Números frios apenas ajudam a traduzir o tamanho da crise da qual só agora, transcorridos três anos, o país começa a emergir. Mas o drama de milhões de famílias que continuam a sofrer as consequências da pior recessão da história não se resume a estatísticas. O Brasil empobreceu, rebaixado pela irresponsabilidade das gestões petistas.
Nos últimos anos, mais brasileiros tornaram-se dependentes do Estado, contemplados por algum programa de assistência social. Mais pessoas retrocederam às camadas mais baixas de renda. Mais cidadãos se viram tolhidos na sua expectativa de ascensão social e profissional, vitimados pelo desemprego.
Alguns números, mesmo frios, permitem delinear o impacto fulminante que escolhas de políticas equivocadas detonam na vida de milhões de pessoas.
Nos três anos em que já dura a recessão, mais de 1 milhão de famílias que haviam saído do Bolsa Família voltaram a depender do programa, conforme mostra O Globo numa série de reportagens intitulada “Retorno à pobreza”. Entre 2014 e 2016, a média de beneficiários com estas características multiplicou-se por cinco.
Um aspecto positivo é que estas famílias pelo menos podem contar com o paliativo de algum anteparo do Estado perante a crise que por ora ainda lhes ceifa as esperanças. O Bolsa Família atende cerca de 13,5 milhões de famílias, com custo relativamente baixo, em torno de R$ 30 bilhões ou cerca de 0,4% do PIB – em junho de 2016, depois de dois anos congelados, os benefícios foram reajustados em 12,5%.
Mas a clientela do Bolsa Família, infelizmente, ainda deve aumentar nos próximos meses até que a economia religue seus motores e recomece a contratar. Há milhões de famílias despencando na pirâmide social pelo país afora.
Segundo o Banco Mundial, o número de brasileiros vivendo em condição de pobreza aumentará em até 3,6 milhões neste ano. A Tendências Consultoria estima que 4,3 milhões de famílias já decaíram às classes D e E nos últimos dois anos, segundo o Valor Econômico.
Desde 2015 a pobreza voltou a crescer no país. De maneira inédita em mais 20 anos, a queda da renda veio acompanhada de aumento da desigualdade, de acordo com resultados da Pnad. “A curva continuou ascendente em 2016 e assim permanecerá neste ano”, conclui O Globo. A depender da reação da economia, o número de pobres pode ultrapassar 20 milhões neste ano.
O grande vilão desse retrocesso social é o desemprego, fruto, por sua vez, do fracasso da política econômica que a irresponsabilidade petista só fez aprofundar nos seus anos finais – há cerca de 23 milhões de pessoas sem trabalho no país hoje.
Nota-se, com facilidade, que aqueles que na propaganda oficial seriam os grandes beneficiados das ações dos governos Lula e Dilma são, na realidade, suas maiores vítimas. Toda atenção deve ser dada para resguardá-los do pior enquanto o país estiver sendo aos poucos reconstruído.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
terça-feira, 15 de outubro de 2013
A Pnad implode mitos e lendas petistas
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) é um manancial de ricos indicadores capazes de ilustrar como, efetivamente, evolui a vida dos brasileiros. Vistos em retrospectiva, também permitem constatar como e quanto o país avançou nos diversos aspectos do cotidiano ao longo dos anos. O melhor é que seus números e estatísticas são preciosos para jogar por terra mitos e lendas boladas em escritórios de marketing e gabinetes oficiais.
É o que se pode
constatar a partir do excelente trabalho feito por O Globo e publicado neste domingo. A partir de análise criteriosa e isenta
de informações contidas na mais recente edição da Pnad, divulgada no fim de
setembro, o jornal conclui, sobre a evolução dos indicadores nos últimos 20
anos: “Os tucanos foram os responsáveis por avanços mais sólidos na educação,
na expansão de serviços públicos e na ampliação dos bens de consumo básicos”.
