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sábado, 19 de agosto de 2017

No pó da estrada

Pode ainda parecer pouco, mas há muito tempo não saia uma fornada tão recheada de indicadores positivos apontando ares melhores na economia brasileira. Não é nada trivial retirar a atividade do abismo em que foi colocada pelo PT, mas o pior da crise patrocinada por Lula, Dilma & Cia está ficando na poeira.

A atividade começa a reagir de forma mais disseminada, com efeitos positivos também onde a recuperação mais precisa ser sentida: na geração de empregos. Vendas no varejo estão em alta, assim como a indústria e os serviços, sempre de acordo com as pesquisas conjunturais feitas pelo IBGE. Falta ainda os investimentos reagirem.

Poderão ser suficientes para decretar a estabilidade do PIB no segundo trimestre, mais ou menos em linha com a leve alta de 0,25% que o Banco Central divulgou ontem. No entanto, ainda são cisco perto do estrago que precisamos superar: são mais de 7% de retração do PIB e perda de mais de 10% da renda média dos brasileiros acumulados ao longo de três anos.

Qualquer crescimento econômico neste ano já será feito notável. Com as projeções se concentrando em torno de uma alta de 0,3% a 0,5% na economia até dezembro, trata-se de uma recuperação de cerca de quatro pontos do PIB em apenas um ano. Até a distribuição de renda melhorou, estimou a FGV, segundo o Valor Econômico. Não é pouca coisa.

Quando o IBGE divulgou o resultado da economia no primeiro trimestre, as leituras correntes à época davam conta de que aquela alta de 1%, ainda muito dependente da agropecuária, seria mero espasmo, com previsão de o PIB voltar a cair nos três meses seguintes. Não foi o que efetivamente aconteceu. O resultado oficial será conhecido em 1° de setembro, mas a atividade mostrou ter resistido até à crise política fabricada a partir de maio.

Não é caso, óbvio, de euforia. Longe disso. Há um longo e pedregoso caminho pela frente para que o país retome um ritmo de produção compatível com as necessidades de quem tem que gerar vagas para 13,5 milhões de pessoas hoje ainda desempregadas e 26,3 milhões de brasileiros sem trabalho adequado, conforme o IBGE mostrou ontem.

Isso torna ainda mais impositiva, até para evitar a explosão da dívida e das finanças públicas, a agenda de ajustes e reformas contra as quais forças irresponsáveis – ou mesmo incendiárias, como as ligadas ao antigo governo – se insurgem no Congresso. Para ir mais longe, será preciso muito mais. O esforço para acelerar está apenas começando. Não atrapalhar já ajudará bastante.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O trator da retomada

Dentro de mais duas semanas, o país saberá oficialmente se o PIB parou de cair, depois de quase três anos afundando. Os primeiros sinais são positivos e sugerem que a pior recessão da história finalmente pode ter acabado. O trator da retomada está no Brasil profundo do interior.

Ontem o Banco Central divulgou seu índice de atividade relativo ao primeiro trimestre, que funciona como prévia aproximada do PIB calculado pelo IBGE, a ser conhecido em 1° de junho. A economia cresceu 1,12%, após oito trimestres consecutivos de baixa – pela série do IBGE, a queda atual é mais duradoura, de 11 trimestres.

Qualquer que seja o resultado oficial, será certamente um alento perto de onde estava a economia brasileira um ano atrás: no primeiro trimestre de 2016, a atividade caiu mais de 6%. É um salto e tanto, como analisa Sergio Vale, da MB Associados, n’O Estado de S. Paulo.

Não há consenso sobre se a retomada que despontou nos três primeiros meses do ano será mantida no trimestre seguinte – em março, já houve recuo de 0,44% na atividade sobre fevereiro.

Investidores, empresas e consumidores ainda estão ressabiados com a continuidade do crescimento econômico, ainda muito depende de uma agenda de reformas difíceis de serem aprovadas no Congresso. Também por isso, a recuperação em marcha é gradual, paulatina e moderada.

Do que não restam dúvidas, contudo, é sobre a força do setor primário da economia brasileira. O agro está bombando.

O Brasil está colhendo neste ano a maior safra de grãos de sua história. As reestimativas de produção se sucedem, sempre trazendo novas altas. O campo cada vez surpreende mais.

