta, conforme o Valor Econômico. O Brasil responde por 38% da produção mundial de carne de frango, 20% de bovina e 10% de suína, segundo estatísticas do USDA. Todo este mercado está agora sob alerta, alarmado com o que a operação da PF amplificou. Teme-se queda de até 15% nos embarques e corte de até 20% nos preços.

É desejável, sim, que o sistema de fiscalização da sanidade dos frigoríficos nacionais melhore. Em particular, o esdrúxulo modelo em que as empresas fiscalizadas bancam, de forma legal e oficial, profissionais que devem responder pela sua própria fiscalização não pode mais existir. Em 2014, o TCU sugeriu uma série de aperfeiçoamentos nos procedimentos de fiscalização, jamais adotados – ressalte-se que um terço da carne comercializada no país não passa por escrutínio dos fiscais.

Também por isso, as medidas profiláticas e localizadas aplicadas ontem pelo governo brasileiro às exportações deveriam valer para o que é comercializado internamente, para que não pairem quaisquer suspeitas em relação à qualidade da carne produzida no país, em geral de excelente padrão.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A salvação da lavoura

A agropecuária deverá ser o primeiro setor da economia brasileira a dar adeus à crise. O campo exibe vigor redobrado para passar o trator por cima das dificuldades e deixar a recessão comendo poeira. A produção rural avança contra tudo e contra todos – em especial, contra nossa precária infraestrutura.

Ontem, tanto o IBGE quanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmaram que o Brasil vai colher volume recorde de grãos neste ano-safra, que vai até julho. Serão cerca de 220 milhões de toneladas, com alta próxima de 20% sobre a produção do período anterior. Em termos absolutos, são quase 40 milhões de toneladas a mais.

Dos 26 principais produtos, 14 devem entregar maior volume neste ano. Todas as maiores lavouras terão crescimento de dois dígitos, segundo a Conab: soja (10,6%), milho (31,4%) e feijão (30,4%), as duas primeiras com recordes históricos. Dos itens com alguma relevância, haverá queda apenas na safra de trigo, com recuo de 16%.

A agropecuária resistiu muito, foi um dos últimos setores a tombar, mas também vergou com a crise. O pico da produção agrícola brasileira foi alcançado no primeiro trimestre de 2015. Desde então, a queda acumulada é de 11%. Mas agora, parece certo, o fundo do poço ficou para trás.

O campo beneficia-se da melhora de fatores climáticos, sem a seca e as inundações dos últimos anos, da recuperação das cotações internacionais e, também, como todos os demais setores da economia brasileira, da mudança de ares no país.

Durante os governos do PT, a agropecuária continuou avançando, mas num ritmo bem menor do que a expansão da etapa anterior, na gestão Fernando Henrique. A produção avançou em média 3,2% ao ano desde 2003, ante 5,4% nos oito anos anteriores. Já o aumento médio de produtividade caiu de 3,7% entre 1995 e 2002 para 1% anual desde então.

Numa estimativa recente, a atual expansão da safra agrícola deverá injetar até R$ 240 bilhões extras na economia. Os efeitos se espalham para muito além do campo, atingindo a indústria de insumos e suprimentos, como sementes e fertilizantes, e de maquinário pesado, como tratores e colheitadeiras. Toda a cadeia movimenta 22% do PIB nacional, segundo a MB Associados.

A vida de milhares de cidades do interior do país também desabrocha junto com a safra – em mais de 1,1 mil municípios, o campo representa mais da metade da atividade econômica. Já os grandes centros são beneficiados com a baixa dos preços dos alimentos, numa espiral positiva que ajuda a derrubar os índices de inflação, como ora estamos experimentando.

A agropecuária brasileira é uma das mais vigorosas do mundo. Nossos produtores não têm de resistir apenas a pragas naturais e desastres climáticos. Na maioria dos casos, seus maiores adversários são as péssimas condições de produção que o país oferece. Em especial, a logística cara, insegura e irracional, aliada a uma burocracia insana. Mesmo diante de tamanhas adversidades, o campo está mostrando, mais uma vez, por que é a salvação da lavoura.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Receita de bolo

As principais áreas produtoras estão terminando de semear a próxima safra agrícola nacional. Até o inverno de 2017 chegar, o Brasil deverá ter colhido a maior produção de grãos da sua história, numa demonstração da resiliência do campo ante as intempéries da recessão e das crises que, a partir de Brasília, se disseminam pelo resto do país.

