Pode ainda parecer pouco, mas há muito tempo não saia uma fornada tão recheada de indicadores positivos apontando ares melhores na economia brasileira. Não é nada trivial retirar a atividade do abismo em que foi colocada pelo PT, mas o pior da crise patrocinada por Lula, Dilma & Cia está ficando na poeira.
A atividade começa a reagir de forma mais disseminada, com efeitos positivos também onde a recuperação mais precisa ser sentida: na geração de empregos. Vendas no varejo estão em alta, assim como a indústria e os serviços, sempre de acordo com as pesquisas conjunturais feitas pelo IBGE. Falta ainda os investimentos reagirem.
Poderão ser suficientes para decretar a estabilidade do PIB no segundo trimestre, mais ou menos em linha com a leve alta de 0,25% que o Banco Central divulgou ontem. No entanto, ainda são cisco perto do estrago que precisamos superar: são mais de 7% de retração do PIB e perda de mais de 10% da renda média dos brasileiros acumulados ao longo de três anos.
Qualquer crescimento econômico neste ano já será feito notável. Com as projeções se concentrando em torno de uma alta de 0,3% a 0,5% na economia até dezembro, trata-se de uma recuperação de cerca de quatro pontos do PIB em apenas um ano. Até a distribuição de renda melhorou, estimou a FGV, segundo o Valor Econômico. Não é pouca coisa.
Quando o IBGE divulgou o resultado da economia no primeiro trimestre, as leituras correntes à época davam conta de que aquela alta de 1%, ainda muito dependente da agropecuária, seria mero espasmo, com previsão de o PIB voltar a cair nos três meses seguintes. Não foi o que efetivamente aconteceu. O resultado oficial será conhecido em 1° de setembro, mas a atividade mostrou ter resistido até à crise política fabricada a partir de maio.
Não é caso, óbvio, de euforia. Longe disso. Há um longo e pedregoso caminho pela frente para que o país retome um ritmo de produção compatível com as necessidades de quem tem que gerar vagas para 13,5 milhões de pessoas hoje ainda desempregadas e 26,3 milhões de brasileiros sem trabalho adequado, conforme o IBGE mostrou ontem.
Isso torna ainda mais impositiva, até para evitar a explosão da dívida e das finanças públicas, a agenda de ajustes e reformas contra as quais forças irresponsáveis – ou mesmo incendiárias, como as ligadas ao antigo governo – se insurgem no Congresso. Para ir mais longe, será preciso muito mais. O esforço para acelerar está apenas começando. Não atrapalhar já ajudará bastante.
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sábado, 19 de agosto de 2017
No pó da estrada
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quinta-feira, 15 de junho de 2017
Algum alento
Dois indicadores recém-divulgados deram mais um alento à retomada da economia. Os resultados do varejo e dos serviços sugerem aquecimento no mercado e, quiçá, chances maiores de recuperação da geração de emprego. O país tem possibilidade de, aos poucos, retomar os trilhos. Basta que sobreviva às muitas sabotagens de que tem sido vítima.
A maior surpresa veio do varejo. A atividade cresceu 1,9% em abril na comparação com igual mês do ano anterior, depois de 24 meses seguidos de baixas, segundo o IBGE. No cotejo com o mês anterior, também houve alta (1%), depois de duas quedas consecutivas. Foi o melhor abril em 11 anos. Fatores pontuais, como a liberação do FGTS, ajudaram.
Entre os segmentos que tiveram alta está o de vendas em hiper e supermercados, alimentos e bebidas, assim como vestuário e calçados. São reflexos da queda expressiva da inflação, hoje menos da metade do que era um ano atrás. O bom resultado, no entanto, exige cautela: quatro dos oito seguimentos tiveram queda. Em geral, após dois anos de quedas o varejo opera atualmente em nível 10% menor do que no seu pico histórico, em novembro de 2014.