Devem ser colhidas algo em torno de 233 milhões de toneladas de grãos até julho, segundo o IBGE e a Conab. Isso equivale a alta de mais de 25% sobre o volume produzido no último ano-safra, quando o país experimentou a primeira queda de produção desde 2009.

O Brasil produz cada vez mais ocupando relativamente áreas cada vez menores. Isso traduz-se em atuar em consonância com os preceitos da sustentabilidade. Significa também comida mais barata na mesa dos brasileiros – e de gente espalhada pelo mundo todo.

O campo produz hoje 150% mais do que produzia no início da década de 1990 – data considerada marco na mudança de padrões da produção agrícola nacional. Significa que, mantido aquele nível de produtividade, o Brasil precisaria de mais 84 milhões de hectares para colher o que colhe hoje. É simplesmente mais que o dobro da área de 60 milhões de hectares atualmente ocupada pela lavoura nacional.

A agropecuária brasileira tornou-se paradigma de produtividade mundial. Muito diferente dos demais setores da nossa economia, em que a produtividade média, na melhor das hipóteses, ficou estagnada ao longo dos últimos anos. Não é difícil enxergar: o campo aponta o caminho a seguir.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vira, virou

Quase um ano depois de se livrar do PT, o país começa a colher bons frutos na economia. Indicadores recentes sugerem que a recessão pode ter chegado ao fim no trimestre terminado em março. Até agora, a melhoria pode ser creditada mais à mudança de ares e de posturas; o trabalho árduo vem doravante.

A economia teve desempenho surpreendente em fevereiro, segundo divulgou ontem o Banco Central. O IBC-Br, que funciona como aproximação prévia do PIB oficial, indicou alta de 1,3% na atividade em relação ao mês anterior. É a segunda elevação seguida nesta base de comparação, o que chancela a perspectiva de um trimestre positivo: o dado de janeiro foi revisado de uma queda de 0,26% para alta de 0,62%.

Na semana passada, o IBGE também havia recalculado as estatísticas referentes aos serviços e ao comércio relativas ao mês de janeiro. Ambas passaram do terreno negativo para variações positivas, em razão de mudanças metodológicas: 0,2% e 5,5%, ante recuos anteriores de 2,2% e 0,7%, respectivamente.

O acúmulo de bons resultados evidencia o que a mudança de perspectivas é capaz de promover na economia. Com a saída de Dilma Rousseff, tornada definitiva apenas há pouco mais de sete meses, as expectativas em relação ao país se inverteram, dada a aposta num governo mais responsável e comprometido com reformas, como se mostrou desde o início o de Michel Temer e das forças políticas que o apoiam.

Sim, iniciativas efetivas importantes foram tomadas, e valem ser relembradas. A maior delas até aqui é a imposição de um teto para os gastos públicos, a fim de evitar que a sucessão de rombos se perpetue nos orçamentos dos governos – em seis anos, a soma dos déficits irá superar a economia prevista com a reforma da Previdência.

Mas houve outras, como a mudança do marco legal do pré-sal, com a perspectiva de destravar investimentos neste importante setor da economia, a liberação de recursos do FGTS e a regulamentação da terceirização. Fora da política, merecem destaque a reforma do ensino médio e a nova base curricular para o ensino fundamental.

A agenda reformista também avançou. Hoje deve ser conhecido o relatório da reforma da Previdência, já fruto de amplo entendimento na Câmara. Na semana passada, veio a público também a proposta de reforma trabalhista e os deputados ainda se debruçam sobre as sempre aguardadas mudanças no nosso sistema tributário. É muito e precisa avançar, porque esta é a parte realmente árdua das mudanças.

O país pode estar deixando para trás a mais prolongada e mais sombria recessão de toda a sua história. Foram 11 trimestres, ou quase três anos, com a economia diminuindo, o desemprego aumentando – o que ainda não cessou – e a população empobrecendo. Parece que finalmente estamos virando esta página mal escrita pelo PT. Será lento, será gradual, mas já começou.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mais um prego no caixão

A primeira prévia de que a economia brasileira continua derretendo, como já se temia, foi confirmada nesta manhã pelo Banco Central. A atividade voltou a cair em outubro, pelo quarto mês seguido. A recessão caminha a passos largos para completar seu terceiro aniversário, a mais longa e profunda da nossa história.