Segundo a mais recente previsão de safra agrícola, divulgada em novembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deverá produzir entre 211 e 215 milhões de toneladas no ano-safra 2016/2017. O total representa alta entre 13% e 15% em relação à produção colhida na safra passada, a pior desde a de 2011/2012.

A produção agrícola brasileira deve ser inferior apenas às da China e dos Estados Unidos, que deverão colher 562 milhões e 550 milhões de toneladas, respectivamente, conforme o mais recente boletim do Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês), divulgado em novembro. Segundo o USDA (Departamento Americano de Agricultura, na sigla em inglês), a produção mundial de 2016/2017 será a maior já alcançada.

Os principais produtos agrícolas nacionais continuam sendo soja e milho, que respondem por 87,6% dos grãos colhidos atualmente no país. Das 184,7 milhões de toneladas das duas culturas, 98,4 milhões, o que equivale a 53,5% do total, deverão ser exportadas, ainda conforme o levantamento publicado pela Conab.

Até outubro, soja é o principal item da pauta de embarques brasileira. Considerando todos os seus derivados, responde por 15,8% do total exportado, segundo as mais recentes estatísticas mensais divulgadas pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Até 2014, a liderança coube ao minério de ferro.

A área plantada com grãos deve ser também a maior da história, com avanço de 0,3% a 2,3% em relação à última safra colhida. Confirmadas as estimativas, a produtividade agrícola brasileira dará um salto de 12,9% neste ano-safra, atingindo 3.606 quilos por hectare, também sua maior marca histórica, sempre de acordo com o órgão oficial de estatísticas do Ministério da Agricultura.

O Mato Grosso mantém-se como o maior produtor brasileiro estadual de grãos. Da potência agrícola, sairão cerca de 53 milhões de toneladas. Isso significa que o estado produz sozinho o que 22 unidades da federação produzem somadas, incluindo toda a região Sudeste, o Norte e o Nordeste brasileiros.

Entre as maiores culturas agrícolas brasileiras, a produção de soja deverá crescer até 8,5% neste ano-safra e a de milho deverá avançar até 27%, praticamente recuperando todo o terreno perdido depois da queda expressiva da safra passada em função de razões climáticas adversas, em especial a estiagem prolongada.

Neste ano-safra, a principal expansão, contudo, deve ser a da cultura de sorgo. Antes praticamente destinado à produção de ração animal, o grão tem se mostrado promissor para alimentação humana, dada a sua capacidade antioxidante, conforme pesquisas levadas a cabo pelo Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo da Embrapa. A alta pode chegar a 48%, mas a produção ainda deve ficar bem distante da máxima anotada em 2010/2011.

A agropecuária responde por 5% do PIB brasileiro, segundo os mais recentes resultados das Contas Nacionais, relativos ao terceiro trimestre, divulgados ontem pelo IBGE. No entanto, quando se considera todo o encadeamento da atividade, a chamada “porteira para fora”, a participação cresce para mais de 21% do total, segundo calcula o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

O agronegócio gerou superávit comercial de US$ 38 bilhões para o país entre janeiro e outubro, estimou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O valor equivale a praticamente a totalidade do saldo registrado pela balança comercial brasileira no período. Quatro de cada dez dólares exportados vêm do campo.

Os resultados do PIB brasileiro divulgados ontem mostram que a agropecuária foi um dos últimos setores a tombar vítima da recessão que caminha para completar seu terceiro aniversário no país. Até o início de 2015, o campo só via sua produção crescer. Desde então, o PIB agropecuário já baixou 11%, de acordo com o IBGE.

