Uma das especialidades petistas é achincalhar as instituições. O rol inclui todas as que podem causar algum constrangimento às ações do partido e, principalmente, aquelas que são importantes instrumentos de fiscalização e controle das atividades de governo. Assim tem sido com as comissões parlamentares de inquérito, as antes temidas CPIs.
Neste exato momento, o PT está empenhado em enterrar mais uma: a da Petrobras. O relatório apresentado ontem pelo deputado petista Luiz Sérgio é um escárnio do começo ao fim. Nas 754 páginas do documento, faltou pouco para o ex-ministro de Dilma afirmar que o petrolão jamais existiu. O resto, ele fez.
Para começar, a Petrobras é apresentada como “vítima de atos de corrupção cometidos por alguns diretores e gerentes e por ação de um grupo de empreiteiras”. Segundo o relator, ainda à página 635 do texto divulgado ontem, “as ações ilícitas foram isoladas, não sendo possível afirmar a existência de ‘corrupção institucionalizada’”.
Segundo a visão malcheirosa apresentada pelo relator, pelo visto bagrinhos se organizaram em conluio de pé de ouvido com empresas maldosas para assaltar a empresa. Como explicar que esta espécie de ação entre amigos, a prevalecer o texto de Luiz Sérgio, redundou num assalto calculado pelo Ministério Público, até agora, em R$ 20 bilhões?
Também desaparece da história, na versão fabulosa do petista, a ponta mais relevante do esquema: o desvio de recursos públicos para partidos políticos, em especial o PT. Até os percentuais eram conhecidos – 3% dos contratos, a maior parte deles para os petistas – mas, segundo o relator, a “tese” de que o dinheiro sujo irrigou caixas partidários e campanhas é “duvidosa” (p. 619). Vale lembrar que as mesmíssimas suspeitas são alvo, inclusive, da Justiça Eleitoral e podem levar à impugnação da chapa Dilma-Temer.
Ainda de acordo com a fábula petista, ninguém que realmente tinha poder de mando na estatal teve qualquer responsabilidade sobre o maior escândalo de corrupção da história. Saem incólumes os presidentes da companhia à época do esquema, mas também a presidente do conselho de administração da Petrobras durante quase todo o período do assalto: Dilma Rousseff.
Não satisfeito em ignorar a realidade para tentar construir uma farsa, o relator dedica-se a buscar implodir o trabalho de quem realmente está conseguindo desbaratar a roubalheira: a Operação Lava Jato. A delação premiada, instrumento que tem levado às principais descobertas até agora, é atacada e deveria ser mudada, sugere Luiz Sérgio. Para ele, “o excesso de delações premiadas pode levar à impunidade” (p. 587).
Depois de oito meses de trabalho, a CPI da Petrobras caminha para terminar seguindo o mesmíssimo script da comissão mista que funcionou até dezembro do ano passado: em uma indigesta pizza de piche. É mais que válida, portanto, a intenção da oposição de apresentar um relatório alternativo, a fim de que a realidade prevaleça sobre a ficção que o PT adoraria que, mais uma vez, vingasse.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Pizza de piche
Se havia alguma dúvida de que o interesse do PT é varrer o entulho da corrupção na Petrobras para debaixo do tapete, agora não há mais. O relatório apresentado ontem pelo petista Marco Maia com as considerações finais da CPI que apurou a má gestão na estatal é uma pizza tamanho gigante com indigesto sabor de piche.
Há absurdos de toda ordem no texto do deputado gaúcho. Ninguém é indiciado pela roubalheira. Maia limita-se a citar no documento quem já é alvo de alguma investigação. E terceiriza o problema: sugere apenas que o Ministério Público e a Polícia Federal apurem a “efetiva responsabilização” dos envolvidos nos episódios.
Algum político é listado no relatório petista? Nenhum. Atuais dirigentes da estatal? Nenhum. Dilma Rousseff, que presidiu o conselho de administração da Petrobras por dez anos, passa incólume pelas 903 páginas do documento de Maia. Lula, idem.
O relatório do pizzaiolo do PT vai às raias da insanidade ao defender a escandalosa compra da refinaria de Pasadena por preço 27 vezes maior do que o desembolsado pelos antigos sócios um par de tempo antes de a operação ser fechada pela Petrobras. O TCU já viu prejuízo de US$ 792 milhões na aquisição e mandou ex-dirigentes pagarem por isso.
A manifestação de Marcos Maia a respeito da operação é lapidar: “Mesmo que tenha havido pagamento de propina a diretores da Petrobras, conclui-se que a aquisição de Pasadena ocorreu dentro das condições de mercado da época”.
Sobre a construção da Abreu e Lima – que até Graça Foster já classificou como “história a ser aprendida e nunca repetida” – Maia conseguiu a proeza de subfaturar o superfaturamento. Estimou o sobrepreço na obra em apenas US$ 4,2 bilhões. Já é largamente sabido que a refinaria começou orçada em US$ 2,3 bilhões e já custou US$ 20 bilhões.
Marco Maia segue o script. Desde o início, o PT fez de tudo para impedir que a CPI mista da Petrobras avançasse por caminhos sérios. Quem não se lembra dos célebres vídeos com assessores da empresa e do Planalto combinando um jogral de perguntas e respostas para serem recitadas por parlamentares da base aliada em depoimentos na comissão?