Segundo o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), a economia nacional recuou 0,48% em outubro, inaugurando o último trimestre do ano com novas baixas. No acumulado em 12 meses, o PIB brasileiro, segundo este mesmo indicador, diminuiu 5,29%.

O índice do BC é apenas uma aproximação das contas nacionais oficiais, calculadas e divulgadas pelo IBGE. Só em fins de fevereiro ou início de março do ano que vem será possível saber com precisão qual terá sido o tamanho do tombo do PIB brasileiro neste ano.

Um resumo parcial da recessão, que já dura dez trimestres, mostra que a soma de bens e serviços produzidos no país já decaiu 8,3% desde o início da crise. O ano caminha para fechar com recuo próximo de 3,5%, de acordo com as estimativas reunidas pelo BC por meio do Boletim Focus, e que se soma aos 3,8% do tombo anotado em 2015.

Para 2017, o tênue otimismo que existia foi aos poucos sendo substituído por um realismo eivado de apreensão e ceticismo. Segundo a mesma fonte de aferição do BC, há oito semanas consecutivas os prognósticos para o próximo ano vêm mergulhando e encontram-se agora em 0,7%, o que para muitos ainda é um cenário considerado benigno.

A crise deve ser medida nos seus efeitos mais diretos sobre a vida dos brasileiros. Nesse sentido, é significativo que a queda da renda per capita – ou seja, a estimativa de toda a riqueza nacional dividida pelo total de habitantes do país – já supere o tombo da “década perdida” dos anos 1980 e 1990. Chega a 10,3% desde o segundo trimestre de 2014.

Do lado do mercado de trabalho, a crise atual também é a mais feia da história. No início desta semana, o Valor Econômico noticiou pesquisa feita por uma dupla de professores da FGV segundo a qual a taxa de desemprego vigente é a maior no país desde pelo menos 1992, ou seja, desde quando há estatísticas passíveis de serem comparadas.

Os 11,8% atuais batem as marcas registradas nas crises de 1998, de 2003 e de 2009, anteriormente as datas com maiores patamares de desemprego aferidos pelo IBGE por meio das pesquisas PME, Pnad e Pnad Contínua. Os pesquisadores apostam que o índice ainda vai subir mais até chegar a 12,2%. Em abril passado, o Instituto Teotônio Vilela já havia mostrado que o Brasil se tornara, em 2015, o país que mais desemprega em todo o mundo.

Este acúmulo de indicadores negativos apenas salienta o tamanho da destruição de que o Brasil está sendo vítima. Colhem-se hoje os efeitos retardados das más políticas levadas adiante pelo PT ao longo de 13 anos em que quase nada se reformou e muito se arruinou no país. A tarefa da reconstrução, vê-se a cada dia, será árdua.

sábado, 16 de julho de 2016

Um longo caminho pela frente

A decantada retomada da economia deverá demorar mais tempo do que o desejado. A recuperação que todos anseiam ver em qualquer pequeno detalhe de esparsas melhoras na paisagem, infelizmente, ainda não passa de miragem. Será longa a escalada depois que atingirmos o fundo do poço.

Ontem, veio mais uma confirmação de que a atividade econômica continua descendo a rampa. Em maio, o IBC-Br, calculado pelo Banco Central e que funciona como prévia do PIB, voltou a registrar retração, depois de breve suspiro de alta em abril. Houve nova queda, desta vez de 0,51%. Em 17 meses, foi a 16ª retração e o pior resultado desde 2010.

Com o resultado, ficam praticamente chanceladas as previsões de que o PIB brasileiro teve novo trimestre de baixa entre abril e junho passado. Teremos completado dois anos de recessão, com quedas em praticamente todos os trimestres – a única exceção foram os últimos três meses de 2014, de estabilidade.

Na realidade, até agora o país apenas recuperou a confiança para acreditar que a situação não deve piorar mais do que já piorou. Na prática, temos apenas a constatação de que nada pode ser pior do que um governo de Dilma Rousseff. Embora, formalmente, esta ameaça ainda não tenha sido de todo afastada, ninguém acredita que a insanidade da volta dela ao poder possa ocorrer.

