sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A pior da história

Quando o assunto é Dilma Rousseff e o governo do PT, nada é tão ruim que não possa piorar. A petista ostenta agora o título de presidente da República mais mal avaliada, mais rejeitada e, por que não dizer, mais odiada da história brasileira. Sua ficha de serviços prestados à nação justifica com sobras a baixa popularidade.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 71% dos brasileiros consideram o governo atual ruim ou péssimo. Nem Fernando Collor às vésperas do impeachment foi tão rejeitado. Na ponta oposta, apenas 8% ainda avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Nunca tão poucos foram favoráveis a um governo.

A ojeriza a Dilma é ampla, geral e praticamente irrestrita. Em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todas as idades, a presidente é majoritariamente rejeitada. Na média e em todos os estratos, dois de cada três brasileiros rechaçam o governo dela – no Nordeste, a desaprovação chega a 66%; entre os mais pobres, alcança 69%. Este beco parece não vislumbrar saída.

O Datafolha perguntou a 3,3 mil brasileiros se consideram que o Congresso deve abrir processo de impeachment da presidente. 66% responderam que sim, com alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em abril. 38% creem que Dilma será afastada do cargo – eram 29% há quatro meses.

Não se pode dizer que Dilma Rousseff não seja inteiramente responsável pelo inferno em que se encontra. O desastre foi ela quem lavrou. Esta erva daninha, foi ela quem semeou.

A crise econômica é fruto de escolhas equivocadas que ela aprofundou – e produzirá dois anos de recessão, como não ocorria no país desde a Grande Depressão, nos anos 1930. A desagregação política decorre da arrogância com que Dilma tentou administrar o país. A conflagração social é o estuário dramático de mentiras e erros cometidos em série.

Nem seus pares veem na presidente condições de superar as dificuldades. Como quem não enxerga na petista a líder que o momento clama, o vice-presidente está em busca de “alguém (que) tenha capacidade de reunificar a todos”. Até Lula parece entregar os pontos: nem uma improvável recuperação econômica é capaz de salvar Dilma e seu partido.

A crise aumenta de tamanho a cada mês, a cada semana, a cada dia. Pode ficar “desagradável”, no dizer de Michel Temer, para quem, duas semanas atrás, só havia uma “crisezinha”. Não: já está bem pior que desagradável. Quem trabalha, quem produz e quem investe no país – ou pelo menos tenta – sabe bem disso.

Nesta noite de quinta-feira, a legenda que produziu esta desestruturação e a chefe de governo que a levou ao paroxismo irão à TV defender seu projeto. Serão recebidos com a trilha sonora de milhões de panelas país afora, em repúdio à presidente da República e ao partido que têm muito a pagar e nada mais a oferecer ao país e aos brasileiros.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Crise de proporções industriais

O fracasso amplo, geral e irrestrito do governo Dilma Rousseff acaba de ser atestado, mais uma vez, com os números desastrosos do desempenho da indústria nacional. A crise no setor é cada vez mais aguda, a despeito de inúmeras iniciativas – todas inteiramente mal sucedidas – empreendidas pela gestão do PT nos últimos anos.

Junho registrou mais uma queda (-0,3%) na produção industrial, a 16ª seguida. Com baixa de 6,3%, o primeiro semestre foi o pior desde 2009. Destaque para a retração de 20% na produção de bens de capitais – o que indica pouca disposição dos empresários em investir no aumento da capacidade de produção – e de 14,6% na fabricação de bens de consumo duráveis – que sugere que o dinheiro está curto no bolso dos consumidores.

Ambas sinalizam menor potencial de crescimento da economia; ambas demonstram falta de confiança na recuperação do país. A queda da atividade no semestre foi generalizada, atingindo 24 dos 26 setores pesquisados pelo IBGE e 70% dos produtos acompanhados. De janeiro até maio, 105 mil empregos foram eliminados no setor.

É o retrato pronto e acabado do fracasso das seguidas medidas que o governo petista tomou para incentivar o setor secundário da economia. Deram em nada, exceto em torrar dinheiro do contribuinte para atender alguns poucos amigos do rei e em criar distorções ainda maiores no mercado, que prejudicam a competição e penalizam o consumidor.

Nos quatro primeiros anos do governo Dilma, a indústria registrou duas altas anuais (0,4% em 2011 e 2,1% em 2013) e duas quedas (-2,3% em 2012 e -3,1% em 2014). Na soma, encolheu e produz hoje 10% menos do que produzia em 2008. O segmento de transformação, mais dinâmico e modernizador, equivale agora a cerca de 10% do PIB, ante quase 20% há duas décadas. E continua a diminuir.

