Mostrando postagens com marcador Operação Lava Jato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Operação Lava Jato. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de maio de 2017

O ‘chefe’ e a organização criminosa

As eleições presidenciais de 2014 foram as mais disputadas da história brasileira. Logo após ser derrotado em segundo turno, por uma apertada diferença de pouco mais de 3 milhões de votos, o senador Aécio Neves (PSDB) afirmou que não havia perdido para um partido ou para uma candidata, mas sim para uma “organização criminosa”. Tudo o que o país conheceu desde então confirma que tanto aquela quanto as demais vitórias petistas foram uma fraude.

O marketing foi decisivo para a reeleição de Dilma Rousseff. Em especial, porque se valeu das mais espúrias armas à mão. A mentira foi a matéria-prima que João Santana modelou e os petistas disseminaram Brasil afora para alimentar seus militantes e constranger os mais pobres, temerosos do terror que o PT apregoava.

Ao longo destes quase três anos desde então, a verdade veio vindo à tona. Tudo o que a oposição denunciou à época vem se comprovando por meio das investigações levadas a cabo pela Operação Lava Jato. Agora é o próprio marqueteiro petista quem as confirma.

A tônica das vitórias petistas, e não apenas a da reeleição de Dilma, foi a corrupção e o uso desenfreado de dinheiro sujo. Desde o comecinho dos governos petistas, mais precisamente desde o dia 24 de agosto de 2005, quando a associação Santana-PT começou.

No vértice desse esquema criminoso esteve sempre Luiz Inácio Lula da Silva. É o que comprovam, mais uma vez, delações feitas pelos marqueteiros das campanhas vitoriosas do PT em 2006, 2010 e 2014. Malas e malas de dinheiro desviado de cofres públicos moveram as engrenagens eleitorais do petismo.

As contas das milionárias campanhas do PT eram alimentadas por caixa dois sob supervisão direta do capo Lula, disseram Santana e a mulher dele, Mônica Moura, à Lava Jato. Tudo bem diferente do que afirmou o ex-presidente anteontem em interrogatório ao juiz Sergio Moro em Curitiba.

Antonio Palocci, ministro da Fazenda do PT, cuidava do leva-e-traz do dinheiro. Não fazia nada, contudo, sem antes ter o aval do “chefe” – precisa dizer quem era? Guido Mantega o sucedeu no cargo e na tarefa.

Mais recentemente, a então presidente da República mantinha uma linha direta, escamoteada na forma de um e-mail falso batizado com nome de música de Chico Buarque, criado por ela mesma na biblioteca do Palácio da Alvorada, para avisar seus marqueteiros das movimentações da Polícia Federal e da Lava Jato. As informações eram vazadas pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, inclusive antecipando a prisão de Santana e Mônica.

Se isso não é uma organização criminosa em tentativa de obstrução da Justiça, o que mais é?

Tanto Lula quanto Dilma, ambos na condição de então presidente da República, cuidaram pessoalmente, e em detalhes, do funcionamento das engrenagens do esquema criminoso de financiamento de suas campanhas eleitorais e de sustentação das atividades políticas e partidárias do PT.

O apoio de partidos era comprado em leilões para aumentar o tempo de exposição das candidaturas petistas no rádio e na TV, e sufocar os adversários.

Malas, caixas de roupas e de sapatos viajavam para lá e para cá recheadas de dinheiro de caixa dois. Até o então ministro, e hoje governador de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, investigado na Operação Acrônimo, ocupou-se de carregá-las. Contas secretas em paraísos fiscais no exterior cuidavam de esconder a fortuna.

Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?

Havia ramificações fora do país, como na Venezuela e em Cuba, além de campanhas companheiras no Panamá, em Angola e El Salvador, todas sempre tutoradas por Lula. Ex-ministros de governos petistas como José Dirceu e Franklin Martins intermediavam negócios.

Recursos de bancos públicos, em especial do BNDES, eram usados para contemplar em negócios no exterior as mesmas empresas que, em contrapartida, despejavam dinheiro nas campanhas do PT aqui no Brasil.

Blogueiros – mesmo os mais aparentemente inocentes ou pretensamente engraçadinhos – trabalharam a soldo de campanhas petistas, remunerados com dinheiro oriundo de fonte ilícita. Até cabeleireiros e camareiras de Dilma recebiam parte da bolada.

Se isso não é uma organização criminosa, o que mais pode ser?

Tudo isso foi dito pela candidatura da oposição à época das eleições de 2014. Tudo isso está sendo ora provado pela Justiça e pelas instituições brasileiras responsáveis pelas investigações.

Eleita na base da mentira, Dilma agora acusa seus marqueteiros de “faltar com a verdade”. Lula, como sempre, diz que nada sabia. Palocci, pelo menos, já está preso.

O tempo, infelizmente, não volta. A fraude eleitoral de 2014 – objeto de quatro ações movidas pelo PSDB no TSE – condenou o país a sua mais grave crise econômica, política e moral.

A organização criminosa não burlou apenas as eleições. Lesou os brasileiros, sabotou o país e implodiu o presente e o futuro de milhões de pessoas. Provado está. Agora resta ver condenados e punidos os responsáveis pelo mal que cometeram, para que nunca mais a história se repita.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sobrou pra Marisa

Triste o país que praticamente para a fim de acompanhar um interrogatório, por mais graves que sejam as acusações que recaiam sobre o réu. Assim foi nesta quarta-feira com o depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro em Curitiba. Um simples procedimento da Justiça foi transformado pelos petistas em ato de campanha.

Que fique claro que a transformação do interrogatório de Lula em circo não foi culpa do juiz, que, aliás, pediu para ninguém se mobilizar ou comparecer a um “ato normal do processo” que apura o recebimento de quase R$ 4 milhões em propina paga pela OAS ao ex-presidente em troca de favores nos governos do PT.

Quem transformou o interrogatório em ato de campanha foram os petistas. Nenhuma novidade. Eles vivem assim há 37 anos, ou seja, desde que a sigla foi criada no ABC Paulista. O que menos interessa ao petismo são os problemas do país. A legenda confirma-se ensimesmada numa única coisa: recuperar, obter e manter o poder. Sua clássica estratégia de guerra de dividir e conquistar.

A presença numerosa de alguns “líderes” petistas em Curitiba ontem – pagos para estar naquela mesma hora cumprindo seus deveres no Congresso, a milhares de quilômetros dali – ladeados por magra militância retrata o vazio de poder em torno do partido.

O PT é hoje muito mais um happening (ainda barulhento e incômodo, é certo) do que um movimento que expresse de fato parcela expressiva dos brasileiros – a presença de Dilma Rousseff num palanque depois de ter levado o Brasil à ruína encarna isso à perfeição. O PT esperneia para mostrar-se maior do que é. E para sobreviver.

Lula e o PT já tiveram, lícito admitir, importância para a história e a democracia brasileiras. Hoje são um cancro. Insuflam sua militância a resistir às mudanças necessárias para corrigir os estragos que seus governos causaram. Contaminam o debate político. Envenenam o convívio social. Sabotam o ambiente produtivo. O PT, afinal, hoje só serve a si mesmo.

Lula cumpre papel de protagonista neste enredo tóxico. Mantém-se em campanha eleitoral permanente, a despeito de ter patrocinado os governos mais corruptos e ruinosos da história da república brasileira. Naquilo que diz respeito às investigações de que é alvo, sua desfaçatez não tem limites, seu oportunismo choca.

