A economia brasileira pode ter fechado 2014 andando de lado, sem crescer ou, na pior das hipóteses, em retração. Os números oficiais do IBGE só serão conhecidos no princípio de março, mas os indicadores antecedentes são desanimadores.
Ontem, o Banco Central divulgou o índice de atividade econômica de novembro, com leve alta de 0,04% em relação a outubro. O resultado veio melhor que o previsto por analistas de mercado, mas não impediu que, no ano, o PIB exiba queda acumulada de 0,12%.
Em cinco dos 11 primeiros meses de 2014, a economia brasileira encolheu, segundo a metodologia do BC. O desempenho coroa um quadriênio de crescimento medíocre protagonizado pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro mandato.
Durante muito tempo, o discurso petista culpou o exterior pelo fracasso. Uma suposta recessão internacional seria responsável por arrastar o Brasil para o fundo do poço. Mas é cada vez mais evidente que quem tragou o país para o buraco sem fundo foi mesmo o governo do PT.
Tanto nos anos Dilma, quando na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil figura nas últimas posições dos rankings de crescimento regional. Em ambos os casos, perdemos para todos os países da América do Sul em termos de expansão do PIB registrada desde o início da era petista, em 2003.
No governo Dilma, perdemos também para todas as economias da América Latina desde 2011 e figuramos em 128° lugar na comparação com todas as nações do mundo cujas estatísticas são compiladas pelo FMI.
Foram várias as promessas frustradas feitas pela presidente. No início de seu governo, ela chancelou previsões de que o PIB brasileiro cresceria em média 5% ao ano, oficializadas pelo ministro Guido Mantega. Depois, já com o anêmico resultado de 2012 (1%) conhecido, previu um “pibão” no ano seguinte. Nada feito.
Na melhor das hipóteses, Dilma terá conseguido alcançar média de 1,6% anual ao longo dos quatro primeiros anos de sua gestão. Em toda a história republicana brasileira, só Floriano Peixoto e Fernando Collor de Mello foram piores que ela.
A perspectiva para este ano é sombria. Com o ajuste recessivo que vem sendo imposto à economia pela equipe do novo governo, a previsão é de alta fraca do PIB até dezembro. Há quem aposte numa retração – que pode ser a primeira desde 2009, se 2014 fechar no azul.
Em termos econômicos, o primeiro mandato de Dilma Rousseff foram quatro anos perdidos para o Brasil. É muito tempo desperdiçado para um país ainda tão carente, com dezenas de milhões de pessoas ainda vivendo em condições indignas. A presidente deve responder por este fiasco.
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sábado, 17 de janeiro de 2015
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Um mundo de pessimistas
A campanha à reeleição se vale, dia sim, dia também, de mentiras e mistificações. Em seu discurso ufanista, classifica de “pessimistas” os que se encorajam a criticar o estado atual das coisas no país e a propor mudar o que aí está. Se assim fosse, os petistas deveriam dirigir sua artilharia ao mundo todo, que hoje desconfia do Brasil.
A economia brasileira protagoniza atualmente o papel de patinho feio no concerto internacional. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações e rankings de desempenho e crescimento que constantemente são divulgados por instituições sérias no mundo. O PT se acha mais respeitável que elas.
Ontem, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne o grupo de países com maior desenvolvimento do globo, divulgou suas previsões para o desempenho de seus integrantes neste e no próximo anos. Adivinhem quem se sai pior na foto? O Brasil.
Segundo os prognósticos anunciados ontem, o reino do otimismo dilmista foi o país com maior redução nas previsões. Apenas quatro meses atrás, a OCDE acreditava que o PIB brasileiro cresceria 1,8% neste ano. Agora passou a prever que não passaremos de 0,3%. Foi o maior corte feito pela instituição. Para 2015, o prognóstico é igualmente desanimador: crescimento de apenas 1,4%, ante 2,3% previstos anteriormente.
Trata-se de um padrão. As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e paulatinamente vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Como acontece, também, com o Boletim Focus, do Banco Central: um ano atrás, previa-se alta de 2,3% para o PIB em 2014, percentual agora cortado para o mesmo 0,3% estimado pela OCDE. O corolário sempre coincide: o fundo do poço em que hoje estamos.