A expressiva elevação dos custos, na esteira do aumento de impostos e da tarifa de energia, o arrocho dos juros, a incerteza no cenário político e econômico e a deterioração do mercado de trabalho não deixam dúvida: a indústria vai continuar na pior. “2015 será um dos piores anos da indústria brasileira, mais grave que a crise de 2009”, analisa o Iedi.

É caro produzir no Brasil, as condições de infraestrutura não ajudam, a burocracia enlouquece qualquer um e, com seu intervencionismo excessivo, o Estado dá um jeito de sufocar o resto de ímpeto que ainda possa existir nos investidores. Além disso, a produção nacional não se beneficia de acordos globais e perde o bonde da competitividade – crescente, o déficit na balança de manufaturados chegou a US$ 110 bilhões em 2014.

O comportamento da indústria ilustra o buraco sem fundo em que a economia brasileira se encontra, jogada pelo PT. O país vive uma recessão que começou, segundo critérios técnicos da FGV, no segundo trimestre de 2014 e tende a durar pelo menos até o fim deste ano. É o mais duradouro ciclo de baixa desde 1999 e a pior retração desde Fernando Collor. É, portanto, uma crise de proporções industriais.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O ‘guerreiro’ voltou... pra cadeia

José Dirceu foi novamente preso. Ninguém foi às ruas para defender o “guerreiro do povo brasileiro”, como os petistas se acostumaram a saudar um dos mais fortes dirigentes que o partido sempre teve. O PT calou-se a respeito. O envolvimento direto do petismo com a corrupção tornou-se tão umbilical, que nem a prisão de uma liderança de primeiríssimo escalão como Dirceu causa surpresa, senão resignação.

O ex-“capitão do time” de Lula foi novamente preso ontem sob acusação de receber propina. Numa frase, segundo a precisa definição d’O Globo: “Suspeita-se de que ele tenha dedicado os últimos 12 anos à corrupção”. A temporada coincide com os períodos em que o líder do PT, e ex-presidente do partido, foi ministro-chefe da Casa Civil de Lula, com o de seu julgamento, condenação e prisão pelos crimes do mensalão.

Dirceu é acusado de receber propina para financiar o projeto de poder do PT e para enriquecimento pessoal. De 2007 a 2014 teriam sido movimentados R$ 90 milhões, de acordo com O Globo, vindos de empresas que prestavam serviços à Petrobras e destinavam parte do dinheiro desviado ao partido de Dilma e Lula – no montante de até 20% de alguns contratos, segundo O Estado de S. Paulo. Antes, Dirceu coordenara a máquina de corromper montada pelo petismo para azeitar o apoio político a Lula no Congresso.

Dirceu talvez seja caso único de político duplamente preso. Ainda cumprindo, em casa, a pena de sete anos e 11 meses pela condenação no mensalão, teve de ser novamente encarcerado, porque continuava a delinquir. Já fora do governo, ele faturou R$ 39 milhões com sua empresa de consultoria de mentirinha, parte disso enquanto já estava na cadeia. Não é motivo suficiente para, pelo menos, suspender o benefício da prisão domiciliar de que Dirceu goza?

Os procuradores dizem que Dirceu criou o esquema de corrupção na Petrobras. Mas agia sozinho? Sua criação beneficiava diretamente a quem? A Operação Lava Jato talvez esteja ingressando agora no andar de cima da cadeia de comando que vem assaltando os cofres do Estado brasileiro ao longo dos últimos 13 anos. Oxalá assim seja.

Dirceu, certamente, não é o topo desta pirâmide. No mesmo período em que ele agia e enriquecia, Lula se locupletava do apoio parlamentar lubrificado com a corrupção e Dilma Rousseff presidia o conselho de administração da Petrobras, de onde saia o grosso do dinheiro que irrigava a compra de voto no Congresso, financiava o PT e enriquecia seus próceres. Há muito a investigar.

Segundo uma autoridade da Lava Jato ouvida pelo Valor Econômico, Lula entrou “no radar” das investigações em razão de dinheiro recebido de empresas investigadas pelos desvios na Petrobras sem a devida comprovação dos serviços supostamente prestados pelo ex-presidente. Já no Planalto, o maior temor, segundo os jornais, é de que as investigações subam a rampa do palácio e também passem a atormentar ainda mais a vida já nada fácil da atual presidente da República.

