Dilma Rousseff notabiliza-se por ser um dos presidentes da República mais embusteiros da história. Suas alegadas qualidades se revelaram uma farsa, sua capacidade de enfrentar e resolver problemas nunca passou de miragem. O país que vendeu aos brasileiros para conseguir mais quatro anos de mandato jamais existiu. Para tentar continuar no cargo, continua mentindo descaradamente.
Dia sim, dia também, a presidente promove atos no Palácio do Planalto para vocalizar a estapafúrdia tese urdida pelo PT de que estamos à beira de um golpe de Estado. Em governar que é bom, ela já deixou de pensar há muito tempo... Dilma tortura argumentos para dizer que os crimes que cometeu todo mundo comete – o que, não fosse antes uma falácia, não os livra de serem crimes.
Mas a petista não se limita a negar o óbvio: ter fraudado o Orçamento da União para forjar uma realidade de mentirinha que empurrasse a crise econômica com a barriga e não atrapalhasse seus planos de se manter no poder por mais um mandato presidencial. Dilma vai além e também ressuscita o discurso que o marketing petista pôs em prática na campanha de 2014 e dedica-se com afinco a atemorizar os mais pobres com a perda de direitos, caso seja afastada do cargo.
Nesta semana, ela disse que, se o impeachment triunfar, estarão ameaçados os direitos sociais conquistados nos últimos anos, tratando-os como propriedade exclusiva do PT. Afirmou também que sua saída do cargo vai resultar no retardamento da retomada do crescimento econômico e da superação da recessão monstruosa em que estamos metidos. Dilma deixou de agir como presidente para agir como panfleteira, e isso é literal.
A petista levou para pronunciamentos oficiais os mesmos argumentos falaciosos que seus partidários – como a CUT e a Frente Brasil Popular – distribuem em papeluchos rastaquera Brasil afora com intuito de amedrontar os brasileiros, sobretudo os mais pobres que têm menor acesso a informações isentas e imparciais. É a mesma estratégia do terror posta em marcha pelo PT a cada eleição, e que ora está de volta.
Dilma e seus porta-vozes, gente com todo tipo de título, mas com nenhuma vergonha na cara, tentam a todo custo esconder a realidade. A retirada de direitos já começou, o cotidiano de privações já está sendo experimentado por milhões de brasileiros, os retrocessos na trajetória de diminuição da desigualdade social já se materializaram no ano passado e vão continuar se o país não conseguir se livrar rápido do PT.
A presidente que começou seu governo travestida de “faxineira ética”, um dos engodos que desmoronou mais rapidamente, agora rifa seu governo na bacia das almas em troca de votos contra o impeachment. A mandatária que intimida os pobres com a perda de direitos é a mesma que ninou os ricos com bilionárias bolsas-empresário. Aquela que diz que “não vai ter golpe” levou o país ao buraco mais fundo de sua história, golpeando o futuro de milhões de brasileiros. Dilma merece todo um dia de homenagens para si: o dia da mentira.
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sábado, 2 de abril de 2016
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Pacotão de maldades
A nova equipe econômica está prontinha para tomar posse amanhã. Joaquim Levy e Nelson Barbosa não têm nenhuma vocação para Papai Noel, mas vão chegar a seus respectivos cargos carregando um saco nas costas. Recheado de maldades.
Tem de tudo um pouco no pacotão do novo time da economia: aumento de tributos, redução drástica de benefícios trabalhistas – como seguro-desemprego e abono salarial – e previdenciários, como pensões por morte. Até a famigerada redução de salários está no rol de medidas que o governo do PT pretende adotar, e com as bênçãos da CUT...
Mas não era isso que Dilma Rousseff, como boneco de ventríloquo, vivia repetindo durante a campanha eleitoral que eram “medidas impopulares” atribuíveis a seu adversário? Seu governo envereda agora por um arrocho que só tem precedentes no que Lula, seu tutor, fez quando assumiu o país, em 2003. Afinal, quem são os “mãos de tesoura”?
