sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Quem governa o desgoverno?

O país vive hoje situação bastante parecida com a que experimentava exatamente um ano atrás na área econômica: conta com um ministro da Fazenda fraco, desacreditado e que praticamente apenas aguarda a hora de ir embora de Brasília. Se problemas assim se repetem, e com tamanha frequência, a culpa é menos dos titulares do cargo e mais de quem os nomeou.

Joaquim Levy está novamente sob intenso bombardeio. Seu arrocho fiscal, denunciado desde a primeira hora pela oposição, não mostrou até agora a que veio. Revelou-se rudimentar, baseado somente em alta de impostos e corte de benefícios sociais. Não produziu sequer um ensaio do equilíbrio nas contas públicas que prometia.

Nestes últimos 12 meses desde as eleições de 2014, a crise econômica só fez agravar-se, e muito. O país que começou o ano com a perspectiva de ter algum crescimento, mesmo mínimo, hoje afunda numa intensa recessão. Já se dá de barato que a queda não se limitará a este ano, estendendo-se também a 2016. Na soma, um tombo de uns 5% na economia.

A base política para as medidas do arrocho sempre foram gelatinosas. Levy foi obrigado a assumir a linha de frente de negociações, ao mesmo tempo em que a presidente da República retirava-lhe condições de trabalho. O governo nunca exibiu empenho necessário para efetivamente reorientar a política econômica que produziu a ruína atual.

O ministro expressa dificuldades de um governo que não tem convicção daquilo que faz. No fundo, a postura de Dilma Rousseff denota sua crença arraigada no modelo fracassado que levou o país à recessão, ao desemprego, ao descontrole fiscal e à escalada inflacionária. Levy já chegou com o barco afundando, e pouco conseguiu fazer para deter isso.

A provável queda de Levy, possibilidade que nos últimos dias alcançou níveis insuportáveis, consolida também a reassunção total ao poder por parte de Lula. Todos os principais cargos da República passarão a ser ocupados por gente da estrita confiança do ex-presidente, estendendo a tutela que paira sobre a mandatária também à parte mais relevante de sua equipe.

Fato é que nem Joaquim Levy nem quem vier a suceder-lhe consegue produzir o milagre de emprestar à atual presidente da República aquilo de que ela não dispõe: credibilidade e capacidade para recuperar a confiança no país. Trata-se de atributo intransferível do mandatário e de que, definitivamente, Dilma não desfruta.

Imerso em dificuldades sem precedentes no passado recente, o país vê a presidente da República apenas assistir ao desenrolar da crise. Não se notam atitudes capazes de remediar a penúria que milhões de brasileiros experimentam cotidianamente. Diante disso, é irrelevante quem esteja no Ministério da Fazenda. O nome pode até mudar, mas sob Dilma a perspectiva ruim não se altera em nada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O PT quer acabar com o país

O PT está se lançando, mais uma vez, naquilo que mais gosta de fazer: reescrever a história. O partido dos mensaleiros e do petrolão acaba de divulgar um documento em que tortura os fatos até que eles confessem versões convenientes ao petismo. A verdade que os petistas tentam esconder é inescapável: nunca antes na história, o Brasil foi tomado de assalto por uma organização criminosa como esta.

A narrativa petista visa apresentar o partido no figurino que mais lhe convém: o de paladino da moralidade e vítima das elites, inconformadas com a ascensão social e com a abertura das portas do maravilhoso mundo de consumo a milhões de brasileiros pobres. Sobre o desemprego que assola 8,8 milhões de famílias, a recessão que fará a renda per capita retroceder uma década e a inflação que alcança níveis só vistos 20 anos atrás, nenhuma palavra.

Nenhuma novidade, o libelo do PT também avança contra as instituições, acusa magistrados, coloca sob suspeita iniciativas e investigações que estão passando o Brasil a limpo, em especial a Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro. Sobre a prisão de seus principais próceres, sobre a confirmação de que as estatais foram roubadas em bilhões de reais, sobre as provas contundentes de que o assalto serviu para perpetuar o projeto de poder dos petistas, nenhuma frase sequer.

Já se sabe que o petrolão desviou mais de R$ 20 bilhões da Petrobras e que a maior parte disso foi para o PT. Nacos ficaram com partidos aliados. Isso já está tão evidenciado que as legendas envolvidas devem ser acionadas judicialmente para devolver a grana surrupiada aos cofres públicos. Claro que, para os petistas, tudo isso não passa de conspiração golpista para “acabar” com o partido...

