A cada dia que passa, fica mais claro que a campanha que levou Dilma Rousseff à reeleição foi toda baseada em mentiras. Se a candidata disse que não faria ou acusou o adversário de pretender fazê-lo, pode ter certeza: seu governo vai se encarregar de executar. O estelionato eleitoral segue a todo vapor.
Na primeira semana após a vitória, a bomba-relógio do governo disparou o aumento da taxa básica de juros. Segundo o marketing da campanha petista, isto equivaleria a tirar comida da mesa das pessoas. Se é assim, foi justamente o que Dilma agora fez...
Em seguida, revelou-se ao país o maior rombo nas contas públicas de que se tem notícia. Em decorrência, o governo terá que rever suas metas fiscais, sob pena de ter que responder por crime. Durante toda a campanha, estas possibilidades foram sempre rechaçadas. Agora os responsáveis pelo Tesouro dizem que agem fazendo “o melhor para o país”.
A lista de maldades guardadas para depois das eleições é, porém, bem mais extensa. A próxima delas será o aumento dos preços dos combustíveis, admitido ontem pelo governo. O reajuste deve sair na semana que vem – tão logo a Petrobras retome a reunião de seu conselho interrompida com o fito de defenestrar um de seus dirigentes flagrado em corrupção...
As diabruras que Dilma nos reservou para este pós-eleições também incluem reajustes assustadores nas tarifas de energia, que, de resto, já vinham ocorrendo desde o primeiro semestre. As mais novas vítimas são os cariocas, que pagarão entre 17% e 22% a mais pela eletricidade a partir de sexta-feira.
Com isso, o reajuste médio das tarifas de energia no país será de 18% – apenas neste ano! Estará anulada toda a queda resultante da intervenção determinada pela presidente da República no setor em setembro de 2012. Para não dizer que a desastrada operação deu em nada, gerou uma conta a ser paga por consumidores e contribuintes que já chega a R$ 105 bilhões.
Mas, acredite: tem coisa ainda pior. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), quando o verão chegar poderemos ser brindados com apagões durante as madrugadas. O segundo mandato de Dilma – a “especialista” em energia – vai começar no escuro, a despeito de todos os alertas feitos pelos entendidos e sempre rechaçados pelo governo nos últimos meses.
Os brasileiros têm na memória o destino de governantes que se elegeram enganando o povo. Dilma Rousseff logo verá que, ao contrário do que sustenta seu marketing, o vale-tudo tem limites. São expedientes que a sociedade não aceita. Principalmente quando percebe que foi passada para trás.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Sem relevantes serviços prestados
Mais um dirigente da Petrobras foi obrigado a afastar-se da empresa envolto em grossa suspeita de corrupção. Mais uma vez, a saída acontece a pedido. O padrão se repete: quando alguém é flagrado em tenebrosas transações, o governo petista estende-lhe o tapete vermelho. Demitir jamais.
Citado na Operação Lava Jato, Sérgio Machado apresentou ontem pedido de licença da presidência da Transpetro, cargo que ocupava desde que o PT chegou ao poder. A licença deve converter-se em saída definitiva, tão logo os holofotes se virem para algum outro escândalo.
Machado foi docemente constrangido a deixar o cargo que ocupa há quase 12 anos depois que a empresa que audita as contas da Petrobras negou-se a assinar o balanço relativo ao terceiro trimestre da estatal enquanto o nome do presidente da subsidiária não fosse retirado de lá. Parece um vexame, e é.
Na sexta-feira, a reunião do conselho de administração da Petrobras foi interrompida depois que a PricewaterhouseCoopers apresentou a ressalva. Machado é acusado de repassar R$ 500 mil em dinheiro vivo a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como parte do esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões da companhia. Como a SEC, xerife do mercado americano, investiga o caso, os auditores redobraram os cuidados.
A saída do presidente da Transpetro emula o padrão verificado quando Costa deixou a Petrobras. A renúncia do ex-diretor foi saudada em ata da reunião do conselho de administração por “relevantes serviços prestados”. Contra todas as evidências, Dilma Rousseff jura até hoje que foi ela quem o demitiu. Fará o mesmo com Machado?
O nome de Sérgio Machado já aparecera em denúncias de fraudes em licitações, como a que contratou 20 comboios para transportar etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Realizada há dois anos, não entregou nem uma peça até hoje, embora tenha consumido R$ 22 milhões. É alvo de investigação do Ministério Público.