O fato incontestável é que a petista produziu um estado de coisas tão catastrófico que iniciativas austeras tornaram-se imperativas. Para o bem do país, Dilma 2 tem que ser tudo o que Dilma 1 não é. Do contrário, do buraco não sairemos.
Só o rombo fiscal é estimado em R$ 100 bilhões. A inflação mantém-se alta, apesar de uma enxurrada de preços represados, e que logo serão reajustados, como energia e transportes públicos. O PIB continua pibinho, como deve confirmar o IBGE depois de amanhã. E o desequilíbrio externo está em quase 4% do PIB. Precisa dizer mais?
Diante de um quadro como este, até há racionalidade econômica em muitas das iniciativas pré-anunciadas pela nova equipe – em especial, a imposição de algum limite para o crescimento dos gastos correntes.
O diabo é que elas sempre foram tratadas pela presidente, enquanto no figurino de candidata, como o crucifixo do qual deveria guardar distância. Agora se tornaram a salvação da lavoura.
Dilma quer passar de uma condição a outra sem qualquer ato de contrição. Quer mudar de uma cartilha fracassada a outra diametralmente oposta, mas com alguma chance de êxito, sem dar uma palavra à sociedade sobre por que mudou de receituário como quem troca de roupa.
“Governo novo, ideias novas” foi o máximo que a candidata à reeleição se dispôs a prenunciar durante a campanha. Levou a disputa dizendo que seus quatro anos de gestão exprimiam o que deveria ser seu programa de governo para os próximos quatro anos. Agora, trilha direção oposta, rasga o que disse.
Na campanha eleitoral, banqueiros como Joaquim Levy foram retratados como demônios. Agora se tornaram a tábua de salvação de uma gestão em naufrágio. Não é porque o barco está afundando que merecerão apoio irrestrito. Quem pariu a tragédia que a embale.
Tem de tudo um pouco no pacotão do novo time da economia: aumento de tributos, redução drástica de benefícios trabalhistas – como seguro-desemprego e abono salarial – e previdenciários, como pensões por morte. Até a famigerada redução de salários está no rol de medidas que o governo do PT pretende adotar, e com as bênçãos da CUT...
Mas não era isso que Dilma Rousseff, como boneco de ventríloquo, vivia repetindo durante a campanha eleitoral que eram “medidas impopulares” atribuíveis a seu adversário? Seu governo envereda agora por um arrocho que só tem precedentes no que Lula, seu tutor, fez quando assumiu o país, em 2003. Afinal, quem são os “mãos de tesoura”?
O fato incontestável é que a petista produziu um estado de coisas tão catastrófico que iniciativas austeras tornaram-se imperativas. Para o bem do país, Dilma 2 tem que ser tudo o que Dilma 1 não é. Do contrário, do buraco não sairemos.
Só o rombo fiscal é estimado em R$ 100 bilhões. A inflação mantém-se alta, apesar de uma enxurrada de preços represados, e que logo serão reajustados, como energia e transportes públicos. O PIB continua pibinho, como deve confirmar o IBGE depois de amanhã. E o desequilíbrio externo está em quase 4% do PIB. Precisa dizer mais?
Diante de um quadro como este, até há racionalidade econômica em muitas das iniciativas pré-anunciadas pela nova equipe – em especial, a imposição de algum limite para o crescimento dos gastos correntes.
O diabo é que elas sempre foram tratadas pela presidente, enquanto no figurino de candidata, como o crucifixo do qual deveria guardar distância. Agora se tornaram a salvação da lavoura.
Dilma quer passar de uma condição a outra sem qualquer ato de contrição. Quer mudar de uma cartilha fracassada a outra diametralmente oposta, mas com alguma chance de êxito, sem dar uma palavra à sociedade sobre por que mudou de receituário como quem troca de roupa.
“Governo novo, ideias novas” foi o máximo que a candidata à reeleição se dispôs a prenunciar durante a campanha. Levou a disputa dizendo que seus quatro anos de gestão exprimiam o que deveria ser seu programa de governo para os próximos quatro anos. Agora, trilha direção oposta, rasga o que disse.
Na campanha eleitoral, banqueiros como Joaquim Levy foram retratados como demônios. Agora se tornaram a tábua de salvação de uma gestão em naufrágio. Não é porque o barco está afundando que merecerão apoio irrestrito. Quem pariu a tragédia que a embale.
