Mais um importante indicador permite dimensionar o tamanho da herança maldita legada pelos governos do PT ao país. A ONU divulgou ontem o Índice de Desenvolvimento Humano, uma espécie de PIB ampliado, do Brasil em 2015 e o resultado é um fiasco. O mais grave é que a situação tende a ter piorado no ano passado.
Pela primeira vez em 11 anos, o IDH brasileiro ficou estagnado, em 0,754. Com isso, o Brasil figura em 79° lugar entre os 188 países que compõem o ranking do Pnud. Neste conjunto, além de nós mais 15 nações ficaram estacionadas na lista, 13 caíram de posição e todo o resto avançou. No estertor da gestão petista, o Brasil conseguiu ficar pior que a Venezuela...
O que derrubou o IDH do Brasil foi a queda da renda, com recuo de 4,8% em um ano, segundo os critérios do Pnud. Apenas em 2015 a pobreza cresceu quase 20% no país, com aumento de 3,6 milhões de pessoas, e a extrema pobreza aumentou ainda mais: 23%. “A recessão do ponto de vista social é ainda pior”, sentencia um notório defensor das políticas petistas, o pesquisador Marcelo Neri, da FGV, ao Valor Econômico.
O reflexo foi imediato na desigualdade. No ranking ajustado para esta variável, o Brasil despencou 19 posições – apenas Irã e Botsuana pioraram tanto no quesito em apenas um ano. Em todo o mundo, somos o 10° país mais desigual; no continente, somente Guiana, Colômbia e Paraguai estão abaixo do Brasil.
Um atenuante é que os indicadores de média de anos de estudos (7,7 para 7,8 anos) e expectativa de vida ao nascer (74,5 para 74,7 anos) melhoraram em 2015, ainda que de forma bastante discreta. Mas o padrão de avanços tem sido claramente declinante.
O ritmo de melhorias despencou na era PT. O IDH médio avançou 1,15% ao ano entre 1990 e 2000 e 0,64% desde então. A expectativa de vida subiu a uma média de 0,7% no primeiro período e de 0,4% no segundo. A média de anos de estudos aumentou 3,9% anuais na última década do século passado e 2,2% entre 2000 e 2015.
As condições de vida no Brasil vinham prosperando num continuum desde os anos 1990. Avanços progressivos nas políticas sociais – como a formação de uma rede de proteção e a inclusão de mais famílias no mercado – e conquistas econômicas históricas, com a estabilidade da moeda, fizeram o país progredir bastante. Mas isso foi posto em risco pela irresponsabilidade petista.
Um dos principais desafios do país nos próximos anos é garantir oportunidades justas para que todos alcancem melhores condições de vida. O Brasil ainda está muito atrás em quaisquer quesitos que se observe – entre os 108 países com desenvolvimento humano alto ou muito alto, apenas sete têm escolaridade menor que a brasileira. Como é fácil perceber, há razões de sobra para levar adiante as reformas e sepultar os equívocos dos anos recentes.
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quinta-feira, 23 de março de 2017
quarta-feira, 31 de julho de 2013
IDHM: um país que avança
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) divulgado ontem mostra, felizmente, um país em evolução, que caminha para superar seu secular atraso. O indicador deixa claro que as duas últimas décadas foram prodigiosas. Mas é muito importante também porque implode uma falsa visão que os petistas tanto gostam de propagandear: a de que o Brasil foi descoberto em 1° de janeiro de 2003, com a posse de Lula.
Há muito que comemorar no levantamento publicado pelo
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na média, o IDH dos
municípios brasileiros subiu 47,5% desde 1991 até 2010, passando de 0,493 para
0,727. Com isso, deixou de ser considerado “muito baixo” para ser classificado
como “alto”. Progredimos.
Duas décadas atrás, o Brasil tinha 86% de seus municípios com
IDH “muito baixo”. Hoje apenas 0,6% ainda continuam nestas sofríveis condições,
levando em consideração as dimensões renda, longevidade e educação. Melhor ainda,
cerca de um terço das cidades do país já alcançaram status de “altamente
desenvolvidas”.
Entre as três dimensões, os municípios brasileiros saem-se
melhor em longevidade, com média de 0,816 e expansão de 23% em duas décadas.