O governo petista insiste em dizer – ou melhor, mentir – que o Brasil vai mal porque o mundo vai pior. Mas, no mesmo levantamento, a OCDE mostra que economias que sofreram abalos profundos com a crise nascida há exatos seis anos já se recuperaram e crescem hoje muito mais que a brasileira. O inferno está aqui dentro mesmo.
Outras economias se sairão bem melhor neste ano: alcançarão crescimento de desde 2,1%, caso dos Estados Unidos, até os 5,7% da Índia e os 7,4% da China, países tão emergentes quanto o Brasil, mas que, ao contrário de nós, vão de vento em popa. Só a economia italiana ficará pior que a brasileira no retrato.
Não se supera um problema se não se reconhece a sua existência. Pior ainda é tratar as dificuldades com cores propagandísticas e abordagem mistificadora, típicas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cabe perguntar: Afinal, quem são os pessimistas: os que apostam no país e se frustram ou os que o estão levando ao fundo do buraco?
A economia brasileira protagoniza atualmente o papel de patinho feio no concerto internacional. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações e rankings de desempenho e crescimento que constantemente são divulgados por instituições sérias no mundo. O PT se acha mais respeitável que elas.
Ontem, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne o grupo de países com maior desenvolvimento do globo, divulgou suas previsões para o desempenho de seus integrantes neste e no próximo anos. Adivinhem quem se sai pior na foto? O Brasil.
Segundo os prognósticos anunciados ontem, o reino do otimismo dilmista foi o país com maior redução nas previsões. Apenas quatro meses atrás, a OCDE acreditava que o PIB brasileiro cresceria 1,8% neste ano. Agora passou a prever que não passaremos de 0,3%. Foi o maior corte feito pela instituição. Para 2015, o prognóstico é igualmente desanimador: crescimento de apenas 1,4%, ante 2,3% previstos anteriormente.
Trata-se de um padrão. As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e paulatinamente vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Como acontece, também, com o Boletim Focus, do Banco Central: um ano atrás, previa-se alta de 2,3% para o PIB em 2014, percentual agora cortado para o mesmo 0,3% estimado pela OCDE. O corolário sempre coincide: o fundo do poço em que hoje estamos.
O governo petista insiste em dizer – ou melhor, mentir – que o Brasil vai mal porque o mundo vai pior. Mas, no mesmo levantamento, a OCDE mostra que economias que sofreram abalos profundos com a crise nascida há exatos seis anos já se recuperaram e crescem hoje muito mais que a brasileira. O inferno está aqui dentro mesmo.
Outras economias se sairão bem melhor neste ano: alcançarão crescimento de desde 2,1%, caso dos Estados Unidos, até os 5,7% da Índia e os 7,4% da China, países tão emergentes quanto o Brasil, mas que, ao contrário de nós, vão de vento em popa. Só a economia italiana ficará pior que a brasileira no retrato.
Não se supera um problema se não se reconhece a sua existência. Pior ainda é tratar as dificuldades com cores propagandísticas e abordagem mistificadora, típicas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cabe perguntar: Afinal, quem são os pessimistas: os que apostam no país e se frustram ou os que o estão levando ao fundo do buraco?
sábado, 16 de agosto de 2014
A recessão vem aí
A Copa do Mundo deu um tombo na economia brasileira só comparável ao chocolate que a seleção de Luiz Felipe Scolari sofreu da Alemanha. Com os péssimos resultados registrados em junho, já é praticamente certo que o PIB nacional caiu no segundo trimestre. A recessão pode estar a caminho.
Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.
Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.
Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.
Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.
Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.
Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.
Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.
Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.
Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.
Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.
Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.
Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.
Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.
Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.
Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.
Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Razões para o pessimismo
Tornou-se um mantra da candidata-presidente afirmar que quem está preocupado com o futuro e com os problemas que se avolumam no país, em especial na economia, é “pessimista” e torce contra o Brasil. É possível que nem ela acredite no que diz.
Há razões de sobra para desconfiar das possibilidades de êxito do país caso o atual projeto de poder se mantenha por mais quatro anos. Os desafios são imensos na economia, mas vão muito além, abarcando, principalmente, a falta de segurança pública e a saúde precária.
Dilma Rousseff e seus porta-vozes tentam colar no “mercado” a pecha do mau agouro. Acusam analistas de torcer contra, mas vão além e publicamente constrangem quem se aventura a dizer o óbvio: com o PT no comando, as perspectivas do país são cadentes.
