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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Lula passa recibo

Luiz Inácio Lula da Silva ainda aparece como o principal concorrente à presidência da República nas eleições do ano que vem. É uma lástima. Mas, para voltar a comandar o país, ele terá de acertar várias contas com a Justiça. Se pretende se safar, melhor parar de tentar forjar provas e de passar recibo de que cometeu os crimes de que é acusado.

Lula já está condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex à beira-mar ganhado da OAS. Além desse processo, que depende apenas de manifestação dos juízes de segunda instância para que o ex-presidente seja preso, ele também é réu em outros seis.

O petista caminha para ser condenado em mais um deles. Desta vez também por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo um apartamento e o terreno onde seria instalado o Instituto Lula – para os quais já se conhecem provas de repasses da Odebrecht. Trata-se de corrupção avaliada em uns R$ 13 milhões. O caso é ilustrativo da desfaçatez de Lula.

Quando interrogado pelo juiz Sergio Moro no último dia 13 em Curitiba, Lula disse que quem cuidava do apartamento era sua esposa, Marisa Letícia, falecida em fevereiro. Cobrado sobre recibos que comprovassem que ele de fato alugava o imóvel, e não é seu dono, como sustenta a acusação, o ex-presidente gaguejou.

Dias depois, a defesa do petista encaminhou a Moro papéis que, segundo os advogados, demonstrariam a lisura da operação. O que se viu desde então foi uma sucessão de falcatruas que revelam o desapreço de Lula pela Justiça, a quem ele tenta ludibriar forjando provas.

Para um período de 59 meses de aluguel, a defesa apresentou apenas 26 recibos. Dois deles tinham datas inexistentes e meia dúzia repetiam mesmos erros grotescos de digitação. Tudo leva a crer que tenham sido preparados às pressas para responder a Moro, ou seja, eram de mentirinha.

Em seguida, o suposto proprietário do imóvel revelou que os recibos lhe foram levados para assinar no hospital por advogados de Lula, tudo num mesmo dia. Glaucos da Costamarques também assegurou que durante anos não recebeu nada a título de aluguel, deixando claro que era mero dono de fachada do apartamento, um laranja.

Uma planilha com os gastos detalhados da minuciosa contabilidade da família Lula da Silva incluía até as despesas com IPTU e condomínio do imóvel com que o petista foi presenteado pela Odebrecht, mas nem um centavo registrado de gastos com aluguel do mesmo.

É este personagem capaz de tramoias deste quilate, a fim de enganar a Justiça brasileira para tentar salvar-se das acusações de corrupção que lhe pensam nos ombros, que precisa ser batido nas eleições gerais de 2018. Lula tem contas a acertar com o povo brasileiro: precisa ser derrotado nas urnas e preso pela Justiça, pelos crimes que cometeu e pelo logro que empreende para tentar livrar-se deles.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lula, o mito e a verdade

Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje mais um encontro com o juiz Sergio Moro em Curitiba. A cantilena dos petistas já está ensaiada: sustenta que tudo não passa de perseguição ao “maior líder popular deste país”, destinada a impedi-lo de voltar a governar o Brasil. É a ficção que lhes sobrou defender.

O problema é que, a cada dia que passa, a caricatura condiz menos com a realidade. O Lula de hoje é pior que o de ontem e o de amanhã certamente será ainda pior que o de agora. A cada episódio, o petista tem mais suspeitas a elucidar, mais acusações a responder, mais condenações contra as quais se defender.

O depoimento desta terça-feira, cinco meses após o anterior, faz parte de investigação sobre as relações do ex-presidente com a Odebrecht. A acusação, mais uma vez, é de corrupção e lavagem de dinheiro recebido da empreiteira para construção da sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP). A soma envolve R$ 12,4 milhões.

São os mesmos crimes pelos quais, em julho, o petista foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de cadeia pela ocultação da propriedade de um tríplex no Guarujá (SP), recebido como propina da empreiteira OAS em troca de contratos bilionários na Petrobras. A ficha corrida de Lula é extensa.