Pior é que os escândalos na Petrobras e em suas subsidiárias continuam pipocando. O próximo deve envolver a compra de duas refinarias no Paraná, num episódio que ficou conhecido como “mini Pasadena”. As duas unidades valiam pouco menos de R$ 200 milhões, mas a estatal pagou R$ 255 milhões por metade delas, num padrão bem parecido com o que adotou na aquisição feita nos EUA, como revela hoje o Valor Econômico.
Durante a campanha eleitoral, a candidata oficial repetiu que, sempre que se viu diante de malfeitos, demitiu os envolvidos. Mentira. A saída de Sérgio Machado da Transpetro é mais um exemplo de que os corruptos só deixam o governo petista por conta própria ou quando alguma instituição externa assim exige. Se dependesse do PT, continuariam sãos e salvos.
Citado na Operação Lava Jato, Sérgio Machado apresentou ontem pedido de licença da presidência da Transpetro, cargo que ocupava desde que o PT chegou ao poder. A licença deve converter-se em saída definitiva, tão logo os holofotes se virem para algum outro escândalo.
Machado foi docemente constrangido a deixar o cargo que ocupa há quase 12 anos depois que a empresa que audita as contas da Petrobras negou-se a assinar o balanço relativo ao terceiro trimestre da estatal enquanto o nome do presidente da subsidiária não fosse retirado de lá. Parece um vexame, e é.
Na sexta-feira, a reunião do conselho de administração da Petrobras foi interrompida depois que a PricewaterhouseCoopers apresentou a ressalva. Machado é acusado de repassar R$ 500 mil em dinheiro vivo a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como parte do esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões da companhia. Como a SEC, xerife do mercado americano, investiga o caso, os auditores redobraram os cuidados.
A saída do presidente da Transpetro emula o padrão verificado quando Costa deixou a Petrobras. A renúncia do ex-diretor foi saudada em ata da reunião do conselho de administração por “relevantes serviços prestados”. Contra todas as evidências, Dilma Rousseff jura até hoje que foi ela quem o demitiu. Fará o mesmo com Machado?
O nome de Sérgio Machado já aparecera em denúncias de fraudes em licitações, como a que contratou 20 comboios para transportar etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Realizada há dois anos, não entregou nem uma peça até hoje, embora tenha consumido R$ 22 milhões. É alvo de investigação do Ministério Público.
Pior é que os escândalos na Petrobras e em suas subsidiárias continuam pipocando. O próximo deve envolver a compra de duas refinarias no Paraná, num episódio que ficou conhecido como “mini Pasadena”. As duas unidades valiam pouco menos de R$ 200 milhões, mas a estatal pagou R$ 255 milhões por metade delas, num padrão bem parecido com o que adotou na aquisição feita nos EUA, como revela hoje o Valor Econômico.
Durante a campanha eleitoral, a candidata oficial repetiu que, sempre que se viu diante de malfeitos, demitiu os envolvidos. Mentira. A saída de Sérgio Machado da Transpetro é mais um exemplo de que os corruptos só deixam o governo petista por conta própria ou quando alguma instituição externa assim exige. Se dependesse do PT, continuariam sãos e salvos.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Clima ruim
A ocorrência de eventos extremos torna imperativas ações para fazer frente às mudanças climáticas. Grande parte do Brasil experimenta hoje a desagradável convivência com uma seca de proporções históricas que, ao mesmo tempo em que assusta, ainda não foi objeto de medidas à altura da sua gravidade por parte do poder público.
As evidências do momento preocupante que o clima planetário hoje atravessa se apresentam com força no Brasil. O nível de chuvas continua muito abaixo da média histórica. As usinas de geração de energia estão no menor nível em 20 anos. O abastecimento de água está comprometido em dezenas de municípios.
Ao mesmo tempo, a devastação da floresta amazônica avança: no último ano, aumentou 29%, depois de quatro anos de queda. As medições mais recentes mostram que a destruição continua, e num ritmo ainda mais acelerado. Mas, ao invés de agir, o governo federal preferiu esconder as estatísticas...
O alerta é global. Ontem o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) divulgou conclusões que deverão balizar a reunião mundial sobre o clima a se realizar em dezembro no Peru – dando sequência ao encontro anterior, realizado em Copenhague em 2009. As conclusões são assustadoras.