Os números da previsão de safra que ora está sendo semeada indicam, contudo, que a atividade agrícola ainda tem força para resistir à crise e ajudar os brasileiros a superar a recessão e o desemprego. Com as dificuldades por que o país passa, na economia, no Congresso, nas ruas e nas fábricas, o campo mostra que pode ser a receita do bolo.

terça-feira, 26 de março de 2013

Logística ilógica

Era para ser motivo de comemoração, mas a supersafra agrícola que o país está colhendo virou uma tremenda dor de cabeça. Com a colheita apenas no início, tornaram-se comuns congestionamentos diários de caminhões em rodovias e vias de acesso a portos e até de navios em alto-mar. A falta de infraestrutura está estrangulando o Brasil.

Este não é um quadro novo. Há anos, a estrutura de transportes tem se mostrado aquém das necessidades do país, notadamente das necessidades do pujante agronegócio nacional. Bastou, porém, que o campo fosse ainda mais eficiente para nossa logística revelar-se ainda mais deficiente. A situação atual tem se mostrado especialmente dramática.

O problema começa no descompasso entre o volume de grãos que o país está produzindo e a nossa capacidade de armazenamento: para uma safra de 185 milhões de toneladas, os silos e armazéns existentes conseguem absorver apenas até 148 milhões de toneladas. A distribuição destas unidades pelo território também é irregular, em prejuízo, principalmente, das novas fronteiras agrícolas.

Sem ter onde estocar a safra, o produtor é forçado a desová-la rapidamente. Por causa da grande oferta no mercado, os preços caem e os agricultores não aproveitam as melhores janelas para venda. É a logística caquética cobrando seu preço de quem é mais eficiente.

Quando a colheita ganha ritmo, a safra afunila em estradas incapazes de dar conta do volume de caminhões que confluem para transportá-la. Surge daí o segundo, e mais grave, problema dos produtores agrícolas locais: num país de dimensões continentais como o nosso, a maior parte do transporte de cargas é feita por rodovias e não por ferrovias e hidrovias, como é comum em países como os Estados Unidos.

Resultado: enquanto para um produtor de Iowa, o frete até o porto equivale a 9% do preço da soja que colhe, para um agricultor do Mato Grosso, o custo representa 30% do valor final, segundo a edição da revista Veja desta semana. O produtor brasileiro é imbatível da porteira para dentro, mas leva uma surra quando passa a depender da caótica infraestrutura viária do país.

Um indicador sintetiza as péssimas condições logísticas brasileiras: entre 144 países, estamos na 107ª posição em relação à qualidade da nossa infraestrutura, de acordo com a mais recente pesquisa do World Economic Forum. O que já era ruim piorou muito nos anos Dilma: no levantamento relativo a 2010-2011, o Brasil figurava na 84ª colocação neste quesito. Ou seja, em apenas dois anos, caímos nada menos que 23 posições.

Diante do caos que se instalou em rodovias e portos congestionados pela supersafra, o governo federal agora promete “medidas emergenciais” para enfrentar a situação. É novamente a estratégia (ou a falta de) de lançar mão de paliativos para enfrentar problemas prementes.

Segundo a Folha de S.Paulo, os técnicos do governo também pretendem requentar anúncios, como o do novo marco regulatório dos portos – cuja medida provisória tramita no Congresso – e o das novas concessões de ferrovias e rodovias, por enquanto apenas uma miragem frente à dificuldade que o Planalto demonstra para tomar decisões.

Não se pode dizer que nem a atual supersafra brasileira nem a insuficiente infraestrutura de transportes do país tenham pego o governo de surpresa. É a típica pedra cantada, à qual a gestão petista fez ouvidos moucos e tentou empurrar com a barriga. Agora não tem mais jeito.

Há um rol de obras viárias que há muito demandam a atenção de Brasília, mas não deslancham. Muitas delas situadas nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, poderiam abrir novas e mais baratas rotas de escoamento para a safra brasileira. São elas: os portos de Itacoatiara, Santarém e Marabá; a conclusão das ferrovias Norte-Sul, Ferronorte e Oeste-Leste; e a pavimentação da BR-163 e da BR-158, para ficar apenas em alguns exemplos.