As projeções para a economia seguem declinantes. Em menos de três meses, os prognósticos para o PIB deste ano caíram pela metade e agora chegam a 0,81% – no início do ano, estavam em 1,95%. Há 11 semanas tem sido assim, na mais longa série de revisões consecutivas para baixo destas estimativas desde 2008, segundo o Valor Econômico.
O desalento não se limita ao presente. Dilma irá legar a seu sucessor um fardo para lá de pesado. A Folha de S.Paulo analisou os prognósticos de mercado para os próximos quatro anos e verificou que a projeção dos analistas é de inflação ainda alta e crescimento fraco até 2018, com perspectiva de forte aumento das tarifas públicas já em 2015.
O “tarifaço”, aliás, já é praticado pelo governo Dilma na energia elétrica e, no caso dos preços dos combustíveis, largamente defendido por integrantes do próprio governo petista, seja na Petrobras, seja na equipe econômica. Não é anseio, portanto, da oposição.
Mas o desalento vai muito além do mundo da economia e das finanças. Está nas ruas e na boca dos brasileiros que enfrentam um dia a dia cada vez mais difícil. Isso não é peça de retórica; é fato, comprovado também por pesquisas.
A mais expressiva delas foi feita em junho pelo Ibope. A informação mais relevante é que em rigorosamente todas as nove áreas pesquisadas pelo instituto, os brasileiros que desaprovam as políticas adotadas pela presidente Dilma são larga maioria.
É assim na saúde (78 a 19%), nos impostos (77 a 15%), na segurança pública (75 a 21%), no combate à inflação (71 a 21%), na política de juros (70 a 21%), na educação (67 a 30%), no combate ao desemprego (57 a 37%), no combate à fome e à pobreza (53 a 41%) e no meio ambiente (52 a 37%).
A preocupação com o futuro do país é de milhões de brasileiros. As condições de vida estão mais difíceis e até conseguir bons empregos está complicado. Quem produz, investe e trabalha torce para que o Brasil consiga virar o jogo. Mas não há como ser otimista com a herança realmente maldita que Dilma Rousseff deixará de presente para seu sucessor.
Há razões de sobra para desconfiar das possibilidades de êxito do país caso o atual projeto de poder se mantenha por mais quatro anos. Os desafios são imensos na economia, mas vão muito além, abarcando, principalmente, a falta de segurança pública e a saúde precária.
Dilma Rousseff e seus porta-vozes tentam colar no “mercado” a pecha do mau agouro. Acusam analistas de torcer contra, mas vão além e publicamente constrangem quem se aventura a dizer o óbvio: com o PT no comando, as perspectivas do país são cadentes.
As projeções para a economia seguem declinantes. Em menos de três meses, os prognósticos para o PIB deste ano caíram pela metade e agora chegam a 0,81% – no início do ano, estavam em 1,95%. Há 11 semanas tem sido assim, na mais longa série de revisões consecutivas para baixo destas estimativas desde 2008, segundo o Valor Econômico.
O desalento não se limita ao presente. Dilma irá legar a seu sucessor um fardo para lá de pesado. A Folha de S.Paulo analisou os prognósticos de mercado para os próximos quatro anos e verificou que a projeção dos analistas é de inflação ainda alta e crescimento fraco até 2018, com perspectiva de forte aumento das tarifas públicas já em 2015.
O “tarifaço”, aliás, já é praticado pelo governo Dilma na energia elétrica e, no caso dos preços dos combustíveis, largamente defendido por integrantes do próprio governo petista, seja na Petrobras, seja na equipe econômica. Não é anseio, portanto, da oposição.
Mas o desalento vai muito além do mundo da economia e das finanças. Está nas ruas e na boca dos brasileiros que enfrentam um dia a dia cada vez mais difícil. Isso não é peça de retórica; é fato, comprovado também por pesquisas.
A mais expressiva delas foi feita em junho pelo Ibope. A informação mais relevante é que em rigorosamente todas as nove áreas pesquisadas pelo instituto, os brasileiros que desaprovam as políticas adotadas pela presidente Dilma são larga maioria.
É assim na saúde (78 a 19%), nos impostos (77 a 15%), na segurança pública (75 a 21%), no combate à inflação (71 a 21%), na política de juros (70 a 21%), na educação (67 a 30%), no combate ao desemprego (57 a 37%), no combate à fome e à pobreza (53 a 41%) e no meio ambiente (52 a 37%).