Réu em cinco processos, ele já havia transformado o velório da esposa, morta em fevereiro, em comício. Agora, diante do momento de esclarecer as suspeitas que lhe pesam sobre os ombros, transformou a própria Marisa Letícia em bode expiatório e imputou-lhe os principais atos e decisões sobre o tríplex que ganhou de presente como propina. Nada mais previsível do que o enredo de culpar quem já não pode se defender, típico de quem tem contas a acertar e não tem argumentos a apresentar.

Lula, mais uma vez, disse que nada viu, nada sabia. Mais uma vez, apresentou-se como vítima – embora tenha encontrado do outro lado um juiz técnico, frio e objetivo que não se sujeitou a servir-lhe de escada, tampouco em permitir que um ato corriqueiro da Justiça virasse palanque. Novamente, novidade alguma nisso. Minutos depois o petista estava num comício de fato, como a corroborar os reais objetivos da passagem de sua caravana pelo Paraná.

O líder dos petistas age mesmo, e sempre, para usar sua militância como joguete e para manter a nação paralisada, como marionete de seus desejos. Triste o país em que alguém como Luiz Inácio Lula da Silva ainda desfruta do destaque que a ele ainda é dado. Que a Justiça se cumpra e dê jeito de pôr fim a esse mito, que hoje só serve mesmo para impedir que a vida dos brasileiros siga em ritmo normal, como aconteceu ontem, mais uma vez, em Curitiba.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O partido da bocarra

São incomparáveis as proporções da participação do PT e das demais forças políticas no esquema que vem sendo revelado pela Operação Lava Jato e que ora tornou-se objeto de 83 inquéritos envolvendo autoridades públicas autorizados pelo STF. Em tudo, os petistas engolem seus concorrentes.

O PT é o partido que mais embolsou dinheiro desviado dos cofres públicos – dos quais a Odebrecht perfaz apenas uma fatia, pequena perto, por exemplo, do que se roubou das estatais brasileiras na última década. É também quem mais tem políticos citados e nas mais altas posições de comando.

No caso em tela, os petistas ficaram com quase metade dos recursos que a Odebrecht diz ter destinado a políticos nos últimos anos. Segundo O Estado de S. Paulo, o PT recebeu R$ 205 milhões da empreiteira, valor que praticamente empata com a soma distribuída pela empresa para todos os demais partidos.

O PT tem 26 filiados citados, entre deputados, senadores, governadores, ex-ministros de Estado e ex-presidentes da República. Gente que vivia não só com a boca, mas com a goela escancarada à cata de dinheiro, como definiu Emilio Odebrecht.

O envolvimento do PT não era pontual, localizado ou esporádico. Era sistêmico. A corrupção era parte (importante) da sua engrenagem de poder. O esquema envolvia a facilitação de negócios com o governo federal e a edição de decisões oficiais que fossem favoráveis às empresas, e, portanto, potencialmente lesivas ao interesse público.

Os envolvidos não eram meros operadores, de escalões inferiores ou subalternos. A cadeia de comando começava em ninguém menos que o presidente da República, fosse ele Luiz Inácio Lula da Silva – que dispunha até de conta-corrente de propina própria e mesada para parentes – ou Dilma Rousseff. E continuava com ministros responsáveis por (supostamente) zelar pelas finanças do país.

A profusão de nomes citados nos últimos dias tende a embaralhar as cartas. É um erro. Não se deve admitir, como a indignação geral tende a fazer no momento atual, que as delações dos empreiteiros igualam todos, dizimam todo o espectro político brasileiro e zeram o jogo eleitoral. Não dá para nivelar as dimensões de uma coisa e outra.

Isso não significa eximir quaisquer crimes que venham a ser comprovados. Se corrompeu, se locupletou-se com dinheiro público, se recebeu propina para lesar a população, merece ser punido. Tudo, claro, dentro do que determinam os preceitos legais.

Vale para todos os citados, inclusive para os petistas, a presunção de inocência. Não há condenação prévia e esta só deve se dar após o devido processo legal, com isenção, amplo direito de defesa e em estrito respeito ao que dita a Constituição. Citação não é prova de culpa.

A oportunidade é única para que se inicie um processo de mudanças profundas no sistema político brasileiro, com mais transparência e controle, mas que precisa ser sereno, equilibrado, feito de maneira diligente e que, sobretudo, puna de formas distintas crimes de proporções distintas. A corrupção que precisamos extirpar tornou-se sistêmica no país com a ascensão do PT. Com o petismo fora do poder, é hora de reconstruir o Brasil em novas e melhores bases.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Nem todos são iguais

A primeira tentação é de dizer que são todos iguais. A segunda é de afirmar que a avalanche de acusações só prova que o país foi sempre assim, sujo, corrupto. A terceira, de que a solução está fora da política – e até mesmo contra a política. As três levam a respostas erradas.

A abertura de 83 inquéritos determinada ontem pelo ministro Edson Fachin inaugura uma nova e importante temporada nas investigações iniciadas há três anos no âmbito da Operação Lava Jato. É dolorosa, porém necessária e até bem-vinda.

Com a divulgação agora oficial, abre-se a possibilidade aos citados de provar, com o andamento das apurações, que não cometeram ilícitos, que agiram em conformidade com a lei, que não se locupletaram com recursos públicos, que não são parte de um gigantesco sistema de corrupção.

Ou, se não o fizerem, que sejam punidos como manda a lei, com o rigor da lei.

Mais que nunca, é fundamental que as instituições funcionem, que as prerrogativas constitucionais sejam respeitadas.

É imperativo, a fim de que não haja cerceamento, nem juízo prévio, que seja garantido o amplo direito de defesa e assegurado o exercício do contraditório. Que se faça, tão somente, justiça.

O pior era a infinda continuação de um temor paralisante que constrangia a todos. Às claras, as condições de jogo tornam-se mais equilibradas, sem a vantagem que beneficiava os que, na névoa, se valiam do acesso privilegiado a informações, transformadas em adagas sobre a cabeça dos acusados.

Terminam os rumores e as especulações que se seguiram às dezenas de delações de alguns dos principais envolvidos no esquema apurado a partir de Curitiba.

Começam as prolongadas, mas imperativas, investigações que irão passar o país a limpo, segregar joio e trigo, reinstaurar a boa política.

Será hora de demonstrar que não, não são todos iguais; não, o país não foi feito sempre e apenas de lama.

Será também o momento de dedicar-se a reformar um modelo que, no mínimo, alimenta tantas suspeitas e, no máximo, abre espaço para tantas falcatruas.

Há cidadãos que diariamente trabalham duro por uma vida melhor. Há pessoas que não se deixam seduzir por atalhos fáceis de poder. Há a política que transforma, constrói e renova, e não corrompe. Há muitos, a maioria, que querem apenas que prevaleça o esforço, o respeito, a ética, o direito, mas também o dever.

Há todo um país para o qual ontem foi apenas mais um dia – de esforço, de luta e de dedicação cotidiana. É este o Brasil que vai continuar existindo e que fará do amanhã um dia certamente melhor do que hoje.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Em busca da verdade

As investigações da Operação Lava Jato estão sendo desvirtuadas pela luta política que se trava no país. Supostas delações servem a todo tipo de propósito, mas, em particular, para que se tente nivelar a todos na lama que os partidários do mensalão e do petrolão espalharam pelo Brasil.

Um caso especial envolve os que supostamente constam dos 83 pedidos de investigação encaminhados há três semanas pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Ninguém sabe quem, de fato, eles são, mas seus nomes estão em todas as páginas. Alguma coisa está muito errada.

Uma lista de 16 nomes foi jogada na fogueira quando os papéis foram encaminhados sob sigilo ao ministro Edson Fachin, relator do caso no STF. Se estão mesmo lá ou não, ninguém sabe, mas desde então as labaredas ardem. O dano vai se consumando antes mesmo de qualquer apuração e muito antes que possam defender-se daquilo que sequer conhecem.

