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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O risco Dilma

A última vez que o dólar explodiu foi há 13 anos. Era o temor de que, se chegasse à presidência da República, o PT tocaria fogo no país. Pois as cotações de agora ultrapassaram às da véspera das eleições de 2002. Antes, temia-se o chamado risco Lula, agora há a certeza do desastre Dilma.

A cotação do dólar subiu mais um tanto ontem e chegou a inéditos R$ 4,05. O real é a moeda que mais perdeu valor em 2015. Desde janeiro, a alta é de 52%. 

A escalada ganhou ímpeto em julho, quando o governo primeiro reduziu a meta fiscal para este e o próximo ano. E acelerou de vez desde a desastrosa decisão de enviar ao Congresso um orçamento com déficit, e abandonar qualquer compromisso com a responsabilidade fiscal.

Ato contínuo, o rebaixamento da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor’s traduziu em ação o que era percepção difusa: a de que o país não é mais confiável a investidores. Ninguém consegue prever aonde a cotação do dólar, tampouco o desalento econômico, vai parar.

Dólar caro não incomoda apenas quem quer brincar na Disney. Afeta diretamente a vida de todos, ao tornar produtos importados muito mais caros. É inflação na veia do país, o que torna a contenção da carestia algo ainda mais difícil, depois de anos de leniência do governo do PT com a alta dos preços. Ninguém mais crê em inflação na meta num horizonte visível.

Os investidores também dobraram seu temor diante de risco de quebradeira, o que se traduz em quanto cobram por uma espécie de seguro contra calotes por parte do país. Desde julho, a alta nos prêmios é de 70%, levando o Brasil a pagar, por exemplo, mais que o dobro do que paga o México. Por este parâmetro, investir aqui só não é mais arriscado do que em outros quatro países (Venezuela, Grécia, Ucrânia e Paquistão).

Em 2002, quando lidaram com a expectativa de chegada do PT ao poder, os agentes econômicos traduziram seu receio com o imponderável que estava por vir a partir da vitória de Lula por meio de brutal alta do dólar, da fuga de investimentos e de uma desconfiança generalizada no país, traduzida em baixo crescimento e alta inflação.

Qualquer semelhança com a realidade atual não é mera coincidência. Com a crucial diferença de que, agora, um governo do PT não é mais uma incógnita e sim algo sobejamente conhecido – e, por todos os sinais emitidos não apenas pelo mercado, mas por toda a sociedade brasileira, amplamente indesejável.

O país paga alto preço pela maneira irresponsável, errática, hesitante, equivocada com que a presidente da República conduz o Brasil desde 2011. O dólar alto é apenas uma das contrapartes da falta de credibilidade da petista e da perda de confiança no país. O que era apenas temor tornou-se fato, desastre consumado. É o risco Dilma que dispara.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O ‘risco Dilma’ assombra

A possibilidade de o atual partido no poder ganhar mais quatro anos à frente do governo está disseminando pânico na economia. É uma das raras vezes em que o conhecido suscita mais desconfiança do que credibilidade. Quem cuida do dinheiro prefere não correr o “risco Dilma”.

Ontem, o mercado financeiro brasileiro reagiu bastante negativamente às pesquisas eleitorais dos últimos dias. Preços das ações em queda expressiva – principalmente as das já castigadas estatais – e cotação do dólar em disparada.

A leitura que o mercado faz do cenário eleitoral é exagerada. Nem é provável que se dê o pior dos mundos, ou seja, que Dilma Rousseff liquide a fatura em primeiro turno, nem se pode dizer que a oposição não conseguirá derrotar o petismo no segundo turno. Neste momento, o certo é que não é possível saber quem disputará a rodada de 26 de outubro.

Queiramos ou não, as reações das finanças causam efeitos no bolso de todo mundo. O dólar, por exemplo, subiu 11% em um mês e ontem chegou ao maior patamar desde dezembro de 2008, auge da crise global. O movimento pode ter como consequência a aceleração da inflação e levar problemas às já esfrangalhadas contas externas, cujo rombo quase dobrou desde 2010.

Com o pânico, o mercado também já começou a ajustar as taxas de juros para cima. Os efeitos no dia a dia vêm na forma de encarecimento do custo de crédito, que enforca ainda mais os endividados e sufoca de vez a nossa já combalida economia.

A desconfiança geral deve-se ao fato de o Brasil ter hoje uma das piores combinações do mundo: inflação alta e crescimento baixo. Agora até o Banco Central já trabalha com projeções para o PIB deste ano perto de zero, enquanto o mundo como um todo deve crescer 2,5% e nossos vizinhos latino-americanos, 1,7%.

O “risco Dilma” avulta no horizonte na mesma medida em que o governo da atual presidente se recusa a admitir problemas, inventa bodes expiatórios para justificar seu fracasso e se furta a apontar que rumos poderia tomar caso os eleitores cometam a temeridade de manter o PT no comando do país por mais quatro anos.

Estamos diante de situação insólita: o temor que o conhecido desperta. Em 2002, o país viveu o inverso: o receio quanto à eleição de Lula. Mas, sabiamente, o PT optou por rezar pela cartilha herdada do PSDB e, enquanto assim procedeu, o Brasil foi bem. Anos depois, foi só o PT fazer o que acredita e defende para o caldo entornar.

O que pagamos hoje é o preço da desconfiança. Não apenas de investidores. Mas dos brasileiros em geral, que trabalham, produzem e consomem. Sabemos todos que a economia vive de expectativas e, com Dilma Rousseff mais quatro anos no Planalto, elas são as piores possíveis. Este risco não vale a pena corrermos.