A esperança reside na aceleração dos investimentos privados em ferrovias e na concessão de rodovias, para que o Brasil consiga destravar seu caminho e decolar. São soluções cantadas em prosa e verso pela oposição há muito tempo, mas que sempre encontraram a resistência ideológica petista, ciosa da preservação do gigantismo estatal. Esta visão atrasada das coisas está agora cobrando seu preço.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Time que está perdendo

Caiu ontem o quarto ministro do governo Dilma. Assolado por denúncias de corrupção, tráfico de influência e atuação em franco desacordo com os padrões éticos, Wagner Rossi pediu demissão do cargo que ocupava desde março de 2010. Só time que está perdendo é obrigado a mudar tanto em tão pouco tempo.

Em menos de oito meses de gestão, a saída de Rossi é a sexta mexida na Esplanada. Três delas decorreram de envolvimento em casos de corrupção: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e o próprio Rossi. Uma mudança (Nelson Jobim, da Defesa) resultou de desavenças com a presidente e outras duas de pura deficiência de desempenho (Luís Sérgio e Ideli Salvatti, que intercambiaram Relações Institucionais e Pesca).

Ou seja, decorridos 229 dias da atual gestão 15% dos 38 ministros já foram trocados. Sem falar no sem-número de exonerados por envolvimento em irregularidades. Que gerente eficiente é obrigada a demitir e a remontar tantas vezes sua equipe em tão curto espaço de tempo?

Dilma Rousseff foi apresentada ao eleitorado no ano passado como alguém que era pura competência no trato com as lides da administração pública. Rigorosa na escolha de auxiliares, eficiente na execução de tarefas e operosa na realização de obras e ações. A personagem vendida pelo competente marketing eleitoral petista ainda não debutou no governo.

O ministro mais importante da Esplanada – sempre apresentado como “de inteira confiança” da presidente – caiu por não poder explicar como seu patrimônio se multiplicou às dezenas num curtíssimo espaço de tempo. Coabitava o mesmo palácio da chefe. Os outros dois demitidos ocupavam pastas cruciais para o desenvolvimento do país: Transportes e Agricultura. Foram todos, pois, mal escolhidos pela presidente.

No quesito realização, Dilma não tem o que mostrar até agora. Seu mais vistoso programa, o PAC, executou, até julho, apenas 7,8% do total de obras novas programadas para o ano, mesmo estando livres do bloqueio de gastos promovido no início do governo, como mostrou a Folha de S.Paulo no domingo. Sua agenda de propostas é inexistente.

Já a dita “faxina” de Dilma continua a reboque da imprensa e de uma ou outra investigação de órgãos de Estado, como a Polícia Federal. Há exatos dez dias, Rossi merecera do Planalto uma nota oficial de apoio, na qual a presidente manifestava “confiança” no subordinado – mesmo tratamento dispensado no início de julho a Alfredo Nascimento, que, dois dias depois, também saiu dos Transportes.

Alguns tentam ver nas substituições o afastamento de nomes impostos por Luiz Inácio Lula da Silva à atual presidente. Dilma estaria aproveitando para pôr gente sua para cuidar das pastas. Sob esta ótica, as demissões seriam, pois, convenientes a ela. Só crê nisso quem quer ser enganado.

A presidente aceitou de bom grado a herança que Lula lhe deixou. Mais que isso, ela foi, junto com o ex-presidente, arquiteta deste legado. O que veio de Lula é o mesmo que saiu de Dilma. Não há interrupções nesta linha contínua.

Se não fosse a revelação dos casos de corrupção, os ministros defenestrados estariam agora nos mesmíssimos cargos para os quais Dilma os nomeara em 1º de janeiro. Só por terem sido pegos com a boca na botija, a presidente teve de amargar a necessidade de afastá-los. Se não fosse isso, a palavra “faxina” não teria sido ouvida.