Educação mantém-se como a mais baixa (0,637), embora tenha sido a de maior progressão
ao longo destes últimos 20 anos: evoluiu 128%. O avanço dos rendimentos foi o
menor (14%) do período, levando o indicador específico desta dimensão para 0,739.
O levantamento do Pnud permite analisar a evolução dos
municípios brasileiros dividindo-a em duas fases: de 1991 a 2000, período que praticamente
coincide com o governo de Fernando Henrique Cardoso, e 2001 a 2010, dominada predominantemente
pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Em quase tudo, o desempenho no
primeiro decênio supera o do segundo.
Na média, o IDHM geral saltou 24% de 1991 a 2000 e, no
período seguinte, melhorou mais 19%. Na educação, a diferença é cavalar: na primeira
metade das duas últimas décadas, ou seja, na fase predominantemente tucana, o
avanço obtido pelo país foi de 63%, percentual que caiu para 40% no decênio
seguinte.
Os avanços na renda praticamente se equivalem nos dois
períodos: 6,9% entre 1991 e 2000 e 6,8% de 2000 a 2010. Apenas a progressão no
indicador específico para longevidade foi mais elevada, ainda que levemente,
nos anos que coincidem majoritariamente com os da gestão petista: aumento de
12% no período mais recente, ante 10% no decênio inicial.
Ficar fazendo comparações pretéritas é como ficar olhando
para o retrovisor sem ver se o carro ruma para espatifar-se contra o muro. Mas este
é o esporte preferido dos petistas, como fez, novamente, a presidente Dilma Rousseff
na entrevista que deu à Folha de S.Paulo publicada
no domingo. É algo tão descabido que equivaleria a ver Fernando Henrique cotejando-se
a João Baptista Figueiredo lá na metade inicial de seu governo...
Em lugar de ficar contemplando o passado, o importante é
mirar no que o Brasil realmente precisa investir para construir seu futuro. E o
que o Pnud, mais uma vez, deixa evidente com o IDHM é que nosso grande gargalo
é a educação: entre nossos jovens de 15 a 17 anos, apenas 57% completaram o
ensino fundamental e, entre 18 e 20, só 41% concluíram o médio.
Conseguimos pôr praticamente todas as crianças brasileiras na
escola – hoje 91% delas estão nas salas de aula – mas não lhes oferecemos
educação de qualidade. Basta ver quais são os municípios mais desenvolvidos do
país – a paulista São Caetano do Sul continua liderando o ranking nacional – para
se constatar que a chave do sucesso é a aprendizagem bem feita.
“Os dados revelam uma defasagem no caminho seguido por quem
está na escola. É como se o estudante desistisse ano a ano. Especialistas em
educação sabem que escola boa segura o aluno, mas escola ruim o expulsa”,
analisa a Folha.
Para complicar, as diferenças regionais são ainda mais evidentes nesta dimensão:
localidades do Norte e do Nordeste saem-se bem pior que o resto do país.
Um último aspecto a considerar é a limitada influência do
quesito renda na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. A queda na
mortalidade infantil – que influencia a dimensão longevidade – pesou muito mais
na expansão verificada nos últimos 20 anos do que, por exemplo, a universalização
de programas como o Bolsa Família.
A pesquisa do Pnud é riquíssima para apontar quais caminhos
o país precisa seguir para alcançar condições de desenvolvimento realmente mais
dignas. E serve, também, para mostrar quem mais fez pela melhoria da qualidade
de vida dos brasileiros nos últimos 20 anos. Se é para comparar, a vitória é
dos tucanos.
sábado, 16 de março de 2013
IDH: devagar, devagarinho
O Brasil estacionou no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Depois de avanços significativos desde 1990, o país vem perdendo força nos últimos anos, prejudicado, principalmente, por maus resultados na educação e uma desigualdade de renda ainda dolorosa. O governo petista esperneou contra a constatação desta triste realidade. Melhor seria se agisse adequadamente para transformá-la.
Pelos resultados
divulgados ontem pelo Pnud
(Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o país manteve-se em 85°
lugar, entre 187 nações, com IDH de 0,730. O índice é uma média geométrica que
reflete expectativa de vida de 73,8 anos, 7,2 anos de estudo e renda per capita
anual de US$ 10.152.