Nem tudo é desesperança. Em alguns aspectos, a economia do país já começou a obter bons resultados. É o caso, por exemplo, do comércio exterior. A balança acumula saldo de US$ 25 bilhões até a segunda semana deste mês, num salto de quase dez vezes em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o déficit externo também caminha para o melhor resultado em quase uma década.

Parte destes resultados, no entanto, deve-se a um fator negativo: a recessão. Como o consumo, o investimento e a atividade como um todo caem, o país compra menos do exterior e as importações despencam, ajudando a fechar a conta externa. No ano, as importações recuam 28%, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

De todo modo, só será possível comemorar alguma recuperação econômica e uma maior esperança em relação ao futuro quando o mercado de trabalho deixar de demitir, quando a renda das famílias parar de cair, quando a riqueza produzida pelo país voltar a crescer. Sem isso, qualquer sintoma positivo será apenas sonho de uma noite de inverno.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O tamanho do estrago

Saiu nesta manhã o primeiro indicador oficial sobre o desempenho da economia brasileiro no ano passado. A fotografia revelada é horrorosa, como há décadas não se via. O mais preocupante é que a viagem buraco abaixo continua, sem um fim à vista.

Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.

A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).

Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.

Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.

Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.

2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.

Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.

São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Está dura a vida

Ao longo dos últimos anos, foram várias as ocasiões em que se julgou que o Brasil atingira o fundo do poço. Para desalento geral, o pior sempre esteve por vir. Assim permanecemos. O país continua retrocedendo, sem enxergar no governo da presidente Dilma ações capazes de alterar as perspectivas.

Por onde se olha, percebem-se evidências da crise. A fila do desemprego, por exemplo, só aumenta. Nesta manhã, o IBGE divulgou sua pesquisa sobre mercado de trabalho relativa a outubro. Mais uma vez, a deterioração nas condições de ocupação e renda se acentuou. A taxa de desemprego subiu para 7,9%, a mais alta para o mês desde 2007.

Em 12 meses, o número de pessoas sem emprego aumentou em 771 mil. Nunca antes na série do IBGE, iniciada em 2002, houvera salto tão grande entre um ano e outro: o contingente de desempregados cresceu 67% no país – em São Paulo e Belo Horizonte, subiu mais de 80% em apenas um ano.

Não é só o emprego que escasseia. A renda de quem consegue manter-se ocupado também decai. Em um ano, o rendimento médio dos trabalhadores diminuiu 7%, já descontada a inflação do período – ou seja, em termos nominais, a baixa se aproxima de 17%.

Levantamento feito pelo banco Santander projeta dois anos seguidos de redução na massa salarial dos trabalhadores, considerando apenas as seis principais regiões metropolitanas do país. Isso significa R$ 42 bilhões a menos no bolso dos brasileiros. A tendência é a baixa já registrada neste ano se acentuar no ano que vem.

O emprego é o componente mais explícito de uma crise de largas proporções. Daqui a pouco mais de dez dias, o IBGE divulgará o resultado do PIB brasileiro no terceiro trimestre. Uma coisa já é certa: não será nada bom.

A prévia do PIB anunciada ontem pelo Banco Central mostrou baixa de 1,4% no período, ante o trimestre anterior. O país caminha para três anos de recessão, o que não acontecia desde os anos 1930. É muito tempo perdido.

Confirmados os números do BC, a economia brasileira estará agora em patamar inferior ao que estava quatro anos atrás, calculou a Folha de S.Paulo. Em termos per capita, ou seja, a renda dividida por indivíduo, o retrocesso será ainda mais acentuado, com baixas seguidas ao longo dos próximos anos até atingir, em 2020, o mesmo nível de 2010.

O problema maior é que não se vislumbram iniciativas capazes de recolocar o país no rumo do qual se desvirtuou. As experiências postas em prática nos últimos anos se mostraram um fracasso retumbante e o governo de turno não exibe capacidade mínima de convencer os agentes econômicos de que sabe o que fazer e tampouco para onde ir. À deriva, o Brasil ainda aguarda dias melhores, com a certeza de que, com o governo que aí está, eles nunca chegarão.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Em queda livre

A economia brasileira vai de mal a pior. Em plena recessão, a atividade parou, os investimentos desapareceram e o desemprego decolou de vez, enquanto o governo assiste à crise se agravar. As medidas tomadas até agora em Brasília ou aprofundaram o arrocho ou ressuscitaram políticas fracassadas. Este buraco parece não ter fundo.

