A recessão promovida pelo PT não implodiu apenas as condições econômicas do país. Levou embora também as perspectivas de ascensão de milhões de famílias que viram seu padrão de vida despencar junto com a retração do emprego, da renda e do poder de consumo.
Um de cada quatro brasileiros vive hoje na pobreza. São 52 milhões de pessoas cuja renda mensal é inferior a cerca de R$ 387 – US$ 5,50 por dia, segundo padrão global adotado pelo Banco Mundial. O percentual dos que estão na pobreza extrema, nível mais baixo da pirâmide social, chega a 6,5% da população. São 13,3 milhões, de acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais de 2016, divulgada pelo IBGE na sexta-feira.
Como seria de se esperar, a pobreza aumentou – e muito – no país com a recessão. Menos emprego, inflação mais alta, rendimentos menores afetaram para pior as condições de vida dos brasileiros.
A partir dos dados do IBGE, o Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) estimou que 9 milhões de brasileiros foram empurrados para baixo da linha da pobreza a partir de 2014, como informa o Valor Econômico em sua edição de hoje. Destes, 5,4 milhões tornaram-se miseráveis.
Desde o início da crise, a extrema pobreza subiu de 4% para 6,5% da população, maior percentual desde 2007. A proporção de pobreza “moderada” saiu de 22% para 25,4%, mais alta desde 2011.
Vista nos detalhes, a desigualdade tem feições ainda mais perversas. Metade das nossas crianças e adolescentes encontram-se em condição de pobreza. A proporção de pobres supera 43% nos estados de Norte e Nordeste do país, bem acima, portanto, dos 25% da média nacional. Mais da metade dos brasileiros extremamente pobres concentram-se no Nordeste.
A recessão petista também aumentou o contingente de jovens brasileiros sem futuro. São os chamados “nem-nem”, aqueles que, com idade entre 16 e 29 anos, nem estudam nem trabalham. Em 2016, um em cada quatro das pessoas desta faixa etária (25,8%) estava nesta condição.
Neste país extremamente desigual, as possibilidades de ascensão social também são muito restritas, o destino dos filhos costuma não diferir muito do dos pais (tanto na base quanto no topo da escala) e a educação ainda não consegue gerar maiores oportunidades para que o atraso seja finalmente superado pelas novas gerações.
Ao contrário do que costuma dizer o discurso petista, o padrão de crescimento experimentado pelo país no boom recente, que perdurou entre 2003 e 2014, não colaborou para enfrentar as iniquidades do país.
“O país não se industrializou, e as vaga ofertadas ainda são de baixa qualificação e reduzida remuneração. Esse crescimento econômico de baixo rendimento, fruto da falta de modernização, limita a mobilidade”, afirmou um professor ouvido pelo Globo.
A saída para este quadro desalentador é uma só: crescimento econômico. Tanto que, mesmo tímida, a retomada verificada neste ano de 2017 já foi suficiente para retirar 1,1 milhão de brasileiros da condição de pobreza, segundo Marcelo Néri, da FGV. A cadeia de efeitos positivos passa pela reativação dos empregos e pela manutenção da inflação em patamares baixos, como está.
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017
sábado, 3 de junho de 2017
Ao PT o que é do PT
O ceticismo em torno do fim da recessão é salutar e profilático. Ajuda a ressaltar os gigantescos desafios e dificuldades que o país ainda precisará superar para que a retomada do crescimento se torne de fato realidade. Colabora para enfatizar o tamanho do estrago que decisões equivocadas e uma política econômica ruinosa são capazes de produzir.
A alta de 1% registrada no primeiro trimestre é insuficiente para compensar o recuo que, pelos critérios da FGV, começou no segundo trimestre de 2014 e levou a atividade econômica nacional ao nível em que estava em fins de 2010. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB mantém-se negativo (-0,4%), deixando o Brasil ainda na lanterna dos rankings globais de crescimento.
Também por isso, o primeiro crescimento da produção depois de oito quedas trimestrais consecutivas, conforme série do IBGE, ainda não se mostra capaz de animar as apostas em torno da superação definitiva do maior e mais prolongado período recessivo vivido pela atividade econômica no Brasil. O caminho até o éden revela-se longo, esburacado, cheio de curvas, sujeito a chuvas e muitas trovoadas. Como e quando chegaremos lá?
Dois setores estão se apresentando como motores de uma arrancada adiante: a agropecuária e as exportações. Eles representam um Brasil possível, mas que ainda não se tornou predominante: dinâmico, altamente produtivo, com reconhecida capacidade de competir globalmente e menos dependente da mãozinha do Estado. São amostras do que podemos ser, microcosmos daquilo que ainda não somos.
Durante os últimos anos em que ainda havia crescimento no país, não coube nem ao campo nem ao comércio exterior papéis de protagonistas. Quem puxou o PIB naquele breve interregno de altas foi, sobretudo, o consumo – das famílias e do governo. Antes, como agora, os investimentos foram meros coadjuvantes.
Vistos em conjunto, esses componentes do PIB, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda, contam uma história. Mostram que a bonança que nos premiou na década passada foi consumida em si mesma. As sementes que poderiam fazer germinar a economia do amanhã não foram plantadas. As árvores que então frutificavam ficaram sem rega e adubo. A lavoura, então, murchou.
Esta é possivelmente uma imagem fiel da economia brasileira sob os anos de gestão do PT: uma vistosa plantação devastada por nuvens de gafanhotos, observada à distância pelo fazendeiro bonachão que se fartava nos exageros do consumo, desdenhava de precauções e não estava nem aí para o futuro. Não deu outra: a terra restou arrasada, quase um deserto desolado.
Vai levar tempo até esse solo exaurido pela irresponsabilidade voltar a brotar. Pode ser mais longo ou mais curto, a depender dos esforços de quem se dispuser a lavrar o chão ressecado, semear a terra e trabalhar de sol a sol para tratar os frutos, que, não duvidemos, demorarão a despontar. Em suma, depende de reformar o que errado e alquebrado está.
Pode ser mais difícil se a gritaria daqueles mesmos bonachões que ajudaram a praga a se espalhar – sim, mesmo com a destruição que promoveram, eles ainda estão por aí, livres, soltos e falastrões – se fizer ouvir e voltar a ganhar adeptos, espaço e poder.
Em termos mais diretos, os brasileiros amargam as consequências do que o PT fez ao país. Sofrem com os descaminhos de políticas postas em prática por Lula e Dilma e turbinadas por equipes ministeriais que dividiam seus expedientes entre a gestão da economia e a operação de balcões da corrupção. Pagam o preço dessa ruína.
Para ressuscitar, a economia brasileira terá de matar esse legado e fazer nascer um novo modelo. Por menos que isso, a crise não irá embora, até porque milagres só operam em outras dimensões... Não se destrói um país impunemente. Não se supera uma herança tão maldita senão com muito trabalho, esforço e tempo, muito tempo. Ao PT o que é do PT: todos os créditos pela devastação que, com tanta competência, conseguiu produzir.