Neste fim de semana, a revista Veja elevou ainda mais a temperatura da fervura, publicando o que seriam acusações contra o senador Aécio Neves, presidente do PSDB. Minutos depois de o texto da revista vir a público, ainda na sexta-feira, o advogado do suposto autor da suposta denúncia já se manifestava dizendo que ele (o delator) não dissera aquilo. O estrago, contudo, já se espalhava como rastilho de pólvora.

Já no sábado, o senador solicitou formalmente ao ministro Fachin que libere o inteiro teor da delação feita por Benedito Junior. A partir daí, será possível defender-se usando os melhores argumentos jurídicos e não, como acontece hoje, mover-se apenas por aquilo que autoridades deixam vazar e os órgãos de imprensa escolhem publicar, sem exibir quaisquer provas.

Ontem, todos os governadores, ministros e principais lideranças tucanas na Câmara e no Senado divulgaram nota oficial, encabeçada pelo presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, em que manifestam “repúdio ao ataque covarde e mentiroso sofrido pelo nosso presidente nacional, senador Aécio Neves, com base em informações falsas e absurdas”.

Nada justifica uma escalada justiceira como a que se alimenta hoje no Brasil. A política tornou-se alvo de uma razia que pretende dizimar a todos, como se o país necessitasse zerar o jogo para recomeçar do começo. Não se reconstrói uma nação assim.

Sim, a política nacional precisa ser passada a limpo, mas não se joga fora o bebê junto com a água suja da bacia.

Corremos o risco de, sob alegação de que ninguém mais presta, abrirmos as portas para que ressuscite aquilo que a política revelou de pior nos últimos anos e/ou para que aventuras que o país já experimentou outrora, com suas consequências nefastas, voltem a acontecer.

terça-feira, 21 de março de 2017

Poderes paralelos

A Operação Lava Jato completou três anos na semana passada. A iniciativa, que une uma força-tarefa em torno de Ministério Público, Polícia Federal e órgãos da Justiça, já escreveu capítulo fundamental da história brasileira contemporânea. Oxalá, o país será outro – e melhor – depois que todo este turbilhão tiver passado. Para isso, porém, é preciso evitar que as investigações se desvirtuem.

Nestes três anos, vieram à tona revelações que desvendaram uma gigantesca teia de corrupção que se apossou do Estado brasileiro. “Os crimes já denunciados na primeira instância envolvem o pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões”, informa balanço divulgado pela força-tarefa da operação na última sexta-feira. Só em multas e acordos para recuperação de ativos estão envolvidos R$ 10,4 bilhões.

Mais: já foram oferecidas em primeira instância 58 acusações criminais contra 260 diferentes pessoas, das quais 26 já tiveram sentença por crimes de corrupção, tráfico transnacional de drogas, formação de organização criminosa, lavagem de ativos e contra o sistema financeiro internacional, entre outros. “Ao todo foram 130 condenações, envolvendo 89 condenados, contabilizando 1.362 anos, 5 meses e 21 dias de pena.”

Isso não livra as investigações, contudo, de críticas.

Na semana passada, veio a público o encaminhamento, ao Supremo Tribunal Federal, de uma lista de pedidos de abertura de 83 inquéritos por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O que estes documentos contêm ainda não é oficialmente sabido, mas os jornais se fartaram de informar que praticamente todas as principais lideranças políticas brasileiras das últimas décadas estão citadas lá.

O segredo de justiça previsto em lei só continuou existindo para parte dos citados pela PGR. Os nomes mais relevantes foram pinçados das investigações e vazados a jornalistas pelo próprio MP, segundo informou ontem a ombudsman da Folha de S.Paulo. Trata-se de revelação da maior gravidade.

Isso significa que há uma espécie de instituição paralela agindo sob o manto das instituições oficiais. São pessoas que, acobertadas pelo inviolável e sagrado sigilo da fonte, ditam o que vai ou não a conhecimento prévio do público. O pior é que, feito isso, a condenação da opinião pública torna-se quase absoluta, independente do desenrolar futuro dos fatos. Nas chamas desta fogueira ardem desde lenha mais vagabunda a toras de madeira de lei.

A Operação Lava Jato precisa continuar seu trabalho. As investigações devem ir a fundo para separar os que assaltaram reiteradamente os cofres públicos dos que foram enredados injustamente neste torvelinho. Mas, acima de tudo, está o direito de homens e mulheres se defenderem, para que não vejamos erigir-se um poder paralelo com capacidade de destruir reputações, não deixar pedra sobre pedra e arruinar o futuro do país.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Recessão e corrupção

Não é mera coincidência que a maior crise econômica da história brasileira suceda ao maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia em todo o mundo. Recessão e petrolão são faces da mesma moeda: a de um projeto de poder esfomeado que não se pejou de destroçar o Brasil para saciar-se.

Não é coincidência que, à medida que a corrupção tomava conta da relação entre poder público e interesses privados, a atividade produtiva tenha afundado como nunca no país. Investimentos, negócios e geração de riqueza e emprego não vicejam onde regras do jogo são feitas para serem burladas.

Não é coincidência que, enquanto nos governos recentes as pessoas que ocupavam a presidência da República se locupletavam com dinheiro sujo, a população em geral tenha empobrecido como jamais visto. O recurso embolsado para fazer as delícias de alguns é o mesmo que falta para promover bem-estar ao povo.

Também não é por acaso que aqueles que deveriam zelar pelas finanças e pela solidez das contas públicas, ou seja, dinheiro pago pelos contribuintes, sejam os mesmos escalados para fazer negociatas, vender decisões de governo e azeitar dutos de propina e dinheiro ilícito para bancar seu partido político. Responsabilidade fiscal não comunga com improbidade, desfaçatez e ausência de espírito público.

Não é coincidência que o partido que ao longo de toda a sua história se apresentava como “defensor do patrimônio público” tenha promovido a maior pilhagem e a mais completa destruição de todas, rigorosamente todas, as estatais que teve sob seu comando. Estado inchado e balofo só serve para perpetuar iniquidades e para servir de maná a poderosos, jamais para atender melhor a população.

Também não é obra do destino que o partido que se diz “dos trabalhadores” tenha dado à luz o maior exército de pessoas desempregadas que o país já teve. A receita econômica dos regimes populistas colabora mesmo é para manter os pobres na pobreza, não para dar-lhes mais autonomia, oportunidades de trabalho e perspectivas de prosperidade.

Não é, ainda, surpresa que a estratégia que mesclou explosão de endividamento público, consumo desenfreado e intervencionismo sem par tenha produzido ruína e rombos e não progresso ou benefício social e econômico. Não há crescimento com voluntarismo, não há avanço sem equilíbrio fiscal, não há investimento sem ambiente seguro, saudável e propício. Quem arca com a fatura da farra é sempre o povo; quem acaba lesadas em seus sonhos e direitos são também as gerações futuras.

O mais chocante é que os mesmos que protagonizaram o maior escândalo de corrupção do mundo e os mesmos que levaram o Brasil a ser, entre as economias relevantes, a mais atrasada do planeta nos anos recentes ajam como se nada tivessem com isso e até planejem se apresentar a eleitores como salvadores de uma pátria que eles mesmos arrasaram.

Não será coincidência se forem punidos com o rechaço da população, o repúdio da história e o vigor da Justiça. É o mínimo que merecem o PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e seus asseclas petistas, entre eles muitos já denunciados, condenados e presos, por todo o mal que causaram – e ainda causam – ao Brasil e aos brasileiros, por toda a recessão e a corrupção que, como nunca antes na história, produziram.

terça-feira, 7 de março de 2017

O joio e o trigo

Desde a semana passada, criou-se uma enorme deturpação em cima de depoimentos prestados por executivos do grupo Odebrecht em processo que apura prática de crime de abuso de poder político e econômico pela candidatura vencedora nas eleições presidenciais de 2014.