Quantas vezes o PT não tentou impedir a convocação de alguns dos personagens centrais da trama, como João Vaccari Neto, o tesoureiro que passou a desempenhar no partido as funções que foram do mensaleiro e hoje presidiário Delúbio Soares?
O PT, novamente, presta um desserviço à democracia brasileira ao desmoralizar, mais uma vez, um instrumento legítimo de investigação do Congresso. Nada mais dissociado do momento que vive a Petrobras do que o relatório de Marco Maia. É mais uma pedra a colaborar para a ruína daquela que já foi a maior companhia do país e os petistas estão tratando de destruir.
Há absurdos de toda ordem no texto do deputado gaúcho. Ninguém é indiciado pela roubalheira. Maia limita-se a citar no documento quem já é alvo de alguma investigação. E terceiriza o problema: sugere apenas que o Ministério Público e a Polícia Federal apurem a “efetiva responsabilização” dos envolvidos nos episódios.
Algum político é listado no relatório petista? Nenhum. Atuais dirigentes da estatal? Nenhum. Dilma Rousseff, que presidiu o conselho de administração da Petrobras por dez anos, passa incólume pelas 903 páginas do documento de Maia. Lula, idem.
O relatório do pizzaiolo do PT vai às raias da insanidade ao defender a escandalosa compra da refinaria de Pasadena por preço 27 vezes maior do que o desembolsado pelos antigos sócios um par de tempo antes de a operação ser fechada pela Petrobras. O TCU já viu prejuízo de US$ 792 milhões na aquisição e mandou ex-dirigentes pagarem por isso.
A manifestação de Marcos Maia a respeito da operação é lapidar: “Mesmo que tenha havido pagamento de propina a diretores da Petrobras, conclui-se que a aquisição de Pasadena ocorreu dentro das condições de mercado da época”.
Sobre a construção da Abreu e Lima – que até Graça Foster já classificou como “história a ser aprendida e nunca repetida” – Maia conseguiu a proeza de subfaturar o superfaturamento. Estimou o sobrepreço na obra em apenas US$ 4,2 bilhões. Já é largamente sabido que a refinaria começou orçada em US$ 2,3 bilhões e já custou US$ 20 bilhões.
Marco Maia segue o script. Desde o início, o PT fez de tudo para impedir que a CPI mista da Petrobras avançasse por caminhos sérios. Quem não se lembra dos célebres vídeos com assessores da empresa e do Planalto combinando um jogral de perguntas e respostas para serem recitadas por parlamentares da base aliada em depoimentos na comissão?
Quantas vezes o PT não tentou impedir a convocação de alguns dos personagens centrais da trama, como João Vaccari Neto, o tesoureiro que passou a desempenhar no partido as funções que foram do mensaleiro e hoje presidiário Delúbio Soares?
O PT, novamente, presta um desserviço à democracia brasileira ao desmoralizar, mais uma vez, um instrumento legítimo de investigação do Congresso. Nada mais dissociado do momento que vive a Petrobras do que o relatório de Marco Maia. É mais uma pedra a colaborar para a ruína daquela que já foi a maior companhia do país e os petistas estão tratando de destruir.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Cara a cara com a corrupção
O depoimento de Paulo Roberto Costa dado ao Congresso ontem é uma aula sobre no que se transformou o Brasil no governo petista. É um resumo, provavelmente ainda tímido, das entranhas de organizações criminosas que estão agindo no país.
Entre os pontos mais relevantes do que o ex-diretor da Petrobras disse, está a afirmação de que a roubalheira não é exclusiva da estatal, é generalizada e espalha-se “pelo país inteiro”: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrelétricas etc, etc, etc. Ele sabe o que diz: durante oito anos, ocupou o cargo na alta direção da companhia.
Tanto Costa quanto Nestor Cerveró, que fizeram uma acareação na CPI, reiteraram a afirmação de que a ruinosa aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA, só se deu com total aprovação do conselho de administração da Petrobras presidido por Dilma Rousseff. O TCU já concluiu que o negócio causou prejuízo de R$ 792 milhões aos cofres públicos.
Metade da diretoria que comandou a Petrobras até 2012 é alvo de investigações. Dos seis ex-diretores, dois estão presos – ontem um deles recebeu permissão para sair. É toda esta cadeia lesiva ao interesse público que precisa ser exemplarmente punida, chegando aos mais altos graus da hierarquia que conseguir.
Estamos diante de algo para estarrecer qualquer um. Mas o que o governo petista tem feito é tentar transformar o escândalo da Petrobras numa malvadeza exclusiva das empresas que prestavam serviços à estatal. Busca reduzir a roubalheira a uma formação de cartel por parte de empreiteiras para lesar o Estado.
A tese nasceu de próceres do PT e tornou-se versão oficial pela boca do presidente do Cade, que, numa entrevista publicada ontem pela Folha de S.Paulo, promete punição rigorosa aos cartéis. Alto lá! Não é disso que se trata; não é só disso que se trata. O que está em ação carcomendo nossas instituições é algo muito maior.
O esquema é claro: de um lado, corruptores dispostos a manter e ampliar a qualquer custo seus negócios com o Estado. De outro, agentes públicos a serviço de interesses partidários e partidos políticos dedicados a financiar sua perpetuação no poder. Em síntese, a fome e a vontade de comer juntas.