A alta de 1% registrada no primeiro trimestre é insuficiente para compensar o recuo que, pelos critérios da FGV, começou no segundo trimestre de 2014 e levou a atividade econômica nacional ao nível em que estava em fins de 2010. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB mantém-se negativo (-0,4%), deixando o Brasil ainda na lanterna dos rankings globais de crescimento.
Também por isso, o primeiro crescimento da produção depois de oito quedas trimestrais consecutivas, conforme série do IBGE, ainda não se mostra capaz de animar as apostas em torno da superação definitiva do maior e mais prolongado período recessivo vivido pela atividade econômica no Brasil. O caminho até o éden revela-se longo, esburacado, cheio de curvas, sujeito a chuvas e muitas trovoadas. Como e quando chegaremos lá?
Dois setores estão se apresentando como motores de uma arrancada adiante: a agropecuária e as exportações. Eles representam um Brasil possível, mas que ainda não se tornou predominante: dinâmico, altamente produtivo, com reconhecida capacidade de competir globalmente e menos dependente da mãozinha do Estado. São amostras do que podemos ser, microcosmos daquilo que ainda não somos.
Durante os últimos anos em que ainda havia crescimento no país, não coube nem ao campo nem ao comércio exterior papéis de protagonistas. Quem puxou o PIB naquele breve interregno de altas foi, sobretudo, o consumo – das famílias e do governo. Antes, como agora, os investimentos foram meros coadjuvantes.
Vistos em conjunto, esses componentes do PIB, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda, contam uma história. Mostram que a bonança que nos premiou na década passada foi consumida em si mesma. As sementes que poderiam fazer germinar a economia do amanhã não foram plantadas. As árvores que então frutificavam ficaram sem rega e adubo. A lavoura, então, murchou.
Esta é possivelmente uma imagem fiel da economia brasileira sob os anos de gestão do PT: uma vistosa plantação devastada por nuvens de gafanhotos, observada à distância pelo fazendeiro bonachão que se fartava nos exageros do consumo, desdenhava de precauções e não estava nem aí para o futuro. Não deu outra: a terra restou arrasada, quase um deserto desolado.
Vai levar tempo até esse solo exaurido pela irresponsabilidade voltar a brotar. Pode ser mais longo ou mais curto, a depender dos esforços de quem se dispuser a lavrar o chão ressecado, semear a terra e trabalhar de sol a sol para tratar os frutos, que, não duvidemos, demorarão a despontar. Em suma, depende de reformar o que errado e alquebrado está.
Pode ser mais difícil se a gritaria daqueles mesmos bonachões que ajudaram a praga a se espalhar – sim, mesmo com a destruição que promoveram, eles ainda estão por aí, livres, soltos e falastrões – se fizer ouvir e voltar a ganhar adeptos, espaço e poder.
Em termos mais diretos, os brasileiros amargam as consequências do que o PT fez ao país. Sofrem com os descaminhos de políticas postas em prática por Lula e Dilma e turbinadas por equipes ministeriais que dividiam seus expedientes entre a gestão da economia e a operação de balcões da corrupção. Pagam o preço dessa ruína.
Para ressuscitar, a economia brasileira terá de matar esse legado e fazer nascer um novo modelo. Por menos que isso, a crise não irá embora, até porque milagres só operam em outras dimensões... Não se destrói um país impunemente. Não se supera uma herança tão maldita senão com muito trabalho, esforço e tempo, muito tempo. Ao PT o que é do PT: todos os créditos pela devastação que, com tanta competência, conseguiu produzir.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Ainda devagar, quase parado
Mesmo com a mudança de perspectivas do país, as dificuldades da economia brasileira permanecem. São sinais de que os estragos promovidos nos últimos anos foram mais profundos do que se poderia imaginar. Indicam, também, que a disposição para reformar o Estado terá que ser redobrada.
Os ventos positivos advindos da ascensão do governo Michel Temer levaram alguns a crer que a simples melhora de expectativas seria capaz de tirar o Brasil da trajetória recessiva e recolocá-lo de volta na rota do crescimento. Doce ilusão. O panorama melhorou, mas não o suficiente (ainda) para recuperar os bons ventos.
Nas últimas semanas, alguns indicadores vieram à tona sinalizando que apenas em meados do ano que vem, na melhor das hipóteses, a viagem ao fundo do poço deverá ser interrompida. Neste ínterim, o país terá de promover mudanças importantes na sua estrutura de gastos e de produção para impulsionar a decolagem quando ela vier.
A indústria, por exemplo, já voltou a patinar. Em agosto, houve queda de 3,8% frente ao mês anterior, interrompendo cinco meses consecutivos de altas nesta base de comparação, segundo o IBGE. Com isso, torna a ficar comprometido um dos motores que vem dando alento ao comércio internacional brasileiro.
O mercado de trabalho ainda está longe, muito longe, de voltar a gerar vagas. Por enquanto, a razia de empregos continua a pleno vapor, com 22,7 milhões de brasileiros penalizados pela falta de trabalho, conforme o novo conceito empregado pelo IBGE para aferir o comportamento das contratações.
A inflação até deu refresco, mas não foi capaz por ora de aliviar a carga sobre o bolso dos consumidores. O indicador referente às vendas de varejo assinalou em agosto a 17ª baixa seguida quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, também de acordo com o IBGE. Com o dinheiro mais curto, as compras não param de encolher.
Resta claro que houve uma dissonância entre a melhora das expectativas de parte dos agentes e a reação efetiva da economia. Fica evidente que a destruição das condições de produção e geração de emprego e renda no país pelos governos petistas foi mais severa do que se podia antever.
A situação não inspira desânimo, contudo. Cobra ímpeto. A correção de rumos vem sendo feita, mas pode ser acelerada, a partir da aprovação da PEC da responsabilidade pelo Congresso. O passo seguinte é reformar a Previdência, fonte de desequilíbrios cada vez mais perniciosos aos caixas tanto da União, quanto dos estados.
Mas tão urgente quanto aliviar o Estado é atrair o investimento privado de volta ao jogo, no momento em que o público desce a níveis históricos, como mostra o Valor Econômico em sua edição de hoje. A reconstrução da infraestrutura nacional tem o condão de ser excelente oportunidade para dinamizar a economia e, ao mesmo tempo, acabar com entraves que bloqueiam o melhor desenvolvimento do país. Mãos à obra, portanto.
Os ventos positivos advindos da ascensão do governo Michel Temer levaram alguns a crer que a simples melhora de expectativas seria capaz de tirar o Brasil da trajetória recessiva e recolocá-lo de volta na rota do crescimento. Doce ilusão. O panorama melhorou, mas não o suficiente (ainda) para recuperar os bons ventos.