De repente, o autor da ação, o PSDB, foi transformado em alvo, a se acreditar em vazamentos enganosos e na cobertura enviesada do caso dada por alguns veículos de imprensa. De repente, é como se todos se igualassem à organização criminosa que se formou em torno do PT para assegurar a reeleição de Dilma Rousseff.

De objetivo, os depoimentos colhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral nos últimos dias mostraram que: 1) segundo Marcelo Odebrecht, seu grupo só doou recursos às campanhas tucanas de maneira legal e declarada à Justiça, não ocorreram repasses por meio de caixa dois; e 2) não houve pedido de dinheiro não contabilizado feito pelo senador Aécio Neves a Benedicto Júnior, executivo do grupo baiano.

Estes são os fatos, o resto é pura manipulação, má-fé, desinformação e, claro, capítulos de uma guerra política que os envolvidos com a roubalheira do petrolão travam de maneira a tentar igualar a todos no mar de lama em que atolaram o país.

A estratégia de nivelar a todos por baixo, além de injusta, tem como consequência o repúdio de todos os brasileiros pela política, abrindo espaço para aventureiros, dos quais o Brasil já tem péssima experiência, e para o eventual retorno dos que são exatamente os responsáveis pelo país estar tão depauperado quanto está.

Pelo sistema que vigorou até a eleição de 2014, era obrigação dos candidatos buscar recursos junto a empresas para financiar suas campanhas e viabilizar seus projetos políticos. O PSDB fez isso: buscou recursos legais, limpos, para que o partido vencesse as eleições e derrotasse o PT. Que poder tinha o partido, então há 12 anos na oposição, para oferecer em troca?

Algo muito diferente fizeram petistas e seus aliados: colocaram até os ministros de Estado que cuidavam das finanças do país, sob a orientação dos presidentes da República em suas respectivas épocas, para fazer negociatas, vender medidas de governo e movimentar uma verdadeira conta-corrente de propinas em troca de cumplicidade num esquema criminoso que lesava os cofres públicos e roubava a população.

Para separar o joio do trigo e não confundir alhos com bugalhos, é necessário que o louvável e desejável processo de depuração pelo qual passa o país, por meio da Operação Lava Jato e de investigações correlatas, prossiga com a devida serenidade, equilíbrio e responsabilidade. Enxovalhar a política e tentar afundar todos na lama só contribui para sabotar o país e beneficiar quem de fato protagonizou o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no mundo: o PT.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Investigar sempre

Nos últimos dias, a política brasileira tem andado em descompasso com a economia. Ao mesmo tempo em que começaram a despontar sinais mais evidentes de melhora da atividade produtiva, avivaram-se temores de que a limpeza que vem varrendo o país nos últimos anos a partir da Operação Lava Jato possa sofrer constrangimentos. Que não restem dúvidas: as investigações têm que continuar.

É preciso ter claro que o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff não se limitava a cumprir a Constituição e retirar da presidência da República uma ocupante que cometeu crime de responsabilidade, afrontou leis fiscais e atentou contra a moralidade pública. Significou muito mais.

O movimento popular que ajudou a apear do poder o governo mais corrupto da história também exigiu que o combate à roubalheira, à improbidade administrativa e à inépcia de gestão continuasse. O objetivo é extirpar práticas fraudulentas da política e, em especial, dos governos. Dinheiro público é para servir à população.

Próxima de completar três anos, a Operação Lava Jato já alcança 788 investigados, com 188 prisões. Já desbaratou esquemas em estatais, com a Petrobras à frente, e conluios envolvendo conglomerados privados. Implicou empresários, dirigentes e políticos. Vem fazendo o que dela o povo espera. Um país de riqueza escassa como o Brasil não pode aturar ralos por onde recursos públicos escorram.

É importante que as novas forças políticas que hoje comandam o país tenham isso em conta. Quaisquer movimentos contrários à necessária profilaxia pela qual deve passar o sistema político e o modelo econômico brasileiros serão sempre rechaçados pela opinião pública. Ir contra o sentimento popular, hoje tão latente, é quase suicídio.

As decisões precisam ser mais bem sopesadas, assim como nomeações para cargos-chaves da República. Para ficar num chavão sempre pertinente, os escolhidos precisam ser como a mulher de César: não apenas serem honestos, mas parecerem honestos. Nem sempre tem sido assim.

Neste sentido, foram temerárias algumas decisões tomadas em Brasília envolvendo a formação da equipe de governo e, mais recentemente, a composição de comissões temáticas do Congresso Nacional e de órgãos da magistratura. Tomadas em conjunto, acabam sendo interpretadas por alguns como um plano de tons diabólicos – que não existe!

Um governo que ascendeu ao poder envolto em tamanha esperança popular, sucedendo a um partido que promoveu uma gestão de terra arrasada, não deve frustrar expectativas tão positivas criadas em torno de si. A sociedade está mais vigilante do que nunca e pede o mínimo: que o país seja passado a limpo, para que volte a inspirar nos brasileiros a fé e a confiança em dias melhores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Reformar a política

A repetição nauseante de escândalos, as denúncias em série, as prisões quase cotidianas de autoridades públicas criaram nos brasileiros a convicção de que é preciso reformar o modo de fazer política no país. Espera-se que os representantes de fato representem a sociedade e que legislem não em causa própria, mas do bem comum. Nos últimos anos, não foi assim. Quem errou merece ser punido.

A prisão de Eduardo Cunha é mais um dos capítulos desta triste crônica. Seu envolvimento com o submundo da política vem de longuíssima data – a ponto de o hoje ex-deputado ser citado numa das páginas dos diários do ex-presidente Fernando Henrique como persona non grata em seu governo, onde um dos partidos da base tentava emplacá-lo, sem sucesso, ainda em maio de 1996. Será bom se encontrar um ponto final agora.

Resta claro que o trabalho, correto, que vem sendo feito pelo Ministério Público Federal, pela Justiça e pela Polícia Federal a partir de Curitiba não escolhe vítimas, não privilegia partidos, como sempre quiseram fazer crer os petistas – de longe, os principais protagonistas do gigantesco esquema corrupto que a Operação Lava Jato vem desnudando nestes dois anos e pouco desde que foi deflagrada a primeira fase da investigação.

É preciso reformar a política para que a sociedade se veja espelhada em seus representantes – deputados, senadores, vereadores etc. Num sistema em que 35 partidos estão oficialmente registrados e autorizados a funcionar pelo TSE, e 26 deles estão presentes no Congresso, isso é uma quimera. Não há tantas e tão diferentes ideologias, interesses, visões e necessidades na população. Menos de uma dúzia, no máximo, resolveriam.

Há, também, os problemas do acesso a fundos públicos, de fontes de financiamento de campanhas e de recursos para custear o funcionamento dos partidos, ou melhor, custear a nossa democracia. A cada eleição, adota-se uma experiência distinta, com mais ou menos sucesso – as restrições deste ano acabaram por privilegiar candidatos mais ricos, o que está longe de ser desejável ou democrático.

Para mudar isso, é preciso buscar novas regras que, primeiro, limitem as distorções no processo de escolha dos representantes pela sociedade. Para ser eleito, precisa ser escolhido pelo eleitor, algo que as coligações proporcionais hoje distorcem. 

Além disso, partido político, para ter direito a benefício, fundo e funcionamento parlamentar, precisa ter voto; hoje bastam algumas assinaturas e o registro no TSE. Essas medidas já estão propostas na PEC 36, apresentada neste ano pelos senadores tucanos Aécio Neves e Ricardo Ferraço.