Os desvios podem ter chegado a R$ 23,7 bilhões, segundo estimativa oficial feita pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Beneficiaram principalmente o PT, que ficava com 2/3 de tudo o que se roubava, dezenas de parlamentares aí incluídos.
No mais recente ranking da Transparência Internacional, o Brasil aparece como o 69° país com maior percepção de corrupção numa lista formada por 175 nações. Diante deste estado de coisas, o PT ainda acha ruim quando se constata que a eleição presidencial foi vencida por uma organização criminosa...
Entre os pontos mais relevantes do que o ex-diretor da Petrobras disse, está a afirmação de que a roubalheira não é exclusiva da estatal, é generalizada e espalha-se “pelo país inteiro”: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrelétricas etc, etc, etc. Ele sabe o que diz: durante oito anos, ocupou o cargo na alta direção da companhia.
Tanto Costa quanto Nestor Cerveró, que fizeram uma acareação na CPI, reiteraram a afirmação de que a ruinosa aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA, só se deu com total aprovação do conselho de administração da Petrobras presidido por Dilma Rousseff. O TCU já concluiu que o negócio causou prejuízo de R$ 792 milhões aos cofres públicos.
Metade da diretoria que comandou a Petrobras até 2012 é alvo de investigações. Dos seis ex-diretores, dois estão presos – ontem um deles recebeu permissão para sair. É toda esta cadeia lesiva ao interesse público que precisa ser exemplarmente punida, chegando aos mais altos graus da hierarquia que conseguir.
Estamos diante de algo para estarrecer qualquer um. Mas o que o governo petista tem feito é tentar transformar o escândalo da Petrobras numa malvadeza exclusiva das empresas que prestavam serviços à estatal. Busca reduzir a roubalheira a uma formação de cartel por parte de empreiteiras para lesar o Estado.
A tese nasceu de próceres do PT e tornou-se versão oficial pela boca do presidente do Cade, que, numa entrevista publicada ontem pela Folha de S.Paulo, promete punição rigorosa aos cartéis. Alto lá! Não é disso que se trata; não é só disso que se trata. O que está em ação carcomendo nossas instituições é algo muito maior.
O esquema é claro: de um lado, corruptores dispostos a manter e ampliar a qualquer custo seus negócios com o Estado. De outro, agentes públicos a serviço de interesses partidários e partidos políticos dedicados a financiar sua perpetuação no poder. Em síntese, a fome e a vontade de comer juntas.
Os desvios podem ter chegado a R$ 23,7 bilhões, segundo estimativa oficial feita pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Beneficiaram principalmente o PT, que ficava com 2/3 de tudo o que se roubava, dezenas de parlamentares aí incluídos.
No mais recente ranking da Transparência Internacional, o Brasil aparece como o 69° país com maior percepção de corrupção numa lista formada por 175 nações. Diante deste estado de coisas, o PT ainda acha ruim quando se constata que a eleição presidencial foi vencida por uma organização criminosa...
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Central de alopragens
Pode ser mera coincidência. Mas é só o período eleitoral chegar para que o PT multiplique as barbaridades que é capaz de cometer para agarrar-se ao poder. De novo, gente graúda da equipe de governo está envolvida. De novo, o Palácio do Planalto está sendo usado como central de alopragens.
Até hoje sabia-se que quadros da Petrobras, alguns assessores de lideranças petistas no Congresso e um auxiliar do ministro das Relações Institucionais estiveram envolvidos na farsa montada para forjar depoimentos de mentirinha na CPI instalada no Senado para apurar as suspeitas de maus negócios feitos pela estatal quando Dilma Rousseff presidia seu conselho de administração.
Mas a coisa é mais feia do que parecia à primeira vista. Publica a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje que partiram de dentro do Planalto iniciativas para controlar o andamento da comissão no Congresso.
Até hoje sabia-se que quadros da Petrobras, alguns assessores de lideranças petistas no Congresso e um auxiliar do ministro das Relações Institucionais estiveram envolvidos na farsa montada para forjar depoimentos de mentirinha na CPI instalada no Senado para apurar as suspeitas de maus negócios feitos pela estatal quando Dilma Rousseff presidia seu conselho de administração.
Mas a coisa é mais feia do que parecia à primeira vista. Publica a Folha de S.Paulo em sua edição de hoje que partiram de dentro do Planalto iniciativas para controlar o andamento da comissão no Congresso.
Mais precisamente “o secretário-executivo do ministério [de Relações Institucionais], Luiz Azevedo, ajudou a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio, que incluía um roteiro para a investigação e sugestões de perguntas”.
Poderia ser surpreende. Deveria ser de corar de vergonha. Mas, em se tratando do PT, não é. Trata-se apenas de mais uma história em que a estrutura oficial, mais especificamente órgãos abrigados no coração do poder em Brasília, é usada para perpetrar farsas, sempre na tentativa de prejudicar adversários e de corromper instituições da República.
Nas eleições de 2010, foi no mesmo Palácio do Planalto que Erenice Guerra, a substituta de Dilma na Casa Civil, colocou a turma dela para forjar dossiês que visavam atingir o presidente Fernando Henrique Cardoso. Flagrada, perdeu o cargo, mas não parou de circular pelos corredores de Brasília desfilando influência e facilidades.
Em 2006, aloprados comandados por Ricardo Berzoini, o mesmo que hoje chefia as Relações Institucionais de Dilma, tentaram atingir José Serra e Geraldo Alckmin, que então disputavam o governo de São Paulo e a presidência da República, respectivamente. Como se pode ver, a expertise do ministro petista continua à disposição da companheirada para o que der e vier...