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
As mentiras que o PT conta
A propaganda da candidata do PT no rádio e na televisão vem espalhando mentiras atrás de mentiras. É a clara demonstração de desespero de um governo que fracassou. Os petistas querem que olhemos para o passado com lentes distorcidas para tentar nos impedir de ver com nitidez o que acontece no presente.
A estratégia petista até tem sua razão de ser: depois de quatro anos de governo, a candidata à reeleição não tem realizações a mostrar. Pelo contrário. O país está hoje pior do que estava quando Dilma Rousseff assumiu a presidência da República. Em praticamente tudo, andamos para trás.
Como resposta, o PT apela a mistificações que conflitam com a história do país e afrontam o esforço de milhões de brasileiros, ao longo das últimas décadas, na construção de um Brasil melhor. Na mística petista, a história brasileira começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do país. Os brasileiros sabem que não é assim.
Um dos alvos prediletos do PT é a situação da economia brasileira antes do governo Lula. Para eles, foram tempos de terra arrasada. A história, porém, registra, e o povo sabe, que foram anos de semeadura: o Brasil reencontrou ali, com Fernando Henrique, o caminho do desenvolvimento com justiça social. Lula e Dilma tiveram a sorte de vir depois; colheram o que o PSDB plantou.
O partido dos mensaleiros tenta reescrever a história. Quem está quebrando o Brasil é o governo Dilma. E isso está acontecendo hoje, dia após dia. É o governo atual quem ressuscitou a inflação – e ainda acha que os preços estão sob controle ou, quando não acha isso, sugere que o cidadão troque carne por ovo...
É o governo atual quem colocou o país em recessão. Há dois trimestres o PIB encolhe, algo que não acontecia desde 2009. Isso significa que o país está produzindo menos, gerando menos empregos aqui – só neste ano, até agora, são 220 mil empregos a menos em relação ao mesmo período do ano passado – e colocando em risco as conquistas sociais.
O Brasil não vai crescer quase nada neste ano, no pior resultado para um presidente desde o governo Fernando Collor, aliado do PT. O governo culpa a crise externa, a Copa do Mundo, a seca. Mas o problema está aqui dentro mesmo: não importa o parâmetro, com Dilma o país está ficando cada vez mais para trás.
É impossível que a candidata à reeleição não saiba disso. A estratégia de marketing do PT é clara: tentar ludibriar o cidadão, enganá-lo com um monte de mentiras. Os brasileiros sabem muito bem qual a situação do país. Por isso, não se deixam iludir e estão convictos de que a hora é de mudar o governo.
A estratégia petista até tem sua razão de ser: depois de quatro anos de governo, a candidata à reeleição não tem realizações a mostrar. Pelo contrário. O país está hoje pior do que estava quando Dilma Rousseff assumiu a presidência da República. Em praticamente tudo, andamos para trás.
Como resposta, o PT apela a mistificações que conflitam com a história do país e afrontam o esforço de milhões de brasileiros, ao longo das últimas décadas, na construção de um Brasil melhor. Na mística petista, a história brasileira começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do país. Os brasileiros sabem que não é assim.
Um dos alvos prediletos do PT é a situação da economia brasileira antes do governo Lula. Para eles, foram tempos de terra arrasada. A história, porém, registra, e o povo sabe, que foram anos de semeadura: o Brasil reencontrou ali, com Fernando Henrique, o caminho do desenvolvimento com justiça social. Lula e Dilma tiveram a sorte de vir depois; colheram o que o PSDB plantou.
O partido dos mensaleiros tenta reescrever a história. Quem está quebrando o Brasil é o governo Dilma. E isso está acontecendo hoje, dia após dia. É o governo atual quem ressuscitou a inflação – e ainda acha que os preços estão sob controle ou, quando não acha isso, sugere que o cidadão troque carne por ovo...