É igualmente desejável que avancem no Congresso as medidas anticorrupção propostas pelo Ministério Público e respaldadas por mais de 2 milhões de assinaturas. A política deve ser feita, sempre mais, por quem zela pelo interesse público. Por fim, a situação cobra dos atuais representantes da sociedade no Parlamento que legislem com responsabilidade, a começar pelo orçamento público. Definir e restringir gastos é também honrar o cidadão.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Mais uma carta do baralho da corrupção

A prisão de Antonio Palocci nesta manhã representa mais um passo da Operação Lava Jato na direção daqueles que comandaram o esquema criminoso que assaltou o país nos últimos anos. Revela, ainda, que o modelo corrupto vinha de longa data, abarcando até personagens cuja atuação no governo era tida como inatacável por alguns.

Palocci é mais um ex-ministro dos governos petistas a cair. Sua prisão se segue à de Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda da história republicana brasileira, decretada na semana passada e logo revogada. Da lista também consta Paulo Bernardo, que comandou Planejamento e Comunicações nos governos petistas.

Vera Magalhães antecipou hoje n’O Estado de S. Paulo que, além de Palocci, os próximos na mira da Lava Jato podem ser Luciano Coutinho e Erenice Guerra. É mais uma evidência de que também o BNDES e a Casa Civil petistas – esta um celeiro de falcatruas desde José Dirceu – eram usados para negociar bondades que revertessem em pagamentos de empresários ao PT.

A acusação contra Palocci é de que ele teria, já na condição de todo-poderoso da economia nacional, manejado decisões de governo para favorecer grupos empresariais. Nunca é demais lembrar que a passagem dele pelo poder tornou-o um homem riquíssimo, capaz de multiplicar seu patrimônio por 20 em curto espaço de tempo, como foi revelado em 2011, causando sua saída do governo Dilma.

Pela investigação desfraldada hoje, o grupo Odebrecht teria sido agraciado com benefícios fiscais, contemplado em processos licitatórios para aquisição de navios-sonda pela Petrobras e favorecido por linhas de crédito abertas pelo BNDES para contratos firmados com países africanos. Ou seja, um coquetel que une um monte de suspeitas sempre associadas ao PT mas só agora em processo de comprovação.

Segundo as notícias veiculadas nesta manhã, a Odebrecht teria pago mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes entre 2008 e 2013. Até a compra de um terreno para abrigar o Instituto Lula teria sido destinatária do dinheiro sujo, intermediado por Palocci.

As revelações do mar de propina que irrigava as contas do PT vão deixando claro também como e por que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu manteve por anos a fio a mais eficiente máquina de comunicação, mobilização e atuação política do país. A corrupção financiou diretamente o projeto de poder petista.

A operação desta manhã foi convenientemente batizada de “Omertà”, numa referência à prática dos chefões da máfia de não entregarem seus cúmplices. A desobediência é punida com morte. Parece claro que o círculo de investigações da Polícia Federal junto com o Ministério Público está a um passo de chegar a quem, de fato, mandava nesta organização criminosa.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A economia atrás das grades

Guido Mantega é mais um dos ex-ministros dos governos petistas a ser preso. As investigações sobre o esquema corrupto montado pelo partido caminham, assim, para completar mais um ciclo: praticamente todo o primeiro escalão das gestões Dilma e Lula se envolveu em escândalos. Só falta agora chegar aos capos.

O ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma foi preso nesta manhã pela Polícia Federal. É acusado de ter negociado repasses para as campanhas petistas com empresas envolvidas na Lava Jato. Coisa miúda: quase R$ 27 milhões desviados de obras de construção de plataformas da Petrobras. Nunca antes na história, se viu o responsável pela gestão da economia do país imiscuir-se tão fundo na corrupção.

O encarcerado Guido também foi ministro do Planejamento e presidente do BNDES na gestão Lula. Isso talvez explique por que estas instituições também estão tão enroladas em grossas falcatruas. Do banco, principalmente, saíram os bilhões em empréstimos e financiamentos camaradas para todas as empresas que ora naufragam no petrolão, entre elas a Mendes Junior e a OSX, investigadas na operação desta manhã. Os elos da cadeia se fecham.

Ter um ex-ministro da Fazenda tão envolvido em corrupção ajuda a entender um pouco mais como o petismo produziu a ruína econômica atual. Da base da sua militância até os capas-pretas com assento na Esplanada dos Ministérios, era ampla, geral e irrestrita a ligação com o financiamento criminoso do esquema mafioso do PT. Agora vão ruindo.

A mando direto da chefe Dilma Rousseff, Mantega também esteve na raiz da chamada contabilidade criativa, a inventiva e fraudulenta maneira de administrar o orçamento público e de apresentar as contas salgadas para a sociedade brasileira pagar. A burla recorrente ao dinheiro do contribuinte foi a principal razão do impeachment da ex-presidente. Seu legado são a recessão, o desemprego e a inflação.

Além de preso, Mantega caminha para ser inabilitado para o exercício de cargos de confiança na administração pública. O Tribunal de Contas da União está concluindo as investigações sobre as pedaladas fiscais e prevê punição a pelo menos 5 das 17 autoridades investigadas, segundo informa o Valor Econômico em sua edição de hoje. Ele é um deles. Vale recordar que o antecessor de Mantega no cargo, o ex-ministro Antonio Palocci, também naufragou em fartas denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito.

Com as revelações que se acumulam, fica fácil perceber como funcionava a cadeia de comando dos governos petistas na economia. O que menos importava era produzir crescimento, progresso e bem-estar para a população. As decisões visavam atender apenas um único interesse: a perpetuação dos petistas no poder. E ainda tem gente que culpa a crise internacional pelo fracasso com o qual, por anos, ainda teremos de lidar...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Agora é Moro

Lula juntou mais um elo à corrente de denúncias e suspeitas que pesam contra ele. Tornou-se agora réu também em processo em que é acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pelo visto, a “farsa” e a “grande mentira”, como alegaram seus defensores na semana passada e o petista voltou a fazer ontem, não é dos procuradores, mas sim do próprio ex-presidente.

O juiz Sérgio Moro aceitou ontem a denúncia formulada na semana passada pelo MP no âmbito da Operação Lava Jato. Lula tornou-se réu pela segunda vez – o outro processo tramita em Brasília e investiga eventual obstrução da Justiça pelo ex-presidente, ao tentar impedir depoimentos de Nestor Cerveró. Há, ainda, as investigações sobre a participação do petista na organização criminosa do petrolão, a cargo da Procuradoria-Geral da República.

Em seu despacho, o juiz Moro foi extremamente cauteloso e deixou claro que sua decisão está longe de significar condenação antecipada do ex-presidente. Corretíssimo. Em seguida, contudo, o juiz passa a discorrer sobre a “justa causa” da denúncia apresentada pelo MP e passa parágrafos e mais parágrafos listando a série de falcatruas promovidas sob o beneplácito do governo Lula.

Conclui: “Forçoso reconhecer a presença de prova razoável não só da existência do esquema criminoso de cobrança sistemática de propinas, mas em linhas gerais de que ele servia não só aos agentes da Petrobrás, mas também a agentes e a partidos políticos”.

Moro ressalta, ainda, que já há pleno conhecimento em outros processos de “um modus operandi consistente na colocação pelo ex-presidente de propriedades em nome de pessoas interpostas para ocultação de patrimônio”. Cita especificamente o sítio de Atibaia (SP). “Tal afirmação não resulta, aparentemente, de conspiração de inimigos do ex­-presidente”.