Com base na evolução
de 130 indicadores acompanhados pela Pnad, o jornal mostra que entre 1992 e
2002, período que coincide com os governos dos presidentes Itamar Franco
(1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o Brasil avançou sensivelmente
mais no acesso à educação, na oferta de serviços públicos básicos e de bens de
consumo do que na década que cobre as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma
Rousseff.
Na educação, no
primeiro decênio o índice de brasileiros de 7 a 14 anos na escola passou de
86,6% para 96,9%, alta de 11,9%. Nos dez anos seguintes, herdando o ensino
fundamental já praticamente universalizado pelos tucanos, os governos do PT
ampliaram o acesso de crianças e jovens à escola em apenas 1,7%: de 96,9% para
98,5%.
Separando-se as
faixas etárias, a diferença pró-governos Itamar e FHC é ainda maior. A inclusão
de crianças de 5 a 6 anos na escola avançou 43,2% entre 1992 e 2002, ante menos
da metade disso (19,2%) de 2002 a 2012. Na faixa entre 15 e 17 anos, a expansão
na década tucana alcança 36,6% e na petista, somente 3,4%.
Mais um ponto
favorável às gestões de Itamar e Fernando Henrique na área da educação: o analfabetismo
caiu 33,7% até 2002 e outros 28% desde então. O bom desempenho também se repete
em relação à elevação do percentual de pessoas com mais de oito anos de estudo,
de acordo com O Globo.
A expansão dos
serviços públicos na era tucana é “sensivelmente maior”, conforme analisa o jornal.
O acesso da população à luz elétrica subiu 8,8% na primeira década avaliada e
3,2% na seguinte, contrariando o oba-oba do governo petista em torno do Luz para
Todos, programa que é, sabidamente, mero sucedâneo de ação já existente na
gestão tucana e que foi tão somente rebatizado pelos marqueteiros de Lula.
Comparar o que
aconteceu no governo Fernando Henrique no acesso a serviços de telefonia com a
década seguinte é até covardia. O número de domicílios com telefone cresceu 224%
entre 1992 e 2002, passando de 19% para 61,6% do total. Na era petista, a
evolução foi bem mais singela: 49%, de 61,6% para os atuais 91,8%. Tudo graças à
privatização do Sistema Telebrás, tão duramente combatida pelo PT e seus
aliados (mesmo os que deixaram de sê-lo)...
Outras políticas e
ações de matiz tucano ajudam a explicar a expressiva evolução nos indicadores
de condição de vida experimentada pelos brasileiros na última década do século
passado: em especial, a estabilização da moeda, alcançada com o Plano Real e
ora ameaçada pela recidiva inflacionária do governo petista, e a abertura da
economia, ora revertida na gestão Dilma.
São a estabilidade monetária
e a liberalização comercial que explicam por que, durante os governos Itamar e
FHC, eletrodomésticos básicos como geladeira, fogão e televisão chegaram mais
intensamente a domicílios mais pobres. A expansão desses itens é
aproximadamente duas vezes maior nos governos tucanos em relação aos governos
petistas, mostra O Globo.
A análise do jornal
também registra que “os petistas tiveram resultados sensivelmente melhores nos
indicadores relacionados ao trabalho, à renda e à redução da desigualdade
social”. “No governo Fernando Henrique, o aumento da renda se deu basicamente
pela estabilidade de preços, e no governo Lula por crescimento econômico,
aumento do salário mínimo, queda do desemprego e pela formalização (do emprego)”,
comenta Carlos Alberto Ramos, professor da Universidade de Brasília ouvido por O Globo.
Mas é lícito perguntar:
se a gestão do PSDB não tivesse promovido tão relevantes avanços estruturais no
país no período antecedente, o PT teria conseguido avançar nestas áreas? Provavelmente
não, como até Lula admitiu outro dia ao dizer que o arcabouço constitucional
que seu partido defendia na época da Constituinte deixaria o Brasil “ingovernável”.
É sempre muito bom quando dados objetivos e, melhor ainda, oficiais vêm deitar
por terra mistificações como as que se tornaram tão comuns no país nos últimos
anos.