O que está se tornando regra na atual gestão é que ministros e altos dirigentes do governo ou são demitidos por envolvimento em corrupção ou são presos por ordem da Justiça. A gerente montou muito mal o seu time.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pela estrada de Ourofino

Só a força do fisiologismo explica a manutenção de Wagner Rossi no cargo de ministro da Agricultura. Sua pasta é terreno fértil onde brota uma vastíssima safra de irregularidades. Lá ele montou uma autêntica nova “república de Ribeirão Preto”, com poder de rivalizar com as barbaridades daquela que seu conterrâneo Antonio Palocci instalou em Brasília anos atrás.

O ministério que “só tem bandido”, que movimenta gordos envelopes de propina, que franqueia sala especial para lobista redigir contratos de licitação pública, agora também voa nas asas de jatinhos de empresas amigas, como revelou o Correio Braziliense em sua edição de ontem – e todos os principais jornais do país reproduzem hoje.

Rossi admitiu que “em raras ocasiões” usou o Embraer Phenon 100 da empresa Ourofino para se deslocar. Se foram poucas ou muitas vezes, não importa. O que importa é que o ministro feriu o Código de Ética da Alta Administração Federal e deve, portanto, estar sujeito a penalidades severas. Ele já tem, na realidade, ficha corrida mais que suficiente para estar fora do governo.

Diz o texto do Código, em seu artigo 7º: “A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade”.

Dúvida sobre a probidade das relações entre o ministro e a Ourofino é o que mais há. Em outubro do ano passado, a empresa obteve do Ministério da Agricultura, já sob o comando de Rossi, licença para fabricar vacina contra a febre aftosa. Também no ano passado, foi inserida pela pasta na campanha nacional de imunização contra a doença.

Com as bênçãos de Rossi – que chegou ao requinte de ir pessoalmente aos sócios da empresa anunciar a concessão da licença para fabricar a vacina antiaftosa – a Ourofino ingressou num seleto nicho disputado por pouquíssimas firmas. Foi uma das pioneiras no bilionário mercado nacional, antes dominado por multinacionais.

Os amigos ribeirão-pretanos de Rossi vêm se saindo muito bem: nos últimos tempos, o faturamento da Ourofino explodiu. Só em maio deste ano, a divisão de saúde animal da empresa registrou aumento de 81% em seu faturamento, saltando de R$ 16,4 milhões para R$ 29,7 milhões, mostra O Estado de S.Paulo.

Desde 2004, o capital de duas de suas subsidiárias cresceu exponencialmente. O da Ourofino Tecnologia e Genética Animal passou de R$ 100 mil para R$ 44 milhões atualmente. No mesmo período, o da Ourofino Participações e Empreendimentos subiu de R$ 32 milhões para R$ 150 milhões, informa hoje o Correio Braziliense.

“Integrantes do governo e empresários do setor afirmaram que a empresa é beneficiada pelo ministério por meio de processos mais ágeis para obter licenças de seus produtos. Relatos dão conta de que servidores do Ministério da Agricultura fazem pressões nesse sentido junto ao Comitê Técnico de Assessoramento de Agrotóxicos, que conta com representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, revela o Estadão.

Tanto descalabro não parece ser suficiente para que Rossi seja varrido na “faxina” prometida pela presidente da República. Aliás, até agora sua pasta continua imune ao esfregão: apenas o secretário-executivo foi trocado e, na Conab, só o atual procurador-geral da companhia foi afastado do cargo.

Dilma Rousseff não quer bulir com o partido de Rossi, apadrinhado do vice-presidente Michel Temer, e “fará o máximo de esforço para evitar repetir com o PMDB a experiência traumática que vive com o PR”, informa o Estadão. Segundo o jornal, o ministro será mantido no cargo, mas seus amigos, não.

É difícil crer que um ministério seja moralizado se seu comando é mantido nas mãos de alguém atolado até o último fio de cabelo em denúncias de irregularidades. Se o exemplo de cima é o pior possível, como agirão os subordinados? Enquanto lá permanecer, Rossi continuará a abrir porteiras para boiadas passarem, lá pelas bandas de Ourofino...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nova safra de irregularidades

O Ministério da Agricultura continua rendendo vistosas safras de irregularidades. Há três semanas, a pasta chefiada por Wagner Rossi protagoniza casos cabeludos de corrupção e mau uso de dinheiro público. Como é um feudo blindado do PMDB, a vassoura da faxina da presidente da República não se aventura por lá.