A crise econômica atual tem dimensões que a caracterizam como a mais grave das últimas décadas. O desempenho do Brasil com Dilma Rousseff só encontra paralelo na história recente na desastrosa gestão de Fernando Collor, eleito em 1989 e afastado da presidência da República em 1992. Ou seja, a petista é a pior mandatária em mais de 20 anos.

Mas a atual situação tem traços ainda mais ruinosos. Desde a semana passada, tornou-se consenso entre os analistas econômicos que a economia brasileira não irá recuar apenas neste ano. O PIB deve cair também em 2016. Caso se confirme, será a primeira vez que isso acontece desde a chamada Grande Depressão, a crise econômica mundial da década de 1930.

Semana após semana, os prognósticos ficam cada vez mais sombrios. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, desta semana, a aposta majoritária é de que a economia afundará 2,06% neste ano e 0,24% em 2016. Há quem preveja cenário bem pior: a FGV, por exemplo, já cogita uma queda de até 3% no PIB brasileiro até dezembro.

Na próxima sexta-feira (28), será conhecido o resultado do PIB do segundo trimestre do ano. Embora não se saiba que número sairá da contabilidade do IBGE, uma coisa é certa: a queda da produção de bens e serviços terá sido bastante feia, superando com folga a baixa de 0,2% registrada no país nos primeiros três meses de 2015.

Na semana passada, o BC divulgou seu levantamento mensal, que funciona como espécie de prévia do índice oficial. O resultado foi uma queda de 1,9% no trimestre, que se seguiu ao tombo verificado nos três primeiros meses do ano (0,9%, segundo o IBC-Br). Resultado: tecnicamente falando, o Brasil já está, de novo, em recessão.

Se o quadro em voga é ruim, piores ainda são as perspectivas. Desde a reeleição, Dilma e sua equipe econômica só conseguiram aprofundar a recessão por meio das medidas tomadas para corrigir a montanha de erros do primeiro mandato. Na semana passada, quando resolveu variar o cardápio, ressuscitou iniciativas que aumentam a intervenção do Estado na economia. Sem chance de dar certo.

O problema é que a presidente da República não tem para entregar o principal ingrediente de uma economia que precisa sair da crise: credibilidade. Sem confiança no futuro, sem crença nas regras e sem esperança de que o governo comece a acertar, ninguém se arrisca. Enquanto estivermos neste buraco, os investimentos não acontecerão, a atividade ficará parada e os empregos minguarão ainda mais. O país continuará em queda livre.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sinais da crise

É mais que sabido que as perspectivas para a economia brasileira para este ano não são nada boas. Mas a crise tem se revelado mais grave do que se previa e anuncia-se agora mais extensa do que se temia. É a pior recessão que o país atravessa em mais de duas décadas, sem que se consiga enxergar qualquer lume no fim do túnel.

Assim como o primeiro, o segundo trimestre foi perdido em termos de atividade econômica. Ainda não se conhecem os dados oficiais do IBGE, que só virão a público em fins de agosto, mas a prévia divulgada pelo Banco Central na semana passada, cobrindo o período até maio, mostra que a situação do país é bem ruim.

Nos cinco primeiros meses do ano, o PIB brasileiro ficou 2,6% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, a queda é de 1,7%. De janeiro a maio, houve três quedas mensais e duas altas – a última em maio, de irrisório 0,03%.

Na decomposição do paradeiro, constata-se que todos os setores estão andando para trás, algo que há muito tempo não ocorria no país. A indústria – também não é novidade – derrete, com baixa de quase 9% na produção registrada no ano; há 44 meses, o emprego no setor cai. As vendas do varejo diminuem 2%, indicando a penúria da crise no bolso dos consumidores. E os investimentos, tanto públicos, quanto privados, minguam.

Com isso, a aposta predominante é de que a economia brasileira recue até 2% neste ano. O resultado fará com que o Brasil seja um dos poucos países do mundo a registrar recessão, de acordo com levantamento feito pelo FMI. Trata-se de seleto clube do qual ninguém gostaria de ser sócio.