Nas últimas semanas, alguns indicadores vieram à tona sinalizando que apenas em meados do ano que vem, na melhor das hipóteses, a viagem ao fundo do poço deverá ser interrompida. Neste ínterim, o país terá de promover mudanças importantes na sua estrutura de gastos e de produção para impulsionar a decolagem quando ela vier.
A indústria, por exemplo, já voltou a patinar. Em agosto, houve queda de 3,8% frente ao mês anterior, interrompendo cinco meses consecutivos de altas nesta base de comparação, segundo o IBGE. Com isso, torna a ficar comprometido um dos motores que vem dando alento ao comércio internacional brasileiro.
O mercado de trabalho ainda está longe, muito longe, de voltar a gerar vagas. Por enquanto, a razia de empregos continua a pleno vapor, com 22,7 milhões de brasileiros penalizados pela falta de trabalho, conforme o novo conceito empregado pelo IBGE para aferir o comportamento das contratações.
A inflação até deu refresco, mas não foi capaz por ora de aliviar a carga sobre o bolso dos consumidores. O indicador referente às vendas de varejo assinalou em agosto a 17ª baixa seguida quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, também de acordo com o IBGE. Com o dinheiro mais curto, as compras não param de encolher.
Resta claro que houve uma dissonância entre a melhora das expectativas de parte dos agentes e a reação efetiva da economia. Fica evidente que a destruição das condições de produção e geração de emprego e renda no país pelos governos petistas foi mais severa do que se podia antever.
A situação não inspira desânimo, contudo. Cobra ímpeto. A correção de rumos vem sendo feita, mas pode ser acelerada, a partir da aprovação da PEC da responsabilidade pelo Congresso. O passo seguinte é reformar a Previdência, fonte de desequilíbrios cada vez mais perniciosos aos caixas tanto da União, quanto dos estados.
Mas tão urgente quanto aliviar o Estado é atrair o investimento privado de volta ao jogo, no momento em que o público desce a níveis históricos, como mostra o Valor Econômico em sua edição de hoje. A reconstrução da infraestrutura nacional tem o condão de ser excelente oportunidade para dinamizar a economia e, ao mesmo tempo, acabar com entraves que bloqueiam o melhor desenvolvimento do país. Mãos à obra, portanto.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Tempo perdido
Ninguém precisa de muitas estatísticas para perceber que a economia do país entrou num buraco bastante profundo de onde demorará muito a sair. Mas as dificuldades cotidianas nem sempre permitem visualizar a exata dimensão da crise. Observada de perto, a recessão revela-se muito mais drástica.
A dureza do retrocesso pode ser medida na forma de anos perdidos na economia, de empobrecimento geral da população ou de encolhimento do mercado, em especial o de trabalho. Em todos os casos, o estrago não encontra paralelo na história recente do país. É obra com o selo de qualidade do PT.
Um exercício interessante para aquilatar o tamanho da crise foi feito pela consultoria NeoValue e divulgado nesta semana por O Estado de S. Paulo. O levantamento mostra que, confirmados os atuais prognósticos para o desempenho do país nos próximos anos, só no último ano desta década a economia brasileira retornará aos níveis de 2013.
Isso significa que atravessaremos período correspondente a praticamente dois mandatos presidenciais apenas para recuperar o que o desastre patrocinado pela política econômica petista produziu nos últimos anos. É muito tempo perdido.
Anteontem, o governo tornou oficial a debacle econômica e passou a trabalhar formalmente com a hipótese de que o PIB cairá 2,8% neste ano. Ainda assim, é mais otimista do que projeções de mercado colhidas semanalmente pelo Banco Central ou feitas por instituições como o FMI. Para 2016, a estimativa corrente é de nova queda, de 1,4%.
Isso significa que, no ano que vem, o Brasil deverá atingir o fundo do poço – oxalá, não descubramos daqui a alguns meses que o buraco é ainda mais embaixo... Seguindo a mesma lógica usada pela consultoria, ao final de 2016 estaremos no mesmo nível em que estávamos em 2011. Não há prova mais cabal de que a política econômica adotada desde então é um fracasso total.
Se os números gerais são ruins, vistos sob a ótica individual são piores ainda. O chamado PIB per capita, ou seja, a divisão dos bens e serviços pelo número de habitantes do país, deverá ter queda bem maior. Em dólar, a baixa será de 50% até o fim deste ano na comparação com 2011: de quase US$ 16 mil para menos de US$ 8 mil, conforme cálculos da MB Associados publicados no mês passado pela Folha de S.Paulo.
Para completar o estrago, o custo maior da crise recai sobre o mercado de trabalho. Desde a reeleição de Dilma, 1,2 milhão de empregos já foram dizimados no país – a média é de mais de 3 mil vagas fechadas por dia. Estima-se que, apenas no triênio 2014-2016, até 5 milhões de postos de trabalho desapareçam. Se o conjunto da obra já é muito ruim, seus detalhes são ainda mais assustadores. É vida que se perde, é o presente e o futuro do país sendo desperdiçados.
A dureza do retrocesso pode ser medida na forma de anos perdidos na economia, de empobrecimento geral da população ou de encolhimento do mercado, em especial o de trabalho. Em todos os casos, o estrago não encontra paralelo na história recente do país. É obra com o selo de qualidade do PT.
Um exercício interessante para aquilatar o tamanho da crise foi feito pela consultoria NeoValue e divulgado nesta semana por O Estado de S. Paulo. O levantamento mostra que, confirmados os atuais prognósticos para o desempenho do país nos próximos anos, só no último ano desta década a economia brasileira retornará aos níveis de 2013.
Isso significa que atravessaremos período correspondente a praticamente dois mandatos presidenciais apenas para recuperar o que o desastre patrocinado pela política econômica petista produziu nos últimos anos. É muito tempo perdido.
Anteontem, o governo tornou oficial a debacle econômica e passou a trabalhar formalmente com a hipótese de que o PIB cairá 2,8% neste ano. Ainda assim, é mais otimista do que projeções de mercado colhidas semanalmente pelo Banco Central ou feitas por instituições como o FMI. Para 2016, a estimativa corrente é de nova queda, de 1,4%.
Isso significa que, no ano que vem, o Brasil deverá atingir o fundo do poço – oxalá, não descubramos daqui a alguns meses que o buraco é ainda mais embaixo... Seguindo a mesma lógica usada pela consultoria, ao final de 2016 estaremos no mesmo nível em que estávamos em 2011. Não há prova mais cabal de que a política econômica adotada desde então é um fracasso total.
Se os números gerais são ruins, vistos sob a ótica individual são piores ainda. O chamado PIB per capita, ou seja, a divisão dos bens e serviços pelo número de habitantes do país, deverá ter queda bem maior. Em dólar, a baixa será de 50% até o fim deste ano na comparação com 2011: de quase US$ 16 mil para menos de US$ 8 mil, conforme cálculos da MB Associados publicados no mês passado pela Folha de S.Paulo.
