quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Rumo à segundona

Com uma política à altura do futebolzinho que a seleção brasileira jogou na Copa do Mundo, o Brasil corre o risco de cair para a segunda divisão entre as economias do mundo. A avaliação que os credores internacionais fazem das nossas condições econômicas é cadente.

Ontem foi a vez de a Moody’s colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor’s, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.

Entre os motivos que a Moody’s cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.

Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.

Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.

Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody’s “já estão sendo superados”. Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.

Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody’s é taxativa: o problema são “fraquezas domésticas” e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.

Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.

Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.

No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dilma não sabe o que faz

Dilma Rousseff forneceu ontem uma das mais perfeitas traduções do que é seu (des)governo. Afirmou, em sabatina promovida por O Estado de S. Paulo, que “não tinha a menor ideia” sobre os escândalos que se desenrolam há anos na Petrobras e sangram os cofres públicos em bilhões de reais. Ninguém pode ignorar: gente tão inepta para governar não pode continuar onde está.

Há quase quatro anos, Dilma ocupa o principal posto de poder no Brasil. Chegou lá sem ter disputado uma única eleição anteriormente. Agora, tenta conquistar novo mandato para manter-se mais quatro anos no comando do país. Neste tempo todo, não fez ideia dos desmandos que se desenrolaram, e se desenrolam, sob o seu nariz. Por que continuar lá?

Antes de chegar à principal sala do Planalto, Dilma esteve sempre umbilicalmente ligada à Petrobras. Entre 2003 e 2005 foi ministra de Minas e Energia, pasta à qual está ligada a estatal. Desde que saiu de lá, deixou como sucessores ministros de sua confiança direta. Mesmo assim, “não tinha a menor ideia” do que se passava na Petrobras.

Depois que deixou o ministério, foi para a Casa Civil, onde ficou até 2010. Lá comandou o Programa de Aceleração do Crescimento, cujo resultado mais visível foi ter reduzido a taxa de investimentos do país... A Petrobras é a maior fonte de investimentos do PAC, mas Dilma “não tinha a menor ideia” do que se passava por lá.

A relação mais longeva e direta entre a petista e a estatal deu-se, porém, quando Dilma ocupou a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. A função foi desempenhada por ela desde o início do governo Lula até março de 2010. Foi, portanto, sua mais duradoura ocupação. No entanto, Dilma “não tinha a menor ideia” do que se passava por lá.

O que Dilma ignora, o Brasil inteiro está cansado de saber, mesmo que a cada dia surjam revelações cada vez mais escabrosas e estarrecedoras: a maior empresa brasileira, orgulho nacional, foi tomada de assalto e tem sido pilhada por anos a fio por uma quadrilha que se apossou do Estado brasileiro chamada PT.

À presidente da República não pode ser dado o benefício da ignorância. As denúncias de corrupção na Petrobras já vêm de longe, os indícios de superfaturamento e desvios de dinheiro já foram sobejamente noticiados. A respeito disso, Dilma Rousseff não tem direito de dizer que “não tinha a menor ideia”.

Se o que a petista diz é verdade, então não há outra conclusão a chegar: sua competência para gerir uma quitanda que seja é nula, sua aptidão para comandar um país como o Brasil é nenhuma, sua capacidade para ocupar o cargo que ocupa é inexistente. Isso tudo os brasileiros já estamos cansados de saber.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O mensalão 2

No Brasil da era PT, tornou-se difícil saber onde começa e onde termina o mar de corrupção. A única certeza é que, enquanto o mesmo time se mantiver no comando do país, o surgimento de novos e mais escabrosos casos é apenas questão de tempo. O escândalo da hora é sempre pior que aquele que o antecedeu.

O partido que se notabilizou por institucionalizar a compra de votos como método de governabilidade também se destaca por ter transformado o mensalão numa prática permanente. O que muda é o caixa de onde saem os recursos para irrigar bolsos dispostos a vender apoio político: são cada vez mais polpudos.

Estamos agora diante do que se pode chamar de “mensalão 2”: a sangria de dinheiro da Petrobras para remunerar uma imensa e escusa rede de sustentação ao governo do PT no Congresso. Pelo pouco que já se sabe, ministros de Estado, governadores, senadores e deputados estão na lista da grossa propina. Deve haver muito mais.