É o governo atual quem colocou o país em recessão. Há dois trimestres o PIB encolhe, algo que não acontecia desde 2009. Isso significa que o país está produzindo menos, gerando menos empregos aqui – só neste ano, até agora, são 220 mil empregos a menos em relação ao mesmo período do ano passado – e colocando em risco as conquistas sociais.
O Brasil não vai crescer quase nada neste ano, no pior resultado para um presidente desde o governo Fernando Collor, aliado do PT. O governo culpa a crise externa, a Copa do Mundo, a seca. Mas o problema está aqui dentro mesmo: não importa o parâmetro, com Dilma o país está ficando cada vez mais para trás.
É impossível que a candidata à reeleição não saiba disso. A estratégia de marketing do PT é clara: tentar ludibriar o cidadão, enganá-lo com um monte de mentiras. Os brasileiros sabem muito bem qual a situação do país. Por isso, não se deixam iludir e estão convictos de que a hora é de mudar o governo.
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sexta-feira, 1 de março de 2013
Maus conselhos
Dilma Rousseff aproveitou ontem uma plateia classe A para destilar, mais uma vez, o veneno de seu discurso sectário. Apropriou-se, de novo, de feitos que não são exclusividade sua, fez previsões temerárias e celebrações tão apressadas quanto extemporâneas. Exercitou, novamente, a desonestidade e a arrogância que marcam o PT, o partido dos mensaleiros.
A ocasião exigia sobriedade, mas a candidata-presidente engatou o ritmo de campanha que move seus passos desde que se aboletou em cima de um palanque, cinco anos atrás, e de lá nunca mais saiu. Foi a nona vez que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social reuniu-se nesta gestão, mas apenas o terceiro encontro do qual Dilma participou. Óbvio: queria ribalta.
A ocasião exigia sobriedade, mas a candidata-presidente engatou o ritmo de campanha que move seus passos desde que se aboletou em cima de um palanque, cinco anos atrás, e de lá nunca mais saiu. Foi a nona vez que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social reuniu-se nesta gestão, mas apenas o terceiro encontro do qual Dilma participou. Óbvio: queria ribalta.
A presidente da
República deveria ter aproveitado a presença da nata do PIB brasileiro no encontro
de ontem para discutir seriamente os problemas que afligem o país – amanhã, por
exemplo, seremos oficialmente apresentados ao pibinho que Sua Excelência
produziu em seu segundo ano de mandato, deixando-nos na vice-lanterna do
continente...
Mas ela usou o
espaço e o tempo valioso para, novamente, fazer proselitismo político. Desancou,
raivosamente, as ações sociais da gestão tucana e enalteceu, talvez precipitadamente,
a política energética de seu governo – num momento em que, neste ano de poucas
chuvas, nem São Pedro é capaz de garantir o suprimento de energia.
Na reunião de ontem,
a presidente da República avocou ao PT todo e qualquer mérito por ter montado a
rede de proteção social que hoje existe no país. Em linhas gerais, mimetizou sua
abjeta declaração de uma semana atrás, em que desdenhou o esforço dos
brasileiros ao longo de 500 anos de história: “Não herdamos nada; construímos”.
Desta vez, ela apegou-se
a um aspecto acessório para desmerecer a criação, pelo governo Fernando
Henrique, dos programas sociais posteriormente enfeixados sob o Bolsa Família. Alegou
aos empresários que coube ao PT criar o cadastro que permite identificar os
beneficiários: “É conversa que tinha cadastro”, destrambelhou-se. Passou longe
da verdade.
O Cadastro Único
para Programas Sociais foi criado ainda em julho de 2001, por meio do decreto n°
3.877. Naquela época, os programas sociais ainda eram fragmentados, mas já
existiam. Posteriormente, o PT unificou-os e, obviamente, ampliou progressivamente
seu alcance, dando sequência natural a um legado que poderia até ser incipiente,
mas que não se pode negar que existisse. Ou seja, herdaram, não construíram.
Se sua apreciação
sobre os programas sociais é maldosa e falsa, a abordagem da presidente sobre a
questão energética é temerária. Aos empresários classe A que lá estavam, Dilma
não poderia ter dito,
se agisse honestamente, que “não vai haver racionamento” neste ano. Não quando transcorreram
apenas dois meses do ano e os reservatórios ainda penam.