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terça-feira, 28 de maio de 2013
O fim do Bolsa Família é só o começo
A presidente Dilma Rousseff deve desculpas aos brasileiros atendidos pelo Bolsa Família. Seu governo protagonizou uma lambança que levou desespero a milhares de famílias na semana passada. Ministros seus portaram-se como animadores de auditório ao lançar suspeitas infundadas. O episódio ilustra a leviandade com que a gestão petista trata a miséria no país.
No fim de semana
passado, uma onda de boatos desencadeou uma corrida a agências bancárias de 13
estados do país. Eram pessoas que recebem o Bolsa Família e ficaram
atemorizadas com a versão de que o programa seria extinto. Quase um milhão delas
correram para sacar seus benefícios; em poucas horas, R$ 152 milhões saíram dos
caixas eletrônicos.
O governo apressou-se
a dizer que ocorrera uma boataria que disseminou o pânico a partir da tarde de sábado.
Anteontem, porém, soube-se que a lambança começou pela Caixa Econômica Federal.
O banco, responsável por fazer o pagamento que hoje beneficia 13,8 milhões de
famílias, liberou todos os créditos de uma só vez, contrariando a escala que
tradicionalmente é usada para pagar a bolsa.
Até então, a Caixa negara
qualquer equívoco na operação. No início da confusão, dissera que, com base em
melhorias cadastrais, tivera condições de antecipar os pagamentos – sem explicar,
contudo, como fez isso sem consultar ninguém de seu conselho diretor. Na verdade,
a antecipação foi fruto de uma barbeiragem que a Caixa só admitiu quando foi
pega na mentira na última sexta-feira por reportagem da Folha de S.Paulo.
Tudo indica que o crédito,
que geralmente se estende ao longo de dez dias, foi feito de forma errônea de
uma só vez, numa única data – tanto que, em junho, voltará à sistemática
tradicional. Tivesse admitido isso, a Caixa teria esclarecido de onde poderia
ter partido toda a confusão que se alastrou com a boataria e o caso poderia
estar perto de ser esclarecido. Mas o banco optou por mentir e tudo indica que o
governo atuou para tentar encobrir a lambança.
Na mesma noite em
que a mentira da Caixa veio a público, a Polícia Federal divulgou que os boatos
foram disseminados a partir de uma empresa de telemarketing do Rio. Os dois
órgãos se manifestaram oficialmente com uma diferença de 1h13: a informação
originada na PF foi ao ar às 18h37 de sexta-feira na Agência Brasil; a da Caixa, às 19h50 no site
da instituição. Parece claramente uma ação coordenada.
Se a Polícia Federal
identificou de onde podem ter partido os boatos, deve divulgar o quanto antes
quem foram os responsáveis por isso. Também precisa informar quem contratou a
empresa – afinal, não se espera que equipes de telemarketing saiam por aí
divulgando mensagens ao léu...
“[A PF] Não disse o
nome da central. Nem do seu proprietário. Não disse quem a contratou. Nem como
a central teve acesso aos números de telefones de inscritos no Bolsa Família. Sem
acesso aos números de telefones como a central poderia disseminar boatos?”,
questiona Ricardo Noblat n’O Globo.
Toda a cautela é
necessária neste assunto, até porque envolve milhões de brasileiros das mais
vulneráveis camadas da nossa população. Cautela, porém, foi tudo o que não se
viu até agora entre os petistas, incluindo a presidente Dilma, na condução do
caso. O drama dos beneficiários do Bolsa Família foi transformado em contenda
eleitoral pelo PT.
Para a presidente,
foi algo “desumano” e “criminoso”. Para seu ministro da Justiça, uma “manobra
orquestrada”. Para Luiz Inácio Lula da Silva, coisa de “gente do mal”. Para o
presidente do partido dos mensaleiros, “terrorismo eleitoral”. E para a
ministra de Direitos Humanos, sem quaisquer meias palavras, algo gestado na “central
de notícias da oposição”.
O que estas pessoas
têm a dizer agora, quando fica cada vez mais claro que toda a confusão decorreu
de um erro, seguido de uma mentira, da Caixa Econômica Federal? Serão capazes
de se desculpar? Serão capazes de punir os responsáveis?