Tem gente no PT que acha que as revelações sobre o vale-tudo do partido e seus estratagemas para evitar a elucidação de tenebrosas transações são tudo “bobajada”. Não são. Novamente, está-se diante de uma escolha: de um lado, quem luta para preservar as instituições, o interesse do país; de outro, quem tudo teme, provavelmente porque muito deve. Este tempo de aloprações tem que acabar.
Poderia ser surpreende. Deveria ser de corar de vergonha. Mas, em se tratando do PT, não é. Trata-se apenas de mais uma história em que a estrutura oficial, mais especificamente órgãos abrigados no coração do poder em Brasília, é usada para perpetrar farsas, sempre na tentativa de prejudicar adversários e de corromper instituições da República.
Nas eleições de 2010, foi no mesmo Palácio do Planalto que Erenice Guerra, a substituta de Dilma na Casa Civil, colocou a turma dela para forjar dossiês que visavam atingir o presidente Fernando Henrique Cardoso. Flagrada, perdeu o cargo, mas não parou de circular pelos corredores de Brasília desfilando influência e facilidades.
Em 2006, aloprados comandados por Ricardo Berzoini, o mesmo que hoje chefia as Relações Institucionais de Dilma, tentaram atingir José Serra e Geraldo Alckmin, que então disputavam o governo de São Paulo e a presidência da República, respectivamente. Como se pode ver, a expertise do ministro petista continua à disposição da companheirada para o que der e vier...
Tem gente no PT que acha que as revelações sobre o vale-tudo do partido e seus estratagemas para evitar a elucidação de tenebrosas transações são tudo “bobajada”. Não são. Novamente, está-se diante de uma escolha: de um lado, quem luta para preservar as instituições, o interesse do país; de outro, quem tudo teme, provavelmente porque muito deve. Este tempo de aloprações tem que acabar.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Tudo junto e misturado
O estratagema governista para evitar que a CPI da Petrobras cumpra seu papel vai além de ensaiar perguntas de mentirinha e respostas combinadas. Inclui também treinar diretor demitido e usar instalações da própria empresa investigada para montar farsas. Para manter lacrada a caixa preta das negociatas da estatal, esta gente está sempre junta e misturada.
A revelação de que foram forjados depoimentos dados por ex e atuais executivos da Petrobras à CPI criada para investigar negócios nebulosos feitos pela companhia nos últimos anos – na maior parte dos quais Dilma Rousseff presidia seu conselho de administração – veio à tona neste fim de semana por intermédio da revista Veja.
Soube-se hoje que teve muito mais. Segundo O Estado de S. Paulo, as instalações da Petrobras em Brasília foram usadas para preparar a farsa. Reuniões foram promovidas no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, instalado no segundo andar do prédio da empresa na capital federal. Ali, só a alta cúpula da estatal tem acesso.
O chefe do departamento jurídico da Petrobras também integrou o grupo presente na reunião, formado ainda por outros dois funcionários da estatal e assessores da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e das lideranças do governo e do PT no Senado. O grupo estava mesmo disposto a partir “para cima”, conforme ordens de Lula dadas em abril...
A montagem do teatro da CPI também incluiu auxílio oficial para ex-dirigentes defenestrados da Petrobras, como Nestor Cerveró. O mesmo apontado pela presidente da República como responsável por relatórios “técnica e juridicamente falhos” que levaram a estatal ao ruinoso negócio em Pasadena: o pagamento de US$ 1,2 bilhão por uma refinaria que pouco antes valia US$ 42,5 milhões.
Segundo a Folha de S.Paulo, Cerveró, que levou sete anos para ser punido com demissão após os pareceres desastrosos que embasaram a compra da refinaria americana por valores multiplicados, recebeu treinamento patrocinado pela Petrobras antes de se submeter a depoimento na CPI do Senado, em 22 de maio. O que tanto temem?
O jogo na comissão era tão ensaiado que até as perguntas feitas pela bancada chapa-branca se repetiam, conforme apontou a assessoria da liderança do PSDB no Senado. Vai ficando cada vez mais claro o pavor do governo petista diante da possibilidade de a verdade sobre a Petrobras ver a luz do sol na CPI. Quem teme, deve.
A revelação de que foram forjados depoimentos dados por ex e atuais executivos da Petrobras à CPI criada para investigar negócios nebulosos feitos pela companhia nos últimos anos – na maior parte dos quais Dilma Rousseff presidia seu conselho de administração – veio à tona neste fim de semana por intermédio da revista Veja.
Soube-se hoje que teve muito mais. Segundo O Estado de S. Paulo, as instalações da Petrobras em Brasília foram usadas para preparar a farsa. Reuniões foram promovidas no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, instalado no segundo andar do prédio da empresa na capital federal. Ali, só a alta cúpula da estatal tem acesso.
O chefe do departamento jurídico da Petrobras também integrou o grupo presente na reunião, formado ainda por outros dois funcionários da estatal e assessores da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e das lideranças do governo e do PT no Senado. O grupo estava mesmo disposto a partir “para cima”, conforme ordens de Lula dadas em abril...