Junto com a prisão de Dirceu, a Lava Jato também revelou ontem, a partir da delação do lobista Milton Pascowitch, que o PT recebeu R$ 10 milhões em dinheiro vivo desviados da Petrobras e entregues na sede do partido. As sacolas de dinheiro eram o “pixuleco” que o partido sangrava do povo brasileiro para sustentar seu projeto de dominação total.

Está claro que o petrolão não apenas reproduziu o mensalão. Eram ambos parte de um sistema maior de assalto ao Estado, que também inclui as empresas do setor elétrico investigadas no “eletrolão”. Desde que chegou ao comando do país, o PT pôs a estrutura que deveria servir ao público, ou seja, aos cidadãos brasileiros, para servir ao projeto de poder do partido. É isso que apenas se desvelava no mensalão e que agora a Lava Jato vem desnudando cotidianamente com todas as cores.

O juiz Sérgio Moro descreveu a atuação de José Dirceu como atos de “profissionalismo e habitualidade” na arte de corromper. No universo do petismo, certamente assim é que se espera que faça um “capitão do time”. Recentemente, a presidente da República afirmou, numa entrevista, que o petrolão era fruto da ação de uns quatro ou cinco delinquentes. Não disse quais. Mas, com a nova prisão do ex-presidente do PT e ex-ministro da Casa Civil de Lula, é possível que as investigações estejam começando a se aproximar deles.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A vez do ‘eletrolão’

Primeiro foi o mensalão, depois transformado em troco pela roubalheira que vem sendo desnudada com o petrolão. Agora chegou a vez dos negócios na área de energia. Dilma Rousseff pode até não ter participado do primeiro, mas esteve em posições de proa no segundo e pode estar enredada de vez no terceiro megaescândalo da era petista.

Na semana passada, a Operação Lava Jato começou a desbaratar a teia de corrupção dos negócios no setor elétrico federal. Iniciou pelas obras de construção da usina nuclear de Angra 3 e deve se espraiar por um latifúndio de R$ 28,6 bilhões em empreendimentos tocados pela Eletrobrás. Não há limite para a sanha corruptora petista.

O negócio em questão tem todos os ingredientes típicos das roubalheiras anteriores. Parada há 25 anos, a construção de Angra 3 foi retomada quando Dilma estava na Casa Civil e Lula na presidência da República. Já deveria estar pronta, mas seu custo dobrou para R$ 15 bilhões e o término da obra só deve acontecer em 2018 – e olhe lá.

A lista de obras com suspeitas de desvios é muito mais extensa. Também inclui, para ficar nos exemplos mais vistosos, as hidrelétricas de Belo Monte – cujo valor saltou de R$ 19 bilhões para R$ 33 bilhões, mas teve apenas 2/3 concluídos até agora – e Jirau, e até a fabricação de submarinos nucleares, cujo projeto beira R$ 30 bilhões.

Por ora, a Polícia Federal prendeu o presidente licenciado da Eletronuclear, mas dois diretores da Eletrobrás suspeitos de envolvimento nos desvios também pediram licença do cargo na semana passada. Um deles tem notórias ligações com a presidente da República: Valter Luiz Cardeal, diretor de Geração da estatal, que acompanha Dilma desde os tempos do governo do Rio Grande do Sul.

Cardeal personifica a relação umbilical de Dilma com o setor que ora é objeto de escrutínio do Ministério Público, da Justiça Federal e da PF. Mas há muito mais. Há mais de uma década, a hoje presidente tem seu nome atrelado ao setor elétrico nacional, que comandou no início do governo Lula e depois tutelou como ministra-chefe da Casa Civil e, posteriormente, como presidente da República.

O envolvimento de Dilma com a corrupção não passa de suposição. Mas é notório que, de forma progressiva, os negócios investigados estiveram ou estão muito próximos dela. Enquanto a Petrobras era assaltada em pelo menos R$ 19 bilhões, a petista presidia o seu conselho de administração e aprovava empreendimentos ruinosos. Na área energética, tudo passava por ela – supostamente sob mãos de ferro.

Como constatou um dos procuradores da Lava Jato, a roubalheira vem se espalhando por toda a administração pública federal, num deplorável “processo de metástase”. São as consequências do modo petista de administrar, que transformou o aparato estatal num balcão de negócios e alçou a corrupção à condição de método de governo. Já faz 13 anos que é assim.