Depois de ter reduzido a Petrobras a pó, dizimado seu valor de mercado, quase inviabilizado a indústria do petróleo no país e desestruturado todo o setor elétrico, o PT prefere lançar suas críticas ao governo Fernando Henrique. Sobre comparar o salto que a estatal deu naquela época ao mergulho no qual naufraga agora, nem uma mísera vírgula.

Na tentativa suprema de distorcer a realidade, o PT sustenta que doações feitas por empresas a partidos da oposição deveriam ser tão suspeitas quanto as recebidas pelos petistas. Estranha lógica esta: quem está no comando do país e das estatais assaltadas no esquema do petrolão – assim como fora no mensalão – é o PT. E há 13 anos!

Não vai adiantar mais esta tentativa desesperada de fazer com que a mentira prevaleça sobre as verdades. As instituições do Estado brasileiro estão se encarregando de escrever a história e nela não cabe aos petistas o papel de mocinhos. O partido precisa, sim, ser dizimado. Mas não é por golpes, estratagemas ou armações. Será nos tribunais, nas cadeias e nas urnas. Porque o Brasil não merece o PT e o PT não merece continuar ainda mais tempo à frente do Brasil.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os protestos de quem roda o Brasil

Caminhoneiros estão parando de norte a sul do país em protesto contra a presidente, sua política ruinosa e sua falta de palavra. O governo os trata como criminosos. As manifestações vêm de quem melhor conhece o Brasil profundo, que convive diuturnamente com as dificuldades de se produzir e trabalhar num país onde o poder público faz tudo o que pode para atrapalhar.

Segundo os balanços publicados nos jornais, a categoria conseguiu, de forma quase espontânea, espalhar seu protesto por pelo menos 14 estados. Foi mais longe do que seus organizadores, mesmo informais, estimavam conseguir chegar.

Os porta-vozes do governo dizem que “nunca viram greve cujo único objetivo é gerar desgaste para o governo”. Deveriam forçar um pouco a memória e lembrar-se de quando o PT ainda era oposição e, apenas por discordar de políticas implementadas, convocava manifestações e marchas sem pestanejar.

O governo trata os caminhoneiros como delinquentes, promete “agir com rigor” e multá-los em mais de R$ 1.900. Curiosamente, não dispensa o mesmo tratamento truculento aos petroleiros há duas semanas em greve com sua pauta carcomida, alinhada a bandeiras caras ao petismo – e que muito mais prejuízos econômicos vêm gerando à Petrobras e ao país.

Caminhoneiros estão entre as categorias profissionais que melhor conhecem os entraves de se produzir no Brasil. Rodando pelas estradas, sabem, como poucos, da sua condição lastimável, da insegurança a que também motoristas em viagens particulares com suas famílias estão diariamente sujeitos.

A infraestrutura brasileira está em frangalhos. No caso da malha rodoviária, a deterioração ganha contornos objetivos em pesquisa divulgada pela CNT na semana passada. Alguns resultados: 52% das estradas federais estão em situação ruim ou péssima; somente 12% das nossas rodovias são pavimentadas e menos de 14% são duplicadas.

Transitar pelo país é fazer uma viagem ao atraso e pelo incerto. Segundo o mesmo anuário, mais de 8,2 mil pessoas morreram em acidentes rodoviários no ano passado. Perde-se R$ 47 bilhões com a situação esfacelada das nossas estradas.

Caminhoneiros também estão entre os brasileiros que mais reconhecem quanto custa uma promessa não cumprida. São os que há anos veem obras serem repetidamente anunciadas, mas nunca executadas. Os exemplos se repetem por todo canto, agravados agora pelos entraves ao andamento dos programas de concessão que o PT mostra-se incapaz de tocar.

É legítima a manifestação de uma categoria profissional que, como milhões de cidadãos, está cansada de ver o Brasil andar para trás. No fim de semana, a fila de caminhões vai ganhar a companhia de multidões a pé que novamente devem ocupar ruas e avenidas para protestar contra o governo e pedir a saída de Dilma Rousseff. São brasileiros que, de norte a sul, no campo e nas cidades, não aguentam mais viver num país em rota de colisão.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Por que investigar Dilma na Petrobras

Veio em boa hora a decisão do Tribunal de Contas da União de investigar as atividades da Petrobras na época em que Dilma Rousseff comandava seu mais alto órgão de governança. Os anos em que ela presidiu o conselho de administração da estatal marcam a época mais ruinosa da companhia. Não dá para deixar impune quem destruiu assim o patrimônio do povo brasileiro.