Segundo a denúncia aceita ontem, Lula teria recebido vantagens indevidas da construtora OAS no valor de R$ 3,7 milhões num esquema que envolveria pagamento de pelo menos R$ 87 milhões em propinas relacionadas a apenas duas das megaobras da Petrobras: a Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Repar, no Paraná.

A maior parte do dinheiro é relativa a construção e benfeitorias num tríplex à beira-mar no Guarujá (SP). Nunca é demais lembrar que, enquanto o líder petista ganhava da empreiteira a cobertura em contrapartida pelos serviços prestados, centenas de outros proprietários da antiga incorporadora, a Bancoop, a cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ficavam a ver navios, vítimas de estelionato, sem obter seu bem.

“Há razoáveis indícios de que o imóvel em questão teria sido destinado, ainda em 2009 [quando Lula ainda era presidente da República], pela OAS ao ex­-presidente e a sua esposa, sem a contraprestação correspondente, remanescendo, porém, a OAS como formal proprietária e ocultando a real titularidade. Quanto às reformas e benfeitorias, há indícios de que se destinariam ao ex­-presidente e a sua esposa também sem a contraprestação correspondente”, conclui Moro.

A aceitação da denúncia por Moro joga por terra alegação que a defesa de Lula pôs para circular no fim de semana segundo a qual uma das principais acusações contra Lula seria baseada em delação não aceita pela Justiça, feita por Léo Pinheiro. Na peça divulgada ontem, Moro ressalta que as denúncias contra Lula baseiam-se, entre outros, em depoimentos prestados por Pedro Corrêa e Delcídio do Amaral.

Contra Lula, agora duas vezes réu, já pesam outros 9 inquéritos abertos por procuradores e policiais federais, 2 ações penais, 2 ações de fiscalização da Receita Federal, 38 mandatos de busca e apreensão na casa dele e de pessoas ligadas a ele, e quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico do petista. Esta folha corrida não combina com quem se diz ficha limpa.

Com a decisão de ontem, as investigações sobre a conduta de Luiz Inácio Lula da Silva no comando do petrolão chegam, finalmente, às mãos de quem a sociedade brasileira sempre almejou: o rigor do juiz Sérgio Moro. Será com a devida isenção e equilíbrio que caberá a ele julgar o líder-mor do PT por corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-presidente vislumbra no horizonte a sombra melancólica da cadeia.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Frente anticorrupção

A Lava Jato continua revelando os tentáculos compridos da corrupção. A impressão que fica é que não houve contrato público firmado nos últimos anos que não tenha sido objeto dos gatunos que assaltaram os cofres do país. Talvez por isso, cresce a reação de envolvidos e suspeitos para brecar a ação da Justiça. Mas a limpeza não pode parar.

Ontem, em mais uma leva de investigações, a Operação Lava Jato desnudou propinas relacionadas a obras do pré-sal, incluindo a construção de um centro de pesquisa da Petrobras e até uma escola de samba, uma madrinha de bateria e um blog de um militante petista. Para variar, mais um tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, preso desde o mês passado, estava na articulação da corrupção.

Passados dois anos e três meses do início da operação, resta cada vez mais evidente que as investigações precisam avançar, como forma de sepultar um modo de fazer política que tornou-se norma no Brasil desde a ascensão petista ao centro do poder, e que é uma das razões da ruína atual do país. Também por isso, cresce o temor dos suspeitos.

Algumas iniciativas parlamentares tentam limitar as investigações, punindo crimes de abuso de autoridade e/ou limitando o alcance e a possibilidade de delações premiadas. É evidente que o trabalho investigatório deve respeitar o amplo direito de defesa dos acusados, mas o equilíbrio necessário não pode servir de subterfúgio para não punir.

Em contrapartida, já tramita na Câmara projeto de lei de iniciativa popular, capitaneado pelo Ministério Público Federal (MPF), que propõe dez novas medidas de combate à corrupção. O texto chegou ao Congresso no fim de março passado, ancorado no apoio de mais de 2 milhões de assinaturas.

Depois de algumas delongas, a comissão especial destinada a analisá-lo foi finalmente criada em meados de junho, mas seus trabalhos ainda não começaram. Isto porque alguns partidos vêm relutando em indicar os nomes que comporão o colegiado. São eles: o PT, o PCdoB, o PMDB, o PP e o PSC. Em compensação, outros 14 partidos, incluindo o PSDB, já apresentaram seus membros.

Entre as propostas do MPF está a que prevê aumento de pena para crimes de colarinho branco conforme o valor desviado e torna hediondos os crimes de corrupção. Também é digna de destaque a medida que visa responsabilizar, de forma objetiva, os partidos políticos em relação a práticas corruptas, ao uso de caixa dois e à criminalização eleitoral da lavagem de dinheiro oriundo de crimes.

Continuar e aprofundar as investigações em curso – em especial as empreendidas no âmbito da Operação Lava Jato com foco no combate à corrupção – foi uma das condições para que o PSDB hipotecasse apoio ao novo governo. A disposição de passar o país a limpo continua a mesma, para que o cidadão não continue a ser lesado como tem sido.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Dilma no petrolão

Certa dose de mitologia vem sustentando que Dilma Rousseff não teria se beneficiado do petrolão. Acredita quem quer. Afinal, o maior esquema de corrupção da história do país se desenrolou na empresa cujo conselho de administração ela presidiu durante boa parte da roubalheira. Uma segunda frente de propinas vinha da área na qual a petista foi ministra, a de energia. Além disso, suas duas vitórias eleitorais foram abastecidas com farto dinheiro sujo.

O desenrolar das investigações da Operação Lava Jato, com a adição de novas delações, está deixando claro que Dilma enredou-se até o último fio de cabelo no esquema criminoso que drenou dinheiro da Petrobras, em especial, e de outras estatais em geral. Em alguns casos, o envolvimento capilar da presidente afastada foi literal.

A petista teria tido despesas pessoais pagas por dinheiro da propina vinda de empresas com negócios com o Estado. Seu cabeleireiro, cuja sessão de trabalho custa cerca de R$ 5 mil, foi um dos destinatários da grana. Mas não só. O entorno da presidente afastada também está todinho enrolado na trama.

Segundo as delações divulgadas neste fim de semana, também Anderson Dornelles, fiel escudeiro da presidente afastada desde seus tempos de Rio Grande do Sul, recebia polpuda mesada de empreiteiras. Já o chefe de gabinete dela, Giles Azevedo, articulava doações milionárias para as campanhas de Dilma. Ainda hoje ele faz companhia à chefe no Palácio da Alvorada.

Voltando um pouco mais no tempo, Erenice Guerra, que foi secretária-executiva e sucedeu Dilma na Casa Civil, já havia sido acusada de transformar o ministério num verdadeiro balcão de negócios, tocado como quitanda familiar.

As novas revelações reforçam, ainda, o envolvimento de Dilma Rousseff com a compra superfaturada da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Não há dúvida: a petista sabia que a estatal estava se metendo numa operação danosa para suas finanças. O prejuízo acabou chegando a quase R$ 3 bilhões, dinheiro que, em parte, pagou campanhas do PT – em especial, as presidenciais de 2010 e 2014.

As delações que estão vindo a público reforçam a necessidade de levar adiante as investigações no âmbito da Lava Jato. O país clama pela limpeza geral que os processos, se conduzidos com equilíbrio e com direito dos envolvidos à ampla defesa, podem trazer para a democracia e o sistema político brasileiro.