Para completar o estrago, o custo maior da crise recai sobre o mercado de trabalho. Desde a reeleição de Dilma, 1,2 milhão de empregos já foram dizimados no país – a média é de mais de 3 mil vagas fechadas por dia. Estima-se que, apenas no triênio 2014-2016, até 5 milhões de postos de trabalho desapareçam. Se o conjunto da obra já é muito ruim, seus detalhes são ainda mais assustadores. É vida que se perde, é o presente e o futuro do país sendo desperdiçados.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Dilma faz história
Durante muito tempo, o que mais se ouviu do governo petista foi que “nunca antes na história” o país conquistara tantos avanços. Não é difícil perceber que quase tudo aquilo era falacioso. Na realidade, primeiro com Lula e depois com Dilma, o partido se especializou em escrever páginas deploráveis da trajetória brasileira. A presidente e o PT entrarão de fato para a história, mas pela porta dos fundos.
Praticamente todos os dias, o governo da presidente ganha um novo epíteto, sempre negativo. É aquele que patrocina a maior inflação dos últimos 12 anos, o que inspira o maior desalento deste século, o que assiste à maior incidência de doenças, como a dengue, em quase 30 anos.
Dilma também faz história ao emparedar seu nome ao de outros governos e governantes de triste memória e de amargas lembranças. Na economia, por exemplo, a petista está conduzindo o país a, pelo menos, dois anos seguidos de queda do PIB – que devem chegar a 3% em 2015 e a 1% em 2016, segundo o FMI.
Será a primeira vez que teremos uma recessão tão duradoura desde o crash de 1930, a maior crise da economia mundial, ocorrida ainda no governo provisório de Getulio Vargas. Em profundidade, a queda na economia é a maior desde o governo de Fernando Collor de Mello. O brasileiro ficará mais pobre: o PIB por habitante deve cair mais de 7% entre 2014 e 2016.
Na semana passada, Dilma também se tornou a primeira presidente da República desde Vargas a ter as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União. Com isso, também pode se transformar, ao lado de Collor, num dos únicos mandatários do país a ter o mandato cassado pela prática de crime de responsabilidade.
O caminho do impeachment foi aberto pela constatação, pelo TCU, de que Dilma feriu a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a lei orçamentária ao tratar a contabilidade do país como conta de quitanda, com o intuito evidente de facilitar seu desempenho em busca de um segundo mandato presidencial.
A prática delituosa, contudo, tem sido contumaz. Na sexta-feira, o Ministério Público que atua junto ao TCU identificou novas pedaladas fiscais – ou seja, uso de bancos públicos para cobrir despesas do governo com programas de sua responsabilidade – também no ano corrente. São mais de R$ 40 bilhões em atrasos, mais até do que o contabilizado em 2014.
Nesta semana, a Câmara dos Deputados começa a definir o futuro de Dilma Rousseff, com a apreciação do pedido de impeachment da petista protocolado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. A ficha corrida da presidente é mais que suficiente para justificar a interrupção de seu mandato, obtido de maneira irregular, numa gestão cotidianamente eivada de ilegalidades. A hora é de o Congresso brasileiro fazer história, a boa história.
Praticamente todos os dias, o governo da presidente ganha um novo epíteto, sempre negativo. É aquele que patrocina a maior inflação dos últimos 12 anos, o que inspira o maior desalento deste século, o que assiste à maior incidência de doenças, como a dengue, em quase 30 anos.
Dilma também faz história ao emparedar seu nome ao de outros governos e governantes de triste memória e de amargas lembranças. Na economia, por exemplo, a petista está conduzindo o país a, pelo menos, dois anos seguidos de queda do PIB – que devem chegar a 3% em 2015 e a 1% em 2016, segundo o FMI.
Será a primeira vez que teremos uma recessão tão duradoura desde o crash de 1930, a maior crise da economia mundial, ocorrida ainda no governo provisório de Getulio Vargas. Em profundidade, a queda na economia é a maior desde o governo de Fernando Collor de Mello. O brasileiro ficará mais pobre: o PIB por habitante deve cair mais de 7% entre 2014 e 2016.
Na semana passada, Dilma também se tornou a primeira presidente da República desde Vargas a ter as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União. Com isso, também pode se transformar, ao lado de Collor, num dos únicos mandatários do país a ter o mandato cassado pela prática de crime de responsabilidade.
O caminho do impeachment foi aberto pela constatação, pelo TCU, de que Dilma feriu a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a lei orçamentária ao tratar a contabilidade do país como conta de quitanda, com o intuito evidente de facilitar seu desempenho em busca de um segundo mandato presidencial.
A prática delituosa, contudo, tem sido contumaz. Na sexta-feira, o Ministério Público que atua junto ao TCU identificou novas pedaladas fiscais – ou seja, uso de bancos públicos para cobrir despesas do governo com programas de sua responsabilidade – também no ano corrente. São mais de R$ 40 bilhões em atrasos, mais até do que o contabilizado em 2014.
Nesta semana, a Câmara dos Deputados começa a definir o futuro de Dilma Rousseff, com a apreciação do pedido de impeachment da petista protocolado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. A ficha corrida da presidente é mais que suficiente para justificar a interrupção de seu mandato, obtido de maneira irregular, numa gestão cotidianamente eivada de ilegalidades. A hora é de o Congresso brasileiro fazer história, a boa história.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Crise de proporções industriais
O fracasso amplo, geral e irrestrito do governo Dilma Rousseff acaba de ser atestado, mais uma vez, com os números desastrosos do desempenho da indústria nacional. A crise no setor é cada vez mais aguda, a despeito de inúmeras iniciativas – todas inteiramente mal sucedidas – empreendidas pela gestão do PT nos últimos anos.
Junho registrou mais uma queda (-0,3%) na produção industrial, a 16ª seguida. Com baixa de 6,3%, o primeiro semestre foi o pior desde 2009. Destaque para a retração de 20% na produção de bens de capitais – o que indica pouca disposição dos empresários em investir no aumento da capacidade de produção – e de 14,6% na fabricação de bens de consumo duráveis – que sugere que o dinheiro está curto no bolso dos consumidores.
Ambas sinalizam menor potencial de crescimento da economia; ambas demonstram falta de confiança na recuperação do país. A queda da atividade no semestre foi generalizada, atingindo 24 dos 26 setores pesquisados pelo IBGE e 70% dos produtos acompanhados. De janeiro até maio, 105 mil empregos foram eliminados no setor.
É o retrato pronto e acabado do fracasso das seguidas medidas que o governo petista tomou para incentivar o setor secundário da economia. Deram em nada, exceto em torrar dinheiro do contribuinte para atender alguns poucos amigos do rei e em criar distorções ainda maiores no mercado, que prejudicam a competição e penalizam o consumidor.