Ou preferirão deixar
tudo como está, para, numa próxima ocasião, voltar a usar o Bolsa Família como
arma espúria de disputas pelo poder, revelando que, para o PT, a miséria
interessa mesmo é como massa de manobra? Será este só o começo do que os
petistas estão dispostos a fazer para se manter no comando do país?
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Um boato terrorista
Poderia ter sido só um boato, infeliz e condenável. A notícia falsa sobre um suposto fim do Bolsa Família teria desaparecido da mesma maneira como surgiu. Mas a propensão petista a transformar tudo em munição eleitoral deu dinâmica própria ao lamentável episódio ocorrido neste fim de semana.
A boataria sobre a
extinção do programa desencadeou correria a agências bancárias a partir da
tarde de sábado. Segundo a Caixa Econômica Federal, foram feitos 920 mil saques
no fim de semana, perfazendo R$ 152 milhões. A intranquilidade se espalhou por
13 estados, principalmente do Nordeste.
O governo começou a
agir no domingo. A Polícia Federal foi acionada para investigar de onde pode
ter partido a mentira. Vai procurar agulha em palheiro, mas pelo menos está
fazendo o que dela se espera.
Também no domingo, Tereza
Campello, ministra do Desenvolvimento Social, dera entrevista no tom certo: “Nós
não acreditamos que esta atitude possa vir da oposição, até porque prejudicou
bastante muita gente. Duvido que alguém possa ter alguma coisa a ganhar com
isso”.
Mas a comichão politiqueira
petista não tardou a aflorar. Na manhã de ontem, Maria do Rosário, ministra de
Direitos Humanos, usou sua conta no Twitter para acusar, da forma mais leviana possível,
a oposição: “Boatos sobre fim do bolsa família deve (sic) ser da central de
notícias da oposição. Revela posição ou desejo de quem nunca valorizou a
política”.
Mais tarde, ela voltou
atrás e escreveu que havia emitido apenas uma “singela opinião”. Não escapará,
porém, de ser chamada para explicar suas acusações: a bancada tucana na Câmara
já tem pronto requerimento para convocá-la ao Congresso.
Além de leviandade
por parte da ministra, há também má informação. A oposição não apenas preza a
política de transferência de renda, como foi quem, efetivamente, deu início a
programas que depois foram enfeixados no Bolsa Família pelo PT.
Vale lembrar que,
quando Lula assumiu o poder, o país já tinha 6,5 milhões de famílias sendo
atendidas por iniciativas como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, sem falar
nos 6,5 milhões de aposentados rurais e nos 1,5 milhão de assistidos pelo
Benefício de Prestação Continuada.
Mas, voltemos. Depois
de Rosário, foi a vez de Dilma Rousseff também politizar o assunto. Em discurso
em Ipojuca, em Pernambuco, disse que a boataria fora “algo absurdamente
desumano” e classificou seu autor de “criminoso”. Até aí, a reação da
presidente estava dentro da normalidade, ainda que num tom de exaltação alguns
decibéis acima do natural.
Mas nem coisa tão
séria Dilma consegue deixar de tratar eleitoralmente. Logo em seguida, em meio
a críticas aos “pessimistas”, emendou: “Colocamos a Polícia Federal para
descobrir quem tinha por objetivo dar intranquilidade aos milhões de
brasileiros que nos últimos 10 anos estão saindo da pobreza extrema”.
Ou seja, em meio ao
drama de milhares de famílias que se aterrorizaram com o suposto fim de um
benefício social, Dilma deu um jeito de encaixar a propaganda de uma ação de
governo que, julga ela, é mérito exclusivo do PT em seus dez anos de governo. Arrumou
uma forma de fazer proselitismo eleitoral.
Aí está o ponto: por
que, mesmo diante de um episódio deplorável como este, o governo Dilma não age
com serenidade? Por que, ao contrário do desejável, transforma assuntos sérios
em pólvora de embate político? Por que não atua para efetivamente amenizar as
dificuldades das famílias necessitadas ao invés de mantê-las eternamente como
massa de manobra?
