Quando as descobertas do pré-sal foram divulgadas, uma década atrás, o governo petista as considerou um “bilhete premiado”. Como quem estivesse deitado em berço esplêndido, as riquezas dos imensos poços de petróleo jazeram intocadas ainda por anos, sem produzir bem-estar para a sociedade brasileira. Este tempo está agora ficando no passado.
Na sexta-feira, foram realizadas duas novas rodadas de leilões de reservas do pré-sal. Os resultados superaram em larga margem os de 2013, único certame dos campos ultraprofundos realizado até então. A explicação está na mudança das regras de exploração, que agora incentivam a concorrência e não um virtual monopólio irrealista nas mãos da Petrobras.
O resultado foram ágios de até 673% – pago pela Petrobras, Shell e Repsol – no óleo-lucro oferecido à União. Em alguns campos, cerca de 80% do que for extraído e sobrar como lucro ficará com o Estado brasileiro. No leilão de 2013, foi bem diferente: sem competidores, fora arrecadado apenas o lance mínimo de 41,5%. O que mudou tanto de lá para cá?
A principal alteração foi a lei resultante de projeto apresentado pelo senador José Serra (PSDB-SP) que retirou a obrigatoriedade de a Petrobras participar como operadora de todos os consórcios com percentual mínimo de 30%. Agora a companhia pode escolher o que lhe interessa ou não do ponto de vista comercial. Modificações nas regras de conteúdo local também ajudaram.
As mudanças instigaram o apetite de players globais e atraíram para o imenso e promissor mercado brasileiro empresas que, de forma surpreendente, ainda estavam ausentes, como a Exxon, a maior do mundo. Isso significa investimentos e geração de riqueza, empregos e tributos que financiarão benefícios para a população. Quem há de ser contra?
A estimativa é de que os investimentos nos poços leiloados na sexta-feira alcançarão R$ 100 bilhões ao longo dos 30 anos do período de concessão – cada bilhão é capaz de gerar 25 mil empregos, conforme a Abespetro. Contudo, a razia decorrente dos erros dos governos do PT ainda deve fazer de 2018 o ano de mais baixa atividade de perfuração no país em três décadas.
O pré-sal já é uma potência produtora. Responde hoje por mais da metade do petróleo extraído no país. Apressados tentarão dizer que é o prêmio do bilhete deixado pelo PT... Alto lá! Os campos que hoje produzem são, todos eles, licitados à época do governo Fernando Henrique pelo regime de concessão. Nenhuma gota pingou até hoje do poço ofertado pelo sistema de partilha em 2013.
Esta é, aliás, a grande batalha que se anuncia a partir da exitosa retomada dos leilões de petróleo. O país tende a ganhar se voltarmos integralmente ao sistema de concessões. Por quê?
Neste, de imediato o Estado arrecada uma bolada, na forma de bônus de assinatura, com os lances dados em leilão pelas empresas interessadas. Ganha quem paga mais. No caso dos leilões de sexta-feira, especialistas estimam que, se estivesse em vigor a concessão, a arrecadação poderia ter subido a cerca de R$ 40 bilhões, limpos, na boca do caixa – quase sete vezes mais que os R$ 6,15 bilhões registrados.
Alguns poderão argumentar que a partilha pode render mais em prazo mais longo, dados os lances altos presentes na disputa da semana passada. Podem até ter razão, mas podem não ter nenhuma. Quem garante que o mercado de petróleo estará em alta daqui a sete a oito anos, quando os poços ora leiloados deverão entrar em operação – se entrarem, já que o investimento é de risco.
Na concessão, o Estado não se torna sócio das empresas exploradoras, que assumem todo o risco dos negócios. Também não está presente a barafunda envolvida na comercialização do óleo excedente que será cedido à União em pagamento: quantos desvãos não estarão presentes nestas operações permitindo toda sorte de malandragem num mercado em que cotações oscilam de segundo a segundo?
O relevante hoje é que o país poderá voltar a dispor de riquezas que, com o PT, não serviram a ninguém – exceto aos interesses espúrios do partido de Lula, Dilma e José Dirceu, como revelado no petrolão. O tempo dos combustíveis fósseis está acabando e maiores delongas na exploração dos poços tendem a transformar o que hoje é fonte de bem-estar em imensas reservas que para nada servem.
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terça-feira, 31 de outubro de 2017
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Oportunidades jogadas no esgoto
A crise política está custando mais caro ao país do que seria razoável. O governo federal está sendo levado a desidratar alguns dos principais pontos da sua agenda, seja para agradar aliados, seja para poupar capital político ou até mesmo por falta de maior ousadia. A pauta de concessões e privatizações é uma das que sofre maior revés neste momento.
O vigor reformista está arrefecendo na mesma medida em que o presidente Michel Temer precisa assegurar sua permanência no cargo e os governadores passam a mover-se visando as eleições de 2018 e não o atendimento à população. A base de apoio no Congresso não ajuda, e parece mais disposta a pressionar por mais algum naco de benefício do que em votar temas de interesse do país, ainda que espinhosos.
Há poucos meses o governo Temer anunciou a intenção de levar adiante a privatização e concessão de 18 companhias estaduais de saneamento. Em termos gerais, são empresas em sérias dificuldades financeiras e deficiente, para dizer o mínimo, capacidade técnica e operacional. Nestes estados, a cobertura de água e esgoto oferecida aos cidadãos é vexatória.
Pois o calendário eleitoral e o interesse político parecem ter passado a preponderar sobre a imperativa necessidade de prover saneamento de melhor qualidade a mais brasileiros. Os editais de concessão devem ficar, na melhor das hipóteses, para o fim de 2018 e, pior, sete estados já declinaram do interesse de levar adiante a intenção de passar a prestação dos serviços para a iniciativa privada, reportou a Folha de S.Paulo no sábado.
Nunca é demais lembrar que apenas 58% do esgoto gerado no país é coletado e meros 43% são tratados. Tudo indica que esta é uma situação que precisará aguardar um novo governo para ser enfrentada. Ou seja, as resistências em fazer o que precisa ser feito privarão a população, em especial a mais pobre, de melhores condições de vida. É a política vitimado a sociedade.
Também na área aeroportuária o programa de concessões enfrenta adversidades. Para manter a Infraero – estatal que há muito não dá lucro e que nos últimos anos, a partir da passagem de seus principais terminais para operadores privados, tornou-se inviável – o governo federal passou a cogitar desidratar a lista de ativos em oferta, retirando, por exemplo, o aeroporto de Congonhas do rol.
Muitas das flexibilizações que a gestão Temer está tendo que fazer para se segurar no comando do país talvez não fossem necessárias caso o presidente pudesse ter contado com uma base mais coesa no Congresso. A falta de apoio mais explícito está vitimado o que o atual governo tinha de mais precioso: o ímpeto de levar as reformas adiante, sem as quais o país simplesmente desmorona.
Talvez ainda haja tempo de salvar algumas propostas e assegurar alguns avanços, por menores que sejam. Há 14 meses pela frente que não podem ser desperdiçados. Quanto menos for realizado agora, mais árdua será a vida do próximo governo. Quem quiser consertar os estragos legados pelo caos petista tem que começar já e não ficar aguardando 2019 chegar.
O vigor reformista está arrefecendo na mesma medida em que o presidente Michel Temer precisa assegurar sua permanência no cargo e os governadores passam a mover-se visando as eleições de 2018 e não o atendimento à população. A base de apoio no Congresso não ajuda, e parece mais disposta a pressionar por mais algum naco de benefício do que em votar temas de interesse do país, ainda que espinhosos.
Há poucos meses o governo Temer anunciou a intenção de levar adiante a privatização e concessão de 18 companhias estaduais de saneamento. Em termos gerais, são empresas em sérias dificuldades financeiras e deficiente, para dizer o mínimo, capacidade técnica e operacional. Nestes estados, a cobertura de água e esgoto oferecida aos cidadãos é vexatória.
Pois o calendário eleitoral e o interesse político parecem ter passado a preponderar sobre a imperativa necessidade de prover saneamento de melhor qualidade a mais brasileiros. Os editais de concessão devem ficar, na melhor das hipóteses, para o fim de 2018 e, pior, sete estados já declinaram do interesse de levar adiante a intenção de passar a prestação dos serviços para a iniciativa privada, reportou a Folha de S.Paulo no sábado.
Nunca é demais lembrar que apenas 58% do esgoto gerado no país é coletado e meros 43% são tratados. Tudo indica que esta é uma situação que precisará aguardar um novo governo para ser enfrentada. Ou seja, as resistências em fazer o que precisa ser feito privarão a população, em especial a mais pobre, de melhores condições de vida. É a política vitimado a sociedade.
Também na área aeroportuária o programa de concessões enfrenta adversidades. Para manter a Infraero – estatal que há muito não dá lucro e que nos últimos anos, a partir da passagem de seus principais terminais para operadores privados, tornou-se inviável – o governo federal passou a cogitar desidratar a lista de ativos em oferta, retirando, por exemplo, o aeroporto de Congonhas do rol.
Muitas das flexibilizações que a gestão Temer está tendo que fazer para se segurar no comando do país talvez não fossem necessárias caso o presidente pudesse ter contado com uma base mais coesa no Congresso. A falta de apoio mais explícito está vitimado o que o atual governo tinha de mais precioso: o ímpeto de levar as reformas adiante, sem as quais o país simplesmente desmorona.
Talvez ainda haja tempo de salvar algumas propostas e assegurar alguns avanços, por menores que sejam. Há 14 meses pela frente que não podem ser desperdiçados. Quanto menos for realizado agora, mais árdua será a vida do próximo governo. Quem quiser consertar os estragos legados pelo caos petista tem que começar já e não ficar aguardando 2019 chegar.
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quinta-feira, 24 de agosto de 2017
A melhor agenda
A privatização da Eletrobras abre um novo ciclo de redefinição do papel e do tamanho do Estado brasileiro. O movimento faz-se ainda mais necessário diante da quase completa incapacidade das gestões públicas de cuidar de algo que vá além de suas já excessivas despesas obrigatórias. Esta é a agenda que mais interessa ao país.
A venda da holding de energia emparelha-se com o que foi a alienação de siderúrgicas e mineradoras no governo Itamar, com a privatização das telecomunicações na gestão Fernando Henrique e, mesmo que feitas mal e porcamente, com as concessões de aeroportos e rodovias na administração do PT. É difícil encontrar quem prefira, de boa-fé, os serviços como eram prestados antes, pelo poder público.
O melhor é que vem mais por aí. Estão em gestação, previstas para serem anunciadas nesta quarta-feira, novas ofertas de ativos hoje em poder da União. A carteira a ser privatizada terá 58 projetos, segundo relatou O Globo em sua edição de ontem, e pode gerar investimentos de R$ 44 bilhões. Pena que tenha demorado tanto para sair do forno.
Estão na lista aeroportos, rodovias, terminais portuários e linhas de transmissão, entre outros, bem como a extinção de estatais como a Casa da Moeda. Das operações virão recursos para ajudar a apaziguar a grave situação fiscal do país. Mas, sobretudo, virão investimentos e a injeção de eficiência e competitividade que o capital privado costuma carregar para dentro de carcomidas estruturas públicas.
Espera-se que não se repitam agora erros do passado, como os que marcaram a relutante adesão do petismo às privatizações de aeroportos e rodovias. Enquanto vigorou a premissa da modicidade tarifária, as tentativas revelaram-se todas infrutíferas e mal sucedidas. Já a megalomania cuidou de atropelar concessões baseadas em projeções irrealistas, como nos casos de Viracopos, Galeão e da BR-153.
Esta é uma batalha que vale a pena ser travada, pois é definidora do país que poderemos vir a ser. O Brasil não tem nenhuma condição de insistir no modelo patrimonialista e cartorial que tornou o Estado um fardo pesado demais para os contribuintes carregarem. Basta dizer que, das 159 estatais ativas, 70 dependem diretamente de aportes do Tesouro para fazer investimentos.
Passa da hora de transformar o que hoje é entrave em alavanca de desenvolvimento. Nesse sentido, é bastante pedagógica a comparação entre o desempenho financeiro recente da Eletrobras – que, na ponta do lápis, gerou perdas de R$ 228 bilhões para o governo brasileiro desde Lula – e da privatizada Engie Brasil, feita pelo Instituto Acende Brasil e publicada por Míriam Leitão.
A reação imediata dos investidores ao anúncio da privatização da estatal de energia indica o tamanho do apetite e das expectativas pela redução do tamanho do Estado. Sob a perspectiva de gestão privada, as ações da Eletrobras subiram ontem 49% e levaram seu valor de mercado a quase quatro vezes o que a empresa chegou a valer em seu pior momento – sob a gestão Dilma, claro.