Nos quatro primeiros anos do governo Dilma, a indústria registrou duas altas anuais (0,4% em 2011 e 2,1% em 2013) e duas quedas (-2,3% em 2012 e -3,1% em 2014). Na soma, encolheu e produz hoje 10% menos do que produzia em 2008. O segmento de transformação, mais dinâmico e modernizador, equivale agora a cerca de 10% do PIB, ante quase 20% há duas décadas. E continua a diminuir.
A expressiva elevação dos custos, na esteira do aumento de impostos e da tarifa de energia, o arrocho dos juros, a incerteza no cenário político e econômico e a deterioração do mercado de trabalho não deixam dúvida: a indústria vai continuar na pior. “2015 será um dos piores anos da indústria brasileira, mais grave que a crise de 2009”, analisa o Iedi.
É caro produzir no Brasil, as condições de infraestrutura não ajudam, a burocracia enlouquece qualquer um e, com seu intervencionismo excessivo, o Estado dá um jeito de sufocar o resto de ímpeto que ainda possa existir nos investidores. Além disso, a produção nacional não se beneficia de acordos globais e perde o bonde da competitividade – crescente, o déficit na balança de manufaturados chegou a US$ 110 bilhões em 2014.
O comportamento da indústria ilustra o buraco sem fundo em que a economia brasileira se encontra, jogada pelo PT. O país vive uma recessão que começou, segundo critérios técnicos da FGV, no segundo trimestre de 2014 e tende a durar pelo menos até o fim deste ano. É o mais duradouro ciclo de baixa desde 1999 e a pior retração desde Fernando Collor. É, portanto, uma crise de proporções industriais.
Junho registrou mais uma queda (-0,3%) na produção industrial, a 16ª seguida. Com baixa de 6,3%, o primeiro semestre foi o pior desde 2009. Destaque para a retração de 20% na produção de bens de capitais – o que indica pouca disposição dos empresários em investir no aumento da capacidade de produção – e de 14,6% na fabricação de bens de consumo duráveis – que sugere que o dinheiro está curto no bolso dos consumidores.
Ambas sinalizam menor potencial de crescimento da economia; ambas demonstram falta de confiança na recuperação do país. A queda da atividade no semestre foi generalizada, atingindo 24 dos 26 setores pesquisados pelo IBGE e 70% dos produtos acompanhados. De janeiro até maio, 105 mil empregos foram eliminados no setor.
É o retrato pronto e acabado do fracasso das seguidas medidas que o governo petista tomou para incentivar o setor secundário da economia. Deram em nada, exceto em torrar dinheiro do contribuinte para atender alguns poucos amigos do rei e em criar distorções ainda maiores no mercado, que prejudicam a competição e penalizam o consumidor.
Nos quatro primeiros anos do governo Dilma, a indústria registrou duas altas anuais (0,4% em 2011 e 2,1% em 2013) e duas quedas (-2,3% em 2012 e -3,1% em 2014). Na soma, encolheu e produz hoje 10% menos do que produzia em 2008. O segmento de transformação, mais dinâmico e modernizador, equivale agora a cerca de 10% do PIB, ante quase 20% há duas décadas. E continua a diminuir.
A expressiva elevação dos custos, na esteira do aumento de impostos e da tarifa de energia, o arrocho dos juros, a incerteza no cenário político e econômico e a deterioração do mercado de trabalho não deixam dúvida: a indústria vai continuar na pior. “2015 será um dos piores anos da indústria brasileira, mais grave que a crise de 2009”, analisa o Iedi.
É caro produzir no Brasil, as condições de infraestrutura não ajudam, a burocracia enlouquece qualquer um e, com seu intervencionismo excessivo, o Estado dá um jeito de sufocar o resto de ímpeto que ainda possa existir nos investidores. Além disso, a produção nacional não se beneficia de acordos globais e perde o bonde da competitividade – crescente, o déficit na balança de manufaturados chegou a US$ 110 bilhões em 2014.
O comportamento da indústria ilustra o buraco sem fundo em que a economia brasileira se encontra, jogada pelo PT. O país vive uma recessão que começou, segundo critérios técnicos da FGV, no segundo trimestre de 2014 e tende a durar pelo menos até o fim deste ano. É o mais duradouro ciclo de baixa desde 1999 e a pior retração desde Fernando Collor. É, portanto, uma crise de proporções industriais.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Páginas amareladas
Durou pouco a tentativa do governo de virar, na marra, a página das más notícias. A maré negativa continua, numa sucessão de resultados ruins, políticas desencontradas e prognósticos desalentadores. O país embicou numa espiral descendente difícil de ser revertida e não será com saliva que escapará do pior.
Nos últimos dias, o governo petista vem enfileirando anúncios e solenidades públicas na expectativa de que sejam suficientes para mudar o cenário. Mas a marca do improviso e da inconsistência levam as iniciativas a efeitos ridículos e alcance limitado. Passados alguns dias, revelam-se como são: inócuas.
O novo plano de concessões, apesar de ser uma ação na direção correta, tem tantos senões que é difícil crer que atinja as metas ambiciosas que foram traçadas – tão ambiciosas quanto programa quase idêntico lançado três anos atrás sem, no entanto, alcançar praticamente nenhum êxito.
Depois vieram o plano agrícola, o programa de agricultura familiar e, ontem, mais uma investida destinada a reanimar as exportações, recheada de medidas requentadas e promessas muitas vezes repetidas e jamais cumpridas. Na prática, o país está cada vez mais fechado ao comércio internacional.
Em contraposição a estas investidas de caráter mais propagandístico do que efetivo, as más notícias econômicas se sucedem.
A perspectiva da recessão se agrava, a inflação ronda seu maior nível em quase duas décadas, o desemprego exibe a pior marca em 23 anos e a renda do trabalhador derrete. É bem mais que a mera “ressaca” apregoada por Joaquim Levy. Em tudo Dilma Rousseff vai fazendo lembrar Fernando Collor de Mello...
Agora até o Banco Central prevê queda de mais de 1% do PIB (o que é pouco diante de outras estimativas mais realistas e bem menos generosas), inflação de 9% e, para impedir que os preços subam ainda mais, novas altas das taxas de juros – os aumentos da Selic determinados desde a eleição já foram suficientes para aumentar o custo da dívida pública em R$ 38 bilhões por ano.
Além de ver frustrados os planos para derrubar a inflação e retomar o crescimento – que sabe-se lá quando virão – o governo também toma um baile no ajuste fiscal. Bem mais cedo do que se pensava, já cogita jogar a toalha e cortar pela metade a meta de superávit traçada para este ano, além de diminuir bastante os objetivos fiscais para 2016 e 2017.