Ele é composto por: Guiné Equatorial (-15,4%), Serra Leoa (-12,8%), Venezuela (-7%), Ucrânia (-5,5%), Vanuatu (-4%), Rússia (-3,4%), Belarus (-2,3%), Iêmen (-2,2%), Brasil (-1,5%), Libéria (-1,4%), Moldávia (-1%), Armênia (-1%), Brunei (-0,5%), Sérvia (-0,5%), Argentina (-0,3%) e Guiné (-0,3%).

Diante do tamanho do estrago deste ano, um grupo de bancos e consultorias ouvidos por O Estado de S. Paulo na semana passada passou a projetar recessão também no ano que vem, com queda de até 0,6% no PIB.

Na prática, o país se ressente das escolhas equivocadas dos governos petistas, iniciadas por Lula e aprofundadas com Dilma. A correção de rumos em marcha não se mostra capaz de modificar as perspectivas para melhor, uma vez que se baseia num arrocho fiscal rudimentar, calcado no corte de benefícios sociais, diminuição de investimentos públicos e aumento de impostos.

A economia brasileira clama por reformas que oxigenem o ambiente de negócios no país, ampliem a participação do investimento privado nas necessárias obras de infraestrutura e reatem as empresas sediadas aqui às cadeias de produção de caráter global. Trata-se de uma agenda que, sem sombra de dúvida, os governos do PT não têm atributos para cumprir.

sábado, 23 de maio de 2015

A dureza da crise

A crise econômica tem várias nuances, mas nenhuma é mais assustadora que o aumento do desemprego. A falta de trabalho torna-se o preço amargo que milhares de brasileiros são obrigados a pagar, mesmo não tendo nenhuma culpa pelos erros cometidos pelo governo e que ora estão sendo purgados.

Nos últimos meses, cada vez mais pessoas estão enfrentando este dissabor. Desde janeiro, as taxas de desemprego estão aumentando e agora já chegam a 6,4%. O percentual, contudo, dá apenas uma pálida noção da dureza que está se abatendo sobre a economia, e mais especificamente sobre o mercado de trabalho. Nos detalhes, a coisa é bem mais feia.

Apenas neste ano, o exército de desempregados no país aumentou em 500 mil pessoas. Trata-se de alta de 32,7% em relação a abril do ano passado. A escalada ocorrida nos primeiros quatro meses deste ano neste indicador é quase cinco vezes maior que a registrada no mesmo período do ano passado, de acordo com o IBGE.

Não é apenas o emprego que some; para piorar, a renda também cai. Desde novembro do ano passado, a renda domiciliar per capita já diminuiu quase 6% em termos reais. Ou seja, a inflação vem em ascensão e, além de corroer o salário do trabalhador, encurta ainda mais o dinheiro que sobra (ou melhor, falta) no bolso.

Quando a análise do desemprego é fragmentada, revela situações ainda mais dramáticas. Por exemplo: em Salvador, a taxa média já chega a 11,3%, padrão de economias em séria crise. Entre os jovens é pior ainda: na faixa de 18 a 24 anos de idade, vai a 16,2% na média nacional, atingindo quase 26% entre os da capital baiana.

A realidade é que o Brasil já está vivendo em recessão. Para que isso seja uma formalidade, falta apenas a constatação estatística do IBGE, prevista para ser divulgada na sexta-feira da próxima semana. Até porque, pela estimativa que é feita pelo Banco Central, o pior já aconteceu.

Segundo o IBC-Br, espécie de prévia do PIB, divulgado também ontem, a economia brasileira encolheu 0,8% no primeiro trimestre, depois de já ter caído 0,2% nos últimos três meses de 2014. 

Trata-se, portanto, tecnicamente, de uma recessão, caracterizada por dois trimestres seguidos de queda na produção de riquezas de um país. O governo Dilma já trabalha oficialmente com retração de 1,2% da economia neste ano, a maior em 23 anos.