Fala-se que as mudanças em voga no setor elétrico resultarão em tarifas mais altas. É provável. Por uma razão muito simples: tal como é hoje, o modelo se autoimplode, uma vez que o valor pago por um megawatt no chamado “regime de cotas” inventado pelo PT é insuficiente para remunerar seu custo de produção. Num ambiente assim, não há investimento e, com o tempo, nem energia disponível.
Durante muito tempo, privatizações foi assunto quase proibido no país, em função da manipulação eleitoreira e leviana feita pelo PT. Esse tabu precisa ser deixado, de uma vez por todas, no passado. A realidade mostra que o bem público – ou, nesse caso específico, a energia – mais caro é o que não está disponível. É o que hoje o país experimenta. A redefinição do tamanho do Estado pode começar a mudar isso.
A venda da holding de energia emparelha-se com o que foi a alienação de siderúrgicas e mineradoras no governo Itamar, com a privatização das telecomunicações na gestão Fernando Henrique e, mesmo que feitas mal e porcamente, com as concessões de aeroportos e rodovias na administração do PT. É difícil encontrar quem prefira, de boa-fé, os serviços como eram prestados antes, pelo poder público.
O melhor é que vem mais por aí. Estão em gestação, previstas para serem anunciadas nesta quarta-feira, novas ofertas de ativos hoje em poder da União. A carteira a ser privatizada terá 58 projetos, segundo relatou O Globo em sua edição de ontem, e pode gerar investimentos de R$ 44 bilhões. Pena que tenha demorado tanto para sair do forno.
Estão na lista aeroportos, rodovias, terminais portuários e linhas de transmissão, entre outros, bem como a extinção de estatais como a Casa da Moeda. Das operações virão recursos para ajudar a apaziguar a grave situação fiscal do país. Mas, sobretudo, virão investimentos e a injeção de eficiência e competitividade que o capital privado costuma carregar para dentro de carcomidas estruturas públicas.
Espera-se que não se repitam agora erros do passado, como os que marcaram a relutante adesão do petismo às privatizações de aeroportos e rodovias. Enquanto vigorou a premissa da modicidade tarifária, as tentativas revelaram-se todas infrutíferas e mal sucedidas. Já a megalomania cuidou de atropelar concessões baseadas em projeções irrealistas, como nos casos de Viracopos, Galeão e da BR-153.
Esta é uma batalha que vale a pena ser travada, pois é definidora do país que poderemos vir a ser. O Brasil não tem nenhuma condição de insistir no modelo patrimonialista e cartorial que tornou o Estado um fardo pesado demais para os contribuintes carregarem. Basta dizer que, das 159 estatais ativas, 70 dependem diretamente de aportes do Tesouro para fazer investimentos.
Passa da hora de transformar o que hoje é entrave em alavanca de desenvolvimento. Nesse sentido, é bastante pedagógica a comparação entre o desempenho financeiro recente da Eletrobras – que, na ponta do lápis, gerou perdas de R$ 228 bilhões para o governo brasileiro desde Lula – e da privatizada Engie Brasil, feita pelo Instituto Acende Brasil e publicada por Míriam Leitão.
A reação imediata dos investidores ao anúncio da privatização da estatal de energia indica o tamanho do apetite e das expectativas pela redução do tamanho do Estado. Sob a perspectiva de gestão privada, as ações da Eletrobras subiram ontem 49% e levaram seu valor de mercado a quase quatro vezes o que a empresa chegou a valer em seu pior momento – sob a gestão Dilma, claro.
Fala-se que as mudanças em voga no setor elétrico resultarão em tarifas mais altas. É provável. Por uma razão muito simples: tal como é hoje, o modelo se autoimplode, uma vez que o valor pago por um megawatt no chamado “regime de cotas” inventado pelo PT é insuficiente para remunerar seu custo de produção. Num ambiente assim, não há investimento e, com o tempo, nem energia disponível.
Durante muito tempo, privatizações foi assunto quase proibido no país, em função da manipulação eleitoreira e leviana feita pelo PT. Esse tabu precisa ser deixado, de uma vez por todas, no passado. A realidade mostra que o bem público – ou, nesse caso específico, a energia – mais caro é o que não está disponível. É o que hoje o país experimenta. A redefinição do tamanho do Estado pode começar a mudar isso.
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
Em alta voltagem
A recuperação da economia brasileira tem se mostrado incipiente, mas promissora. Um elemento será decisivo para sua confirmação: a volta dos investimentos produtivos, que vinham congelados desde que o governo de Dilma Rousseff dinamitou as condições de empreender no país. Há uma onda de alta voltagem em marcha.
Ontem, o governo conseguiu leiloar 31 de 35 lotes de linhas de transmissão de energia ofertados, com previsão de investimentos de R$ 12,7 bilhões e geração de 28 mil empregos. Melhor ainda, desta vez o grosso dos aportes não virá das nossas combalidas estatais e suas tarifas subsidiadas. Com os demais leilões previstos para este ano, estima-se amealhar R$ 26 bilhões no setor.
O sucesso é creditado à mudança de regras promovida pelo atual governo. É uma reviravolta expressiva num setor em que a confiança e a capacidade de atrair investimentos haviam entrado em curto-circuito desde que a gestão petista intervira no segmento por meio da medida provisória n° 579. Lá se vão quase cinco anos de desestruturação.
Nunca é demais lembrar: em setembro de 2012, o governo decretou uma alteração sem precedentes nas regras do setor elétrico, aumentou a intervenção estatal e forçou uma baixa artificial das tarifas, no mesmo momento em que, com escassez de água, a matriz energética exigia fontes cada vez mais caras.
A consequência foi a desestruturação das empresas, o represamento de investimentos durante anos e um tarifaço que alcançou 77% de alta entre 2014 e 2015 para repor as tarifas de energia em seu nível de equilíbrio. Para o consumidor sobraram contas a pagar pelos próximos anos estimadas em mais de R$ 62 bilhões, valor destinado a indenizar as empresas de energia pelas perdas decorrentes da MP.
Felizmente, isso começa a ser superado. Sob intensa competição, o leilão de ontem teve deságio médio acima de 36%, o que representará economia de R$ 1 bilhão ao ano em tarifas cobradas aos consumidores. Analistas alertam que o grande desafio agora é garantir que os investidores toquem as obras dentro do cronograma, o que tornou-se miragem no setor nos últimos anos.
A vaga de novos investimentos produtivos completa-se com os que provêm do exterior. No primeiro bimestre do ano, US$ 16,8 bilhões em recursos estrangeiros aportaram no país. Nunca chegara tanto dinheiro de fora em períodos similares – a alta em relação a janeiro e fevereiro de 2016 é de quase 50%. Que venha muito mais.
Há no horizonte novas rodadas de leilões de concessões de infraestrutura, a começar por áreas de petróleo e, em seguida, a privatização maciça das estatais estaduais de saneamento. Há, portanto, em marcha uma onda de investimentos privados, absolutamente necessários para que a retomada econômica se consolide e a atividade deixe de depender da pesada, contraproducente, ineficiente e corrupta onipresença do Estado.
Ontem, o governo conseguiu leiloar 31 de 35 lotes de linhas de transmissão de energia ofertados, com previsão de investimentos de R$ 12,7 bilhões e geração de 28 mil empregos. Melhor ainda, desta vez o grosso dos aportes não virá das nossas combalidas estatais e suas tarifas subsidiadas. Com os demais leilões previstos para este ano, estima-se amealhar R$ 26 bilhões no setor.
O sucesso é creditado à mudança de regras promovida pelo atual governo. É uma reviravolta expressiva num setor em que a confiança e a capacidade de atrair investimentos haviam entrado em curto-circuito desde que a gestão petista intervira no segmento por meio da medida provisória n° 579. Lá se vão quase cinco anos de desestruturação.
Nunca é demais lembrar: em setembro de 2012, o governo decretou uma alteração sem precedentes nas regras do setor elétrico, aumentou a intervenção estatal e forçou uma baixa artificial das tarifas, no mesmo momento em que, com escassez de água, a matriz energética exigia fontes cada vez mais caras.
A consequência foi a desestruturação das empresas, o represamento de investimentos durante anos e um tarifaço que alcançou 77% de alta entre 2014 e 2015 para repor as tarifas de energia em seu nível de equilíbrio. Para o consumidor sobraram contas a pagar pelos próximos anos estimadas em mais de R$ 62 bilhões, valor destinado a indenizar as empresas de energia pelas perdas decorrentes da MP.
Felizmente, isso começa a ser superado. Sob intensa competição, o leilão de ontem teve deságio médio acima de 36%, o que representará economia de R$ 1 bilhão ao ano em tarifas cobradas aos consumidores. Analistas alertam que o grande desafio agora é garantir que os investidores toquem as obras dentro do cronograma, o que tornou-se miragem no setor nos últimos anos.
A vaga de novos investimentos produtivos completa-se com os que provêm do exterior. No primeiro bimestre do ano, US$ 16,8 bilhões em recursos estrangeiros aportaram no país. Nunca chegara tanto dinheiro de fora em períodos similares – a alta em relação a janeiro e fevereiro de 2016 é de quase 50%. Que venha muito mais.
Há no horizonte novas rodadas de leilões de concessões de infraestrutura, a começar por áreas de petróleo e, em seguida, a privatização maciça das estatais estaduais de saneamento. Há, portanto, em marcha uma onda de investimentos privados, absolutamente necessários para que a retomada econômica se consolide e a atividade deixe de depender da pesada, contraproducente, ineficiente e corrupta onipresença do Estado.
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sábado, 18 de março de 2017
Apertar os cintos, preparar pra decolar
O sucesso dos leilões realizados ontem serve para ratificar um dos principais caminhos à disposição do país para superar a crise. A mudança de governo abriu as portas de embarque para que o investimento privado, durante anos execrado pelas gestões petistas, retorne e ajude a impulsionar a geração de emprego e riqueza.
Havia certo temor de que a concessão de quatro aeroportos não decolasse. Mas os resultados não deixaram margem a dúvidas: se a opção é por privatizar, o país pode contar com a confiança e o apetite das empresas globais do setor. Os terminais acabaram arrematados com ágio médio acima de 93% – 23% quando se considera o valor total de outorga. Em alguns casos, como o do terminal de Porto Alegre, a margem chegou a 852%.
No total, o governo irá arrecadar R$ 3,7 bilhões ao longo dos 30 anos do contrato. Mas, mais importante que isso, assegurará que aeroportos de importantes capitais do país passem a dispor de serviço de qualidade e de infraestrutura à altura, deixando de se parecer com acanhadas rodoviárias e tirando do papel obras há muito demandadas.
Uma boa regulação e a firme atuação da agência que monitora o setor, a Anac, precisam garantir a consecução de investimentos de R$ 6,6 bilhões previstos nos contratos para as próximas três décadas em Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. Isso exige que o órgão regulador recupere a musculatura que a sabotagem dos governos petistas lhe retirou nos últimos anos.
Com os resultados de ontem, 59% dos passageiros no Brasil viajarão por aeroportos privatizados. A nova rodada também tem um desenho com maiores chances de evitar erros que geraram dificuldades para as concessionárias vencedoras dos certames de 2012 e 2013 – elas hoje enfrentam problemas financeiros e legais, alguns no âmbito da Lava Jato, e devem R$ 1,4 bilhão em outorgas atrasadas.
O principal deles, limado das novas regras de concessão, foi a participação da Infraero nos consórcios com percentual mínimo de 49%, dentro da filosofia estatizante e cartorial levada adiante por Dilma Rousseff. Sai a estatal notável como poço de ineficiência e entram alguns dos principais operadores mundiais, como a alemã Fraport e a francesa Vinci, todos de primeiríssima linha.
De quebra, empreiteiras e fundos de pensão também perdem protagonismo. “A demonstração de que o país pode atrair investimentos em moldes de mercado e sem financiamento oficial é a notícia mais importante a ser comemorada”, resume a Folha de S.Paulo em editorial.
A onda de privatização, felizmente, não deverá parar por aí. Na área aeroportuária, já se cogita a concessão de mais dez terminais e o pacote de concessões lançado na semana passada abarca mais 14 empresas de saneamento, 11 terminais portuários, cinco ferrovias, duas rodovias e 35 lotes de transmissão de energia. Se bem sucedidas, garantirão um empuxo extra na decolagem da economia brasileira nos próximos meses.
O vitorioso modelo de privatizações renasce no país em âmbito federal depois de anos sufocado pelo proselitismo demagógico do PT. Retoma-se o fio da meada que permitiu ao Brasil dispor, por exemplo, de uma extensíssima malha de telecomunicações, ainda que não de todo eficiente – muito em razão da complacência da agência reguladora do setor, a Anatel, em relação às prestadoras.