A questão que se
coloca é: a que preço esta suposta segurança energética está sendo obtida? E,
dois: são verdadeiras as premissas nas quais a presidente se baseia para dar aos empresários uma garantia que não existe?
O racionamento só
não veio – ainda – por duas razões: o péssimo desempenho da economia em 2012 e
o acionamento recorde do parque termoelétrico gestado na época da crise
energética de 2001 e legado ao governo petista. Há um custo alto nisso, além de
uma estiagem acima da desejada no horizonte. Vejamos.
O acionamento das
térmicas em razão do baixo nível de armazenamento dos reservatórios das
hidrelétricas está implodindo as contas das empresas do setor elétrico. As geradoras
já estão arcando com um gasto extra de R$ 4 bilhões e as distribuidoras, de R$
1,5 bilhão por mês.
O aumento exponencial
dos custos da energia termelétrica já foi suficiente para anular o ganho que as
indústrias teriam com a redução tarifária. A associação dos grandes consumidores
de energia calcula que a tarifa da indústria tenha caído R$ 24 por megawatt-hora
em razão da lei, mas o custo das térmicas comeu R$ 22, informa hoje a Folha de S.Paulo.
Infelizmente também talvez
seja muito, muito cedo para Dilma cantar vitória contra o racionamento. Os reservatórios
da região Centro-sul, onde se concentra o grosso do parque gerador nacional,
terminarão março com nível de armazenamento de apenas 54% e os do Nordeste, com
41%, segundo o Valor Econômico. Para aquilatar: chegaram ao fim do verão de 2012 com 78% e 82%,
respectivamente.
Além disso, Dilma
voltou ontem a repetir que o país ganhará mais 10 mil MW de energia neste ano –
no discurso em rede nacional feito em janeiro, havia dito que seriam 8,5 mil novos
MW. “Esse país tem segurança energética. Nunca tivemos isso na vida”. Será? Ocorre
que, em 2012, o governo petista partira da mesma premissa – agregar 8,7 mil novos
MW ao longo do ano – mas chegou a dezembro passado tendo cumprido apenas 40% da
promessa, segundo a agência Canal Energia.
Percebe-se que, mais
uma vez, faltou serenidade à presidente e sobrou destemperança à candidata. Não
será fazendo de cada compromisso de governo um ato de campanha que Dilma
Rousseff conseguirá enfrentar as questões que interessam para melhorar a vida dos
brasileiros. Ontem, a presidente deu um novo soco na verdade e mais um salto no
escuro.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Disparates em cadeia nacional
Por uns tempos, Dilma Rousseff até se comportou adequadamente, dentro do figurino institucional que o cargo lhe impõe. Mas o uso do cachimbo petista entortou-lhe a boca. No dia em que o Brasil comemorou 190 anos de independência, a presidente da República voltou a fazer proselitismo político-partidário. Desta vez, ela fez uso de uma data pátria para cometer disparates em cadeia nacional de rádio e TV.
Pronunciamentos oficiais
em datas cívicas sempre foram, tradicionalmente, marcados pela sobriedade e
pelo estrito respeito institucional. Afinal, no dia em que o país comemora seu mais
importante feito histórico, quem se dirige aos cidadãos é o chefe da nação e não
o chefe de uma facção. É assim em qualquer democracia madura do mundo, era assim
também no Brasil. Até que o PT desvirtuasse mais este símbolo da República.
Dilma ocupou 10
minutos e 35 segundos no rádio e na televisão na noite de quinta-feira, véspera
do Dia da Independência. Usou o direito e o espaço que a Constituição lhe dá,
mas os transformou numa oportunidade para desferir ataques e veicular batatadas
em cadeia nacional. Assim como a nota oficial que divulgara há uma semana, ancorou
seu discurso em um monte de mistificações.
Para começar, seguindo
o padrão já adotado pelo seu antecessor no cargo, Dilma, oportunisticamente,
tentou se apropriar de conquistas pretéritas para justificar resultados – alguns
deles bastante questionáveis – do governo petista. Disse
que o Brasil “criou, nos últimos anos, um modelo de desenvolvimento inédito,
baseado no crescimento com estabilidade, no equilíbrio fiscal e na distribuição
de renda”.