Especificamente, o TCU quer que a Petrobras explique como se lançou na construção de duas refinarias e, anos depois, abandonou-as pelo caminho. Não sem antes torrar R$ 2,7 bilhões, fazer seguidas comemorações e lançamentos de pedras fundamentais em busca de votos no Maranhão e no Ceará, onde seriam erguidos os dois empreendimentos.

As duas refinarias são apenas a ponta de um iceberg de prejuízos produzidos durante a gestão do PT em nossa outrora maior companhia. Recorde-se que, em janeiro, a diretoria da estatal chegou a estimar as perdas com maus negócios e com a corrupção em mais de R$ 88 bilhões, número depois revisto para “apenas” R$ 6,2 bilhões só com a roubalheira.

A lista de ruínas é engrossada pela refinaria Abreu e Lima, que começou como um negócio em parceria com Hugo Chávez e terminou – ou melhor, ainda não terminou – sendo a mais cara indústria de processamento de petróleo já erguida no mundo. Há, ainda, o Comperj, de prejuízos igualmente bilionários e nenhuma perspectiva de conclusão à vista, e a enferrujada Pasadena.

Depois da passagem do tsunami Dilma por lá, financeiramente a Petrobras também foi liquidada. É, desde 2013, a empresa mais endividada do mundo, atualmente com passivo acima de R$ 500 bilhões. Já teve sua nota de crédito rebaixada à condição de grau especulativo por duas agências de crédito: a Moody’s e a Standard & Poor’s.

Durante sete anos, Dilma presidiu o conselho de administração da Petrobras. Foi sob o nariz dela que reinaram Paulo Roberto Costa, depois saudado por “relevantes serviços prestados” ao renunciar à direção da empresa, e Nestor Cerveró, que ganhou uma diretoria em outra estatal do grupo como prêmio de consolação ao se afastar da companhia.

Os anos Dilma na Petrobras também foram marcados por frustrações operacionais em série, com metas nunca atingidas. Mais recentemente, já com ela na presidência da República, a empresa apresentou duas quebras anuais de produção seguidas – algo que havia acontecido pela última vez na crise do petróleo dos anos 1970.

Diante de tamanha penúria, a Petrobras está sendo obrigada a se reinventar, a rever seu portfólio de negócios e a cortar investimentos – até agora – em cerca de 30%. A empresa tenta se desfazer de atividades deficitárias, ao mesmo tempo em que busca concentrar-se nas áreas mais rentáveis. O problema é que esta espécie de privatização branca acontece num período de vacas magérrimas no setor de petróleo, com os ativos sendo ofertados na bacia das almas.

Completam o quadro as imensas atribuições e encargos que o novo marco regulatório adotado no país desde 2010 jogou sobre a empresa. Os custos das caríssimas operações no pré-sal já esbarram no limite da viabilidade econômica, com risco de a imensa riqueza depositada no subsolo não vir a se transformar em realidade. A megalomania da política de construção de navios e plataformas também cobra seu preço na forma de milhares de desempregados no setor naval.

A empresa foi convertida, ainda, em esteio de uma política fracassada de controle artificial da inflação. Perdeu cerca de R$ 60 bilhões com o congelamento, ao longo de anos a fio, dos preços dos combustíveis, que comprava caro no exterior e vendia barato internamente – na contramão, inclusive, dos preceitos ambientais.

Um dos primeiros passos para que a Petrobras comece a recuperar a força que um dia teve é rever as obrigações do modelo de partilha, conforme já se discute no Congresso, com firme oposição do governo. Deve-se também afastar a empresa de negócios que só serviam mesmo para levantar dinheiro sujo para partidos políticos, como a Operação Lava Jato tem deixado claro a cada dia.

Durante anos, o PT apresentou-se como defensor inconteste da Petrobras. Dizia que seus adversários queriam dizimar a empresa em favor de interesses inconfessáveis. Viu-se, contudo, que quem tinha gana de transformar a estatal em butim e levá-la à lona eram os petistas e seus aliados no poder.

Os anos em que Dilma Rousseff esteve à frente da governança da empresa são uma “experiência para ser aprendida e nunca mais repetida”, como uma vez resumiu Graça Foster. Agora, o TCU tem a chance de passar a limpo a história desta ruína e punir quem viu o circo pegar fogo, sem reagir. A Petrobras foi o centro do esquema criminoso que o petismo montou para se perpetuar no poder. Quem foi conivente e omissa com isso não pode ficar sem castigo.