Pelos estados, a onda também bate forte. Em São Paulo avançam as concessões de aeroportos regionais, cinco deles também leiloados ontem pelo governo local, e de rodovias, consolidando a malha viária paulista como a de melhor qualidade no país, como ressalta o governador Geraldo Alckmin em artigo na Folha. Em dezembro, o governo do Paraná vendeu parte de suas ações na Sanepar, mas manteve o controle acionário da companhia.
As privatizações pavimentam a pista para que a economia brasileira volte a decolar – movimento cujos sinais começam a despontar, como atestado pela geração positiva de empregos em fevereiro, depois de 22 meses no vermelho. Desta vez, não haverá ideologia, má-fé ou proselitismo eleitoral para atravancar. O que prevalece agora é o interesse nacional, a necessidade de servir melhor os cidadãos e alavancar o desenvolvimento do país.
Havia certo temor de que a concessão de quatro aeroportos não decolasse. Mas os resultados não deixaram margem a dúvidas: se a opção é por privatizar, o país pode contar com a confiança e o apetite das empresas globais do setor. Os terminais acabaram arrematados com ágio médio acima de 93% – 23% quando se considera o valor total de outorga. Em alguns casos, como o do terminal de Porto Alegre, a margem chegou a 852%.
No total, o governo irá arrecadar R$ 3,7 bilhões ao longo dos 30 anos do contrato. Mas, mais importante que isso, assegurará que aeroportos de importantes capitais do país passem a dispor de serviço de qualidade e de infraestrutura à altura, deixando de se parecer com acanhadas rodoviárias e tirando do papel obras há muito demandadas.
Uma boa regulação e a firme atuação da agência que monitora o setor, a Anac, precisam garantir a consecução de investimentos de R$ 6,6 bilhões previstos nos contratos para as próximas três décadas em Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. Isso exige que o órgão regulador recupere a musculatura que a sabotagem dos governos petistas lhe retirou nos últimos anos.
Com os resultados de ontem, 59% dos passageiros no Brasil viajarão por aeroportos privatizados. A nova rodada também tem um desenho com maiores chances de evitar erros que geraram dificuldades para as concessionárias vencedoras dos certames de 2012 e 2013 – elas hoje enfrentam problemas financeiros e legais, alguns no âmbito da Lava Jato, e devem R$ 1,4 bilhão em outorgas atrasadas.
O principal deles, limado das novas regras de concessão, foi a participação da Infraero nos consórcios com percentual mínimo de 49%, dentro da filosofia estatizante e cartorial levada adiante por Dilma Rousseff. Sai a estatal notável como poço de ineficiência e entram alguns dos principais operadores mundiais, como a alemã Fraport e a francesa Vinci, todos de primeiríssima linha.
De quebra, empreiteiras e fundos de pensão também perdem protagonismo. “A demonstração de que o país pode atrair investimentos em moldes de mercado e sem financiamento oficial é a notícia mais importante a ser comemorada”, resume a Folha de S.Paulo em editorial.
A onda de privatização, felizmente, não deverá parar por aí. Na área aeroportuária, já se cogita a concessão de mais dez terminais e o pacote de concessões lançado na semana passada abarca mais 14 empresas de saneamento, 11 terminais portuários, cinco ferrovias, duas rodovias e 35 lotes de transmissão de energia. Se bem sucedidas, garantirão um empuxo extra na decolagem da economia brasileira nos próximos meses.
O vitorioso modelo de privatizações renasce no país em âmbito federal depois de anos sufocado pelo proselitismo demagógico do PT. Retoma-se o fio da meada que permitiu ao Brasil dispor, por exemplo, de uma extensíssima malha de telecomunicações, ainda que não de todo eficiente – muito em razão da complacência da agência reguladora do setor, a Anatel, em relação às prestadoras.
Pelos estados, a onda também bate forte. Em São Paulo avançam as concessões de aeroportos regionais, cinco deles também leiloados ontem pelo governo local, e de rodovias, consolidando a malha viária paulista como a de melhor qualidade no país, como ressalta o governador Geraldo Alckmin em artigo na Folha. Em dezembro, o governo do Paraná vendeu parte de suas ações na Sanepar, mas manteve o controle acionário da companhia.
As privatizações pavimentam a pista para que a economia brasileira volte a decolar – movimento cujos sinais começam a despontar, como atestado pela geração positiva de empregos em fevereiro, depois de 22 meses no vermelho. Desta vez, não haverá ideologia, má-fé ou proselitismo eleitoral para atravancar. O que prevalece agora é o interesse nacional, a necessidade de servir melhor os cidadãos e alavancar o desenvolvimento do país.
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terça-feira, 14 de março de 2017
As privatizações decolam
As privatizações e concessões terão novo capítulo nesta semana. Na próxima quinta-feira, mais quatro aeroportos brasileiros passarão à gestão privada, num movimento iniciado cinco anos atrás, com resultados amplamente positivos.
Desta vez, irão a leilão os aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Florianópolis, com investimento previsto de R$ 6,6 bilhões em até 30 anos. A melhoria e a ampliação de quase todos eles esteve na pauta de obras públicas indispensáveis para o país na última década, sem que solução alguma fosse dada por parte do atual operador estatal, a Infraero. Quem sabe agora vai.
A experiência dos aeroportos privatizados no governo Dilma – um dos raríssimos feitos da gestão da petista – recomenda perseverar neste caminho. Os usuários de transporte aéreo ganharam qualidade e não viram aumento de preços, pelo contrário: desde o início de 2012, passagens aéreas ficaram 4,5% mais baratas no país, para uma inflação média de 41% no mesmo período, segundo o IBGE.
Quem decola ou desembarca em Guarulhos, Viracopos, Brasília, Confins ou Galeão não parece ter do que se queixar. A condição dos terminais é incomparável à que existia antes das concessões. Ou seja, a única mudança prática foi que a operação saiu das mãos ineficientes do Estado, mais especificamente da Infraero, e foi para controle privado, incluindo empresas globais.
Durante anos, os brasileiros foram privados de melhores serviços unicamente pela oposição petista, que preferiu manter o assunto privatização como matéria-prima para seu proselitismo eleitoral, enquanto a qualidade dos serviços públicos se deteriorava, tornando a vida dos nossos cidadãos um inferno.
Desta vez, irão a leilão os aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Florianópolis, com investimento previsto de R$ 6,6 bilhões em até 30 anos. A melhoria e a ampliação de quase todos eles esteve na pauta de obras públicas indispensáveis para o país na última década, sem que solução alguma fosse dada por parte do atual operador estatal, a Infraero. Quem sabe agora vai.
A experiência dos aeroportos privatizados no governo Dilma – um dos raríssimos feitos da gestão da petista – recomenda perseverar neste caminho. Os usuários de transporte aéreo ganharam qualidade e não viram aumento de preços, pelo contrário: desde o início de 2012, passagens aéreas ficaram 4,5% mais baratas no país, para uma inflação média de 41% no mesmo período, segundo o IBGE.
Quem decola ou desembarca em Guarulhos, Viracopos, Brasília, Confins ou Galeão não parece ter do que se queixar. A condição dos terminais é incomparável à que existia antes das concessões. Ou seja, a única mudança prática foi que a operação saiu das mãos ineficientes do Estado, mais especificamente da Infraero, e foi para controle privado, incluindo empresas globais.
Durante anos, os brasileiros foram privados de melhores serviços unicamente pela oposição petista, que preferiu manter o assunto privatização como matéria-prima para seu proselitismo eleitoral, enquanto a qualidade dos serviços públicos se deteriorava, tornando a vida dos nossos cidadãos um inferno.
Com o PAC – que, em vez de acelerar o crescimento, acelerou a corrupção – o PT insistiu em recuperar a infraestrutura nacional por meio de investimentos públicos, em oposição a empreendimentos privados. Funcionou? Basta trafegar pelas rodovias sob gestão federal – cujo exemplo emblemático da hora é a lamacenta BR-163 no norte do país – ou precisar despachar uma carga por porto ou ferrovia para ver que continuamos tão atolados quanto antes.
Felizmente, a atual gestão parece disposta a tirar o país deste atraso. Na semana passada, também pôs na rua um novo programa de concessões e privatizações, que inclui 14 empresas de saneamento, 11 terminais portuários, cinco ferrovias, duas rodovias e 35 lotes de transmissão de energia.
A pergunta que fica é: por que, até hoje, o Estado ainda está metido nestas e em outra penca de atividades produtivas que seriam bem melhor desempenhadas pela iniciativa privada? A única resposta é a preservação de tetas em que a corrupção se alimenta. É hora de secá-las.
Felizmente, a atual gestão parece disposta a tirar o país deste atraso. Na semana passada, também pôs na rua um novo programa de concessões e privatizações, que inclui 14 empresas de saneamento, 11 terminais portuários, cinco ferrovias, duas rodovias e 35 lotes de transmissão de energia.
A pergunta que fica é: por que, até hoje, o Estado ainda está metido nestas e em outra penca de atividades produtivas que seriam bem melhor desempenhadas pela iniciativa privada? A única resposta é a preservação de tetas em que a corrupção se alimenta. É hora de secá-las.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015
Lançado o ‘Mais Promessas’
O programa lançado ontem pela presidente Dilma Rousseff poderia muito bem ser batizado de “Mais Promessas”. O amontoado de obras de infraestrutura que compõem o pacote de concessões ressuscita iniciativas do passado que não saíram do papel, junta projetos mirabolantes e assemelha-se a uma vistosa carta de intenções.
O “Mais Promessas” busca cumprir agora o papel que no passado já foi do PAC, das primeiras rodadas de concessões, das obras da Copa do Mundo e dos “pactos” anunciados pelo governo em resposta aos protestos de junho de 2013. Todos sempre com mesmo viés: criar sentimento positivo e sensação de que o governo age. Todos deram em nada.
Desta vez, o “Mais Promessas” tem um objetivo adicional: virar a página de más notícias que caracterizam os seis meses iniciais do segundo mandato de Dilma. Na prática, o “Mais Promessas” chega para suceder o “Mais Maldades”, o arrocho recessivo que aumenta impostos, corta direitos trabalhistas e benefícios previdenciários posto em prática pelo PT.
De concreto, temos que apenas um terço das obras anunciadas ontem podem vir a se tornar realidade até o fim do governo de Dilma. Se isso acontecer, ainda assim o impacto na economia será mínimo: cerca de R$ 17 bilhões em investimentos anuais numa economia que investe R$ 1,1 trilhão a cada 12 meses.
Dos cerca de 130 projetos que compõem o “Mais Promessas”, 66 já constavam do fracassado programa anunciado em agosto de 2012. Estão nesta condição todos os portos, a maior parte das ferrovias e algumas rodovias, como a BR-262 entre Minas e Vitória e o trecho baiano da BR-101. Outros cerca de 40% são vertigens, sorvedouros de dinheiro público, como a ferrovia Bioceânica, e projetos de concessões já existentes.
Mas a iniciativa tem também seu caráter positivo. Representa mais um passo na conversão do PT às privatizações como melhor maneira de recuperar a estrutura viária do país. Enquanto relutou, o petismo nos empurrou para trás: desde o início do governo Dilma, caímos quase 40 posições no ranking de infraestrutura do Fórum Econômico Mundial. Nossa competitividade também decaiu e assumiu as piores condições da história.
Também se constitui num possível sepultamento do modelo estatizante que esteve presente em boa parte das iniciativas dos últimos anos e que produziu ruínas em forma de recessão econômica, inflação alta, desestruturação produtiva e desemprego. Oxalá, o pragmatismo tenha vindo mesmo para ficar e a experimentação ideológica tenha ficado pelo caminho.
Resta, mais uma vez, saudar a conversão, ainda que tardia, do petismo ao modelo econômico que dá certo. Bem-vindo, PT, de novo às privatizações! Quem sabe desta vez os petistas acertem, porque o Brasil não aguenta mais tantos experimentos mal sucedidos de tantos aprendizes de feiticeiros.
O “Mais Promessas” busca cumprir agora o papel que no passado já foi do PAC, das primeiras rodadas de concessões, das obras da Copa do Mundo e dos “pactos” anunciados pelo governo em resposta aos protestos de junho de 2013. Todos sempre com mesmo viés: criar sentimento positivo e sensação de que o governo age. Todos deram em nada.
Desta vez, o “Mais Promessas” tem um objetivo adicional: virar a página de más notícias que caracterizam os seis meses iniciais do segundo mandato de Dilma. Na prática, o “Mais Promessas” chega para suceder o “Mais Maldades”, o arrocho recessivo que aumenta impostos, corta direitos trabalhistas e benefícios previdenciários posto em prática pelo PT.
