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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A melhor saída

O tamanho das manifestações, a frequência dos protestos, o grau de insatisfação da população e a altíssima impopularidade da presidente da República e seu governo não deixam dúvidas: do jeito que está, o país não pode continuar. É preciso encontrar saídas, sempre respeitados os limites estritos da Constituição e o papel das instituições.

Os desfechos possíveis para Dilma Rousseff incluem o impeachment, em função dos reiterados crimes de responsabilidade cometidos por ela; a impugnação da chapa vencedora, em razão de ilegalidades praticadas na campanha eleitoral de 2014; ou a renúncia, decisão unilateral a ser tomada por uma mandatária que a cada dia se vê com menos condições de permanecer no cargo.

Ou, diferentemente de tudo isso, a petista poderia, finalmente, encontrar um rumo para seu governo, enveredar por direção oposta à que seguiu em seu primeiro mandato e comandar uma agenda de reformas que recoloquem o país na trilha do desenvolvimento com justiça social. É tudo o que Dilma demonstra, diuturnamente, não ter condições de fazer.

Ao contrário, o máximo que a presidente conseguiu até agora foi beneficiar-se de uma articulação lançada por parlamentares governistas no Congresso, e abraçada por parte do empresariado nacional, em torno de uma lista desconjuntada de propostas vagas que o governo do PT, certamente, não terá nem desejo nem condições de levar adiante.

Ante este estupor, o povo nas ruas e as forças políticas de oposição clamam por respostas objetivas aos problemas reais que se acumulam no país. O Brasil convive hoje com uma recessão inédita desde a Grande Depressão, nos anos 1930. Com uma inflação que encarece os alimentos e encurta os salários. Com o desemprego. Com juros altos que engordam as dívidas e alimentam a inadimplência.

Que réplicas o governo ofereceu aos brasileiros até agora? A adoção do maior arrocho que se tem notícia, com corte de benefícios sociais, aumento de impostos e diminuição brutal de investimentos públicos, paralisando obras e ações que poderiam melhorar a vida dos cidadãos e impulsionar a atividade produtiva no país.

Quem paga a conta são os desempregados que não podem mais contar com o seguro-desemprego; as mães de família que penam para fazer o salário chegar ao fim do mês; os aposentados que não terão mais sequer a antecipação do seu minguado 13° salário; os estudantes que vêm o sonho da formação acadêmica inviabilizada pelas portas fechadas do Pronatec e do Fies.

As saídas para a imensa crise estão dentro da lei, nos marcos das instituições, nas páginas da Constituição. Estas são as respostas que o povo nas ruas e as forças políticas que se opõem a Dilma Rousseff e seus métodos de má gestão exigem e buscam. Ninguém conseguirá aguentar mais tanto tempo submetido a um desgoverno deste tamanho.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Páginas amareladas

Durou pouco a tentativa do governo de virar, na marra, a página das más notícias. A maré negativa continua, numa sucessão de resultados ruins, políticas desencontradas e prognósticos desalentadores. O país embicou numa espiral descendente difícil de ser revertida e não será com saliva que escapará do pior.

Nos últimos dias, o governo petista vem enfileirando anúncios e solenidades públicas na expectativa de que sejam suficientes para mudar o cenário. Mas a marca do improviso e da inconsistência levam as iniciativas a efeitos ridículos e alcance limitado. Passados alguns dias, revelam-se como são: inócuas.

O novo plano de concessões, apesar de ser uma ação na direção correta, tem tantos senões que é difícil crer que atinja as metas ambiciosas que foram traçadas – tão ambiciosas quanto programa quase idêntico lançado três anos atrás sem, no entanto, alcançar praticamente nenhum êxito.

Depois vieram o plano agrícola, o programa de agricultura familiar e, ontem, mais uma investida destinada a reanimar as exportações, recheada de medidas requentadas e promessas muitas vezes repetidas e jamais cumpridas. Na prática, o país está cada vez mais fechado ao comércio internacional.

Em contraposição a estas investidas de caráter mais propagandístico do que efetivo, as más notícias econômicas se sucedem.

A perspectiva da recessão se agrava, a inflação ronda seu maior nível em quase duas décadas, o desemprego exibe a pior marca em 23 anos e a renda do trabalhador derrete. É bem mais que a mera “ressaca” apregoada por Joaquim Levy. Em tudo Dilma Rousseff vai fazendo lembrar Fernando Collor de Mello...

Agora até o Banco Central prevê queda de mais de 1% do PIB (o que é pouco diante de outras estimativas mais realistas e bem menos generosas), inflação de 9% e, para impedir que os preços subam ainda mais, novas altas das taxas de juros – os aumentos da Selic determinados desde a eleição já foram suficientes para aumentar o custo da dívida pública em R$ 38 bilhões por ano.

Além de ver frustrados os planos para derrubar a inflação e retomar o crescimento – que sabe-se lá quando virão – o governo também toma um baile no ajuste fiscal. Bem mais cedo do que se pensava, já cogita jogar a toalha e cortar pela metade a meta de superávit traçada para este ano, além de diminuir bastante os objetivos fiscais para 2016 e 2017.

Será realmente difícil o governo do PT virar o jogo. O país não vive uma mera crise conjuntural. O Brasil está estruturalmente danificado pelos remendos que foram sendo feitos nos últimos anos e pelos descaminhos trilhados irresponsavelmente. Não basta passar a página; será preciso fechar o livro e começar uma nova história.