No âmbito mais imediato, as descobertas enfatizam a necessidade de o Senado dar célere prosseguimento ao processo de impeachment da presidente afastada. Há razões de sobra a justificar seu afastamento definitivo. O quanto antes isso acontecer, melhor será para que o país vire, definitivamente, esta página deplorável da nossa história.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ontem, hoje e amanhã

A nova fase da Operação Lava Jato investiga o fio condutor que alinhava a forma petista de governar. Desde que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu assumiu as primeiras prefeituras pelo país afora, ainda nos anos 1990, o padrão se repete: os cofres públicos são assaltados para financiar seu projeto de poder. Com o passar dos anos, o que mudou foi apenas a dimensão do roubo.

Personagens que o PT preferia que fossem esquecidos ressurgem agora como fantasmas a assombrar o partido. É o caso do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Ele foi morto quando se preparava para coordenar a campanha de Lula à presidência da República, em 2002. Até hoje a polícia não conseguiu esclarecer se seu assassinato foi uma encomenda – versão que a família de Daniel sustenta e as mortes em série durante as investigações corroboram – ou crime comum.

Assim como José Dirceu foi ao inferno e voltou com o mensalão e o petrolão, agora também é a vez de Silvio Pereira, ex-secretário geral do PT, ressurgir no noticiário. Mesmo flagrado no escândalo da compra de votos punido em 2012 pelo STF, ele teria sido contemplado com mesadas bancadas com dinheiro desviado da Petrobras para ficar calado. Vale lembrar que, ainda em 2006, numa entrevista ao jornal O Globo, ele deixou claro o que tanto temia: “Eles [o PT] vão me matar”.

A nova leva de investigações também joga luz no submundo das relações entre o PT e concessionários de serviços públicos, um hit recorrente na trajetória política do partido. Desta vez, o alvo é o dono de um jornal e de linhas de ônibus urbanos no ABC Paulista. Mas estão vívidas na memória dezenas de denúncias de manipulação de contratos de coleta de lixo e de transportes públicos em municípios onde petistas governam ou governaram.

Outro ponto comum é o envolvimento de Luiz Inácio Lula da Silva com presentes e mimos de amigos. No escândalo da vez, José Carlos Bumlai é o vértice dos desvios que azeitaram a corrupção no ABC. Mas, nos anteriores, o papel cabia sempre a Roberto Teixeira, o compadre de toda hora do líder petista.

As mesmas suspeitas que envolvem o tríplex do Guarujá (SP) ou o sítio de Atibaia repousam sobre a cobertura onde Lula vive em São Bernardo do Campo. Depois de morar anos de favor em um imóvel de Teixeira, o petista fechou a compra do imóvel num negócio até hoje nebuloso e jamais esclarecido. São falcatruas que se repetem.

Numa coisa, porém, o PT mudou ao longo de seus 36 anos de história. O partido nascido para defender os fracos e oprimidos cuidou muito bem de encher os bolsos de seus líderes, transformando o roubo numa causa política. Como as ambições foram crescendo, também os valores escalaram e o PT tornou-se protagonista do maior escândalo de corrupção do mundo. De assalto em assalto, chegou ao topo, seu sonho de ontem, de hoje e de amanhã.

sábado, 19 de março de 2016

O domínio dos fatos

As gravações divulgadas nos últimos dias revelam mais do que apenas a evidente intenção da presidente da República de obstruir o trabalho da Justiça e impedir a punição de delinquentes. Mostram também quem, de fato, manda no governo. Das conversas, resta evidente que Dilma Rousseff é mera figura decorativa. Se nem seus subordinados confiam na condução do país pelas mãos dela, por que os brasileiros deveriam confiar?

Das interceptações autorizadas pela Justiça sobressai um Luiz Inácio Lula da Silva no amplo domínio do poder. Ele dá ordens, determina iniciativas, cobra providências, espinafra desafetos e lança impropérios a torto e a direito. Chega a ser constrangedora a vassalagem de ministros de Estado ao chefe, tratado na prática como o capo da organização a quem todos devem amedrontada obediência.

Nas gravações, Lula age com destemor diante das ameaças, investe contra críticos, achincalha os poderes da República, desrespeita as instituições. Move-se como um poderoso chefão.

Não apenas seu vocabulário é típico do linguajar corrente em facções criminosas; as atitudes são também igualmente delinquentes. O ex-presidente – ou o melhor seria dizer o “ainda presidente”, já que pela conduta ele parece nunca ter deixado o posto? – mostra-se muito à vontade para mandar e desmandar.

Das conversas, confirma-se uma Dilma Rousseff tratada como detalhe menor dentro do projeto de poder do PT. O que conta é o que Lula diz e ordena: enquadrar a Receita Federal, partir para cima dos investigadores da Justiça, amedrontar o Supremo Tribunal Federal, disciplinar ministros de Estado, tocar o terror no Congresso e insuflar as massas (estas cada vez mais diminutas) para defender a sobrevivência petista.

É este mesmo Lula onisciente e onipotente que afirma, sempre que flagrado em mais uma nova falcatrua, que “não sabia” de nada. Quem há de crer? Desde o mensalão até o petrolão, passando pela manipulação de leis em troca de contratos bilionários, pelos favorecimentos a empreiteiras, o petista sempre se apresenta como um tolo, quando na realidade é o artífice de tudo. É quem tem o domínio dos fatos.

Numa prova de que o Brasil não aceita ser transformado numa republiqueta como Lula e companhia pensam que somos, a resposta tanto das instituições quanto do povo veio de imediato. Afora seus seguidores cegos, ninguém irá tolerar as afrontas do agora primeiro-ministro, nem contemporizar com aquela que lhe entregou, agora formalmente, todo o poder – com toda pompa e nenhuma circunstância na cerimônia em tom de palanque realizada ontem dentro do Palácio do Planalto. Eles talvez ainda não tenham se dado conta, mas o tempo deles acabou.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Tchau, querida

Os acontecimentos das últimas horas, desde a tarde de ontem, deixam claro de que lado a presidente da República, seu tutor (e agora primeiro-ministro) e seu partido estão: do crime, da corrupção, da obstrução da Justiça e contra a maioria do povo brasileiro. O governo do PT só governa para si mesmo. Abandonou, definitivamente, o Brasil. Tornou-se o comando-geral de uma facção.

Esta quarta-feira, 16 de março, ficará marcada na história brasileira como o dia do escárnio, da vergonha, do acinte. O dia em que a presidente da República foi flagrada agindo desabridamente para livrar Luiz Inácio Lula da Silva da prisão iminente, acusado que é de crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O dia em que, ao nomear um investigado da Justiça ministro-chefe da Casa Civil, Dilma deu um murro na dignidade dos brasileiros.

Todo o enredo em que Dilma, Lula e a turma de petistas despontam nas gravações trazidas a púbico ontem pelo juiz Sergio Moro é repugnante. O desdém com que abordam interesses do país, a desfaçatez com que tramam contra a república, o destemor com que se lançam em ameaças abertas contra as instituições do Estado democrático de Direito não são atos de quem preze uma nação como o Brasil. São iniciativas típicas de gangues, coisas de gângsteres.

Nas gravações transparecem o deboche e a postura beligerante do agora primeiro-ministro petista. O tom é de cizânia, o clima é de guerra, a ordem é de intimidação a quem quer que se interponha na frente do projeto do PT de livrar-se das grades. Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal – todos “têm que ter medo” dos petistas, como rosna Lula numa das conversas, com o deputado Wadih Damous. É a estratégia do terror.

A resposta dos brasileiros, que recuperaram sua capacidade de se indignar e de não aceitar passivamente o avanço da marcha da insensatez, do desrespeito e do vale-tudo, foi imediata. Ontem à noite, milhares de pessoas foram, espontaneamente, para as ruas extravasar sua indignação, sua revolta, sua repulsa ao estado atual das coisas no país. O compromisso é de manter a mobilização, até que o puído governo caia.