Será realmente difícil o governo do PT virar o jogo. O país não vive uma mera crise conjuntural. O Brasil está estruturalmente danificado pelos remendos que foram sendo feitos nos últimos anos e pelos descaminhos trilhados irresponsavelmente. Não basta passar a página; será preciso fechar o livro e começar uma nova história.
Nos últimos dias, o governo petista vem enfileirando anúncios e solenidades públicas na expectativa de que sejam suficientes para mudar o cenário. Mas a marca do improviso e da inconsistência levam as iniciativas a efeitos ridículos e alcance limitado. Passados alguns dias, revelam-se como são: inócuas.
O novo plano de concessões, apesar de ser uma ação na direção correta, tem tantos senões que é difícil crer que atinja as metas ambiciosas que foram traçadas – tão ambiciosas quanto programa quase idêntico lançado três anos atrás sem, no entanto, alcançar praticamente nenhum êxito.
Depois vieram o plano agrícola, o programa de agricultura familiar e, ontem, mais uma investida destinada a reanimar as exportações, recheada de medidas requentadas e promessas muitas vezes repetidas e jamais cumpridas. Na prática, o país está cada vez mais fechado ao comércio internacional.
Em contraposição a estas investidas de caráter mais propagandístico do que efetivo, as más notícias econômicas se sucedem.
A perspectiva da recessão se agrava, a inflação ronda seu maior nível em quase duas décadas, o desemprego exibe a pior marca em 23 anos e a renda do trabalhador derrete. É bem mais que a mera “ressaca” apregoada por Joaquim Levy. Em tudo Dilma Rousseff vai fazendo lembrar Fernando Collor de Mello...
Agora até o Banco Central prevê queda de mais de 1% do PIB (o que é pouco diante de outras estimativas mais realistas e bem menos generosas), inflação de 9% e, para impedir que os preços subam ainda mais, novas altas das taxas de juros – os aumentos da Selic determinados desde a eleição já foram suficientes para aumentar o custo da dívida pública em R$ 38 bilhões por ano.
Além de ver frustrados os planos para derrubar a inflação e retomar o crescimento – que sabe-se lá quando virão – o governo também toma um baile no ajuste fiscal. Bem mais cedo do que se pensava, já cogita jogar a toalha e cortar pela metade a meta de superávit traçada para este ano, além de diminuir bastante os objetivos fiscais para 2016 e 2017.
Será realmente difícil o governo do PT virar o jogo. O país não vive uma mera crise conjuntural. O Brasil está estruturalmente danificado pelos remendos que foram sendo feitos nos últimos anos e pelos descaminhos trilhados irresponsavelmente. Não basta passar a página; será preciso fechar o livro e começar uma nova história.
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Relatório de Inflação
sábado, 9 de maio de 2015
Está dura a vida
Está dura a vida no Brasil e, possivelmente, vai ficar pior. Políticas e iniciativas do governo tendem a tornar a sobrevivência ainda mais custosa, o emprego bem mais difícil, o dia a dia muito mais penoso. É a inflação que não cede, a fila do desemprego que cresce e o custo do dinheiro mais alto a cada dia, no mesmo momento em que a gestão do PT faz avançar seu arrocho recessivo.
A inflação brasileira alcançou em apenas quatro meses a meta prevista para o ano todo. Segundo divulgou o IBGE nesta manhã, até abril o custo de vida no país subiu 4,56%, acima, portanto, da meta de 4,5% fixada para 2015. É a mais alta para o primeiro quadrimestre desde 2003.
Neste ano, assim como aconteceu nos últimos quatro, novamente a política econômica irá fracassar em baixar os índices de preços no país. O Banco Central, mais uma vez, promete ter sucesso no combate à carestia – só que, agora, apenas no fim de 2016...
A meta, na realidade, transformou-se em peça de ficção. Nos últimos 12 meses, os preços ficaram 8,17% mais altos em média no país, depois da alta de 0,71% registrada em abril. É a inflação do choque elétrico: a alta da energia – aquela que Dilma Rousseff e o PT diziam que ficaria baratinha – acumula aumento de 60% em um ano.
O remédio amargo para a carestia tem sido o venenoso elixir dos juros elevados. Desde o fim do ano passado, a taxa real tornou-se a mais alta do mundo e deve subir ainda mais, de acordo com o que comunicou o Banco Central por meio da ata relativa à reunião do Copom realizada na semana passada, quando a Selic – aquela que Dilma e o PT juravam que não subiria – sofreu seu quinto aumento seguido e foi a 13,25% ao ano. É “o aperto mais intenso em dez anos”, analisa o Valor Econômico.
Esta combinação tóxica deprime a atividade econômica, afasta investimentos, freia a produção e, pior de tudo, gera desemprego. Ontem o IBGE divulgou que a situação do mercado de trabalhou brasileiro piorou bastante no primeiro trimestre deste ano, e todas as análises apontam para um horizonte ainda mais grave doravante.
A taxa de desemprego atingiu 7,9% no trimestre até março. O índice médio – o mesmo que Dilma e o PT afirmavam que era “o mais baixo do mundo” – já é superior ao de economias que até outro dia estavam na lona. Em casos específicos, como no Nordeste, é ainda mais elevado. Desde dezembro, o contingente de desocupados aumentou 1,5 milhão.
A única resposta que o governo do PT tem a dar a este desarranjo que ele próprio criou é o arrocho recessivo, com perda de direitos trabalhistas, corte de benefícios previdenciários, aumento de impostos e alta de tarifas públicas. Com o torniquete cada vez mais apertado, a asfixia caminha para tornar-se mortal.
A inflação brasileira alcançou em apenas quatro meses a meta prevista para o ano todo. Segundo divulgou o IBGE nesta manhã, até abril o custo de vida no país subiu 4,56%, acima, portanto, da meta de 4,5% fixada para 2015. É a mais alta para o primeiro quadrimestre desde 2003.
Neste ano, assim como aconteceu nos últimos quatro, novamente a política econômica irá fracassar em baixar os índices de preços no país. O Banco Central, mais uma vez, promete ter sucesso no combate à carestia – só que, agora, apenas no fim de 2016...
A meta, na realidade, transformou-se em peça de ficção. Nos últimos 12 meses, os preços ficaram 8,17% mais altos em média no país, depois da alta de 0,71% registrada em abril. É a inflação do choque elétrico: a alta da energia – aquela que Dilma Rousseff e o PT diziam que ficaria baratinha – acumula aumento de 60% em um ano.
O remédio amargo para a carestia tem sido o venenoso elixir dos juros elevados. Desde o fim do ano passado, a taxa real tornou-se a mais alta do mundo e deve subir ainda mais, de acordo com o que comunicou o Banco Central por meio da ata relativa à reunião do Copom realizada na semana passada, quando a Selic – aquela que Dilma e o PT juravam que não subiria – sofreu seu quinto aumento seguido e foi a 13,25% ao ano. É “o aperto mais intenso em dez anos”, analisa o Valor Econômico.