O fundo do poço, infelizmente, ainda está longe de chegar. Nesta tarde, o governo do PT dá mais uma volta no torniquete do arrocho que impõe ao país, com o anúncio dos cortes que bloquearão investimentos de R$ 70 bilhões em ações como construção de escolas e hospitais. Na hora em que o cidadão mais precisa, o emprego desaparece, o Estado lhe nega a mão e ainda apresenta-lhe a conta de uma crise da qual ele não tem culpa.

sábado, 16 de agosto de 2014

A recessão vem aí

A Copa do Mundo deu um tombo na economia brasileira só comparável ao chocolate que a seleção de Luiz Felipe Scolari sofreu da Alemanha. Com os péssimos resultados registrados em junho, já é praticamente certo que o PIB nacional caiu no segundo trimestre. A recessão pode estar a caminho.

Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.

Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.

Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.

Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.

Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.

Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.

Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.

Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Em marcha lenta

Cortes de juros são sempre bem-vindos. Pena que a oitava queda seguida da taxa básica, decidida ontem pelo Banco Central, seja o reflexo mais evidente das dificuldades que o governo Dilma Rousseff tem tido para impedir que a economia do país desabe de vez. Agora, até o varejo já está desacelerando.

A Selic caiu ontem para 8% ao ano, seu menor patamar histórico. Em termos reais, ou seja, descontando-se a inflação, o juro brasileiro está próximo de 2,3% – ainda assim, o terceiro maior do mundo, atrás apenas de China (3,7%) e Rússia (3,5%).

A previsão dominante é de que os juros brasileiros devem baixar ainda mais para tentar reanimar a nossa moribunda economia. Neste aspecto, a presidente poderá dizer que cumpriu o que prometeu: levou a taxa a pisos impensáveis pouco tempo atrás. Infelizmente, a Selic só cai porque o Brasil está metido num círculo vicioso.

Nesta manhã, o Banco Central divulgou o PIB de maio. O resultado é uma queda de 0,02% sobre abril. Em três meses deste ano e em oito dos 17 primeiros meses da gestão Dilma, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou. Nos últimos 12 meses, a economia brasileira cresceu só 1,39%, segundo o levantamento do BC, que funciona como prévia da estimativa oficial do IBGE.

O mais desagradável é que a marcha lenta, que antes era mais concentrada na indústria, vai se espalhando pelos demais setores. A agricultura vai bastante mal neste ano, menos por culpa do governo, mais por causa de São Pedro, que foi inclemente com a falta de chuva. O campo deixou de ser, pelo menos por ora, um dos motores que sustentava o nosso crescimento.

Agora é a vez de o comércio também ratear. Desde a eclosão da crise, em 2008, o incentivo ao consumo tem sido a mola mestra da economia petista. Funcionou por um tempo, mas enferrujou de uns meses para cá. Dois indicadores divulgados ontem deixam isso muito claro.

O mais relevante foi a queda de 0,8% nas vendas de varejo em maio. É o pior resultado desde novembro de 2008, isto é, desde o auge do paradeiro que se seguiu à quebra do banco americano Lehman Brothers. Caíram, principalmente, as vendas de alimentos, eletrodomésticos e material de construção.

Não é possível dizer, ainda, se se trata de ponto fora da curva virtuosa do comércio ou se já é o começo da descida ladeira abaixo. Mas crescem os sinais de que o modelo petista – se é que pode ser chamado assim – esgotou-se. Até porque o consumidor encontra-se com a corda no pescoço e quer distância de novas dívidas.

Segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada ontem, a inadimplência do consumidor cresceu 19% no semestre. A renda, de acordo com análise feita pela entidade, está comprometida com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e altas (veículos e imobiliárias). É uma situação que periga rumar para o descontrole. O nó apertou.

Não se sabe como o governo federal irá reagir à nova realidade. Nos últimos anos, com Lula e depois com Dilma, executou um samba de uma nota só, que agora está claramente desafinado. Atacar os juros tem sido medida acertada, porém insuficiente. Não adianta consertar uma peça, se toda a engrenagem está falha.

O que tem acontecido é que as medidas necessárias chegam com atraso. Muitas vezes só são tomadas quando o problema já se manifestou ou o desequilíbrio fez novas vítimas pelo caminho. O melhor a fazer seria aproveitar o que há de bom, como a queda dos juros, para estruturar um plano geral para sustentar o desenvolvimento do país. Mas, hoje, isso é apenas uma possibilidade distante.