Disso tudo, o que
transparece é que, ao PT, interessa mesmo é manter a pobreza, a fim de que os
miseráveis continuem a ser manipulados, usados como matéria-prima de programa
eleitoral e como bandeira política. A necessária e desejável emancipação de
milhões de brasileiros não parece ser o verdadeiro objetivo dos petistas.
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sábado, 18 de maio de 2013
Reencontro com a história
O PSDB viverá amanhã, na convenção em que elegerá sua nova direção, um reencontro com sua história. Uma trajetória que, no próximo mês, completa seu 25° aniversário e, neste curto período, foi capaz de produzir avanços importantes e conquistas fundamentais para a melhoria das condições de vida dos brasileiros.
O partido tinha somente
seis anos de fundação quando chegou ao poder federal, com a eleição de Fernando
Henrique Cardoso. Mas, baseado num projeto claro para o país e uma firme determinação
para levá-lo adiante, o PSDB logrou dois feitos históricos ao longo de apenas dois
mandatos presidenciais: debelar a hiperinflação e implantar uma abrangente rede
de proteção social, que iniciaram o resgate da nossa enorme dívida com os mais
pobres.
O Plano Real é uma
obra de sucesso que está no alicerce do Brasil tal como o sabemos hoje. As gerações
atuais só conhecem o fenômeno do descontrole de preços por meio dos livros de História.
Mas, por décadas, a hiperinflação tolheu as perspectivas dos brasileiros,
travou nosso desenvolvimento e nos alijou do concerto das nações – basta lembrar
que, no ano de 1993, o índice de preços medido pelo INPC chegou a 2.489%.
A conquista da
estabilidade econômica era, porém, apenas o pré-requisito necessário para que o
governo tucano desenvolvesse as ações que realmente interessavam: a montagem de
uma robusta política social destinada a combater a pobreza no país, composta
por um leque de iniciativas coordenadas para atacar suas causas estruturais e por
programas de transferências diretas de renda aos cidadãos.
Os resultados desta
arquitetura não tardaram. Fernando Henrique herdara um governo ainda em
processo de recuperação depois do estrago feito pela gestão Collor, mas, ao
final de apenas oito anos, conseguiu legar ao país um arcabouço que já congregava
12 programas sociais de âmbito federal e concedia mais de 37 milhões de
benefícios, com investimentos superiores, à época, a R$ 30 bilhões, conforme consta
do balanço
oficial da gestão tucana.
Quando o governo do país foi transferido
ao PT, o número de famílias beneficiadas já chegava a quase 15 milhões, entre contemplados por programas de transferência de renda criados na
gestão tucana, aposentados rurais, idosos ou pessoas com deficiência atendidas
por benefícios continuados.
“Consequência: entre
1994 e 2001, a participação dos gastos sociais no orçamento federal passou de
23% para 28,3%, elevação real de quase 70%. Os dispêndios na área social
atingiram 3% do PIB nacional”, relata o Instituto FHC em documento
sobre as políticas sociais do período divulgado nesta semana.
As iniciativas
implementadas no governo do PSDB são a base do Brasil moderno, como também
reconheceu o Pnud em
seu mais recente Relatório de Desenvolvimento Humano. O ano de lançamento do Plano
Real é apontado como marco inicial da “transformação do Brasil num Estado
orientado para o desenvolvimento”, a partir de quando ocorreu a “introdução de
programas sociais inovadores que permitiram reduzir a pobreza e as
desigualdades de rendimento”.
O órgão da ONU vai
mais longe: os anos tucanos foram o período de maior prosperidade no país desde
que o Pnud passou a calcular o IDH, em 1980. De 1990 a 2000, a média anual de
crescimento do índice no Brasil foi de 1,26%. Isso significa que, entre as 94
nações consideradas de desenvolvimento humano muito elevado ou elevado, apenas
Irã e Tunísia superaram o desempenho brasileiro naquela década.