A montagem do teatro da CPI também incluiu auxílio oficial para ex-dirigentes defenestrados da Petrobras, como Nestor Cerveró. O mesmo apontado pela presidente da República como responsável por relatórios “técnica e juridicamente falhos” que levaram a estatal ao ruinoso negócio em Pasadena: o pagamento de US$ 1,2 bilhão por uma refinaria que pouco antes valia US$ 42,5 milhões.
Segundo a Folha de S.Paulo, Cerveró, que levou sete anos para ser punido com demissão após os pareceres desastrosos que embasaram a compra da refinaria americana por valores multiplicados, recebeu treinamento patrocinado pela Petrobras antes de se submeter a depoimento na CPI do Senado, em 22 de maio. O que tanto temem?
O jogo na comissão era tão ensaiado que até as perguntas feitas pela bancada chapa-branca se repetiam, conforme apontou a assessoria da liderança do PSDB no Senado. Vai ficando cada vez mais claro o pavor do governo petista diante da possibilidade de a verdade sobre a Petrobras ver a luz do sol na CPI. Quem teme, deve.
As novas revelações só reforçam a necessidade de ir mais fundo nas investigações, seja na CPI ou onde mais for. Até porque fica mais e mais evidente que o PT tem muito a esconder na Petrobras. Passa da hora de abrir a caixa preta da companhia. Até para evitar que os petistas que lá se aboletaram não afundem de vez nossa maior empresa.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Jogo combinado
Enquanto esteve na oposição, o PT transformou comissões parlamentares de inquérito numa potente arma de luta política. Mesmo com excessos, o partido integrou importantes investigações, como a que levou ao impeachment de Fernando Collor. No poder, a especialidade dos petistas tornou-se outra: desmoralizar este valioso instrumento da democracia e de fiscalização de atos do Executivo.
É o que se vê novamente agora na CPI da Petrobras em funcionamento no Senado. Em sua edição desta semana, a revista Veja revela que os depoimentos mais importantes, de ex e dos atuais principais executivos da empresa foram tudo jogo combinado. Perguntas e respostas foram previamente ensaiadas.
O petismo moveu gente graduada da Petrobras e do próprio governo para montar a farsa: dois funcionários da estatal, assessores da liderança do governo no Senado, da liderança do PT no Senado e da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (neste caso, nada muito surpreendente, em se tratando de pasta comandada por gente de notórias ligações alopradas...).
A artimanha é mais uma demonstração de que o governo petista tem muito a temer em relação à elucidação de descalabros envolvendo a Petrobras, em especial durante o período em que Dilma Rousseff presidiu seu conselho de administração. Foi a época em que pulularam as mais tenebrosas transações enredando a estatal.
A lista de negócios ruinosos é extensa. Nela, destacam-se a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e a construção de refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Uma, a preços muito acima do que valia; outra, a um custo que já se multiplicou por nove e sabe-se lá aonde vai parar. Há outros descalabros de menor monta, como em Okinawa, no Japão, e na Repar, no Paraná, mas igualmente deficitários.
Pelos prejuízos em Pasadena, 11 diretores da Petrobras foram condenados há duas semanas pelo TCU a devolver US$ 792 milhões aos cofres públicos. Assim como na ação forjada na CPI, soube-se que Lula e o ministro da Justiça moveram-se para atenuar as conclusões do tribunal e livrar Dilma da mesma punição imposta aos executivos da estatal à época em que ela comandava o conselho administrativo. Falsear é o modus operandi do PT.
O episódio envolvendo a manipulação de sessões da CPI da Petrobras demonstra, mais uma vez, o desapreço dos petistas por instituições caras à nossa democracia. É o vale-tudo desabrido para que o projeto de poder ainda em marcha se prolongue por mais quatro anos. Sem gabarito, esta gente não tem competência para nada. Sem ter como colar, não vão passar na prova das urnas em outubro. Têm ficha corrida suficiente para tomar bomba.
É o que se vê novamente agora na CPI da Petrobras em funcionamento no Senado. Em sua edição desta semana, a revista Veja revela que os depoimentos mais importantes, de ex e dos atuais principais executivos da empresa foram tudo jogo combinado. Perguntas e respostas foram previamente ensaiadas.
O petismo moveu gente graduada da Petrobras e do próprio governo para montar a farsa: dois funcionários da estatal, assessores da liderança do governo no Senado, da liderança do PT no Senado e da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (neste caso, nada muito surpreendente, em se tratando de pasta comandada por gente de notórias ligações alopradas...).
A artimanha é mais uma demonstração de que o governo petista tem muito a temer em relação à elucidação de descalabros envolvendo a Petrobras, em especial durante o período em que Dilma Rousseff presidiu seu conselho de administração. Foi a época em que pulularam as mais tenebrosas transações enredando a estatal.
A lista de negócios ruinosos é extensa. Nela, destacam-se a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e a construção de refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Uma, a preços muito acima do que valia; outra, a um custo que já se multiplicou por nove e sabe-se lá aonde vai parar. Há outros descalabros de menor monta, como em Okinawa, no Japão, e na Repar, no Paraná, mas igualmente deficitários.
Pelos prejuízos em Pasadena, 11 diretores da Petrobras foram condenados há duas semanas pelo TCU a devolver US$ 792 milhões aos cofres públicos. Assim como na ação forjada na CPI, soube-se que Lula e o ministro da Justiça moveram-se para atenuar as conclusões do tribunal e livrar Dilma da mesma punição imposta aos executivos da estatal à época em que ela comandava o conselho administrativo. Falsear é o modus operandi do PT.