Só nos últimos dias Lula foi denunciado outras duas vezes, uma delas por formar, com Dilma Rousseff, outros cinco ex-ministros de Estado e um ex-tesoureiro do PT uma organização criminosa aliciada com pelo menos R$ 1,48 bilhão em propinas. A última, nesta segunda-feira, por negociar a edição de medidas provisórias.

Não é só a Justiça brasileira que dá dor de cabeça a Lula. Segundo o script dos petistas, ele é vítima da “elite”, aquela mesma que viveu no paraíso quando o PT governava... Difícil será encaixar nesse conto da carochinha episódios como o depoimento de Antonio Palocci, que pôs Lula no centro de um “pacto de sangue” firmado para assaltar o país em parceria com a mesma Odebrecht do caso investigado hoje em Curitiba.

Na semana passada, o mais poderoso ex-ministro de Lula, e um dos artífices de sua eleição em 2002, disse que a empreiteira franqueou R$ 300 milhões ao PT e ofereceu ao ex-presidente pagamento por “palestras” que manteriam sua vida em condições nababescas – recorde-se que, apenas em plano de previdência privada, Lula tinha R$ 9 milhões guardados. A reação imediata dos petistas foi pedir a expulsão de Palocci do partido...

Pela lista de crimes que cometeu, lesando o interesse público e ludibriando os brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva deve pagar com uma temporada na cadeia. Mas, além de condenado pela Justiça, ele precisa ser derrotado nas urnas nas eleições de 2018. Só assim o mito em torno do qual sua figura enganosa foi erigida será implodido de vez.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A quadrilha em caravana

Dois ex-presidentes da República e cinco ex-ministros de Estado – dos quais hoje uma é senadora da República e presidente de partido e outro, prefeito municipal – poderiam, juntos, formar um belo time de quadros para ajudar o país a emergir da crise em que se encontra. Não no caso do PT. Juntos, eles formam uma quadrilha, que atuou diretamente para afundar o Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, Guido Mantega, Paulo Bernardo, Edinho Silva, Gleisi Hoffmann e João Vaccari Neto foram denunciados ontem pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por prática de crime de organização criminosa por uma “miríade de delitos”.

Juntos eles teriam recebido a bagatela de R$ 1,48 bilhão em forma de propina em troca de contratos bancados com dinheiro público, pilhado de órgãos como BNDES e Ministério do Planejamento e de empresas como a Petrobras, cujos prejuízos somam pelo menos R$ 29 bilhões, no ver do TCU. Considerando o que foi movimentado também em consórcio do PT com PP e PMDB, a cifra dobra. A indenização cobrada aos denunciados alcança R$ 6,5 bilhões.

Apenas para aquilatar, além dos dois ex-presidentes que o partido elegeu compõem o grupo toda a equipe que comandou a economia brasileira ao longo dos 13 anos dos governos do PT, a atual presidente da legenda, também senadora, o quarto tesoureiro deles apanhado em roubalheira e um prefeito em atividade. Dilma participou da organização larápia tanto como principal ministra de Lula quanto como principal mandatária do país.

Mas papel central quem teve mesmo foi Lula. Já réu em outras cinco ações e já condenado a nove anos e meio de cadeia, agora é apontado na denúncia apresentada pela PGR como “grande idealizador” da quadrilha. Cerca de um sexto da dinheirama suja movimentada pela organização criminosa (ou seja, R$ 230 milhões) teria ido parar nos bolsos do ex-presidente e ora pré-candidato do PT à presidência da República.

No tour com que percorreu o Nordeste do país nos últimos 20 dias, encerrado ontem, Lula deparou-se com muitas das obras (ou, mais correto dizer, com o esqueleto delas) que serviram de fonte de dinheiro para as falcatruas ora denunciadas pela PGR. Na caravana da mentira, apresentava-as ao público como benfeitorias, mas serviram mesmo foi como maná para alimentar a corrupta correia de transmissão petista.

