O principal objetivo das medidas econômicas deve ser prover bem-estar para a sociedade, melhores condições de vida e conforto para os cidadãos. A alavanca fundamental para isso é que as pessoas tenham uma ocupação, possam produzir e se realizar. Assim, gerar empregos deve ser o item número um da agenda de qualquer governo em situações de recuperação econômica.
No caso brasileiro, esta preocupação é levada ao extremo, para o topo do topo das prioridades. Afinal, a partir do início de 2014 o país mergulhou na pior recessão da sua história. O resultado mais aberrante da crise foi o empobrecimento geral da população e o mais doloroso, o surgimento do maior exército de pessoas desempregadas que o Brasil já conheceu.
Entre fins de 2014 e o primeiro semestre deste ano, o número de pessoas sem emprego mais que dobrou, até atingir 14 milhões de brasileiros, em março passado. Desde então, começou a cair, naquela que pode ser considerada uma das mais aguardadas reversões da herança tóxica deixada pelo PT – o resultado do mercado de trabalho em 2016 foi o pior em 40 anos, conforme a Rais divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho. Hoje são 13,2 milhões, conforme o IBGE.
Os números positivos começam a se disseminar pelo mercado formal de trabalho. Pelo sexto mês consecutivo, a economia brasileira mais abriu do que fechou vagas com carteira assinada. Foram 34,4 mil em setembro, o que levou o acumulado no ano a 209 mil, de acordo com números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também divulgados ontem.
Desde 2014, setembro não registrava excedente de empregos – um ano atrás, o país fechara quase 40 mil postos no mês. Mais positivo ainda é que a indústria tem sido o setor responsável por puxar os resultados para cima: respondeu por 75% do saldo no mês. Em termos regionais, o Nordeste liderou as contratações, um aspecto novo na recuperação.
O saldo em 12 meses ainda é bastante negativo (-466 mil, um terço do registrado em setembro de 2016), mas o mercado de trabalho ensaia terminar 2017 muito melhor do que começou. Há chance de o país fechar o ano com o primeiro resultado positivo em termos de geração de empregos desde 2014.
A recuperação econômica, e a consequente geração de novas oportunidades de trabalho, é tributária de algumas importantes reversões promovidas pelo atual governo a partir de maio de 2016.
Fatores como queda acentuada da inflação, diminuição consistente da taxa básica de juros e aumento dos saldos comerciais ajudaram a reanimar a atividade, reavivar o consumo e, consequentemente, reativar as contratações na indústria e no comércio. As mudanças decorrentes da reforma trabalhista tendem a ser mais uma dessas alavancas.
A questão é que a ruína petista nos levou a poço tão profundo que vai levar tempo longo, muito longo até que as perdas sejam revertidas, como ilustra levantamento feito pelo Iedi publicado na edição de hoje de O Globo. O estrago mais severo e duradouro é sobre os investimentos, que vão levar dez anos (a “década perdida” petista) para se recompor – isso numa hipótese quase irrealista de tão rósea. É nestes setores de ponta que a retomada da geração de emprego é mais renitente.
Nenhum gestor público pode se considerar satisfeito enquanto não ver a chaga do desemprego curada. A desocupação alimenta o desalento e suscita ainda mais a violência e a criminalidade. A luta pela geração de trabalho e renda e a inclusão de mais e mais famílias no mercado deve ser travada sem trégua. Até que, enfim, chegue o dia em que a batalha seja vencida.
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sábado, 21 de outubro de 2017
A batalha do emprego
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sexta-feira, 3 de junho de 2016
O fundo do poço
A economia brasileira desceu a uma condição tão dramática que até notícia ruim ganha conotação positiva. A nova queda do PIB no primeiro trimestre foi comemorada por ter sido menos acentuada do que se especulava. Há esperança de que tenhamos chegado ao – ou estejamos próximos do – fundo do poço. A questão é que o buraco onde adentramos é imenso.
Com a nova queda trimestral, a quinta consecutiva, o PIB brasileiro retrocedeu ao nível de 2011. São, portanto, cinco anos jogados no lixo – não por coincidência os cinco anos em que estivemos sob o jugo de Dilma Rousseff e do aprofundamento da anacrônica matriz econômica petista. A queda acumulada neste período é de 7,1%.
Em termos per capita, ou seja, quando se considera a riqueza produzida dividida pela população, a baixa acumulada em apenas dois anos já alcança 9%. É mais do que o verificado nos 12 anos da chamada “década perdida” (anos 1980/1990), calcula o Goldman Sachs. Além disso, nosso PIB potencial, que antes rodava perto de 4%, agora não passa de 1%. O estrago petista faz história.