Das três pernas do
tripé, duas lhe foram legadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas não
custa lembrar que o PT foi contra o Plano Real, que dizimou a inflação no país,
trazendo-a níveis comportados – na época, o plano de estabilização foi considerado
por Lula um “estelionato eleitoral”. Os petistas fizeram de tudo para sabotar a
conquista da estabilidade da moeda pelos brasileiros.
Também é sempre bom
recordar que o PT opôs-se à Lei de Responsabilidade Fiscal. O partido não
apenas votou em peso contra o projeto de lei de equilíbrio fiscal no Congresso,
como, derrotado, foi ao Supremo Tribunal Federal arguir-lhe a constitucionalidade.
É de se perguntar o que seria dos governos petistas que se seguiram – tanto no
plano federal, quanto nos estaduais e municipais – sem a legislação que pôs as finanças
públicas do país em ordem...
Em seguida, Dilma anunciou
que doravante a competitividade estará na agenda nacional. De pronto, é de se
perguntar: Mas só agora, cara-pálida? Repetidamente, o Brasil tem figurado nas piores
colocações em rankings globais que medem este requisito. No que é publicado pelo
Fórum Econômico Mundial, por exemplo, temos feito muito feio.
Na edição mais
recente, entre 142 países, fomos o 118° na qualidade rodoviária, 122° na
aeroportuária e o 130° na portuária. Na média geral deste quesito, recuamos 20
posições em relação a 2010. Pelo visto, vai demorar muito até que nos tornemos “um
dos países com melhor infraestrutura, com melhor tecnologia industrial, melhor
eficiência produtiva e menor custo de produção”, como prometeu a presidente no
pronunciamento.
Com pompa, Dilma também
anunciou aos brasileiros que descobriu a roda. Disse, no meio
do pronunciamento, que acaba de adotar “um conjunto de medidas que vai
provocar, no médio e no longo prazo, uma verdadeira revolução no setor de
transportes no nosso país, (...) em um novo tipo de parceria entre o poder
público e a iniciativa privada”.
A esta “verdadeira
revolução”, damos o singelo nome de privatização, contra as quais Dilma e seu
partido, sistematicamente, se contrapuseram quando eram oposição e também ao
longo dos dez anos em que estão governo. Será que o PT demora tanto a acordar para
tudo o que é bom para a sociedade?
As privatizações que
ora serão tocadas pelo PT são as mesmas que Dilma Rousseff – deselegante e
equivocadamente – criticou no pronunciamento que deveria ser de chefe de nação,
mas transformou-se em mais uma peça de campanha eleitoral. É dever do presidente
da República dirigir-se aos seus concidadãos a cada 7 de setembro. Mas, daqui a um
ano, veremos que as 1.336 palavras proferidas na última quinta-feira foram
lançadas ao vento. Pouco delas sobreviverão ao choque de realidade de um
governo que fala muito mais do que faz.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
As mentiras deslavadas do PT
Pode parecer o maior pleonasmo da paróquia, mas não custa repetir: oposição existe para se opor. O que em qualquer democracia madura do mundo é tratado com naturalidade, no Brasil da era petista transformou-se em heresia. É espantoso como o partido que é réu no processo que investiga o maior escândalo de corrupção da história política do país reage às críticas: à base de muita lorota.
A função de quem,
pela vontade das urnas, não foi escolhido para governar é fiscalizar, apontar equívocos
e desacertos e sugerir alternativas. Até que a próxima eleição chegue, e o
eleitor novamente se manifeste, é este o papel que cabe aos partidos de
oposição. É esta a tarefa a que eles devem se dedicar, diuturnamente. Democraticamente.
Mas o exercício da
crítica incomoda bastante o PT. O partido de Lula, Dilma e José Dirceu convive pessimamente
com o contraditório, tem horror à contestação e lança-se com faca nos dentes a trucidar
qualquer obstáculo que se interponha no caminho de sua busca pela hegemonia a
qualquer preço. Excede-se numa luta que deveria respeitar, regiamente, os preceitos
da democracia.