Nesta manhã, o IBGE divulgou outro resultado positivo: os serviços reverteram queda de 2,6% em março para uma alta de 1% em abril. É o melhor resultado para o mês desde 2013. Em compensação, no cotejo com igual mês do ano anterior, houve queda de 5,6%, infelizmente a maior da série para meses de abril. Nesta base de comparação, a sequência de baixas vem desde janeiro de 2015.
O setor de serviços responde por 75% dos empregos gerados no país. Assim, sua recuperação é fundamental para a retomada da abertura de novos postos de trabalho. Trata-se de segmento que, até por sua natureza, cobra regras mais flexíveis de contratação e demissão. Ou seja, que pode ser muito beneficiado com as mudanças previstas na reforma trabalhista em fase de discussão final no Senado.
A economia brasileira encontra-se numa gangorra em que fatos positivos são anulados por seguidas frustrações. É natural que seja assim. Afinal, há um fardo pesadíssimo de desequilíbrios a corrigir, contas a pagar, buracos a tapar herdado do descalabro petista e que demandará muito esforço de toda a sociedade até ser finalmente dissipado. Ainda vai levar um tempo até que possamos voltar a respirar.
Nenhum desses sinais positivos são, portanto, definitivos. São oscilações na atividade econômica, que ora cresce, ora retrocede. Assim tenderá a ser enquanto o país não superar o atoleiro em que os três anos de recessão o colocaram. Não haverá recuperação digna desse nome enquanto as condições gerais de produção não se recuperarem, para o que a reforma do Estado, de sua estrutura anacrônica e de seus gastos estapafúrdios é condição sine qua non.
A maior surpresa veio do varejo. A atividade cresceu 1,9% em abril na comparação com igual mês do ano anterior, depois de 24 meses seguidos de baixas, segundo o IBGE. No cotejo com o mês anterior, também houve alta (1%), depois de duas quedas consecutivas. Foi o melhor abril em 11 anos. Fatores pontuais, como a liberação do FGTS, ajudaram.
Entre os segmentos que tiveram alta está o de vendas em hiper e supermercados, alimentos e bebidas, assim como vestuário e calçados. São reflexos da queda expressiva da inflação, hoje menos da metade do que era um ano atrás. O bom resultado, no entanto, exige cautela: quatro dos oito seguimentos tiveram queda. Em geral, após dois anos de quedas o varejo opera atualmente em nível 10% menor do que no seu pico histórico, em novembro de 2014.
Nesta manhã, o IBGE divulgou outro resultado positivo: os serviços reverteram queda de 2,6% em março para uma alta de 1% em abril. É o melhor resultado para o mês desde 2013. Em compensação, no cotejo com igual mês do ano anterior, houve queda de 5,6%, infelizmente a maior da série para meses de abril. Nesta base de comparação, a sequência de baixas vem desde janeiro de 2015.
O setor de serviços responde por 75% dos empregos gerados no país. Assim, sua recuperação é fundamental para a retomada da abertura de novos postos de trabalho. Trata-se de segmento que, até por sua natureza, cobra regras mais flexíveis de contratação e demissão. Ou seja, que pode ser muito beneficiado com as mudanças previstas na reforma trabalhista em fase de discussão final no Senado.
A economia brasileira encontra-se numa gangorra em que fatos positivos são anulados por seguidas frustrações. É natural que seja assim. Afinal, há um fardo pesadíssimo de desequilíbrios a corrigir, contas a pagar, buracos a tapar herdado do descalabro petista e que demandará muito esforço de toda a sociedade até ser finalmente dissipado. Ainda vai levar um tempo até que possamos voltar a respirar.
Nenhum desses sinais positivos são, portanto, definitivos. São oscilações na atividade econômica, que ora cresce, ora retrocede. Assim tenderá a ser enquanto o país não superar o atoleiro em que os três anos de recessão o colocaram. Não haverá recuperação digna desse nome enquanto as condições gerais de produção não se recuperarem, para o que a reforma do Estado, de sua estrutura anacrônica e de seus gastos estapafúrdios é condição sine qua non.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
A crise nas prateleiras
É no dia a dia das lojinhas, do comércio e do rame-rame da prestação de serviços que a crise econômica é percebida com cores mais vívidas. Afinal, são estas as atividades que mais ocupam pessoas, que mais movimentam a atividade e que, de alguma forma, batem mais fundo no bolso. Elas funcionam como termômetro realista da recessão.