A preocupação com o futuro do país é de milhões de brasileiros. As condições de vida estão mais difíceis e até conseguir bons empregos está complicado. Quem produz, investe e trabalha torce para que o Brasil consiga virar o jogo. Mas não há como ser otimista com a herança realmente maldita que Dilma Rousseff deixará de presente para seu sucessor.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
O Brasil vai ficando para trás
A economia
brasileira encontra-se em estado de quase letargia. E isso não é de agora. Já
há algum tempo temos crescido menos que países com características similares à
nossa. É como se, numa corrida de longa distância, estejamos ficando cada vez
mais para trás.
Na sexta-feira, saiu
a primeira prévia do comportamento da economia brasileira em 2013. Segundo o IBC-Br,
calculado pelo Banco Central, o PIB do país caiu 0,17% entre outubro e
dezembro, depois de já ter recuado 0,21% entre julho e setembro. No ano, houve
expansão de 2,52%.
Tecnicamente, pelos
números do BC, o país terá atravessado uma recessão no segundo semestre de 2013,
com dois trimestres seguidos de PIB negativo. Mas a maior parte dos analistas é
cautelosa em chancelar esta avaliação, uma vez que o IBC-Br costuma destoar dos
números oficiais do IBGE, que só serão conhecidos no próximo dia 27.
De todo modo, é voz
corrente que setores importantes da economia vão muito mal, em especial a
indústria. Os números finais do segmento em 2013 já foram conhecidos, com alta
de apenas 1,2% no ano, insuficiente para compensar sequer metade da queda registrada
em 2012 (2,5%). O parque industrial brasileiro segue, portanto, enferrujando.
O comércio também
perdeu vigor. Também na semana passada, o IBGE informou
que o setor cresceu 4,3% em 2013. Parece bom? Não foi. Trata-se do pior
desempenho em dez anos. Na comparação com 2012, o ritmo de alta da atividade comercial
– que funcionou como motor importante da economia nos últimos anos – caiu praticamente
à metade.
Se o fim de 2013 não
foi nem um pouco alvissareiro, as perspectivas para os meses vindouros têm se
mostrado menos ainda. Alguns fatores – internos e externos – colaboram para
isso. Aqui, temos a seca e a onda de calor, que afetaram a produção agrícola, encareceram
a energia e levaram fábricas a parar de produzir para lucrar com a venda de eletricidade.
Lá fora, há a
debacle da Argentina, país para onde se dirige 8% das nossas exportações. Há
quem estime que as vendas brasileiras para o vizinho cairão cerca de 20% neste
ano em função das dificuldades econômicas crescentes do lado de lá da fronteira,
afetando ainda mais nossa já combalida balança comercial.
Além disso, há o
desfecho imprevisível do enxugamento monetário americano, que tende a detonar
uma fuga de capitais dos mercados emergentes – um dos quais, o Brasil, foi
classificado pelo Fed, o banco central dos EUA, como o segundo mais frágil do
mundo. Tem ainda as dúvidas sobre o ritmo de expansão chinês.
Tudo considerado, as
previsões para o crescimento da economia brasileira vão murchando a cada dia.
Depois da divulgação do IBC-Br, dos resultados finais da indústria e do
comércio em 2013 e das estimativas sobre os efeitos da seca na economia, a
maior parte dos prognósticos aponta para uma alta de apenas 1,5% em 2014. Em razão do calor, há
quem fale em expansão de apenas 1%, segundo a edição de hoje d’O Globo.
Se a maior
parte dos prognósticos se confirmar, e considerando que o PIB tenha tido alta
de 2,5% no ano passado, Dilma Rousseff terá produzido crescimento médio abaixo
de 2% ao longo de seu mandato. Entre todos os presidente da República, apenas Floriano
Peixoto e Fernando Collor de Mello conseguiram algo tão ruim – e ambos em
condições particularmente bem mais desfavoráveis.
Mas o Brasil não vai
mal apenas em comparação consigo mesmo. Vai pior ainda quando cotejado a
economias com características similares à nossa. Estamos sempre na rabeira dos
rankings, perdendo até para países cujos mercados são bem menos expressivos que
o brasileiro. Assim tem sido desde o início da gestão Dilma.
Em 2011, em toda a
América Latina, o Brasil só cresceu mais que El Salvador. Em 2012, superou apenas
o Paraguai. Em 2013, só se saiu melhor que El Salvador, México e Venezuela,
conforme estimativas da Cepal.
