Ninguém esperava que seria fácil. Mas poucos podiam imaginar que seria tão complicado o início do novo governo. Além de uma herança maldita capaz de transformar a vida de qualquer gestão num verdadeiro inferno, a administração Michel Temer está tendo de lidar com as consequências de suas próprias escolhas.
A saída de Romero Jucá do Ministério do Planejamento é, até agora, o evento de maior desgaste destas duas primeiras semanas de um governo que não teve trégua. Representa, contudo, uma atitude positiva e pode significar um acerto importante a indicar rumo mais sólido para os próximos passos do presidente em exercício.
Temer agiu como seus antecessores imediatos jamais agiram: afastou de pronto um auxiliar importante flagrado em conversas inconvenientes e inadequadas. Deu sinal claro de que não compactua com qualquer tentativa que venha a existir – se é que virá – de frear o ímpeto investigatório da Operação Lava Jato.
O presidente em exercício reagiu conforme os anseios daqueles que comemoraram sua ascensão ao topo do poder no Brasil. Agisse de maneira diferente, estaria repetindo seus antecessores petistas no cargo, que costumavam culpar o mensageiro pelos conteúdos indigestos das mensagens. Quantas vezes, ao longo destes 13 anos, o PT não passou a mão na cabeça de suspeitos?
Afastado do cargo, Romero Jucá terá oportunidade de explicar suas declarações e deixar claro a que efetivamente se referia. E o Ministério do Planejamento poderá sair da linha de tiro para cuidar do papel importante que lhe espera nesta hora: reconstruir os alicerces do Estado nacional destruído pelas gestões de Lula e de Dilma Rousseff.
Sobre as investigações, espera-se que prevaleça o respeito incondicional às exigências da sociedade brasileira: a continuidade do combate irrestrito à corrupção. Aliás, não há quem, em sã consciência, possa imaginar que haverá como barrar o trabalho até aqui exemplar feito por instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça.
Sobre este aspecto, vale lembrar o primeiro ponto da carta de princípios que a Executiva nacional do PSDB divulgou no início do mês para nortear sua posição em relação ao novo governo.
Em seu item inicial, diz ela: “É imperativo que o novo governo assegure expressamente que todas as investigações em curso – em especial as empreendidas no âmbito da Operação Lava Jato com foco no combate à corrupção – terão continuidade, sem serem submetidas a constrangimentos de quaisquer naturezas. Também estará garantida a independência funcional dos órgãos de controle externo e interno, como CGU e TCU, e de investigação e persecução criminais, como a Polícia Federal e o Ministério Público.” Que assim seja.
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quarta-feira, 25 de maio de 2016
sábado, 21 de maio de 2016
Bombas-relógio
Passada uma semana desde a ascensão de Michel Temer à presidência da República, o legado deixado pelo PT vai ganhando contornos mais nítidos. Se o conjunto do estrago já era relativamente conhecido, o tamanho da devastação ainda é uma incógnita. A gestão Dilma deixou de presente para os brasileiros uma série de bombas-relógio prestes a detonar.
O contorno da herança maldita é fornecido pela extensão do rombo nas contas públicas estimado para este ano. Numa espécie de viagem ao fundo do poço, a meta fiscal que começou num superávit de R$ 24 bilhões caminha para um déficit que oscila entre R$ 180 bilhões e R$ 200 bilhões. Deste desequilíbrio monstro, raiz do impeachment de Dilma, decorrem as demais impropriedades.
Um a um, os novos ministros vão se deparando com o esfarrapado espólio petista. Tem de tudo um pouco: de muita conta errada e orçamentos inchados a bondades salariais fora de hora; de malandragens na batalha de comunicação a sabotagens abertas contra a transparência e o interesse público. São como jabutis em copa de árvore.
No Ministério das Cidades, Bruno Araújo encontrou milhares de promessas do Minha Casa Minha Vida que não tinham um saco de cimento para parar em pé. Voltados à modalidade criada para atender “entidades”, ou seja, satélites do PT, os contratos foram assinados a toque de caixa nos últimos dias do governo Dilma – varando, inclusive, fins de semana. Como não há um centavo no cofre para custeá-los, foram agora congelados.