O IBGE acabou de publicar os resultados do varejo e dos serviços relativos ao ano passado. O comércio varejista teve seu pior ano desde 2001, com queda de 6,2%. Quando se consideram também as vendas de veículos, motos e material de construção, a redução se aprofunda e atinge 8,7%. Em ambos os casos, são oito trimestre seguidos de baixas.
A crise é indubitável. Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio mostrou que o número de estabelecimentos diminuiu em 109 mil em 2016, com 182 mil vagas de trabalho eliminadas. “Em dois anos, o comércio encolheu em mais de 200 mil lojas e quase 360 mil empregos diretos”, resumiu O Estado de S. Paulo na sua edição de segunda-feira.
Já os serviços despencaram 5%, após já terem caído 3,6% em 2015. São os piores resultados da série, que teve início em 2012. Um atenuante é que nos dois últimos meses de 2016 a variação voltou a ser positiva quando calculada sobre o mês anterior. Relevante notar que os segmentos com pior desempenho são os serviços mais dependentes da demanda da indústria (transportes e técnico-profissionais). Como as fábricas pararam, eles também estancaram.
São naturais as quedas. O desemprego, o endividamento e a inflação fizeram minguar o dinheiro disponível no bolso dos consumidores. A saída, claro, foi parar de comprar. Como agora os índices de preços estão bem mais comportados, as taxas de juros estão caindo e a atividade econômica começa a reagir, o cenário tende a mudar.
Com os números recentes, tem-se, aos poucos, o retrato completo daquele que ficará marcado como o terceiro ano de recessão brasileira, a mais prolongada e profunda da nossa história – recorde-se que a indústria recuou 6,6% em 2016 e a agricultura só agora caminha para recuperar-se, com brilho, da sua pior safra desde o início da década.
Os prognósticos, que serão confirmados pelo IBGE em 7 de março, sugerem que, no ano passado, a economia afundou no mesmo diapasão de 2015, ou seja, alguma coisa ao redor de 3,5%. No cômputo geral, no mergulho que vem desde o segundo trimestre de 2014 o PIB brasileiro terá decaído quase 9% e a renda per capita, uns 11%.
Tudo indica que o pior tenha ficado no passado. Todas as fichas estão postas na retomada do crescimento, mínimo que seja, a partir do segundo ou terceiro trimestre deste ano. Ainda não será nada de encher os olhos, mas para uma nação que passou tanto tempo submergindo já será um alívio e tanto.
O IBGE acabou de publicar os resultados do varejo e dos serviços relativos ao ano passado. O comércio varejista teve seu pior ano desde 2001, com queda de 6,2%. Quando se consideram também as vendas de veículos, motos e material de construção, a redução se aprofunda e atinge 8,7%. Em ambos os casos, são oito trimestre seguidos de baixas.
A crise é indubitável. Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio mostrou que o número de estabelecimentos diminuiu em 109 mil em 2016, com 182 mil vagas de trabalho eliminadas. “Em dois anos, o comércio encolheu em mais de 200 mil lojas e quase 360 mil empregos diretos”, resumiu O Estado de S. Paulo na sua edição de segunda-feira.
Já os serviços despencaram 5%, após já terem caído 3,6% em 2015. São os piores resultados da série, que teve início em 2012. Um atenuante é que nos dois últimos meses de 2016 a variação voltou a ser positiva quando calculada sobre o mês anterior. Relevante notar que os segmentos com pior desempenho são os serviços mais dependentes da demanda da indústria (transportes e técnico-profissionais). Como as fábricas pararam, eles também estancaram.
São naturais as quedas. O desemprego, o endividamento e a inflação fizeram minguar o dinheiro disponível no bolso dos consumidores. A saída, claro, foi parar de comprar. Como agora os índices de preços estão bem mais comportados, as taxas de juros estão caindo e a atividade econômica começa a reagir, o cenário tende a mudar.