Em 2014, a previsão – também da Cepal – é de que o Brasil só cresça mais que a
Venezuela.
Resta claro que a presidente
Dilma Rousseff não merece críticas apenas pelos resultados recentes produzidos
pela nefasta condução que ela e sua equipe fazem da nossa economia. Em todo o
seu mandato, o desempenho é sofrível. Visto desta maneira, o conjunto da obra é
digno de imediata reprovação, antes que continuemos a cair e passemos a ser os
lanternas do crescimento no continente.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Pernas quebradas, política manca
O diagnóstico do governo petista sobre a situação da nossa economia continua equivocado. Poderia ser mero erro de avaliação, mas tende a ser má-fé mesmo. O país não caminha hoje apenas com “duas pernas mancas”, como disse ontem Guido Mantega. Está é com suas pernas quebradas. Os argumentos do ministro é que são mancos.
Segundo o ministro da
Fazenda, e astrólogo frustrado, os problemas do Brasil são a crise
internacional e o escasso financiamento ao consumo, com respectivo aumento da inadimplência.
Mantega repete a ladainha governista de transferir para além-mar a culpa das
mazelas que nos são próprias. O inferno não são os outros; somos nós mesmos.
A crise financeira global
já completou cinco anos. Teve períodos muito severos, mas ninguém haverá de discordar
que o pior já ficou para trás. A maior parte das economias do mundo já está
decolando, recuperando terreno, reativando negócios e atividades. Isso só não
tem acontecido no Brasil e em alguns poucos lugares.
Ontem, a Cepal
divulgou a revisão de seus prognósticos para a economia da América Latina e Caribe
para este ano e o próximo. Pouca coisa mudou desde a versão anterior, de meados
do ano: o Brasil continua entre os de pior desempenho no continente, com
expansão projetada de 2,4% em 2013 e 2,6% em 2014. (Os números da Cepal parecem
otimistas demais.)
Neste ano, entre os
latino-americanos El Salvador e Venezuela continuam tendo crescimento menor que
o do Brasil – 1,7% e 1,2%, respectivamente. Mas o México também passou a
figurar na rabeira, com previsão de 1,3%, menos da metade do previsto cinco
meses atrás. De toda forma, além destes três países, o desempenho brasileiro
ficará também abaixo da média do continente.
Para 2014, o cenário
se repete: crescimento de 2,6% projetado para o Brasil, de novo maior somente
que os de El Salvador e Venezuela e tão ruim quanto o da Argentina – de acordo
com a Cepal, no ano que vem o México já deverá voltar a se descolar do grupo do
fundão, quase triplicando sua média de expansão prevista para 2013.
Se não somos páreos nem
em relação a nossos vizinhos do continente, imagine em relação a mercados emergentes,
cuja média de crescimento prevista pelo FMI é de 5% em 2013 e 5,4% no ano que
vem... Vale lembrar que, no terceiro trimestre deste ano, o Brasil já foi o
país de pior desempenho entre todas as economias do mundo, com retração de 0,5%
no PIB.
Os dados da Cepal
servem apenas para rechaçar um dos argumentos mancos empregados por Mantega
para tentar justificar o fiasco da política econômica avalizada por Dilma. Não adianta
acusar o mordomo quando o culpado é o dono da casa. A questão é que na equação
do pessoal da equipe econômica não entra o elemento governo, maior responsável
pelo mau andamento do país.
Se o crédito – a segunda
“perna manca” de Mantega – está caro é porque a economia está em desequilíbrio.
Juro alto, como o que o governo brasileiro pratica, resulta em maior inadimplência,
sim. Mas isso não é culpa apenas dos endividados. Juro alto é consequência da inflação
alta – esta mesma que Dilma Rousseff insiste em dizer que está dentro da meta,
quando há anos não passa nem perto do alvo...
Temos desequilíbrios
relevantes no lado da oferta, agravados pela incúria do governo em investir, ao
mesmo tempo em que a máquina pública acelera seus gastos. Até outubro, enquanto
as despesas correntes aumentaram R$ 92 bilhões, os investimentos não cresceram
nem R$ 3 bilhões. Assim não tem risco de dar certo.
Um bom diagnóstico é
o primeiro passo para a superação de qualquer problema. Mas, para nossa
infelicidade, Guido Mantega e a presidente Dilma Rousseff não costumam encontrar
o melhor ponto de partida, dificultando achar o melhor caminho a seguir. Pode
ser que tenham só dificuldade de compreensão, mas o mais correto é dizer que o
governo deles pratica uma política manca mesmo.