De concreto, temos que apenas um terço das obras anunciadas ontem podem vir a se tornar realidade até o fim do governo de Dilma. Se isso acontecer, ainda assim o impacto na economia será mínimo: cerca de R$ 17 bilhões em investimentos anuais numa economia que investe R$ 1,1 trilhão a cada 12 meses.
Dos cerca de 130 projetos que compõem o “Mais Promessas”, 66 já constavam do fracassado programa anunciado em agosto de 2012. Estão nesta condição todos os portos, a maior parte das ferrovias e algumas rodovias, como a BR-262 entre Minas e Vitória e o trecho baiano da BR-101. Outros cerca de 40% são vertigens, sorvedouros de dinheiro público, como a ferrovia Bioceânica, e projetos de concessões já existentes.
Mas a iniciativa tem também seu caráter positivo. Representa mais um passo na conversão do PT às privatizações como melhor maneira de recuperar a estrutura viária do país. Enquanto relutou, o petismo nos empurrou para trás: desde o início do governo Dilma, caímos quase 40 posições no ranking de infraestrutura do Fórum Econômico Mundial. Nossa competitividade também decaiu e assumiu as piores condições da história.
Também se constitui num possível sepultamento do modelo estatizante que esteve presente em boa parte das iniciativas dos últimos anos e que produziu ruínas em forma de recessão econômica, inflação alta, desestruturação produtiva e desemprego. Oxalá, o pragmatismo tenha vindo mesmo para ficar e a experimentação ideológica tenha ficado pelo caminho.
Resta, mais uma vez, saudar a conversão, ainda que tardia, do petismo ao modelo econômico que dá certo. Bem-vindo, PT, de novo às privatizações! Quem sabe desta vez os petistas acertem, porque o Brasil não aguenta mais tantos experimentos mal sucedidos de tantos aprendizes de feiticeiros.
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
As privatizações, de novo
O governo apresenta hoje, de novo, mais um programa de concessões de obras de infraestrutura. É mais uma tentativa de fazer decolar as privatizações às quais o PT tanto demonizou durante sua existência. A iniciativa busca, sobretudo, virar na marra a página da crise econômica. Este filme nós já vimos: não é novo, nem termina bem.
Em boa medida, o pacote da hora é composto de projeto reciclados que não deram certo. A maior parte é rescaldo do megapacote lançado em agosto de 2012 e que se revelou rotundo fiasco: apenas uma de cada quatro obras vingou. Dos R$ 241 bilhões anunciados três anos atrás, R$ 186 bilhões não passaram de fumaça – é praticamente o mesmo valor do programa atual.
Foi em fevereiro de 2012 que o PT começou a dar a mão à palmatória, ao privatizar, com sucesso, três aeroportos – outros dois foram concedidos depois. Depois obteve algum êxito com rodovias, mesmo assim apenas após ter abandonado dogmas ideológicos e esquisitices regulatórias. Com ferrovias e portos, porém, o resultado foi nulo, zero.
A maior parte das tentativas anteriores não decolou porque o governo petista nunca aceitou de verdade a privatização como melhor solução para nossos imensos problemas logísticos. O vezo estatizante e a aversão ao ganho privado produziram ruínas.
Além das rodadas anteriores de concessões, outras iniciativas “desenvolvimentistas” também falharam, como o PAC. Da mesma matriz, há o desmanche do setor elétrico e a desintegração da indústria naval, que não resistiu à política de conteúdo local.
Pelo caminho foram ficando ideias fracassadas, como a busca pela menor tarifa (só assegurada pelo crédito camarada do BNDES), a participação obrigatória da falida Infraero nos leilões de aeroportos e o esdrúxulo tabelamento das taxas de retorno.
Os governos do PT têm se mostrado absolutamente incompetentes quando o assunto é incentivar o investimento privado e promover o público. O nível de investimento neste ano será o menor desde 2003, informa O Globo. Só para manter a infraestrutura atual seria necessário aplicar 2,1% do PIB ao ano, mas não passaremos de 1,75% em 2015.
Agora, para tentar viabilizar os negócios, o governo deve rever condições dos contratos que interessam diretamente aos usuários, como a duplicação das rodovias nos cinco primeiros anos. Obras, porém, só lá por meados do ano que vem – das 15 rodovias do programa, 11 ainda não têm sequer estudos prontos. O pacote também mantém excentricidades: a ferrovia Transoceânica agora ocupa o lugar que era do trem-bala...
Desde o início, a oposição saudou a conversão petista às privatizações. Mas não basta apenas converter-se; é preciso o governo exibir alguma eficiência. Até agora, foram anos perdidos em que a infraestrutura do país se deteriorou por completo e minou de vez a competitividade nacional. Não basta querer virar a página; é preciso fazer o que está no papel tornar-se realidade.
Em boa medida, o pacote da hora é composto de projeto reciclados que não deram certo. A maior parte é rescaldo do megapacote lançado em agosto de 2012 e que se revelou rotundo fiasco: apenas uma de cada quatro obras vingou. Dos R$ 241 bilhões anunciados três anos atrás, R$ 186 bilhões não passaram de fumaça – é praticamente o mesmo valor do programa atual.
Foi em fevereiro de 2012 que o PT começou a dar a mão à palmatória, ao privatizar, com sucesso, três aeroportos – outros dois foram concedidos depois. Depois obteve algum êxito com rodovias, mesmo assim apenas após ter abandonado dogmas ideológicos e esquisitices regulatórias. Com ferrovias e portos, porém, o resultado foi nulo, zero.
A maior parte das tentativas anteriores não decolou porque o governo petista nunca aceitou de verdade a privatização como melhor solução para nossos imensos problemas logísticos. O vezo estatizante e a aversão ao ganho privado produziram ruínas.
Além das rodadas anteriores de concessões, outras iniciativas “desenvolvimentistas” também falharam, como o PAC. Da mesma matriz, há o desmanche do setor elétrico e a desintegração da indústria naval, que não resistiu à política de conteúdo local.
Pelo caminho foram ficando ideias fracassadas, como a busca pela menor tarifa (só assegurada pelo crédito camarada do BNDES), a participação obrigatória da falida Infraero nos leilões de aeroportos e o esdrúxulo tabelamento das taxas de retorno.
Os governos do PT têm se mostrado absolutamente incompetentes quando o assunto é incentivar o investimento privado e promover o público. O nível de investimento neste ano será o menor desde 2003, informa O Globo. Só para manter a infraestrutura atual seria necessário aplicar 2,1% do PIB ao ano, mas não passaremos de 1,75% em 2015.
Agora, para tentar viabilizar os negócios, o governo deve rever condições dos contratos que interessam diretamente aos usuários, como a duplicação das rodovias nos cinco primeiros anos. Obras, porém, só lá por meados do ano que vem – das 15 rodovias do programa, 11 ainda não têm sequer estudos prontos. O pacote também mantém excentricidades: a ferrovia Transoceânica agora ocupa o lugar que era do trem-bala...
Desde o início, a oposição saudou a conversão petista às privatizações. Mas não basta apenas converter-se; é preciso o governo exibir alguma eficiência. Até agora, foram anos perdidos em que a infraestrutura do país se deteriorou por completo e minou de vez a competitividade nacional. Não basta querer virar a página; é preciso fazer o que está no papel tornar-se realidade.
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
A confissão de um fracasso
Nos últimos dias, o governo petista pôs para circular informações de que prepara um ambicioso programa de concessões. Na estratégia oficial, o noticiário deveria servir como “agenda positiva” para ajudar a superar a onda amarga do arrocho recessivo. Na realidade, a iniciativa configura-se muito mais como confissão de um fracasso.
Para retomar a bem-vinda agenda de concessões e privatizações de infraestrutura, o governo Dilma está tendo que abandonar praticamente tudo o que fez e defendeu nos últimos quatro anos. Está tendo que arquivar suas tentativas infrutíferas de inventar a roda. Está se dobrando à realidade, ou melhor, ao que já se provara virtuoso no passado. Vamos aos exemplos.
Nos novos leilões de energia, ferrovias e portos, o governo deve retomar o modelo bem-sucedido da época do governo Fernando Henrique, pelo qual vence a disputa quem se dispuser a pagar maior outorga pela concessão do serviço, conforme destaca a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje.
Com isso, será abandonado o modelo baseado na chamada “modicidade tarifária”, ou seja, aquele no qual o vencedor é quem se dispõe a cobrar menos pelo serviço. Com a escalada iniciada no ano passado, o setor elétrico é o atestado maior do fracasso deste sistema, em que as faturas baratinhas deram lugar a um tarifaço sem precedentes, com alta que soma 60,4% nos últimos 12 meses – mas ainda está longe de acabar.
No caso das ferrovias e dos portos nem se fala: o modelo original baseado nas tarifas baixas não conseguiu tirar uma única iniciativa do papel desde que foi lançado, em agosto de 2012. Foi um fracasso de norte a sul.
Para tornar viáveis concessões de novos trechos rodoviários, também empacadas há quase três anos, a presidente Dilma também está tendo que retroceder. O mesmo governo que tentou tabelar margens de lucro na marra, e depois perdeu a parada, agora deverá abrir mão do que antes era considerada condição sine qua non: a duplicação de trechos no prazo inicial de cinco anos. Perdem os usuários.
Também na exploração de petróleo assiste-se agora a ressureição do que o petismo passou anos tentando denegrir. Segundo o Valor Econômico, o governo decidiu retomar já neste ano os leilões para exploração de novas áreas por meio de concessões, no mesmíssimo modelo que o novo marco regulatório adotado no país a partir de 2010 nasceu para destruir.
Como atestado definitivo de que as ideias do petismo não correspondem aos fatos, leilões de áreas do pré-sal feitas sob o modelo de partilha e com a participação obrigatória da Petrobras ficarão pelo menos mais dois anos na geladeira, perfazendo quatro anos de paralisia. Na nova rodada de concessões de infraestrutura, vale a velha constatação: com o PT, o que é novo nunca é bom; o que é bom não é novo.
Para retomar a bem-vinda agenda de concessões e privatizações de infraestrutura, o governo Dilma está tendo que abandonar praticamente tudo o que fez e defendeu nos últimos quatro anos. Está tendo que arquivar suas tentativas infrutíferas de inventar a roda. Está se dobrando à realidade, ou melhor, ao que já se provara virtuoso no passado. Vamos aos exemplos.
Nos novos leilões de energia, ferrovias e portos, o governo deve retomar o modelo bem-sucedido da época do governo Fernando Henrique, pelo qual vence a disputa quem se dispuser a pagar maior outorga pela concessão do serviço, conforme destaca a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje.
Com isso, será abandonado o modelo baseado na chamada “modicidade tarifária”, ou seja, aquele no qual o vencedor é quem se dispõe a cobrar menos pelo serviço. Com a escalada iniciada no ano passado, o setor elétrico é o atestado maior do fracasso deste sistema, em que as faturas baratinhas deram lugar a um tarifaço sem precedentes, com alta que soma 60,4% nos últimos 12 meses – mas ainda está longe de acabar.
No caso das ferrovias e dos portos nem se fala: o modelo original baseado nas tarifas baixas não conseguiu tirar uma única iniciativa do papel desde que foi lançado, em agosto de 2012. Foi um fracasso de norte a sul.
Para tornar viáveis concessões de novos trechos rodoviários, também empacadas há quase três anos, a presidente Dilma também está tendo que retroceder. O mesmo governo que tentou tabelar margens de lucro na marra, e depois perdeu a parada, agora deverá abrir mão do que antes era considerada condição sine qua non: a duplicação de trechos no prazo inicial de cinco anos. Perdem os usuários.
Também na exploração de petróleo assiste-se agora a ressureição do que o petismo passou anos tentando denegrir. Segundo o Valor Econômico, o governo decidiu retomar já neste ano os leilões para exploração de novas áreas por meio de concessões, no mesmíssimo modelo que o novo marco regulatório adotado no país a partir de 2010 nasceu para destruir.
Como atestado definitivo de que as ideias do petismo não correspondem aos fatos, leilões de áreas do pré-sal feitas sob o modelo de partilha e com a participação obrigatória da Petrobras ficarão pelo menos mais dois anos na geladeira, perfazendo quatro anos de paralisia. Na nova rodada de concessões de infraestrutura, vale a velha constatação: com o PT, o que é novo nunca é bom; o que é bom não é novo.
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terça-feira, 7 de abril de 2015
Parou por quê?