A área de comunicação foi pródiga em presentes de grego. Nove dias antes do impeachment, a presidente afastada nomeou um novo diretor-presidente para a EBC, a estatal que cuida da comunicação de governo, a despeito de seu imutável traço de audiência. O petismo pretendia manter Ricardo Melo à frente do aparelho de propaganda oficial pelos próximos quatro anos, mas ele foi, agora, afastado. Ao mesmo tempo, em apenas cinco meses a antiga gestão zerou o caixa de publicidade para este ano, numa autêntica tática de terra arrasada.
Mas, do ponto de vista financeiro, tudo isso é fichinha perto de alguns acordos salariais que a gestão petista assinou – literalmente – nas horas finais da administração Dilma, no mesmo instante em que o Senado já votava o afastamento dela. Foram contemplados quase 75 mil servidores com reajustes de até 28% nos vencimentos. O novo governo estuda não bancar a bondade feita com chapéu alheio.
Nem arquivos de computador se livraram da devastação: o Palácio do Planalto simplesmente apagou registros de quem transitou pelos gabinetes petistas nos últimos tempos, certamente porque tem muito a esconder. Trata-se, em suma, da postura de guerrilha de um governo que deixou o poder pela porta dos fundos, sem sequer transmitir cargos à administração que chegava. Quem, afinal, são os golpistas nesta história?
O contorno da herança maldita é fornecido pela extensão do rombo nas contas públicas estimado para este ano. Numa espécie de viagem ao fundo do poço, a meta fiscal que começou num superávit de R$ 24 bilhões caminha para um déficit que oscila entre R$ 180 bilhões e R$ 200 bilhões. Deste desequilíbrio monstro, raiz do impeachment de Dilma, decorrem as demais impropriedades.
Um a um, os novos ministros vão se deparando com o esfarrapado espólio petista. Tem de tudo um pouco: de muita conta errada e orçamentos inchados a bondades salariais fora de hora; de malandragens na batalha de comunicação a sabotagens abertas contra a transparência e o interesse público. São como jabutis em copa de árvore.
No Ministério das Cidades, Bruno Araújo encontrou milhares de promessas do Minha Casa Minha Vida que não tinham um saco de cimento para parar em pé. Voltados à modalidade criada para atender “entidades”, ou seja, satélites do PT, os contratos foram assinados a toque de caixa nos últimos dias do governo Dilma – varando, inclusive, fins de semana. Como não há um centavo no cofre para custeá-los, foram agora congelados.
A área de comunicação foi pródiga em presentes de grego. Nove dias antes do impeachment, a presidente afastada nomeou um novo diretor-presidente para a EBC, a estatal que cuida da comunicação de governo, a despeito de seu imutável traço de audiência. O petismo pretendia manter Ricardo Melo à frente do aparelho de propaganda oficial pelos próximos quatro anos, mas ele foi, agora, afastado. Ao mesmo tempo, em apenas cinco meses a antiga gestão zerou o caixa de publicidade para este ano, numa autêntica tática de terra arrasada.
Mas, do ponto de vista financeiro, tudo isso é fichinha perto de alguns acordos salariais que a gestão petista assinou – literalmente – nas horas finais da administração Dilma, no mesmo instante em que o Senado já votava o afastamento dela. Foram contemplados quase 75 mil servidores com reajustes de até 28% nos vencimentos. O novo governo estuda não bancar a bondade feita com chapéu alheio.
Nem arquivos de computador se livraram da devastação: o Palácio do Planalto simplesmente apagou registros de quem transitou pelos gabinetes petistas nos últimos tempos, certamente porque tem muito a esconder. Trata-se, em suma, da postura de guerrilha de um governo que deixou o poder pela porta dos fundos, sem sequer transmitir cargos à administração que chegava. Quem, afinal, são os golpistas nesta história?
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Partido do Terror
Dilma Rousseff vai sendo aos poucos relegada a pé de página de jornal, o espaço que a história lhe reservará em razão do desastre a que conduziu o Brasil. Mas seu partido não se mostra nem um pouco disposto a depor armas. O PT pretende transformar os dias do futuro governo num inferno. É a estratégia do terror de quem sempre conviveu mal com a democracia.
Ao longo de todo o processo do impeachment, os petistas deixaram evidente sua repulsa aos preceitos do Estado democrático de direito. De forma insistente, tentaram – ainda tentam – tachar de “golpe” um processo plenamente amparado na Constituição. Prometem agora fazer a presidente, uma vez afastada, rodar o mundo para vender sua tese golpista e, assim, denegrir ainda mais a já devastada imagem do país no exterior.