Não parece, contudo, haver limites para os que se lançam na destruição política, social, econômica, moral e ética do Brasil. Dilma, Lula e seus sequazes continuam agindo para barrar a Justiça, impedir a punição de crimes, manter o país no oceano de lama em que o PT nos afundou. Assim foi, novamente, na manhã desta quinta-feira durante a cerimônia de posse do ex-presidente e mais três ministros no Palácio do Planalto.

A presidente da República fez um discurso de líder de facção, de palanque, de animadora de auditório. Atacou instituições, ameaçou a Justiça e investiu contra seus críticos – ela que, quando em apuros, costuma acenar com a possibilidade de diálogos tão falsos quanto sua outrora suposta capacidade gestora.

Enquanto Dilma rasgava a fantasia e, numa cerimônia oficial, avançava contra os brios dos brasileiros, chamando-os de “golpistas”, a claque petista que lotava o auditório transformava a sede do governo em comitê de campanha. No dia que ficará marcado como aquele em que renunciou na prática ao cargo e entregou o poder ao tutor de quem nunca se desvencilhou, Dilma Rousseff se reduziu a uma sombra nas sombras, tornou à condição de poste que jamais teve luz.

Aqueles que se valem dos mais espúrios métodos para se preservar no poder, para evitar o encontro de contas com a Justiça e para manter o Brasil na marcha rumo ao atraso não conseguirão prosperar. A sociedade brasileira já deixou claro, de uma vez por todas, que não aceitará que o país seja transformado em playground dos petistas, nem numa pocilga. A hora desta gente acabou, a lâmina do impeachment está para ser acionada, enxotando o PT da vida nacional. Logo logo, Dilma vai ouvir das ruas, e não de um jocoso Lula: “Tchau, querida.”

quinta-feira, 17 de março de 2016

Os aloprados atacam novamente

No governo Dilma Rousseff, falta tudo, menos emoção. A cada dia, revela-se uma nova faceta do esquema criminoso que tomou conta do país nos últimos anos. Resta cada vez mais evidente que a presidente da República está envolvida até o último fio de cabelo na tentativa de obstruir o trabalho da Justiça, de comprar o silêncio de testemunhas e de driblar as investigações que estão passando o Brasil a limpo.

Ontem vieram a público gravações em que o ministro da Educação lança-se a campo para tentar convencer o senador Delcídio do Amaral a não colaborar com as investigações desenvolvidas no âmbito da Operação Lava Jato. Aloizio Mercadante faz relembrar, em cores vívidas, suas tresloucadas investidas anteriores, quando, em 2006, comandou uma operação para forjar documentos para tentar incriminar líderes do PSDB, no lendário “escândalo dos aloprados”.

De novo, sobressai o uso do poder do Estado posto a serviço de uma causa partidária. Neste caso, impedir que as apurações do Ministério Público chegassem à presidente da República, bem como avançassem sobre o ex-presidente Lula e sobre o PT. As tentativas de interferência no andamento da Justiça por parte dos petistas são recorrentes.

Político mais próximo de Dilma, Mercadante tentou comprar o silêncio de Delcídio assim como anteriormente ela e José Eduardo Cardozo já haviam articulado a nomeação de um ministro para o STJ para tentar salvar empreiteiros da prisão.

Da mesma maneira, a presidente da República envolve-se agora na escalação de Lula para o ministério a fim de livrá-lo do risco de ir para o xadrez por decisão de Sergio Moro. O ex-presidente, por sua vez, também já se lançara diretamente em articulações para silenciar Nestor Cerveró e Marcos Valério.

A pergunta que fica é: em que tais iniciativas atendem o interesse do país? O que ganha a população com as atitudes do governo e do PT? A resposta para as duas questões é a mesma: nada. 

São todas atitudes com único objetivo: brecar o avanço da Justiça e a ameaça de punição. A presidente, seu tutor e seu partido estão ensimesmados em buscar apenas de salvar suas peles. A dos brasileiros, eles já condenaram ao braseiro da crise, do desalento e da desilusão.

Para que não restem dúvidas, vale reproduzir declaração dada ontem por Delcídio, logo após virem a público as gravações que mostram Mercadante agindo para sabotar as investigações: “Fui escalado, como líder do governo, pela Dilma e pelo Lula para barrar a Lava Jato”, afirmou a’O Globo.

De tudo isso, resulta claríssimo que há carradas de razão para que a Procuradoria-Geral da República abra investigação sobre a participação da presidente da República nos esquemas criminosos. Há rios de argumentos para que Dilma Rousseff responda por mais estes crimes de responsabilidade, em afronta à probidade administrativa. Há mais um caminhão de motivos para os brasileiros quererem se ver livres dela, de Lula e do PT.

terça-feira, 8 de março de 2016

A vítima é o país

Desde a última sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a envergar a fantasia de que mais gosta, a de vítima. O padrinho dos ricaços se diz um perseguido das elites, um injustiçado pelas instituições, uma persona non grata da imprensa. Esfarrapada, a pantomima de pai dos pobres não se sustenta. Lula é caso de polícia.

O petista passou semanas em silêncio, enquanto as acusações de que enriquecera ilicitamente, engordado pelo petrolão, se avolumavam. A cada dia, sabe-se de nova benesse espúria. É o sítio de Atibaia, o tríplex do Guarujá, uma antena de telefonia de uso particular, coberturas onde se vive a vida toda de favores (não apenas uma, mas duas, como informa O Estado de S. Paulo em sua edição de hoje), reformas e eletrodomésticos que caem do céu. Sobre isso, Lula nada tem a dizer.

O ex-presidente continua sem dar respostas convincentes – ou, pelo menos, objetivas, ponto por ponto e não de maneira sub-reptícia como ele fez na sexta-feira – às suspeitas de que usou a presidência do país para se locupletar, enriquecer, prosperar na vida. Corre risco de ser processado e punido por improbidade administrativa, vendo sua quimera de voltar ao poder esvair-se na lama em que fundou seu projeto político e na qual atolou o país.

Diante dos fatos, Lula e o PT respondem com arreganhos, ameaças, incitação a hordas incivilizadas, afrontas ao Estado democrático de direito. Não é coisa de quem preza a democracia, de quem respeita as instituições, tampouco de quem não teme o avanço da Justiça. Pelo contrário: é atitude de quem está devendo. Garras escancaradas são a arma de peçonhentos.

Há, sim, uma vítima neste teatro do absurdo em que Lula, Dilma e o PT transformaram o Brasil: o próprio país. Não há salvação à vista enquanto esta gente se mantiver no comando. A nação está em franco retrocesso, estupefata à espera de novas e mais graves revelações, mas, ao mesmo tempo, mobilizada para pôr em marcha um processo – estritamente dentro dos limites constitucionais – que dê fim ao atual estado de coisas.

Por seu turno, Lula e o PT já apresentaram suas armas. Além da manipulação de sempre, o confronto com a justiça, as agressões físicas, a violência explícita. Aterrorizam com a possibilidade de “justiçamentos”, “ódios progressivos” e a ameaça de transformar o Brasil numa Venezuela, como faz Gilberto Carvalho em entrevista à Folha de S.Paulo. Este talvez seja, afinal, o sonho maior desta gente. Mas aqui não passarão.

O Brasil é vítima de um governo que não existe, de uma organização criminosa, de uma economia que afunda, da carestia que só se agrava, do desemprego que afeta pais de famílias e desalenta nossos jovens. A vítima deste descalabro não é Lula, não é o PT, tampouco Dilma. É o país que eles destruíram, mas que, em breve, os brasileiros começaremos a reconstruir. Sem Lula, sem Dilma, sem o PT.