É possível separar a dinâmica atual da economia em dois polos: o que acontece dentro do país vai muito mal; o que nos salva é a dimensão externa, ou seja, o comércio com o resto do mundo. É justamente o oposto do que as gestões petistas sempre alegaram: pelo discurso que prevaleceu até outro dia, o inferno sempre foram os outros.
Os componentes mais danosos desta equação são o investimento e o consumo. Ambos em franca queda livre, em alguns casos num patamar nunca antes visto. Ambos ainda devem demorar a reagir.
Até o fim do ano, os investimentos deverão acumular baixa de 40% em relação ao pico, alcançado em 2013, informa o Valor Econômico. A despeito de todas as iniciativas supostamente destinadas a excitar o “espírito animal” dos empresários, o país empreende hoje muito menos do que empreendia no passado. Vê-se com clareza, pela Operação Lava Jato, aonde foi parar a montanha de dinheiro que o governo torrou nestes incentivos...
Neste processo, a indústria brasileira foi dizimada. Hoje a atividade manufatureira encontra-se no mesmo nível em que estava em 2004. Quando se consideram os 13 anos da era petista, é ainda pior: a indústria da transformação, setor tradicionalmente mais dinâmico e empregador, retrocedeu 10,5% desde 2002, calcula a Folha de S.Paulo.
O consumo das famílias também esfriou, e muito: em um ano, acumula queda de 6,3%. Trata-se da outra face do desemprego, do aperto no bolso, da inflação corroendo o salário – um mal-estar que demorará bem mais a sumir, a reboque da ainda tênue melhora das expectativas dos empresários, que deve reagir primeiro.
De todo modo, a avaliação corrente é de que, muito provavelmente, o pior passou ou está perto de passar. De uma forma objetiva, faz sentido: um país que consegue se livrar de uma gangue como a do PT pode, sim, festejar ter deixado a penúria no passado. Na economia, contudo, ainda precisamos esperar um pouco mais para comemorar.
Com a nova queda trimestral, a quinta consecutiva, o PIB brasileiro retrocedeu ao nível de 2011. São, portanto, cinco anos jogados no lixo – não por coincidência os cinco anos em que estivemos sob o jugo de Dilma Rousseff e do aprofundamento da anacrônica matriz econômica petista. A queda acumulada neste período é de 7,1%.
Em termos per capita, ou seja, quando se considera a riqueza produzida dividida pela população, a baixa acumulada em apenas dois anos já alcança 9%. É mais do que o verificado nos 12 anos da chamada “década perdida” (anos 1980/1990), calcula o Goldman Sachs. Além disso, nosso PIB potencial, que antes rodava perto de 4%, agora não passa de 1%. O estrago petista faz história.
É possível separar a dinâmica atual da economia em dois polos: o que acontece dentro do país vai muito mal; o que nos salva é a dimensão externa, ou seja, o comércio com o resto do mundo. É justamente o oposto do que as gestões petistas sempre alegaram: pelo discurso que prevaleceu até outro dia, o inferno sempre foram os outros.
Os componentes mais danosos desta equação são o investimento e o consumo. Ambos em franca queda livre, em alguns casos num patamar nunca antes visto. Ambos ainda devem demorar a reagir.
Até o fim do ano, os investimentos deverão acumular baixa de 40% em relação ao pico, alcançado em 2013, informa o Valor Econômico. A despeito de todas as iniciativas supostamente destinadas a excitar o “espírito animal” dos empresários, o país empreende hoje muito menos do que empreendia no passado. Vê-se com clareza, pela Operação Lava Jato, aonde foi parar a montanha de dinheiro que o governo torrou nestes incentivos...
Neste processo, a indústria brasileira foi dizimada. Hoje a atividade manufatureira encontra-se no mesmo nível em que estava em 2004. Quando se consideram os 13 anos da era petista, é ainda pior: a indústria da transformação, setor tradicionalmente mais dinâmico e empregador, retrocedeu 10,5% desde 2002, calcula a Folha de S.Paulo.
O consumo das famílias também esfriou, e muito: em um ano, acumula queda de 6,3%. Trata-se da outra face do desemprego, do aperto no bolso, da inflação corroendo o salário – um mal-estar que demorará bem mais a sumir, a reboque da ainda tênue melhora das expectativas dos empresários, que deve reagir primeiro.
De todo modo, a avaliação corrente é de que, muito provavelmente, o pior passou ou está perto de passar. De uma forma objetiva, faz sentido: um país que consegue se livrar de uma gangue como a do PT pode, sim, festejar ter deixado a penúria no passado. Na economia, contudo, ainda precisamos esperar um pouco mais para comemorar.
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