Com os números recentes, tem-se, aos poucos, o retrato completo daquele que ficará marcado como o terceiro ano de recessão brasileira, a mais prolongada e profunda da nossa história – recorde-se que a indústria recuou 6,6% em 2016 e a agricultura só agora caminha para recuperar-se, com brilho, da sua pior safra desde o início da década.
Os prognósticos, que serão confirmados pelo IBGE em 7 de março, sugerem que, no ano passado, a economia afundou no mesmo diapasão de 2015, ou seja, alguma coisa ao redor de 3,5%. No cômputo geral, no mergulho que vem desde o segundo trimestre de 2014 o PIB brasileiro terá decaído quase 9% e a renda per capita, uns 11%.
Tudo indica que o pior tenha ficado no passado. Todas as fichas estão postas na retomada do crescimento, mínimo que seja, a partir do segundo ou terceiro trimestre deste ano. Ainda não será nada de encher os olhos, mas para uma nação que passou tanto tempo submergindo já será um alívio e tanto.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
O tamanho do estrago
Saiu nesta manhã o primeiro indicador oficial sobre o desempenho da economia brasileiro no ano passado. A fotografia revelada é horrorosa, como há décadas não se via. O mais preocupante é que a viagem buraco abaixo continua, sem um fim à vista.
Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.
A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).
Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.
Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.
Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.
2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.
Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.
São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.
Segundo o Banco Central, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2015. O indicador funciona como prévia do PIB oficial, que o IBGE divulgará daqui a duas semanas. Não costumam diferir muito.
A dúvida é saber se teremos tido no ano passado a maior queda dos últimos 25 ou 35 anos, batendo os 4,35% da recessão de Fernando Collor em 1990 ou os 4,25% do tombo de 1981, durante o último governo militar (João Baptista Figueiredo).
Diferentemente daquelas duas ocasiões, porém, é certo que teremos no biênio 2015-2016 algo que não acontece no Brasil desde os anos 1930 e 1931: dois anos seguidos de quedas do PIB. Ou seja, é a maior recessão desde a crise mundial decorrente do crash da bolsa de Nova York, em 1929.
Nosso tombo começou oficialmente no segundo trimestre de 2014 e só se agravou. Até o BC já passou a trabalhar com a perspectiva de uma nova queda neste ano na casa dos 3%, segundo informou o Valor Econômico em sua edição de ontem. Na média, os analistas esperam recessão de 3,3% em 2016, mas há quem aposte em algo perto de 5%.
Com isso, a renda dos brasileiros sofre mergulho inédito, que pode se aproximar de 10%, considerando também o crescimento zero de 2014 e a perspectiva desanimadora para 2017 (ainda 0,6% de alta, mas caindo). A previsão é de que cheguemos a 2020 com o PIB per capita tendo retrocedido ao mesmo nível de 2010. Uma década perdida.
2015 foi pródigo em recordes negativos. A indústria teve seu pior desempenho desde 2003, com baixa de 8,3%. O varejo, que mesmo nos momentos mais graves ainda conseguia sair-se bem, também desceu ladeira abaixo, com recuo de 4,3%, pior resultado desde 2001. Com queda de 3,6%, o setor de serviços registrou seu pior ano desde que o IBGE passou a pesquisá-lo.
Infelizmente, não há fundo à vista neste poço, como ficou claro com a decisão expressa ontem pela Standard & Poor’s de rebaixar mais uma vez a nota de crédito do Brasil. Retrocedemos ao patamar em que estávamos em 2006, mas a tendência é ir mais abaixo ainda: a Moody's deve ser a última das três grandes agências de rating a rebaixar os títulos brasileiros à condição de “lixo”.
São nítidos os contornos de uma exuberante crise de confiança que afeta o país. Não se enxerga hipótese de que o atual estado de descrédito seja superado enquanto o país tiver à frente o mais inepto, ineficaz e corrupto governo de sua história. O alto preço da experiência petista está sendo pago diariamente pelos brasileiros, numa penúria sem fim.
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