Esta combinação tóxica deprime a atividade econômica, afasta investimentos, freia a produção e, pior de tudo, gera desemprego. Ontem o IBGE divulgou que a situação do mercado de trabalhou brasileiro piorou bastante no primeiro trimestre deste ano, e todas as análises apontam para um horizonte ainda mais grave doravante.
A taxa de desemprego atingiu 7,9% no trimestre até março. O índice médio – o mesmo que Dilma e o PT afirmavam que era “o mais baixo do mundo” – já é superior ao de economias que até outro dia estavam na lona. Em casos específicos, como no Nordeste, é ainda mais elevado. Desde dezembro, o contingente de desocupados aumentou 1,5 milhão.
A única resposta que o governo do PT tem a dar a este desarranjo que ele próprio criou é o arrocho recessivo, com perda de direitos trabalhistas, corte de benefícios previdenciários, aumento de impostos e alta de tarifas públicas. Com o torniquete cada vez mais apertado, a asfixia caminha para tornar-se mortal.
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
As mentiras que o PT conta
A propaganda da candidata do PT no rádio e na televisão vem espalhando mentiras atrás de mentiras. É a clara demonstração de desespero de um governo que fracassou. Os petistas querem que olhemos para o passado com lentes distorcidas para tentar nos impedir de ver com nitidez o que acontece no presente.
A estratégia petista até tem sua razão de ser: depois de quatro anos de governo, a candidata à reeleição não tem realizações a mostrar. Pelo contrário. O país está hoje pior do que estava quando Dilma Rousseff assumiu a presidência da República. Em praticamente tudo, andamos para trás.
Como resposta, o PT apela a mistificações que conflitam com a história do país e afrontam o esforço de milhões de brasileiros, ao longo das últimas décadas, na construção de um Brasil melhor. Na mística petista, a história brasileira começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do país. Os brasileiros sabem que não é assim.
Um dos alvos prediletos do PT é a situação da economia brasileira antes do governo Lula. Para eles, foram tempos de terra arrasada. A história, porém, registra, e o povo sabe, que foram anos de semeadura: o Brasil reencontrou ali, com Fernando Henrique, o caminho do desenvolvimento com justiça social. Lula e Dilma tiveram a sorte de vir depois; colheram o que o PSDB plantou.
O partido dos mensaleiros tenta reescrever a história. Quem está quebrando o Brasil é o governo Dilma. E isso está acontecendo hoje, dia após dia. É o governo atual quem ressuscitou a inflação – e ainda acha que os preços estão sob controle ou, quando não acha isso, sugere que o cidadão troque carne por ovo...
É o governo atual quem colocou o país em recessão. Há dois trimestres o PIB encolhe, algo que não acontecia desde 2009. Isso significa que o país está produzindo menos, gerando menos empregos aqui – só neste ano, até agora, são 220 mil empregos a menos em relação ao mesmo período do ano passado – e colocando em risco as conquistas sociais.
O Brasil não vai crescer quase nada neste ano, no pior resultado para um presidente desde o governo Fernando Collor, aliado do PT. O governo culpa a crise externa, a Copa do Mundo, a seca. Mas o problema está aqui dentro mesmo: não importa o parâmetro, com Dilma o país está ficando cada vez mais para trás.
É impossível que a candidata à reeleição não saiba disso. A estratégia de marketing do PT é clara: tentar ludibriar o cidadão, enganá-lo com um monte de mentiras. Os brasileiros sabem muito bem qual a situação do país. Por isso, não se deixam iludir e estão convictos de que a hora é de mudar o governo.
A estratégia petista até tem sua razão de ser: depois de quatro anos de governo, a candidata à reeleição não tem realizações a mostrar. Pelo contrário. O país está hoje pior do que estava quando Dilma Rousseff assumiu a presidência da República. Em praticamente tudo, andamos para trás.
Como resposta, o PT apela a mistificações que conflitam com a história do país e afrontam o esforço de milhões de brasileiros, ao longo das últimas décadas, na construção de um Brasil melhor. Na mística petista, a história brasileira começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do país. Os brasileiros sabem que não é assim.
Um dos alvos prediletos do PT é a situação da economia brasileira antes do governo Lula. Para eles, foram tempos de terra arrasada. A história, porém, registra, e o povo sabe, que foram anos de semeadura: o Brasil reencontrou ali, com Fernando Henrique, o caminho do desenvolvimento com justiça social. Lula e Dilma tiveram a sorte de vir depois; colheram o que o PSDB plantou.
O partido dos mensaleiros tenta reescrever a história. Quem está quebrando o Brasil é o governo Dilma. E isso está acontecendo hoje, dia após dia. É o governo atual quem ressuscitou a inflação – e ainda acha que os preços estão sob controle ou, quando não acha isso, sugere que o cidadão troque carne por ovo...
É o governo atual quem colocou o país em recessão. Há dois trimestres o PIB encolhe, algo que não acontecia desde 2009. Isso significa que o país está produzindo menos, gerando menos empregos aqui – só neste ano, até agora, são 220 mil empregos a menos em relação ao mesmo período do ano passado – e colocando em risco as conquistas sociais.
O Brasil não vai crescer quase nada neste ano, no pior resultado para um presidente desde o governo Fernando Collor, aliado do PT. O governo culpa a crise externa, a Copa do Mundo, a seca. Mas o problema está aqui dentro mesmo: não importa o parâmetro, com Dilma o país está ficando cada vez mais para trás.
É impossível que a candidata à reeleição não saiba disso. A estratégia de marketing do PT é clara: tentar ludibriar o cidadão, enganá-lo com um monte de mentiras. Os brasileiros sabem muito bem qual a situação do país. Por isso, não se deixam iludir e estão convictos de que a hora é de mudar o governo.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Monstros vivíssimos do presente
Dilma Rousseff adora ver fantasmas onde eles não existem. Tem se mostrado incapaz, todavia, de enfrentar os monstros que aterrorizam as vidas dos brasileiros diariamente. Eles não são invencionices de marketing, são reais e estão mais vivos que nunca.
A lista de dificuldades que tornam a vida dos brasileiros mais penosa e conturbada é extensa. Começa com a inflação, passa pela recessão, inclui a ameaça do desemprego (em alguns setores, mais que uma ameaça) e chega ao descalabro que envolve a falta de segurança e a deficiência na educação.
O IBGE divulgou nesta amanhã a inflação de setembro. Houve nova alta, agora para 0,57% no mês. O acumulado em 12 meses passou a superar a meta com folga e atingiu 6,75%. Em algumas cidades, a inflação já é superior a 7% ao ano.
No debate promovido pela TV Globo na semana passada, Dilma disse, porém, que a inflação “está sob controle”. Se ela acha isso, então é porque alguma coisa está muito descontrolada no governo dela...