As armas que o PT
maneja com incomparável maestria são a mentira e a mistificação. O partido dos
mensaleiros é pródigo em transmutar-se de réu em vítima, de acusado em
acusador. É o que está ocorrendo agora, por exemplo, quando a mais alta corte da
Justiça brasileira tem sentados no banco dos réus dez petistas, alguns deles da
linha de frente partidária nos seus mais de 30 anos de existência.
Qualquer partido
decente deveria envergonhar-se da situação. Mas o PT dá-se até ao descaro de
escalar o presidente da legenda para arrostar o Supremo Tribunal Federal e
acusar os ministros de estarem sendo partícipes de um “golpe grande”, como disse
Rui Falcão anteontem.
Onde foi feita a afirmação?
Em Osasco. Em qual circunstância? Durante evento em que os petistas foram obrigados
a lançar um novo candidato a prefeito depois que o original foi condenado a
passar alguns anos na cadeia por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. É este
partido que exibe os dentes e parte para cima de seus adversários, com a maior
sem-cerimônia do mundo...
A esperteza não é utilizada
pelo PT apenas como arma do embate eleitoral. O partido usa de muita fancaria
também para transmudar péssimas realidades em feitos extraordinários, por meio
de ilusionismos embalados em vistosas doses de marketing. O mundo petista é
muito diferente do mundo real, do mundo que gente de carne e osso tem de
enfrentar todos os dias.
Veja-se o que está
ocorrendo agora no processo de privatização da infraestrutura viária do país. Foram
anos de recusa petista a admitir a solução, ao mesmo tempo em que as condições
logísticas do país iam para o buraco, não decolavam ou trafegavam em marcha
lenta. Eis que, numa mágica, o PT alardeia agora que privatiza sem privatizar, apenas
para dizer que não tisnou suas carcomidas bandeiras ideológicas.
Indo a fundo, ver-se-á
que o PT não só privatiza, como o faz como nem o privatista mais renhido jamais
ousou fazer. Pelos jornais de hoje, fica-se sabendo que a presidente Dilma
Rousseff encontra-se num vai-e-vem infindo sobre o que fazer com a concessão
dos aeroportos, principalmente Galeão e Confins, e que, para atrair os
desejados operadores estrangeiros, tenciona entregar-lhes o negócio
praticamente de bandeja.
“Para convencer as
grandes operadoras, o governo oferece ao futuro sócio da Infraero total
liberdade para administrar os dois aeroportos”, informa a Folha
de S.Paulo. Note-se que o lance desesperado é agora cogitado pelo
governo porque o interesse dos investidores em serem sócios minoritários da
Infraero, num modelo de Professor Pardal inventado pelo Planalto, é quase nulo.
N’O
Globo, Ilimar Franco revela mais: as concessões serão
entregues a preço de banana, como se estivessem sendo ofertadas na hora da
xepa. “Para serem sócios na empreitada, os estrangeiros terão de entrar só com
know-how para administrar os aeroportos. O investimento será mínimo”. O modelo assemelha-se
ao que foi usado cinco anos atrás por Lula na concessão de sete lotes de
rodovias federais: tudo muito baratinho, tudo muito ordinário, com menos de 10%
dos investimentos
previstos realizados até hoje.
Outro retumbante, ultraprofundo
trololó é a dita autossuficiência brasileira em petróleo. Com o sucateamento imposto
nos últimos anos pelo PT à Petrobras, o Brasil compra combustível como nunca no
exterior e vê a produção interna e a produtividade da sua maior empresa
mergulharem ao fundo do poço, como mostram várias reportagens publicadas hoje
pela Folha.
O que vale apena
reter de tudo isso é que o PT e suas lorotas devem ser contrapostos com
destemor. Só numa situação em que as instituições vão sendo postas de pernas
para o ar e os valores são corrompidos sob as bênçãos de quem se arvora ser líder
máximo da nação, é que um partido com tamanha ficha corrida mete tanto medo. A cada
mentira deslavada que os petistas contarem, serão rebatidos com verdades cada
vez mais incômodas.
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