Nestes primeiros meses do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o Brasil está vivendo um paradeiro como há muito não se via. Sem comando, o governo deixou de investir. Sem confiança, o setor privado pisou no freio. Sem a atenção devida, a população é a mais prejudicada.
Na prática, a tesoura do arrocho fiscal já está agindo fagueira sobre os gastos do governo federal. E, como sempre em casos de ajustes mal feitos, as primeiras vítimas são os investimentos, as obras e ações que poderiam gerar benefícios mais duradouros para os cidadãos.
Nos dois primeiros meses do ano, os investimentos do governo do PT caíram 31% na comparação com igual período de 2014. Foram R$ 5,1 bilhões a menos, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo com base na execução orçamentária do Tesouro até fevereiro.
Não sobra tijolo sobre tijolo. O PAC, por exemplo, confirma-se como mera peça de marketing, na medida em que suas promessas continuam sem sair do papel e os desembolsos para as intervenções previstas no programa decaem. Até abril serão R$ 4,7 bilhões a menos reservados no Orçamento da União.
Um dos setores que ilustra bem a paralisia do PAC é o de saneamento. Segundo auditoria feita pelo TCU, mais da metade das obras previstas para o setor estão paradas, atrasadas ou sequer saíram do papel, publica O Globo em sua edição de hoje. Outra medida da incúria que marca a gestão petista: somente 58 de um total de 491 obras foram concluídas.
O paradeiro atual deriva da conjugação de alguns fatores. O mais evidente é a crise econômica em que Dilma mergulhou o país. Mas há também a desconfiança generalizada entre governantes, investidores, empresários e consumidores em relação ao futuro. Com a perspectiva de um ano de forte contração na atividade, ninguém quer se aventurar.
Os trabalhadores já estão sentindo as garras do arrocho na pele, seja na forma de aumento do desemprego, seja na alta da inflação e no encarecimento dos preços, seja por meio da elevação dos impostos e dos juros determinada pelo governo da presidente Dilma.
Em desespero, o governo petista diz que agora vai apostar na retomada das concessões de infraestrutura para tirar o país do estado de catatonia. É a velha receita para qual o PT apela quando se vê em apuros, mas que, em razão de sua parca convicção, não tem produzido resultados satisfatórios – o programa lançado em 2012 deu em quase nada.
O que mais agrava o quadro geral de desalento no país é a falta de credibilidade na capacidade de Dilma Rousseff e seu partido de produzir um novo ciclo virtuoso capaz de resgatar a fé dos brasileiros no país. Neste cenário desolador, andar de lado é lucro.
Na prática, a tesoura do arrocho fiscal já está agindo fagueira sobre os gastos do governo federal. E, como sempre em casos de ajustes mal feitos, as primeiras vítimas são os investimentos, as obras e ações que poderiam gerar benefícios mais duradouros para os cidadãos.
Nos dois primeiros meses do ano, os investimentos do governo do PT caíram 31% na comparação com igual período de 2014. Foram R$ 5,1 bilhões a menos, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo com base na execução orçamentária do Tesouro até fevereiro.
Não sobra tijolo sobre tijolo. O PAC, por exemplo, confirma-se como mera peça de marketing, na medida em que suas promessas continuam sem sair do papel e os desembolsos para as intervenções previstas no programa decaem. Até abril serão R$ 4,7 bilhões a menos reservados no Orçamento da União.
Um dos setores que ilustra bem a paralisia do PAC é o de saneamento. Segundo auditoria feita pelo TCU, mais da metade das obras previstas para o setor estão paradas, atrasadas ou sequer saíram do papel, publica O Globo em sua edição de hoje. Outra medida da incúria que marca a gestão petista: somente 58 de um total de 491 obras foram concluídas.
O paradeiro atual deriva da conjugação de alguns fatores. O mais evidente é a crise econômica em que Dilma mergulhou o país. Mas há também a desconfiança generalizada entre governantes, investidores, empresários e consumidores em relação ao futuro. Com a perspectiva de um ano de forte contração na atividade, ninguém quer se aventurar.
Os trabalhadores já estão sentindo as garras do arrocho na pele, seja na forma de aumento do desemprego, seja na alta da inflação e no encarecimento dos preços, seja por meio da elevação dos impostos e dos juros determinada pelo governo da presidente Dilma.
Em desespero, o governo petista diz que agora vai apostar na retomada das concessões de infraestrutura para tirar o país do estado de catatonia. É a velha receita para qual o PT apela quando se vê em apuros, mas que, em razão de sua parca convicção, não tem produzido resultados satisfatórios – o programa lançado em 2012 deu em quase nada.
O que mais agrava o quadro geral de desalento no país é a falta de credibilidade na capacidade de Dilma Rousseff e seu partido de produzir um novo ciclo virtuoso capaz de resgatar a fé dos brasileiros no país. Neste cenário desolador, andar de lado é lucro.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Decolagem atrasada
A privatização de mais dois aeroportos do país, ocorrida na sexta-feira passada, foi um sucesso. Parece que até a presidente Dilma Rousseff ficou espantada com o êxito do processo. Melhor seria se ela e seu partido reconhecessem ter se oposto e impedido por tanto tempo as soluções às quais só agora, com tantos anos de atraso, o PT se curva.
Os petistas
conseguiram, enfim, fazer uma privatização bem-feita, unindo alta arrecadação,
lances muito acima dos preços mínimos e participação de grandes e experientes operadores
globais. Tudo o que não acontecera nos primeiros leilões de aeroportos
(Viracopos, Guarulhos e Brasília), no início de 2012, e tampouco na concessão
do campo de petróleo de Libra, vencida, no mês passado, sem disputa e sem uma
gota de ágio.
A briga pelos
terminais do Galeão e de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte,
rendeu lances de R$ 20,8 bilhões, com ágios de 294% e 66%, respectivamente.
Alguns dos maiores operadores aeroportuários do mundo, como o de Cingapura, o
de Munique e o de Zurique, integram os consórcios vencedores. Bom para os
usuários, bom para o Brasil. Pena que tenha demorado tanto.
Costuma-se dizer que
o governo petista perdeu dois anos entre as idas e vindas do processo de
privatização dos aeroportos, iniciado em fevereiro de 2012. Qual o quê! Foi
muito mais. A exaustão dos terminais brasileiros é evidente há bem mais tempo –
como as lembranças do caos aéreo de 2007 não deixam esquecer – mas não foi
suficiente para despertar o PT da sua letargia doutrinária e eleitoreira.
Basta dizer que o
volume de passageiros no país aumentou 171% desde 2002 sem que os aeroportos
(mal) administrados pela Infraero nem de perto tenham acompanhado a explosão da
demanda. “Os investimentos [no setor] giraram em torno de 0,05% do PIB,
resultando numa operação acima da capacidade como regra geral”, ressalta Paulo
Resende, especialista da Fundação Dom Cabral.
Estudo da Bain&Company
mostra que, entre 2003 e 2012, a capacidade de transporte aéreo no Brasil
cresceu 2,3 vezes mais que a dos aeroportos. Para complicar, a demanda
projetada pelas companhias aéreas para 2020 exige investimentos de pelo menos
R$ 42 bilhões nos próximos oito anos. O poder público seria capaz de fazer frente
a isso? Claro que não.
Com enorme atraso, o
Brasil decola um processo que já se desenrolou há quase 20 anos em países como
Alemanha, Inglaterra e Dinamarca e, já no fim do século passado, havia
alcançado vizinhos como Argentina, Peru e Costa Rica. É o preço que fomos
obrigados a pagar pela oposição raivosa e oportunista do PT às privatizações.
O processo de
concessões petista ainda guarda um ranço antiprivatista e estatizante,
representado pela manutenção de 49% do capital dos consórcios em poder da Infraero
– uma exigência dos editais – e pela elevada participação do BNDES no
financiamento dos investimentos – estimada em cerca de 70% dos R$ 9,2 bilhões
previstos. Teriam sido imprescindíveis para o sucesso do leilão?
Sobre a
incompetência da Infraero e do governo nesta área, nem é necessário gastar
muito latim. Basta dizer que a estatal tem obras atrasadas em sete dos oito
aeroportos que gere em cidades-sede da Copa de 2014, como mostrou O Globo em setembro – os mais adiantados
realizaram menos de 40% das intervenções previstas. Já o governo petista executou
neste ano apenas 53% dos R$ 2,6 bilhões de que dispõe para melhoria dos
terminais do país.
É praticamente certo
que os aeroportos privatizados experimentarão um salto de qualidade doravante.
Infelizmente, dado o atraso no cronograma do governo Dilma, os usuários ainda terão
que esperar algum tempo até começar a desfrutar do conforto e dos novos
benefícios: as concessionárias assumirão os terminais apenas em março do ano
que vem, sem tempo algum, por exemplo, para fazer quaisquer melhorias para a
Copa.
Mesmo que ainda
demore um pouco, os aeroportos privatizados irão gerar nos passageiros um gosto
de quero mais e é possível que, até por efeito-demonstração, a sociedade passe
a cobrar que mais terminais, entre os cerca de 60 que ainda serão mantidos sob
a alçada da Infraero, sejam transferidos para concessionários – com especial
atenção aos do Nordeste.
Em sua única
manifestação pública até agora sobre os leilões do Galeão e de Confins, Dilma
Rousseff deixou transparecer sua incredulidade com tão vistoso resultado: “Não
deu errado. (...) Vou repetir: não deu errado!”, afirmou ela, eufórica, na
sexta-feira no Ceará. Parece até que foi apanhada de surpresa, dado o histórico
de fracassos de seu governo nas demais privatizações de infraestrutura. É como
se dissesse: “Até que enfim, não erramos.”
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Enquanto o PT aprende, o país para
Será o governo de um
país um bom lugar para se aprender? Pelo que diz a presidente Dilma Rousseff,
cuja experiência pretérita em comandar alguma coisa inclui ter levado uma
lojinha de produtos chineses à falência, sim. Para o interesse e as
necessidades dos brasileiros, a resposta certamente é não.
Vira e mexe, a presidente
tem dito que “aprende todos os dias” à frente do cargo mais importante do país,
como voltou a fazer ontem
em Belo Horizonte. Pretende, assim, transparecer humildade, como contraponto à
sua reconhecida arrogância e intratabilidade. Mas o que ela acaba por admitir,
mesmo involuntariamente, é sua inaptidão para a cadeira que ocupa.
O aprendizado de Dilma
não é mera figura de retórica. É a prática corrente de um governo que tenta,
tenta e não acerta. Nas provas de múltipla escolha da escolinha, quase sempre
opta pela alternativa errada. O problema é que, enquanto o PT tenta aprender, o
país anda para trás – ou, na melhor das hipóteses, fica parado.
O aprendizado é sempre
nobre, necessário e louvável para qualquer ser humano. Mas acaba virando mera improvisação
quando governantes titubeiam quanto ao que precisam fazer. Infelizmente, a
atual gestão é pródiga nestas idas e vindas. São inúmeros os exemplos, mas o mais
marcante é o pífio resultado produzido na melhoria da infraestrutura viária do país.
Estamos caminhando
para o fim do ano em que o governo Dilma prometera realizar uma “revolução” na
logística do país, sem, porém, que qualquer avanço digno de comemoração tenha sido
conquistado. Pelo contrário. O país está cada vez mais enredado em aprendizados
estéreis em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. A cada dia é um novo
fracasso.
A previsão era de
que fossem realizados 25 leilões neste ano, nas apenas seis devem ocorrer. Até
agora, foram ofertadas apenas a BR-050, em setembro, e o campo de Libra,
arrematado sem concorrência e sem ágio na última segunda-feira. A concessão da BR-262 ficou pelo
caminho, após não ter atraído interesse de nenhum investidor.
A despeito de manter
a Infraero como um fardo que sacrifica os investidores privados, dois
aeroportos – Galeão e Confins – devem ser concedidos neste ano. Segundo Gleisi
Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, a presença da estatal nos consórcios visa
estimular a estatal a “aprender” com grandes operadores, conforme informa O Globo. É a mesma história: enquanto o PT aprende, os usuários dos
aeroportos sofrem...
Entre as rodovias, apenas a BR-163 e o eixo formado pelas BRs-060/153/262
têm leilões garantidos em 2013. Vale lembrar
que, há apenas um mês, o governo ainda trabalhava com a possibilidade de
conceder quatro estradas até dezembro. Neste ínterim, a BR-040 ficou pelo
caminho e a BR-163 também envereda pelo mesmo destino.
As concessões de
ferrovias, que inicialmente deveriam começar na próxima semana, ficarão, na melhor
das hipóteses, para 2014, conforme admitiu ontem Gleisi Hoffmann. São 14
trechos fundamentais para desobstruir gargalos no país, mas que continuam como
sempre estiveram: parados.