As revelações foram feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e divulgadas na edição da revista Veja desta semana. Preso em março, depois solto e novamente encarcerado em junho, ele decidiu entregar nomes de quem se beneficiou de esquema que, calcula-se, pode ter lesado os cofres públicos em R$ 10 bilhões nos últimos anos.

Pelo que Costa afirmou, a rede de corrupção era alimentada com o equivalente a 3% do valor dos contratos que a área que ele comandou fechava. Se considerados apenas os investimentos realizados pela diretoria de Abastecimento, daria R$ 3,4 bilhões, num cálculo linear feito pelo Valor Econômico com base nos balanços da estatal entre 2004 e 2012.

A consequência política e eleitoral é cristalina: neste período, a candidata-presidente Dilma Rousseff foi a figura de proa da Petrobras. Como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, como presidente do Conselho de Administração da estatal e como presidente da República. O mensalão 2 é obra de Dilma e do PT, assim como o mensalão 1 foi obra de Lula e seus 40 réus.

Assim como seu tutor, a atual presidente insiste em dizer que nada sabia e que, enquanto comandou a administração da Petrobras, suas decisões mais importantes foram tomadas com base em documentos falhos. Será que ela acha que isso é abonador?

Agora, confrontada com as novas revelações, diz que “não lançam suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”. Das duas, duas: Dilma é conivente com malfeitos que se acumulam em sua gestão e age de forma temerária ao comandar o país.

Tanto numa hipótese quanto na outra, a conclusão é uma só: não merece continuar por mais quatro anos assistindo impassível ao mar de lama avançar.

sábado, 6 de setembro de 2014

Tolerância zero com a inflação

A inflação voltou a subir e, mais uma vez, levou o IPCA a estourar o teto da meta. Deitado em berço esplêndido, o governo petista fica cantando vitória antes da hora, mas a realidade é que a batalha contra o aumento de preços ainda está longe de ser vencida. A leniência foi longe demais.

Segundo divulgado pelo IBGE nesta manhã, a inflação oficial foi de 0,25% em agosto, com alta expressiva sobre o 0,01% registrado em julho e praticamente no mesmo patamar de um ano atrás (0,24% em agosto de 2013).

No ano, o IPCA acumula 4,02%, bem acima do registrado entre janeiro e agosto de 2013, quando a inflação oficial estava em 3,43%. Tudo isso está acontecendo apesar de o Banco Central ter elevado a taxa básica de juros com aumentos palatinos que somaram 3,75 pontos percentuais desde abril de 2013.

Quando se observa a situação por capitais, há casos bem mais preocupantes. Em Belém e Vitória, por exemplo, a inflação do mês chegou pertinho de 1%. Em mais da metade das 13 regiões pesquisadas, os aumentos localizados foram maiores que a média nacional. Apenas Belo Horizonte e Campo Grande tiveram deflação no mês.

O mais grave, contudo, é que a inflação brasileira não sai de perto do teto da meta. Trata-se de namoro perigoso com o descontrole, com quem o governo da presidente Dilma Rousseff insiste em flertar. Dentre os 44 meses decorridos desde o início da atual gestão, esta é a 12ª ocasião em que o acumulado em 12 meses supera os 6,5% permitidos pelo sistema.

Os resultados continuam ruins a despeito de o governo petista ter lançado mão da mais furada estratégia que se conhece para o controle inflacionário: represamento e manipulação de preços e tarifas públicas, como os dos combustíveis, da energia elétrica e dos transportes.

Os preços garroteados são uma das heranças malditas que a administração Dilma legará a seu sucessor, num balaio que inclui, também, uma economia em franco processo de retração e contas públicas em petição de miséria. Sairemos da experiência com a petista bem piores do que entramos.

O próximo governo terá uma dura batalha pela frente para tornar a inflação novamente comportada, de maneira a devolver aos brasileiros – tanto consumidores, quanto empresários e investidores – a confiança no futuro, num cenário de maior previsibilidade.

A estabilidade monetária foi uma árdua conquista pela qual toda a sociedade brasileira muito lutou. Mas a inflação, infelizmente, voltou a assombrar o país, a ponto de ser apontada como nosso principal problema em pesquisas de opinião recentes. Contra tão deletério mal, não há outra receita: tolerância zero.