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Anos de incerteza, anos perdidos
O desempenho atual da economia brasileira é a crônica de um fracasso anunciado. O medíocre crescimento que a gestão Dilma Rousseff tem entregado aos brasileiros é fruto de um experimento equivocado e mal sucedido, empreendido à revelia de reiterados alertas contrários. Já são anos sob clima de incerteza; não sabemos quantos anos ainda serão perdidos.
Até agora, a única
coisa que Dilma conseguiu foi colocar o Brasil figurando entre as economias de
pior desempenho no mundo. Mas nosso modelo é mais ruinoso do que outros pelo planeta
afora: produz não apenas crescimento baixo, como também inflação alta, regada a
taxas de juros elevadíssimas. Uma receita de professor Pardal.
Dilma e sua turma jogaram
no lixo um modelo que ajudou o país a empreender uma lenta, porém persistente, travessia
rumo a um ambiente econômico mais próspero e estável, iniciada no governo do
presidente Fernando Henrique Cardoso. O sistema baseado na trinca metas de
inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante foi posto de lado pela
atual gestão em favor de uma dita “nova matriz econômica”. Que bicho isso deu?
A receita dilmista persegue
a clássica combinação de um pouquinho mais de inflação para um tantão maior de
crescimento – algo no que só os petistas ainda acreditam. Mas o que a mistura
produziu foi, na realidade, muita inflação e nenhum crescimento – a menos que
alguém considere que crescer uma média de, no máximo, 2% ao ano seja alguma
coisa digna de nota...
Esta receita baseia-se
em mais gasto público, mais crédito, leniência com a inflação e desafogo nos
juros. Em momentos de crise mais aguda, como a que se seguiu à debacle mundial
de 2008, até produz algum benefício. Mas é a velha história: remédio em excesso
pode acabar matando o paciente. Foi o que aconteceu: o Brasil hoje está pior do
que a maioria dos países do mundo.
O triênio 2011-2013 já
foi rifado pela presidente. Mas o estrago, infelizmente, tende a ser muito
maior. O Brasil entrará num ano difícil para todo o mundo, como se prevê que
será 2014, com o pé esquerdo. Além de crescermos pouco e termos inflação muito
alta, nossas contas públicas estão em completo desarranjo, o crédito está
ficando caro e o dólar, com tendência de alta, não deve nos ajudar nadinha,
pelo contrário.
Para complicar,
nosso investimento é pouco e decadente – no trimestre, caiu 2,2%, no pior
resultado desde o primeiro trimestre de 2012. Nossa taxa de poupança doméstica (15%
do PIB) recuou ao pior nível desde 2000, elevando a dependência de recursos estrangeiros
num momento em que o dinheiro fica mais caro no mundo e as contas externas do
país já estão no fio da navalha.
Algumas expressões,
salpicadas ao longo de páginas e páginas de avaliações negativas publicadas nos
jornais de hoje, retratam o ânimo reinante. O momento é de “instabilidade”, num
“clima de incerteza” e de “perda de confiança”, diante de uma “condução da
política econômica que, focada no curto prazo, encurta o horizonte de
planejamento de empresas e consumidores e contribui para variações bruscas da
atividade econômica”, como resume o Valor Econômico.
Com os resultados do
terceiro trimestre conhecidos ontem, com queda de 0,5% sobre os três meses anteriores,
a perspectiva para 2014 turvou-se de vez. Há quem acredite que o crescimento do
PIB brasileiro no ano que vem mal supere 1%. Mas a média mais comum é de uma
expansão de 2%, ainda assim muito, muito ruim para um país que precisa crescer
e se desenvolver para superar o enorme fosso de desigualdade e injustiça social
como o que ainda persiste entre nós.
Dilma começou seu
governo prometendo crescimento de até 5% ao ano. Nunca passou nem perto disso:
fez 2,7% em 2011, 1% no dado revisado de 2012 e deve fechar este e o próximo
ano com algo em torno de 2%. Neste momento, o Brasil é, em todo o mundo, a
economia com o pior desempenho, conforme mostra O Globo.
O governo petista aposta
nas privatizações para evitar uma catástrofe pior no ano que vem. Mas esquece-se
de que, tivesse ele feito a coisa certa, nesta altura as concessões já poderiam
estar produzindo algum resultado, se não tivessem demorado tanto a transpor a resistência
ideológica do PT aos investimentos privados.