O episódio envolvendo a manipulação de sessões da CPI da Petrobras demonstra, mais uma vez, o desapreço dos petistas por instituições caras à nossa democracia. É o vale-tudo desabrido para que o projeto de poder ainda em marcha se prolongue por mais quatro anos. Sem gabarito, esta gente não tem competência para nada. Sem ter como colar, não vão passar na prova das urnas em outubro. Têm ficha corrida suficiente para tomar bomba.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Uma nova chance para a Petrobras
A Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que o Congresso deve instalar hoje é mais
uma chance de tentar recuperar a maior empresa do país. Há razões de sobra para
uma investigação séria dos desmandos, dos equívocos e das falcatruas cometidas
dentro da Petrobras nos últimos anos por gente que se apossou da companhia para
parasitá-la.
Diferentemente do
que sustenta o governo, a cada dia que passa há mais, e não menos, motivos para
que funcione uma CPI séria no Congresso, sem os vícios das composições chapa
branca que o Palácio do Planalto quer impor à atividade parlamentar. Tem sido
assim, dia após dia, nas últimas semanas e meses.
Os descalabros na Petrobras
já vêm de anos, são revelados pela imprensa e denunciados pela oposição quase
cotidianamente. Mas as descobertas se acentuaram depois que a Polícia Federal
deflagrou a Operação Lava Jato, que investiga o funcionamento de um esquema que
pode ter desviado R$ 10 bilhões da estatal.
A operação foi detonada
em 17 de março. Desde então, há uma sucessão de más notícias e revelações
envolvendo a Petrobras, aumentando as suspeitas de malversação de recursos da
companhia, pagamentos de propinas, desmandos e má gestão na maior empresa
pública do país.
Mais: nenhuma novidade
que tenha vindo à tona desde então desabonou ou desautorizou a necessidade de
aprofundamento das investigações de negócios escusos envolvendo a Petrobras,
conforme pede a oposição. Pelo contrário.
Uma manifestação recente
resume o estado de coisas na Petrobras hoje: segundo documento
da PF, há “possível existência de uma organização criminosa no seio da empresa,
que atuaria desviando recursos com consequente remessa de valores ao exterior e
retorno do numerário via empresas offshore”.
Nestes dois meses e
pouco, soube-se do envolvimento de um ex-diretor da empresa em desvios
bilionários, em negociações tenebrosas e decisões temerárias: Paulo Roberto
Costa, que ocupou o cargo de 2004 a 2012, preso pela PF em março e solto na
semana passada por determinação do ministro Teori Zavascki. As suspeitas são de
crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, entre outros.
Algumas decisões de
Costa se deram ao léu do resto da diretoria e do conselho de administração da Petrobras;
outras, porém, contaram com a chancela oficial de ambos os órgãos, como foram
os casos da ruinosa compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e da construção
da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com custos multiplicados por dez.
Nestes dois meses e pouco,
também vieram a público as lambanças na construção da refinaria maranhense que
só tem terraplanagem, mas já consumiu R$ 1,6 bilhão; parlamentares (tanto
próceres do PT, quanto gente fora da base aliada) se viram envolvidos em
favores trocados com o doleiro Alberto Youssef; pipocaram denúncias contemplando pagamento de propinas em negócios da Petrobras.
Ou seja, há razões de
sobra para uma investigação séria, que o governo tenta de todo jeito impedir. A
desmoralização da CPI do Senado, com suas sessões entregues às moscas, serve ao
discurso oficial de desmerecer o ímpeto investigativo da oposição – como,
aliás, já tentou numa outra CPI sobre o mesmo assunto, em 2009.
A CPI Mista, com
deputados e senadores, é oportunidade de pôr ordem numa história que hoje ainda
se encontra dispersa. Os erros cometidos ao longo destes anos todos na
Petrobras não são esparsos, não são fortuitos, não são episódicos. São resultado
de uma estratégia equivocada traçada desde o governo Lula e mantida por Dilma. É
todo o conjunto da obra que é ruinoso. Não investigar é deixar a Petrobras transformar-se
em escombros.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Planejar é a alma do negócio
Um dos motes mais frequentes do discurso governista é dizer que hoje o país é mais bem administrado e próspero do que no passado. Por esta versão, as gestões petistas se especializaram em bem planejar, bem executar e produzir benefícios de montão para os cidadãos brasileiros. Alguém, com mínima isenção, é capaz de concordar?
No dia a dia, acumulam-se
os casos de má gestão, de desperdício de recursos públicos, de suspeitas de interesses
escusos pagos com dinheiro do contribuinte brasileiro. Para o PT, bom planejamento
deve ser isto: uma forma de produzir fontes caudalosas de receita para
financiar a perpetuação de seu projeto de poder.
Os exemplos
escabrosos se sucedem. A Petrobras comandada pelos petistas é uma fonte inesgotável
deles. Como se não bastassem os ruinosos negócios em que se meteu no exterior,
em especial em Pasadena e Okinawa, surgem agora também suspeitas envolvendo
refinarias menores na região Sul do país.
Segundo O Estado de S. Paulo, são “mini-Pasadenas”. Em dezembro de 2009, a
Petrobrás comprou 50% da usina de biocombustíveis de Marialva, no Paraná, por
R$ 55 milhões. Apenas dois meses antes, a mesma unidade fora adquirida inteirinha
por R$ 37 milhões pelo grupo privado que a revendeu à estatal. Ou seja,
trata-se de uma suspeita de sobrepreço de quase 200%.