A drenagem de dinheiro público pelos petistas graúdos ocorreu desde a campanha que culminou com a ascensão de Lula ao comando do país, em 2002, até o último dia de Dilma na presidência, em maio do ano passado, segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria. Ou seja, a corrupção não é incidente espasmódico na trajetória do PT. É modus operandi e método de gestão.

Começa nos primeiros escândalos descobertos na prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (1989-1992), passa pelos municípios do ABC e chega ao ápice com a tomada do poder nacional, a partir de 2003 até 2016, a nova “década perdida”. Mesmo no plano mais elevado dos poderes da República, a escalada gatuna petista parecia não ter limites.

Hoje fica cada vez mais preciso o comentário feito por Delúbio Soares, no longínquo ano de 2005, sobre as investigações então em marcha em torno do mensalão. O tesoureiro daquela roubalheira prognosticou que, ao final, restaria claro que aquele esquema não passara de “piada de salão”. Certíssimo. O assalto que viria depois, no âmbito do petrolão, movimentaria, segundo a denúncia apresentada ontem, recursos sujos pelo menos 20 vezes maiores – e isso é aritmético, não retórico.

É de se lamentar que, diante de tantas e tamanhas evidências, o procurador Rodrigo Janot tenha demorado tanto para arrolar Lula e seus petistas de proa no rol dos criminosos alcançados pelas investigações desenvolvidas no âmbito da Operação Lava-Jato. Pelo menos, para fazê-lo ele não terá precisado de delações fajutas como as que usou contra Michel Temer e Aécio Neves...

Em 2014, após a eleição presidencial o então candidato do PSDB afirmou que havia sido derrotado na disputa por uma “organização criminosa”. Teve muito crítico acusando o tucano de ser mau perdedor. O desenrolar dos fatos está mostrando quem, afinal, tinha razão. A gangue denunciada ontem pela PGR sonha em voltar a comandar o Brasil. Está evidente o por que: continuar seus assaltos em série. Quadrilhas vivem disso.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O tetracampeão da corrupção

Luiz Inácio Lula da Silva é, provavelmente, o personagem mais enrolado em investigações da Operação Lava Jato que vieram a público até agora. Réu em três processos, foi novamente denunciado no fim da semana passada, novamente envolvido em falcatruas que contemplam a venda de benefícios públicos para atender interesses privados.

Lula e seu filho Luiz Cláudio são acusados de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa a fim de viabilizar a compra, pelo governo brasileiro, de 36 caças modelo Gripen NG junto à fabricante sueca Saab. À época do anúncio, em fins de 2013, o negócio foi comemorado como um marco da modernização da Aeronáutica, mas já então vinha envolto em suspeitas.

Um dos aspectos controversos foi a escolha de São Bernardo do Campo para a fabricação de parte das aeronaves. Parte da linha de montagem sueca ficaria, portanto, num dos berços históricos do PT e até este ano governado por petistas – afinal despejados da prefeitura municipal nas eleições de outubro.

Segundo o Ministério Público, Lula vendeu aos parceiros suecos a facilidade de fechar o negócio, no valor de US$ 5,4 bilhões, e de fazer aprovar pelo governo de Dilma Rousseff uma medida provisória (n° 627/2013), depois convertida em lei (n° 12.973/2014), que prorrogava benefícios de IPI a montadoras. Como contrapartida, recebeu R$ 2,5 milhões por intermédio da firma de seu filho, que, para justificar a bolada, apresentou cópias de contratos chupados da internet.

“Lula deixou o cargo de presidente. Depois disso, valendo-se da ascendência sobre o partido político que ajudou a manter no poder, passou a receber dinheiro pela divulgação de influência que exerceria sobre os atos do governo de Dilma. A pretexto dessa jactada influência, enriqueceu a si e a familiares”, diz trecho da peça de acusação reproduzido pelo jornal O Povo.

Lula já é réu em outros três processos: por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no caso do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia; de obstrução de Justiça, ao tentar impedir que Nestor Cerveró, na condição de ex-diretor da Petrobras, revelasse aos investigadores da Lava Jato detalhes sobre o petrolão; e de lavagem de dinheiro ao viabilizar empréstimos do BNDES para financiar obras da Odebrecht no exterior, notadamente em Angola.