Os estudiosos estimaram cenários com as chances de a temperatura do planeta aumentar até 2° C até o fim deste século. Se os combustíveis fósseis continuarem como base para a produção de energia no mundo, a probabilidade de isso acontecer é de 66%. Se confirmada a previsão, as consequências serão bem piores que a seca que hoje nos esturrica.
Como remédio, os cientistas sugerem aumento expressivo do uso de fontes renováveis para a geração de energia, que precisaria ser quadruplicado nos próximos 35 anos a fim de mitigar o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Os custos disso são estimados em 0,06% do PIB mundial, uma ninharia frente ao que pode acontecer se nada for feito.
O mais preocupante é que, nos últimos anos, o Brasil tem estado na contramão da agenda da sustentabilidade. Tanto na matriz energética – a participação de fontes sujas (térmicas) simplesmente triplicou – quanto nos incentivos à utilização de combustíveis não renováveis, os sinais emitidos pelos formuladores de políticas públicas no país têm sido opostos ao esperado.
Os alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas se acumulam, e as evidências de que não agir terá consequências cada vez mais danosas também. Nunca antes a sociedade brasileira esteve tão pronta a adotar novas atitudes para evitar que o pior aconteça. São assuntos que, tal como acontece com outros tantos no país, não podem continuar a ser varridos para debaixo do tapete.
As evidências do momento preocupante que o clima planetário hoje atravessa se apresentam com força no Brasil. O nível de chuvas continua muito abaixo da média histórica. As usinas de geração de energia estão no menor nível em 20 anos. O abastecimento de água está comprometido em dezenas de municípios.
Ao mesmo tempo, a devastação da floresta amazônica avança: no último ano, aumentou 29%, depois de quatro anos de queda. As medições mais recentes mostram que a destruição continua, e num ritmo ainda mais acelerado. Mas, ao invés de agir, o governo federal preferiu esconder as estatísticas...
O alerta é global. Ontem o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) divulgou conclusões que deverão balizar a reunião mundial sobre o clima a se realizar em dezembro no Peru – dando sequência ao encontro anterior, realizado em Copenhague em 2009. As conclusões são assustadoras.
Os estudiosos estimaram cenários com as chances de a temperatura do planeta aumentar até 2° C até o fim deste século. Se os combustíveis fósseis continuarem como base para a produção de energia no mundo, a probabilidade de isso acontecer é de 66%. Se confirmada a previsão, as consequências serão bem piores que a seca que hoje nos esturrica.
Como remédio, os cientistas sugerem aumento expressivo do uso de fontes renováveis para a geração de energia, que precisaria ser quadruplicado nos próximos 35 anos a fim de mitigar o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Os custos disso são estimados em 0,06% do PIB mundial, uma ninharia frente ao que pode acontecer se nada for feito.
O mais preocupante é que, nos últimos anos, o Brasil tem estado na contramão da agenda da sustentabilidade. Tanto na matriz energética – a participação de fontes sujas (térmicas) simplesmente triplicou – quanto nos incentivos à utilização de combustíveis não renováveis, os sinais emitidos pelos formuladores de políticas públicas no país têm sido opostos ao esperado.
Os alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas se acumulam, e as evidências de que não agir terá consequências cada vez mais danosas também. Nunca antes a sociedade brasileira esteve tão pronta a adotar novas atitudes para evitar que o pior aconteça. São assuntos que, tal como acontece com outros tantos no país, não podem continuar a ser varridos para debaixo do tapete.
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sábado, 1 de novembro de 2014
Pior do que está fica
Dilma Rousseff terminará seu primeiro mandato exibindo, em praticamente todas as áreas, indicadores piores do que recebeu. Trata-se de feito único desde que o país reencontrou o caminho da estabilidade monetária e da responsabilidade fiscal.
O rol de promessas não cumpridas é extenso. Começa pela inflação, passa pelos juros e culmina com contas públicas em pandarecos. Nem a geração de empregos – que o PT usa como marca do “sucesso” de sua política econômica – resistiu.
Com a alta da Selic determinada anteontem pelo Banco Central, a taxa básica já está em 11,25% ao ano. Um novo aumento deve ocorrer na reunião do Copom marcada para início de dezembro, elevando o juro brasileiro em mais 0,25 ponto percentual, campeão absoluto no ranking mundial da usura.