Há um ano e dois
meses foi lançado o Programa de Investimento em Logística. Nesta altura, os
contratos já deveriam estar assinados e as obras em execução. Mas o governo
ainda está enredado em editar decretos que possam consertar seus modelos
capengas e finalmente destravar as concessões, como acontece com as de ferrovias, conforme
noticia hoje o Valor Econômico.
Nos portos, não é
muito diferente: instalou-se uma verdadeira guerra, que deve estender-se aos
tribunais, como informa O Estado de S.Paulo. Envolve, de um lado, uma centena de empresas que já
exploram terminais privados em Santos, Paranaguá e Salvador, e, do outro, o
governo federal, que tenta emplacar na marra um novo regime jurídico para o
setor.
A triste realidade é
que, na base do improviso, o governo petista transforma o que seria uma atitude
nobre – aprender com a experiência do dia a dia e com o que a vida ensina a
todos – numa fonte de malefícios para a sociedade. Se fosse mesmo todo aquele
suprassumo que se dizia na campanha eleitoral, a esta altura Dilma Rousseff
deveria era estar ensinando e não ainda tentando aprender.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Torrando a herança bendita
Dilma Rousseff falou ontem nos EUA a investidores estrangeiros. Queria convencê-los de que está fazendo tudo certo no Brasil e deve merecer a confiança dos empresários. Difícil. Como a prática de seu governo não corresponde à imagem que quer vender, a presidente teve de lançar mão do único ativo capaz de lhe restituir alguma credibilidade: a herança bendita da gestão Fernando Henrique Cardoso.
O governo reuniu um
time de ministros para assegurar a investidores estrangeiros que o Brasil “respeita
contratos”. Para comprovar a suposta veracidade de seus propósitos, a
presidente disse que “há mais de 20 anos” é assim. Se tivesse que se valer do presente,
seu discurso provavelmente seria encarado pela audiência como uma peça de ficção
assemelhada às fábulas dos irmãos Grimm...
“Se tem um país que
respeita contrato, é o Brasil. (...) Não interessa o governo que assinou. Você
pode não gostar de quem fez o contrato. Você pode discordar do contrato. Mas
ele foi assinado por uma autoridade e ele será cumprido. É uma questão de
Estado, e não de governo”, disse a presidente, para uma plateia formada por investidores
reunidos pelo banco Goldman Sachs.
O pessoal da audiência
deve ter se arrepiado. O que dizer da brutal intervenção patrocinada pelo
governo Dilma nos contratos de energia? O que dizer da mudança no bem sucedido marco
legal do petróleo, substituído por um salto no escuro? O que dizer da
desenfreada manipulação das tarifas públicas, da qual a Petrobras é a maior,
mas não a única, vítima?
Fernando Pimentel,
um dos integrantes da comitiva presidencial, foi mais longe na estratégia de fiar-se
na herança bendita tucana e até reconheceu que o PSDB tinha mais credenciais do
que o PT para vencer a hiperinflação à época da edição do Plano Real, quase
duas décadas atrás, conforme registra O Estado de S.Paulo.
Na realidade, é difícil
comprar Dilma e seu governo pelo seu valor intrínseco. E os investidores estão
carecas de saber disso. A atual administração é errática, titubeante, indecisa
e, por que não dizer, só inspira insegurança em quem quer empreender. Muito diferente,
portanto, de quem cumpre regras e imprime rumo claro à gestão, como era o caso
do governo tucano.
Ontem mesmo, no
mesmo momento em que a presidente vendia aos americanos uma suposta
estabilidade, sua equipe anunciava, em Brasília, que, mais uma vez, as regras do
programa de concessões serão alteradas. Empresas que antes não podiam disputar
Galeão e Confins agora podem – vale lembrar que a proibição havia sido baixada por
determinação da própria Dilma.
Com isso, há chance até
de surgir um novo monopólio no setor, com risco de que venha a deter 85% da
operação dos voos internacionais do país, concentrados em Guarulhos e Rio. Os leilões
dos aeroportos, que seriam em outubro, devem ficar para dezembro. Provavelmente,
não será a última mudança no processo.
Na prática o que vigora
na gestão petista é um método peculiar de gestão: o “se colar, colou”. Lançam-se
propostas ao léu na esperança de que elas passem incólumes pelo crivo dos
interessados. Só ao longo do processo é que vai se verificar se as iniciativas param
ou não de pé. Em geral, derrapam na primeira curva.
Quem melhor explicitou
isso foi a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. “Lançamos propostas e
fazemos a interação com todos os atores que devemos fazer. É um processo de
aperfeiçoamento com interação”, disse ela ontem a’O Globo, para explicar por que o governo teve que rever, mais uma vez, as
regras para a concessão dos aeroportos e, provavelmente, também terá de buscar
alternativas para a privatização das BRs 101, 153 e 262.
Este método
alucinado, evidentemente, já mostrou que não é capaz de render os resultados
que o país precisa. No caso das concessões, a Folha de S.Paulo sintetiza hoje o tamanho do fiasco: dos 25 leilões de
infraestrutura previstos para este ano, apenas oito, se tanto, deverão
acontecer. E pensar que o governo petista encarava as privatizações como sua tábua de
salvação...
Ferrovias? Os estudos
ainda são muito superficiais para atrair interessados e até a estatal chave no
processo será agora extinta. Portos? Os levantamentos são considerados ruins e os
riscos jurídicos, elevados demais. Com isso, todos os leilões destes dois
modais vão ficar para depois, quiçá para as calendas.
É forçoso constatar:
o governo do PT só se manteve de pé enquanto os benefícios decorrentes das
reformas e transformações levadas a cabo pela gestão Fernando Henrique perduraram.
Depois que os petistas decidiram trilhar seu próprio caminho, mais ou menos
desde 2009, o país descambou. Toda herança, se não é bem trabalhada, um dia
acaba. A do país, o PT torrou sem legar quase nada aos brasileiros.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Eles não sabem o que fazem
Se tudo tivesse corrido como planejado, nesta altura do campeonato a gestão petista estaria comemorando o sucesso das privatizações de um extenso e bilionário rol de obras de infraestrutura. Mas, no governo do improviso e da invencionice, até agora deu quase tudo errado. Eles não sabem o que fazem.
Passados um ano e um mês depois do lançamento do programa de
concessões, o governo ainda está às voltas com a redefinição de regras que, na prática,
se mostraram equivocadas, disfuncionais, alheias à realidade. Há furos
técnicos, jurídicos e, principalmente, regulatórios. Eles não sabem o que
fazem.
Ontem, foi a vez de os parâmetros para o leilão do aeroporto
de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, serem modificados. O governo
foi forçado a diminuir as exigências, até para não produzir mais uma frustração
e um novo leilão fracassado que engordasse uma lista que não para de crescer.
Anteriormente, dera-se o inverso: por determinação da presidente
da República, o governo aumentara bastante o padrão mínimo exigido dos
operadores estrangeiros a fim de evitar que novos aventureiros – como os que se
apresentaram para explorar os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas – se
candidatassem. Repete-se também neste caso o padrão decisório petista: vai e
volta, estica e puxa. Eles não sabem o que fazem.
A nova mudança resultará também em novo adiamento dos leilões
de Confins e do aeroporto do Galeão, que ficaram para 22 de novembro. Teme-se,
porém, que o curto prazo após mais esta alteração no modelo dificulte a movimentação
de grandes grupos, que não teriam tempo hábil para entrar no negócio. É a velha
prática do improviso causando novas vítimas.
Há meses, o governo petista vinham alardeando que, nesta
altura do ano, o país estariam em plena decolagem, beneficiado pelo empuxo
benfazejo das privatizações. Numa linguagem juvenil, a nossa economia estaria
bombando. Qual o quê...
As alquimias e as invencionices que os petistas enfiaram nos
editais simplesmente detonaram as chances de que o processo seja um sucesso
incontestável. As premissas não batem com as conclusões, as teses não conversam
com as sínteses, as hipóteses não levam a consequências. Sobra ideologia,
intervencionismo, improvisos.
Os fracassos se sucedem, a começar pelo frustrado leilão da
BR-262, que forçou o governo a fazer uma “reavaliação grande” de todo o
processo de concessão das rodovias, como disse a
presidente Dilma Rousseff há duas semanas. Ela não sabe o que faz.
Os investidores avaliam que, dos nove trechos rodoviários que
o governo ofereceu, apenas dois ou três se viabilizam. Por isso, todo o formato dos leilões está sendo revisto e, muito provavelmente,
algumas rodovias serão retiradas do programa, como a BR-101 na Bahia. Eles não
sabem o que fazem.
Para completar, o Regime
Diferenciado de Contratações, imposto goela abaixo do país como panaceia para o
atraso de obras, também mostrou-se inócuo, como informou a Folha de S.Paulo no domingo. Desde
que o sistema foi instituído, em 2011, o Dnit, maior contratador de obras do
governo, iniciou 150 licitações e, delas, 66 (44%) não deram certo e ficaram
sem interessados. Eles não sabem o que fazem.
Destino não muito
melhor que as estradas deverão ter os leilões de ferrovias. O primeiro – um
trecho entre Maranhão e Pará – era previsto para outubro, mas deverá ser
adiado. Os outros já nem se sabe mais se haverá, dado que os investidores não
confiam num modelo que, para parar em pé, depende essencialmente da Valec. A estatal
de lauta ficha corrida será agora extinta e substituída por uma nova empresa
que ninguém sabe ao certo como funcionará.
Também apenas agora o
governo se deu conta de que o modelo mirabolante que bolou para privatizar
ferrovias carece de base legal. Por isso, só agora, mais de um ano
depois do lançamento do programa, quando 10 mil km de trilhos já deveriam estar
licitados, prepara uma medida provisória para dar base legal às concessões
ferroviárias e mais segurança aos investidores, como mostra hoje O Estado de S.Paulo. Os leilões podem ficar para 2015. Seguramente, eles
não sabem o que fazem.
Como desgraça pouca
é bobagem, o leilão do gigantesco poço de Libra só teve 11 interessados, um
quarto do que o governo previa. Como a maioria das inscritas são estatais, já se
considera que o pré-sal acabará servindo mesmo é de reserva para garantir
suprimento futuro a outros países, como a China. O governo petista está
simplesmente rifando cerca de metade do petróleo de que o país dispõe, num tremendo
salto no escuro.
Governar um país como o Brasil não é para aprendizes, não é
para feiticeiros, não é para iniciantes. Diante de tantos e tamanhos equívocos,
é de se pensar se os petistas cometem tanta lambança de caso pensado ou é puro
desconhecimento, ignorância e despreparo. Será que eles acreditam mesmo que sabem o que fazem?
sábado, 21 de setembro de 2013
Os fracassos dos aprendizes de feiticeiro
O fantasma estatizante e o terror intervencionista fizeram
ontem mais uma vítima. O leilão para exploração do campo de Libra atraiu apenas
uma fração dos interessados esperados. Grandes empresas mundiais do setor
pularam fora. Nossa gigantesca reserva de petróleo pode acabar servindo mesmo é
para pôr fogo na caldeira da economia dos chineses.
Libra será o primeiro campo do pré-sal a ser leiloado, em 21
de outubro. O governo esperava que 40 empresas se interessassem pelo negócio,
mas só 11 se inscreveram. Gigantes como as americanas Exxon e Chevron, primeira
e segunda maiores petrolíferas do mundo em valor de mercado, e as britânicas BP
e BG ficaram de fora.
A maior parte das inscritas – seis – são estatais. Entre as
competidoras estão duas chinesas, uma malaia, uma indiana, uma colombiana, uma
portuguesa, uma espanhola, uma anglo-holandesa, uma francesa e uma japonesa,
além da Petrobras. Já se prevê que número ainda menor delas dê lances no
leilão. A competição deve ser pouca.
Dado o perfil dos participantes, já se prevê que o pré-sal
brasileiro poderá acabar servindo mais para que estatais de outros países assegurem
suprimentos futuros de petróleo do que propriamente para produzir riquezas no presente. São consequências da opção da gestão
petista por substituir o vitorioso modelo de concessões pelo de partilha.
Há cinco anos, ficamos sabendo da descoberta das reservas do
pré-sal. Ato contínuo, o governo Lula anunciou a mudança no marco legal de
exploração de petróleo no país, por mera política miúda – era preciso enterrar
um retumbante sucesso produzido pelo sistema adotado na gestão
tucana – e uma visão ideológica canhestra das coisas.
Durante cinco anos, o Brasil ficou sem licitar novos campos
de petróleo e, com isso, as áreas em exploração do país caíram a um terço do
que eram. Ao mesmo tempo, alçada à condição de operadora única e participante
obrigatória nos consórcios do pré-sal, a Petrobras entrou em derrocada e hoje
vale tanto quanto valia em 2006.