O que aconteceu a
partir de então foi bem diferente. Entre 2000 e 2012, a média de crescimento do
IDH brasileiro decaiu para 0,73% ao ano. “Entre todos os países que hoje
compõem o ranking, nada menos que 74 aceleraram a uma velocidade maior que a
nossa no período”, mostrou o Instituto Teotônio Vilela em edição recente do Brasil Real.
Os avanços de um país
são, sempre, fruto de processos sucessivos e incrementais. Quando alinhados na
direção correta, se complementam, se somam, independentemente de que está no
comando da nação. Esta é a boa política, orientada a produzir bem-estar para as
pessoas que realmente necessitam da ajuda do poder público.
O PT, infelizmente, não
reconhece isso. Talvez por ignorância ou, mais provavelmente, por uma mistura
de má-fé, oportunismo político e desonestidade intelectual. Mas não importa: o
Brasil sabe que quem criou a política de proteção social que tirou milhões da
pobreza e chega até os dias atuais foi o PSDB. Esta história, ninguém nos tira.
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terça-feira, 15 de maio de 2012
Bolsa Mamãe
Como primeira mulher
a governar o país, Dilma Rousseff tem tentado transmitir à população que
dispensa atenção especial ao público feminino. É bom que a presidente cuide das
mamães, mas seria melhor ainda se o zelo se estendesse por todos os dias do ano
e não apenas às datas comemorativas.
Ontem, ela ocupou
cadeia de rádio e televisão para anunciar medidas destinadas a combater a miséria
na faixa etária de 0 a 6 anos, no que pode ser chamado de Bolsa Mamãe. Oficialmente
batizado de Brasil Carinhoso, o programa terá três eixos: acesso a creches, ampliação
da cobertura de saúde para crianças e reforço da renda familiar.
Está virando rotina:
o Planalto aproveita a modorra de notícias em dias festivos para tentar emplacar
manchetes em jornais, como já havia acontecido no 1° de maio. Infelizmente,
Dilma continua pródiga em anúncios, mas muito ruim de execução. Na área social,
não tem sido diferente.
Segundo os jornais, o
pronunciamento irá desdobrar-se em cerimônia no Planalto hoje para a presidente
detalhar as medidas ladeada por um séquito de ministros. Se for fiel aos fatos,
ela terá de explicar, por exemplo, como pretende agora garantir vagas em
creches para as crianças, antiga promessa de campanha jamais cumprida.
O compromisso era inaugurar
6.427 unidades até 2014, mas até hoje só 411 foram feitas, de acordo com
informações do Ministério da Educação divulgadas hoje pela Folha de S.Paulo. Isso significa que, para honrar a palavra, a
presidente teria que inaugurar seis creches por dia, todos os dias, até 31 de
dezembro de 2014, quando termina seu mandato.
No ano passado, o ProInfância,
programa que deveria cuidar da construção de creches no Ministério da Educação,
executou apenas 16% do seu orçamento. Não surpreende que menos de 4% das
crianças do Bolsa Família na faixa etária de 0 a 3 anos estejam em creches e
que a média nacional não ultrapasse 24%.
Nas ações voltadas à
saúde de mamães e bebês, a situação não é melhor. Vistosas promessas de
campanha também continuam no papel, como é o caso da Rede Cegonha, destinada a atender
gestantes no pré-natal e crianças nos seus primeiros dois anos de vida.
O orçamento deste
ano destina R$ 196 milhões ao programa, mas até agora vergonhosos R$ 8 mil (não
é erro de digitação, é mil mesmo) foram pagos. Vale lembrar que o Rede Cegonha foi
copiado das propostas do candidato tucano em 2010 e da exitosa experiência de
atendimento a gestantes desenvolvida por Beto Richa na prefeitura de Curitiba –
com a diferença de que lá funcionava...
Mas as mamães não
querem apenas boa gestação. Esperam também contar com atendimento de saúde
digno. Todos vão se lembrar que, na campanha, Dilma também prometeu tratamento
carinhoso às brasileiras por meio da construção de 500 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
Dinheiro no
Orçamento tem, e muito – R$ 578 milhões nestes dois anos. Mas tratamento médico
que é bom, nada: até agora apenas 13% da dotação do ano passado foi executada
e, da deste ano, nenhum centavo.