Mas tem mais. Contra Lula há também outros nove inquéritos abertos por procuradores e policiais federais, duas ações penais, duas ações de fiscalização da Receita Federal, 38 mandatos de busca e apreensão na casa dele e de pessoas ligadas a ele, e quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico do petista. Com a nova denúncia, o ex-presidente pode agora tornar-se réu pela quarta vez, numa espécie de tetracampeonato da corrupção.

Lula, no entanto, tem uma visão peculiar do trabalho que a Lava Jato está fazendo. Ele não considera que a força-tarefa que reúne Ministério Público, Justiça Federal e Polícia Federal esteja ajudando a varrer parte da sujeira da corrupção do país. Na visão do ex-presidente, está, isto sim, interessada em afundar a economia brasileira. Sob este raciocínio torpe, a recessão que nos assola é fruto das investigações e não da lambança promovida pelos governos do PT.

Infelizmente ainda há os que caem nesta lorota e julgam Lula o injustiçado “melhor presidente que o Brasil já teve”. Trata-se de opinião cega, eivada de pura ideologia, sem pé na realidade. O Lula real – rejeitado por 44% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha publicada hoje – é aquele que implantou o maior esquema de corrupção que o país já presenciou, elegeu uma sucessora de rara incompetência e produziu a maior crise da nossa história. Tem muito, portanto, a pagar.

sábado, 17 de setembro de 2016

O enganador de serpentes

Luiz Inácio Lula da Silva teve ontem oportunidade de defender-se das graves acusações que o Ministério Público lhe fez, provando que ele foi o astro-rei do esquema criminoso que vigorou no país nos últimos anos. Não o fez. O petista optou pela via de sempre: pregar para seus convertidos. Contra a dura realidade, Lula não tem o que dizer.

Foi mais de uma hora com o rame-rame de sempre. Lula, a vítima das perseguições. Lula, o injustiçado. Lula, o odiado pelas elites. Lula, o maior líder da história brasileira. Lula, o redentor dos pobres. Lula, o honesto inimputável. Lula, o vencedor. Só os petistas têm convicção disso. Deste enredo, o país, com provas e razões a rodo, já se cansou.

Sem argumentos para contrapor-se à denúncia apresentada na véspera em Curitiba, o ex-presidente enveredou pelo caminho por onde ainda sabe trilhar. Abusou da retórica. Exagerou na demagogia. Exercitou seu poder manipulador e o mais barato sentimentalismo. E destinou sua “fala de indignação”, como ele classificou sua pregação, ao objetivo de manter unida sua tropa – melhor seria dizer sua seita.

Lula tomou do caudal da internet o mote de seu discurso: os procuradores federais não têm provas contra ele, apenas convicções. Vale dizer o contrário: Lula tem muitas convicções sobre o que fez e representa para o país; o povo brasileiro, contudo, tem provas de sobra de que as coisas são bastante diferentes do que o petista sustenta.

Lula tem convicção de que seu governo foi o melhor da história. Os brasileiros têm prova de que foi apenas um período breve em que o Brasil surfou no vento de cauda do boom econômico mundial, mas cresceu menos que poderia e, cessado o impulso, retrocedeu a um buraco nunca antes visto na história do país.

Lula tem convicção de que levou o “povo da periferia”, para usar mais uma expressão maniqueísta dele, para o paraíso do consumo, do bem-estar e do pleno emprego. Os brasileiros têm prova de que 12 milhões de pessoas estão desempregadas no país, milhões de famílias descenderam socialmente nos últimos anos e nem para a comida o dinheiro agora dá.

Lula tem convicção de que governou contra os ricos, promoveu a maior ascensão social da história, reparou injustiças seculares. O país ainda convive com as provas de que a concentração de renda mantém-se tão alta quanto sempre foi, de que os que supostamente perderiam com um governo do PT foram os que mais ganharam e de que a coalizão montada por Lula para governar tinha nos grandes empresários seus maiores alicerces.

