Educação é a chave para a prosperidade de qualquer povo ou nação. Os exemplos estão aí para todo mundo ver: do desenvolvimento dos países nórdicos às exitosas e aceleradas experiências recentes na Ásia. Também por isso, essa deve ser a grande causa da recuperação e da transformação do Brasil.
É enorme o desafio a superar, retratado, mais uma vez, em estudo realizado pela OCDE divulgado nesta semana. O Brasil aparece mal no levantamento: o nosso dinheiro é mal investido, os professores são mal pagos e o financiamento público privilegia algumas etapas em detrimento de outras. Em suma, poucos se beneficiam do que falta à maioria.
Na média, em termos relativos Brasil até gasta com educação pública mais do que os 35 países da OCDE: 5,4% do PIB, ante 4,8%. Em termos absolutos, contudo, os valores investidos no aprendizado de crianças e jovens brasileiros ficam muito aquém do grupo de nações mais desenvolvidas.
Além de aqui o recurso ser muito mal gasto, a educação brasileira convive com distorções que reduzem as possibilidades de formação dos jovens, ao mesmo tempo em que os governos despejam recursos em benefício da minoria que consegue acesso ao ensino superior público – apenas 15% dos adultos de 25 a 64 anos.
Os problemas começam no ensino fundamental e deságuam no funil do ensino médio. No Brasil, esta etapa da educação básica recebe, em média, menos de um terço dos recursos dirigidos ao ensino superior, conforme o Education at a Glance da OCDE. Enquanto o investimento por estudante do ensino fundamental e do médio é de US$ 3.800 anuais, o gasto com um aluno de universidade chega a US$ 11.700.
Pior que isso, com formação precária os jovens que chegam à etapa final do básico tendem a desistir no meio do caminho. A taxa dos que abandonam as salas de aula de ensino médio sem conseguir se formar atinge alarmantes 41% no Brasil, o dobro da média mundial.
O país deu passos importantes na inclusão de mais crianças e jovens nas escolas, a partir de estratégia bem sucedida posta em marcha desde o fim do século passado ancorada no Fundef – e posteriormente reforçada por meio do Fundeb. O principal desafio dos educadores tornou-se conciliar quantidade com qualidade.
A educação disponível no sistema público continua pouco sedutora e cada vez mais distante da realidade dos jovens. A mudança ora em marcha no ensino médio pode ajudar a superar esta barreira. Será, porém, apenas o passo inicial da longa jornada que o Brasil precisa empreender para tornar a educação de fato o vértice da nossa estratégia de desenvolvimento.
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Um mundo de pessimistas
A campanha à reeleição se vale, dia sim, dia também, de mentiras e mistificações. Em seu discurso ufanista, classifica de “pessimistas” os que se encorajam a criticar o estado atual das coisas no país e a propor mudar o que aí está. Se assim fosse, os petistas deveriam dirigir sua artilharia ao mundo todo, que hoje desconfia do Brasil.
A economia brasileira protagoniza atualmente o papel de patinho feio no concerto internacional. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações e rankings de desempenho e crescimento que constantemente são divulgados por instituições sérias no mundo. O PT se acha mais respeitável que elas.
Ontem, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne o grupo de países com maior desenvolvimento do globo, divulgou suas previsões para o desempenho de seus integrantes neste e no próximo anos. Adivinhem quem se sai pior na foto? O Brasil.
Segundo os prognósticos anunciados ontem, o reino do otimismo dilmista foi o país com maior redução nas previsões. Apenas quatro meses atrás, a OCDE acreditava que o PIB brasileiro cresceria 1,8% neste ano. Agora passou a prever que não passaremos de 0,3%. Foi o maior corte feito pela instituição. Para 2015, o prognóstico é igualmente desanimador: crescimento de apenas 1,4%, ante 2,3% previstos anteriormente.
Trata-se de um padrão. As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e paulatinamente vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Como acontece, também, com o Boletim Focus, do Banco Central: um ano atrás, previa-se alta de 2,3% para o PIB em 2014, percentual agora cortado para o mesmo 0,3% estimado pela OCDE. O corolário sempre coincide: o fundo do poço em que hoje estamos.