Recorde-se o que
ocorreu em Pasadena, numa transação aprovada por Dilma Rousseff enquanto
presidia o conselho de administração da Petrobras. A empresa pagou US$ 1,2
bilhão – valor que, com gastos subsequentes, encostou depois em US$ 2 bilhões –
por uma refinaria que havia sido adquirida meses antes por um grupo belga por
US$ 42,5 milhões.
Mas, se há história
realmente cabeluda, é a que envolve a Abreu e Lima. Orçada inicialmente em R$ 4
bilhões, já tem seus custos beirando R$ 40 bilhões – e nenhuma gota de combustível
produzida até hoje. A operação tornou a refinaria a mais cara já feita em todo
o mundo, num exemplo eloquente de como funciona o bem planejar petista.
Com base nas atas das
reuniões do conselho de administração da empresa, até hoje inéditas, o Valor Econômico reconstruiu a trajetória do empreendimento, a temeridade das decisões
tomadas e o grau de improviso e malversação de dinheiro público que cerca o investimento
em marcha em Pernambuco.
Para começar, a obra
da refinaria foi iniciada sem que houvesse sequer um estudo de viabilidade
técnica. Um empréstimo de mais de R$ 10 bilhões foi tomado junto ao BNDES com
base apenas num “plano básico” de construção da refinaria, que previa a
participação dos bolivarianos da Venezuela como sócios – em 2013, eles
oficializaram o beiço e pularam fora do negócio de vez.
Em consequência,
foram feitos 150 termos aditivos aos contratos de construção da Abreu e Lima. Houve
casos em que contratos de mais de R$ 1 bilhão com uma única empresa – não por coincidência
enredada nas falcatruas investigadas na Operação Lava Jato da Polícia Federal –
foram aprovados de uma só tacada.
O mais estranho é
que, com tanta sujeira para investigar, a tropa de choque governista no Senado prefira
concentrar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito recém-instalada em
fatos que remontam há mais de uma década. Será esta a forma de bem planejar de
que o petismo tanto se orgulha?
A verdade é que quase
tudo no governo do PT recende a improviso, cheira a tramoia, transparece
desonestidade. Anteontem, Dilma Rousseff até ensaiou um mea culpa em relação a
outra das grosseiras barbeiragens das gestões petistas: a transposição do São
Francisco. Está devendo, contudo, uma confissão de culpa inteira pelo monte de
lambanças que seu partido comete no comando do país.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Enfim, a CPI da Petrobras
Falhou a tentativa
do PT e seus aliados no Congresso de melar o jogo e impedir a apuração dos escândalos
na Petrobras. Prevaleceu o direito previsto na Constituição de franquear à
minoria a possibilidade de investigar e fiscalizar os atos de governo. A decisão tomada ontem pela
ministra Rosa Weber é uma vitória da democracia.
De acordo com a liminar
concedida pela ministra do Supremo, a comissão parlamentar de inquérito proposta
há um mês pela oposição, sob a liderança do senador Aécio Neves, e referendada
por número mínimo de assinaturas necessárias deve ater-se exclusivamente à
estatal.
Na busca de
impedir qualquer investigação, o governo petista vinha tentando enfiar para
dentro da CPI da Petrobras assuntos diversos, que vão de denúncias sobre contratações
de obras de metrôs até suspeitas na construção de portos em Pernambuco. São temas
que até merecem apuração, mas cada um em sua própria comissão de inquérito.
Desde que os
partidos de oposição começaram a batalha pela instalação da CPI da Petrobras, não
veio à tona um só fato novo que contraditasse a iniciativa. Pelo contrário. Dia
após dia, surgem aos borbotões novos motivos para levar adiante uma
investigação séria que passe a companhia a limpo.
Nos últimos dias, soube-se,
por exemplo, que a refinaria de Pasadena consumiu mais dinheiro público do que
se dizia inicialmente. Custou US$ 1,25 bilhão, mas recebeu também outros US$
685 milhões em investimentos. Trocando em miúdos, isso representa rombo de
quase R$ 4,5 bilhões num negócio ainda mais ruinoso do que se imaginava até agora.
O valor lançado pela
Petrobras em seus balanços como prejuízo pelo mau negócio de Pasadena,
inicialmente estimado em US$ 217 milhões, mais que dobrou, para US$ 530
milhões. Tudo isso foi revelado pela atual presidente da empresa, Graça Foster,
em depoimento no Senado há dez dias.
Além disso, ex-dirigentes
da Petrobras contradisseram a presidente da República ao defender o negócio e
minimizarem as falhas na documentação que embasou o processo decisório que
levou a estatal a pagar por Pasadena quase 30 vezes mais que o valor pelo qual
a refinaria fora adquirida por sua sócia belga pouco tempo antes.
Ex-presidente da
companhia, José Sérgio Gabrielli foi ainda mais longe e chamou Dilma Rousseff a
assumir suas responsabilidades nos negócios ruinosos que a Petrobras cometeu
enquanto a hoje presidente da República – então ministra de Minas e Energia e, posteriormente,
da Casa Civil – comandava o conselho de administração da empresa.