Lula, o pobre retirante, agora vive em cima de patrimônio que pouquíssimos brasileiros são capazes de amealhar com o trabalho. Isso ele jamais conseguirá provar que foi obtido de maneira lícita. O Brasil tem convicção de que o ex-presidente é o chefe-mor da roubalheira dos últimos anos e o centro de uma organização criminosa. Só quem ainda prefere não ver isso são seus seguidores, docemente enganados pelo sibilar da jararaca.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

‘El Comandante’

Durante seus oito anos de governo, Lula sempre se considerou uma espécie de fundador da nação, como se a história do Brasil tivesse começado em 1º de janeiro de 2003, dia de sua posse na presidência da República. Foram anos martelando que “nunca antes neste país”... Agora ele pode, enfim, invocar a si uma paternidade inconteste: a de ter criado um sistema de governo inteiramente baseado na corrupção e sustentado em propina. Nunca antes neste país se roubou tanto quanto com Luiz Inácio Lula da Silva.

O Ministério Público Federal apresentou ontem, em Curitiba, denúncia fartamente detalhada sobre a participação do ex-presidente como agente central do esquema criminoso com o qual o PT comandou o país desde 2003. Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crime que também teria sido cometido pela ex-primeira dama Marisa Letícia. Outros seis também foram denunciados.

Nas evidências apresentadas ontem, Lula e sua mulher foram beneficiários de mimos doados pela Construtora OAS que somam R$ 3,7 milhões em valores correntes, o mais vistoso deles o tríplex à beira-mar no Guarujá (SP). Tem gente que acha pouco. Basta lembrar que, no mensalão, as cifras envolvidas não giravam muito acima deste montante. Viu-se depois que eram tão somente a ponta, minúscula, do iceberg do petrolão.

Difícil que houvesse alguém que ainda duvidasse do papel central de Lula no esquema de assalto ao Estado estruturado pelo PT ao longo da última década. Para estes, que talvez tivessem dificuldade de entendimento, o procurador da República Delton Dallagnol não se fez de rogado: desenhou como funcionava o que batizou de propinocracia.

Esta espécie de novo sistema de governança guarda semelhança com a descoberta feita por Nicolau Copérnico no século 14, quando mostrou que a Terra girava era ao redor do sol e não o contrário, dando origem ao que passou a ser reconhecido como Sistema Solar. Agora temos, no mundo da política, o Sistema Lular, em torno do qual girava toda sorte de malfeitos, roubalheiras e corrupções. Ninharia de, pelo que se sabe até agora, R$ 6,2 bilhões...

Como defesa, os partidários de Lula prometem usar a artilharia de sempre: o ataque, traduzido em ameaça de pôr gente na rua, incitar revoltas, promover constrangimentos. Armas cada vez menos convincentes, posto que cada vez menos poderosa é a capacidade mobilizadora – o que dirá eleitoral – do moribundo petismo. Não conseguirão intimidar ninguém: o Brasil quer que a Justiça avance e prevaleça.

Alguns afirmam que o que o MP apresentou ontem como prova é pouco. Mas é bom ter presente que é apenas parte das suspeitas e acusações que pesam contra o líder-mor dos petistas. Há outros dois inquéritos sobre Lula ainda não encerrados na Lava Jato. Há a denúncia, já aceita em Brasília, segundo a qual o ex-presidente é réu por tentativa de obstrução da Justiça. E há, ainda, as investigações sobre a participação dele na organização criminosa do petrolão, a cargo da Procuradoria-Geral da República. É pouco?

Já vimos no que deu todas as vezes em que se disse no passado que as acusações contra Lula e o PT eram “armações”, “pirotecnia”, “ilusionismo”, “conspirações” ou mera “retórica”. Descobriu-se o mensalão, revelou-se o petrolão e desnudou-se a maior organização criminosa de que se tem notícia em todo o mundo, segundo as mais diversas fontes. Dificilmente a denúncia apresentada ontem em Curitiba terá destino distinto destes.