Segundo balanço
oficial, no primeiro ano de governo foram construídas apenas 31 UPAs. Isso
significa que, a continuar assim, para honrar o compromisso firmado, Dilma
precisaria de quatro mandatos. Não vai dar para esperar.
Não se sabe ao certo
como o Planalto pretende reforçar a renda das mulheres que serão beneficiadas com
o Bolsa Mãe, conforme anunciado pela presidente ontem. Mas, diante da baixa execução
orçamentária, esta parece ser a forma mais fácil que a gestão petista tem encontrado
para aplicar o dinheiro.
Mas governar é muito
mais do que distribuir bolsas. Garantir saúde digna, gestação tranquila e atenção
adequada à primeira infância são deveres básicos do Estado perante as mamães. Também
neste quesito, a primeira mulher a governar o país não fez diferença. Continua tudo
na promessa.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Portas fechadas para a emancipação
A área social é considerada um dos grandes trunfos da gestão Lula-Dilma. São recorrentes as citações aos “milhões de brasileiros” que ultrapassaram a linha de pobreza nos últimos anos. Trata-se de algo que merece aplausos, mas é igualmente verdade que o governo do PT tem sido completamente ineficaz em ajudar os mais carentes a andar com as próprias pernas.
Exemplos dessa limitação podem ser vistos em algumas das principais vitrines dos governos passado e atual, como os programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, e a política nacional de reforma agrária. Retirada a névoa da máquina de propaganda, o que se vê, na maioria das vezes, são ações que preservam a tutela do Estado sobre os mais necessitados – situação perversamente conveniente para quem tem um projeto de poder e não de país.
Pesquisa patrocinada pelo Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que beneficiários do Bolsa Família têm dificuldade de se manter empregados. Como mostrou o Estadão na semana passada, metade das pessoas que recebem a bolsa perdem a ocupação até um ano após serem contratadas. Uma vez alijados do mercado de trabalho, menos de 25% serão recontratados nos quatro anos seguintes, atestou o estudo oficial.
Ou seja, resta provado que, tal como está, o maior projeto social do governo petista é absolutamente ineficaz no objetivo de dar ao cidadão condições de viver do próprio trabalho.
Na gestão tucana, quando o programa de bolsas foi criado, um dos aspectos mais importantes era exatamente a contrapartida dos beneficiários por meio da frequência à escola, uma forma de dar-lhes melhores condições de emanciparem-se e progredir sozinhos. Essa visão libertadora foi deixada de lado pelo petismo.
No campo, setor que deveria garantir comida e sustento para milhões de brasileiros, mais revezes. Informações também oficiais reunidas pelo Incra mostram que 38% das 924 mil famílias instaladas nas fazendas desapropriadas não conseguem obter sequer um salário mínimo de renda por mês.
A situação nos assentamentos é de penúria: 58% não contam com estradas de acesso razoáveis, 56% não têm energia elétrica e apenas 5% dos colonos possuem segundo grau completo. A consequência evidente é a falência do modelo agrário distributivista e a perpetuação da pobreza no campo.
Já o Minha Casa Minha Vida também começa a exibir as limitações de um programa concebido muito mais para dar votos para o PT do que teto para quem precisa. Boa parte dos beneficiados, conforme mostrado pelo Estadão, não tem conseguido pagar as prestações mensais de R$ 50. Sinal de que o modelo não para em pé sem a mão do Estado, a inadimplência já preocupa os órgãos oficiais.
Pelo que se pode ver, a situação social de milhões de brasileiros ainda é precária. Os mais otimistas podem dizer que o governo buscou, sim, dar mais soberania dos cidadãos. Um exemplo seria a expansão das universidades públicas. Mais uma ilusão.
Reportagem publicada na edição da revista Época desta semana mostra que a condição das novas instituições federais de ensino superior criadas no governo passado é claudicante. Não há estrutura física, professores e nem planejamento suficiente para as aulas. Alunos precisam se espremer em galpões alugados.