O governo petista insiste em dizer – ou melhor, mentir – que o Brasil vai mal porque o mundo vai pior. Mas, no mesmo levantamento, a OCDE mostra que economias que sofreram abalos profundos com a crise nascida há exatos seis anos já se recuperaram e crescem hoje muito mais que a brasileira. O inferno está aqui dentro mesmo.
Outras economias se sairão bem melhor neste ano: alcançarão crescimento de desde 2,1%, caso dos Estados Unidos, até os 5,7% da Índia e os 7,4% da China, países tão emergentes quanto o Brasil, mas que, ao contrário de nós, vão de vento em popa. Só a economia italiana ficará pior que a brasileira no retrato.
Não se supera um problema se não se reconhece a sua existência. Pior ainda é tratar as dificuldades com cores propagandísticas e abordagem mistificadora, típicas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cabe perguntar: Afinal, quem são os pessimistas: os que apostam no país e se frustram ou os que o estão levando ao fundo do buraco?
A economia brasileira protagoniza atualmente o papel de patinho feio no concerto internacional. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações e rankings de desempenho e crescimento que constantemente são divulgados por instituições sérias no mundo. O PT se acha mais respeitável que elas.
Ontem, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne o grupo de países com maior desenvolvimento do globo, divulgou suas previsões para o desempenho de seus integrantes neste e no próximo anos. Adivinhem quem se sai pior na foto? O Brasil.
Segundo os prognósticos anunciados ontem, o reino do otimismo dilmista foi o país com maior redução nas previsões. Apenas quatro meses atrás, a OCDE acreditava que o PIB brasileiro cresceria 1,8% neste ano. Agora passou a prever que não passaremos de 0,3%. Foi o maior corte feito pela instituição. Para 2015, o prognóstico é igualmente desanimador: crescimento de apenas 1,4%, ante 2,3% previstos anteriormente.
Trata-se de um padrão. As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e paulatinamente vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Como acontece, também, com o Boletim Focus, do Banco Central: um ano atrás, previa-se alta de 2,3% para o PIB em 2014, percentual agora cortado para o mesmo 0,3% estimado pela OCDE. O corolário sempre coincide: o fundo do poço em que hoje estamos.
O governo petista insiste em dizer – ou melhor, mentir – que o Brasil vai mal porque o mundo vai pior. Mas, no mesmo levantamento, a OCDE mostra que economias que sofreram abalos profundos com a crise nascida há exatos seis anos já se recuperaram e crescem hoje muito mais que a brasileira. O inferno está aqui dentro mesmo.
Outras economias se sairão bem melhor neste ano: alcançarão crescimento de desde 2,1%, caso dos Estados Unidos, até os 5,7% da Índia e os 7,4% da China, países tão emergentes quanto o Brasil, mas que, ao contrário de nós, vão de vento em popa. Só a economia italiana ficará pior que a brasileira no retrato.
Não se supera um problema se não se reconhece a sua existência. Pior ainda é tratar as dificuldades com cores propagandísticas e abordagem mistificadora, típicas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cabe perguntar: Afinal, quem são os pessimistas: os que apostam no país e se frustram ou os que o estão levando ao fundo do buraco?
sábado, 26 de outubro de 2013
Quem avisa amigo é
Se tem mesmo intenção de aprender alguma coisa, embora a cadeira de presidente da República não seja o lugar mais adequado para isso, Dilma Rousseff deveria dedicar especial atenção às avaliações do Fundo Monetário Internacional e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico sobre o Brasil publicadas nesta semana. Colocar o pessoal da sua equipe para tentar desqualificar as análises críticas não vai ajudar nada.
Em relatórios
divulgados nos últimos dias, o FMI e a OCDE disseram mais ou menos o que todo o
mundo que acompanha e vivencia o dia a dia da economia brasileira já sabe: o
país enveredou por um caminho que está nos conduzindo a um mau destino. A
balbúrdia que se instalou na gestão das contas públicas está minando a
capacidade de desenvolvimento do Brasil.