Desta maneira, Dilma descumpre uma de suas mais caras promessas: a de baixar a taxa real a 2% ao ano. Usando seus peculiares conhecimentos de teoria econômica, a presidente tentou fazer isso na marra, mas fracassou redondamente. Não só não conseguiu reduzir os juros, como terminará os quatro anos com taxa mais alta do que recebeu.
Sua política também alimentou a inflação. Em nenhum dos 45 meses de seu mandato decorridos até agora, a petista conseguiu cumprir a meta de inflação de 4,5% ao ano. A taxa acumulada em 12 meses esteve sempre acima deste patamar e em 13 ocasiões estourou o limite máximo de tolerância – como acontece com os 6,75% atuais.
Os resultados fiscais são outro fiasco. Hoje pela manhã foram conhecidos os números do Tesouro relativos a setembro, trazendo o primeiro déficit acumulado nos nove primeiros meses do ano desde 1997. O rombo até setembro é de R$ 15,7 bilhões.
Apenas no mês passado, as despesas superaram as receitas em R$ 20,4 bilhões, uma enormidade nunca antes vista neste país. Foi o pior resultado já observado na série histórica, pior até do que o verificado em setembro de 2008, quando o país mergulhou em séria crise econômica.
Para completar, também no mercado de trabalho a situação degringolou com Dilma. Nos nove primeiro meses da atual gestão, em 2011, foram geradas 2,08 milhões de novas vagas, número que caiu agora para apenas 904 mil no acumulado entre janeiro e setembro deste ano. A indústria continua a pôr trabalhadores em férias e as montadoras ampliam as licenças a seus empregados.
No fim de seus quatro primeiros anos de governo, Dilma Rousseff está numa encruzilhada: perseverar no caminho que produziu esta penca de maus resultados ou trair tudo o que disse e prometeu na campanha eleitoral e mudar totalmente os rumos de uma política fracassada. O risco é ficar pior do que já está.
O rol de promessas não cumpridas é extenso. Começa pela inflação, passa pelos juros e culmina com contas públicas em pandarecos. Nem a geração de empregos – que o PT usa como marca do “sucesso” de sua política econômica – resistiu.
Com a alta da Selic determinada anteontem pelo Banco Central, a taxa básica já está em 11,25% ao ano. Um novo aumento deve ocorrer na reunião do Copom marcada para início de dezembro, elevando o juro brasileiro em mais 0,25 ponto percentual, campeão absoluto no ranking mundial da usura.
Desta maneira, Dilma descumpre uma de suas mais caras promessas: a de baixar a taxa real a 2% ao ano. Usando seus peculiares conhecimentos de teoria econômica, a presidente tentou fazer isso na marra, mas fracassou redondamente. Não só não conseguiu reduzir os juros, como terminará os quatro anos com taxa mais alta do que recebeu.
Sua política também alimentou a inflação. Em nenhum dos 45 meses de seu mandato decorridos até agora, a petista conseguiu cumprir a meta de inflação de 4,5% ao ano. A taxa acumulada em 12 meses esteve sempre acima deste patamar e em 13 ocasiões estourou o limite máximo de tolerância – como acontece com os 6,75% atuais.
Os resultados fiscais são outro fiasco. Hoje pela manhã foram conhecidos os números do Tesouro relativos a setembro, trazendo o primeiro déficit acumulado nos nove primeiros meses do ano desde 1997. O rombo até setembro é de R$ 15,7 bilhões.
Apenas no mês passado, as despesas superaram as receitas em R$ 20,4 bilhões, uma enormidade nunca antes vista neste país. Foi o pior resultado já observado na série histórica, pior até do que o verificado em setembro de 2008, quando o país mergulhou em séria crise econômica.
Para completar, também no mercado de trabalho a situação degringolou com Dilma. Nos nove primeiro meses da atual gestão, em 2011, foram geradas 2,08 milhões de novas vagas, número que caiu agora para apenas 904 mil no acumulado entre janeiro e setembro deste ano. A indústria continua a pôr trabalhadores em férias e as montadoras ampliam as licenças a seus empregados.
No fim de seus quatro primeiros anos de governo, Dilma Rousseff está numa encruzilhada: perseverar no caminho que produziu esta penca de maus resultados ou trair tudo o que disse e prometeu na campanha eleitoral e mudar totalmente os rumos de uma política fracassada. O risco é ficar pior do que já está.
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