Neste fim de semana, a revista Veja trouxe mais uma reportagem sobre as estripulias de Rossi, que comanda a Agricultura desde março de 2010. Segundo o texto, o histórico do hoje ministro exibe desvios de alimentos para beneficiar aliados políticos, licitações viciadas com pagamento de propina e uso de recursos da União para quitar dívidas privadas.

As irregularidades aconteceram em alguns dos postos mais importantes ocupados por Rossi em sua carreira política, iniciada modestamente em Ribeirão Preto (SP) em 1982, quando ele se elegeu deputado estadual. Há casos suspeitos em suas gestões à frente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo, um órgão federal).

Segundo Veja, na Conab “o próprio Rossi usou o expediente de distribuir alimentos para obter votos, inclusive para favorecer eleitoralmente o filho, Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do diretório do PMDB de São Paulo”. Os principais beneficiados eram prefeitos da base eleitoral do ministro e de seu filho, na rica região de Ribeirão Preto.

Mas o caso mais chocante de desvio de alimentos aconteceu na Paraíba. No fim de 2007, 100 toneladas de feijão foram mandadas para lá para serem distribuídas pela prefeitura local. Mas, ao invés de servir para saciar a fome de famílias necessitadas, o alimento permaneceu estocado à espera da melhor oportunidade para ser distribuído: as vésperas das eleições municipais de 2008.

Denunciada a manobra por um funcionário da Conab na Paraíba, 8 toneladas de feijão foram despejadas no lixão de João Pessoa, como forma de evitar um flagrante da Política Federal e da Justiça Eleitoral. O vídeo com as imagens chocantes de grãos de comida espalhados em meio à sujeira está disponível na internet.

Outro caso revelado nesta semana por Veja mostra que, como presidente da federal Codesp, Rossi quitou, com dinheiro público, uma dívida de R$ 126 milhões que empresas contratadas pelo porto de Santos tinham com a Previdência. Em razão disso, o ministro hoje figura como réu numa ação popular na Justiça Federal de Santos, denunciado por “administração temerária, conduta suspeita e má-fé”.

Nas duas últimas semanas, Wagner Rossi teve de ir duas vezes ao Congresso para tentar explicar as falcatruas que grassam no Ministério da Agricultura e na Conab. Seus depoimentos, porém, sempre contaram com a operosa blindagem da base aliada do governo, disposta a manter qualquer esfregão longe do feudo pemedebista.

O PMDB parece ter tanta convicção de que a faxina da presidente Dilma Rousseff é de mentirinha que até ato de desagravo a Rossi protagonizou na semana passada em São Paulo, com a presença de todas as suas principais lideranças nacionais, tendo o vice-presidente da República, Michel Temer, à frente.

Assim como aconteceu nos ministérios dos Transportes e do Turismo, o mais chocante no caso da Agricultura é que pouco se vê a pasta empenhada em impulsionar este setor da economia brasileira. Os esforços são concentrados em sangrar os cofres públicos e não em tornar o campo mais produtivo ou, no caso dos Transportes, em melhorar nossa infraestrutura viária e, no do Turismo, em atrair mais visitantes para o país. O que interessa aos condôminos do poder petista é praticar um assalto continuado ao dinheiro do contribuinte.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Celeiro de falcatruas

Está para ser testada a real intenção da presidente da República de limpar a barra de seu governo. O Ministério da Agricultura está se revelando um celeiro de irregularidades tão pródigo quanto a autoestrada da corrupção pavimentada na pasta dos Transportes. Mas fica cada vez mais claro que a “faxina” anunciada há duas semanas por Dilma Rousseff não passa de mero golpe de marketing.

Neste fim de semana, pipocaram reportagens mostrando o descalabro que grassa na Agricultura. A mais incisiva foi publicada na revista Veja e resultou na demissão, ainda no sábado, do número 2 da pasta: o secretário-executivo Milton Ortolan. Homem de extrema confiança do ministro Wagner Rossi, com quem trabalha há 25 anos, ele caiu por ver seu nome associado à desenvolta atividade do lobista Júlio Fróes.