Neste ínterim, a Lusitana rodou e o mundo do petróleo e da
energia girou. Os EUA passaram a explorar o gás de xisto, a Colômbia adotou o
regime de concessão e viu sua estatal, a Ecopetrol, chegar a ultrapassar a
Petrobras em valorização e agora o México também envereda pelo mesmo caminho,
abrindo seu mercado de petróleo, antes monopolista.
Diante desta nova realidade, os investidores viram que era
melhor não continuar esperando o Brasil resolver o que iria fazer com suas
reservas de petróleo e buscaram outras praias. Perceberam que havia riscos
demais a correr apostando no salto no escuro que o governo brasileiro
patrocina, com seus modelos regulatórios modulados ao léu e mudados a todo
instante.
Depois de ver seu modelo de gestão econômica naufragar, o
governo da presidente Dilma Rousseff passou os últimos meses dizendo que a
virada viria agora – e justamente, para desgostos dos petistas, com as
privatizações. Mas as feitiçarias que Brasília inventou, tanto para o setor de
petróleo quanto para as concessões de infraestrutura, só estão conseguindo
produzir fracassos.
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
O rocambole das concessões
Há exato um ano e um mês, o governo da presidente Dilma Rousseff lançou um ambicioso plano de privatização de infraestrutura. Pelo programado, a esta altura todos os leilões já deveriam ter acontecido, todos os contratos, assinados e as obras deveriam estar prontas para começar. Nada aconteceu como previsto. Até agora, o plano é um fracasso só.
O Programa de Investimento em Logística prevê investimento
de R$ 210 bilhões distribuídos em 10 mil km de ferrovias (R$ 91 bilhões), 7,5
mil km de rodovias (R$ 46 bilhões), em torno de 280 terminais portuários públicos
e privados (R$ 54,6 bilhões) e R$ 16 bilhões para os aeroportos de Galeão (RJ) e
Confins (MG).
A primeira rodada de leilões está acontecendo neste momento,
com o processo de concessão da BR-050. O resultado será conhecido amanhã, mas já
se sabe que nenhum operador estrangeiro se interessou pelo negócio. A outra
rodovia ofertada nesta rodada, a BR-262, ficou pelo caminho, sem conseguir despertar
a atração de um único investidor sequer.
Atônito, o governo anunciou
ontem que vai mexer, mais uma vez, nas regras dos leilões. Em primeiro lugar,
vai ofertar as rodovias em fatias, ou seja, um trecho de cada vez – no modelo original,
nove trechos seriam oferecidos em cinco leilões distintos. Desde o início, todo
o processo tem sido assim: cheio de idas e vindas, avanços e recuos.
O governo também promete agora afastar o chamado “risco Dnit”.
Tal como estão, as regras obrigam os investidores a casar com o órgão público na
execução dos contratos, mas desobrigam o Dnit de executar sua parte na união –
ou seja, realizar algumas obras, como duplicações. O governo diz agora que vai deixar claro que o
futuro concessionário terá direito a reequilíbrio do contrato caso o Dnit não consiga
fazer as intervenções sob sua responsabilidade em até cinco anos.
A realidade é que o processo de privatizações tocado pelo PT
é rocambolesco. O partido de Dilma, Lula e José Dirceu demorou uma eternidade
para render-se ao óbvio: ninguém melhor que a iniciativa privada para fazer as
obras de infraestrutura de que o Brasil necessita – é só verificar os rankings que,
ano após ano, apontam as estradas privatizadas de São Paulo como as melhores e
mais seguras do país...
Quando finalmente aderiram às privatizações, os petistas
decidiram reinventar a roda. Bolaram modelos mirabolantes de concessão, sempre
eivados por certa repulsa ao capital privado e por um encantamento anacrônico pelo
predomínio estatal na vida do país. A marca mais evidente deste
intervencionismo juvenil é a tentativa de tabelar os ganhos dos concessionários,
por meio da predefinição da taxa interna de retorno.
O modelo não parou em pé e a única forma de levá-lo adiante
foi injetar grosso dinheiro público no processo, seja por meio de financiamento
subsidiado do BNDES, seja por meio de participação acionária de bancos oficiais
e fundos de pensão de estatais nos consórcios. As concessões petistas tornaram-se,
assim, uma espécie de privatização de bens públicos bancada por recursos públicos.
Nenhuma novidade nesta invencionice: as privatizações
petistas são quase sempre capengas. Tome-se como exemplo os sete trechos de
rodovias leiloados pelo governo Lula em 2007. À época, fez-se um barulho danado
para comemorar a concessão de estradas a preço de banana, com pedágios de até
R$ 1. Passados cinco anos, o modelo revela seus parcos resultados e seus muitos
furos.
Das grandes obras e duplicações previstas em 2.600 km por
contrato, apenas 12% foram efetuadas, como mostrou a Folha de S.Paulo em junho. Em alguns casos, como os da BR-101 em Santa
Catarina, da BR-153 em Minas e São Paulo e da BR-393 no Rio – onde, no total,
era previsto duplicar ou construir 192 km de vias – nadinha foi feito até hoje.
A despeito disso, os pedágios praticados nestas rodovias
subiram muito acima da inflação acumulada no período, como mostra hoje o Valor Econômico. Na BR-101, as tarifas aumentaram 70%, o dobro da inflação;
na BR-393, a alta acumulada chega a 58%, enquanto nestes cinco anos o IPCA variou
em torno de 35%. Estas bananas saíram caras pra burro...
É mais que evidente que o Brasil precisa do investimento
privado em infraestrutura, até porque o dispêndio público nesta finalidade não
sai do lugar, sempre em torno de mero 1% do PIB. Como consequência, as condições
gerais de nossas estradas, ferrovias, portos e aeroportos são classificadas apenas
como as 114ª melhores entre 148 países, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Infelizmente, o processo de concessões levado a cabo pela presidente Dilma
Rousseff está eivado de equívocos. Não fornece a segurança necessária para investimentos
que se diluirão ao longo de décadas; impõe parcerias desnecessárias e
indesejáveis com o poder público; e interfere no plano de negócios dos
concessionários. Ao postergar e dificultar as privatizações, o governo petista
está sabotando o país.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Com PT, concessão vira osso duro de roer
Terminou em fracasso a primeira rodada do programa de concessões de rodovias do governo Dilma, fruto de um modelo que não para em pé e desperta irrestrita desconfiança entre os investidores. Com o país transformado em laboratório pelo PT, o que era para ser filé acabou revelando-se osso duro de roer.
A gestão petista queria começar seu programa de concessões
com pé direito. A aposta era de que o sucesso nos leilões da BR-050 entre Minas
e Goiás e da BR-262 entre Vitória e Belo Horizonte – considerados pelo governo os
“filés” das concessões – espraiaria uma nuvem de otimismo sobre nossa combalida
economia. O plano falhou.
O leilão de concessão da BR-262, aberto na sexta-feira, não
teve um único interessado. Era risco demais para retorno de menos, avaliaram as
empresas privadas, mesmo com a bolada de dinheiro público que o governo estava
disposto a pôr no negócio.
Considerando os financiamentos subsidiados e a participação
de bancos públicos e fundos de pensão estatais nos consórcios, o capital
privado poderá representar apenas 15% dos investimentos em rodovias. Nem isso,
porém, foi suficiente para despertar o “espírito animal” dos empreendedores
privados. Por que será?
Um dos principais motivos é ter de contar com o Dnit como sócio
da empreitada. Notável pela sua lentidão operacional, no caso da BR-262 o órgão
federal teria que duplicar 180 dos 375 km da rodovia concedidos. Se não o fizesse
no prazo estimado (cinco anos), o prejuízo ficaria com os concessionários.
Como ficar sócio de um governo que sequer consegue executar
seu orçamento para o setor? No sábado, a Folha de S.Paulo mostrou
que os investimentos em rodovias, que já eram baixos na gestão anterior, caíram
17,5% sob Dilma em valores nominais – com a inflação considerada, diminuíram
muito mais. Para a BR-262, só 0,4% dos R$ 294 milhões previstos no Orçamento da
União para 2012 foram aplicados.
Contra fatos, não há argumentos. Mas, ao invés de fazer do
tombo um aprendizado, e, com isso, tentar salvar o resto do processo, o governo
Dilma está optando pelo pior caminho: inventar fantasmas para justificar o
fiasco do seu modelo de concessões. Depois que a licitação para a BR-262 deu
vazio, passou a ver “razões políticas” e até supostas “armações” e “ações
orquestradas” dos investidores contra a gestão petista.
O governo Dilma deveria, isto sim, compreender algo simples:
a iniciativa privada não entra em negócio sem clareza, em que o governo de
turno pode meter a mão a qualquer tempo e em que as regras são desconexas. Em suma:
não dá para ser parceiro de quem não inspira confiança.
As premissas do leilão da BR-262 eram irrealistas, com
estimativas superdimensionadas de expectativa de tráfego e risco jurídico. Mas isso
não é caso isolado: o mesmo pecado acomete as regras de concessão da BR-101 e de
todo o lote de outras seis rodovias previstas para serem ofertadas em novembro.
Nestes anos todos em que está no governo, o PT não entendeu qual
é o espírito por trás de investimentos privados que se estenderão por décadas.
Não percebeu que segurança e clareza de regras são fundamentais em negócios
desta natureza. Talvez seja porque os petistas consideram que é sempre possível
dar um jeitinho nas coisas, mudando normas de maneira discricionária, salvando
os amigos do rei...
O PT passou décadas demonizando as privatizações. Quando se
converteu a elas, o fez como aprendiz de feiticeiro. As rodovias concedidas a
preço de banana pelo governo Lula, por exemplo, até hoje mal cumpriram 10% das
obras e obrigações previstas para o período, passados cinco anos do início das
concessões. Já na gestão Dilma, este é o terceiro leilão de rodovias que dá em
água: antes já fracassaram os de trechos das BRs 040 e 116.
O governo tem um programa de concessões de R$ 210 bilhões
sobre o qual pende uma robusta interrogação. A privatização das ferrovias, que
deveria começar em outubro, deve atrasar. Há também dúvida se algum investidor de
peso vai topar ter como sócia a Valec, um sorvedouro de dinheiro público e uma
das recordistas em ineficiência. A privatização de portos e aeroportos também é
titubeante.
É cristalino que o investimento privado é fundamental para
destravar as obras de infraestrutura de que o país tanto precisa para decolar. Mas
ele não irá se efetivar num ambiente de tanta dubiedade e perda de confiança
como o que se criou em torno do atual governo. Privatizar é a solução, mas é
preciso saber fazer. Por muitos anos, o PT não deixou fazer e agora não sabe como
fazer. Quem perde é o Brasil.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O preço da desconfiança
Não faz seis meses, o governo federal divulgou um bem-vindo pacote de concessões na área de infraestrutura viária. O modelo foi anunciado como o suprassumo da engenharia financeira: obras grandiosas e bilionárias bancadas com tarifas módicas. Acabou, contudo, tendo o mesmo destino das convicções simplistas que costumam acompanhar as ideias do petismo: o lixo.
Nesta semana, a
gestão Dilma Rousseff anunciou que está revendo as condições em que ofertará
7,5 mil quilômetros de rodovias federais. O mesmo deverá acontecer com o pacote
de concessões de 10 mil quilômetros de ferrovias e também com o dos portos,
como mostra hoje O
Globo. É como numa famosa música de Caetano Veloso:
Aqui tudo parece que ainda está em construção e já é ruína. Com o PT, está tudo
fora da ordem.
Os petistas passaram
anos negando o inegável e postergando o impostergável. Nos palanques, demonizaram
as privatizações e só tardiamente aderiram a elas, depois de constatar que o
Estado que tanto veneram é incapaz de acompanhar as premências de um país que
precisa crescer.
Mas, mesmo depois de
uma década no comando do país, miraram o caminho certo e pegaram a estrada
errada. Mais uma vez, estão tendo que refazer o que mal fizeram. O governo do
PT vive em ziguezagues, cambaleando num eterno ir e vir. Como é possível
demorar tanto para decidir e, logo em seguida, voltar atrás?
Os aprendizes de
feiticeiro da gestão Dilma tiveram agora que dobrar-se à constatação de que, da
forma como fora anteriormente oferecido, em agosto passado, o pacote de
concessões não pararia de pé. Muito menos atrairia o interesse dos
empreendedores privados. Naquelas condições, quem se exporia a assumir
investimentos que beiram R$ 130 bilhões ao longo de 25 anos?