O nível de
desenvolvimento do Brasil no ano passado é inferior ao que países como Noruega,
EUA e Japão possuíam há 40 anos. Na edição anterior, divulgada em novembro
de 2011, havíamos subido uma posição no ranking, ultrapassando São Vicente e Granadinas.
Desta vez, nem isso: este notável produtor de bananas das Antilhas voltou a figurar
na nossa frente, na 83ª colocação. Uma pena...
O Pnud fez questão
de destacar que o Brasil tem tido desempenho positivo na melhoria da qualidade
de vida de sua população na história recente. Mas o órgão da ONU deixou claro:
este processo não é de agora, vem desde a década de 90. Talvez tenha sido isso o
que mais tenha irritado os petistas.
Com base no
levantamento da ONU, dá para ir ainda mais fundo na comparação entre períodos
recentes. Entre 1990 e 2000, a taxa média de crescimento do IDH brasileiro foi
de 1,26% ao ano. Foi o período de maior avanço desde que as Nações Unidas iniciaram
o levantamento, em 1980. E o que acontece no intervalo posterior, já de
predomínio dos governos petistas? Desde 2000, o ritmo caiu para 0,73% anual, ou
praticamente à metade.
O relatório da ONU
destaca políticas públicas que colaboraram para o avanço das condições de vida
no país. Estão lá o Plano Real e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental (Fundef), criado em 1996 na gestão Fernando Henrique. Ah,
para completar o Pnud qualifica o Bolsa Família como “versão
otimizada” do Bolsa Escola, outra realização tucana. Deve ter sido demais
para a arrogância petista...
Infelizmente, os
avanços que começaram lá atrás estão agora se dissipando, notadamente na educação.
Entre os sul-americanos, nossa média de escolaridade (7,2 anos) só não é menor
que a do Suriname. No ritmo de avanço atual, o Brasil demandará uma geração
para atingir o nível educacional da Noruega (com 12,6 anos de estudos em média).
A situação
brasileira também revela-se vergonhosa quando o quesito é a desigualdade de
renda. Aí caímos para 97ª colocação do ranking. Entre os países classificados
como de desenvolvimento humano elevado, só não nos saímos pior que a Colômbia. Quando
se utiliza o índice de Gini (0,547), somos o 13° país mais desigual do mundo.
O ranking divulgado
ontem também permite outras conclusões pouco abonadoras para o discurso oficial
adotado pelo governo brasileiro na era Lula-Dilma. A ONU mostra que a melhora
nas condições de vida e a ascensão social, com a emergência de novas camadas
urbanas de classe média, é um fenômeno mundial. Nunca uma particularidade brasileira.
Constata-se, também,
que países que já exibem IDHs bem mais avançados e que, naturalmente, deveriam
estar evoluindo numa velocidade menor que a nossa continuam indo mais rápido
que a gente, como são os casos de Argentina, Chile e Uruguai, para fixar-se apenas
nos vizinhos. O hiato que nos separa dos chilenos no ranking, por exemplo, era
de 28 posições dez anos atrás e agora é de 44.
“Efetivamente, a situação do Brasil
no ranking do IDH piorou”, afirmou a’O
Globo o professor Flávio Comim, que já coordenou relatórios anteriores
do IDH no Brasil. Segundo ele, o último ano em que o Brasil esteve bem no
ranking foi 2005 (63° lugar).
O IDH é um ótimo espelho
para o país se enxergar e dar-se conta dos desafios, imensos, que ainda precisa
superar. As constatações decorrentes do relatório do Pnud deveriam ser
recebidas com serenidade pelo governo brasileiro, como o são em qualquer parte
do mundo. Mas, como suas incômodas conclusões conflitam com o Brasil virtual
que os petistas propagandeiam, a gestão Dilma preferiu vilipendiar o relatório.
Só falta dizer que a ONU é um aparelho tucano.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
IDH: um passinho de lado
Os resultados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para 2011, divulgados ontem pela ONU, apontam perda de velocidade na melhoria das condições de vida no país. Mostram, também, que a desigualdade de renda continua sendo uma chaga e que o nível de educação brasileiro é vergonhoso.