Um dos aspectos mais
lastimáveis de tudo isso é que a maior preocupação do governo da presidente Dilma
não tem sido em como lidar com o buraco em que o país se meteu, e como tirar-nos
de lá. Mas, sim, em como definir uma “narrativa” que cole na população e a dificulte
perceber os problemas que se agigantam antes que as eleições cheguem, como informa
hoje O Estado de S.Paulo. A propaganda é a alma do negócio petista.
Tudo considerado, o país
vive hoje à sombra do “risco Dilma”. Paga-se um preço muito elevado por decisões
equivocadas. Paga-se ainda mais caro pela persistência num caminho que nos
conduziu a um beco sem saída. O Brasil não tem mais tempo a perder. O Brasil não
aguenta mais ficar à mercê do projeto de poder do PT. O Brasil precisa, e quer,
urgentemente mudar.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Inglório tricampeonato
Já ficou tão rotineiro que beira o enfado: as previsões relativas ao crescimento do Brasil foram novamente rebaixadas. Mais uma vez, vamos ficar na rabeira do ranking entre os emergentes e continuar fazendo feio em relação a nossos vizinhos de continente. Até quando esta piada sem graça vai permanecer?
O rebaixamento da vez
veio ontem do Fundo Monetário Internacional (FMI). O
prognóstico para 2013 foi mantido em pífios 2,5%, mas o do ano que vem foi novamente
reduzido: a previsão para o crescimento brasileiro em 2014 começou o ano em 4%,
caiu depois para 3,2% e agora baixou para 2,5%. Será que diminuirá ainda mais?
Continuaremos perdendo
para países classificados como emergentes, como China, Índia, Rússia, África do
Sul e México. Segundo o FMI, este grupo conseguirá obter alta média de 5,1% no
próximo ano, ou seja, mais que o dobro do esperado para o Brasil.
Não é de agora que vimos
comendo poeira. Entre 2001 a 2012, em seis anos o Brasil cresceu menos da
metade dos países em desenvolvimento – e, em 2009, registrou retração, enquanto
os emergentes se expandiram, registra a Folha de S.Paulo. Em 2012, a diferença foi ainda mais gritante: o PIB
brasileiro avançou 0,9% e o dos emergentes, 4,9%.
Como fomos ficando
muito para trás em relação aos emergentes, talvez a melhor comparação seja mesmo
com os vizinhos do continente. Mas, infelizmente, aí também vamos mal. Segundo o
documento, intitulado “Panorama Econômico Mundial”, a América do Sul deve
alcançar crescimento médio de 3,1% e 3,2% neste e no próximo ano, ou seja, também
superior ao desempenho brasileiro.
Se os prognósticos
se confirmarem, o Brasil alcançará em 2014 um inglório tricampeonato: por três anos
seguidos, nossa economia terá registrado o segundo pior desempenho entre todos
os países sul-americanos. Em 2012 só superamos o Paraguai, enquanto em 2013 e
2014 só não perderemos da Venezuela.
Na média, o crescimento
da economia brasileira no quadriênio 2011-2014 deverá ficar em 2,1%. Ou seja, o
desempenho de Dilma Rousseff será o pior que se tem notícia no país desde
Fernando Collor (1990-1992) e um dos três mais sofríveis de toda a nossa história
republicada – Floriano Peixoto (1891-1894) ocupa a rabeira do ranking da
mediocridade.
Na avaliação do FMI,
o Brasil enfrenta problemas cíclicos e também estruturais que reduziram seu PIB
potencial – isto é, o máximo que uma economia consegue crescer sem produzir
desequilíbrios em série, como aconteceu depois de 2010, quando o país foi
turbinado para eleger Dilma e depois afundou.
Segundo o Fundo, o
Brasil já não consegue crescer mais que 2,8% – na previsão anterior, divulgada
pela instituição em julho, o teto estava em 3,2% – em razão, principalmente, de
gargalos regulatórios e deficiências de infraestrutura, que afetam o aumento da
oferta, e desequilíbrios macroeconômicos, que comprometem a solidez das contas públicas
do país.
Não é difícil
constatar que o Brasil enveredou por um caminho que mais se parece com um beco
sem saída. A chamada “nova matriz econômica”, com seu voluntarismo indesejável
e seu intervencionismo dispensável, é um fiasco retumbante. É urgente retomar a
trilha das reformas estruturais para que o país não continue perdendo de
goleada.