Mas a série de
descalabros envolvendo a Petrobras parece não ter fim. Hoje, O Globo revela que um saque de módicos US$ 10 milhões foi feito no caixa
da refinaria de Pasadena sem qualquer autorização ou registro formal. Como quem
vai ao caixa eletrônico tirar um trocado para a feira, o dinheiro evaporou.
O montante – que,
vale comparar, equivale a cerca de ¼ do que a Astra, a sócia belga da Petrobras,
pagara pela planta do Texas – foi retirado da conta da refinaria em fevereiro
de 2010 junto a uma corretora que entrou com pedido de falência em 2011. O saque
foi autorizado por mera comunicação verbal. Mais que isso, ninguém sabe, ninguém
viu: a auditoria interna que investiga o caso não detalha quem fez o saque,
qual destino ou finalidade do dinheiro.
Casos assim ilustram
como recursos públicos são tratados como troco pelo governo petista. Milhões –
de reais, de dólares, de euros, de ienes – dançam para lá e para cá, trocam de mão
como se fossem propriedade privada ou direito de algum partido. Fala-se de bilhões
como se se falasse em migalhas.
Como a decisão de
Rosa Weber foi dada em caráter liminar, ou seja, pode ser alterada pelo
plenário do Supremo, ainda é possível que o governo lance mão de medidas
protelatórias para tentar evitar o início dos trabalhos da CPI da Petrobras.
Mas está próximo o dia em que a triste rotina de escândalos cometidos pelos
petistas incrustrados na estatal será passada a limpo. Assim como se aproxima o
dia em que estes descalabros chegarão a um fim.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
O capitão do time do vale-tudo
Até aqui o PT e seus
aliados se valiam de ardis e manobras regimentais para tentar impedir a
apuração de malfeitos que pipocam no governo e, mais especificamente, na Petrobras.
Agora a estratégia ficou mais explícita e ganhou cara: o capitão do time do
vale-tudo veio a público dizer que ao petismo não interessa apurar nada. O que
interessa é só preservar o poder e manter a máquina de alimentar a corrupção
funcionando.
Luiz Inácio Lula da
Silva deu ontem extensa entrevista a jornalistas amigos do PT para passar instruções
ao time do vale-tudo. Para ele, “é preciso ir para cima” e “defender com unhas
e dentes” as ações do governo, os atos de sua gestão e os da presidente Dilma Rousseff.
Caberia muito bem ter acrescentado: e sem nenhum escrúpulo ou preocupação com o
interesse nacional. Ele não disse, mas o sentido das instruções do capitão é
este.
Lula vocaliza com
suas próprias palavras as mesmas diretrizes – ou melhor seria dizer “ordens”? –
dadas a sua tutelada, a presidente Dilma Rousseff, em reunião no último sábado.
Disciplinada discípula, a petista saiu anteontem mesmo cumprindo as orientações do tutor e acusando a oposição, durante ato que deveria ser meramente
administrativo, mas foi novamente transformado em palanque, em Contagem (MG).
O ex-presidente comparou
os riscos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os escândalos
envolvendo a Petrobras, em especial a ruinosa compra da refinaria de Pasadena,
com as consequências da investigação que resultou na descoberta do mensalão. Se
são parecidos, mais necessária ainda se faz a apuração. Se são parecidos, é
porque há coisa grande a descobrir. O que o capitão e seu time querem esconder?
O medo da luz do sol
é gigantesco, a julgar pelos mundos que o PT e seus aliados estão movendo para
impedir que a CPI aconteça. Manobras regimentais, nomeação de relatores amigos,
ardis imorais, tudo tem sido feito para barrar a apuração pedida pela sociedade
e apoiada pelo número mínimo de apoios regimentalmente exigido pelos estatutos do
Congresso para funcionar.
Contra as evidências
de corrupção que dia após dia vêm à tona, o governo petista trabalha para melar
o jogo, insistindo numa CPI cujo pretexto é investigar tudo para não investigar
nada. A oposição resiste a este rolo compressor, insiste no esclarecimento dos malfeitos
e ontem foi ao Supremo Tribunal Federal com mandato de segurança e pedido de
liminar para tentar garantir o direito constitucional da minoria de fiscalizar
as ações de governo.
É clara a diferença
de orientação entre as duas estratégias. Enquanto a oposição recorre às
instituições, a princípios legais e a direitos constitucionais, o governo e sua
base lançam mão de estratagemas de submundo, de palavras de ordem e da
artilharia pesada que alimenta a máquina de destruir reputações que o PT
movimenta na internet. Foram instruções como estas que Lula reforçou ontem a
seu time.
Os meios empregados
pelo capitão são conhecidos e Lula não se furtou a, mais uma vez, explicitá-los
na entrevista que concedeu aos blogueiros amigos : “Temos que retomar com muita
força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país”, instruiu o
tutor de Dilma, conforme destacou a Folha de S.Paulo. Em palavras mais simples: o sonho do capitão, apoiado por
seu time, é que só o que convém ao petismo venha a público. Censura, pois.
O capitão do time do
vale-tudo voltou com força total. A dúvida que fica no ar – e à qual Lula possivelmente
não gostaria de responder, nem seus jornalistas amigos perguntaram – é: o que ele,
a presidente Dilma Rousseff e o PT tanto temem? Por que tanta resistência a
permitir que a sociedade, por meio de uma CPI no Congresso, passe seus governos
a limpo? O que eles querem tanto que permaneça escondido? Fala mais, Lula!
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