Mais uma vez, revelou-se a existência de práticas espúrias envolvendo a negociação de bens públicos em favor de interesses privados. No caso de Fróes, os aliados do petismo chegaram ao requinte de franquear sala, computador e secretária para que o lobista despachasse dentro do órgão – mais especificamente na sua Comissão de Licitação – e redigisse documentos oficiais em que o beneficiado era uma empresa representada por ele mesmo.

“Mesmo sem nenhum vínculo formal com a pasta, o lobista cuida dos processos de licitação, redige editais, escolhe empresas prestadoras de serviços – e, ao fim de cada trabalho bem-sucedido, distribui pacotes de dinheiro aos funcionários [do Ministério da Agricultura]. Em outras palavras, paga propina aos que o ajudam a tocar seus negócios escusos. O lobista faz tudo isso com o conhecimento e o aval da cúpula do órgão. E, segundo suas próprias palavras, com a autorização de seu amigo, o ministro Wagner Rossi”, sintetiza Veja.

Acossado por mais um fim de semana de denúncias deste calibre, o Planalto teve de sair a campo ontem para expressar, por meio de nota oficial, “confiança” na atuação de Rossi. É um mau sinal para o ministro: no início de julho, a mesma “confiança” foi manifestada pela presidente da República em relação a Alfredo Nascimento, que, dois dias depois, foi demitido do Ministério dos Transportes...

Assim como os Transportes, a pasta comandada por Wagner Rossi tem sua central de falcatruas: a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. Seu orçamento de R$ 2,8 bilhões para este ano pode não ser tão vistoso quanto o do Dnit, com seus mais de R$ 17 bilhões, mas é suficiente para atiçar a sanha de corruptos e corruptores.

A Conab foi transformada num “cabide de empregos”, esquadrinhado pela Folha de S.Paulo no domingo. Também O Globo mostrou que sobrenomes vistosos de próceres do PMDB e do PTB são comuns na lista de cargos do órgão distribuídos entre afilhados políticos e aliados – muitos dos quais sequer se dão o trabalho de dar expediente por lá.

Os descalabros na Conab datam da época em que o atual ministro da Agricultura comandava o órgão, entre junho de 2007 e março de 2010. Para alimentar as bocas sedentas por cargos, cevadas pela estratégia de poder do PT, Wagner Rossi mais do que quadruplicou o número de cargos de confiança na empresa, que passaram de 6 para 26 no intervalo de menos de três anos. Até presidente de time de futebol do interior paulista ganhou cargo lá.

Seguidas vezes, a associação de servidores da Conab alertou o Palácio do Planalto para a ocupação política da empresa, mas o máximo que a assessoria de Dilma fez foi remeter as denúncias para que o Ministério da Agricultura tomasse ciência delas. Pôs o lobo para cuidar do galinheiro. Resta claro que, no feudo do PMDB e do PTB, o ímpeto da “faxina” da presidente parece não ter fôlego para prosperar.

O desdém da presidente da República por zelar pelo bem público contrasta com sua dedicação a detalhes insignificantes do dia a dia de governo. Já virou folclore em Brasília o afinco com que Dilma se lança a conferir listas de convidados, de passageiros de voos presidenciais e de ingredientes de menus servidos em solenidades.

Também viceja entre seus subordinados o incômodo por ver projetos importantes mantidos na gaveta em razão da demora da presidente em dar-lhes aval, como mostrou ontem O Estado de S.Paulo. Igualmente inquietante é a forma deselegante com que Dilma trata os integrantes de sua equipe, desde ministros a assessores, de acordo com o que divulgou O Globo.