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sábado, 17 de agosto de 2013
Lembra do ‘pibão’ da Dilma? Esqueça...
A economia brasileira parece ter vivido um espasmo de ânimo no segundo trimestre, mas já ensaia mergulhar de novo na pasmaceira, envolta num disseminado clima de pessimismo. A cada dia que passa, o Brasil está se tornando um país mais difícil para seus cidadãos e inóspito demais para quem pretende produzir e gerar empregos.
O resultado oficial do PIB no segundo trimestre só será
conhecido daqui a 15 dias. Mas ontem o Banco Central divulgou
sua prévia do indicador, com alta de 0,9% entre abril e junho. Na aparência é
um bom resultado, mas na essência não.
O chamado IBC-Br quase nunca coincide com as estatísticas do
IBGE. A realidade tende, infelizmente, a decepcionar. No primeiro trimestre,
por exemplo, para o BC a economia brasileira havia acrescido 1,1%, mas o resultado
oficial foi de módico 0,6% no período. Quem sabe agora melhore...
Qualquer que seja o número definitivo, porém, uma coisa é
certa: terá sido o pico do crescimento econômico do país neste ano. Já estamos em
franco descenso, tropeçando ladeira abaixo. E o pior é que, pelo que dizem
alguns analistas, o fundo do poço ainda não chegou.
Lembra aquele “pibão grandão” que Dilma Rousseff prometeu
para o Brasil em 2013? Esqueça. Neste ano, até vamos conseguir crescer mais que
o 0,9% de 2012, mas será muito menos do que conseguirão alcançar países com
natureza econômica parecida com a nossa, como os vizinhos latino-americanos. No
continente, apenas a Venezuela e o El Salvador irão tão mal quanto nós.
O Brasil está descolado do resto do mundo. Para baixo. Há,
não se pode negar, um retrocesso disseminado nas perspectivas mundiais, mas ele
é muito menos severo no geral do que aqui. Com Dilma no comando, afundamos
feio.
Quem sabe a presidente não nos entrega o “pibão grandão” em 2014?
Jamais. O ano que vem pode ser ainda pior que o atual. Há dois meses, o Boletim
Focus do BC apontava previsão de uma expansão média de 3,5%, percentual que
agora já caiu para 2,5%, numa deterioração rápida como há muito não se via.
“Ainda há a perspectiva de que novas revisões para baixo
virão. Além disso, entre os economistas já há quem vislumbre expansão de apenas
1% na economia brasileira em 2014, percentual inferior ao piso das estimativas
para 2013, de 1,7%”, alerta o Valor Econômico em sua edição de hoje.
Segundo a FGV,
o país corre risco até de afundar numa recessão, numa probabilidade que chega a
40%. Longe, portanto, de ser pequena. Há todo um caldo desfavorável, a começar
pela desconfiança generalizada de empresários e consumidores, que trava
qualquer reativação de ânimo na economia: hoje o nível é tão baixo quanto o de
quatro anos atrás, no auge da crise mundial.
Há, também, um desarranjo latente nas condições macroeconômicas.
O governo federal não tem o menor controle sobre suas despesas e vive de
remendos para fechar as contas. Os investimentos públicos não decolam: dos R$ 49
bilhões de aumento de gastos não financeiros no primeiro semestre, só R$ 300
milhões tiveram este destino.
A inflação só se mantém confinada aos limites da meta porque
um monte de tarifas públicas está sendo maquiado e represado. Mas a carestia não
terá refresco com o dólar, que continua escalando e ontem atingiu a maior cotação
em mais de quatro anos. O céu é o limite.
O lucro das empresas brasileiras está estacionado. E, para
completar, o programa de privatizações que a gestão petista alçou à condição de
tábua de salvação do governo Dilma ainda suscita dúvidas entre empresários, que
estão querendo distância da insegurança que vigora no Brasil.
Se somarmos tudo, vamos ver que estamos vivendo uma espécie
de “risco Dilma”. Há uma mistura de desconfiança, perda de credibilidade,
incerteza quanto ao futuro, repulsa a um histórico de improvisos e um temor crescente
quanto à possibilidade de uma estagnação mais assombrosa. A receita da
presidente não deu certo. O “pibão” deu em pibinho.
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