Mesmo sabendo que a melhoria
da nossa infraestrutura é crucial para que o país não trave de vez, o governo petista
só voltou atrás depois que os primeiros leilões baseados no seu modelo de Professor
Pardal deram com burros n’água. Na semana passada, fracassou a tentativa de conceder
trechos da BR-040 e da BR-116 à iniciativa privada. Ninguém se interessou em
correr o risco.
Anteontem, o ministro
Guido Mantega foi obrigado a anunciar que as condições serão modificadas, tornando-se
mais amigáveis aos investidores. Sobe o período de financiamento para os
projetos, diminuem os juros cobrados nos empréstimos e aumenta o prazo de
concessão dos ativos. A mudança mais relevante, porém, foi a da taxa de retorno
dos investimentos, chamada de TIR no jargão do mercado.
Nas condições originais,
ela seria de 6% a 7% ao ano, e agora passará a algo como entre 10,8% a 14,6%,
segundo a Folha
de S.Paulo. Constata-se que o governo Dilma topou bancar uma taxa de pai
para filho. O PT mostra que não apenas privatiza, como o faz como nem o
privatista mais renhido jamais ousou fazer.
A TIR agora admitida
aproxima-se das que vigoraram nas primeiras concessões rodoviárias federais, realizadas
em fins da década de 1990. Ocorre que as condições gerais de mercado de então eram
completamente diferentes das de hoje: o crédito era muito mais escasso, os
juros básicos muito maiores e o risco de mercado mais alto. Naquela situação, justificava-se
uma taxa maior.
Hoje, não só há
crédito abundante em todo o mundo, como os juros estão em níveis historicamente
baixos também em todo o mundo. Com isso, a disposição do investidor para assumir
riscos e buscar ganhos mais altos naturalmente cresce. Ou seja, as taxas de retorno
também têm como ser, naturalmente, bem mais baixas do que no passado.
Na realidade, a gestão
petista está tendo que pagar o preço da desconfiança dos investidores em relação a suas práticas atrapalhadas e
intervencionistas. Quem se aventura a pôr dinheiro num país em que o governo é capaz
de destruir sua maior empresa, a Petrobras, e implodir a solidez de um setor
inteiro, como fez com as empresas concessionárias de energia elétrica? Quem ousa
acreditar em governantes que, a cada seis meses, contradizem tudo o que fizeram
nos últimos seis meses? Quem topa correr o risco Dilma?
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
As mentiras deslavadas do PT
Pode parecer o maior pleonasmo da paróquia, mas não custa repetir: oposição existe para se opor. O que em qualquer democracia madura do mundo é tratado com naturalidade, no Brasil da era petista transformou-se em heresia. É espantoso como o partido que é réu no processo que investiga o maior escândalo de corrupção da história política do país reage às críticas: à base de muita lorota.
A função de quem,
pela vontade das urnas, não foi escolhido para governar é fiscalizar, apontar equívocos
e desacertos e sugerir alternativas. Até que a próxima eleição chegue, e o
eleitor novamente se manifeste, é este o papel que cabe aos partidos de
oposição. É esta a tarefa a que eles devem se dedicar, diuturnamente. Democraticamente.
Mas o exercício da
crítica incomoda bastante o PT. O partido de Lula, Dilma e José Dirceu convive pessimamente
com o contraditório, tem horror à contestação e lança-se com faca nos dentes a trucidar
qualquer obstáculo que se interponha no caminho de sua busca pela hegemonia a
qualquer preço. Excede-se numa luta que deveria respeitar, regiamente, os preceitos
da democracia.
As armas que o PT
maneja com incomparável maestria são a mentira e a mistificação. O partido dos
mensaleiros é pródigo em transmutar-se de réu em vítima, de acusado em
acusador. É o que está ocorrendo agora, por exemplo, quando a mais alta corte da
Justiça brasileira tem sentados no banco dos réus dez petistas, alguns deles da
linha de frente partidária nos seus mais de 30 anos de existência.
Qualquer partido
decente deveria envergonhar-se da situação. Mas o PT dá-se até ao descaro de
escalar o presidente da legenda para arrostar o Supremo Tribunal Federal e
acusar os ministros de estarem sendo partícipes de um “golpe grande”, como disse
Rui Falcão anteontem.
Onde foi feita a afirmação?
Em Osasco. Em qual circunstância? Durante evento em que os petistas foram obrigados
a lançar um novo candidato a prefeito depois que o original foi condenado a
passar alguns anos na cadeia por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. É este
partido que exibe os dentes e parte para cima de seus adversários, com a maior
sem-cerimônia do mundo...
A esperteza não é utilizada
pelo PT apenas como arma do embate eleitoral. O partido usa de muita fancaria
também para transmudar péssimas realidades em feitos extraordinários, por meio
de ilusionismos embalados em vistosas doses de marketing. O mundo petista é
muito diferente do mundo real, do mundo que gente de carne e osso tem de
enfrentar todos os dias.
Veja-se o que está
ocorrendo agora no processo de privatização da infraestrutura viária do país. Foram
anos de recusa petista a admitir a solução, ao mesmo tempo em que as condições
logísticas do país iam para o buraco, não decolavam ou trafegavam em marcha
lenta. Eis que, numa mágica, o PT alardeia agora que privatiza sem privatizar, apenas
para dizer que não tisnou suas carcomidas bandeiras ideológicas.
Indo a fundo, ver-se-á
que o PT não só privatiza, como o faz como nem o privatista mais renhido jamais
ousou fazer. Pelos jornais de hoje, fica-se sabendo que a presidente Dilma
Rousseff encontra-se num vai-e-vem infindo sobre o que fazer com a concessão
dos aeroportos, principalmente Galeão e Confins, e que, para atrair os
desejados operadores estrangeiros, tenciona entregar-lhes o negócio
praticamente de bandeja.
“Para convencer as
grandes operadoras, o governo oferece ao futuro sócio da Infraero total
liberdade para administrar os dois aeroportos”, informa a Folha
de S.Paulo. Note-se que o lance desesperado é agora cogitado pelo
governo porque o interesse dos investidores em serem sócios minoritários da
Infraero, num modelo de Professor Pardal inventado pelo Planalto, é quase nulo.
N’O
Globo, Ilimar Franco revela mais: as concessões serão
entregues a preço de banana, como se estivessem sendo ofertadas na hora da
xepa. “Para serem sócios na empreitada, os estrangeiros terão de entrar só com
know-how para administrar os aeroportos. O investimento será mínimo”. O modelo assemelha-se
ao que foi usado cinco anos atrás por Lula na concessão de sete lotes de
rodovias federais: tudo muito baratinho, tudo muito ordinário, com menos de 10%
dos investimentos
previstos realizados até hoje.
Outro retumbante, ultraprofundo
trololó é a dita autossuficiência brasileira em petróleo. Com o sucateamento imposto
nos últimos anos pelo PT à Petrobras, o Brasil compra combustível como nunca no
exterior e vê a produção interna e a produtividade da sua maior empresa
mergulharem ao fundo do poço, como mostram várias reportagens publicadas hoje
pela Folha.
O que vale apena
reter de tudo isso é que o PT e suas lorotas devem ser contrapostos com
destemor. Só numa situação em que as instituições vão sendo postas de pernas
para o ar e os valores são corrompidos sob as bênçãos de quem se arvora ser líder
máximo da nação, é que um partido com tamanha ficha corrida mete tanto medo. A cada
mentira deslavada que os petistas contarem, serão rebatidos com verdades cada
vez mais incômodas.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Choque de realidade
O pacote de infraestrutura anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff recoloca o país numa rota da qual ele tinha sido desviado. Ao longo dos últimos nove anos, as gestões petistas optaram por um caminho acidentado e cheio de buracos, um modelo depauperado que não chegou a lugar nenhum. Renderam-se agora, finalmente, às privatizações, alternativa que a oposição jamais deixou de defender.
A opção por
privatizar 7,5 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias atesta o fracasso do
modelo aplicado pelo PT, que monopolizou no Estado a atribuição de fazer
deslanchar a melhoria da infraestrutura do país. A opção petista não deu certo;
seu único resultado foi fazer o país perder anos patinando sem sair do lugar.
É possível fazer uma
série de cálculos e usar exemplos de todos os tipos para ilustrar a paralisia a
que o PT guiou a infraestrutura no Brasil. Mas, para simplificar, basta ater-se
ao que vem ocorrendo sob o comando de Dilma. Os investimentos do Dnit caíram
35% no primeiro semestre e os da Valec são hoje menos da metade do que eram
dois anos atrás. (Os dois órgãos, não custa lembrar, vinham funcionando como
verdadeiros antros de falcatruas.)
Trata-se de uma
espécie de custo PT: a sobrecarga que o dogma ideológico – e eleitoralmente
oportunista – do partido de Lula e Dilma impôs à sociedade brasileira em termos
de ineficiência, desconforto e atrasos na nossa infraestrutura. Com base nele,
o país foi conduzido a um beco sem saída, do qual, agora, as privatizações vêm
nos resgatar.
O PT até tentou
improvisar, alegando que inventara, por exemplo, um novo jeito de cuidar das
nossas rodovias sem que isso custasse muito aos usuários. Mas o modelo das
concessões com pedágios a preço de banana, lançado por Lula em 2007, foi
retumbante fiasco, como mostrou ontem a Folha
de S.Paulo, e não freou a deterioração da nossa malha rodoviária.
Naquela ocasião,
foram privatizados sete trechos, transferindo para concessionários a
incumbência, entre outros, de investir R$ 1,2 bilhão (em valores atualizados)
em duplicação e construção de novas estradas. As obras deveriam estar prontas
em 2013, mas, passados quatro anos da assinatura dos contratos, cinco dos oito
grandes projetos nem começaram e somente 10% dos investimentos previstos foram
efetuados.
Com os aeroportos foi
pior. Depois de anos de caos aéreo, o governo do PT ainda demorou uma
eternidade antes de curvar-se à alternativa das concessões, modelo testado e
aprovado em todo o mundo. Só a ameaça de travar o país na Copa do Mundo, que
ainda é real, fez a gestão Dilma repassar três terminais (Guarulhos, Brasília e
Viracopos) à exploração privada neste ano. Mas nada de obras, ainda.
A tardia conversão nos
aeroportos deu-se à base de tanto improviso que, agora, teme-se que os novos
concessionários, assim como ocorreu nas rodovias, não tenham condições de
honrar os contratos. Afora isso, o modelo preservou a ineficiente Infraero com
participação expressiva em todos os consórcios. Sem falar que somente três aeroportos
já foram concedidos – os das demais nove cidades-sede da Copa continuam
aguardando.
Em relação às
ferrovias, o novo modelo centraliza riscos na Valec – aquela do Doutor Juquinha...
Uma melhor regulação poderia resultar no desejável aumento da nossa malha
ferroviária, mas optou-se por um sistema em que a estatal leiloará direitos de
passagem e assumirá, inclusive, a possibilidade de prejuízos em caso de baixa
demanda. Não parece eficiente, nem suficientemente simples, para expandir este
modal tanto quanto um país continental como o Brasil necessita.
O governo promete
tirar do papel R$ 133 bilhões – valor ainda modesto em percentual do PIB – em
obras nos próximos 25 anos. Muitos dos empreendimentos agora colocados nas mãos
da iniciativa privada gramaram anos nas planilhas e apresentações em powerpoint
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sem sair do lugar. É o caso do
Ferroanel de São Paulo e das concessões das rodovias BR-040 e BR-116, por
exemplo, previstas desde 2008, como mostra O
Globo.
Nas próximas
semanas, o governo promete anunciar sua estratégia para os investimentos
necessários à modernização e à ampliação de portos, aeroportos e hidrovias, que
serão desatolados do PAC e repassados à iniciativa privada, incluindo também a possibilidade
de parcerias público-privadas. É esperar para ver.
Quando foi lançado
como o primeiro candidato a presidente da República pelo PSDB, em 1988, Mario
Covas propôs um “choque de capitalismo” para fazer o Brasil avançar. No governo
Fernando Henrique, muito do que Covas defendeu foi feito, principalmente nas
telecomunicações e na criação das agências reguladoras. A tudo isso, o PT se opôs
– no caso dos órgãos de regulação, foi além: desmontou-os.
Foram necessários
anos de equívocos para que o partido de Lula e Dilma revisasse suas posições. Não
tem problema: a conversão, ainda que tardia, ao modelo das privatizações é
bem-vinda. A população agradece se a atual gestão conseguir, pelo menos, honrar
o que foi prometido ontem. Será uma forma de compensar parte dos atrasos a que
fomos submetidos pela teimosia do PT em não ver o óbvio e em insistir, por décadas,
no que não dá certo.
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