O Brasil avançou uma posição na classificação de 2011: nosso IDH subiu de 0,715 para 0,718 e passou a ocupar a 84ª posição no ranking da ONU, formado por 187 países. O índice é uma média geométrica que reflete expectativa de vida de 73,5 anos; 7,2 anos de estudo e renda per capita anual de US$ 10.162.
Este é o retrato mais completo da situação brasileira hoje. O IDH acaba funcionando como um antídoto diante da perspectiva irrealista que tem pautado o discurso oficial. Não estamos mal, mas caminhamos muito lentamente para se tornar um país realmente bom para se viver.
O nível de desenvolvimento do Brasil no ano passado é inferior ao que países como Noruega, EUA e Japão possuíam há 40 anos. Aliás, a distância entre nós e a líder Noruega aumentou de 2010 para 2011.
“Subimos uma colocação em relação ao ano passado, deixando para trás São Vicente e Granadinas, um país caribenho que tem metade da população de Taboão da Serra (SP) e uma economia voltada para a agricultura, com destaque para a banana”, compara O Estado de S.Paulo.
Quanto mais um país avança, mais lenta é a sua evolução, diz uma regra básica da estatística. Por isso, uma leitura mais acurada dos resultados pode ser obtida quando se compara o desempenho de um país ao dos demais. Assim, vejamos.
Classificada como nação de desenvolvimento alto, o Brasil ainda está atrás de 19 países da América Latina. Dois deles, Chile e Argentina, foram classificados na 44ª e 45ª posições, respectivamente, do grupo de desenvolvimento muito elevado.
O IDH brasileiro cresceu a uma média anual de 0,69% de 2000 a 2011, ligeiramente abaixo da expansão de países de desenvolvimento humano elevado (0,70%). Pesou aqui o desempenho do crescimento econômico, menor no Brasil do que, por exemplo, nos demais Brics.
Quando se observam períodos mais longos – e o IDH exige que assim seja feito – a perda de fôlego no ritmo de melhoria das condições de vida no país torna-se bastante evidente. Entre 1980 e 2011, o crescimento médio anual é de 0,87%. De 1990 a 2011, de 0,86% ao ano; e de 2000 para cá, de apenas 0,69%.
“O lançamento do novo IDH deve servir como um alerta para que o país possa se ver no mundo dentro da ótica do desenvolvimento humano, não como sua sétima economia, mas como um país que ainda deve muito aos seus cidadãos”, analisa Flávio Comim, consultor da ONU n’O Globo.
Na fotografia das Nações Unidas, a educação surge como nossa maior vergonha. O número médio de anos de estudo do brasileiro ficou estacionado em 7,2 anos, ou seja, menos que o período de ensino fundamental completo. Estamos no mesmo nível do Zimbábue, país que ocupou o último lugar no desenvolvimento humano no mundo em 2010 – no ano passado eles melhoraram um pouquinho...
Neste quesito, entre os 187 países que compõem o ranking, superamos apenas 74, em 113º lugar. No atual ritmo de evolução, o Brasil precisará de 31 anos para alcançar as condições educacionais da Noruega, onde se estuda em média 12,6 anos. “É uma geração inteira”, compara Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, n’O Globo.
A desigualdade de renda é outra chaga. Quando o IDH é ajustado por este quesito, o índice brasileiro despenca para 0,519 e o país perde 13 posições, ocupando a 97ª posição no ranking geral da ONU. Só nove países são mais desiguais que o Brasil quando se compara a renda dos 20% mais ricos com a dos 20% mais pobres: Namíbia, Angola, Honduras, Haiti, Colômbia, Bolívia, Botsuana, África do Sul e Lesoto, nesta ordem.
“Apesar da falação exagerada sobre redução da injustiça e essa ficção ideológica e mercantil de ‘nova classe média’, o Brasil ainda é líder em desigualdade de renda”, sustenta Vinicius Torres Freire na Folha de S.Paulo. Entre as 47 nações consideradas de alto desenvolvimento, apenas a Colômbia é mais desigual que nós.
Quando visto descolado do conjunto mundial, o Brasil é apresentado como um país de desempenho excepcional nos anos recentes. É a versão que o governo petista sempre tenta nos vender. Mas o cotejo preciso que o IDH da ONU permite fazer mostra que estamos, na melhor das hipóteses, andando de lado em relação ao resto do mundo. O realismo é salutar se de fato quisermos superar o nosso atraso.
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