Aguarda-se agora que a denúncia oferecida pelo Ministério Público siga seu curso. Uma vez aceita pelo juiz Sérgio Moro, Lula será mais uma vez réu e estará sujeito a pena que pode chegar a 12 anos de prisão. Condenado, gramará um tempo na cadeia e estará inabilitado para exercer ou disputar cargo público. O fim da linha estará próximo para “o comandante máximo”. Bom para o Brasil, ótimo para os brasileiros que querem ver a nação de novo limpa.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A organização criminosa

Desde que o mensalão se tornou conhecido, foi sendo revelado que uma organização criminosa se apossara do aparato estatal brasileiro. Lá se vão 11 anos e o que foi sendo descoberto desde então apenas fez confirmar que os tentáculos estendiam-se por todos os nichos de poder, no maior esquema de corrupção que já se teve notícia no país.

A denúncia apresentada ontem pelo procurador-geral da República dá contornos definitivos ao esquema montado desde que o PT ascendeu ao poder. Rodrigo Janot pediu ao Supremo Tribunal Federal que investigue a participação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva no esquema criminoso que vem assaltando os cofres públicos nestes últimos anos. Aceito o pedido, o passo seguinte é torná-lo réu.

A manifestação encaminhada por Janot ao STF resume com perfeição a percepção geral do papel de Lula na história do petrolão: “Pelo panorama dos esquemas probatórios colhidos até aqui (...), essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”.

No mensalão, Lula notabilizou-se por seus “eu não sabia” e por sua manifestação pública, feita em agosto de 2005, de que fora “traído” e de que o PT devia “desculpas ao povo brasileiro”. Fora da presidência, mudou de ideia e disse que iria dedicar-se a provar que o esquema criminoso condenado pelo Supremo fora uma “farsa”. Nunca fez nada a respeito. Pelo contrário.

De lá para cá, Lula e o PT dedicaram-se a aprofundar a depredação do Estado brasileiro, culminando com a destruição da maior empresa do país, a Petrobras, com a implosão das contas públicas e com a falência da economia nacional. Como antevira Delúbio Soares, após tudo o que se viu ao longo das gestões Lula e Dilma, o mensalão virou piada de salão diante do arrojo do petrolão.

Ontem a PGR foi além da denúncia ao ex-presidente. Quer que Lula seja investigado por influenciar, “em articulações espúrias”, o andamento da Operação Lava Jato, como quando tentou impedir que Nestor Cerveró fizesse acordo de delação premiada para revelar o que conheceu em sua passagem pela diretoria da Petrobras. O ex-presidente também pode tornar-se réu na investigação que está sendo chamada, convenientemente, de “quadrilhão”.

Janot pediu, ainda, ao STF autorização para investigar a participação da presidente Dilma Rousseff em tentativas de barrar as investigações desenvolvidas no âmbito da Operação Lava Jato, incluindo a indicação de um ministro para facilitar a vida de empreiteiros no Superior Tribunal de Justiça e a nomeação de Lula como ministro de Estado para poupá-lo dos rigores de Curitiba.

A lista de denunciados por Rodrigo Janot ontem é extensa e abrange quase um ministério inteiro. Dela constam atuais titulares da Esplanada – como Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e Giles Azevedo, além de José Eduardo Cardozo, contra quem a PGR pede abertura de inquérito – e ex-ministros e antigos personagens do primeiro escalão petista, como Antonio Palocci, Erenice Guerra, Silas Rondeau, Sergio Gabrielli e Paulo Okamoto.

Como se percebe, a sucessão de Lula por Dilma no mais alto cargo da República e a transição das equipes ministeriais que se sobrevieram significou a permanência e a perpetuação do esquema criminoso que se avolumou com a ascensão do PT ao poder federal. Dentro de mais alguns poucos dias, o comando do país será mudado, mas as investigações sobre a organização criminosa denunciada por Rodrigo Janot, e sua futura punição, não podem afastar-se um milímetro do rumo que vêm seguindo.