Das 14 universidades inauguradas por Lula, apenas quatro são realmente novas e dez já existiam como expansões. Não por acaso, das 88 mil novas vagas abertas na gestão passada 46 mil foram criadas em 2009, véspera de ano eleitoral. No mundo petista, até educação é vítima da política eleitoreira.
A triste constatação é de que o governo do PT, de uma maneira deturpada, foi eficaz em transformar em política pública os versos imortalizados por Luiz Gonzaga e Zé Dantas em “Vozes da Seca”: “Seu doutor, uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. No coronelismo pós-moderno do PT, todas as portas de saída ficam trancadas.
Exemplos dessa limitação podem ser vistos em algumas das principais vitrines dos governos passado e atual, como os programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, e a política nacional de reforma agrária. Retirada a névoa da máquina de propaganda, o que se vê, na maioria das vezes, são ações que preservam a tutela do Estado sobre os mais necessitados – situação perversamente conveniente para quem tem um projeto de poder e não de país.
Pesquisa patrocinada pelo Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que beneficiários do Bolsa Família têm dificuldade de se manter empregados. Como mostrou o Estadão na semana passada, metade das pessoas que recebem a bolsa perdem a ocupação até um ano após serem contratadas. Uma vez alijados do mercado de trabalho, menos de 25% serão recontratados nos quatro anos seguintes, atestou o estudo oficial.
Ou seja, resta provado que, tal como está, o maior projeto social do governo petista é absolutamente ineficaz no objetivo de dar ao cidadão condições de viver do próprio trabalho.
Na gestão tucana, quando o programa de bolsas foi criado, um dos aspectos mais importantes era exatamente a contrapartida dos beneficiários por meio da frequência à escola, uma forma de dar-lhes melhores condições de emanciparem-se e progredir sozinhos. Essa visão libertadora foi deixada de lado pelo petismo.
No campo, setor que deveria garantir comida e sustento para milhões de brasileiros, mais revezes. Informações também oficiais reunidas pelo Incra mostram que 38% das 924 mil famílias instaladas nas fazendas desapropriadas não conseguem obter sequer um salário mínimo de renda por mês.
A situação nos assentamentos é de penúria: 58% não contam com estradas de acesso razoáveis, 56% não têm energia elétrica e apenas 5% dos colonos possuem segundo grau completo. A consequência evidente é a falência do modelo agrário distributivista e a perpetuação da pobreza no campo.
Já o Minha Casa Minha Vida também começa a exibir as limitações de um programa concebido muito mais para dar votos para o PT do que teto para quem precisa. Boa parte dos beneficiados, conforme mostrado pelo Estadão, não tem conseguido pagar as prestações mensais de R$ 50. Sinal de que o modelo não para em pé sem a mão do Estado, a inadimplência já preocupa os órgãos oficiais.
Pelo que se pode ver, a situação social de milhões de brasileiros ainda é precária. Os mais otimistas podem dizer que o governo buscou, sim, dar mais soberania dos cidadãos. Um exemplo seria a expansão das universidades públicas. Mais uma ilusão.
Reportagem publicada na edição da revista Época desta semana mostra que a condição das novas instituições federais de ensino superior criadas no governo passado é claudicante. Não há estrutura física, professores e nem planejamento suficiente para as aulas. Alunos precisam se espremer em galpões alugados.
Das 14 universidades inauguradas por Lula, apenas quatro são realmente novas e dez já existiam como expansões. Não por acaso, das 88 mil novas vagas abertas na gestão passada 46 mil foram criadas em 2009, véspera de ano eleitoral. No mundo petista, até educação é vítima da política eleitoreira.
A triste constatação é de que o governo do PT, de uma maneira deturpada, foi eficaz em transformar em política pública os versos imortalizados por Luiz Gonzaga e Zé Dantas em “Vozes da Seca”: “Seu doutor, uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. No coronelismo pós-moderno do PT, todas as portas de saída ficam trancadas.
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