O que se tem de concreto é uma presidente atrapalhada com as lides cotidianas do mais importante cargo da República. Dilma dedica atenção demais ao que merece importância de menos. Naquilo que realmente interessa – varrer a sujeira da corrupção para fora do aparelho estatal e punir corruptos e corruptores – suas intenções manifestas não correspondem aos fatos. Neste governo, falta sabão e escovão e sobra saliva.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Colheita bichada

O Congresso retoma os trabalhos nesta semana com uma triste constatação: o rol de denúncias de corrupção a investigar no governo federal só cresceu ao longo dos últimos dias. O Ministério dos Transportes, mais especificamente o Dnit, continua funcionando como uma usina de irregularidades, mas já encontra concorrentes à altura na Esplanada.

Neste fim de semana, foi a vez do Ministério da Agricultura estrear na ribalta de escândalos do governo Dilma Rousseff. Em entrevista à revista Veja, Oscar Jucá, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a corrupção na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) “é pior do que no Dnit”.

O padrão repete-se: loteamento de órgãos públicos para desviar recursos para partidos políticos aliados ao petismo. No caso da Agricultura, o PMDB e o PTB. O ministro Wagner Rossi, segundo Oscar Jucá, comandaria o esquema e teria, inclusive, lhe ofertado propina em troca de silêncio. O que é certo nesta história é que nela não há querubins.

A colheita bichada não é, porém, exclusividade da Agricultura. A revista IstoÉ revelou outra central de falcatruas: o Ministério das Cidades. Feudo do PP, a pasta dispõe de orçamento com nada menos que R$ 7,6 bilhões em investimentos previstos para este ano. É a terceira maior cifra da Esplanada e alvo de cobiça dos comensais do condomínio petista.

O ministério dominado pelo Partido Progressista é acusado de liberar verba para obras consideradas irregulares pelo TCU. Obras tocadas por empresas que fizeram generosas doações eleitorais para os “progressistas”. A ponte entre o Ministério das Cidades e os pepistas não poderia ser mais concreta: o secretário nacional de Saneamento da pasta e o tesoureiro do PP são a mesma pessoa, Leodegar Tiscoski.

Há muito tempo não se via tantas rapinagens incrustadas na máquina pública. O PT ressuscitou um modus operandi que a sociedade conseguira extirpar do aparato estatal, ou pelo menos reduzira muitíssimo, com a depuração que se seguiu ao regime militar, aos anos de descalabro do governo José Sarney e à verdadeira farra do boi protagonizada por Fernando Collor. Está tudo de volta, piorado.

São raros os órgãos públicos que não obedecem hoje à lógica do loteamento político. O interesse público foi inteiramente submetido à dominação partidária. O poder foi tomado de assalto e sai-se melhor quem consegue pilhar mais. Não há faxina cosmética que dê conta disso.

Em sua edição de ontem, o jornal O Globo mostrou mais instituições públicas soterradas em escândalos. O BNB está sob domínio de petistas cearenses envolvidos em negócios suspeitos. Generoso com devedores, o banco deixou de cobrar dívidas de R$ 1,5 bilhão.

Já a Codevasf é disputada por petistas e socialistas piauienses por administrar a bilionária obra da transposição do rio São Francisco. O que atrai os comensais é um contrato de R$ 3,9 bilhões que deve ser engordado em pelo menos mais R$ 1 bilhão por conta de aditivos – a melhor oportunidade de negociata que existe na praça.

Completa a lista d’O Globo a Funasa. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm em mãos munição para investigar desvios de recursos na compra de combustível e no pagamento de horas de voo na região amazônica, sem contar gastos irregulares em convênios sem prestação de contas do órgão.

Mas o Dnit, claro, não poderia ficar fora da nova leva de irregularidades. Segundo a edição de domingo de O Estado de S.Paulo, obras administradas pelo órgão já encareceram R$ 2,6 bilhões, muitas delas acima do limite legal de 25%. Entre 1.807 contratos ativos, 107 apresentam aditivos que duplicaram o valor inicial dos contratos.

É certo que os parlamentares gostariam de se dedicar a uma agenda que impulsionasse o desenvolvimento do país e o preparasse melhor para as tempestades que se avizinham. Mas ela não existe. Não há avanço possível sob o peso da corrompida estrutura estatal que mina o poder público. Só uma limpeza geral, do primeiro ao último escalão, poderia dar conta disso.