Outra realidade assombrosa é a recessão, isto é, o fato de a economia brasileira estar produzindo cada vez menos e gerando cada vez menos empregos e renda. Ontem o FMI rebaixou a previsão de crescimento do PIB do país para este ano para 0,3%, alinhando-se aos prognósticos já largamente disseminados por outros analistas.
Foi a sexta redução consecutiva e a maior, nesta rodada, entre 14 economias avaliadas. Com Dilma, a nossa média de crescimento (1,6% ao ano) não chegará nem à metade da do resto do mundo (3,5%) e será apenas uma fração do que alcançarão os emergentes em geral (5,1%) entre 2011 e 2014. Tamanho vexame não acontecia desde Fernando Collor.
A situação é tão vergonhosa que o ministro da Fazenda recusou-se a participar do encontro em Washington. Mas não se furtou a assacar as velhas armas terroristas que o PT adora usar em época de eleição. A verdade é que tudo o que Guido Mantega acusa, criminosamente, a oposição de pretender fazer se chegar ao poder o governo atual já faz.
Em relação ao emprego, as melhores vagas estão sumindo. Só a indústria já cortou 80 mil postos de trabalho apenas nos últimos quatro meses. No mercado em geral, atualmente há menos 86 mil pessoas ocupadas nas principais metrópoles do país do que havia um ano atrás.
Há evidências de sobra de que a situação do país é ruim e piorou muito ao longo do governo Dilma. Na sua guerrilha eleitoral, o que o PT tenta fazer é tirar a atenção da população do que está acontecendo hoje e distraí-la com assombrações. Mas as dificuldades estão vivíssimas no dia a dia dos brasileiros, que sabem muito bem o que é real e o que é imaginário.
A lista de dificuldades que tornam a vida dos brasileiros mais penosa e conturbada é extensa. Começa com a inflação, passa pela recessão, inclui a ameaça do desemprego (em alguns setores, mais que uma ameaça) e chega ao descalabro que envolve a falta de segurança e a deficiência na educação.
O IBGE divulgou nesta amanhã a inflação de setembro. Houve nova alta, agora para 0,57% no mês. O acumulado em 12 meses passou a superar a meta com folga e atingiu 6,75%. Em algumas cidades, a inflação já é superior a 7% ao ano.
No debate promovido pela TV Globo na semana passada, Dilma disse, porém, que a inflação “está sob controle”. Se ela acha isso, então é porque alguma coisa está muito descontrolada no governo dela...
Outra realidade assombrosa é a recessão, isto é, o fato de a economia brasileira estar produzindo cada vez menos e gerando cada vez menos empregos e renda. Ontem o FMI rebaixou a previsão de crescimento do PIB do país para este ano para 0,3%, alinhando-se aos prognósticos já largamente disseminados por outros analistas.
Foi a sexta redução consecutiva e a maior, nesta rodada, entre 14 economias avaliadas. Com Dilma, a nossa média de crescimento (1,6% ao ano) não chegará nem à metade da do resto do mundo (3,5%) e será apenas uma fração do que alcançarão os emergentes em geral (5,1%) entre 2011 e 2014. Tamanho vexame não acontecia desde Fernando Collor.
A situação é tão vergonhosa que o ministro da Fazenda recusou-se a participar do encontro em Washington. Mas não se furtou a assacar as velhas armas terroristas que o PT adora usar em época de eleição. A verdade é que tudo o que Guido Mantega acusa, criminosamente, a oposição de pretender fazer se chegar ao poder o governo atual já faz.
Em relação ao emprego, as melhores vagas estão sumindo. Só a indústria já cortou 80 mil postos de trabalho apenas nos últimos quatro meses. No mercado em geral, atualmente há menos 86 mil pessoas ocupadas nas principais metrópoles do país do que havia um ano atrás.
Há evidências de sobra de que a situação do país é ruim e piorou muito ao longo do governo Dilma. Na sua guerrilha eleitoral, o que o PT tenta fazer é tirar a atenção da população do que está acontecendo hoje e distraí-la com assombrações. Mas as dificuldades estão vivíssimas no dia a dia dos brasileiros, que sabem muito bem o que é real e o que é imaginário.
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sábado, 16 de agosto de 2014
A recessão vem aí
A Copa do Mundo deu um tombo na economia brasileira só comparável ao chocolate que a seleção de Luiz Felipe Scolari sofreu da Alemanha. Com os péssimos resultados registrados em junho, já é praticamente certo que o PIB nacional caiu no segundo trimestre. A recessão pode estar a caminho.
Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.
Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.
Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.
Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.
Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.
Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.
Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.
Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.
Hoje pela manhã, o Banco Central divulgou seu indicador referente ao nível de atividade da economia brasileira em junho. A queda foi estrondosa: 1,48% sobre maio e 2,68% na comparação com junho do ano passado.
Desde os meses que se seguiram à deflagração da crise financeira mundial, em fins de 2008, a economia brasileira não ia tão mal. No trimestre, a atividade caiu 1,2%, segundo o BC. O indicador serve para antecipar os números oficiais que o IBGE divulga no fim do mês, embora nem sempre coincidam.
Com a divulgação de diversos indicadores referentes a junho e julho, vai ficando claro que a Copa teve efeito danoso sobre o desempenho econômico do país. Na prática, o Brasil simplesmente parou para que os jogos acontecessem.
Mais certo seria dizer que o país foi deliberadamente parado, uma vez que medidas excepcionais, como a decretação de feriados, acabaram sendo a tábua de salvação para que a infraestrutura precária que o governo não deu conta de aprontar a tempo do Mundial não naufragasse.
Com isso, sofreram os mais diversos setores. O varejo, por exemplo, teve em junho sua maior queda em dois anos, com recuo de 0,7% em relação a maio. Quando se computam também as vendas de veículos e material de construção, o tombo foi bem maior: 3,6%, na mesma base de comparação.
Os trabalhadores estão entre os grandes prejudicados pela paralisia que se abateu sobre o país nas semanas da Copa. A geração de empregos em junho foi quase 80% menor que um ano antes e o total de empregados com contratos de trabalho temporariamente suspensos (em layoff) é o mais alto desde 2009.
Daqui a duas semanas, o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre. O consenso entre os analistas é que ocorreu uma retração no nível de atividade no período. Se confirmado, o número pode levar à revisão do PIB do primeiro trimestre também para o terreno negativo. O país estaria, assim, tecnicamente em recessão.
Trata-se da crônica de um desastre anunciado. Há meses a trajetória cadente da economia vem sendo apontada por analistas e críticos como decorrência de decisões equivocadas ditadas por Brasília, que manejou mal a política monetária, explodiu o resultado fiscal e jogou gasolina na inflação, por meio do incentivo desmesurado ao consumo. Esta tragédia poderia ter sido evitada.
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