Em síntese, o FMI vê
desequilíbrios perigosos na política fiscal, perda acentuada da competitividade
nacional, ameaças causadas por uma inflação persistentemente elevada,
insuficiência de poupança doméstica, baixos investimentos e uma completa
ausência de qualquer ímpeto reformista na atual gestão do país.
Já a OCDE reforça a
preocupação com a necessidade de se restabelecer alguma racionalidade nos
gastos, com redução da dívida pública e abandono da famigerada maquiagem na
contabilidade fiscal. A instituição chega a sugerir que o governo brasileiro
adote uma meta para as despesas públicas em substituição ao superávit primário.
Se tais
recomendações e pontos de vista podem parecer mera preocupação de gente que só
olha para números e não vê cara nem coração, outra das observações presentes no
trabalho divulgado anteontem pelo FMI sintetiza os efeitos danosos da atual
política econômica sobre o cotidiano dos brasileiros: a redução do potencial da
nossa economia pelos próximos anos.
Segundo o Fundo, o
PIB do Brasil crescerá no máximo 3,5% ao ano até o fim desta década. Se
acelerar mais que isso, como aconteceu em 2010, irá gerar desequilíbrios que se
manifestarão na forma de alta da inflação, como também aconteceu desde 2010. Como
se sabe, preços em alta penalizam diretamente os mais pobres.
“Estimativas
consensuais do potencial de crescimento vêm sendo constantemente revisadas para
baixo e estão agora em seu mais baixo patamar desde que os preços das
commodities começaram a subir em meados dos anos 2000”, observou o FMI no
documento, cuja divulgação o governo petista tentou embarreirar por três meses.
A nova estimativa é
0,75 ponto percentual menor que o potencial que o FMI antevia até então para o
Brasil. País que cresce menos gera menos riqueza e menos oportunidade de
trabalho. País que cresce menos encurta suas possibilidades de superar atrasos
históricos e de promover efetivo bem-estar para sua população. Esta é uma
vereda pela qual o Brasil não deveria se embrenhar, mas tornou-se nossa
realidade e, pelo que prevê o FMI, corre risco de virar nossa sina no futuro.
FMI e OCDE não são
aparelhos de oposição ao PT, mas parece que a equipe da presidente Dilma os vê
assim. Ontem, uma penca de seus auxiliares, com Guido Mantega à frente, foi a
campo para tentar desqualificar as críticas divulgadas na véspera. Fariam
melhor se tomassem os alertas como mais uma indicação de que precisam melhorar
o que o governo deles faz.
O ministro da
Fazenda chega a argumentar que o Brasil faz hoje o mesmo que fez após a crise
de 2008 e foi então aplaudido pelo FMI. Mas parece ignorar que circunstâncias
distintas demandam remédios distintos e o governo brasileiro ministra as mesmas
doses tanto para momentos de escassez de consumo e crédito, como aquele, quanto
para excesso de demanda e insuficiência de oferta, como agora.
“Afirmar que a
deterioração das contas públicas brasileiras só está na imaginação dos
desinformados é acrescentar mais um furo na credibilidade do governo”, comenta
Celso Ming n’O Estado de S.Paulo. Infelizmente,
porém, é difícil crer que alguma mudança de comportamento ou melhora por parte
dos petistas virá.
Ontem mesmo, o
Planalto divulgou novo decreto definindo qual será o papel da estatal Valec na
modelagem das concessões de ferrovias. E lá, mais uma vez, aparece a injeção de
farto dinheiro público para sustentar negócios capengas que deveriam ser
exclusivamente privados: serão mais R$ 40 bilhões de dívida pública para pagar
a construção de 11 mil km de ferrovias previstos no Plano de Investimento em
Logística. A máquina de produzir desequilíbrios continua a pleno vapor.
Equilíbrio,
estabilidade e responsabilidade no trato das contas públicas não é coisa de
quem só pensa em cifras. É condição fundamental para que um país avance de
maneira sustentável e sem aventuras. Estas lições a presidente Dilma Rousseff e
o pessoal de seu governo parecem não ter aprendido, nem parecem dispostos a
aprender.
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