Mas o desapreço pela convivência democrática vai muito além. Numa reunião ontem, um dos ministros de Dilma, o presidente do PT e a bancada do partido na Câmara definiram procedimentos para a desocupação da Esplanada dos Ministérios. A ordem é tumultuar a transição de poder para o sucessor. Mais parecem as estratégias do MST: destruir tudo o que encontrar pela frente antes de desocupar as terras que invade.
Governos de transição são uma tradição do Brasil democrático. Assim foi, por exemplo, quando Fernando Henrique preparou-se para transferir a faixa presidencial para Lula. Tudo precedido de criteriosa passagem de bastão entre as equipes ministeriais, com regras fixadas em decreto. “Seriedade e transparência” foi a ordem dada pelo presidente tucano para nortear a transição, segundo registraram os jornais à época.
Mas sujeitar-se a regras de civilidade e aos ditames da alternância de poder não é com o PT. Na transição para Michel Temer, “ninguém vai sair bagunçando gabinetes, mas não vamos entregar tudo de mão beijada”, disse um petista palaciano ao Valor Econômico. “Até arquivos com dados estratégicos da administração estariam sendo apagados”, informa O Estado de S. Paulo. Nestas duas frases se condensa o retrocesso também institucional a que o país foi submetido nestes 14 anos pelo petismo.
Tudo muito coerente com a herança maldita que Dilma deixará a seu companheiro de chapa. Como se não bastasse o cenário de terra arrasada que o governo petista legará a seu sucessor, a presidente também se prepara para editar medidas de última hora para constranger o governo entrante, parte delas capazes de piorar ainda mais a situação das contas públicas. O compromisso com o país – mais uma vez é evidente – é nenhum.
A história é conhecida e ora novamente se repete: sempre que teve que optar entre o partido e o país, o PT ficou com o PT. E dane-se o resto, seja a Constituição, a democracia ou os interesses maiores do povo brasileiro. A ordem unida dos partidários de Lula, Dilma, dos mensaleiros e beneficiários do petrolão é clara: sabotar o Brasil. Sempre.
Ao longo de todo o processo do impeachment, os petistas deixaram evidente sua repulsa aos preceitos do Estado democrático de direito. De forma insistente, tentaram – ainda tentam – tachar de “golpe” um processo plenamente amparado na Constituição. Prometem agora fazer a presidente, uma vez afastada, rodar o mundo para vender sua tese golpista e, assim, denegrir ainda mais a já devastada imagem do país no exterior.
Mas o desapreço pela convivência democrática vai muito além. Numa reunião ontem, um dos ministros de Dilma, o presidente do PT e a bancada do partido na Câmara definiram procedimentos para a desocupação da Esplanada dos Ministérios. A ordem é tumultuar a transição de poder para o sucessor. Mais parecem as estratégias do MST: destruir tudo o que encontrar pela frente antes de desocupar as terras que invade.
Governos de transição são uma tradição do Brasil democrático. Assim foi, por exemplo, quando Fernando Henrique preparou-se para transferir a faixa presidencial para Lula. Tudo precedido de criteriosa passagem de bastão entre as equipes ministeriais, com regras fixadas em decreto. “Seriedade e transparência” foi a ordem dada pelo presidente tucano para nortear a transição, segundo registraram os jornais à época.
Mas sujeitar-se a regras de civilidade e aos ditames da alternância de poder não é com o PT. Na transição para Michel Temer, “ninguém vai sair bagunçando gabinetes, mas não vamos entregar tudo de mão beijada”, disse um petista palaciano ao Valor Econômico. “Até arquivos com dados estratégicos da administração estariam sendo apagados”, informa O Estado de S. Paulo. Nestas duas frases se condensa o retrocesso também institucional a que o país foi submetido nestes 14 anos pelo petismo.
Tudo muito coerente com a herança maldita que Dilma deixará a seu companheiro de chapa. Como se não bastasse o cenário de terra arrasada que o governo petista legará a seu sucessor, a presidente também se prepara para editar medidas de última hora para constranger o governo entrante, parte delas capazes de piorar ainda mais a situação das contas públicas. O compromisso com o país – mais uma vez é evidente – é nenhum.
A história é conhecida e ora novamente se repete: sempre que teve que optar entre o partido e o país, o PT ficou com o PT. E dane-se o resto, seja a Constituição, a democracia ou os interesses maiores do povo brasileiro. A ordem unida dos partidários de Lula, Dilma, dos mensaleiros e beneficiários do petrolão é clara: sabotar o Brasil. Sempre.
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